No domingo, Rony saiu cedo do dormitório masculino e só foi visto à noite, durante o jantar.
- Luna! – exclamaram Harry, Hermione e Gina em uníssono durante o almoço.
- É, acho que hoje vai ser mais um dia de preparação e estudos – afirmou Harry. – Estou certo?
- Acho que não há outra opção, Harry – Hermione disse séria, tirando a atenção do seu livro de Transfiguração Avançada. Gina se remexeu na cadeira.
- Eu vou ao banheiro – informou a ruiva já se levantando.
Os garotos estavam no salão comunal, exatamente às 16h. Aproveitaram aquele dia para retomar os estudos de animagia que perderam na última semana.
Gina foi ao dormitório feminino do quinto ano, onde se ajoelhou no chão, debruçando-se sobre a cama. Começou a escrever uma mensagem no caderno e, ao terminar, fechou-o. Segundos depois, o caderno começou a vibrar.
“Que bom que me entendeu”, pensou abraçando o caderno, aliviada.
Tomou rumo do salão comunal, onde os outros dois ainda encontravam-se concentrados lendo seus livros. Não pôde deixar de notar que eles estavam é pé encostados nas poltronas, mas ainda assim, liam seus livros com demasiada concentração. Ao perceber que Gina já voltara, Hermione levantou os olhos e disse:
- Vamos, Gina. Não queremos passar o dia todo aqui, não é? Então vamos para os jardins.
Gina pegou seu livro e assim os três saíram.
E daquele jeito, os dias se passaram. Rony passava boa parte do dia com os amigos, tanto nas aulas quanto estudando e conversando, mas sempre que encontrava um tempinho de livre, tratava de dar uma escapada para procurar Luna. Se a namorada estivesse livre, ele passava o tempo com ela, caso contrário, voltava para ficar com os amigos.
O tempo não parava, parecia não querer trégua. Os alunos todos desesperados para fazer todos os deverem nos horários livres. Alguns adiantavam as tarefas durante um intervalo de uma aula para a outra, sentados no chão, à porta da sala da próxima aula. Eles queriam estar em dia, para passar o tempo que teriam livres na semana seguinte sem precisar retomar estudos.
Quando perceberam, já estavam na terça-feira, dia trinta de outubro, dia anterior ao dia do Baile das Bruxas.
Todos os sextanistas e setimanistas encontravam-se tomados pela ansiedade e pelos corredores o assunto principal era... O Baile das Bruxas! Durante estes últimos dias, Harry era o principal alvo dos convites para ir ao Baile, mas nunca respondia ou dizia que já tinha alguém para ir com ele, deixando as garotas demasiadamente sem graça. Hermione apenas ria por dentro quando ele se encontrava nesta situação. Tudo ocorria exatamente como ela previra. Agradecia a si mesma por ter chegado primeiro. Rony sempre dizia a mesma coisa:
“É, cara, parece que você é o garanhão do momento” ou “Está vendo, se você pelo menos dissesse com quem vai ao Baile, seria muito mais fácil, aí eu poderia aconselhar. Talvez uma destas fosse melhor que a garota com quem você vai”, suas palavras sempre seguidas de vários ‘cala a boca, Rony!’, vindos de Harry e Hermione.
O dia demorou bastante para se passar. Hermione estava a flor da pele, não aguentava mais aquilo. Vários garotos também vinham lhe convidar para o Baile, mas ela sempre respondia que não, agia indiferente como se aquelas pessoas nem ao menos existissem ou tivessem sentimentos. Estava sendo fria. Sua vontade era voltar para o seu dormitório e ficar trancada lá, mas ela não podia. Dia cheio e ela tendo que aturar os convites inconvenientes que ela e Harry recebiam a todo instante. Rony, aparentemente, estava achando tudo aquilo muito engraçado. “Isso porque não é com ele!”, pensava Hermione consigo mesma, agressiva. “Aposto como ninguém está no pé dele por causa da Luna. Mas ele ia ver o que era bom!”
Durante o dia, os três resolveram que, para despistar, a melhor forma seria andarem separados e o mais discretamente quanto possível. E foi o que fizeram. Diminuiu bastante o número de garotas atrás de Harry, que andava mais rápido e sorrateiro pelos corredores do castelo. Já Hermione, era assediada mais constantemente pelos garotos, e o pior: não havia nenhum dos amigos para defendê-la dos garotos que a comiam com os olhos e tentavam agarra-la a força. Ela também tinha a impressão de que Brian a seguia por todos os lugares do castelo, pois para onde olhava, ela via o garoto disfarçar, mas sempre estava presente.
Teve sorte que logo após o almoço, McGonagall chamou todos os monitores e os reuniu. Foram ela, Dumbledore, Flitwick, Lupin, Profª. Vector e os quarenta e oito monitores para a câmara que ficava ao lado do salão principal. Lá, como foram informados, receberiam instruções para a organização do baile do dia seguinte.
- Boa tarde, alunos e é claro, professores – começou Dumbledore. – Estamos aqui para fazer os preparativos do primeiro Baile das Bruxas de Hogwarts. Tudo vai acontecer gradualmente. Hoje à noite, logo após o banquete, contarei com a presença de vocês aqui no salão principal para começarmos a arrumá-lo.
- Mas professor, onde os alunos irão fazer as refeições amanhã? – perguntou um dos monitores mais velhos, era louro e muito alto, bastante atraente aos olhos de Hermione.
