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24. Capítulo 23


Fic: O Testamento


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Eram quinze para as sete quando Harry e Gina chegaram ao Cisne, e o local já estava cheio. Velhas peruas e picapes enferrujadas com suporte para rifle e adesivos nos pára-choques enchiam o estacio­namento. Preferia estar pescando era o que mais se lia nos pára-cho­ques, mas o que chamou a atenção de Harry foi um que mostrava um enorme crocodilo com um esparadrapo na cauda. Não entendeu bem qual era a intenção daquele adesivo.


Também percebeu que não havia nenhum carro novo por ali. Se havia alguma dúvida sobre aquela ser uma área pobre, a prova estava por todo o lado. Algumas picapes pareciam saídas do ferro-velho. Mas, se Harry havia aprendido alguma coisa em sua visita a Bowen, foi que ali as pessoas faziam o melhor com o que tinham.


— Em que está pensando? — Gina perguntou, enquanto ia na frente dele, passando por uma caminhonete enferrujada.


— Como a vida é dura por aqui — ele respondeu. — Mas sabe o que me espanta? Não ouvi ninguém se queixar, nem um lamento.


— Não, mesmo. Todos aqui têm muito orgulho.


— Eu já disse que você está muito bonita esta noite? — ele disse.


— Nesta roupa velha?


Aquela "coisa velha" era um vestido leve e curto, com decote V, xadrez de azul e branco, que ela havia levado vinte minutos para escolher. Havia levado outros vinte minutos arrumando o cabelo, que agora caía-lhe sobre os ombros e emoldurava suave­mente o rosto. Ela teve o maior trabalho para arrumá-lo para deixá-lo com aparência natural. Depois, passou um pouco de maquiagem para realçar as maçãs do rosto e cobriu os lábios com uma leve camada de batom e brilho. Quando percebeu que estava ficando compulsiva por causa da aparência — tinha colocado e tirado aquele vestido três vezes — e que tudo aquilo era por causa dele, resolveu conter-se.


— Quando alguém a elogia, espera-se que você agradeça. Você está bonita esta noite — ele repetiu, acrescentando — nessa "roupa velha".


— Você gosta de me provocar, não é?


— Gosto, sim.


Ele tinha mentido ao dizer achar que ela estava bonita, mas não podia expressar o que sentira quando a viu descer as escadas. Pura dinamite, foi a primeira coisa que pensou. De tirar o fôlego era outra expressão que poderia ter usado, mas a palavra que não lhe saía da cabeça e que ele não tinha coragem de dizer era Deliciosa.


Ele achou que seria demais dizer uma coisa dessas a ela. O que estava acontecendo com ele, afinal? Estava distraído e um tanto poéti­co. Opa, de onde poderia ter saído isso?


— É pecado provocar as pessoas.


Harry abriu a porta para ela, mas segurou-a pelo braço para po­der ler um quadro na parede.


— Não é à toa que esteja tão cheio aqui hoje — ele comentou — Aqui diz: Toda a cerveja que conseguir beber esta noite.


Ela riu.


— Sempre é toda a cerveja que conseguir beber, desde que pa­gue pelo que consumir e que não vá dirigir depois. Quem mora por aqui já sabe.


— Hum, tem alguma coisa cheirando bem por aqui. Vamos co­mer. Só espero que não esteja apimentado demais.


— Bem, hoje é quarta-feira e você poderá comer peixe frito com batata frita. Aposto que suas artérias vão adorar.


— Qual é a outra opção?


— Batata frita com peixe frito.


— Então é isso que vou comer.


Enquanto ziguezagueavam a caminho do balcão, era a Harry que paravam mais do que ela. Vários homens e mulheres queriam apertar-lhe a mão ou dar-lhe um tapinha no ombro enquanto ele ia passando e todos, ao que parecia, queriam discutir futebol.


A única pessoa que parou Gina foi um homem que queria falar sobre suas hemorróidas.


O pai dela estava em um canto do balcão, perto do depósito, junto a Filio Flitwick e Ludo Bagman. Arthur tinha a testa franzida e balançava a cabeça, concordando com o que Filio e Ludo diziam-lhe, sem perceber que ela estava se aproximando.


Rúbeo, o cozinheiro, estava ocupado na cozinha, enquanto seu irmão, Grope, atendia o balcão.


