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26. Capítulo 25


Fic: O Testamento


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Harry certamente não estava com ciúmes. Adolescentes ficam com ciúmes, e ele já tinha passado dessa fase da vida. Estava ficando irritado, no entanto. Gina ria e se divertia dançando com Sirius. Harry sentou-se junto ao balcão e passou a tomar notas sobre o proble­ma que um homem lhe expunha. O homem havia comprado um carro usado, com trinta dias de garantia. O homem pagou em dinheiro, tirou o carro do pátio do vendedor e, dois quarteirões adiante, o silenciador caiu e o radiador estourou. Como não fazia nem meia hora que era dono do carro, mandou guinchar de volta ao pátio e pediu seu dinhei­ro de volta. O vendedor explicou-lhe que a garantia de satisfação só cobria os pneus e o motor. Também sugeriu que, da próxima vez que comprasse um carro, lesse as letras miúdas antes de assinar o contrato.


Gina riu outra vez, chamando a atenção de Harry. Ele adorava o som de sua voz, e pelo modo como Sirius olhava para ela, também estava encantado.


Mais uma vez, voltando-se para o homem sentado a seu lado, procurou concentrar-se. Quando olhou para os dois pela centésima vez, Sirius havia levantado a camiseta e estava mostrando a horrível cicatriz que tinha no peito. Entre dentes, Harry murmurou:


— Já chega!


Deixou a caneta sobre o balcão e foi até lá acabar com a dança.


— Está tentando impressionar Gina com todos os buracos de bala que tem?


— Já a impressionei com minha inteligência, bom humor e charme — Sirius respondeu.


Ela balançou a cabeça e disse:


— Teve muita sorte. Essa bala poderia ter matado você.


— Sim, muita sorte — ele concordou. — Meu anjo da guarda estava de prontidão, acho — ele riu. — Eu estava na igreja quando fui atingido.


Ela tinha certeza que ele estava brincando.


— Dormiu durante o sermão e deixou o padre louco da vida?


— Mais ou menos.


— Papai vai gostar de ouvir essa história — ela disse. — Onde ele está?


— Está na cozinha, preparando alguns sanduíches — Harry respondeu.


— Não me diga que está com fome depois de comer o peixe!


— Foi ele quem ofereceu. Disse que ia fazer um para ele e está fazendo um para o Sirius, também.


Pensando em ajudar o pai, ela foi para a cozinha. Ouviu Sirius dizer:


— E então, Harry, o que acha de dar uma olhada na lista dos participantes do concurso de pesca no sábado? A folha está pendurada naquela parede.


— Por que quer que eu vá olhar?


— Porque você foi chutado.


— Não me venha com bobagens...


Harry recusava-se a acreditar nele... até olhar a lista. Seu nome havia sido riscado, e o de Sirius estava escrito por cima.


Gina entrou correndo na cozinha. O pai entregou-lhe um prato descartável com um sanduíche duplo de peru com muita maio­nese e um monte de batatas fritas brilhantes de gordura. Ele levava outro prato igual e o colocou sobre o balcão.


— Se Harry ficar por aqui mais duas semanas, acabará tendo de implantar uma ponte de safena — ela comentou. — Está matando o homem com suas gentilezas.


— Peru não faz mal. Você mesma disse.


— É, mas um vidro inteiro de maionese faz a diferença para pior — ela disse. — E também parece ter um monte de gordura naquelas batatas fritas.


— É isso que deixa as batatas gostosas — o pai respondeu e virou-se para chamar. — Podem vir, meninos. O lanchinho está pronto. Fiz os sanduíches sem meu molho especial de pimenta, Harry, se isso o preocupa.


Sirius e Harry estavam lendo a lista. Ela cutucou o pai e murmurou:


— O senhor trocou Harry por Sirius como seu parceiro no torneio? Ele tinha uma expressão culpada como o pecado.


— Tive de trocar, querida.


Sem conseguir acreditar no que ouvia, ela perguntou:


— Por quê? — mas não lhe deu tempo de responder. — Como vem com essa história de simpatia e depois quebra uma promessa feita?


— Só estava sendo prático.


— Que significa isso?


Ela seguiu-o de volta até a cozinha.


— Embrulhe o meu sanduíche, Gi. Vou levar para comer em casa.


Ela pegou o papel alumínio e fez o que ele pediu.


— O senhor ainda não me respondeu — ela lembrou. Arthur encostou-se no balcão e cruzou os braços.


— O que acho é que temos mais chance de ganhar se formos quatro a concorrer ao prêmio, em vez de dois, e Sirius ia convencê-la a ser a parceira dele. Achei que o Harry não gostaria muito da idéia e então disse ao Sirius que eu seria o parceiro dele. Agora você e Harry podem passar o dia inteiro juntos. Você devia estar contente por ter sido incluída.


Ele realmente a deixava maluca!


— Trocando em miúdos, isso significa que o senhor acha que Sirius pesca melhor?


— Ele disse que vem pescando bastante nesses últimos quatro anos, mas não foi por isso que troquei de parceiro — ele apressou-se em dizer ao ver o brilho zangado nos olhos da filha. — Não vejo para que se arrepiar por causa disso. Você devia me agradecer por pagar sua inscrição.


— Não quero ir pescar no sábado. Tenho uma porção de outras coisas para fazer.


— Mas poderia ganhar o prêmio. Todo o mundo sabe que pesca melhor do que eu.