- Calma! Vou chegar lá – avisou Dumbledore. – Bom, vocês terão aula normal ainda hoje e amanhã não participarão de nenhuma aula, pois estarão auxiliando e supervisando a arrumação do salão principal para o baile. Os alunos irão fazer suas refeições divididos por ano, por isso iremos precisar de dois monitores para organizar uma lista e fiscalizar a entrada e saída dos alunos na cozinha. Amanhã vocês serão liberados a partir das 16h, para que possam se arrumar. Os demais alunos serão liberados às 15h. No dia seguinte ao baile, teremos apenas aulas à tarde, já que a festa poderá acabar a qualquer hora. – Uma pequena pausa. – Suas refeições serão feitas no salão principal, inclusive o almoço, já que o salão estará fechado. Peço que não se preocupem com as aulas que irão perder amanhã, eu combinei com os professores de fazer apenas uma revisão. Além disto, as aulas começarão mais tarde, peço que avisem aos outros amanhã durante o café da manhã. O baile terá início a partir das oito horas da noite, peço que os monitores estejam prontos, pois precisarei de vocês aqui durante a abertura.
Todos escutavam com atenção. Hermione parecia mais aliviada depois daquele pequeno comentário que o diretor fez; ela decididamente não queria perder os assuntos, caso estes fossem dados no dia seguinte.
- Muito bem, acho que vocês já podem ir. À noite conversaremos mais e vocês poderão dar inicio ao trabalho duro. – E riu-se, acompanhado por alguns alunos.
Lentamente a sala foi se esvaziando. Quando Harry, Hermione, Rony, Gina e Draco saíram, pois tinham sido os últimos, perceberam a entrada de Snape e o início de uma conversa entre os professores.
- Hoje a noite vai ser cheia – falou Gina um tanto nervosa.
- Eu acho que talvez não seja chato com imaginamos. Vamos ter que nos acostumar, ainda teremos mais um baile este ano e acredito que no próximo, nós, que seremos sétimo ano, mais dois. A Bebel contou que no último baile as arrumações foram descontraídas, que realmente não tinha nada de monótono, embora fosse apenas entre apenas monitores e professores. Não me parece uma coisa chata de se fazer... – comentou Draco.
- Bem, é o que se espera... – fez Harry, não muito certo do que esperar.
- Que isso, gente? Mais ânimo! Tudo bem que eu não estou tão animada assim, mas eu acho que é meio impossível quando se tem um milhão de garotos a sua cola para te convidar para o baile. Ok, ok! Sei que exagerei, mas não estou mentindo. Se vocês – ela apontou para Harry e Rony, olhando-os seriamente –, não me deixassem sozinha, acho que eu estaria bem melhor do que estou. Para onde eu vou tem garotos chatos e inconvenientes para me assediar. Eu não mereço isso! – exclamou. Hermione parecia mesmo entediada.
- O que podemos fazer por você? – perguntaram os dois garotos em uníssono, enquanto Draco riu.
- Eu diria que esta pergunta não foi uma boa ideia no momento – avisou o loiro.
Sem dar atenção ao comentário de Draco, mas sabendo que ele estava certo, os garotos continuaram observando Hermione para ver o que a garota, que os olhava severamente, responderia.
- Eu acho melhor você não responder, Mi... – começou Gina.
- O que vocês podem fazer? – repetiu ela. – Será que a resposta não é óbvia? Será que vocês não sabem usar a lógica? – ela disparou. – Eu preciso que vocês me defendam! Passei a manhã inteira sendo perseguida por garotos que nunca vi na vida e para as coisas piorarem, quase fui agarrada às forças por no mínimo cinco garotos. Isso não conta como motivo para ficarem comigo?
- Até onde me lembro, Mione, foi você mesma que me disse há alguns dias atrás... Hum... Como foi mesmo? Ah... – Rony forçou uma voz, como que para imitar Hermione. – “Sei me cuidar perfeitamente sozinha, ok?” Não foi mais ou menos isso?
- Rony, não provoca... – avisou Gina.
- Eu... Ah, esquece! Se vocês querem que eu continue desta forma... Parece que os garotos vão me comer com os olhos, eles tentam me agarrar e o que fazer? Não acho que se deva enfeitiçá-los nos corredores e também não vou conseguir me defender por muito tempo. Vocês sabem que os garotos são muito mais fortes que garotas – Hermione tentou mais uma vez.
- E onde está aquela garota segura de si, que sempre dizia que não dava bola para esse tipo de coisa e que todos os garotos eram cafajestes? – perguntou Rony.
- Rony! – advertiu Gina.
- Melhor não responder, Rony, ou você vai preferir sumir a estar aqui – avisou Hermione. – E você? Acha o mesmo que o Rony? – ela se dirigia a Harry agora.
- Mione, eu sinto muito, mas eu estou na mesma situação que você e muito pior. Tenho garotas o tempo todo atrás de mim, e não é só uma, são várias! Elas me pressionam todas juntas, na tentativa que eu aceite ir com uma delas – o moreno se explicou.
- Sabe o que eu acho? Eu acho que vocês deveriam logo contar com quem vão, assim ninguém enche mais a paciência de vocês – disse Rony, que de certa forma, estava certo.
Ninguém disse nada.
- Isso não vem ao caso. Eu não preciso contar para Deus e o mundo a o que faço da minha vida e já disse isso. De toda forma, eu acho melhor voltarmos a andar em grupos – avisou Hermione.
- Ok. Acho melhor não discutir – Gina pôs um fim na conversa antes que as discussões começassem novamente.
Passaram o resto do dia andando para cima e para baixo em grupos. Revezavam-se. Ora andavam Harry, Gina e Hermione; ora Draco, Hermione e Gina; ora Rony, Gina e Draco; ora Rony, Hermione e Harry; e assim por diante. Iam de sala em sala juntos, para evitar momentos de grande constrangimento.
