Harry e Hermione já começavam a se preparar para o dia em que sairiam de Hogwarts para uma provável emocionante visita a casa onde Harry viveu quando novo, de onde não tinha nenhuma lembrança, a não ser a visão de relance da morte de sua mãe. Ia ser realmente bom conhecer a casa onde viveu com seus pais, onde teria sido mais feliz se um Pedro Pettigrew não se metesse em sua vida.
Faltavam pouco mais de três semanas para que fossem até a casa dos Potter, em Londres. Ansiosos, aguardavam o dia vinte e seis de novembro. Esperavam também que não fossem chamados por Dumbledore por um bom tempo, assim como ocorrera da última vez. Estava tudo correndo muito bem para que a realidade voltasse súbita para suas mentes. Queriam passar um tempo sem muitas preocupações, a não ser as normais de qualquer adolescente, mesmo que Harry soubesse que ele não seria nunca este adolescente. Era bom esquecer o que o aguardava no futuro próximo, o que poderia acontecer a ele e aos seus amigos, era bom fugir da realidade, mesmo que fossem por alguns segundos, mas quando tudo voltava repentinamente, sua vontade era a de sumir para que aquelas lembranças não mais o atormentassem.
Ele tinha que aprender a conviver com os fatos apresentados por Dumbledore, mas esta era uma tarefa difícil, não se via sem seus amigos, não se via sozinho no mundo... Mas ele fizera uma promessa a si mesmo: ia lutar até o fim pela vida daqueles que gosta e que perdeu por causa de Voldemort. Teria que sobreviver para exterminar aquele que quase acabara com sua vida; quase, pois, embora tivesse perdido seus pais e Sirius, ele ainda tinha seus amigos. Mesmo assim, Voldemort lhe dera o inferno como vida e ele iria lhe dar o troco. Sobreviveria para garantir a paz ao mundo.
Lutaria pela vida de seus amigos. Não mais admitiria a perda das pessoas que gostava. Protegê-los-ia até o último segundo, até que não fosse mais possível. E principalmente, protegeria uma certa garota, que até alguns meses atrás, achava que não passava de uma amiga, mas que hoje descobrira que nunca fora só uma amiga para ele. Ele a amara durante todos os seus dias em Hogwarts, mesmo que não percebesse, porque aquele amor era diferente. Evoluiu a cada dia, a cada momento juntos.
Ela, por sua vez, levava consigo uma paixão possessiva. Podia não admitir, mas os ciúmes que tinha de qualquer garota que pudesse se aproximar de Harry, e qualquer uma delas tinha inúmeros defeitos aos seus olhos, eram o maior sinal de que não era somente amizade o que sentia por ele.
Ele tinha uma vida meio que corrida, cheia de mistérios e angústias, mas isto não importava para ela. Descobrira uma vida cheia de aventuras ao seu lado, uma vida que nunca tivera e não teria com qualquer outro garoto, e não queria que isto mudasse. O amara desde o princípio, achando que era apenas um amor de amigos, de irmãos, mas este amor foi mudando involuntariamente, contra a sua vontade e agora se enganava e não se permitia perceber que aquilo que nutria pelo amigo já era algo mais.
Agora nem mesmo o tempo colocava um basta naquele sentimento, nem mesmo a amizade, antes acima de tudo, agora, apenas um caminho para aquele sentimento mútuo – sim, ela desistira de negar e/ou evitar e agora admitia: estava apaixonada. Se tivessem que escolher entre o amor e a amizade, caso não fossem correspondidos, escolheriam a amizade, mas no caso contrário, ficariam com os dois.
Sim, porque Hermione agora entendia que o amor é uma forma de amizade, mas uma amizade mais profunda, com todos aqueles sentimentos naturais como o companheirismo, a harmonia, o carinho, o afeto, a confiança... O que realmente importava era que eles tinham tudo isto e mais um pouco, tinham a conexão inexplicável, se entendiam, se conheciam. Era realmente estranho pensar tudo isto de uma pessoa tão próxima e tão inocente em relação aos seus sentimentos, dos quais nada sabia.
Tudo isto girava em torno de um amor único e quase impossível diante das circunstâncias. Mas nada interferia naquele sentimento mútuo que tinham um pelo outro, nada. E para o amor, nada é impossível, como Draco e Gina já haviam provado a todos. A única coisa que realmente interferia no momento, era Voldemort.
Hermione não ligava se Voldemort iria interferir na relação, mas sim se ele tirasse Harry dela, se Harry a deixasse, se ela um dia soubesse que não o teria do seu lado nem como amigo. Era isto que a preocupava, por isto tinha medo de que ele se relacionasse com alguém que não gostasse que eles fossem amigos ou que ele fosse morto por Voldemort. Ela realmente temia que ele não mais voltasse para perto de si. Tinha medo que ele descobrisse aquele sentimento e que não o correspondesse. Sabia que ele tentaria se afastar para que ela não corresse riscos, para que ela o esquecesse e que talvez, por conta disto, sua amizade tivesse um ponto final.
E estes eram os pensamentos mais constantes nas cabeças daqueles dois adolescentes. Amigos inseparáveis de todas as horas e aventuras, que lidavam com todos os problemas comuns de todos adolescentes, mesmo sendo diferentes. Ali, naquele momento, lidavam com a paixão e com a aceitação daquele sentimento, com a incerteza, a dúvida e tudo isso só aumentava a confusão que atormentava as suas mentes, os seus pensamentos se misturavam, se fundiam numa enorme massa de extrema consternação.
Mas tinham que deixar aqueles pensamentos confusos de lado, pelo menos enquanto pudessem. Tinham que se preocupar mais com os testes que faziam constantemente agora. Eles não teriam exames no final do ano letivo, mas faziam os testes e trabalhos normalmente durante o decorrer do mesmo. E o tempo parecia voar, fazendo-os ficarem mais apressados e sem tempo de pensar em algo que não fosse... Estudar!
Rony era o que saía mais prejudicado em toda a história, pois não tinha paciência para sentar e ler vários livros texto por horas seguidas. Ele sempre ficava atrasado, já que sempre inventava uma desculpa para sair, mas sempre voltava revoltado, por não encontrar Luna, reclamando que ela estava estudando muito. Realmente estava acontecendo como Harry e Hermione previram: Luna estudava e Rony se sentia deixado de lado, mas ele já estava se conformando, só pelo fato de a namorada ser mais nova e estar em ano de N.O.M.’s. No entanto, no ano seguinte, teria que se acostumar com o estudo para si, pois estaria em ano de N.I.E.M.’s. Gina era a mais empenhada nos estudos, sempre que tinha um tempo livre ela procurava Hermione e as duas se juntavam a Luna na biblioteca para estudar e tirar as dúvidas.
A dedicação delas, segundo Hermione, estava dando resultados. Elas já sabiam todo o assunto e já poderiam aprofundá-lo. Estavam pesquisando mais sobre a revolta dos duendes, para História da Magia na biblioteca, apenas as três, já que os outros alunos preferiam pegar os livros e sair para estudar mais a vontade.