— Papai conseguiu que Grope viesse ajudar — ela disse. — Acho que poderei ficar livre durante algum tempo.


— Seu pai está fazendo sinal para nós.


Quando finalmente chegaram até o pai dela, ele saiu de trás do balcão para ir ao encontro dela. Ela percebeu que Ludo e Filio esta­vam com a testa franzida ao olhar para ela.


— Harry, porque não vai tomar uma cerveja sentado ali no balcão enquanto eu troco uma palavrinha com minha filha?


O olhar que o pai dirigiu-lhe dizia a ela que ela havia feito algu­ma coisa que o desagradara. Ela seguiu-o até o depósito e perguntou:


— Alguma coisa errada, papai?


— Ele vai embora, Gi. É isso que está errado. Os companhei­ros e eu estávamos conversando e decidimos que não podemos deixar isso acontecer. Esta cidade precisa de Harry Potter. É claro que você já percebeu, também. Quase todos os que vieram hoje, vieram porque queriam falar com ele.


— Querem consultoria jurídica de graça?


— Alguns até querem — Arthur admitiu. — Mas também tem essa história do engenho de açúcar, e a temporada de futebol que está para começar.


— Mas, papai, o que o senhor espera que eu faça? O homem mora em Boston. Não dá para ficar vindo a toda hora.


— Claro que não, Gi — ele disse e sorriu só de pensar na bobagem que seria ficar pegando avião e de ida e volta para Bowen.


— E então?


— Nós achamos que você pode fazer Harry mudar de idéia, se fizer uma forcinha.


— Como? — ela perguntou.


Exasperada, ela colocou as mãos nos quadris e esperou. Saben­do como funcionava a mente de seu pai, sabia que ele apresentaria alguma solução maluca. Preparou-se para ouvir o que vinha.


— Estenda o tapete vermelho.


— O que quer dizer com isso?


— Filio e eu armamos um bom plano, e o Ludo tem certeza de que vai funcionar. Pois é, o Filio disse-me que o Harry contou para ele que você queria que ele ficasse na minha casa.


— É verdade.


— E você acha que isso é hospitalidade, Gi?


Ela não sabia como, mas ele conseguiu colocá-la na defensiva.


— Estou tratando bem dele. Juro.


— Já preparou seu gumbo para ele?


— Não, mas...


— Ótimo — Arthur disse. — A mulher do Filio vai dar uma passada na sua casa amanhã de manhã com uma panela do gumbo que ela faz, e você pode dizer que você mesma fez.


— Mas isso não é honesto — ela protestou, mas então compre­endeu o que o pai estava querendo dizer. — Espere aí, papai. Achei que o senhor gostasse do gumbo que eu preparo.


Ele não se deixou abater e continuou:


— Que tal aquele seu bolo de limão? Você ainda não fez esse bolo para ele, não é?


— Não — ela disse, avançando um passo. — Estou lhe avisando, papai. Se disser "bom", juro que nunca mais convido o senhor para jantar lá em casa.


— Olhe, querida, não é hora de ficar ofendida. Estamos com uma crise nas mãos e apenas dois dias para fazer o homem mudar de idéia.


— Não há nada que a gente possa fazer para convencer Harry, papai.


— Com essa atitude negativa, não mesmo. Faça o que estou dizendo e trate de acreditar mais.


O pai falava com tanto entusiasmo que ela sentiu-se péssima tentando estragar seus planos.


— É só que...


— A Marilyn acabou de sair — ele disse, falando ao mesmo tempo que ela.


— A esposa do Ludo?


— Isso mesmo. Ela faz um bolo de chocolate que é uma delícia, e já foi para casa para assar o bolo esta noite ainda. Até o meio-dia de amanhã, já estará cheirando em sua cozinha.


Gina não sabia se deveria sentir-se insultada ou divertida.


— Acha que Harry vai acreditar que fiz isso num passe de mági­ca? A que horas eu poderia ter feito um bolo para ele? Estive com ele o dia inteiro, e amanhã de manhã devo ir à clínica e começar a arrumar as pastas.


— Não, você não entendeu o que estamos querendo fazer. A Marylin também colocará um cartão de "Bem-vindo a Bowen" para ele saber como todo mundo aqui é simpático. Amélia Bones também vai preparar aquela salada de batata gostosa e, é claro, também escreverá um cartão bonito. A esposa do Daryl também não quis ficar de fora. Levará um ensopadinho de vagem direto da horta dela.