À noite, logo após o jantar, todos os alunos foram se retirando do salão principal e logo só restaram os monitores e professores. As longas mesas do aposento sumiram como num passe de mágica quando as portas do salão se fecharam e foram seladas. Como se fosse a coisa mais simples do mundo, Dumbledore apontou a varinha para um canto do salão e fez aparecer todo o material que seria utilizado para arrumar o salão.
Hermione juntou-se a um garoto chamado James O’Donnel, monitor do sétimo ano da Corvinal. Era aquele garoto loiro e alto, o qual notou mais cedo. Olhos azuis escarlates, lindos. Parecia um rapaz muito educado. Os dois trabalhariam na organização do roteiro das refeições. Ficou combinado que Rony e Padma Patil cuidariam da entrada de alunos na cozinha. Na arrumação do salão, todos os monitores ficariam responsáveis; alguns ajudariam na iluminação, outros no buffet, outros na decoração e alguns passando avisos aos demais alunos.
Naquele momento vários monitores passeavam velozmente pelo aposento, levando informações de um canto ao outro, auxiliando os professores nas tarefas de organização e recebendo pranchetas para fazerem as anotações.
Como Gina dissera, fora realmente uma noite cheia, mas não podiam negar que se divertiram. Imaginavam como seria o dia seguinte. Aquele dia, eles não arrumaram nada, apenas fizeram relações para a banda que seria chamada, organizaram os afazeres, o que teriam de comprar para que nada faltasse, a que horas o banquete seria servido e outras coisas do gênero. Enquanto eles o faziam, os professores cuidavam da decoração, já que ainda teriam que arrumar inúmeras coisas depois.
Demoraram tempo suficiente para organizar três bailes. Quando finalmente decidiram que já estava tudo mais do que perfeito para uma longa noite em festa, já era tarde. Às 2h, os alunos ainda voltavam para os dormitórios, conversando animadamente. Foram avisados para voltarem novamente às 9h, com roupas bem simples e que pudessem sujar a vontade.
Nos dormitórios, cada um deitou em suas respectivas camas, depois de um longo banho para relaxar e adormeceram instantaneamente.
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Embora tivesse dormido tarde e soubesse que não haveria aulas aquele dia, Hermione acordou cedo e demasiadamente ansiosa. Saiu de seu dormitório o mais silenciosamente que pôde e foi ao dormitório masculino do sexto ano. Bateu à porta e, segundos depois, exatamente a pessoa com quem queria falar que a abriu; um Rony de cara amassada e ainda de pijama, apenas com um roupão entreaberto, o que indicava que ele o havia colocado às pressas, estava parado à sua frente enquanto coçava os olhos. Pareceu bastante irritado ao ver que quem o acordara fora Hermione.
- Bom dia, Rony – cumprimentou Hermione, uma expressão séria em seu rosto.
- Oi, Mione – disse Rony em tom de desagrado. – O que faz aqui a esta hora? Ou melhor... O que quer? – indagou.
- Eu esperava que agisse com mais educação, mas isto não vem ao caso. Vim apenas lhe entregar a relação de alunos para as refeições – disse Hermione com rispidez.
- Agora? Que horas são?
- São 6h30, Rony – respondeu Hermione, impaciente.
- E você já está pronta? – fez o garoto descrente. – Ao que sei, só temos de estar prontos às 9h!
- Mas os outros alunos não! Eles têm que tomar o café da manhã e você tem de estar lá na cozinha para regular a entrada e saída de alunos às 7h30, sendo que acaba de acordar e ainda tem que tomar seu próprio café, além de ter que rodar metade do castelo atrás da Padma, coisa que não vai ser fácil – replicou Hermione. – Vim aqui cedo para entregar a lista que esqueci de entregar ontem à noite, pois se não viesse, você não me acharia fácil e sei que não conseguiria organizar tudo sozinho. Tenho que ir a cabana de Hagrid ajudá-lo com as abóboras gigantes e não sei quando nos veremos.
- E...? – Rony gesticulava, como se quisesse uma continuação.
- Bom, aconselharia que você começasse a se arrumar desde já – respondeu Hermione com simplicidade.
- Ok. Vemos-nos mais tarde!
O garoto se virou para fechar a porta, mas Hermione impediu.
- E o Harry? Ele já acordou? – perguntou sob o olhar irritado do garoto.
- Ainda não, mas acho que não vá querer falar com você tão cedo – Rony avisou. – E é bom que saiba que estou falando só por ser necessário. – Rony percebeu que falara demais.
- Como é? Por quê?
- Como ‘por quê’? Hermione, não se faça de desentendida! Ontem você saiu para ajudar os professores e não mais falou conosco, mesmo depois do que fizemos por você.
- Oh, não! Vocês... – Hermione se perguntava como poderia ter esquecido dos amigos. Levou suas mãos ao rosto, se desesperando. – Parece que vocês ficaram chateados comigo, não?
- E você queria o quê? Que achássemos tudo muito bom? – Rony fez uma pausa, mas não deixou de dar as devidas continuações. – Fomos esquecidos por uma amiga, não é?
- Oh, Rony! Me desculpe... Não foi a intenção... Juro! É que eu estava fazendo o trabalho que a McGonagall mandou e acabei por esquecer – tentou se explicar em vão.
- Só o trabalho ou também estava ocupada demais com o garoto da Corvinal? – fez Rony rispidamente.
