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19. Capítulo XIX


Fic: Harry Potter e o destino de uma amizade


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Depois de quase uma hora desde que falara com Amy pela última vez, Hermione foi até o quarto da amiga e a chamou. As duas imediatamente subiram para o quarto de Hermione.

- Meu pai esteve conversando comigo durante esse tempo que você ficou na biblioteca, aí pudemos nos conhecer. Foram dezessete anos de minha vida sem conhecer um pai, acreditando que jamais teria um... Já estava até me acostumando com a idéia de ter apenas uma mãe – contou Amy.

- Eu sei. Sua mãe teve de se fazer muito presente em sua vida, não é? Mas agora você vai poder ter um pai, e que pai! O Sirius é um homem maravilhoso. Não imagina a falta que ele fez para o Harry durante esse período em que ficou fora. É que ele é como um pai para o Harry... O pai que ele não teve. Sinceramente? Eu também gosto muito do Sirius... – comentou Hermione.

Com tudo já pronto para deixarem a casa e irem para Godric’s Hollow, Hermione retomou o assunto da profecia.

- Amy, é estranho alguém ficar tendo visões de coisas que já aconteceram, visões do passado? – perguntou Hermione, temendo a resposta da amiga.

- Se estas visões são de um passado que você viveu, não há nada de errado. Mas se são visões alheias, devo dizer que não é algo normal. – respondeu Amy, pesando palavras. – Por quê? Há algo de errado?

- É só que... Ah, Amy! Desde o sábado que estou tendo visões com coisas muito estranhas. E quando eu falo de um passado, eu falo realmente do passado. Não é uma coisa que eu vi ou vivi, é algo de muito antes de eu nascer, sabe? A última visão que tive, agora quando estava na biblioteca, é a mais ‘recente’, e eu tinha apenas seis meses de vida! – disse Hermione um tanto nervosa. – Isso não é algo normal, Amy.

- E o que você anda vendo?

- Primeiro tive uma visão com os Potter aos dezessete anos, depois vi Lílian Potter aos dezesseis anos enquanto passava férias em York junto com minha mãe... – Hermione parou ao ver a cara de Amy. – Ah, claro! Elas eram amigas, mas minha mãe é trouxa, então não sabia que Lílian era bruxa. Mas continuando... E por fim, vi os Potter quando já moravam aqui. Lílian estava grávida e tudo! Em todo caso, ela estava preocupada com a profecia... – e Hermione contou tudo o que andava vendo.

- Mione, eu realmente não sei o que dizer, mas acho que tem algo a ver com a profecia, sim! – disse Amy. – Lembra-se? “Aquela com o poder de desvendar os mistérios do passado se aproxima”? Eu acho que isso já responde muita coisa.

- E você acha que isso vai continuar, então?

- Não sei. E de qualquer forma, a questão é: o que, exatamente, você tem que desvendar?

Hermione balançou a cabeça negativamente e depois passou e encarar os próprios pés, como se não houvesse coisa mais interessante para se observar.

- Garrotas, Dumbledore disse que vocês já devem descerr – avisou Fleur, apenas colocando a cabeça para dentro do quarto.

- Já estamos descendo, Fleur – respondeu Amy.

- Tudo bem. – e Fleur fechou a porta novamente.

- E lá vamos nós de novo – comentou Amy. – Temos sorte de só ter trazido uma mochila. Acho que ainda não existiram dois dias mais corridos que esses... E loucos também! Não sei... Tanta coisa mudou, não é?

- Devo concordar com você neste ponto, Amy. Tudo está mudando...

As duas recolheram as mochilas e desceram para se encontrarem com os outros. Faltavam dez minutos para as quatro quando tomaram uma chave de portal para Godric’s Hollow. Num instante, estavam Harry, Hermione, Amy e Fleur parados a um quiosque ao fundo de uma casa de cor gelo. Silenciosamente, assim como Fleur havia indicado, eles deram a volta na casa, postando-se à sua entrada, onde havia um número 11 gravado. Hermione olhou para a rua. Estava cheia de crianças de todas as idades, que corriam, brincavam e gritavam aqui e ali. Numa praça próxima, muitas delas brincavam no parque e havia alguns adolescentes sentados em pequenos quiosques e bancos conversando. Aos poucos, o movimento da rua ia aumentando; carros e mais carros chegavam e ocupavam as garagens das casas.

