Harry acordou e ao olhar pela janela percebeu que era noite.
Desceu as escadas, já não se sentia mais zonzo, mas sentia muita fome. Foi até a cozinha onde imaginava encontrar os Weasley.
Lá estavam a Sra. Weasley, Rony, Gina e Hermione.
- Boa noite querido. Já se sente melhor? —Perguntou a Sra. Weasley com bondade.
- Sim Sra. Weasley, eu me sinto melhor só estou com um pouco de fome. — Falou Harry se sentando ao lado de Rony de frente para as garotas.
- Eu percebi que você estava cansado por causa da viagem, então resolvi não acordá-lo para o almoço. —Comentou ela virando-se para o fogão e começando a preparar algo.
Harry notou que Gina olhou torto para ele durante o comentário da mãe. — Você gostaria de uma sopa ou prefere algo mais consistente?
- Algo mais consistente, por favor, estou faminto. — Pediu o garoto.
- Que tal rosbife? — Ofereceu a mulher.
- Ótimo, me deu até água na boca. —Ninguém falou mais nada até que a Sra. Weasley serviu Harry e saiu da cozinha deixando os quatro a sós.
- Precisamos te mostrar uma coisa. — Despencou Hermione, ela parecia querer falar isso há horas.
- Sim, mas só depois que você comer. — Falou Rony olhando para a amiga. — Assim que você comer, vamos até a sala que tem aquela tapeçaria da árvore da família Black. — Rony pareceu perceber o olhar que Harry viu a irmã dar a ele, então acrescentou. — Mione e eu te esperamos lá em cima.
Após Rony e Hermione passarem pela porta da cozinha, Gina o encarou com um olhar parecido com o que a Sra. Weasley dava quando queria descobrir alguma coisa que os gêmeos aprontaram.
- Por que você não confia em mim? — Perguntou ela.
- Eu conf...
- Não venha me dizer que confia, pois se confiasse me contaria a verdade sobre o que aconteceu. —Cortou ela. — A principio eu até acreditei naquela história de você estar cansado pela viagem e por ter visto o túmulo dos seus pais, mas três tipos de poções diferentes só por causa disso já é demais pra mim.
- Gina...
- Uma pra repor energia, outra pra dormir e uma para repor sangue perdido. — O interrompeu novamente.
— Eu sei sim, eu andei muito com a Mione e aprendi a conhecer essas poções simples, mas úteis em caso de emergência.
- Gina...
- Me diz Harry o que você andou fazendo, andou lutando contra Comensais ou encontrou o Vol-Vol- Voldemort? — Cuspiu ela.
- Pra que eu vou te responder sendo que você já tirou todas as suas conclusões? — Gritou Harry já irritado. — Com licença, perdi o apetite. — E dizendo isso se levantou.
Harry saiu da cozinha e foi direto para a sala onde tinha a tapeçaria da família Black. Lá estavam sentados em poltronas opostas Rony e Hermione.
- Já terminou? — Perguntou Hermione erguendo as sobrancelhas.
- O que vocês tinha pra me mostrar? — Perguntou ele se sentando em uma terceira poltrona e selando a porta com a varinha.
- Rony e eu estivemos pensando, e tivemos uma suposição... — Começou ela.
- Hen-Hen. — Fez Rony.
- Tá bom, tá bom, o Rony andou xeretando pela casa e tirou todas as conclusões sozinho. Só falta uma coisa para ele estar quase certo. — Falou Hermione cruzando os braços e bufando.
- Quando vocês estiverem dispostos a me dizer sobre o que se trata, por favor, me chamem. — Falou Harry irritado já se levantando.
- Aproveite que está de pé Harry, e dê uma boa olhada na tapeçaria. Acho que você irá encontrar o que passou o verão inteiro pensando. — Falou Rony sem alterar o humor por causa da irritação dos dois amigos.
Harry foi até a tapeçaria com desgosto, ela lhe lembrava Sirius e isso não lhe fazia bem.
Ele foi passando os olhos pelo título bordado a ouro no alto da tapeçaria, “A Mui Nobre e Antiga Casa Dos Black”, e foi descendo pela árvore também bordada a ouro, viu ali alguns nomes conhecidos, como os Malfoy e os Lestrange. Mas o que chamou a atenção de Harry e fez ele se sentir muito melhor foi o que estava bordado ao lado do pontinho preto de queimado que deveria estar o nome de Sirius.