Por dentro, Hermione sentia-se machucada e notou que Rony sabia disto, pois ele falava tudo com grande satisfação. Realmente a intenção de Rony era machucá-la. Mas pra quê? Ele não ‘gostava’ dela, ela sabia disto, e ele estava namorando já há algum tempo, portanto, não tinha motivos para fazer toda aquela cena. Talvez ele só estivesse se expressando por ele e por Harry. Ela conhecia Rony o suficiente para julgar as atitudes dele. Ele agia assim sempre que ela os esquecia por conta de outro garoto, ou pelo menos, quando ele imaginava ser outro garoto. Era infantil da parte dele, mas ele tinha uma ponta de razão.
- Oras, Rony... Não comece! Seus ciúmes bobos não vão levar a nada e muito menos mudar algo! Aliás, vão, sim! Vão levar à perda da namorada – retrucou Hermione de forma áspera.
- Ciúmes? Ah, esta é realmente muito boa, Hermione! Se não consegue notar, estou apenas vendo como você é. Afinal, não foi você quem disse que os garotos estavam assediando-a? Pois é... Parece que perdeu o medo de ser agarrada, não?
Desta vez Rony fora longe demais. Os olhos de Hermione marejaram, mas ela conteve as lágrimas.
- Para sua informação, não estava com ele porque quis! McGonagall nos colocou juntos porque éramos os mais competentes depois dos monitores-chefes, que estavam ocupados contatando os fornecedores. E, além disso, o garoto não falou comigo nada além do trabalho que estávamos fazendo e me pareceu bastante simpático. Agora tenta colocar na sua cabecinha que eu não sou qualquer uma para você dizer o que bem quer e entende, ouviu bem, Ronald Weasley?
- Ah, então é assim, não é? Tudo bem! Já entendi tudo. É com ele que você vai ao baile, não é? – Rony falava como se fosse uma coisa óbvia.
- Lógico que não, Rony! – Hermione quase gargalhou com este comentário do garoto. – Como posso ir ao baile com um garoto que só conheci ontem?
Nesta hora, Gina saía do dormitório e havia reparado na pequena discussão que agora jazia no pavimento de dormitórios. A ruiva adiantou-se silenciosamente a fim de acabar com o que quer que estivesse acontecendo ali.
- Bom dia! – disse, simpática. – O que fazem aqui tão cedo? – perguntou, tentando descontrair um pouco o clima pesado.
- Oi, Gina – cumprimentou Hermione. – Bem, eu acordei cedo para ajudar o Hagrid com as abóboras gigantes, mas antes lembrei que deveria entregar o pergaminho com a lista das refeições ao Ronald, já que não encontraria a Padma tão cedo.
- Entendo. Mas parece que ele se apressou um pouco em mostrar como ele e o Harry estão com você, não?
Hermione suspirou. “Até Gina sabia?”, pensou.
- Sim, Gina.
- Bom, acho que talvez esta não seja a melhor coisa para se discutir, afinal, temos mais com o que nos preocupar hoje, Mione. Já estou acostumada com isto – disse Gina naturalmente.
- Acostumada, sim, mas no entanto não foi vista com nenhum garoto nestes dois meses que passamos aqui – replicou Hermione.
- É está fazendo mais que certo! – disparou Rony.
Gina fuzilou o irmão com os olhos.
- Quer saber? Cansei! – Hermione suspirou novamente. – Deixa eu me apressar, ainda tenho muito que fazer hoje. Ah, Ronald, só para você saber, o pergaminho é enfeitiçado. Nos devidos horários ele mostrará os nomes de quem deve entrar na cozinha. É bastante simples – ela disse com frieza enquanto entregava o pergaminho ao garoto e depois acrescentou: – Já estava me perguntando como você iria se virar sem ele...
Bruscamente, ela se virou para Gina.
- E você? O que faz aqui tão cedo?
- Imagino que tenhamos que ajudar os professores, não? – fez a garota com inocência.
- É. Desculpe, Gina. Realmente temos que ajudar os professores enquanto há tempo, pois enquanto arrumamos o salão, eles estarão em aula, aparecendo apenas de tempos em tempos. – Hermione agia calmamente, como se nada tivesse acontecido ou como se Rony nem ao menos estivesse ali. – Bem... sim. Se é isso, melhor nos adiantarmos. – E dizendo isto, deu as costas e desceu as escadas. Imediatamente, Gina a seguiu.
- Já vi que vão ficar sem se falar o resto do dia... – cantarolou baixinho, sem que ninguém ouvisse, ao escutar a batida da porta. Rony entrara no dormitório.
Hermione e Gina andaram por todo o castelo, notando que vários alunos já haviam deixado os dormitórios e falavam animadamente pelos corredores. Todos estavam mais animados que o normal.
O clima de festa simplesmente tomara conta do castelo.
Saíram pelos gramados da propriedade, avistando, ainda de longe, as abóboras que ladeavam a cabana localizada na orla da floresta. Chegaram mais perto e notaram uma grande massa peluda que se encontrava agachada nos fundos da cabana, erguendo vários sacos plásticos gigantes nas costas. Hagrid se virou e quase tombou com as garotas, mas parou olhando para baixo.
- Olá, garotas! – cumprimentou.
- Oi, Hagrid – disseram as duas em uníssono.
- Que bom que veio, Mione. E trouxe reforços, não? – Riu-se. – Parece que vocês terão que se virar sozinhos no salão. Todos os professores vão estar em aula e apenas Dumbledore estará lá no início da tarde. Os outros passarão lá nos intervalos para orientá-los melhor e auxiliar em qualquer coisa. Eu acho que fui o único professor liberado das aulas – comentou.
- Que bom! Mas não tem problema quanto a isso. Nós daremos um jeito! – disse Gina, animada.