- Típico de um fim de tarde em Godric’s Hollow. – murmurou sorrindo. – Já estava com saudades...

O vilarejo possuía casas alinhadas, mas bastantes distintas umas das outras. Era como um grande condomínio fechado. Todos se conheciam e o lugar era extremamente agradável.

- Venham. Vamos entrar, depois vocês poderão sair para conhecer o vilarejo – chamou Fleur, que já abrira a porta e Betty os recebia.

- Pode deixar que cuido deles daqui por diante, Srta. Delacour – disse a senhora sorrindo carinhosamente.

- Tudo bem, Betty – concordou a veela. – Bom, vou deixá-los agora. Amanhã, no mesmo horário, estarei aqui para levá-los de volta a Hogwarts.

Os garotos simplesmente concordaram e então Fleur desaparatou.

- Muito bem, garotos. Antes de tudo, tenho de passar algumas informações básicas a vocês – começou Betty. – A casa encontra-se completamente vazia, exceto pela sala, cozinha e um pequeno gabinete. Sua parte superior, tendo sido completamente destruída na noite em que Aquele-Que-Não-Se-Deve-Nomear assassinou os Potter e ninguém habitou a casa durante estes quinze anos, continua sem mobília, somente com o que restou naquela noite – explicou. – Na sala existem três sofás-cama, onde poderão dormir. Há um banheiro no corredor, próximo à escada. E Harry... Caso queira olhar algumas coisas que creio que sejam de seu interesse, pode procurar no gabinete ou no quarto ao lado direito da escada no andar superior.

- Hum... Ok.

- Qualquer coisa...

- Você está na cozinha, já sabemos! – exclamaram os três em uníssono e todos riram.

Os garotos dispersaram-se e seguiram para a sala, onde deixaram suas mochilas e escolheram os sofás onde dormiriam.

- O que vamos fazer hoje? – perguntou Harry. – Não podemos passar o dia todo aqui, não é?

- Bem, eu estava pensando em visitar meus pais. Mas também podemos ir à sorveteria que temos aqui perto. Há algumas opções... Logicamente é impossível se fazer tudo em apenas vinte e quatro horas, mas ainda assim... – disse Hermione.

- Você conhece muita gente aqui, Mione? – perguntou Amy.

- Não, não existem muitas pessoas da minha idade por aqui. Mas há um cara que chegou no último verão... Não conversei muito com ele. Passei as férias com o pessoal de Hogwarts, mas sei algumas coisas sobre ele, por exemplo: ele veio dos Estados Unidos – respondeu. – Aaron Mackenzie, dezenove anos, estudava no Instituto de Magia de Nolux. Hoje trabalha no Ministério. Departamento de Cooperação Internacional em Magia – Hermione dizia tudo resumidamente.

- Godric’s Hollow fica próximo a Londres, não? – Amy indagou.

- Ah, sim. Daqui para lá são meia hora de carro – respondeu Hermione e o silêncio permaneceu.

Harry tinha se distanciado e estava olhando alguns objetos postados à uma estante. Amy estava ajeitando suas coisas na mochila e Hermione analisava a casa, olhando discretamente à volta.

- Hum... Eu já estava querendo perguntar, mas não houve tempo... Será que um de vocês pode me explicar como que o Sirius voltou? – perguntou Hermione, quebrando o silêncio.

- Olha, conversei com ele mais ou menos uma hora e meia, apenas – disse Harry. – Até perguntei, mas ele disse que não se lembra de muita coisa. Acho melhor você mesma perguntar... A história é bem confusa.

Amy concordou com o garoto.

- Ok, então – disse Hermione inconformada. – Bem, acho melhor irmos andando. Ainda quero ir à sorveteria antes da noite... Vamos?

- Se demorarem mais, juro que desisto! – brincou Harry.

Os três deixaram a casa e pegaram a rua. Agora as crianças encontravam-se todas brincando à uma praça, enquanto o movimento aumentava aos poucos e carros e mais carros ocupavam as garagens das casas. Passaram por uma casa de dois andares bem simples e pararam a uma grande casa branca de um único pavimento. Hermione sorriu sozinha e foi até a porta, onde se encontrava um número 7 gravado. Tocou a campainha e uma mulher em seus quarenta e um anos os recebeu. Harry pôde notar que Hermione era a cópia fiel dela.

- Mi, querida! – a mãe abraçou a filha. – O que faz aqui?