— Com um cartão simpático — ela comentou, cruzando os bra­ços e franzindo a testa para o pai.


— Isso mesmo.


— Então, por que devo fazer de conta que fiz o tal gumbo?


— Porque não quero que o Harry pense que você não sabe cozinhar.


— Mas eu sei cozinhar!


— Você o levou à lanchonete! — ele disse em tom claramente acusatório.


De repente, a admiração que Gina tinha pela sinceridade das cidades pequenas murchou. Obviamente, o diz-que-diz espalhava-se como fogo em palha. A impessoalidade, o anonimato das grandes cida­des já não parecia tão horrível.


— Foi ele quem quis ir lá — ela contrapôs. — Ele gosta de hambúrguer... e eu também. A salada de lá também é boa.


— Tudo bem, mas queremos que ele se sinta bem recebido, estamos tentando ser hospitaleiros.


Ela riu. Quando papai, Filio e Ludo juntavam suas cabeças, as idéias mais absurdas acabavam emergindo. Por sorte, esses absurdos não os punham na cadeia.


— Ah, e o senhor quer que eu seja hospitaleira também.


— Isso mesmo. Você sabe bem do que estou falando. Faça com que ele se sinta à vontade, como se fosse alguém daqui. Leve o Harry para passear, faça ele conhecer os lugares bonitos.


— Que lugares bonitos?


— Gina, você vai cooperar ou não?


Ele estava ficando irritado. Só a chamava de Gina quando estava zangado com ela. Ela começou a rir outra vez, sabendo que ele não gostaria, mas não conseguiu se conter. Aquela conversa toda era pura loucura.


— Está bem — ela disse, por fim. — Já que significa tanto para o senhor, para Filio e para Ludo, eu aceito cooperar.


— Isso significa muito para mim, para o pessoal que trabalha no engenho e para o time de futebol, também. Devia ver o que o Filio contou-nos sobre o treino de hoje à tarde. Ele disse que Harry conseguiu dominar aquela garotada, que botou os meninos para jogar de verda­de. Também disse que Harry entende muitíssimo mais de futebol do que ele.


— Qualquer um entende mais de futebol do que o Filio.


— Harry sabe organizar os meninos. Conseguiu o respeito deles num instante — estalou os dedos para dar ênfase. — Tenho mil razões para querer que ele fique, mas você sabe qual é o motivo mais forte do que os outros?


— Não, papai. O que é?


Ela já havia decidido que, se ele dissesse que esperava que Harry se casasse com ela para tirar a responsabilidade das mãos dele, sairia imediatamente do bar.


— Ele saiu e comprou uma grade de presente de aniversário para o menino do Daryl. Não se encontra muitos homens como esse por aí, hoje em dia. E imagine o dinheirão que gastou com aquela grade.


— Está bem, vou fazer a minha parte, mas não ponha suas espe­ranças muito no alto. Harry voltará para a casa dele e não há nada que a gente possa fazer para mudar isso.


— Ih, lá vem o pé frio de novo. A gente precisa fazer o que pode, não é? Esta cidade está precisando de um advogado bom e honesto, e Harry Potter é o homem que pedimos a Deus.


Ela concordou com a cabeça.


— Tudo bem. E que tal se amanhã eu preparar meu étouffee3? Ele parecia apavorado.


 


3 Prato cajun, típico do sul dos Estados Unidos, preparado com lagostins de água doce e vegetais.


 


— Não, querida, não se incomode. Melhor servir o gumbo da Billie. Lembre-se de que o caminho para o coração de um homem passa pelo estômago.


— Mas o senhor adora meu étouffée — ela protestou, frustrada. — Isso quer dizer que não gosta?


Ele abraçou-a e disse:


— Você é minha filha e adoro você, meu bem. Eu tinha de dizer que gostava, não é?


— O senhor sabe quanto tempo leva para eu preparar esse pra­to? Um dia inteiro! — ela disse, antes que ele tentasse adivinhar. — O senhor já deveria ter dito antes de hoje.


— A gente não queria ver você magoada, sabendo que você é tão amorosa e sensível.


— Puxa vida, papai. O senhor poderia... Espere aí! O senhor disse nós?