Ela recusava-se a acreditar naquela conversa fiada.


— Não é verdade e o senhor sabe muito bem disso. Está tentan­do bancar o cupido? É por isso que quer que eu vá pescar com Harry?


— Depois do que ouvi você dizer para ele? Não preciso fazer mais nada. Você está fazendo até bem mais do que eu esperava.


— Papai, só estava tentando desarmar Harry... Arthur fez de conta que não ouviu.


— Sirius é quem deve estar bancando o cupido. Ele disse-me que nunca viu Harry ficar como fica quando está perto de você.


Essa observação prendeu toda a atenção dela. O pai fez um sinal positivo com a cabeça e foi até a geladeira pegar leite. Encheu um copo e deu um longo gole.


— E como o Harry fica? — ela quis saber.


— Sirius diz que ele não pára de sorrir. Pelo que entendi, isso deve ser uma raridade.


— Papai, o sujeito está em férias. Por isso está sorrindo. Seu estômago está incomodando? O senhor só bebe leite quando está com indigestão.


— Meu estômago vai bem, obrigado — ele respondeu, impaci­ente, e voltou ao assunto em questão. — E quando se trata de Harry, parece que você tem uma resposta para tudo. Vamos ver se me explica isso. Por que ele não consegue tirar os olhos de você? Sirius percebeu e chamou-me a atenção para o fato. Daí eu comecei a perceber, tam­bém — ele continuou, antes que ela pudesse contestar. — Você sabia que Sirius trabalha para o FBI? Ele usa revólver, que nem o do Harry. Eu vi o berro preso na cintura dele. Vou lhe contar uma coisa: Harry tem amigos bem influentes.


— E o senhor conhece uma porção de gente que precisa da ajuda de amigos influentes, acertei?


Arthur terminou de beber o leite e colocou o copo na pia. Quando virou-se, ela percebeu, sob a forte luz branca, como ele tinha um ar cansado.


— Pode ir para casa, papai. Harry e eu podemos acabar o serviço e fechar.


— Eu também.


— Sei que pode, papai. Mas os próximos dois dias serão bem pesados. Vem uma porção de gente para cá para inscrever-se e comer, e o senhor sabe como o bar enche às quintas e sextas. Vá para casa, papai. Deite e descanse.


— Você também está precisando descansar. Precisa começar a pôr aquela clínica em ordem.


— Vem gente para me ajudar.


— Está bem, então — ele admitiu. — Estou cansado e vou para casa. Feche à uma, não espere até as duas horas.


Ele inclinou-se e beijou o rosto da filha.


— Até amanhã, menina.


Ele abriu a porta de trás e ia sair, mas voltou a fechá-la.


— Ah, eu ia me esquecendo de contar-lhe que Remus Lupin ligou atrás de você. Disse que não tem nenhuma novidade, nem um suspeito ainda, mas disse que continuará de olho, para ver se outra coisa ruim acontece. Agora eu é que pergunto: tem alguma coisa que tenha von­tade de contar ao seu pai? Ele deixou-me morto de preocupação por sua causa, mas depois lembrei-me que o Harry está lá com você. Não esqueça de passar a tranca nas portas — ele recomendou, saindo para a luz da lua. — Para mim é um conforto.


— O que é um conforto?


— Saber que Harry estará lá com você.


Gina concordou com a cabeça. Era mesmo um conforto. Ela trancou a porta, apagou a luz e voltou ao bar. Harry e Sirius haviam levado os pratos para uma das mesas redondas e estavam comendo seus sanduíches.


Um dos clientes habituais pediu uma cerveja. Ela percebeu como os olhos dele estavam vermelhos e perguntou:


— Vai dirigindo para casa hoje, Aberforth?


— A Connie vem me buscar quando terminar seu turno lá na fábrica. Ela é minha motorista esta noite.


— Então está bem — ela disse com um sorriso.


Ela serviu outro copo de cerveja, percebeu como estava abafado ali dentro e aumentou a velocidade dos ventiladores do teto. Só havia mais cinco fregueses no Cisne. Ela assegurou-se que todos estivessem bem servidos, depois pegou dois copos de água mineral e levou para Sirius e Harry.


Harry puxou uma cadeira e disse a ela:


— Sente-se conosco.


Ela deu a água a Sirius, sentou-se entre os dois e depois colocou a água de Harry junto ao prato dele.


— Espero que não se importem, mas mandei papai para casa, o que significa que terei de fechar o bar esta noite — ela anunciou.


— É tão bonitinho ver você ajudar seu papai. Costume do sul? — Sirius perguntou.


— Costume dos Weasley — ela respondeu.


Sirius acabou de colocar a última porção de fritas na boca e estava tomando um gole de água para ajudar a engolir, quando ela perguntou se ele desejava que ela o acompanhasse quando fosse fazer a vistoria da clínica.


— Já estive lá. Acho que Harry tem razão. Aquilo não é coisa de molecada. Foi serviço de uma só pessoa. E, fosse quem fosse, ficou furioso por não encontrar o que estava procurando. Você percebeu a escrivaninha? A tranca estava arrombada. Alguém perdeu algum tempo com aquela fechadura.


— Gina acha que pode ter sido algum paciente do Dr. Binns querendo roubar sua ficha.


— Um paciente não pode simplesmente pedir sua ficha? — Sirius perguntou.


