n/a: eis que surge a autora... Primeiro quero pedir mil desculpas a vocês pela demora, mas realmente foi por uma causa justa, eu estava estudando pra uma prova que aconteceu hoje e como a fic tinha sido revisada somente até o capítulo 19 não foi possível continuar postando nesse período, mas assim que cheguei fiz uma revisão rápida pra poder postar pra você... Se tudo der certo vou voltar as potagens 2 a 3 vezes por semana... Bjus e mais uma vez desculpa pela demora, espero que entendam que foi por uma boa causa!!!!
Greyback detestava campana. Ficou nas sombras de um chorão, observando a casa da Dra. Weasley, esperando para certificar-se que ela havia ido se deitar, para ele poder voltar a seu quarto de motel e dormir algumas horas. Teria de ouvir todas as conversas telefônicas gravadas, primeiro, é claro. Esfregou a coxa como para se consolar porque havia rasgado sua calça preferida ao subir no poste telefônico para instalar o grampo.
Enquanto ficava ali, hora após hora, esperando e observando, pensava em trabalhos anteriores. Gostava de repassar cada mínimo detalhe. Não estava sendo funesto, nem tampouco sentia um prazer perverso ao pensar em suas vítimas. Não, seu objetivo era rever seu desempenho e depois analisá-lo. Que erros havia cometido? O que poderia ser feito para aprimorar seu trabalho?
Tinha aprendido algo com cada trabalho que havia realizado. A esposa em Biloxi costumava deixar um revólver carregado embaixo do travesseiro. Se o marido sabia, deixou de mencionar o fato para Greyback. Quase acabou com a cabeça estourada, mas felizmente conseguira tirar o revólver das mãos dela. Depois usou o mesmo revólver para matá-la, para não perder tempo tendo de sufocá-la. Esperar o inesperado. Essa era a primeira lição.
Também houve a adolescente em Metairie. O desempenho de Greyback naquela noite não foi exatamente perfeito e, olhando para trás, Percebeu que havia tido muita sorte por não ter dado de cara com ninguém. Havia demorado demais por ali. Deveria ter saído no instante em que terminou o trabalho mas, em vez disso, ficou vendo um filme na televisão. O mais impressionante era o fato de Greyback jamais assistir a televisão. Achava que era inteligente demais para deixar-se prender pelo lixo que as redes colocavam no ar, que amorteciam ainda mais as mentes já amortecidas dos zumbis de sofá.
Mas aquele filme era diferente. E extremamente engraçado. O filme estava começando quando ele entrou no quarto da vítima. Ele ainda lembrava de cada detalhe daquela noite. O papel de parede listrado em branco e rosa, com pequenos botões estampados, a quantidade de bichinhos de pelúcia sobre a cama da vítima, as cortinas de babado cor-de-rosa. Era a cliente mais jovem que já tivera, mas o fato não chegou a incomodá-lo. Um trabalho, afinal, não passava de um trabalho, como qualquer outro. Greyback só se importava em fazer o trabalho e fazer bem-feito.
A música do aparelho, ele se lembrava, estava incrivelmente alta. A garota estava acordada, um tanto amortecida pelo cigarro de maconha que acabara de fumar. O ar tinha um cheiro doce e carregado. Estava vestida com uma camiseta azul curta, apoiada sobre travesseiros encostados na cabeceira cor-de-rosa da cama, e um enorme saco de salgadinhos no colo. Olhava bestificada para a tela da televisão, sem se dar conta da presença dele. Ele havia assassinado a adolescente com o rosto cheio de acne e cabelo castanho oleoso como um favor especial — e por 25 mil dólares — para que o bom e velho papai pudesse colocar as mãos em uma apólice de trezentos mil dólares que havia feito seis meses antes. A apólice tinha uma cláusula que determinava que, se ficasse provado que a morte fosse acidental, ele teria direito ao dobro do valor estipulado. Greyback esforçou-se ao máximo para fazer parecer que a morte havia sido acidental para conseguir receber o dobro do que havia cobrado. O pai havia apreciado muito o trabalho, sem dúvida, e apesar de não ser necessário explicar por que desejava ver a filha morta — pois só o dinheiro interessava a Greyback — ele confessou que estava desesperado para tirar agiotas tubarões de suas costas, e que faria o que fosse preciso para isso.
Ah, o amor paternal! Nada mais belo no mundo.
Enquanto a matava, ouvia os diálogos do filme e, depois de um ou dois minutos, estava hipnotizado. Tirou os pés da morta do caminho, sentou-se na ponta da cama e assistiu ao filme até os créditos finais, todo o tempo mastigando os salgadinhos do pacote.
Estava se levantando para sair quando ouviu uma porta de garagem abrir-se. Saíra no minuto exato; mas agora, pensando no risco desnecessário que correra, percebia a sorte que tivera. Que lição havia aprendido dessa experiência? Entre e saia o mais rápido possível.
Greyback acreditava que havia melhorado muito desde aqueles primeiros serviços de assassinato. Havia despachado Narcisa sem o menor problema.
Levantou os olhos para a janela do quarto da médica mais uma vez. Ela estava indo se deitar bem mais tarde do que ele esperava, mas era compreensível, uma vez que estava com um homem em casa. Quando Greyback a seguira até O Cisne, vira o tal homem em meio à horda de adolescentes barulhentos. Só havia examinado rapidamente seu rosto e seus ombros. Os adolescentes o haviam rodeado enquanto gritavam para chamar sua atenção. Todos o chamavam de treinador.
Espere o inesperado. Ele havia ligado para Lestrange, dado o número da placa do carro alugado, e pediu um relatório completo.
A luz finalmente apagou-se no quarto dela. Greyback esperou mais meia hora para ter certeza de que ela havia ido dormir antes de retirar-se silenciosamente pela estradinha de pedras até o ponto onde havia escondido seu carro. Dirigiu-se para o motel em St. Claire, ouviu a fita da escuta que havia feito do telefone dela, frustrado por não ter encontrado nada aproveitável, acertou a hora no despertador e, finalmente, foi dormir.