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19. Capítulo 18


Fic: O Testamento


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Gina enumerava os motivos pelos quais não deveria nem iria se envolver com Harry. Já tinha chegado ao número vinte, quando ele bateu na porta do banheiro.


— Ainda não tomei banho — ela disse.


— Eu sei. Só estava pensando se quer que eu instale seu compu­tador para você.


— Você encontrou?


Ela abriu uma pequena fresta da porta e espiou para fora, segu­rando o roupão trespassado sobre o peito.


— Não foi difícil. Tropecei em uma das caixas quando fui colocar minhas roupas na máquina de lavar. Quer que eu instale ou não?


— Instalar meu computador? Claro que quero — ela respondeu. Voltou a fechar a porta na cara dele e voltou a enumerar os motivos. Quando chegou ao número 23 - teria de mudar os lençóis, percebeu que estava ficando desesperada e resolveu voltar ao número um. Ele iria deixá-la com o coração partido.


Ela entrou no box e abriu a torneira ao máximo. A água fria fez com que se encolhesse. Ela ajustou a temperatura e deixou que a água tépida a acalmasse.


Quando enxaguou o xampu dos cabelos, já voltava a sentir-se indignada. Mexer com ela, sim senhor! Não, ela não era tão fácil de se deixar manipular, pensou, desembaraçando o cabelo, depois ligou o secador.


Com certeza seria um amante exigente...


— Droga! — ela murmurou.


Devagar e relaxadamente. Será que conseguiria tirar essas palavras de sua mente? Eram como uma música que se repetia em sua mente.


Ela escovou os dentes, aplicou hidratante no rosto e verificou seu reflexo no espelho.


— Admita — murmurou. — Está louca para dormir com ele. Sacudiu a cabeça. Não, não era verdade. Estava louca para fazer amor com ele. E que mal havia nisso? Absolutamente nenhum. Estava apenas fantasiando, e fantasiar sempre foi uma atividade perfeitamente saudável da psique humana.


Realizar a fantasia, sim, era algo completamente diferente. Moti­vo número um... aquela história de ficar com o coração partido...


— Já passei por isso e não gostei — ela murmurou.


Ah, não! Não se envolveria com Harry Potter. Por isso, resol­veu não vestir uma das camisolas curtas que costumava usar para dor­mir. Pegou o pijama comprido de seda azul da última gaveta e fechou todos os botões, inclusive o que ficava rente ao pescoço. A gola chine­sa roçava-lhe o queixo. Ela achou os chinelos que combinavam, mas colocou-os de lado e pegou as velhas pantufas que estavam embaixo da cama. Escovou bem os cabelos, tirando-os do rosto, aplicou um brilho transparente nos lábios, depois revirou o armário, até encontrar um roupão bem comprido. A barra chegava a arrastar no chão. O rou­pão era de abotoar, e ela fechou cada um dos botões. Também tinha um cinto e ela fez um nó duplo.


Depois verificou sua aparência no espelho. Muito bem, resolveu. Parecia uma freira.


Harry estava na biblioteca. Havia tirado o computador das cai­xas e já estava tudo funcionando quando ela desceu. Ele estava lendo alguma coisa na tela. Espiou por cima dos óculos de leitura quando ela entrou ali e seu olhar ficou estático. Em um segundo, percebeu todos os detalhes que envolviam-na: o pijama combinava com os olhos dela; os cabelos, caídos sobre os ombros, brilhavam em tons dourados sob a luz suave; ela era linda, mesmo sem um pingo de maquiagem.


Estava vestida para ir para a cama... se a cama fosse no Pólo Norte. Gina tinha estudado tanto para ser médica, mas não enten­dia como a mente de um homem funciona. Todo aquele monte de roupa... só o fazia fantasiar sobre o que estaria embaixo.


Sua imaginação começou a funcionar e ele visualizou-a tirando cada peça de roupa, antes de deitar-se sobre os lençóis. Pare de pensar nisso, ralhou consigo mesmo. Mantenha a cabeça no lugar e pare de pensar na pela macia que está por baixo daquela seda.