— Eu entregaria uma cópia, mas o original ficaria comigo — Gina respondeu.


— Pois duvido que tenha sido um paciente. As fichas dos pacien­tes são confidenciais. Todo mundo sabe disso. E por que um paciente chegaria a tais extremos, arrebentando o lugar? Se queria tanto assim sua ficha, só precisava entrar e pegar o que queria em uma das caixas. Não, não acho que tenha sido um paciente. Mas o que diz o Dr. Binns? Ele tinha algum paciente pira... difícil?


— Ele ainda não me telefonou de volta — Gina informou. — Vou tentar mais uma vez pela manhã. Recentemente ele mudou-se para Fênix e deve estar ocupado, pondo suas coisas em ordem.


— Por que não dá o telefone dele a Sirius e deixa que ele se encarregue? — Harry sugeriu — As pessoas costumam atender mais depressa quando é o FBI que pede alguma coisa. Mesmo em meus piores dias, não consigo ser tão incisivo quanto Sirius. É um especialis­ta em coerção.


— Pois é — Sirius riu da definição, depois se voltou para Gina. — Já vi Harry fazer marmanjo chorar. Foi até um tanto engraçado ver um assassino frio e impiedoso, que por acaso é chefe de uma organiza­ção criminosa, desmontar feito um bebê.


— Isso é exagero dele — Harry disse.


— Não é não — Sirius contestou. — No entanto é verdade que uma pessoa comum não faz a mínima idéia do que faz um promotor do Ministério da Justiça. Pensando bem, Harry, acho que nem eu sei. Além de fazer criminosos chorarem, o que exatamente você faz, Harry?


— Não se faz muita coisa — ele respondeu secamente. — Bebe­mos bastante...


— Isso já se sabe.


— E ficamos pensando em coisas para vocês do FBI fazerem.


— Aposto que sim — Sirius disse e falou a Gina. — Esses preguiçosos da Promotoria empurram todo o serviço para os dedica­dos agentes do FBI.


Harry riu e brincou:


— Pois eu chamo isso de delegar tarefas. A gente faz isso para que esses seres inferiores não se sintam relegados a segundo plano.


Os insultos começaram a voar de um lado para outro, e alguns dos absurdos que diziam eram de morrer de rir. Achando graça de tudo, ela recostou-se na cadeira e relaxou. Quando a conversa voltou à clínica, ela disse:


— Não vou mais me preocupar com isso. Acho até que andei exagerando meu medo.


— Como assim? — Sirius quis saber.


— Fiquei tão apavorada depois de ver aquela confusão, que achei que estava sendo seguida. Sabem aquela sensação que dá? É difícil de explicar.


— Pois eu prestaria mais atenção a essa sensação, se fosse você — Sirius aconselhou.


— Mas não vi ninguém me seguindo — ela insistiu. — Eu teria visto... não acha?


— Se o cara for bom, não — Sirius disse.


— Esta é uma cidade pequena. Se algum estranho aparecesse, logo perceberiam.


— Você acha? E se viesse um homem com um furgão da compa­nhia telefônica, ou de eletricidade? Será que alguém notaria? E todos esses homens e mulheres que estão vindo para cá por causa do torneio de pesca? Se estiverem vestidos de acordo e carregando uma vara, estranharia a presença deles?


Gina levantou-se.


— Entendo onde está querendo chegar e agradeço muito a ins­peção que fez na clínica, mas continuo achando que foi um incidente isolado.


— E sua convicção baseia-se em quê? — Harry perguntou. — Pensamento positivo?


Ela ignorou o sarcasmo, e falou:


— Isso aqui é Bowen. Se alguém tivesse algum problema comi­go, logo me diria. Pensando bem, nunca me assustei com sombras, até que vi a clínica naquele estado. Acho que minhas reações foram exage­radas. Só quero que se lembrem — ela apressou-se em dizer, antes que ele a interrompesse — que nada mais aconteceu. Vocês ficam procu­rando uma conspiração, mas não existe nada — ela continuou, voltando-se para Sirius. — Mas agradeço muito que tenha vindo até Bowen.


— Não precisa me agradecer — Sirius respondeu. — Para falar a verdade, fiz um favor para receber outro favor. Harry concordou em ir de volta a Biloxi comigo. Ele fará uma palestra para mim, e eu cruzaria o país inteiro por isso. Ainda tenho de completar o treinamento, mas pelo menos não precisarei preparar a palestra.


— Quando tem de estar de volta?


— Na segunda-feira.


— Ah — ela comentou e virou-se depressa, antes que pudessem perceber o quanto ficara desapontada.


Sirius ficou observando ela afastar-se.


— Puxa vida, Harry, ela é especial. Se fôssemos ficar por aqui mais tempo, tentaria tirá-la de você. Sempre tive uma queda por ruivas.


— Você gosta de qualquer coisa que use saia!


— Não é verdade. Lembra-se do caso Donovan? Patty Donovan sempre usou saias e nunca me senti atraído por ela.


Harry girou os olhos e balançou a cabeça.


— Patty é travesti. Assim não vale.


— Mas as pernas eram bonitas. Isso eu reconheço — Sirius brin­cou. — Diga uma coisa. O que está acontecendo de fato entre você e Gina?


— Não está acontecendo nada.


— Pois é um desperdício.