— Seus irmãos e eu. Eles também adoram você, meu amor. Você sabe fazer uma boa comidinha caseira e seus biscoitos derretem na boca, só que agora queremos arrasar. Como estava lhe dizendo, meu bem, o caminho para o coração de um homem...


— Já sei. Passa por seu estômago. Isso também é uma coisa horrível e sem sentido, se quer saber.


— Ah, é? E como acha que sua mãe me fisgou?


Quando ela aprenderia que jamais venceria uma discussão com seu pai? Fosse qual fosse o motivo. Por fim, admitindo a derrota, ela disse:


— Já sei. O famoso bolo de calda.


— Pois é.


— Saiba que não quero fisgar o Harry como a mamãe o fisgou.


— Sei muito bem. É a cidade inteira que quer fisgar o Harry.


— Certo, certo. Farei a minha parte. Prometo. Agora deixe-me ver se entendi bem. Fazer a minha parte significa que não devo cozi­nhar de jeito algum, devo mentir sobre o gumbo, dizer ao Harry que fui eu que fiz e, ah, sim, tenho de ser simpática. Devo pôr um chocolate no travesseiro dele esta noite?


Ele abraçou-a, girando-a no ar.


— Não, o chocolate pode ser demais e matar o coitado. Agora vá sentar lá que logo levo o jantar para você e para o Harry.


Gina não teve mais um momento de sossego durante as próximas três horas. Depois que ela e Harry comeram, ela vestiu o avental e foi trabalhar, limpando as mesas e ajudando a carregar jar­ras com cerveja gelada. Harry ficou grudado ao balcão, ladeado por dois homens com papéis na mão. Havia uma fila de gente querendo falar com ele. Big Daddy Arthur debruçava-se sobre o balcão e fazia as apresentações.


Mais consultoria jurídica de graça, ela concluiu. Grope sumiu depois de algum tempo e, já que o pai estava ocupado tentando mani­pular Harry, ela assumiu o controle do bar.


As dez e meia a cozinha foi oficialmente fechada e limpa, e o monte de gente começou a dispersar-se. Havia apenas umas doze pes­soas lá dentro quando ela tirou o avental e aproximou-se da jukebox. Ela colocou uma moeda de 25 centavos que havia pegado na registra­dora, apertou o B-12 e depois sentou-se junto a uma mesa de canto que acabara de limpar. Apoiou os cotovelos na mesa e descansou o rosto nas mãos.


Seu olhar sempre ia dar em Harry. Ele estava simplesmente lindo com a camiseta cinza e jeans. Precisava ser tão sensual? E por que não encontrava nada de errado nele? Assim poderia implicar com alguma coisa e acabar perdendo o interesse. Só conseguia pensar em ir para a cama com ele. Será que isso significava que estava tomando-se vulgar? Seria muito gostoso. Pare de pensar nisso. Comece a pensarem outra coisa.


Outro pensamento surgiu em sua cabeça, ainda mais deprimente. Ótimo. Quando ele se fosse — sim, partiria, mesmo — a cidade ainda poria a culpa nela. Ah, não diriam nada, mas todos pensariam que ela não havia se esforçado, que não tinha sido suficientemente gentil.


Ela imaginou o que pensariam se soubessem de que maneira ela desejava satisfazê-lo. Admita, droga. Está sentindo pena de si mesma porque ele vai voltar para Boston e sua vida super-sofisticada por lá, enquanto você está morrendo de vontade de fazer com que ele fique em Bowen. Para sempre.


Ora bolas! Como aquilo foi acontecer? Como ela pode ser tão tonta? Não havia adiantado nada enumerar todos os motivos para não se apaixonar por ele? Evidentemente não. Tinha sido ingênua demais para prestar atenção e tomar cuidado. Era uma mulher forte; então por que não havia conseguido se proteger dele? Será que estava amando? Ai, ai, ai! E se estivesse?


Não, impossível, decidiu. O amor não podia acontecer assim tão rápido!...Ou podia?


Gina estava tão perdida em suas preocupações, que não per­cebeu que ele vinha se aproximando.


— Ih, parece que está no enterro do melhor amigo. Vamos. Ve­nha dançar comigo.


Ah, dê o fora e deixe-me curtir minha autopiedade.


— Está bem.


Harry tirou uma moeda de 25 centavos do bolso, colocou na máquina e disse para ela escolher. Sem hesitar, ela apertou A-1.