- Mione, será que depois pode me ajudar em Runas? – perguntou Luna.
- Não estou aqui para apenas ajudar nas matérias conjuntas, Luna. Qualquer coisa, sabe que pode contar comigo. Acredito que tenha o livro aí, não? – perguntou Hermione levantando a cabeça para encarar a loira.
- Sim. Quer que eu pegue?
- Mas e eu? Como vou estudar? – interferiu Gina.
- Gina, acho que vocês sabem mais que o necessário para os testes. Continuaremos estudando ainda esta semana. Eu já te disse que tenho um horário reservado só para os estudos de vocês, não disse? – Gina confirmou com a cabeça. – Pois então! Tenha calma. Vamos ter todo o tempo para revisarmos de tudo que vocês quiserem, poderemos até revisar banalidades do dia-a-dia – disse Hermione e as três riram.
- Tudo bem, Mione – Gina assentiu. – Sendo assim, acho que pode me ajudar também em Estudos dos Trouxas.
- Claro, Gina – respondeu Hermione com um meio sorriso, enquanto acenava afirmativamente. – Muito bem! Peguem seus livros. Vou ajudar as duas ao mesmo tempo. Farão anotações sobre o que lêem e depois esclareceremos as dúvidas, também acrescentando coisas que não estão nos livros, ok?
- Ok – responderam as outras duas em uníssono.
- É bom saber que vocês também se importam com os estudos... Que reconhecem o meu esforço... – dizia Hermione, num sussurro.
E era assim todos os dias. Hermione sempre tinha um tempinho a mais para os amigos. Ela seguia uma rotina básica e um tanto puxada, mas gostava disso. Sabia que a vida não era fácil e que ela tinha que trabalhar duro para conseguir alcançar todas as suas metas. Lia, estudava, gravava, fazia anotações, ajudava os amigos nos estudos, assistia às aulas, ia sempre à biblioteca e ainda assim, tinha tempo para se divertir, mesmo que fosse pouco. Conseguia também arrumar tempo para conversar com as amigas, aqueles assuntos de garota, inevitáveis... E nada mudava. Nada!
Depois de saírem da biblioteca, Hermione e Gina se despediram de Luna e seguiram para a torre da Grifinória, para guardarem os livros, pois aquela noite haveria treino de Quadribol para Gina e os garotos. E como Hermione não queria ficar sozinha, ia junto, mesmo que fosse para ficar lendo um livro durante o treino.
E lá estava ela, mais uma vez assistindo o treino de Quadribol, um livro grosso sobre suas pernas, intocado. Não estava prestando atenção a nada, pelo menos não agora. Olhava para o céu, estrelado, enquanto se abraçava, colando o casaco ao seu corpo para se proteger do vento frio. Pensava e recordava coisas que havia presenciado naquele lugar...
Quantas vezes vira aquele time que estava jogando ali vencer naquele mesmo campo de Quadribol? Quantas vezes estivera ali torcendo pelos seus amigos? Quantos perigos foram enfrentados durante os jogos? Baixou os olhos para ver o horizonte sobre a floresta. Ficou ali, olhando para o nada, esquecendo-se de tudo, espairecendo a mente, vagando em pensamentos... Ela fechou os olhos, como se quisesse descansar ou deixar aquele mundo por um instante que fosse.
Mal notara que uma pessoa havia se sentado ao seu lado. Uma pessoa que ficou a observando por vários minutos, sem que ela notasse. Reparava em todos os traços de seu belo rosto, nas pequenas sardas que tinha no nariz, mesmo que fossem poucas, a boca fina e bem desenhada, convidativa, os olhos amendoados que continham um brilho especial... Decididamente, ela era perfeita. Levantou os olhos e viu o resto do time se retirar do campo, indo em direção aos vestiários. Lentamente, levou sua mão ao encontro da mão da garota. Com o toque, ela abriu os olhos. Sabia que era ele que estava aí. Sentiu quando havia chegado.
Ele sorriu para ela.
Ah... Aquele sorriso! Um sorriso de derreter qualquer um, um sorriso lindo... Ela se deixou afogar no mar verde que eram seus olhos. Apertou a mão dele e voltou a olhar para o horizonte. Era realmente lindo olhar por cima das copas das árvores da floresta e ver aquela paisagem. A Lua, as estrelas e a claridade emitida pelo satélite natural sobre o lago, que refletia aquela vista. Ele seguiu o olhar da amiga e passou a observar o lugar como ela.
- Vagando pelas lembranças, mocinha? – falou num tom leve.
- É tão bom ficar aqui... Calmo, um lugar tranquilo, um lugar para espairecer, para pensar e relembrar, perfeito para se refletir, viajar, sonhar... Acho que me renova. – Ela deu um meio sorriso ao fim da frase.
- Pelo visto não tocou o livro hoje, não? – observou.
- Ah, Harry!
- Não estou repreendendo. Só estou notando. Mas é uma surpresa, não acha? – disse o garoto rindo.
Ela sorriu.
- Não, não toquei. Hoje eu passei a tarde na biblioteca lendo e coletando informações com as garotas... Acho que estou cansada – disse, calma, firmando mais a sua mão e a do garoto. Apoiou sua cabeça no ombro dele.
- Alguma coisa a incomoda? – perguntou ele.
- Não, Harry. Estou bem – disse ela, sinceramente.
- Mione, eu vi uma coisa outro dia e achei que você iria gostar. – Ele retirou do bolso uma pulseira um tanto grossa de ouro branco, com o que pareciam desenhos em relevo, mas eram Runas. Em alguns pontos, podiam-se notar algumas pedrinhas de brilhante. Era realmente linda a pulseira.
Ele colocou a pulseira no braço direito da garota, que o ergueu para mais próximo do rosto de modo a observar o presente.
- Harry... É linda! Obrigada. – Deu um abraço no amigo enquanto estalava um beijo em seu rosto.
- É linda, mas tenho certeza de que com a dona fica mais linda ainda – disse ele sorrindo. Ela sorriu e ele pôde notar que ela não só sorria com os lábios, mas também com os olhos. Admirou aquilo, como somente ela conseguia sorrir com os olhos, como somente aquela garota conseguia morder o lábio inferior de forma tão simples e meiga... – E acho que também só vai servir para que você leia mai. – ele mostrou os desenhos.
- Ah, não. Eu já sei o bastante para traduzir isto tudo em uma hora. Não é tão difícil assim... – Ela passou a observar a pulseira mais atentamente.
- Mas não agora – disse ele abaixando a mão dela, que estava bem próxima do rosto, onde ela analisava silenciosamente cada um dos símbolos.
- Ah, Harry! – reclamou. – Ok. Tudo bem!
- Você vai ficar aqui ou vai até os vestiários conosco? – perguntou Harry.