— Você ainda não disse o tema da palestra que vou ter de dar — Harry comentou, na esperança de fazer Sirius mudar de assunto. — O que vai ser?


— Controle da raiva — Sirius respondeu, abrindo um sorriso. Harry deu risada.


— É isso que seu chefe chama de piada?


— Acho que sim. Você conhece Fineus Nigellus. Ele tem um senso de humor meio estranho. Me fez comandar o programa de treinamento como um tipo de castigo.


— O que você aprontou?


— Você nem vai querer saber — Sirius fez uma pausa, depois disse. — Nigellus gostaria de trabalhar com uma pessoa como você.


— Ah, a missão secreta revela-se, afinal. Pete pediu para você falar comigo?


Sirius deu de ombros e respondeu:


— Pode ter mencionado...


— Diga a ele que não me interessa.


— Ele gosta do jeito como sua mente funciona.


— Não me interessa — Harry reiterou.


— Está feliz onde está? Harry sacudiu a cabeça.


— Para mim, chega. Já deu. Vou voltar para amarrar as pontas que ficaram soltas; e depois apresento minha demissão.


— Só pode estar brincando, não é? — Sirius disse, com ar es­tupefato.


— Não, não estou brincando. Já está na hora... mais do que na hora — ele corrigiu.


— E daí? O que vai fazer, então?


— Já pensei em uma ou duas coisinhas.


— Uma dessas tem cabelos ruivos?


Harry não respondeu. Antes que Sirius insistisse, um homem apro­ximou-se da mesa e perguntou a Harry se podia conversar com ele sobre um assunto jurídico.


— Claro — Harry disse. — Vamos nos sentar ali no balcão. Levantou-se, girou os ombros para soltar os músculos, depois foi para trás do balcão para servir-se de cerveja. Depois perguntou ao jovem que o seguiu:


— Sobre o que queria falar?


Cinco minutos depois Harry estava a ponto de socar o tal ho­mem. Sirius percebeu a expressão de Harry e foi até o balcão para ver o que estava acontecendo. Ouviu Harry dizer:


— Não foi Arthur quem mandou você falar comigo, não é?


— Não, mas ouvi dizer que o senhor estava ajudando gente com problema jurídico.


— Qual é o problema? — Sirius perguntou. — Abriu uma garrafa de cerveja, jogou a tampa no lixo e foi colocar-se ao lado de Harry.


— Este é o Dawlish — Harry disse. — Tem dois filhos; um menino e uma menina.


Sirius mediu o homem, que tinha uma aparência desagradável. Mais parecia um adolescente descuidado do que o pai de dois filhos. Dawlish tinha cabelos louros compridos e ensebados que caíam-lhe sobre os olhos, além de dentes manchados e amarelados.


— Que idade você tem? — Sirius perguntou.


— Vou fazer 22 na semana que vem.


— E já tem dois filhos?


— Pois é. Consegui me divorciar da Emily faz seis meses porque conheci uma outra mulher e queria ficar com ela. O nome dela é Nora, e a gente quer se casar, né? Já me mudei para a casa dela, mas a Emily fica achando que tenho de continuar a dar dinheiro para as crianças, mas eu não acho justo.


— Então você quer que eu encontre um jeito para você não pagar pensão para seus filhos?


— Isso mesmo. Não quero pagar. São os filhos dela, tão moran­do com ela e eu já estou partindo para outra.


Os músculos da mandíbula de Harry contraíram-se. Gina esta­va na porta da cozinha, segurando uma jarra na mão. Havia ouvido a conversa e, ao ver como as costas de Harry estavam tensas, compreen­deu que estava zangado.


A voz de Harry continuou afável e tranqüila, quando comentou com Sirius:


— O Dawlish aqui já está partindo para outra.


— Tem certeza que ele está pronto para partir para outra? — Sirius perguntou, colocando a cerveja sobre o balcão.


— Ah, com certeza — Harry respondeu.


— Então deixe eu ajudar — Sirius disse com um sorriso.


— Pode cuidar da porta.


Gina avançou dois passos, mas deteve-se. Harry foi tão rápi­do que ela ficou surpresa. Num segundo ele estava sorrindo para Sirius e no outro havia dado a volta no balcão, agarrado Dawlish pelo colarinho e pela parte de trás das calças e o estava arrastando pelo chão. Sirius correu na frente, abriu a porta e afastou-se para que Harry atirasse o atrevido para fora.


— Ah, isso é que eu chamo partir para outra! — Sirius riu, en­quanto fechava a porta. — Que grande idiota!


— E fedido.


— Sabe o que me espanta? Como um cara feio e fedido desses consegue arranjar duas mulheres para dormir com ele?


Harry riu.


— Gosto não se discute, como diz o ditado.


Os dois estavam a caminho do balcão quando a porta abriu-se atrás deles e três homens entraram depressa. O último mais parecia um leão-de-chácara que tinha apanhado muito na cara. O homem era enor­me, com quase dois metros de altura, e seu nariz já deveria ter sido quebrado várias vezes no passado. Tinha um ar assustador e estava com um bastão de beisebol na mão.


— Qual dos babacas aí é o Harry Potter?


Sirius já tinha dado meia-volta. Estava de olho no bastão de bei­sebol. Gina viu quando ele pôs a mão nas costas para soltar o revólver.


O bar esvaziou-se. Mesmo Aberforth, que nunca fazia nada depres­sa, saiu pela porta em menos de cinco segundos.