Gina aproximou-se da escrivaninha. Sentindo-se incomodada pelo modo como ele olhava para ela, começou a brincar com o cinto do roupão e perguntou:


— Então, o que acha?


Como ele não respondia, ela insistiu:


— Harry?


Ele tinha um sorriso estranho no rosto, e agora olhava para os pés dela.


— O que foi?


— Está esperando uma tempestade de neve para esta noite?


— Eu estava com frio — ela mentiu, colocando a mão no pescoço. Ele riu.


— Eu estava, sim — ela insistiu. — Fico com frio quando o ar condicionado está ligado. Baixei um pouco para ficar melhor para você.


— Sei, sei,


Ela estava se sentindo uma idiota, pois ele não estava acreditan­do em suas mentiras.


— Belas pantufas de coelhinha.


— Obrigada — ela disse. — Agora, se acabou de rir de mim, responda minha pergunta. O que acha... do meu computador?


— É antigo.


— Quer parar de olhar para as minhas pantufas? Exasperada, ela apoiou-se na beirada da escrivaninha e descal­çou as pantufas. Harry riu ao ver que estava usando meias.


— Qual é a graça, agora? — ela perguntou.


— Só estava imaginando se está usando ceroulas, também.


— Não uso ceroulas, seu bobo — ela disse. — Agora, quer fazer o favor de responder minha pergunta? Meu computador funciona ou não?


— Onde arranjou isso?


— Meu irmão Gui me deu. Era de um amigo dele, e ele trouxe da última vez que esteve por aqui. Eu ainda não tinha tido tempo de montar o computador. Só faz duas semanas que me mudei para cá, e Rony ainda queria passar uma segunda demão de verniz no chão e, se você conhecesse meu irmão, saberia que ele faz as coisas a seu próprio tempo. Eu vinha usando o computador do hospital. Sei que esse é antigo, mas mais para a frente, quando eu puder, comprarei um mais atualizado.


Harry arrumou o monitor em um canto da escrivaninha, colocou o teclado onde achou que ela gostaria que ficasse, depois recostou-se na cadeira de couro macio.


— Então... essa pessoa que anda seguindo você... não seria al­gum namorado de quem você partiu o coração?


— Já falamos sobre isso.


— Pois vamos falar de novo. Ela não discutiu.


— Não, há muito tempo não me envolvo com ninguém. Além do mais, sou médica e não parto corações; eu...


— Já sei, já sei. Você cura.


O laptop dele estava no outro canto da escrivaninha. Era um modelo elegante e caro. Enquanto ela olhava para o aparelho, surgiu um grande "e" na tela, logo seguido por um blip.


— Pelo jeito, chegou mensagem para você — ela comentou. Ele inclinou-se sobre a mesa, pressionou uma tecla e viu quem tinha lhe enviado a mensagem. Ela leu o nome antes que ele apertasse outra tecla e a tela ficasse vazia.


Ela não tinha certeza se ele estava esperando até mais tarde para ler a mensagem porque sabia que não era importante ou porque não queria que ela lesse.


— Quem é Sirius?


— Um amigo.


— Eu li o nome — ela explicou mesmo que ele não houvesse perguntado. — Você falou com ele pelo telefone mais cedo.


— Isso mesmo. Ele ligou. Deveria estar esperando ao lado do computador, porque enviei uma mensagem há pouco, enquanto você estava no banho, e ele já respondeu.


— Se quiser ler a mensagem agora, posso ir para a outra sala.


— Não, tudo bem. Pode ler comigo. Só acho que não entenderá.


— Técnica demais?


— Não — ele respondeu. — É que tem a marca registrada de Sirius. Se você o conhecesse, saberia o que é. Meu amigo tem um humor um tanto ácido.


— Do modo como fala, mais parece um elogio.


— E é — Harry respondeu. — No trabalho que ele faz, acho que ajuda ser um pouco cáustico.