- Ontem recebi instruções da McGonagall. Ela mostrou como o salão deverá ficar quando estiver pronto – informou Hermione orgulhosa. – Hum... Hagrid?
- Sim?!
- O que você tem nestes sacos? – perguntou ao notar que os sacos de mexiam vagamente.
- Coisas que a McGonagall pediu para eu pegar. Encomendou há algum tempo atrás – respondeu Hagrid batendo de leve nos sacos.
- E o que são? – perguntou Gina.
- Não posso dizer. Sinto muito! – disse Hagrid. – Surpresa, garotas. Saberão depois.
- Ok – disseram as duas, inconformadas.
- Vamos logo! Temos muita coisa para fazer ainda.
E os três voltaram para o castelo. Hermione e Gina levitavam as abóboras enquanto Hagrid levava, no mínimo, dez sacos gigantes, alguns em suas costas e outros sendo arrastados no chão.
Ao passarem pelo saguão de entrada, Hermione viu Rony passar em direção à uma cozinha improvisada que fora feita em uma das salas do térreo, seguido por vários alunos. Viu também que Harry passava, entrando à uma sala, carregado de materiais.
- Parvati! – gritou ele para uma garota morena que se encontrava no outro extremo do saguão. – Veja se você consegue trazer o resto das malhas pretas que estão na sala da professora Minerva. Acho que vamos precisar de mais algumas.
- E as laranjas e roxas?
- Acho que temos o suficiente aqui! Consiga as pretas e só.
- Pode deixar, Harry! – gritou a morena em resposta.
- Licença, licença, licença... Com licença! – ia pedindo Hagrid para pode entrar no salão principal.
Os alunos abriram o caminho para que Hagrid, Hermione e Gina passassem. Hermione passou bem perto de Harry, porém, não o cumprimentou. Os olhares do garoto a seguiram, mas ele também não fez o menor esforço para falar com ela.
- Pronto! – disse Hermione. – Acho que agora podemos tomar café, não?
- Vamos, sim, mas temos que esperar os outros monitores virem. Creio que não vá demorar. – Hagrid deixou os sacos à um canto do salão. – Por enquanto, sugiro que vão ajudar os outros.
- Certo – disse Gina puxando Hermione pelo braço e as duas deixaram o grande aposento, no momento, vazio, a não ser por eles três e várias caixas.
Gina levou Hermione até a sala onde Harry trabalhava com Parvati, dizendo a Hermione que elas só iriam ajudá-los e que ela não precisava falar com o garoto.
- Mas eu preciso falar com ele, só não quero falar agora. Acho que já me irritei demais por hoje com seu irmão – contestou a morena. – E também preciso tentar me explicar. Ele tem que me entender!
- Ok, Mione. Se assim você quer...
As duas abriram a porta e encontraram Harry sozinho, dobrando as malhas. Parvati ainda não voltara. Constrangida, Hermione disse um “oi” bem baixinho, sua voz quase sumindo e recebeu em resposta, um aceno com a cabeça, seguido por um “oi” rouco.
- Animem-se! – disse Gina sorrindo.
- Gina! – chamou uma voz.
- Ah! Oi, Colin.
- A profª. McGonagall quer vê-la. Está te esperando no salão – informou o garoto loiro.
- Tudo bem. Vamos! – E os dois saíram deixando Harry e Hermione sozinhos.
- Soube da sua briga com o Rony – disse Harry secamente.
- Soube ou ele te contou? – Hermione se distraía enquanto organizava a sala com pequenos acenos de varinha.
- Os dois. Também ouvi um pedaço, mas não entendi muita coisa, só algumas palavras soltas. Brigavam por causa de ontem, não?
- Sim – Hermione limitou-se em dizer e o silêncio tomou conta do local por alguns minutos. – Por que vocês são tão complicados? Por que não nos entendem? Por que nunca nos deixam explicar? – disparou quebrando aquele silêncio.
Harry riu e revirou os olhos.
- Bem, não somos complicados. E, hum, acho que o orgulho sempre fala mais alto – respondeu Harry. – Não vou dizer que não fiquei chateado, Mione, mas eu sei que não foi sua culpa. Certamente tinha outras coisas para se preocupar.
- Eu estava muito concentrada no meu trabalho. Tinha que dar o melhor de mim e aproveitar ao máximo a confiança que a McGonagall me concedeu. Sinto muito por ter esquecido de vocês – explicou Hermione. – E obrigada por tentar me entender...
Mais uma vez o silêncio inundou o lugar sendo quebrado instantes depois por mais oito monitores que entravam.
- Temos que levar as coisas para o salão agora. Os professores disseram que vamos tomar café antes de iniciarmos a decoração para o baile – disse uma garota morena da Corvinal.
- Ok. Bom, se vocês puderem ajudar a recolher o material...
E assim os monitores ali presentes começaram a transferir todo o material que ali se encontrava para o salão principal, vazio.
Apressaram-se a organizar todo o material a um canto, depois esperaram que todos os professores chegassem para que pudessem tomar café, o que não demorou muito e logo todos estavam tomando o café da manhã. Conversavam animadamente com os professores, falando de suas expectativas para o Baile.
Após as refeição matinal, a professora McGonagall pôs-se de pé, pedindo a atenção par si.
- Muito bem. Gostaria de pedir a atenção de vocês neste momento, pois o assunto é de interesse geral. – Ela fez uma pausa para certificar-se que todos prestavam atenção. – Bem, em instantes irei fazer uma simulação de como o salão deverá ficar quando estiver totalmente pronto. Logo após farei um mapa contendo as mesmas ‘informações’ mostradas. – informou. – Fiquem todos de pé e observem.