- Tivemos direito a dois dias de folga em Hogwarts, então saímos para conhecer as casas do Harry. E como estamos no número 11, aproveitei para visitar você – contou Hermione.

- Então este rapaz bonito é o Harry? – perguntou Jane, ao que Harry corou levemente. – Hermione fala muito de você, querido. E quem é a bela moça? Vocês são irmãos?

- Não – respondeu Amy e os dois entreolharam-se. – Ou melhor... Quase!

- Mãe, esta é a Amy, uma amiga lá de Hogwarts – apresentou Hermione.

- Bem, o que acham de entrar para um lanche? – perguntou Jane sorrindo maternalmente.

- Tudo bem – responderam os dois. Hermione entrou em casa.

- Venham! – chamou.

Harry e Amy entraram logo atrás de Hermione. A casa era grande e muito sofisticada. Tudo era da melhor qualidade ali.

- Bem, esta é a minha casa! Sejam bem-vindos.

Eles não ficaram muito tempo por ali. Lancharam, conversaram e deram boas risadas com a mãe de Hermione, que era uma mulher extremamente agradável. Parecia que ainda não havia deixado a infância, apesar da idade. Como ela dizia, a infância nunca nos deixa; apenas se quisermos deixá-la. Havia uma ponta de razão no que ela dizia.

- Mãe, eu vou apresentar o Harry e a Amy ao pessoal e mostrar o vilarejo. Volto mais tarde para ver o papai, ok? E não esqueça: qualquer coisa, estou no número 11.

- Tudo bem, querida – disse Jane abraçando a filha e dando-lhe um beijo na testa. Despediu-se de Amy e Harry e então os garotos deixaram a casa.

- Sua mãe é uma pessoa maravilhosa, Mione – disse Amy.

- Parece que tem nossa idade! E o modo como ela encara a vida... Gostei dela! – comentou Harry.

- É, ela é mais como uma irmã mais velha do que uma mãe para mim. Também a adoro! – disse Hermione sorrindo.

- Engraçado, nenhum de nós tem irmãos... É estranho, não? – comentou Amy. – E de mais algumas amigas minhas, acho que só a Bebel também não tem irmãos.

- Você a conhece? – perguntaram Harry e Hermione juntos.

- Claro que a conheço! Como não conheceria Isabella Bonstrong?

- Também somos amigos dela. – explicou Hermione.

- Sério?

- Sim.

- Nossa! Que legal! Acho que mais um motivo para continuarmos sendo amigos... – disse Amy animada.

Os três riram.

- Bem, acho que agora podemos chamar o Aaron – comentou Hermione.

Andaram rapidamente até a casa onde Hermione disse que Aaron morava. Não poderiam se demorar, afinal, logo anoiteceria e eles teriam de voltar ao número sete para o jantar e Hermione havia prometido que voltaria para ver os pais.

Quando finalmente chegaram à casa de Aaron, Hermione foi até a porta e bateu. Uma senhora baixinha e simpática abriu a porta, sorrindo amigavelmente.

- O que deseja? – perguntou.

- O Aaron está? – perguntou Hermione.

- Está, sim. Só um momento – sussurrou a senhora. – Sr. Mackenzie! O senhor tem visita! – anunciou. – Ele já está vindo. Com licença!

Alguns segundos e um rapaz alto, cabelos e olhos castanhos escuros de olhos, corpo bem definido e com um ar galanteador apareceu à porta.

- Hermione! – cumprimentou. – Há quanto tempo, hein?!

- Pois é, Aaron. E aí, algum compromisso para agora? – perguntou a garota.

- Não, não tenho. Estou livre e amanhã estou de folga pela manhã – ele respondeu animadamente. – Mas e você, o que faz aqui? Voltou mais cedo de Hogwarts?

- Não, apenas tivemos uma ‘folga’, também. – Hermione riu-se. – Hum... O que acha de sairmos para tomar um sorvete? Digo... Estou com uns amigos da escola – apontou.

- Acho ótimo!

- Que bom – o rapaz fechou a porta atrás de si e os dois desceram para a calçada novamente, onde Trey e Harry esperavam. – Aaron, este daqui é o Harry e esta é a Amy.

Aaron estendeu a mão para Harry, num gesto de cumprimento, ao que Harry a apertou acenando levemente com a cabeça.

- São irmãos? – indagou enquanto cumprimentava Amy.