- Eu vou. Pode ir na frente. Eu já vou.
- Certo. Mas nada de traduzir isso agora, ouviu bem? Eu saberei... – afirmou ele descendo as escadas.
Ela piscou para ele e se levantou. Pegou o livro e foi andando vagarosamente para fora das arquibancadas. Adorara o presente que o amigo tinha lhe dado. Mas pensando em tudo que ele dissera, notou que tudo que dissera, era estranho. Tudo tinha um duplo sentido, o que a deixava ainda mais confusa. “Ele realmente quer me deixar maluca”, pensava consigo mesma, enquanto descia para o campo, onde ainda haviam alguns membros do time indo para os vestiários. Hermione pôde notar que Rony estava parado com Gina e Katie conversando, onde Harry chegou segundos depois.
- Não, eu realmente acho que é melhor esperar – disse Gina.
- Talvez. Pelo menos até tudo se firmar, não? – disse Katie.
- Eu ainda não quero falar sobre isso. É deprimente! – dizia Rony gesticulando.
- Mas é fato, Rony – avisou Harry.
- Ainda assim. Isso é deprimente! – replicou o ruivo.
- Com o tempo tudo se encaixa e você se acostuma, cara – disse Harry. – E a escolha não é sua.
- Concordo com o Harry – disse Gina.
- Gina, você é um caso à parte – Rony sibilou para a irmã, inconformado.
- Rony, deixe-a fazer suas próprias escolhas – Katie interferiu.
- Bom, acho que chega por hoje, não? – Rony se afastou e entrou no vestiário.
Harry fez a menção de segui-lo, mas Katie impediu.
- Ele vai se conformar, Harry. Deixe-o e eu tenho certeza de que ele vai aceitar. Ele não é tão cabeça dura assim...
- Ok. Você está certa, Katie – disse Harry. – Mas quanto a ele não ser tão cabeça dura assim... Eu definitivamente não concordo! – Os dois riram sonoramente.
- Gina! – Hermione chamava de longe.
- Katie, leva minha vassoura lá para dentro. Eu já volto – pediu Gina.
- Certo – a loira assentiu, recolhendo a vassoura da cunhada e entrando no vestiário, enquanto puxava Harry. – Vamos, Harry. Elas têm muito que conversar ainda...
- Oi, Mione – disse Gina.
- Ah, Gina! Conte-me essa história direito... Você e Malfoy...? – Hermione gesticulava como se fosse algo impossível.
- É, Mione. Nem eu mesma entendo como tudo aconteceu... – informou Gina dando de ombros. – Foi de repente, entende?
- Mas... Como? Gina, você sabia que não era certo... E por que não me contou?
- Porque se eu contasse antes, sabia que não aceitariam – disse Gina como se fosse óbvio.
- Teríamos que aceitar, Gina. Foi uma escolha sua e não poderíamos mudar... Mas Rony deve estar se roendo até agora. E depois, suas famílias... Não acho que esteja sendo justa com seus pais, Gina – disse Hermione.
- Mione, ele nem vive mais com os pais e acho que você sabe disso. Além disso, meus pais também têm que aceitar. Como você mesma disse, isso é uma escolha minha. E eu sei de tanta coisa que você nem imagina...
- Conte-me, Gina. Sou sua amiga, estou aqui para isto.
- Tudo começou no Beco Diagonal. Eu e a Luna fomos à loja de animais para comprar o Bubbles e o Rugh, quando eu vi um loiro acompanhado de uma garota que cheguei a achar que fosse a Parkinson – Gina fez uma cara de nojo à menção do nome da garota –, mas que na realidade era a Bebel. Você sabe, sou muito observadora e percebi que a presença dele mexia comigo, mais do que já mexera antes... E não é de hoje! Eu sempre tive uma certa coisa quando o via...
- Desprezo. – disse Hermione, óbvia.
- Não era só desprezo, Mione. Tinha algo mais... Eu sentia desprezo pela família dele, por ele ser como ele era, por ele ser como toda a família dele. Eu sentia uma coisa diferente, uma coisa que vim a notar que era pena. De pena, este sentimento se transformou em um carinho, depois virou amizade... Sim, amizade. Fui amiga dele por alguns dias, antes de tudo começar, antes de eu ver que a amizade só camuflava o que eu realmente sentia. E o que eu sentia, era amor, Mione. Eu sei, é estranho, mas foi assim...
- Continue, não pare. Só estou aqui para escutar, ok?
- Certo – concordou Gina. – Depois de tudo, eu pude ver tudo de outra forma, onde pude assimilar aquilo como algo normal. Ele me beijou e eu senti que era um beijo desesperado, que algo não estava certo com ele, Draco. O olhei nos olhos, vi que não eram mais aqueles olhos cinza e sem vida. Eles tinham um brilho que nunca tiveram, eram calorosos os olhares que ele lançava a mim. Tinham desejo. Acho que no começo, ele não gostava tanto de mim assim, mas ele contou que há muito já havia me notado... Essa paixão veio crescer com o tempo, dentro de mim, dentro dele. Foi plantada com o tempo e hoje eu percebo que ele mudou desde o começo. Foi um trauma tudo o que ele sofreu, Mione. A perda do pai, a fuga da mãe... Ele teve que ir morar com a família Bonstrong...
- Bonstrong? Não é a... Gina, essa é uma família antiga que foi formada pelo casamento de uma tia do pai do Harry. Explica isso direito!
- Sim, Mione. Uma tia do pai de Harry se casou com um Bonstrong e desse casamento nasceu Robert Bonstrong, o pai da Bebel, que hoje é falecido. Julie Malfoy se casou com ele e... – e Gina contou tudo o que ela sabia dessa história. Contou como tudo realmente aconteceu entre ela e Draco e Hermione pôde juntar os fatos, notando como as famílias se tornaram inimigas e se entrelaçaram.
- Essa história é a uma das peças que estava faltando no quebra-cabeça, Gina. Um dia eu vou poder esclarecer o porquê de tanta rivalidade... E assim, chegarei também a sua família e saberei mais da rivalidade entre os Malfoy e os Weasley, porque ao que tudo indica, vocês também são parentes distantes dos Malfoy. Tem alguma coisa nisso tudo, alguma coisa tem que explicar... – dizia Hermione.
De fato tudo se completava e Hermione tinha certeza disso. Agora só restava esperar que Dumbledore lhe concedesse outras informações para que pudesse chegar às suas conclusões. Agora aquilo era uma meta para ela, uma meta que estava disposta a alcançar, pois só assim faria com que todos se aceitassem sem conflitos.
- Você não é contra, Mione? – perguntou Gina.
- Não, Gina, não sou. Se você realmente o ama, eu apoio, quero que você seja muito feliz, seja lá com quem for, ok? – disse Hermione e Gina a abraçou, murmurando algo como um ‘obrigada, amiga’. – Mas preste atenção em uma coisa. Não nos deixe, Gina. Nem a mim, nem aos seus amigos e principalmente a sua família, entendeu bem? E se Malfoy realmente mudou, eu tenho certeza de que não tirará você de nós. Ainda tenho meu pé atrás com ele, mas ele se mostrou uma pessoa melhor nos últimos tempos. Só quero que saiba disso... Sou sua amiga e isso não vai mudar.