Com um aceno de varinha, o salão escureceu subitamente, o que os assustou, fazendo os alunos se virarem para observar o salão.
- Nossa! – exclamou um dos alunos sextanistas da Lufa-Lufa.
O salão estava extremamente escuro, exceto pela luz das velas que saía de dentro das várias abóboras espalhadas pelo grande aposento e poucos archotes bruxuleantes, cujas chamas eram azuladas. Malhas espalhadas por todas as paredes e vários mesinhas com pufes contornavam uma grande pista de dança. O salão ficaria bastante sombrio, porém, muito bonito.
Segundos depois, tudo se dissolveu e voltaram ao salão densamente claro da manhã de terça-feira.
- Viram? – recebeu muitos acenos afirmativos em resposta. – Ótimo. Como sabem, ficarão aqui sozinhos, pois eu e os outros professores estaremos em aula e viremos aqui em intervalos regulares.
Assim, os professores saíram do salão, mas antes de fecharem as portas, ouviu-se uma voz:
- Peço apenas que comportem-se!
Entenderam aquilo como uma ordem, mas não deram muita importância e começaram a arrumar o salão exatamente como haviam visto na simulação feita pela professora. Hermione notou que os sacos que Hagrid trouxera não estavam mais ali e percebeu que seria realmente uma surpresa; e das boas!
Até a hora do almoço, as lonas já cobriam todas as paredes e as abóboras com velas já levitavam sobre suas cabeças. O palco foi colocado mais ao fundo do aposento, no lado oposto às portas, e na lateral direita fora colocada uma grande mesa alta, que provavelmente seria dos professores. As mesinhas pequenas já estavam postadas também em volta da pista de dança, assim como todos os pufes e cadeiras.
Durante a manhã foram visitados apenas três vezes. Em todas, a severa professora de Transfiguração veio acompanhada pelos professores Lupin e Flitwick, mas também havia uma presença de uma outra mulher, que Harry não reconhecera.
Os alunos arrumavam tudo com tanto gosto e ansiedade que nem viam o tempo passar. A hora do almoço passou imperceptível, pois ninguém sentia fome. Foi preciso que os professores voltassem ao salão para garantir que os alunos fizessem suas refeições.
Após o almoço, os professores deixaram o aposento, exceto Dumbledore, que ficaria para acelerar o procedimento da iluminação, som e da banda que tocaria à noite, além do DJ, que poderia chegar a qualquer momento.
O período da tarde foi mais agradável que o da manhã, pois entrariam na parte da decoração e deixariam a mão-de-obra pesada para trás.
Às 15h, as garotas foram todas liberadas para se arrumarem e os garotos ficaram para ajudar a carregar os equipamentos de som pesados que chegaram junto com a banda. Foram liberados somente às 16h, quando as portas do salão principal se fecharam definitivamente.
Havia grande correria nos corredores; vários alunos, em geral garotas, gritavam entre si e corriam para os dormitórios para se arrumarem.
- Eu ainda não entendo como as garotas conseguem gastar mais de duas horas para se arrumar – dizia Rony. – Nem a Cinderela!
Harry apenas deu os ombros e os dois seguiram, pela grande massa aglomerada de alunos, para a torre da Grifinória. Não subiram para os dormitórios até que fossem 19h horas, mas durante este período que ficaram no salão comunal, não tiveram nem sinal de garotas, nem mesmo de passagem.
Mesmo que tivessem terminado de se arrumar, permaneceram nos dormitórios, pois sabiam que as garotas ficariam se arrumando até o último segundo.
Harry vestia um terno preto com uma camisa social branca por baixo, sapatos pretos lustrosos, muito bonitos; já Rony, usava as vestes que os gêmeos haviam lhe dado de presente há quase dois anos, que era de azul marinho, também com uma camisa social branca por baixo.
Faltavam apenas dez minutos para 20h quando Rony saiu para se encontrar com Luna, já que esta era de outra casa.
Para não ficar sozinho e ainda mais nervoso, Harry desceu para o saguão de entrada atrás do amigo, onde muitos garotos se encontravam à espera de suas acompanhantes. Conversavam entre si, nervosos e ansiosos ao mesmo tempo. Harry e Rony notaram algo muito estranho: Crabbe e Goyle estavam sozinhos a um canto do saguão e... sem Draco Malfoy! Onde estaria o loiro? Mas os pensamentos foram afastados de suas cabeças...
Três minutos e os portões seriam abertos para o baile; nem sinal de qualquer garota que fosse. Agora todos esfregavam as mãos umas nas outras, ansiosos ou nervosos, não saberiam dizer.
Mais alguns segundos de espera e a surpresa geral.
Como se tudo fosse ensaiado, as garotas surgiram de várias direções, andando lado a lado, em fila. Os murmúrios todos cessaram e foram substituídos por sorridos hesitantes por parte das garotas, e radiantes por parte dos garotos.
Luna era uma das primeiras da fila que vinha a direita e vestia um belo vestido azul celeste de ponta, que ia até pouco abaixo dos joelhos, alças muito grossas enrolavam-se dando uma certa leveza ao vestido, assim como uma longa fita amarrada abaixo dos seios de cor azul anil, que pendia para trás abaixo do laço perfeito que fora feito, da mesma cor de seus sapatos de salto pouco alto; os cabelos compridos e muito lisos da garota estavam soltos e um pouco mais curtos, com pequenos cachos nas pontas, evidentemente feitos com um feitiço, além de uma franja que agora lhe emoldurava o belo rosto sonhador.