Harry e Amy sorriram.

- Não – foi Hermione que respondeu.

E seguiram conversando animadamente para a sorveteria.

A sorveteria não estava muito cheia. Serviram-se e ficaram ali até que a noite caísse.

Retornaram andando pelo vilarejo. Ao chegar ao número 11, Harry e Hermione se afastaram. Amy estava tão absorta conversando com Aaron que nem percebeu que já estavam em casa.

- Amy! Amy! – chamou Hermione. A garota a olhou curiosamente, ainda rindo de algo. – Vamos! Já chegamos.

A morena se despediu de Aaron e correu para acompanhar os amigos.

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Harry estava sozinho sentado no gabinete. Olhava fotos, lembranças de seu passado, de um passado distante e que jamais voltaria. Esperava que aqueles minutos se estendessem, assim ninguém atrapalharia aquele momento que era dele, só dele. Hermione havia saído há alguns minutos. Tinha ido à casa de seus pais, como prometera. Já Amy, estava sentada à varanda, conversando com Aaron. Parece que eles dois haviam mesmo se dado bem.

Hermione voltou às nove horas, e trouxe Amy para dentro consigo.

- Depois quero saber tudo, ouviu bem? – murmurou para a outra, que riu.

- Pode deixar... – concordou Amy.

Harry pedira a Betty que ela retirasse os sofás-cama da sala e os colocasse nos quartos. E assim ela o fez. Colocou-os nos quartos que ficavam no lado esquerdo do pavimento, deixando o único que ficava no lado oposto, vazio. Amy e Hermione dormiriam juntas e Harry sozinho. A sala agora se encontrava mais arrumada, já que não havia os cinco sofás de antes, o que deixava o lugar bastante apertado.

As duas garotas ficaram conversando até tarde. Harry resolveu deitar para dormir de uma vez. No outro dia precisaria conversar com Hermione. Tinham muitas coisas a acertar, principalmente naquele período, já que todos estariam entrando em época de testes e a correria seria grande. Ainda tinham os estudos de animagia, os quais estavam fazendo, já há algum tempo, paralelamente às aulas normais. Ou seja, voltando no tempo.

Adormeceu em poucos minutos.

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Sete e meia da manhã. Estavam os três sentados à mesa, tomando o café da manhã.

- Hum... E então, Harry? Gostou do lugar? – perguntou Hermione enquanto tomava um gole de suco.

- Gostei, sim.

- Harry, chegaram duas corujas. – avisou Betty.

- O Profeta matinal. – murmurou Hermione.

- Pode deixar entrar, Betty. – disse Harry.

A senhora abriu a janela da cozinha, por onde uma coruja-das-torres entrou, acompanhada de Edwiges. A primeira pousou a frente de Harry e estendeu a perna onde se encontravam o jornal e a pequena bolsinha de couro. Jogou um sicle na bolsa e desamarrou o Profeta. A coruja levantou vôo novamente. Harry então voltou a atenção para Edwiges, pousada em seu ombro. A coruja estendeu a perna, assim como a outra. Havia um pequeno envelope amarrado a ela. Ele retirou e deu um pedaço de pão para a coruja, que comeu e mordiscou a orelha do dono em agradecimento.

Harry deixou o envelope de lado e abriu o jornal. A manchete já indicava que aquela seria uma edição nada boa. Lia-se bem grande na página principal: ‘Ministério é invadido’. Ao canto da mesma página, outras pequenas notícias: ‘Comensais da Morte são vistos em Dufftown’, ‘Trouxas começam a notar clima tenso’ e ‘Segurança da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts é reforçada’. Seu queixo caiu. Será que não haveria nenhuma notícia boa?

- O que houve, Harry? – perguntou Hermione. – Você está pálido. É algo com o jornal?

- Qual a probabilidade de existir uma edição onde não haja nenhuma notícia boa? – ele perguntou.

- Dê-me, aqui – pediu Hermione e Harry estendeu o jornal.

Amy olhava confusa de um para o outro. Hermione passou os olhos rapidamente pela página principal.

- Bem, notícia boa tem, mas eles não deram muita importância, já que as últimas realmente não são as melhores e vão complicar bastante as coisas. – comentou a garota.

- E qual a notícia boa? – perguntou Harry.