- Oh, Mione... Não sabe como me sinto bem em ouvir isso. E não se preocupe, não vou deixar vocês...
- Nunca se sabe. Você tem mania de dar uma de adolescente rebelde... Vai que resolve fazer isto conosco? – brincou Hermione.
- Não seja boba. – avisou Gina abraçando a amiga novamente.
- Não sou boba...
- Ah, é, sim...
- Gina, não brinca!
- Ok, ok. Eu paro! Mas você é boba...
- Não troque os termos, Gina. Só de estar fazendo esta brincadeirinha infantil, podemos provar que a boba aqui é você – concluiu Hermione, pondo um fim na conversa. Gina estreitou os olhos, mesmo que de brincadeira e elas foram para os vestiários.
- Bom, vou tomar meu banho– dizendo isso, a ruiva entrou em um dos boxes de ducha.
Katie já estava do lado de fora, completamente vestida, apenas estava penteando os longos cabelos loiros, agora molhados e que antes estavam presos a uma trança.
- Tem falado com o Jorge, Katie? – perguntou Hermione.
- Ah, sim. A Angelina veio aqui no último fim de semana. O Fred e o Jorge estavam aqui...
- Aqui, onde? – interrompeu Hermione.
- Em Hogsmeade. Eles têm uma loja no final do vilarejo – respondeu Katie com simplicidade.
- A Sra. Weasley sabe disso? – perguntou Hermione, em tom de reprovação.
- Bom, Rony esteve lá com Luna no último fim de semana em que fomos liberados para comprar as vestes para os bailes. Mas não sei se Molly sabe – informou a loira.
- E o Rony sabia desse absurdo? – fez Hermione quase gritando.
- Que absurdo, Hermione? – perguntou Gina que saia do box enrolada em uma toalha.
- Gina, você sabia que os seus irmãos têm uma loja de logros aqui em Hogsmeade? – perguntou Hermione.
- Não – respondeu Gina dando de ombros. – Eles têm? – perguntou interessada.
- Sim, Gina – respondeu Hermione respirando fundo. – Quando a Sra. Weasley souber...
- Ela não vai poder fazer nada! – disse Rony saindo já vestido de uma das portas.
- Como é? – fez Hermione.
- Hermione, eu aqui de toalha, o Rony entrando em vestiário feminino e você aí interessada em bater um papinho aqui? – falou Gina.
- Oh... É! É? – fez Hermione confusa. – Rony! Sai já daqui! – mandou notando a situação em que se encontravam.
- Ela é minha irmã. Quantas vezes já não a vi assim? – replicou Rony.
- Mas e se fossem outras garotas? – retrucou Hermione.
- Melhor para mim, oras! – falou o ruivo como se estivesse dizendo que um mais um são dois.
- Ah, vai ser realmente bom para você quando a Luna souber dessa... – fez Gina maliciosamente.
- Gina, você não seria capaz... Ou seria? – Rony fraquejou ao notar a expressão no rosto da irmã. – Sim, você seria!
Ele fechou a porta e saiu imediatamente do local.
- Depois a gente conversa... – Hermione deixou a frase no ar.
Aquela conversa certamente ocorreu, mas não foi tão severa como pareceu ser. Hermione, há muito, já havia aceitado que os gêmeos eram maiores de idade e por incrível que pareça, ela também. Foi dormir cedo, estava demasiadamente exausta. Despediu-se dos amigos ainda no salão comunal e subiu para o dormitório.
- Ela está estranha. Quase não fica mais com a gente... – comentou Rony.
- Acho que quem não fica mais com a gente é você, Rony.
- Eu? – Rony se fez de inocente.
- Não, Rony. A vovozinha que deixou a gente para trás pra ficar com a namoradinha... – fez Harry sarcástico. – E não se faça de vítima, porque é verdade.
- Foi mal, cara. Mas é que eu tenho que aproveitar o meu tempo livre com a Lu, porque ela só faz estudar também e eu quase nunca posso ficar com ela – explicou-se o ruivo.
- Tudo bem. Eu só estava brincando! Mas vê se arruma mais um tempo para seus velhos amigos... – disse Harry, sério. – Mione está com medo de perder todos os amigos. E acho que está certa. Afinal, estamos em plena guerra e temos que nos manter unidos. Não podemos dispersar, Rony.
- Eu sei, Harry. Vou fazer o possível – concordou Rony.
- Parece que alguém aqui cansou de discutir, não é? Acredito que há um mês atrás você estaria argumentando até não aguentar mais. – Riu-se Harry, recebendo do amigo uma tapa nas costas.
- Vai uma partida de Snap Splosivo? – perguntou o ruivo mostrando uma caixinha de baralho.
- Vou – os dois se sentaram um de frente para o outro e ficaram jogando até tarde da noite.
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E o tempo parecia não querer trégua. Dia vinte e três de novembro, sexta-feira. O dia amanheceu claro, porém, muito frio. Dias antes, ocorrera o jogo entre Lufa-Lufa e Sonserina, o qual fora vencido pela equipe Sonserina por uma diferença aberta de quase duzentos pontos. Naquela manhã, todos se levantaram e dirigiram-se para o grande salão para fazerem sua refeição matinal. Para grande surpresa da maioria, antes que pudessem se levantar, Dumbledore levantou-se e pediu a atenção dos alunos, tendo-a só para si.
- Gostaria de avisar aos alunos do terceiro ano em diante – ele começou, os alunos primeiranistas e segundanistas suspiraram e voltaram a atenção para seus pratos –, que amanhã haverá um passeio a Hogsmeade. É importante lembrar que a lista de materiais não aceitos na escola está maior que as anteriores e estes objetos sujeitos a confiscação, sejam eles logros da loja Gemialidades Weasley ou que possuam artes das trevas. Caso queiram saber quais são, sugiro que voltem a ler a lista que está em exposição no quadro de avisos do saguão. – Pausou novamente. – Podem ir, já estão liberados.
Imediatamente, quase todos os alunos saíram do aposento. Quando Harry fez a menção de se levantar, um pergaminho materializou-se em sua frente, ao lado de sua mochila. Ele o pegou e levantou o olhar para a mesa dos professores, de onde Dumbledore acenou brevemente com a cabeça em sua direção, e ele podia sentir os olhos por detrás oclinhos meia-lua fixos sobre si.
Harry guardou o pergaminho em sua mochila e se levantou, sendo seguido por Hermione e Rony.
- Bom, acho que esse passeio vai quebrar o clima pesado na escola, não acham? – fez Rony. – Acho que só assim teremos dias mais sossegados.
- É... – concordou Harry com um murmúrio tenso.