A garota veio em direção a um Rony boquiaberto e admirador, envolvendo o seu braço e dando-lhe um leve selinho.
- Cortou o cabelo? – perguntou ele.
- Sim, por quê? Não gostou? – Ela já estava mexendo nos cabelos para ver se não havia nada de errado.
- Claro que sim, Lu. Você está linda! – ele respondeu calmamente e foi envolvido pelos braços da garota, em seguida recebendo um demorado beijo.
Harry sentiu-se constrangido com a situação, então voltou a observar as garotas que ainda chegavam. “Cadê a Hermione?”, perguntava-se nervoso.
Finalmente todas as garotas terminaram de passar e nem sinal da garota. “Tomei o bolo!”, pensou passando a observar todo o saguão à procura de Hermione, mas nem sinal. Notou que vários olhares voltavam-se para as escadas à esquerda; olhares vidrados. Virou-se também, sendo surpreendido pela entrada de uma última garota, que ele não conhecia, que descia as escadas levemente, como se flutuasse sobre o chão.
A garota era muito bonita, perfeita, Harry diria. Cabelos longos, presos num elegante menina-moça por um pequeno grampo preto com brilhantes, lisos, com pequenos cachos nas pontas e uma franja comprida que lhe caía sobre o rosto angelical, maquiado levemente, emoldurando-o. Usava um longo vestido preto, saia rodada e corpete trabalhado com uma grossa fita embutida, detalhada com brilhantes; o vestido era um belo tomara-que-caia, que se encaixava perfeitamente ao belo corpo da ‘musa’, acompanhado de uma sapatilha e dois grossos braceletes nos pulsos, também, pretos com brilhantes.
Era uma deusa, Harry teve certeza disso. Balançou a cabeça para ter certeza de que não estava sonhando ou que aquilo não era uma miragem, mas notou que não. Era real; a garota era real.
- Quem será ela? – ouviu-se a voz de Pansy Parkinson.
- Com quem ela vai? – uma nova voz, desta vez de um garoto.
Surpreenderam-se quando viram-na ‘deslizar’ pelo saguão até... Harry Potter.
Ela o beijou no rosto e enlaçou seus braços no dele.
- Hermione? – sussurrou Harry para a garota, que piscou.
Ele a observou novamente.
- Está tão... diferente!
- É... Eu, a Luna e a Gina resolvemos mudar um pouquinho o visual. Cortamos os cabelos hoje de tarde quando fomos liberadas.
Lentamente, Rony foi se desvencilhando do beijo que dava em Luna para olhar a garota ao lado de Harry, mas não a reconheceu.
- Oi, Rony – cumprimentou Hermione.
- Oi! Quem é...? Hermione?! – exclamou o ruivo boquiaberto.
- Mione, você ficou simplesmente linda! – elogiou Luna.
- Obrigada, Luna. Você também está linda.
- Vocês não tinham se arrumado juntas? – fez Harry sem entender.
- Não, Harry. Apenas cortamos os cabelos e fizemos as unhas – respondeu Luna.
Ao ouvir isto, Harry e Rony murmuraram descontraídos:
- Mulheres!
Com um ruído um tanto barulhento, as portas do salão foram abertas e os casais juntaram-se, entrando um por vez, indo em direção a pista de dança para a abertura, como haviam sido instruídos mais cedo aquele dia. Pararam e posicionaram-se.
- Coloque a mão na minha cintura e... – começou Hermione baixinho.
- Não, não precisa! Eu mesmo o faço. Deixe-me conduzir você...
E começaram a dançar uma leve valsa. Com o terminar da música, alguns alunos foram para as mesas, mas a maioria permaneceu a dançar.
Enquanto dançavam, Hermione cutucou Harry, apontando silenciosamente para vários pontos do salão, onde muitos casais, mesmo sem quaisquer compromissos, se beijavam.
- Estranho, não? – fez Hermione.
- Muito! Mas vamos curtir e esquecer dos outros, ok?
- Como quiser, Sr. Potter – a morena sorriu.
E os dois voltaram a dançar. Alguns minutos depois, pararam e seguiram até uma mesinha, ocupada apenas por Rony e Luna, que se beijavam furiosamente. Sentaram-se e ficaram a conversar, enquanto os outros continuaram a se roçarem, como se não houvesse ninguém ali. Já sem fôlego, pararam e notaram no casal que conversava ao seu lado. Beberam um pouco da água do cálice e passaram a observar apreensivamente os amigos, como se esperassem algo.
- Hem hem – fez Rony.
Os outros não escutaram o barulho e continuaram conversando. Luna cutucou forte o namorado, que repetiu o ruído, desta vez, um pouco mais alto.
- Hem hem.
Harry e Hermione viraram-se para o amigo, que apontou para algo acima de suas (de Harry e Hermione) cabeças, fazendo-os olhar para a direção indicada.
- Oh, não! Visgo... A tradição! – murmurava Hermione nervosa. – Era isto que estava nos sacos. Devem ter vários espalhados pelo salão! Por isso...
- O quê? – perguntaram os outros três sem entender, pois ela murmurava baixinho e a música alta impedia que eles escutassem algo.
- A tradição do visgo! Por isso que todos estavam...
- Exatamente! E vocês também foram alvo, não? – disse Rony com um ar malicioso.
Harry olhava de um para o outro; não entendia nada, não sabia do que falavam.
- Não, Rony! Nem pensar nisso! – exclamou Hermione, ruborizando.
- Espera aí! Do que vocês estão falando?
- Harry, você vai ter que beijar a Mione – disse Luna sendo clara e objetiva.