A música começou e só quando ela se viu envolvida nos braços dele foi que percebeu que havia cometido um erro enorme. A última coisa de que precisava naquele momento, de autopiedade e vulnerabilidade, era ser tocada por ele.


— Você está dura como uma tábua. Relaxe — ele murmurou junto ao ouvido dela.


Com delicadeza, ele fez com que a cabeça dela repousasse em seu ombro e puxou-a até que seus corpos se colassem. Ai, ai, ai. Gran­de bobagem. Tarde demais, pensou, aconchegando-se junto a ele e envolvendo o pescoço dele com os dedos.


— Adoro esta música.


— Parece que conheço, mas não sei como, porque não costumo ouvir música country.


— É o Willie Nelson cantando Blue Eyes Cryin' in the Rain.


Ele acariciava o rosto dela com o nariz, fazendo com que perdes­se a concentração.


— É uma canção bonita. Gostei dela — ele comentou. Ela tentou afastar-se, mas ele não permitiu.


— É uma música triste — ela disse, assustando-se ao perceber como estava sendo do contra.


Embalavam-se lentamente ao ritmo da música.


— É uma velha história — ela explicou.


— Que história?


Ele beijou o ponto sensível logo abaixo da orelha, deixando-a arrepiada. Ela tremeu. Ele devia saber o que estava causando a ela. O pior era que realmente desejava derreter-se nas mãos dele.


— É sobre uma mulher que se apaixona por um homem, mas depois ele a abandona e ela...


— Deixe-me adivinhar... chora na chuva?


Ela podia ouvir o riso que permeava a voz dele. A mão de Harry suavemente acariciava suas costas.


— E como ele pôde deixar a garota?


— Porque é um grande idiota — ela disse, como se estivesse pensando alto, mas logo tentou consertar. — Sei lá, é só uma música. Estou só fazendo hipóteses. Talvez ela o tenha abandonado e ficou tão feliz por se ver livre dele que está chorando de felicidade na chuva.


— Sei, sei.


Ela colou-se mais ainda nele, com os dedos desenhando peque­nos círculos em seu pescoço.


— Melhor parar com isso.


— Você não gosta? — ela perguntou, deslizando os dedos para os cabelos dele.


— Gosto, sim. E é por isso que quero que pare.


— Ah!


Então ela também o deixava maluco. Essa maravilhosa constatação deixou-a um tanto ousada.


— Então provavelmente também não quer que eu faça isso — ela sussurrou, beijando-lhe o pescoço.


— Gina, estou avisando. Este é um jogo para duas pessoas.


— Que jogo? — ela perguntou.


Voltou a beijar-lhe o pescoço, dessa vez roçando-o com a ponta da língua. Sentia-se mais ousada. Seu pai estava na cozinha e ninguém mais prestava atenção neles. Além do mais, o corpo grande de Harry a escon­dia. Isso a fez ficar mais arrojada e ela esfregou seu corpo no dele.


— Se não gosta do que estou fazendo... A provocação não passou despercebida.


— Você é má — ele disse.


— Obrigada — ela respondeu, suspirando.


— Sabe do que eu gosto?


— De quê? — um murmúrio quase inaudível.


— Gosto do seu cheiro. Quando chego perto de você, seu cheiro me deixa louco e me faz pensar em tudo o que eu gostaria de fazer com você.


Gina fechou os olhos. Não pergunte. Pelo amor de Deus, não pergunte.


— Que tipo de coisas?


Até aquele momento, ela achava que estava se controlando dian­te de um mestre. Fora ela a iniciar a conversa erótica, e sabia, pelo modo como ele a segurava, que havia conseguido abalar suas bases.


Mas então ele começou a sussurrar em seu ouvido e ela perce­beu que na verdade estava completamente perdida. Em voz baixa e aveludada, ele descreveu exatamente o que pretendia fazer com ela. Nas fantasias dele, ela era, é claro, a estrela; e cada parte do corpo dela, até os dedos do pé, tinham seu papel. Ele realmente tinha uma imagi­nação fértil, e com certeza não tinha o menor pudor em contar o que se passava em sua mente. Gina não podia culpar ninguém além de si mesma. Afinal, havia pedido. Isso, porém, não importava. Quando ele acabou de descrever várias maneiras criativas para fazer amor com ela, o sangue pulsava forte nos ouvidos de Gina, seus ossos pareciam ter virado geléia e ela sentia-se derreter junto a ele.