Harry apertou uma tecla e esperou. Gina inclinou-se sobre o ombro dele para poder ler a mensagem. Realmente, não conseguiu entender nada.


— É algum tipo de código?


— Não — ele respondeu asperamente.


Que diabos! Ele desejou que ela se afastasse um pouco. Podia sentir o cheiro suave do xampu que ela havia usado, sentir o calor que emanava de seu corpo macio.


Estava tenso. Tinha vontade de puxá-la para seu colo e beijá-la até ela perder o fôlego. A fantasia continuava, e ele se imaginava fazen­do todas as outras coisas que queria fazer com ela e para ela. Começa­ria pelos dedos dos pés dela e subiria até que o último botão fosse desabotoado e ele pudesse...


— Quem è Edwiges?


— Como?


— Sirius está dizendo que não lhe agradeceu antes por você ter deixado ele usar Edwiges da última vez que esteve em Boston. Vocês são tão amigos que compartilham mulheres, é?


— Edwiges é um barco de pesca. Convidei Sirius para vir pes­car aqui em Bowen. Contei a ele sobre o torneio, e ele pediu que eu o inscrevesse. Está ficando louco em Biloxi. Está aplicando um programa de treinamento e está detestando.


Voltou a virar-se para o monitor, tirou os óculos e os colocou sobre a mesa. Estava tendo dificuldade para se concentrar. Era o me­lhor que podia fazer para controlar-se e não agarrá-la. Que diabos estava acontecendo com ele? Gina seria uma complicação que ele não queria no momento. Não era o tipo de mulher para "ficar e largar" e ele não ficaria ali por muito tempo.


Sabia que estava sendo incoerente. Havia ido a Bowen por causa dela e mesmo assim...


Ela cutucou seu ombro, para chamar sua atenção e perguntou:


— Quem é o Pregador?


— Padre Tom Madden — ele respondeu. — É quase um irmão — acrescentou. — Quando estava começando o segundo grau, veio morar com nossa família. Tem a idade de Neville, e os dois são os melho­res amigos. Freqüentaram a Penn State juntos. Neville vai se casar com a irmã mais nova de Tom.


— Porque Sirius o chama de Pregador?


— Sirius é quem diz que padres são um "prego no sapato", só para provocar Tommy. Mas Tommy sempre perdoa as brincadeiras de Sirius.


— Por quê?


— Porque Sirius quase morreu salvando a vida de Tommy. Ele deixa o Tommy quase louco, mas na verdade os dois tornaram-se gran­des amigos. Os três volta e meia saem para pescar juntos — ele contou.


Ela sorriu, depois perguntou:


— Essa última linha que Sirius escreveu... o que ele quer dizer com "quanto ao outro, não há problema"?


— Significa que não conheço muito bem as coisas por aqui e que ele verificará umas coisinhas para mim.


— Sua resposta é mais misteriosa do que a mensagem dele. Ela afastou-se da mesa e abriu as portas que ligavam a biblioteca à sala de estar. Havia revistas médicas espalhadas sobre o sofá. Ela as recolheu e empilhou a um canto da mesa, depois se sentou com um suspiro. Levantou os cabelos para que seu pescoço recebesse um pouco de ar. Como estava sentindo calor! O roupão pesado a estava sufocando. Ela pegou uma das revistas e ia abanar-se, mas logo com­preendeu que seria revelador demais e recolocou a revista sobre a mesa.


Harry recostou-se em sua cadeira e espiou pela porta aberta.


— Você está bem? Parece um pouco vermelha. Ele não deixava escapar nada!


— Estou cansada. É só.


— Desde que horas está em pé?


— Desde as cinco, mais ou menos.


Ele acabou de digitar em seu computador.


— Vou deixar isto aqui ligado — ele disse.


Depois levantou-se, alongou os braços e girou os ombros. Para ela, ele parecia um grande e elegante felino.


— Por que trouxe seu laptop? Vai verificar seu correio eletrônico enquanto estiver pescando?


— É como meu telefone celular. Jamais saio de casa sem ele. Quer beber alguma coisa?