- Está na parte de dentro da primeira página. ‘Inocentado, Sirius Black volta ao mundo bruxo’. – os olhos de Amy brilharam. Hermione percorreu a notícia com os olhos. – É... Ele voltou e já garantiu seu emprego no Ministério.

O resto da refeição se passou em silêncio. Hermione já havia terminado e agora estava lendo o Profeta. Amy ainda estava comendo um pedaço de melancia e Harry terminava o último gole de seu suco. O silêncio só se quebrou quando ele se levantou e pediu licença.

- Harry? – chamou Hermione. – Não vai ver o que há no envelope?

- Vou. Se quiser, me acompanhe. – ele disse e Hermione enrolou o jornal, levantando-se.

- Amy, depois conversamos – disse para a outra.

- Tudo bem. Hum... Hermione? Será que poderia deixar o jornal?

- Ah, claro! – Hermione entregou o jornal para a garota e acompanhou Harry até o gabinete. – E então? – perguntou se acomodando.

- Não, sei. Não abri. – respondeu ele.

- Harry, por que essa frieza agora? – perguntou Hermione franzindo o cenho.

- Frieza? Frieza nenhuma, Mione! Impressão sua – disse.

- Tudo bem. Você finge que fala a verdade e eu finjo que acredito, ok? – ela disse rispidamente.

- Já disse que estou tratando-a normalmente. Só estou um pouco preocupado, só isso.

- Ok. Não vamos discutir isto. Vai, abre logo o envelope! – mandou.

- Frieza, hã?! – fez ele sarcasticamente.

Ela o olhou séria e sorriu de lado.

- Não vai abrir o pergaminho? – perguntou Hermione.

- Pode abrir, se quiser.

Hermione nem ao menos respondeu. Abriu o envelope, onde havia duas cartas. Pegou um dos pergaminhos e leu-o até o fim, depois virando-se para um Harry distraído.

- Harry, não é nada demais. Apenas uma carta do Sirius e a outra, me parece ser do Dumbledore – comentou.

- E o que dizem? – Harry interessou-se.

- Bem, Sirius conta algumas coisas sobre a volta dele, o emprego no Ministério e como serão as coisas daqui pra frente. Também diz que se você quiser morar com ele até achar que já tem idade e responsabilidade suficiente para morar sozinho, que as portas do Largo Grimmauld 12 estarão sempre abertas para você. – contou Hermione. – A de Dumbledore fala algo sobre as notícias de hoje. Acho melhor você ler depois, isso só fará você se preocupar mais.

Harry, Amy e Hermione passaram o resto da manhã fora, voltando somente na hora do almoço. Depois de descansados, mais ou menos uma hora e meia depois, saíram novamente. Às dez para as quatro, Hermione foi até sua casa despedir-se de seus pais.

No horário marcado, Fleur apareceu e os levou de volta a Hogwarts. Os três se separaram, indo cada um para sua respectiva torre. Aquela seria a última noite antes da correria total recomeçar. Deitaram-se cedo, pois os amigos chegariam logo pela manhã e eles queriam recebê-los. Agora era só se preparar para uma das épocas mais apertadas em Hogwarts...

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As semanas se passaram como vento; rápidas e corridas. A neve já caia densamente lá fora. A pressão escolar com os testes para o fim do primeiro trimestre estava deixando os alunos sem tempo sequer para respirar em paz. Hermione começara a cobrar mais de Rony, que, mesmo contrariado, fazia todos os deveres com os outros dois amigos. Ele sabia que não teria outra oportunidade de ter a ajuda dos melhores alunos do ano, já que os deveres de revisão estavam cada vez mais freqüentes. Quando Harry, Rony e Hermione achavam que já estava tudo pronto e que não receberiam mais nenhum dever, tudo começava novamente.

- Eu acho que ainda vou ficar maluco! – falou Rony puxando os cabelos desesperado. Era um fim de tarde do meado de dezembro e o trio estava no salão comunal fazendo os deveres.

Só teriam descanso quando as provas começassem, ou pelo menos achavam isto. Hermione fez questão de dizer que eles teriam que estudar para se darem bem, coisa que Rony não aceitou quieto. Depois de muito reclamar, Rony se deu por vencido novamente. A guerra realmente viera para causar tumulto total, literalmente. Os professores pareciam não cansar de ver alunos com as caras cada vez mais horrendas todo dia pela manhã. Muitos viravam a noite e sequer dormiam para concluir todos os afazeres. Estavam sobrecarregados demais.