A música acabou. Ele beijou-lhe a bochecha, aprumou-se e afastou-se.


— Obrigado pela dança. Quer uma cerveja, ou alguma coisa? Parece que está com um pouco de calor.


Um pouco de calor? Ela sentia-se como se o ar do bar estivesse a 42°. Ao olhar nos olhos dele, percebeu que ele sabia exatamente o que havia provocado nela.


— Está abafado aqui dentro. Acho que vou tomar um pouco de ar lá fora — ele anunciou com a maior informalidade.


Ela ficou observando ele afastar-se. Ele havia acabado de abrir a porta e pôr o pé para fora, quando ela saiu correndo atrás dele.


— É isso aí.


Ela alcançou-o lá fora, parado ao luar. Ela cutucou-lhe o meio das costas e repetiu, bem mais alto desta vez.


— É isso aí. Você venceu.


— O que disse? — ele perguntou, voltando-se para ela.


Ela estava tão zangada, que bateu-lhe no peito com a ponta dos dedos.


— Eu disse que você venceu.


— Certo — ele disse calmamente. — O que foi que eu venci?


— Você sabe muito bem do que eu estou falando, mas já que estamos sozinhos, por que não dizer com todas as letras? Esse joguinho que estamos jogando. Você venceu. Eu bem que cheguei a pensar que tinha o controle nas mãos, mas é óbvio que me enganei. Não sou boa nisso. Certo? Portanto, você ganhou.


— Exatamente o que eu ganhei?


— A cama.


— O quê? — ele perguntou, arqueando a sobrancelha.


— Você ouviu muito bem. Vamos para a cama, Harry Potter. Ou melhor, vamos fazer sexo, sexo muito gostoso. Entendeu?


Um sorriso diabólico iluminou o rosto de Harry, e seus olhos pareciam perdidos no espaço. Será que já estava pensando no que faria ou será que não conseguia prestar atenção durante o tempo sufi­ciente para ouvi-la se render?


— Gina, meu bem...


— Você não está prestando atenção, não é? Quero fazer amor com você. Da melhor espécie — ela ressaltou. — Você sabe muito bem do que estou falando. Daqueles de fazer o sangue ferver, de rasgar a roupa, de deixar louco, de urrar de prazer. Como na música All Night Long, seremos eu e você, garotão. A noite toda. É só dizer a hora e o local e estarei lá.


Pelo jeito, ela havia feito Harry perder a fala. Teria de haver uma primeira vez. Talvez ela não fosse tão ruim nisso, afinal. Harry continu­ava a olhar para ela com um sorriso no canto dos lábios. De repente, ela sentiu-se ousada como um galo pronto para cantar. Cruzou os bra­ços diante da cintura e disse:


— E então? O que tem a dizer sobre isso?


Ele deu uma passo na direção a ela e disse:


— Gina, quero apresentar-lhe um velho amigo meu, Sirius Black. Sirius, esta é Gina Weasley.


Ele estava blefando. Só podia estar blefando! Ela sacudiu a cabe­ça levemente. Ele fez um sinal afirmativo com a cabeça. Ela voltou a balançar a cabeça e murmurou:


— Ai, ai, ai!


Ela fechou os olhos. Aquilo não podia estar acontecendo.


Gina não se atrevia a olhar para trás. Queria sumir em um buraco no chão. Há quanto tempo o sujeito estaria ali? Ela sentia o rosto queimar de vergonha. Engoliu em seco e forçou-se a dar meia volta.


O sujeito estava ali, mesmo. Alto, moreno, olhos incrivelmente azuis e um sorriso de predador. Quando falou, sua voz saiu baixa e rouca, como se estivesse com uma terrível laringite.


— Muito prazer.


Até dar meia volta, achou que a situação não podia ficar pior. Enganou-se redondamente, no entanto. Seu pai estava parado na por­ta, logo atrás de Sirius, e com certeza estava perto o suficiente para ter ouvido tudo o que ela havia dito a Harry. Mas também poderia não ter ouvido. Podia ter acabado de chegar ali. Ela reuniu coragem, e olhou para ele. Seu pai parecia ter sido atingido por um raio.