— Não obrigada, mas pode pegar o que quiser.


Harry foi até a cozinha, pegou um refrigerante diet na geladeira, depois examinou o armário de comida. Encontrou um pacote fechado de biscoitos com baixo teor de gordura e de sódio. Levou o pacote consigo de volta para a sala.


Sentou-se em uma grande poltrona reclinada, tirou os sapatos e colocou os pés sobre o descanso para pés que completava o jogo. Colocou a lata de refrigerante sobre uma caixa de papelão ao lado da poltrona e abriu o pacote de biscoitos.


— Quer um?


— Não, obrigada. Acabei de escovar os dentes. Você não se satis­faz nunca?


— Não com essas coisinhas. Ele começou a comer os biscoitos e comentou — Pedi para alguns amigos fazerem algumas ligações e dois de meus estagiários estão fazendo pesquisa para mim. Não é nada compli­cado e espero que eles me enviem a resposta esta noite para eu ter tudo pronto amanhã.


— Fazendo trabalho do Ministério da Justiça mesmo estando em férias?


— É sobre o engenho de açúcar. Ela empertigou-se no sofá.


— Ah, você acha que vai conseguir ajudar Daryl e a família?


— Vou tentar. O que você sabe sobre os irmãos Dursley?


— Não sei muita coisa — ela admitiu. — É melhor falar com papai. Ele conhece os irmãos há muito tempo. Ele tem condições de responder às suas perguntas. Esta é uma comunidade pequena, e é fácil obter informação. Todos sabem o que acontece com os outros.


— E mesmo assim ninguém sabe nada sobre o ataque à sua clínica — ele observou. — Por mais que eu tente, não consigo acreditar que adolescentes tenham feito aquilo.


— Então, o que acha que foi?


— Que foi coisa de uma homem só. Pode ser que eu esteja enganado, mas não acredito estar. Dá para perceber um padrão.


— Não entendo. O que você quer dizer com "padrão"?


— Existe ordem no caos. Ele entrou pela porta de trás...


— Mas a janela da área de recepção estava quebrada.


— Sim, mas ele quebrou quando estava lá dentro. É fácil verifi­car. Os cacos de vidro do lado de fora comprovam.


— E o que mais?


— Olhe, não é bem o meu ramo de trabalho — ele explicou. — Meu trabalho é processar. Mas se fossem garotos procurando drogas, como seu pai e Remus Lupin acreditam, então como as salas de exame mal foram tocadas?


— O vidro e as trancas dos armários de remédios foram quebrados.


— Pois é, mas as agulhas e blocos de receita continuam lá. E os arquivos, Gina? Por que alguém perderia tempo com as pastas dos pacientes?


— Talvez só estivessem jogando coisas de um lado para outro.


— A mim não parece um caso de simples vandalismo. A molecada que entra para vandalizar... normalmente traz seu próprio equipamen­to de diversão.


— Como o que, por exemplo?


— Tinta spray — ele disse. — O sujeito que fez aquilo usou a sua tinta para fazer a sujeira. E acho que não estava preparado para arre­bentar tudo. O lixo espalhado nos fundos tinha todo o jeito de que alguém o havia examinado. Não havia nem uma marca na porta de trás, o que me faz acreditar que ele tinha as ferramentas apropriadas e sabia usá-las muito bem.


— Acha que foi um profissional? Ele não respondeu.


— Sirius vai dar uma passada lá amanhã. Se você não se impor­tar, é claro. Gostaria que deixasse a clínica exatamente como está até ele examinar bem o local.


— Só amanhã?


— Sim.


— Está bem — ela concordou.


Suas amigas só poderiam vir ajudar dali a dois dias. Ela poderia esperar mais um pouco.


— O que Sirius faz?


Harry não deu uma resposta específica, limitando-se a dizer:


— Ele é do FBI.


— FBI? — ela não conseguiu esconder o quanto ficou alarmada. — Então deve estar achando...


Ele a interrompeu.