- É o que diz a tradição do visgo, Harry. ‘Aquele que cai, acompanhado por alguém do sexo oposto, sob o visgo, tem de beijá-lo’. Não notamos quando chegamos, por isso fomos vítimas – explicou Hermione, já nervosa.
- Eu diria para se apressarem. Aproveitem enquanto só estamos eu e a Luna aqui – dizia Rony.
- É, vai logo! – incentivou Luna.
Harry e Hermione suspiraram e entreolharam-se, cúmplices e hesitantes. Então Harry a olhou mais profundamente, como se pedisse permissão. Hermione balançou a cabeça afirmativamente, de forma quase imperceptível. Hesitante, Harry pôs suas mãos na cintura da amiga e a puxou mais para perto; os dois fecharam os olhos. Seus narizes quase se tocando, o que foi evitado por Harry, que inclinou um pouco a cabeça. Quando se beijaram, Rony e Luna riam e vibravam ao lado, mas o ruivo notou algo estranho do outro lado do salão: Draco Malfoy e Gina se beijavam apaixonadamente. Rony se levantou e Luna foi logo atrás.
Mais uma vez, Draco usava trajes pretos, sendo uma camisa e calças sociais de cor preta por baixo de um sobretudo de veludo também preto. Gina estava trajando um vestido verde de ponta lateral esquerda, com alças finas, amarradas ao pescoço. As costas do vestido eram nuas e dela saíam finos tecidos de seda como asas, que se prendiam ao seus dedos médios, em uma espécie de anel. O sapato era alto e também verde. Os longos cabelos da garota, que dias atrás pendiam até a cintura, agora estavam no meio das costas, cortados em V e divididos na cabeça por um arco verde com brilhantes, deixando à frente apenas a franja comprida. Estava linda!
- O que significa isto? – bradou Rony, fazendo com que os dois se separassem e voltassem para encará-lo.
- Calma, Rony. Pode ser por causa de um visgo também... – tentou Luna.
- Você está vendo algum visgo aqui, Lu? – perguntou ele calmo a namorada; de fato Rony não estava nervoso.
- Não... – a loira respondeu, encolhendo-se.
- Rony, eu posso explicar...
- Pois explique! – mandou o ruivo.
- Bem, eu e o Draco estamos namorando há quase três meses. Eu ia... Bem, nós íamos te contar, só estava esperando o momento certo. Peço apenas que não comente nada com a mamãe ainda, pelo menos até eu me arranjar melhor... – disse Gina rapidamente, para evitar que o irmão a interrompesse.
- Namorando? Há três meses? – repetiu Rony incrédulo.
Luna se adiantou para o garoto e se agarrou ao seu braço novamente.
- Calma, Rony – pediu novamente.
Draco olhava de Gina para Rony e deste para Luna, voltando a olhar novamente para a namorada.
- E então? – perguntou Gina hesitante.
- Tudo bem, Gina. Mas...
- Sempre tem um ‘mas’... – murmurou Gina.
- Sr. Malfoy, saiba que estou de olho em você, entendeu bem? Se fizer minha irmã sofrer, vai se ver comigo! – avisou Rony.
Gina, que estava de mãos dadas com Malfoy, o soltou e foi até o irmão, abraçando-o.
- Obrigada, Rony! – disse dando um beijo no rosto do irmão.
Quando ela se afastou, o ruivo cerrou os punhos, controlando-se e deu as costas à irmã. Em seguida, pegou a mão de Luna e seguiu com a namorada para a mesa em que deixaram Harry e Hermione instantes atrás. Os dois permaneciam sentados lado a lado, embora um tanto esquivos e rubros. Aparentemente, trocaram de lugar – provavelmente para evitar o visgo.
Harry e Hermione viram de longe, seguindo Rony e Luna, Gina e Draco andando de mãos dadas, vindo em direção a mesa.
- Rony, você viu isso? Os dois de mãos dadas... – mostrou Harry.
- Sim, Harry. Eu vi! Eles contaram hoje que estão namorando há quase três meses – disse Rony.
- Como é? – perguntaram Harry e Hermione juntos.
- Acho que deveriam perguntar a eles e não a mim. Olha, estão chegando... Acho que é uma boa hora! – avisou Rony.
Mas nem Harry nem Hermione perguntaram coisa alguma. Se Rony havia aceitado, era melhor não tocar no assunto, para que ele não resolvesse mudar de ideia. Gina parecia bastante feliz, eles não deixaram de notar.
- Pessoal, hoje é dia de festa! Não vão dançar? – chamou Gina.
- Vamos, sim, não vamos, Rony? – chamou Luna se levantando e puxando o garoto, que atendeu de bom grado.
- Harry? Hermione? – fez Gina. – Vocês não vão?
- Oh, sim. É claro... – Hermione se levantou pegando o amigo pela mão e os seis foram para a pista de dança, onde muitos alunos dançavam.
A festa estava realmente maravilhosa, simplesmente mágica; literalmente. A noite foi longa, muito longa. Quando tudo acabou, já estava amanhecendo. Divertiram-se muito.
Harry também conseguiu descobrir quem era a tal mulher que estava em Hogwarts, a qual vira mais cedo entrando no salão principal. Esta piscou para ele e ele reconheceu ser Tonks. Estava andando de mãos dadas com Lupin durante a festa. Algum relacionamento a vista? Parece que sim. Hermione contou que vira os dois se beijando diversas vezes na festa.
Voltaram para a torre da Grifinória, para aproveitar as poucas horas de sono que teriam, pois à tarde, todos os alunos, sem exceção, voltavam à rotina diária da pacata Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.