Gina resolveu adotar um plano de emergência. Simplesmente faria de conta que nada havia acontecido.


— Chegou agora? — ela perguntou a Sirius, com a maior cara dura.


— Cheguei — Sirius respondeu com um sorriso irônico. — E então, Harry, todas as garotas de Bowen são assim tão generosas?


A porta do bar bateu com força e Arthur aproximou-se depressa. Agora parecia atônito.


— Quando eu disse para você estender o tapete vermelho, achei que entendeu do que estava falando. Existe uma diferença entre ser simpática e ser oferecida. Quando criei você, achei que tinha deixado bem clara a diferença.


— Papai, Harry estava brincando de me conquistar, e eu só que­ria acabar com o blefe dele.


— Eu não estava blefando — Harry disse e deu de ombros. Ele sentiu um pisão no pé no instante seguinte.


— Ah, mas claro que estava — ela disse. — É verdade, papai. Eu só estava... provocando.


— Vamos conversar melhor sobre isso mais tarde, mocinha — Arthur disse, girou nos calcanhares e voltou para dentro do bar.


Sirius, então, provocou:


— Harry estava tentando conquistar você? Só pode estar brincan­do. Não acredito.


— Ele estava, sim.


— Será que nós dois estamos falando da mesma pessoa? Desse sujeito aí atrás, Harry Potter?


— Esse mesmo.


— Acho muito difícil de acreditar. Ele não sabe cortejar.


— Ah, sabe, sim. E é muito bom nisso — ela insistiu.


— Verdade? Deve ser por sua causa, então. Eu estava dizendo ao Arthur que é a primeira vez em mais de cinco anos que vejo Harry usando outra coisa que não seja terno e gravata. Sempre foi viciado em traba­lho, desde que o conheço. Deve ser você quem desperta o lado mau dele — Sirius disse, brincando e carregando na ironia.


Ela deu um passo atrás e chocou-se contra Harry. Não que esti­vesse pensando em fugir, mas não gostou de saber que ele estava bloqueando sua saída.


— Será que podemos mudar de assunto? — ela pediu. Sirius teve pena dela.


— Claro. Harry contou-me que você é médica.


— Sim, é verdade.


Ótimo. Voltavam a um terreno seguro. Talvez Sirius tivesse al­gum problema de saúde e quisesse alguma orientação. Ela esperava que esse fosse o caso.


— Qual é sua especialidade?


— Ela é cirurgiã — Harry explicou


— Não é um pouco jovem para estar brincando com facas? — Sirius brincou.


— Foi ela quem me operou.


Sirius deu de ombros. Depois aproximou-se.


— Venha dançar comigo. Vamos escolher uma boa música do Willie Nelson e nos conhecer melhor.


Ele passou o braço por trás dos ombros dela e levou-a para dentro. Harry ficou parado, não muito contente com a confiança do amigo. Sirius era um conquistador descarado. Conquistava mais que Gengis Khan, e Harry não gostou nem um pouco de vê-lo usar seu charme para cima de Gina.


Ela animou-se:


— Você gosta de Willie Nelson?


— Claro que gosto. Todo o mundo gosta. Ela virou a cabeça para olhar para Harry.


— Seu amigo tem bom gosto. Sirius então chamou-lhe a atenção.


— Posso fazer-lhe uma pergunta?


Ela estava tão contente que esqueceu a vergonha que tinha passado.


— Pode perguntar o que quiser.


— Eu estava pensando...


— Em quê?


— Há outro tipo de sexo que não seja da melhor maneira possível?  


n/a: ri de mais nesse capítulo, espero que vocês também se divirtam... 

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Comentários: 3

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Enviado por Luhna em 20/11/2013

Rindo até agora! :)
E que vergonha, fala sério! Momento vergonha alheia aqui, TOTALMENTE! A Gina tá tão maluca pelo Harry que já perdeu completamente o juízo.  

Nota: 5

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Enviado por Edwiges Potter em 18/11/2013
Kkkkk to rindo até agora!!! Esse capitulo ficou muuuuito divertido!!! A chegada do Sírius só melhorou as coisas!!! Muito ansiosa pelo proximo!!!
Nota: 5

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Enviado por Pacoalina em 17/11/2013

ehheheh essa história é mt divertida!estou adorando os capítulos!continue postando!!

Nota: 5

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