Hermione permaneceu calada. Estava mais preocupada em soltar o seu cabelo do coque frouxo que o prendia. De longe, Rony pôde notar que uma figura loira acenava para ele da porta do aposento.
- Hum... Eu... Eu estou de saída – foi o que disse o ruivo antes de sair.
- E depois eu é que...
- O quê, Mione? – perguntou Harry.
- Nada, Harry. Que marcação... Francamente! – disse Hermione apertando o passo e saindo do salão.
A garota sumiu de vista. Harry seguiu para as estufas, onde teria aula de Herbologia para o primeiro tempo da manhã. Sozinho e sem os amigos, sentou-se no gramado à porta da estufa número três, como fora instruído até ali. Abriu seu livro de Defesa Contra as Artes das Trevas e ficou lendo-o por alguns minutos.
Sem que notasse, alguém se aproximou e sentour-se ali com ele. Neville vinha acompanhado por Simas e Dino.
- E aí, Harry? – falou Dino animadamente sentando-se ao seu lado.
- O que você está lendo, cara? – perguntou Simas, também sentando-se com os garotos.
- Defesa Contra as Artes das Trevas – respondeu o moreno, sem rodeios.
- Ah, Harry. Temos novidades! – contou Neville.
- O que houve? – perguntou Harry deixando o livro de lado e virando-se para conversar com os amigos.
- Não foi nada demais – disse Simas demonstrando completa indiferença.
- Para mim foi! – retrucou Neville, enquanto Dino ria da cara de Simas. – Harry, fui nomeado ajudante da Profª. Sprout. Além disso...
Os outros dois o encararam perplexos.
- Você não nos falou da segunda parte. O que tem ‘além disso’? – perguntou Simas.
- Esquece, Harry. Depois eu falo a você. – Neville cortou o assunto. Tinha se precipitado ao dizer aquilo.
- Ok. – Harry sabia que era alguma coisa relacionada aos pais dele, justamente pelo fato de o garoto ter cortado o assunto antes mesmo de tocá-lo ao notar que os outros dois ouviam. Pareceu a ele que o assunto não era ruim, o rosto de Neville demonstrava grande felicidade.
Relembrou a última vez que o viu tão feliz. Foi quando ele se mostrou competente durante as aulas da AD, demonstrou coragem quando foi com ele e os amigos para o Departamento de Mistérios ilegalmente... Tanto que Harry havia passado para aqueles amigos ali presentes... Ele sentia falta da AD, muita falta. Lembrou-se que poderia retornar aquelas aulas no ano seguinte e sentiu-se bem, mais encorajado.
Ouvia os três garotos discutindo ali por Neville não ter partilhado o que acontecera e não pôde conter um sorriso. Voltou a ler o seu livro, mas segundos depois, a estufa se abriu e ele se viu de cara com a Profª. Sprout. Levantou-se e guardou o livro, depois entrou juntamente com os outros garotos, que já haviam parado com a discussão, na estufa, sendo cumprimentados alegremente pela professora. Não demorou muito tempo até que todos os alunos estivessem ali. As aulas eram divididas com a Lufa-Lufa.
Ao entrar, seguiu para a costumeira mesa, onde ficava com Hermione, Rony e Ernesto MacMillan. Hermione estava conversando à porta com Ana Abott, Rony chegara pouco antes de começar a aula e Ernesto estava mais distante, junto com um grupo de alunos da Lufa-Lufa. Hermione voltou à mesa, antes de a professora começar a falar, prendendo os cabelos no coque frouxo em que eles se encontravam minutos mais cedo.
Durante a aula, conversaram pouco, mas ainda assim, se divertiram. Estavam trabalhando com plantas diversas e um tanto curiosas. Cada um estudava uma planta e por ora, eles as trocavam entre si. A que Hermione pegou era bastante engraçada; se enroscava no braço da pessoa provocando gostosos calafrios e até cócegas.
Deixaram as estufas seguindo direto para a aula de Aritmancia. Rony retornou a torre da Grifinória para fazer um trabalho que Snape mandara e que Harry e Hermione já haviam concluído. Resmungando, se despediu dos amigos, xingando Snape e o maldito trabalho de quarenta e cinco centímetros. Harry e Hermione foram para a sala da Profª. Vector, conversando.
Divertiram-se durante aquela aula, que foi apenas para ler o caráter de seu companheiro. Os dois agora estavam contando um para o outro o que encontraram.
- Hum... Você é boa! – admirou Harry. – O número social é seis; leal, confiável e amorosa. Propensa à vaidade e adapta-se facilmente. – Pausou. – O coração é um; independente, firme, perseverante e determinada. Sempre estabelecendo metas e objetivos e persistem neles, não gostam de trabalhar com outras pessoas e receber ordens, por isso é o número do indivíduo – ele informou olhando-a com um sorriso no canto dos lábios. – E por fim, o número sete como caráter.
- É o número que mais gosto – disse ela sorrindo.
- Perspicaz, sensata e inteligente, gosta de trabalhos difíceis e desafios. Muitas vezes séria, estudiosa e interessada em tudo que possa ser misterioso. Também é pessimista, sarcástica e insegura. – concluiu o garoto. – Sinceramente, acho bastante parecido com você... Não haveria melhores números para expressar uma Hermione Jane Granger. – Ele riu e recebeu uma leve tapa no ombro.
- Se eu fosse você, não estaria me rindo assim, sabia? O seu social também é sete, assim como o coração. Além disso, o seu caráter é cinco; expressa instabilidade e desequilíbrio, mudança e incerteza. É impelido a muitas coisas ao mesmo tempo, mas se comprometem com poucas coisas. Atrevido, ativo e disposto a correr riscos, não conseguem ficar muito tempo em um só lugar. É presunçoso, irresponsável, irascível e impaciente – ela adiantou-se em dizer tudo. – E agora? Não acha que o seu perfil também se encaixa perfeitamente aos seus números? – Desta vez ela riu.
- Sinceramente, acho que os dois se parecem bastante com o que os números enquadram – ele respondeu, em tom zombeteiro.
- Eu acho que seria realmente uma boa ideia analisar o nome de Gina – sugeriu Hermione, pegando a pena e um pergaminho. Ela, então, começou a analisar o nome da amiga. Já estava quase acabando quando o amigo virou-se novamente para ela, estendendo um pergaminho, que acabara de retirar da mochila.
- Hermione?
- Quê? – perguntou ela impaciente, pois estava fazendo as contas, sem encará-lo.
- Recebi um pergaminho de Dumbledore hoje pela manhã – informou.
- Como é? Por que não me falou? – perguntou ela deixando de lado o pergaminho e o livro.
- Não falei porque você me pareceu bastante irritadiça essa manhã e não me deu muita atenção, então...
- Certo, certo... Agora... O que dizia o pergaminho? – ela perguntou curiosa.
- Não sei. Não li – respondeu Harry com simplicidade.