— Gina, vá para a cozinha e feche a porta — Harry pediu, antes de virar-se e dizer. — Harry Potter sou eu. E qual de vocês é Válter Dursley?


— Sou eu, aqui — anunciou o menor dos três.


— Esperava mesmo que desse uma passada por aqui — Harry comentou.


— E quem você acha que é? — Válter desafiou.


— Acabei de lhe dizer quem sou. Não estava prestando atenção?


— Ah, pensa que é esperto, é? Está pensando que pode bloquear minhas contas e prender meu dinheiro no banco para eu não pegar nem um tostão? Está pensando que pode, é?


— Não só posso como já fiz — Harry calmamente ressaltou. Válter Dursley parecia-se com seu irmão. Era atarracado, troncudo, com olhos um tanto vesgos em um rosto redondo como uma lua cheia. Só que não sorria como o irmão. Deu mais um passo ameaçador na direção de Harry e disparou uma enxurrada de frases carregadas dos piores palavrões. Por fim, ameaçou:


— Você vai se arrepender de ter se intrometido em meus negóci­os. Meu irmão e eu vamos fechar a droga do engenho, e então o pessoal da cidade vai acabar com você na porrada.


— Se eu fosse o senhor, aí, sim, estaria preocupado. Há quanto tempo vem dizendo a seus empregados que está à beira da falência? Imagine só como ficarão... decepcionados, quando descobrirem qual é a renda anual do engenho e o quanto têm amealhado.


— O quanto temos é informação confidencial — Válter gritou. — Você pode até saber quanto dinheiro temos, mas não passa de um cara de fora tentando criar caso. Se sair por aí dando com a língua nos dentes, ninguém acreditará em você. Ninguém, está me ouvindo?


— Certo, mas as pessoas costumam acreditar quando vêem as coisas por escrito, não é mesmo?


— Do que está falando?


— Escrevi um artigo caprichado para o jornal de domingo. Claro que tem de ser o mais fidedigno possível — Harry continuou, com um tom de leve ironia. — Talvez seja uma boa idéia enviar uma cópia por fax amanhã, para o senhor poder conferir. Particu­larmente, acho que é um dos meus melhores trabalhos. Fiz a lista de cada centavo que o senhor e seu irmão ganharam nos últimos cinco anos.


— Não pode fazer isso. É confidencial — Válter bradou. Harry olhou para Sirius.


— Ah, acho que é bom falar sobre a declaração de renda dos dois irmãos nos últimos cinco anos, também. Ainda dá para incluir. Como pude esquecer?


— Você já era, Potter. Não permitirei que continue me dando problemas.


Válter estava tão zangado que o suor escorria-lhe pela testa. Estava espumando de raiva e era claro que ficava ainda mais possesso ao ver que Harry não se deixara impressionar com sua explosão de ira.


— Nem comecei a causar problemas ainda, Válter Dursley. Quando acabar com o senhor e com seu irmão, vocês terão de entregar o enge­nho aos empregados. E não vai demorar muito — acrescentou — Vocês terão de ir morar embaixo da ponte. É uma promessa.


— Quer abaixar seu bastão de beisebol, agora? — Sirius pergun­tou ao grandalhão de nariz amassado.


— Mas nem fodendo. Não vou largar isso antes de dar umas porradas. Não é, Seu Dursley?


— Isso mesmo, Risadinha.


— Risadinha? — Harry riu.


— É, esse mundo é estranho, mesmo — Sirius comentou, rindo.


— Vim aqui para quebrar as pernas do Potter com isso aqui, e é isso que eu vou fazer. Também vai sobrar para você — o grandalhão disse a Sirius. — É melhor parar de rir de mim, porque se arrependerá de ter aparecido por aqui.


Sirius estava de olho no homem que havia vindo com Válter Dursley e Risadinha. Tinha quase o tamanho do grandalhão, mas era mais ma­gro e tinha orelhas de abano. Os dois acompanhantes pareciam lutado­res de rua mas, na opinião de Sirius, Orelha de Abano é que era a verdadeira ameaça. Era bem provável que tivesse uma arma escondida. Ah, sim, ele podia causar sérios problemas; parecia ser o elemento surpresa que Válter Dursley tinha trazido para o caso de Risadinha não conseguir cumprir sua missão.


Risadinha batia a parte mais larga do bastão na mão. O barulho foi irritando Sirius.


— Largue essa porcaria — ele ordenou mais uma vez.


— Só depois de quebrar um pouco de osso.


Sirius de repente sorriu. Parecia que acabava de ganhar a loteria.


— Sabe de uma coisa, Harry?


— O que é?


— Eu diria que o que o Risadinha está dizendo não é nada mais, nada menos que ameaça. Você não acha que é ameaça? Bem, você sabe, já que você é promotor do Ministério da Justiça, e eu um mero servidor do FBI. Pode me dizer se é ameaça ou não?


Harry sabia exatamente qual era o jogo de Sirius. Estava deixando claro para os três homens quem eles eram, para que eles não pudes­sem alegar desconhecer o fato, caso fossem presos.


— Você tem razão. São ameaças, mesmo.


— Olhe aqui, espertinho — Válter disse a Sirius. — Se atravessar meu caminho, vou me divertir macetando você, também.


Sirius não estava prestando atenção e sugeriu a Harry:


— Talvez a gente até devesse deixar que um deles batesse na gente. Seria até mais interessante para a acusação em um julgamento.