— Não tire conclusões apressadas. Sirius é um amigo da família e achei que seria bom ele dar uma boa olhada na clínica. Quero saber a opinião dele. Além do mais, ele está em Biloxi, que é aqui perto, e adora pescar. Um dia ou dois em Bowen seria um ótimo passeio para ele.


— Agradeceria muito a ajuda dele... e a sua também, mas será que não estamos fazendo tempestade em copo d'água? Pode ter sido um fato isolado.


— Nem você está acreditando nisso, não é? Ela baixou a cabeça e esfregou as têmporas.


— Não, acho que não, mesmo. E acho que Remus também não acredita que tenham sido garotos — ela admitiu. — Ele andou pela clínica comigo, e nós dois constatamos que não havia pegadas do lado de fora das janelas. A grama ainda estava molhada. Choveu forte na noite anterior. Deveria haver pegadas.


— Então, por que discutiu comigo sobre a forma de arrombamento?


Ela deu de ombros.


— Acho que não queria complicar as coisas, queria poder enten­der. Sabe qual foi a primeira coisa que pensei quando vi a clínica?


— Não. O que foi?


— Que alguém realmente me odeia. Isso me apavorou — ela disse. — Venho revirando a memória, tentando encontrar um nome possível, mas honestamente não voltei há tempo suficiente para fazer algum inimigo. Com mais alguns meses, a lista já pode ficar bem com­prida.


— Duvido — ele discordou. — O sujeito perdeu o controle em sua clínica. Sirius pode nos dar uma idéia do que foi.


Ele colocou outro biscoito na boca. Sem queijo cremoso ou pasta de amendoim, para ele os biscoitos tinham gosto de serragem, mas continuou comendo, mesmo assim.


— Pessoas como Sirius pegam os criminosos e você faz com que fiquem presos.


— Mais ou menos isso.


— Pelo menos, não precisa se preocupar com gente querendo dar tiros em você.


— Isso mesmo.


A resposta afirmativa era uma mentira, sem dúvida. Na verdade, já haviam atirado nele, chutado, mordido, socado e até cuspido quan­do ele estava fazendo seu trabalho. Até haviam falsificado dois contra­tos para incriminá-lo. Quando começou a ir atrás dos negócios da famí­lia de Riddle, recebia ameaças de morte diariamente.


— Tenho uma teoria — ela disse.


— Vamos ouvir, então.


Ele olhou no fundo do pacote para ver se encontrava mais algum pedacinho para comer.


— Talvez um dos pacientes do Dr. Binns estivesse atrás de sua pasta.


— E por que motivo iria atrás de uma coisa dessas?


— Não sei. Se tivesse alguma doença contagiosa, ou um diagnós­tico que não desejasse que a companhia de seguros ou a família sou­besse, então poderia querer eliminar os arquivos. Sei que é um tanto absurda, mas é a única coisa que parece fazer sentido para mim. O único motivo para ter o arquivo todo mexido como foi.


— O Dr. Binns deu-lhe a lista de seus pacientes?


— Deu, sim. Havia uma lista em um envelope pardo colado com fita adesiva em uma das caixas. Ele não tinha muitos pacientes, se considerarmos o tempo que passou por aqui. Pelo que ouvi, o Dr. Binns precisava de umas aulas de trato com o público. Costumava ofender seus pacientes.


— É por isso que não tinha muitos pacientes.


— Com certeza.


— Depois que Sirius examinar sua clínica e nos disser o que acha, vai ser preciso comparar os arquivos com a lista de nomes, para ver se falta alguma pasta.


— Isso se a lista não tiver sido destruída. Harry concordou com a cabeça e sugeriu:


— Também acho que seria uma boa idéia você ligar para Binns e verificar se ele tinha algum paciente problemático. Você sabe como perguntar.


— É verdade. Também pode ser que ele tenha uma cópia da lista de pacientes, se precisarmos.


Ele percebeu que ela estava massageando a nuca.


— Está com dor de cabeça?


— Mais ou menos.


— Bom, talvez eu possa "consertar".