Régulos Black.
- Vocês acham que...? — Perguntou ele animado.
- Não podemos confirmar nada sem saber o nome do meio de Régulos. E isso vai ser meio difícil de descobrir já que... Já que Sirius não está aqui. — Falou Rony receoso que o amigo virasse uma bomba preste a explodir.
- Mas temos o Lupin. — Falou Harry.
- É mesmo, como não pensamos nisso antes?! —Exclamou Rony.
- Não sei, o gênio aqui é você. — Respondeu Hermione ainda bufando.
- Vamos perguntá-lo assim que o encontrarmos. Mas agora mudando de assunto, vocês não tentaram destruir a Horcrux, né? — Perguntou Harry.
- Claro que não, ela está na sua mochila. Já sabe como a destruiremos? — Perguntou Rony já sabendo a resposta.
- Não, mas estive pensando, eu destruí o diário sem me ferir usando a presa do basilisco. Dumbledore tentou usar a varinha e perdeu uma mão por isso, talvez devêssemos não tentar destruí-la por magia, mas sim por algo mágico e muito poderoso como o veneno de basilisco. — Concluiu Harry pensativo.
- Mas onde vamos conseguir veneno de Basilisco? — Perguntou Rony.
- Eu não sou tão gênio quanto você Rony, mas tenho um palpite, que tal a Travessa do Tranco? —Falou Hermione ainda bufando.
- Mamãe jamais permitiria que qualquer um de nos colocasse os pés lá. — Falou Rony.
- Ela também jamais permitiria que nós três pagássemos tributo de sangue a uma porta ou que o Harry derramasse quase todo o seu sangue em uma taça para pegar um pedaço da alma de Voldemort. —
Rebateu Hermione.
- Eu acho que seria melhor pedirmos para que o Fred e o Jorge fizessem isso, eles estão quase todos os dias lá. — Comentou Rony calmamente para aumentar a raiva da amiga.
- Boa Rony, aí nem vamos precisar sair daqui e nem a sua mãe vai desconfiar de nada. — Falou Harry.
- Mas e se Fred e Jorge desconfiarem? —
Perguntou Hermione.
- Eu digo que não é da conta deles, afinal eles não podem se recusar a fazer se eu ameaçar contar pra mamãe o que eles andam fazendo por lá. — Respondeu Rony com um sorriso de triunfo.
- Tá bom Rony você ganhou, vamos fazer do seu jeito. — Bufou finalmente Hermione.
- Assim que encontrarmos Fred e Jorge a gente pede a eles, por hora, vamos dormir. — Harry sacou a varinha e desbloqueou a porta para saírem.
No final do corredor encontraram os gêmeos que já caminhavam para seus quartos.
- Fred, Jorge. — Chamou Rony. — Preciso de um favor.
- Oi maninho, que tipo de favor? — Perguntou Fred.
- Para estar pedindo a gente só pode ser algo ilegal. — Falou Jorge.
- Pra vocês não. Eu só queria que vocês trouxessem uma coisa da Travessa do Tranco pra gente. — Falou Rony ao que os dois se entreolharam.
- E o que o meu maninho iria querer na Travessa do Tranco? — Perguntou Jorge.
- Tudo que você precisa tem no Beco Diagonal. —Falou Fred com deboche.
- Veneno de basilisco não. — Disse Rony ao que os dois se assustaram.
- E pra que você quer veneno de basilisco, Rony? — Perguntou Jorge.
- Além de colocar na comida de vocês? Bem não é da conta de vocês o que vamos fazer com o resto. —Respondeu Rony.
- Se não é da nossa conta não precisamos ir lá buscar, pode ir você. — Disse Jorge virando para seguir o caminho que fazia.
- Então serei obrigado a contar pra mamãe o que vocês fazem lá. — Rony sorriu ao ver que os dois param no meio de uma passada.
- Quantos litros você vai querer? — Perguntou Jorge.
- Puro ou misturado com alguma outra coisa? —Perguntou Fred.