— Pois eu consigo fazer a acusação sem que me batam. A não ser que você queira apanhar, amigo.


— Não, não quero apanhar. Só estava dizendo...


— Tá pensando que é brincadeira, é? — Válter gritou a plenos pulmões. Avançou mais um passo, ameaçadoramente, e empurrou o ombro de Sirius com os dedos. — Vou tirar esse risinho da sua cara, seu filho da...


Nem teve chance de terminar a ameaça. Sirius foi tão rápido que Válter nem teve tempo de piscar. Piscar, também, estava fora de questão. Ele gritou, ficou imóvel e arregalou os olhos para Sirius. O cano do revólver de Sirius estava encostado junto ao outro olho.


— O que ia me contar sobre a minha mãe, mesmo? — Sirius perguntou com voz suave.


— N-nada... n-nadinha — Válter gaguejou.


Risadinha preparou-se para bater e Orelha de Abano pôs a mão dentro da jaqueta.


O ruído alto de uma arma sendo engatilhada ecoou por todo o bar. O estalido prendeu toda a atenção dos homens.


Sirius manteve o revólver encostado à cabeça de Dursley, en­quanto olhava para trás. Gina estava apoiada sobre o balcão, apon­tando uma espingarda para Orelha de Abano. Harry avançou e tirou a arma da cintura do bandido de aluguel. Depois olhou para Gina.


— Pedi para você ficar na cozinha.


— É, ouvi você pedir.


Orelha de Abano tentou recuperar sua arma.


— Ei, tenho porte de arma. Pode ir dando de volta.


— Que bobagem está dizendo! — Harry disse entre dentes. Orelha de Abano jogou-se para a frente. Harry girou e acertou um golpe logo abaixo do pomo de Adão do agressor. O homem foi caindo para trás e, quando se virou, Harry golpeou-lhe a nuca. Orelha de Abano estatelou-se no chão.


— Não suporto gente que não pensa! — Harry resmungou.


— Concordo — Sirius disse. — Válter, vou ter de dar um tiro em você se Risadinha não baixar logo esse bastão.


— Abaixe isso, Risadinha.


— Mas, Seu Válter, o senhor disse...


— Esqueça o que eu disse. Largue esse bastão.


Válter tentou desviar-se do cano do revólver, mas Sirius o acompanhou.


— Baixe isso, por favor — Válter pediu. — Não quero que estoure meus miolos por acidente.


— Isso se você tiver miolos — Sirius ironizou. — Não tenho muita certeza. O que estava pensando quando veio até aqui com esses gorilas de aluguel? É tão prepotente que nem se preocupou com testemunhas? Ou será que é idiota demais para pensar nisso?


— Eu estava louco de raiva... Nem pensei... Só queria...


Válter parou de gaguejar assim que Sirius tirou a arma de sua testa. Para recuperar o tempo perdido, começou a piscar furiosamente.


— Bob está morto? — perguntou. — Se matou Bob...


— Ele ainda está respirando — Sirius disse. — Não me faça pedir outra vez. Risadinha, livre-se desse bastão.


Risadinha ,estava visivelmente contrariado quando jogou o bas­tão com força sobre a mesa do lado. Já que não podia quebrar pernas, outra coisa serviria. Talvez assim Válter ainda lhe pagasse alguma coisa. O bastão bateu na ponta da mesa, quicou de volta e caiu no pé de Risadinha. Este gritou e saiu pulando em um pé só, como se estivesse pulando amarelinha.


Harry entregou o revólver de Bob a Sirius e esfregou a mão que havia socado. Pediu a Sirius que colocasse Válter em uma cadeira e foi até o balcão falar com Gina.


— Gina, o que está fazendo com uma espingarda de cano cortado? Largue isso aí antes que acabe ferindo alguém — inclinando-se para a frente, examinou a arma e perguntou. — Onde arranjou isso?


— É do papai.


— Desconfiei — ele disse, controlando-se. — Onde foi que seu papai arranjou isso?


Estava se comportando como procurador da Justiça e fazendo com que ela se sentisse uma criminosa.


— Papai nunca chegou a usar isto aqui. Só deixou aí para mos­trar, caso alguém resolva brigar aqui dentro.


— Não respondeu minha pergunta.


— Rony deu ao papai para ele se proteger. Ensinou a nós dois como usar.


— Não pode ficar com isso. É ilegal.


— Já vou guardar.


— Não, vai dar isso a Sirius e deixar que ele dê um fim nisso para você — Harry contrapôs, tirando a arma dela. — Essa porcaria derruba um rinoceronte a cem metros.


— Ou um jacaré — ela observou.


— Ah, têm aparecido muitos jacarés aqui no bar para brigar?


— Não, claro que não, mas...


— Sabe quantos anos seu pai pode pegar por causa disso? Ela cruzou os braços e fuzilou-o com o olhar.


— Resolvemos as coisas de maneira diferente aqui em Bowen.


— Pelo que sei, Bowen faz parte dos Estados Unidos; e isso significa que deve seguir as mesmas leis. Onde foi que seu irmão arran­jou uma coisa dessas?


— Nem se atreva a querer arranjar problemas para meu irmão, Harry. É uma pessoa boa, prestativa e sensível. Não vou permitir que você...


Harry não estava disposto a ouvir reprimendas e insistiu:


— Responda à minha pergunta.