- Ah, claro! Mas dá para imaginar, não? Provavelmente quer nos ver...
- Ei, vocês dois! – chamou a professora Vector. – Já terminaram de analisar os nomes?
- Sim, professora – Hermione apressou-se em responder.
A professora chegou mais perto e pegou as anotações dos dois.
- Posso ver? – perguntou.
Hermione balançou a cabeça afirmativamente, encarando a professora que agora lia atentamente cada um dos detalhes que eles haviam escrito.
- Impossível! Não vejo algo assim desde quando estudava com Lílian Evans e James Potter – exclamou a professora baixinho, mais para si do que para os garotos. – Se encaixam perfeitamente – ela se virou e levou consigo os pergaminhos. Sentou-se a sua mesa e abriu a gaveta. – Eles deixaram comigo antes de deixarem a escola... Onde eu coloquei? – ela se perguntava.
- A senhora estudou com meus pais, professora? – perguntou Harry, levantando-se.
- Oh, sim, Harry. Estudei! – respondeu ela olhando-o. – Eu olho para você e vejo seu pai, olho para seus olhos e vejo Lílian – os olhos da mulher lacrimejaram, mas ela não deixou que as lágrimas escapassem. – E vendo a Srta. Granger e esse desempenho maravilhoso que exerce... Eu só posso me lembrar deles. Eram maravilhosos, os seus pais. Muito inteligentes...
E ela voltou a remexer em suas gavetas, deixando-o ali, parado. Os alunos na sala, conversavam, trocavam ideias e analisavam outros nomes, portanto, não prestavam atenção a nada mais. Harry voltou para a mesa onde estava com Hermione.
- O que ela disse? – ela perguntou quando ele sentou.
- Depois conversamos sobre isso. Mas ela não é a primeira pessoa que me confidencia que nós somos muito parecidos com meus pais – ele disse pensativo. – Em todo caso, ainda temos que ler o pergaminho, não?
- Agora não. Conte-me isso direito, Harry! – pediu Hermione.
- Ela contou que estudou com meus pais, que eram maravilhosos e muito inteligentes... Mais uma vez ela disse que você era muito parecida com a minha mãe. – Hermione levou as mãos ao rosto. – Não, Mione. Só no intelectual, na inteligência... No jeito de ser e agir.
- Ah... Será mesmo, Harry? – ela se perguntou insegura, mas em sua cabeça tudo se encaixava, ainda assim, faltavam muitas peças para que aquilo pudesse ser uma explicação.
O sinal tocou e os dois se levantaram.
- Depois falamos sobre o pergaminho. Antes das aulas da tarde, ok?
- Ok. – E os dois esperaram que todos os alunos saíssem.
Quando iam sair, uma voz encheu seus ouvidos.
- Srta. Granger, Sr. Potter – chamou a professora se levantando. – Posso ficar com a ficha dos senhores?
Harry e Hermione se entreolharam espantados.
- Sim, professora – respondeu Hermione finalmente.
- Entrego a vocês o mais breve possível. Estou analisando e estudando algumas coisas. – E, vendo as expressões dos garotos, apressou-se em acrescentar: - Não é nada demais! Apenas acho que talvez haja alguma ligação com o perfil passado. Srta. Granger, será que poderia me informar os nomes de seus pais?
- Sim, senhora. Jane e Stan Granger. – Hermione respondeu quase que automaticamente.
- E o sobrenome de solteira de sua mãe?
- Vernet – embora Hermione respondesse a todas às perguntas que a professora fazia, ela não estava entendendo muita coisa.
- Obrigada, Srta. Granger. Podem se retirar. – A professora ficou de costas para os dois.
Na sala silenciosa, era possível ouvir o farfalhar da pena escrevendo num pergaminho. Os dois saíram da sala ainda em silêncio e seguiram para a torre da Grifinória, já que teriam um horário vago antes do almoço. Rony ainda fazia o trabalho de Snape. Ele parecia realmente confuso. Ao ver que os amigos haviam chegado, ele se levantou e correu até eles. Os dois estavam conversando tão animadamente que nem notaram o amigo ali com eles.
- Harry, Hermione... Por favor, me ajudem! – pediu o garoto ruivo ajoelhado diante dos dois.
- Rony? Onde está você? – perguntou Hermione, olhando em volta de si mesma.
- Aqui! – Ele apontou para si mesmo, depois puxou a barra da capa da amiga.
- Ah! Aí está o Rony desesperado – disse Hermione em tom irônico. – O que foi agora? O que não entendeu?
- Basicamente o fato de eu não saber todos os ingredientes da Poção do Morto-Vivo – respondeu o garoto com sarcasmo.
- Oras, Rony! Isso você encontra tudo no livro – respondeu ela, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. – Na página trezentos e noventa e sete.
- Como você pode gravar o livro inteiro? – perguntou Rony com uma expressão que misturava admiração e medo.
Harry deu de ombros.
- Bom, acho que a sua dúvida é com o trabalho e não como meu cérebro funciona, não acha?
- Uau! Ela hoje não está nos melhores dias... – Rony se levantou e cochichou alto para Harry.
Hermione fuzilou o amigo com os olhos.
- Rony... Eu acho melhor você dizer de uma vez o que não entendeu, sabe? – falou Harry gesticulando.
- Ronald... – disse Hermione fechando os olhos e cerrando os pulsos por um momento, no intuito de se acalmar, mas algo saiu errado, pois seu tom de voz era falso e apelativo. – Eu não tenho o dia todo para você, meu caro amigo. Se você puder me dizer o que...
- Esta sua imitação de uma pessoa calma e serena está me irritando – provocou Rony, interrompendo-a.
- Ronald Weasley! Se você quer ajuda, eu entendo, tento ser paciente e ajudar... Mas desde o momento em que é sarcástico e extremamente bobo o suficiente para me irritar, eu acho que suas tentativas não o levam a lugar nenhum! – berrou Hermione. – Quando não quero cooperar, você vem com essa gozação; quando eu resolvo ajudar e deixar meu gênio sabe-tudo, maduro e impenetrável de lado, você resolve me irritar?! Francamente!
- Mione, controle-se... – pedia Harry.
- Ah! Eu vou sair daqui! – Ela simplesmente deu as costas, abriu o retrato da mulher gorda e saiu do aposento sem nem ao menos deixar seu material.
- Rony, qual era a sua dúvida? – perguntou Harry impaciente.
- Bem... A questão é que eu quero saber exatamente depois de quanto tempo posso acrescentar os ingredientes e a ordem – respondeu o ruivo.
- Bom, abra o livro exatamente na página que a Mione mandou. Está tudo lá! – disse Harry para o amigo. – Nos vemos mais tarde!
E ele, como Hermione, deu as costas e saiu pelo retrato, deixando para trás, um Rony confuso.