Quando finalmente entraram na última semana antes das férias de Natal, os deveres cessaram completamente.

- Agora vamos para o item dois: estudar! – avisou Hermione.

E estudavam todos os dias para o teste do dia seguinte. Como já era de costume, Hermione terminava cada teste com um grande sorriso nos lábios. Para Harry isto era uma experiência nova; ele nunca fizera testes tão facilmente. Até mesmo Rony tinha se saído melhor. Mesmo assim, ele sabia que não seria tão fácil tirar notas boas. Nunca dera atenção para isto.

Quarta-feira. Estavam na sala de Transfiguração fazendo o último teste. Todos olhavam nervosamente para o além, tentando se lembrar, em vão, das respostas do teste. Eles teriam uma hora para concluir e já havia passado quase metade deste período. Harry foi o primeiro a levantar. Entregou o teste seguramente para McGonagall, que olhou-o surpresa, assim como todos na classe. Hermione sorriu para ele, que retribuiu o sorriso. Quando ele já estava saindo da sala, ela disse:

- Espera! – ela se levantou e entregou o teste para a professora, o costumeiro sorriso em seus lábios. Os dois deixaram o aposento e seguiram para o salão comunal, onde ficariam aquecidos. – E então? Como foi no teste?

- Bem. Não foi difícil, foi?

- Não, não foi. Aquilo estava tudo no dever de revisão que ela mandou. – ela comentou.

- É. Parece que finalmente estamos livres! – disse Harry espreguiçando-se.

- E por duas semanas – ela acrescentou. – Bom, acho que não teremos de arrumar o Baile desta vez. Ele já é amanhã e não recebemos nem notícia. O que eu acho realmente bom...

- Maravilhoso! – disse Harry com veemência. Ainda se lembrava do dia cansativo que tiveram, do monitor da Corvinal que estava trabalhando com Hermione, dos garotos que a perseguiam e das garotas que o assediavam. Era tanta coisa que não queria nem imaginar se acontecesse novamente.

Eles ficaram ali conversando durante mais alguns minutos, quando o salão comunal finalmente começou a se encher. Rony chegou e jogou-se na poltrona, parecendo realmente cansado.

- Finalmente, paz! – ele disse erguendo as mãos para o céu.

Harry e Hermione riram do amigo. Sabiam que deveriam aproveitar aqueles minutos com Rony, pois ele logo os deixaria para se encontrar com Luna. Já estavam se acostumando com a idéia de terem que dividir o amigo com uma pessoa ainda mais importante para ele. Rony ainda não aceitara o romance de Gina com Draco, deixando-a presa na torre da Grifinória sempre que a irmã resolvia sair para se encontrar com o namorado. Ele parecia endoidar só de ouvir a garota chamá-lo pelo nome enquanto seus olhos brilhavam. Era realmente estranho.

O que ele não sabia, era que Gina tinha outros meios. Sempre que possível, a garota voltava no tempo e ia se encontrar com o loiro. Aproveitavam àquelas horas de correria, nas quais a garota ficava muito preocupada, olhando discretamente para o relógio para saber se já estava na hora de voltar ao salão comunal, o que fazia bem antes da hora em que saíra, pois não poderia aparecer no retrato da mulher gorda sendo que todos sabiam que ela estava em seu dormitório.

Rony era um irmão realmente ciumento. Não só irmão, como amigo e namorado. Era só um garoto que não fosse ele ou Harry se aproximar de Hermione que ele já ia tirar satisfações, assim como para com Gina, principalmente por ela namorar um ‘inimigo’. Foram várias as brigas e discussões que tiveram por conta de Draco, ficando sem se falar por dois ou três dias, nos quais Gina nem sequer fazia esforço para voltar a falar com o irmão, enquanto ele pedia desculpas, as quais ela aceitava, mesmo sabendo que tudo se repetiria novamente.

Por azar, o garoto namorava uma menina muito mais ciumenta que ele. Luna realmente não deixava barato. Queria o garoto com ela sempre, e sempre estava de olho nele. Quantas não foram as garotas que descaradamente disseram a ela que ele era um gato? É, ele realmente se tornara um tanto popular, mas ela brigava e esperneava com as garotas, deixando-as amedrontadas. E a frase final sempre era: “Para sua informação, ele já tem namorada!”, a qual dizia aos berros.

E tudo aquilo já se tornara bastante normal para todos eles.

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