— Não sei onde ele arranjou a arma. Pelo que eu saiba, ele mesmo fez isso aí. Se levar isso embora, Rony pode muito bem dar outra igualzinha ao papai.


As pálpebras de Harry contraíram-se. Ela sabia que o estava irri­tando, mas naquele momento não importava. Afinal, o que seu pai faria se houvesse confusão no Cisne? Podia simplesmente colocar a mão na cabeça enquanto o bar era destruído? Além do mais, seu pai jamais atiraria em ninguém, mas o ruído da arma sendo engatilhada sempre bastava para desencorajar qualquer um que estivesse de cabe­ça quente.


— As coisas são assim por aqui.


— Seu pai e seu irmão estão contra a lei.


— A arma é minha — ela resolveu, então. — Eu fiz e coloquei debaixo do balcão. Papai nem sabia que estava aí. Agora cumpra seu dever. Pode me prender.


— Não fica bem mentir a um representante da Justiça, mocinha.


— Vou tentar me lembrar disso.


— Onde foi que seu irmão aprendeu tanto assim sobre armas?


— Ele não gosta de falar, mas uma vez ele disse a papai que fazia parte de um grupo especial da Marinha.


— Especialista? Não acredito.


— Olhe, agora não é hora de ficar discutindo minha família. De qualquer maneira, não é da sua conta.


— Ah, é, sim.


— Por quê?


Ele aproximou-se, fazendo com que ela se encostasse no balcão. Inclinou-se até que seu rosto ficasse bem próximo ao dela e murmurou:


— Não abuse.


Não levou mais de cinco segundos para ele perceber que não conseguiria vencer. Ela não se deixaria intimidar, pelo menos não por ele. Manteve-se firme e o encarou. Por mais humilhante que fosse admitir, sabia que teria de ser ele a ceder. Era a primeira vez que isso acontecia a ele, e não foi agradável.


— Você quer que eu chame a polícia? — ela perguntou.


— Não quero mandar prender você. Exasperada, ela disse:


— Eu não estava falando de mim. Achei que você queria que a polícia viesse buscar os Três Patetas, aí.


— O quê? Ah... sim, pode chamar. Mas espere uns dois minutos. Preciso fazer uma negociação, antes.


Sirius havia guardado o revólver e estava em pé ao lado de Válter. Harry pegou uma cadeira, virou-a e sentou-se, apoiando os braços no encosto.


— Trouxe seu telefone celular?


— E daí, se eu trouxe? — Válter perguntou, reassumindo o tom belicoso.


— Ligue para seu irmão e diga para ele vir para cá..


— Você não pode me dizer o que eu tenho de fazer.


— Ah, posso, sim — Harry respondeu. — Você já está bem encrencado. Ameaçou um agente do FBI e isso é prisão na certa.


— Diga isso a meus advogados — Válter desafiou, apesar de seu rosto empalidecer um pouco. — Eles darão um jeito de eu não ficar nem um dia na prisão.


— Não conheço muitos advogados que trabalhem de graça. Du­vido que movam uma palha para ajudá-lo quando souberem que não tem um tostão para pagá-los.


Válter sacou seu celular e digitou o número do irmão.


— Duvido que meu irmão venha — Válter anunciou. — Guido de­testa qualquer situação desagradável.


— Azar o dele. Diga a Guido que tem dez minutos para chegar aqui, ou vou mandar a polícia buscá-lo em casa e levá-lo junto com você para a cadeia. Ou vocês dois negociam ou terão de ficar pensando no assunto por um bom tempo em uma cela. E não duvide, Válter. Tenho poder suficiente para fazer com que fique bastante tempo por lá.


Aparentemente Guido atendeu o telefone e a voz de Válter tremia quando disse:


— Você tem de vir para O Cisne agora mesmo. Não discuta. Venha. Explico quando você chegar aqui.


Ouviu por alguns segundos e continuou:


— Não, droga. Não saiu como o planejado. O Potter e o amigo dele são federais e estão ameaçando colocar nós dois na prisão — depois de ouvir mais um pouco, gritou. — Um pouco de azar? Você chama cruzar com o FBI de "um pouco de azar"? Pare de chiar e venha já para cá!


Fechou o telefone com força e anunciou que o irmão já estava vindo.


Sirius viu o carro da polícia parar no estacionamento.


— A polícia já chegou — disse a Harry. Gina colocou a arma embaixo do balcão. — Ainda nem tinha chamado o Remus.


Bob ainda estava inconsciente, mas estava respirando normal­mente. Risadinha estava apoiado sobre uma mesa num canto, com a cabeça nas mãos.


Sirius foi até lá fora e voltou a entrar depois de dois minutos, acompanhado de Remus Lupin. Obviamente, já havia contado os deta­lhes do que havia acontecido, porque Remus mal olhou para Harry. Seu olhar e um enorme sorriso dirigiram-se para Gina.


— Tudo bem com você? — ele perguntou, deixando clara sua preocupação com ela.


— Tudo certo, Remus. Quem chamou você? — ela perguntou. — Foi o Aberforth?


— Ninguém me chamou. Passei por aqui para ver você.


Harry não gostou de ouvir aquilo. Remus estava se dirigindo ao balcão, mas Harry, claramente, estava bloqueando sua passagem. Gina fez as apresentações, apesar de não serem necessárias. Harry já sabia quem era Remus. Era o homem que gostava de Gina.