Procurou a amiga em todos os lugares óbvios do castelo onde ela poderia estar: debaixo da árvore na beira do lago, numa sala qualquer, no banheiro dos monitores... Agora ele saía da casa de Hagrid, onde ficara preso por quase meia hora, já que o amigo queria conversar. Depois seguiu para a biblioteca, na esperança de encontrá-la por lá. O aposento estava apinhado de estudantes cabisbaixos e concentrados. Não se ouvia sequer um ruído. Ele andou por entre as prateleiras e ao redor das mesas. Nem sinal. Foi então até a sessão restrita, ocupada apenas por Madame Pince e dois alunos. Quando ia saindo da sessão, olhou diretamente para a porta e viu. Ela andava rapidamente, a mochila batendo de leve em suas pernas e as mãos ocupadas com dois grossos livros, os cabelos esvoaçando para trás. Volta e meia passava as mãos pela franja, para colocá-la fora do rosto, fazendo-a apenas emoldurar o mesmo.
Correu para alcançá-la e ao ficar há menos de três metros da garota, ela simplesmente murmurou algo para ele, sem nem ao menos se virar para encará-lo.
- Sala Precisa... Agora! – e apertou o passo.
Ele parou subitamente e a viu virar o corredor. Seguiu para o local que a garota falara por um caminho oposto do qual ela seguira. Alguns minutos depois, ele adentrava a porta de carvalho da sala a qual a amiga lhe pedira para encontrá-la.
Viu a amiga sentada diante de uma lareira, única fonte de luz na sala grande e vazia. A garota parecia um tanto pensativa e abraçava uma almofada. O seu material havia sido deixado de lado à um canto escuro, quase impossível de se enxergar algo.
- Entre, não diga nada, apenas sente-se – disse a garota sem se mover.
Harry sentou-se ao seu lado. Já imaginava o porquê da visita àquela sala.
- Por que está tão estranha? – perguntou.
- Isso não vem ao caso agora. Trouxe o pergaminho? – Ela ainda não se movera, quase não piscava. Olhava imóvel para as chamas que crepitavam ao fogo na lareira.
- Está no meu...
- Dê-me ele – ela interrompeu o garoto antes que completasse a frase.
Ele simplesmente retirou de seu bolso o pergaminho que ‘recebera’ mais cedo, durante o café da manhã, e entregou-o a ela. Hermione então se moveu, mas apenas abaixou um pouco a cabeça e abriu o pergaminho. Não o olhou sequer um segundo. Lia o pergaminho com atenção e estava decidida a absorver cada palavra, para que pudessem se preparar para o que viria a seguir.
- Muito bem. – Ela virou-se para Harry, encarando-o pela primeira vez desde o salão comunal. – Dumbledore está avisando que estará este fim de semana fora e voltará apenas no domingo no final da tarde. Por este motivo, pediu que fôssemos ao seu escritório às 23h. Ele não esclareceu o motivo deste convite, mas ainda assim, pediu que levássemos a capa da invisibilidade do seu pai, Harry, e que não comentássemos com ninguém sobre nada – disse ela séria, estendendo o pergaminho para ele. – Acho melhor você ler, irá ajudar...
Harry tomou o pergaminho e começou a ler a carta escrita numa caligrafia fina e levemente inclinada.
Harry e Hermione,
Eu estou enviando este pequeno bilhete para convocá-los ao meu escritório no domingo às 23h. Aviso que não estarei presente nos próximos dois dias, retornando à Hogwarts apenas domingo ao crepúsculo. Devo pedir-lhes também que ao virem ao meu escritório, tragam a capa da invisibilidade e que não comentem com absolutamente ninguém que irão sair à noite do salão comunal. Não se preocupem com nada. Eu e alguns membros da Ordem, o que inclui os professores aqui presentes, estaremos saindo para realizar uma missão. Explicarei tudo quando vierem ao meu escritório, já que amanhã durante o café da manhã, apenas alertarei os alunos de alguns pequenos imprevistos. Está tudo sob controle.
Atenciosamente,
Alvo Dumbledore
- É estranho, mas há uma ponta de lógica. Não é tão simples quanto parece, mas acredito que estará saindo para resolver algo relacionado à Ordem – disse Harry. – Em todo caso, acho melhor conversarmos sobre isso depois. Se não nos adiantarmos, perderemos o horário do almoço.
- Tudo bem. – Hermione se levantou, recolhendo todo o seu material. Deixara de lado o humor duro, substituindo-o por um ar sério, mas risonho.
Depois de saírem da Sala Precisa, os dois não tocaram mais no assunto do encontro com Dumbledore no domingo à noite. O resto dia seguiu-se cansativo, no período da tarde, tiveram Trato das Criaturas Mágicas, seguidos por dois tempos de Poções.
- Sinceramente? Se eu vir o Snape novamente hoje, juro que definitivamente não conseguirei dormir esta noite! Ele é um pesadelo... É sério! Não sei como os Sonserinos o aguentam. – disse Rony sério.
- A questão não é aturar o Snape, Weasley. E sim, bajular ele até que tenhamos algum crédito – respondeu Malfoy, que vinha logo atrás deles.
- Realmente interessante! – disse Rony fazendo pouco caso do garoto. Desde o baile, Rony estava enfezado com Draco Malfoy. – E posso saber onde vai com tanta pressa, Malfoy?
- Rony, tenho certeza de que não é da sua conta! – disse Hermione.
- Ao salão principal – respondeu Draco automaticamente, apertando o passo e passando na frente de Rony, Harry e Hermione.
- E por que a pressa? – perguntou Rony novamente.
- Digamos que estou sendo perseguido e indevidamente interrogado – respondeu Draco sem rodeios. – E se você me der licença, Weasley, ainda tenho algumas coisas para fazer antes do jantar. – E o loiro saiu em disparada, entrando na primeira sala que viu aberta.
- Se isso inclui agarrar a minha irmã, pode esquecer! – berrou Rony.
Draco colocou a cabeça para o lado de fora da sala e procurou Rony no corredor.
- Não se preocupe, Weasley! Respeito a sua irmã o suficiente para não fazê-lo. – E ele desapareceu novamente, fechando a porta.
- Rony! – advertiu Hermione.
- Quê? – o ruivo se fez de inocente.
- O que eles fazem ou deixam de fazer não é da sua conta! E você sabe perfeitamente que a Gina se dá ao respeito e não deixaria que o Malfoy sequer se atrevesse a tocá-la da forma como pensa. Ela pode ser maluquinha, mas tem a cabeça no lugar! Não vai ficar se agarrando por aí com o Draco – repreendeu Hermione.
- Você tem noção de quão contraditória você foi em seu discurso? Além disso, se Gina passou todo esse tempo namorando Malfoy às escondidas, certamente esteve se agarrando por aí – Rony retrucou, mal humorado.
- Eu quis dizer que ela não vai fazer nada demais, Rony, só isso!
- O que ele quis dizer com ‘estou sendo perseguido e indevidamente interrogado’? – Harry se perguntou.
- Eu não sei – respondeu Rony.