- Um litro eu acho que será o bastante, caso precisemos de mais eu peço a vocês. — Foi Harry que respondeu. — E puro, por favor, quando vai custar?
- É pra você Harry? —Jorge se voltou sorridente para Harry.
- Por que não falou antes? Qualquer coisa que você precisar da Travessa do Tranco basta pedir a gente que nós arrumamos. — Falou Fred também voltando para falar com Harry.
- É, qualquer coisa. Podemos te arranjar outros venenos também, como de acromântulas, e tudo de graça. — Ofereceu Jorge.
- É, te devemos muito cara. Qualquer coisa ilegal ou com relação às Artes das Trevas é só pedir. — Falou Fred.
- Não queremos nada ilegal ou com relação às Artes das Trevas. — Falou Hermione irritada.
- Talvez eu queira sim, mas não agora, depois eu aviso se realmente for querer. Obrigado Fred e Jorge. — Agradeceu Harry pensativo.
Depois de se despedirem e Fred e Jorge entrarem em seu quarto, eles seguiram para os seus.
Chegando ao quarto dos meninos, Hermione empurrou os dois para dentro com violência, selou e imperturbou a porta e se virou com violência para Harry.
- O que você tá querendo com Artes das Trevas? — Gritou ela.
- Nada de mais Hermione, não se preocupe. —Respondeu Harry não dando bola para a reação, que ele já esperava, da amiga.
- Não se preocupe? Não tem nada nas Artes das Trevas que possa te ajudar Harry, a não ser a se destruir e você pede para eu não me preocupar? —Harry achou que Hermione já estava exagerando.
- Hermione eu só quero um livro para que possamos combater os comensais ao nível deles e outra coisa, como que você acha que eu vou matar Voldemort? Com um patrono? Ele é feito de pura maldade, mas não acho que chegue a tanto. — Falou Harry.
- Tudo bem, Harry. Eu só espero que as Artes das Trevas não te enfeitice ou te traga mais problemas como a alguns meses quando você quase matou o Draco. — Hermione se virou para a porta.
- Talvez se eu o tivesse matado, Dumbledore estaria vivo. — Hermione balançou a cabeça antes de sair do quarto e Harry viu que Rony parecia chocado com a briga dos dois.
Harry foi se deitar e não tardou a dormir, mas acordou muito cedo na manhã seguinte, antes do sol nascer.
Harry desceu as escadas e foi até a cozinha, começou a preparar ovos e bacon para comer e quando já estava terminando ele ouviu passos na escada.
- Unh! Que cheirinho bom. — Era Gina. — Não sabia que você cozinhava, pelo menos não tão bem.
- Desde cedo, fui obrigado a fazer o café da manhã dos Dursley e às vezes o almoço e o jantar também. — Respondeu Harry com indiferença ao comentário da garota. — Você quer?
- Adoraria se não for nenhum incômodo. — A garota se sentou à mesa o olhando fazer o café.
Harry pegou os ovos e bacon que já estavam prontos e colocou em um prato e serviu sem dizer nada a garota, e voltou para o fogão para fazer mais.
Quando Harry voltou a mesa Gina já havia servido suco aos dois e não havia tocado na comida. Estava esperando por ele.
- Harry, sobre ontem... — Começou Gina ao que Harry levantou a mão para silenciá-la.
- Vamos esquecer tudo isso e tomarmos o nosso café? — Gina pareceu ofendida com o gesto do garoto, mas continuou.
- Eu só queria dizer que me preocupo com você e que você não precisa me dizer o que se passa, mas, por favor, não minta pra mim. — Gina ficou parada aguardando a resposta.
- Olha Gina, não é que eu estou mentindo pra você, é que simplesmente eu prometi a Dumbledore que só contaria o que se passa ao Rony e a Mione. —Harry se sentiu mal por ter sido grosseiro com relação aos sentimentos da garota nos últimos meses. — Me desculpe por tudo, eu não quero magoá-la, mas acima de tudo não quero que você morra. O que eu estou fazendo é realmente perigoso.
- Eu só queria que você parasse de ser indiferente comigo e com os meus sentimentos. — Harry pôde ver que os olhos da garota se umedeceram.