Ele levantou e foi sentar-se ao lado dela no sofá. Depois colocou uma almofada no chão, entre seus pés descalços e disse para ela se sentar ali, para ele "tirar os nós".


A oferta era irresistível. Ela acomodou-se entre as pernas dele e esticou as pernas. Ele pôs as mãos sobre os ombros dela, mas não começou a massagem.


— Tire o roupão.


Ela desamarrou o cinto, desabotoou e despiu o roupão.


— Agora tire a parte de cima do pijama.


— Boa tentativa. Não, obrigada. Ele sorriu.


— Está bem, então desabotoe apenas os botões de cima.


Ela teve de abrir três botões para as mãos dele poderem massagear seus ombros. Já era tarde quando ela percebeu o que estava permitin­do. As mãos grandes e quentes de Harry estavam tocando diretamente sua pele e, ai, ai, ai, como era gostoso.


— Sua pele é macia.


Ela fechou os olhos. Deveria fazer ele parar, pensou. Que loucu­ra era aquela? Harry era o motivo de ela estar tão tensa, e agora ele estava deixando a situação deliciosamente pior. Sim, definitivamente tinha de fazê-lo parar. Dobrou a cabeça para baixo, no entanto, para ele poder massagear a base da nuca.


— Sabe o que pensei da primeira vez que a vi?


— Que eu era irresistível? — ela provocou. — Tão irresistível que não pôde deixar de vomitar em mim?


— Nunca vai me deixar esquecer esse vexame, não é?


— Talvez não.


— Eu estava ficando louco com a dor naquela hora — ele lem­brou. — E não era disso que eu estava falando, de qualquer maneira. Depois da cirurgia, quando você entrou em meu quarto, e começou a falar de Bowen, de sua clínica e do povo que mora aqui... sabe o que eu estava pensando?


— Que não via a hora de eu parar de falar para você poder dormir um pouco?


Ele puxou-lhe o cabelo de leve.


— Estou falando sério. Vou lhe contar o verdadeiro motivo de eu ter vindo a Bowen.


O tom da voz dele indicava que não estava brincando.


— Desculpe. O que estava pensando?


— Que queria o que você tinha.


— O quê?


— Vi em você algo que eu tinha quando comecei a trabalhar, mas que, de alguma maneira, fui perdendo ao longo do caminho. Isso nunca me incomodou até conhecer você. Você me fez querer encon­trar isso outra vez... se for possível.


— E o que foi que viu?


— Paixão.


— Não compreendo. Paixão pelo meu trabalho?


— Paixão, a vontade de fazer com que seu trabalho faça uma diferença.


Ela pensou um instante.


— Não pretendo mudar o mundo, Harry. Só quero fazer dife­rença em uma pequena área — ela se pôs de joelhos e voltou-se para ele. — Você não acha que seu trabalho marca? — ela perguntou, espantada.


— Sim, com certeza — ele respondeu friamente. — Simplesmente perdi o entusiasmo pelo trabalho, acho. Não sei bem o que há de errado comigo. Os homens que mando para a prisão... reproduzem-se como ratos. Quando prendo um, aparecem mais três no lugar. É frus­trante.


— Acho que você está simplesmente sofrendo de exaustão. Tem trabalhado demais desde que sua esposa morreu. Não se permite tem­po para relaxar.


— Como sabe disso?


— Você me disse que adora fazer coisas com as mãos, também disse que não tem tido tempo para praticar marcenaria há quatro anos. Em outras palavras, desde que sua esposa morreu.


Ela podia sentir que ele queria interrompê-la, por isso acrescentou depressa:


— E pescar, também. Contou-me que adorava pescar, mas pelo modo como falou, parecia estar falando de uma vida passada. Já se puniu demais, Harry. Está na hora de aproveitar a vida.


Sua primeira reação foi a vontade de dizer a ela que não tinha ido a Bowen para ser analisado, e que ela deveria deixá-lo em paz. Ela tinha posto o dedo bem fundo na ferida... mas só havia dito o que ele já sabia. Nos últimos quatro anos, ele tinha trabalhado o máximo que podia para que não sobrasse tempo para pensar que não conseguira salvar a esposa. A culpa corroia sua alma há muito tempo. Havia con­sumido sua energia, seu entusiasmo, sua paixão.