Harry jamais se importara com a aparência de outro homem e não fazia idéia se as mulheres consideravam Remus bonito ou não. Tinha um sorriso fácil e todos os dentes, o que parecia ser tudo o que Harry conseguia concluir ao medi-lo de alto a baixo. Remus também parecia um bom sujeito, mas isso não importava. Harry percebeu como o outro sorria para Gina e bastou isso para não gostar dele. Precisou esfor­çar-se para não ser hostil ao apertar a mão do rival e mostrar quem estava dominando a situação.


Sirius observava os dois achando muita graça. Pareciam dois ga­los se preparando para uma briga. Não demorou para que Sirius perce­besse o motivo.


— Ouvi dizer que está hospedado na casa de Gina — Remus comentou sem sorrir.


— Isso mesmo, estou.


— Quanto tempo pretende ficar na cidade, Sr. Potter?


— Ainda não sei. Por que quer saber, Chefe Lupin?


— Há uma porção de hotéis em St. Claire que posso lhe indicar.


— É mesmo?


— Harry vai embora na segunda-feira — Gina anunciou. — Não vai? — ela perguntou a Harry em tom de desafio.


— Talvez.


A resposta sem compromisso irritou-a.


— Ele vai dar uma palestra em Biloxi — ela disse, sem saber por que tinha tanta vontade de compartilhar a informação. — Por isso vai partir na segunda-feira de manhã.


— Talvez — Harry repetiu.


A palavra tinha o mesmo som de uma broca de dentista. Ela tinha ímpetos de contrair-se. Com medo de fazer ou dizer alguma coisa da qual pudesse se arrepender, caso Harry dissesse aquela palavra mais uma vez, ela bateu em rápida retirada. Agarrou a jarra que estava sobre o balcão, murmurou uma desculpa e voou para a cozinha.


Enquanto Harry explicava a Remus quem eram Bob e Risadinha, Sirius leu seus direitos e usou as algemas de Remus para prendê-los.


— E o Válter Dursley? — Remus perguntou. — Vai apresentar queixa contra ele, também?


Harry sabia que Válter estava prestando atenção e disse:


— Vou, sim. Mas quero que ele fique até o irmão dele chegar. Quero conversar com os dois. Se não cooperarem...


Deixou a frase sem terminar de propósito.


— Vou cooperar — Válter reagiu.


Remus era mais generoso do que Harry e apertou-lhe a mão antes de sair. Harry percebeu que estava agindo como um pretendente com ciúme e resolveu consertar a situação.


— Obrigado pela sua ajuda.


Remus já ia atravessando a porta com Risadinha. Sirius havia reanimado Bob e quase arrastou-o para o carro da polícia.


Harry olhou na direção da cozinha, viu Gina ocupada na pia e voltou a sentar-se, enquanto esperava o segundo irmão Dursley chegar.


Gina tinha resolvido ocupar-se para não pensar em Harry. Encheu a pia com água quente e sabão, calçou as luvas e começou a fazer uma faxina. O pai já havia deixado tudo em ordem, mas ela resolveu limpar todas as superfícies mais uma vez.


Quando já estava removendo as luvas, percebeu uma mancha de gordura sobre o exaustor. Passou a próxima meia hora desmontando tudo e lavando cada canto e dobra. Remontar demorou o dobro do tempo, pois tinha de ficar indo ao bar para verificar se alguém desejava alguma coisa.


Em uma de suas idas, viu Guido Dursley entrar, ladeado pelos advogados.


Voltou à cozinha e esfregou mais um tempo. Depois lavou as luvas de borracha — seria muita compulsão? Percebeu então que esta­va mais nervosa do que cansada. Precisava de uma boa e longa cirur­gia, pois, quando estava operando, não pensava em mais nada. Conse­guia bloquear a conversa à sua volta, as piadas sem graça, a risada, tudo... menos Willie Nelson, porque este a acalmava. Era como se ficasse fechada com Willie em um casulo protetor até o último ponto. Só então permitia que o resto do mundo interferisse.


— Ponha a cabeça no lugar — resmungou consigo mesma.


— Disse alguma coisa?


Sirius estava na porta. Aproximou-se e colocou três copos na pia.


— Não, nada — ela respondeu. — Que horas são?


— Uma e pouco. Está com um ar cansado.


Ela tirou uma mecha de cabelo que caiu-lhe sobre os olhos e enxugou as mãos no avental.


— Não estou cansada. Quanto tempo acha que Harry vai demorar?


— Não muito — ele respondeu. — Quer que eu a leve para casa? Harry pode fechar o bar para você.


— Obrigada. Eu espero.


Sirius ia saindo da cozinha, mas deteve-se e disse:


— Gina?


— O que foi?


— Ainda falta muito para segunda-feira.


n/a: Gina é boba, queria eu uma semana com Harry Potter, ia era aproveitar bastante, rsrsrs ;)

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Comentários: 2

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Enviado por Luhna em 22/11/2013

Ah, me diverti bastante com Sirius, Harry, Válter e "Risadinha" - MHUAHAHAHAHAHAHHAHAHA
E eu também queria uma semana com o Harry... *_*

Nota: 5

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Enviado por Edwiges Potter em 21/11/2013
Pois é, ela devia aproveitar muito bem esa semana!! Gostei dos capitulos!!
Nota: 5

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