- Acho que a resposta está passando por aqui neste exato momento. – E Hermione mostrou uma Pansy afobada correndo de um lado para o outro no corredor, sendo seguida de perto por uma garota loira que sempre estava com ela, Crabbe e Goyle.
- Parkinson? O que ela iria querer correndo atrás do Malfoy? – perguntou Rony.
- Ele tem que estar por aqui, Susan. Eu vi quando ele passou por aqui! – dizia Pansy. – Ah! Mas se eu pego o Draco, vou fazer ele me contar tudo, ou então... – ela fez uma pausa. – Ele simplesmente não pode continuar fugindo de mim! Sabe que ele me deve uma explicação. Ele já fugiu por quase um mês, mas de hoje não passa!
- E eu posso saber por que ele deveria uma explicação a você, Parkinson? – perguntou uma voz que surgiu repentina por trás da morena.
- Isabella? – assustou-se Pansy. – Eu... eu... Eu acho que o Draco deve explicação a todos os sonserinos, afinal, se envolveu com uma Weasley pobretona e, ainda, da Grifinória!
Agora Harry, Rony e Hermione haviam se aproximado para ver a confusão, assim como todos aqueles que antes passavam pelo corredor.
- Quem é você para sair por aí falando de mim, Parkinson? – outra voz entrava na conversa. – Bel, deixe que eu tomo conta dela, ok?
- Como você mesma disse, Weasley, sou uma Parkinson – respondeu Pansy. – E não dirija a palavra a mim, sua suja!
- Querida... Faça-me rir! – disse Gina, que estava de mãos vazias, enquanto andava em direção da morena. – Sabe, eu não costumo levar desaforo para casa. E como eu ouvi a sua voz irritante pronunciar o meu nome, vim tratar de limpar ele, afinal, o que sai da sua boca porca, só pode sair sujo, não é?
Agora os grifinórios ali presentes riam da situação em que Pansy se encontrava.
- Weasley, se eu fosse você, não brincava com coisa séria...
- Mas você não sou eu! E eu só posso agradecer por isso, querida – Gina agora assumira um ar debochador. – Se eu fosse você, com certeza teria vergonha de colocar esta cara de limbo para fora de casa.
- Weasley... Estou avisando: fique longe e não dirija sequer uma palavra a mim. – Pansy falou cerrando os dentes.
- Que posso fazer se não consigo simplesmente ficar longe de você e deixar minhas ironias de lado quando você está presente? É impossível te ver e ficar calada... É sempre um prazer fazer de sua cara de bulldog, um tacho! E você não deve nem saber metade dos seus defeitos, não é? Acho que suas amiguinhas, como essa vadia aí, não têm coragem de definir você como realmente é. – Agora Gina falava enquanto andava em volta da garota.
- Limpe sua boca quando for falar de mim, Weasley! – disse Susan agressiva.
- Oh! Me desculpe, mas eu simplesmente não escondo as verdades das pessoas, querida...
- Sua...
- Que houve, Starris? – perguntou Gina. – Está querendo se alistar para uma sessão comigo?
- Gina... Não vale a pena! – avisou Hermione.
- Mione, não se preocupe. Sei o que faço! – respondeu Gina sem olhá-la; mantinha o olhar fixo nas sonserinas.
- Deixa ela, Mione! – disse Rony, sorrindo de orelha a orelha.
- Ah... Será que você sabe realmente o que faz? Creio que se soubesse o que faz, certamente não estaria me provocando. Se não notou, estou acompanhada. – Pansy apontou Crabbe e Goyle.
- Quem são eles mesmo? – Gina se fez de desentendida. – Ah, claro! Aqueles obesos ali? – apontou para os antigos capangas de Malfoy. – Desculpe, querida, mas eu não luto sumô. E não tenho medo deles, Pansy. Não tenho medo do que você possa mandar eles fazerem contra mim, não tenho medo do que você possa fazer...
- Pois deveria! – Pansy partiu para cima de Gina.
Quando Pansy ia bater em Gina, ela simplesmente se abaixou e passou uma rasteira na morena, que caiu estatelada no chão.
- Sabe, Pansy?! Não tinha notado como seus pelos haviam crescido... – Gina acariciou os cabelos negros de Pansy.
- Ora! – Mais uma vez Pansy ia avançar em Gina, que se abaixou novamente e levantou com uma rapidez inimaginável e...
PLAFT!
Pansy cambaleou para trás, com as mãos lhe cobrindo o rosto. Olhava em volta assustada. Todos a apontavam e riam dela. Gina deixara uma bela marca em seu rosto, só não havia percebido que fora muito pior que o imaginado. Ao retirar as mãos do rosto, Pansy notou, assim como todos ali presentes, que estavam sujas de sangue. Agora os rostos boquiabertos diante daquela cena eram uma unanimidade.
- Pansy! O que houve? – perguntou Susan, que correu imediatamente para a ‘amiga’. Percebeu que havia um corte no rosto da morena, um corte superficial, mas comprido. – O que você fez com ela, sua vadia? – Susan avançou para Gina, que repetiu o golpe, mas o lugar atingido fora o supercílio da loira.
- Vadia aqui, sua loira oxigenada, só existe uma. E se quer que eu a apresente a você, sinto muito, acredito que você já a conheça muito bem, afinal, sempre nos conhecemos como ninguém! – disse Gina, que transbordava de raiva, mas sorria triunfante. – Só para avisar, a tatuagem para vocês foi de graça mesmo, ok?
E assim, ela saiu do lugar, como se nada tivesse acontecido, no entanto, ainda carregava o seu sorriso nos lábios.
Como de todos os estudantes despertassem de um transe, aos poucos foram se retirando. Sem dúvida, aquele seria o assunto de todo o fim de semana. Mas pouco importava isso a Gina. Ela só havia dado uma lição às patricinhas da Sonserina e tinha que concordar, que fora uma lição mais que merecida. Em poucos minutos restaram apenas Pansy e Susan no corredor. Harry, Hermione e Rony haviam corrido atrás de Gina, e já a alcançavam.
- Gina, o que foi aquilo? – perguntou Hermione, ainda assustada.
- Foi maravilhoso, Gina! – comentou Rony.
- Eu ainda não acredito no que vi. – disse Harry atordoado.
- Acredite, Harry. Ela pode ser a única garota da família, mas tem sangue Weasley. – falou Rony satisfeito.
E o resto da noite, Gina foi bombardeada de perguntas inconvenientes, mas que respondeu de bom grado e orgulhosa de seu feito. Nenhum professor a procurara e nem mesmo as garotas ‘atacadas’, apareceram no jantar. Ainda naquela noite, Gina se encontrou com Malfoy e contou todo o acontecido, deixando-o igualmente incrédulo, como todos aqueles que presenciaram a cena. Depois de tudo, aquilo virou motivo para risos e uma boa arma para que Gina pudesse caçoar das garotas, sempre que quisesse ou que elas lhe provocassem.