— Precisa ir mais devagar e deixar que a vida passe por você durante umas duas semanas, pelo menos.


— Ordens médicas?


— Sim, senhor — ela disse. — Vai se sentir rejuvenescido. Garanto. Ela estava preocupada com ele. Podia ver isso em seus olhos.


Como era doce! E como lidaria com isso? Estava começando a gostar dela muito mais do que havia previsto.


— E se decidir voltar a Boston, pelo menos irá com uma atitude diferente.


— Se eu voltar?


— Eu quis dizer quando voltar — ela se corrigiu.


Ele não tinha a mínima vontade de pensar em Boston, sobre trabalho, sobre seu futuro ou sobre qualquer coisa ligada a tudo aqui­lo, e isso não fazia parte de sua natureza. Era um planejador, sempre havia sido, desde que se entendia por gente, mas agora não desejava planejar nada. Queria fazer exatamente o que Gina havia sugerido. Ir mais devagar e deixar a vida passar.


— Gozado — ele comentou.


— O quê?


— Você... eu. É como se o destino houvesse nos aproximado. Ela sorriu.


— Você é a contradição em pessoa, Harry. Um advogado com um lado romântico. Quem poderia imaginar que isso é possível?


Harry decidiu aliviar a atmosfera. Era tão fácil e divertido provocar Gina, e suas reações o deliciavam. Ele gostava de deixá-la sem jeito. A doce doutora ficava vermelha com a maior facilidade.


— Sabe o que mais pensei quando a conheci? — ele perguntou, com um sorriso brincalhão.


— Não. O que foi? — ela perguntou, desconfiada.


— Que você era sexy. Muito sexy.


— Ah! — a interjeição soou como um suspiro.


— Ah, o quê? Ai, ai, ai.


— Aquela roupa verde e bem larga da ala cirúrgica, não é? Real­mente é uma roupa mais do que provocante.


— Aquela máscara engraçadinha cobria o que há de melhor em você.


— Minhas sardas?


— Sua boca.


Ai, ai, ai. Harry sabia como cortejar. Ele a tentava e a deixava querendo sempre mais.


Ela sorriu com doçura.


— Você ainda não viu o que tenho de melhor — ela disse.


Ele levantou uma sobrancelha, com aquele delicioso jeito de Cary Grant que ela adorava.


— Ah, é? — ele provocou. — Agora me deixou curioso. Não vai me contar o que tem de melhor?


— Não.


— Quer que eu passe o resto da noite imaginando?


Ela esperava que sim. Queria fazê-lo sofrer, também, como ele a fazia, cada vez que olhava daquele jeito para ela. Sabia que não conseguiria dormir bem naquela noite. Por que deveria ser só ela a perder o sono? Ah, ele lhe pagaria. De repente, estava se sentindo muito contente con­sigo mesma. Harry poderia ser o mestre da abordagem sexual, mas ela finalmente estava se sentindo sob controle. Não era tão novata, afinal.


Meta-se comigo e agüente as conseqüências.


— Quer um pouco de diversão? — ele perguntou.


— Não — ela respondeu, rindo.


— Se tem certeza...


— Absoluta.


— Então, talvez seja melhor abotoar seu pijama.


Ela olhou para baixo e deixou escapar um grunhido. A blusa do pijama estava completamente desabotoada. Porcaria de botões cobertos de seda! Nunca se mantinham abotoados. Os seios estavam cobertos... mal e mal. Mortificada, ela apressou-se em abotoá-los.


Seu rosto estava rosa-choque quando olhou para ele.


— Por que não disse nada?


— Está brincando? Por que eu diria alguma coisa? Estava gostan­do. E não olhe para mim desse jeito. Não fui eu quem desabotoou isso aí. Sou um mero observador passivo.


Ela sentou-se sobre os calcanhares e vestiu o roupão.