- Gina eu gostaria de poder te contar tudo, mas quando eu fiz a promessa a Dumbledore a gente nem andava junto, você ainda namorava o Dino e ele não sabia o que se passava entre a gente, ele achou que eu só confiava em Rony e Mione. — Explicou-se Harry.
- E o que se passava entre a gente eu posso saber? — Perguntou Gina e Harry percebeu que ela estava sorrindo e um calor subiu pelo seu pescoço.
- Gina, você se lembra dos conselhos que a Mione te deu? Com relação ao que você sentia por mim? —
Perguntou Harry.
- Claro, eu os segui até o ano passado, e pelo menos uma vez por mês ela me lembrava disso. —Gina olhou Harry nos olhos e ele desviou para o copo de suco.
- Bem era exatamente aquilo que você precisava fazer para eu te notar, conversar mais comigo, fazer mais coisas comigo, me mostrar quem era você para que eu pudesse ver e gostar. — Começou Harry se sentindo corar. — Depois que a gente começou a conversar e eu fui te conhecendo, foi quase que instantâneo eu começar a gostar de você, os únicos empecilhos eram Dino e Rony.
- Rony nunca teve o direito de interferir nos meus relacionamentos. Dele cuido eu, e o Dino, bem, era só você me falar que eu me livrava dele rapidinho. —Gina se escorou com os cotovelos na mesa e as mãos no queixo.
- Sabe, no dia que você e o Dino terminaram foi por minha culpa. — Comentou Harry.
- Como assim? Eu e o Dino terminamos por que já não nos agüentávamos mais. — Gina parou para olhar Harry melhor.
- Você se lembra que eu tinha ganhado um frasco de Felix Felicis na aula de poções? — Gina afirmou com a cabeça. — Bem eu o estava guardando para um dia qualquer onde eu tentaria... Tentaria me aproximar mais de você. — Harry arriscou uma olhada a Gina e essa parecia se divertir. — Bem, eu tive que usá-lo para conseguir, conseguir uma coisa que Dumbledore havia me pedido e que era muito difícil. Bem, naquela noite eu acabei com dois namoros.
- Qual mais, além do meu? — Perguntou Gina curiosa.
- Eu havia subido pro dormitório com Rony e a Mione para pegar as coisas e quando nós descemos, eu estava encoberto pela capa do meu pai, Lilá viu o Rony e a Mione descerem sozinhos do dormitório masculino e o resto você já sabe e bem quando eu ia sair pelo buraco do retrato você e o Dino estavam entrando e sem querer eu esbarrei em você e o resto você sabe melhor do que eu. — Concluiu Harry.
- Não se sinta culpado. Dino e eu já estávamos brigando a um tempão, não ia durar muito mesmo e ele com certeza sabia que eu ainda gostava de você, todo mundo sabia. — Gina colocou a mão na mão de Harry.
- Menos eu né? — Harry se virou para ela.
- Menos você, mas no fim a gente ficou junto não foi? — Gina foi se aproximando.
- Gi...
- Shiii. — Fez ela ao colocar o indicador sobre os lábios.
- Não devemos.
- Não tem mais Dino e o Rony ainda tá dormindo.
- Mas Gina, e sua mãe, seu pai e todos os outros?
- Esquece eles, finge que não há nada além dessa cozinha escura.
Gina não precisava ter dito isso, pois ele já havia se esquecido que existia um mundo além deles dois e as paredes daquela cozinha escura.
- Bom dia, garotos. — Desejou a Sra. Weasley entrando na cozinha. — O que fazem acordados tão cedo? Quem preparou o café.
- Bom dia Sra. Weasley, eu preparei o café, espero que não se importe. — Falou Harry, quando a Sra. Weasley entrou, ele e Gina haviam dado um pulo na cadeira e começaram a comer depressa o bacon com ovos que já estavam frios.
- Claro que não, a final a cozinha e a casa inteira é sua. — A mulher se dirigiu ao fogão e começou a fazer o café para os outros que iriam acordar dali a pouco.
Harry percebeu que Gina estava corada e que estava fatiando o bacon com uma força exagerada, suas mãos também tremiam.
Harry se tocou do que poderia ter acontecido e fez uma nota mental para tomar mais cuidado da próxima vez.
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