— Vou me deitar. Obrigada pela massagem. Fez bom efeito. Ele inclinou-se para a frente, envolveu o rosto dela nas mãos e a beijou. A boca de Gina era tão macia, quente e doce. Tinha gosto de menta. Ele não se apressou, esperando uma resposta, sem forçá-la.


Não havia tido tempo para preparar-se. Ela não percebeu que ele ia beijá-la, até que os lábios dele tocaram os seus. Não resistiu. Deveria ter resistido, mas não resistiu. Seus lábios entreabriram-se, ele intensifi­cou o beijo e ela sentiu-se esmorecer.


Ela estava pronta para render-se a ele e ambos sabiam disso. Mas, de repente, ele afastou-se.


— Bons sonhos.


— O quê?


— Boa noite.


— Ah, sim. Vou me deitar.


Havia uma expressão brejeira nos olhos dele. Ele sabia o que acabara de fazer com ela. Gina só faltou derreter diante dele. O que aconteceria se fizessem amor? Ela poderia acabar sofrendo falência mental total.


Como ele conseguia excitá-la e afastá-la tão depressa e com tanta eficiência? Experiência e disciplina, ela decidiu, enquanto punha-se de pé e saía da sala. Anos e anos de experiência e disciplina. Ela, por sua vez, parecia ter a disciplina de um coelho. Bastou um beijo para ela estar pronta para ter os bebês dele.


Ora, era degradante! E ele tinha de beijar tão bem? Ela tirou o cabelo do rosto com um gesto brusco. O Moço da Cidade Grande iria comê-la viva se ela não segurasse as rédeas de suas emoções. Não era uma virgem inocente. Já havia tido uma relação antes e, na época, acreditava que se casaria com ele. Mas nem de longe o outro beijava bem como Harry, e também não fazia ela sentir-se tão viva e desejável.


O grande canalha. Gina tropeçou na barra do roupão en­quanto subia a escada. Assim que chegou a seu quarto, jogou o roupão sobre uma cadeira. Depois, enfiou-se na cama. Ficou ali por cinco segundos, levantou-se e voltou a descer.


Harry mais uma vez estava diante do computador, digitando.


— Escute aqui, seu... — ela disse, quase gritando.


— Sim? — ele respondeu, com as mãos ainda no teclado.


— Só quero que fique sabendo...


— O quê?


— Que sou uma cirurgia muito boa. Enquanto você estava ad­quirindo toda sua experiência... se roçando por aí, e estou usando esta palavra de propósito...


— Sim? — ele perguntou, com um sorriso maroto nos cantos dos lábios.


Ela bateu no peito e voltou a falar...


— Eu estava muito ocupada aprendendo a usar um bisturi. É bom que saiba...


— Que eu saiba o quê? — ele perguntou, porque ela interrom­peu-se abruptamente.


Ela sentia a cabeça vazia. Vários segundos se passaram em um pesado silêncio. Ela deixou os ombros caírem e disse:


— Não sei.


Sem mais uma palavra, ela saiu dali.


Como poderia ser mais idiota ainda? Duvido que consiga, pen­sou, voltando a deitar-se. Sentiu-se como Davi indo enfrentar Golias; e só então percebendo que havia esquecido a funda. Deixando escapar um protesto entre dentes, virou-se na cama, cobriu o rosto com um travesseiro e fechou os olhos.


Ele a estava deixando louca.

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Comentários: 3

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por AnaLú em 09/11/2013

Gente cadê capítulo novo ? kk 

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Luhna em 20/09/2013

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ADOREI! Mas eles podiam parar logo com esse joguinho de gato e rato, né?
E esse preconceito da Gina com advogados? Advogados podem ser romênticos, sim, tá? Desde que estejam fora do tribunal.

Nota: 5

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Enviado por Edwiges Potter em 15/09/2013

Capitulo muuuito bom!!! Eu adorei !!!! A Gina ta ficando louca mesmo!! E o Harry adorando!!!!! 

Nota: 5

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