Capitulo dezessete
Uma vez eu li um artigo chamado “Faça as coisas acontecerem”, onde estava escrito que, se um dia não acontecer como a gente queria, a gente deve voltar, avaliar as diferenças entre os Objetivos e os Resultados, e que isso ajudaria a aprender com os erros.
Certo. Vamos avaliar exatamente como esse dia foi diferente do plano original que eu fiz de manhã.
Objetivo: parecer uma mulher sensual e sofisticada com um vestido lindo e que cai bem.
Resultado: parecer Heidi ou uma figurante de O Mágico de Oz com hediondas mangas bufantes de náilon.
Objetivo: marcar um encontro secreto com Draco.
Resultado: marcar um encontro secreto com Draco e não comparecer.
Objetivo: fazer um sexo fantástico com Draco num local romântico.
Resultado: comer coxas de galinha assada com amendoim num tapete de piquenique.
Objetivo Geral: euforia.
Resultado Geral: sofrimento.
Só posso ficar olhando idiotamente para o meu prato, dizendo a mim mesma que isso não pode durar para sempre. Papai e Nev fizeram um milhão de piadas sobre “Não Fale de Harry”. Kerry me mostrou seu novo relógio suíço que custou quatro mil libras e alardeou como sua empresa está se expandindo de novo. E agora está contando que jogou golfe com o executivo-chefe da British Airways na semana passada e que ele tentou levá-la para a companhia aérea.
- Todos eles tentam. – Informa ela, comendo um pedaço enorme de coxa de galinha. – Mas eu sempre digo: se eu precisasse de emprego... – Ela deixa no ar. – Você deseja alguma coisa?
- Olá. – Diz uma voz grossa e familiar acima de minha cabeça.
Levanto a cabeça muito lentamente, piscando por causa da luz.
É Draco. Parado ali de encontro ao céu azul, com sua roupa de caubói. Ele me dá um sorriso minúsculo, quase imperceptível, e sinto o coração se animando. Ele veio me pegar. Eu deveria saber que ele faria isso.
- Oi! – Digo meio atordoada. – Pessoal, este é...
- Meu nome é Draco – Interrompe ele em tom agradável. – Sou amigo de Hermione. Hermione... – Ele me olha, com o rosto deliberadamente inexpressivo. – Acho que precisam de você.
- Caramba! – Exclamo com um espasmo de alívio. – Ah, bem, não faz mal, essas coisas acontecem.
- Que pena! – Diz mamãe. – Não pode ficar ao menos para uma bebidinha rápida? Draco, você é bem-vindo para se juntar a nós, coma uma coxa de galinha ou um pouco de quiche.
- Nós temos de ir – Digo depressa. – Não é, Draco?
- Acho que sim. – Confirma ele, e estende a mão para me puxar.
- Desculpa, pessoal. – Exclamo.
- A gente não se incomoda! – Responde Kerry com o mesmo riso sarcástico. – Tenho certeza de que você tem algum serviço vital a fazer, Hermione. Na verdade, imagino que todo o evento iria desmoronar sem você!
Draco pára. Muito lentamente ele se vira.
- Deixe-me adivinhar. – Seu tom é agradável. – Você deve ser Kerry.
- É! – Ela se surpreende. – Isso mesmo.
- E mamãe... Papai... – Ele examina os rostos. – E você... Nev?
- Na mosca! – Diz Nev com um riso fungado.
- Muito bem! – Mamãe está rindo. – Hermione deve ter falado um pouco de nós.
- Ah... Falou – Concorda Draco, olhando o grupo do piquenique de novo, com uma espécie de fascínio estranho no rosto. – Sabe, talvez haja tempo para aquela bebida, afinal.
O quê? O que ele disse?
- Bom – Assente mamãe. – É sempre bom conhecer os amigos de Hermione.
Olho numa incredulidade total enquanto Draco se acomoda confortavelmente no tapete. Ele devia estar me resgatando disso tudo. E não se juntando. Lentamente me deixo afundar ao lado dele.
- Então, você trabalha nessa empresa, Draco? – Puxa conversa papai, servindo-lhe um copo de vinho.
- Ah, sim. – Responde Draco depois de uma pausa. – Pode-se dizer que... Eu trabalhava.
- Está entre um emprego e outro? – Sugere mamãe, cheia de tato.
- Acho que se pode dizer assim. – Seu rosto se franze num pequeno sorriso.
- Minha nossa! – Exclama mamãe cheia de simpatia. – Que pena. Mesmo assim, tenho certeza de que alguma coisa vai aparecer.
Meu Deus. Ela não faz absolutamente nenhuma idéia de quem ele é. Ninguém da minha família faz idéia de quem Draco é.
Realmente não sei se gosto disso.
- Eu vi Miguel Corner um dia desses no correio, Hermione. – Acrescenta mamãe, cortando rapidamente alguns tomates. – Ele perguntou por você.
- Caramba! – Digo, com as bochechas esquentando. – Miguel Corner! Não penso nele há séculos.
- Miguel e Hermione foram namorados. – Explica mamãe a Draco, com um sorriso carinhoso. – Um rapaz tão bom! Muito estudioso. Ele e Hermione estudavam juntos no quarto dela, a tarde toda.
Não posso olhar para Draco. Não posso.
- Sabe... Ben-Hur é um filme ótimo. – Comenta Draco subitamente, num tom pensativo. – Um filme muito bom. – Ele sorri para mamãe. – Não acha?
Vou matá-lo.
- Hrm... é! – Concorda mamãe, meio confusa. – É, eu sempre gostei de Ben-Hur. – Ela corta um grande naco de quiche para Draco e entrega a ele num prato de papel. – Você está conseguindo se virar financeiramente?
- Estou bem. – Responde Draco, sério.
Mamãe o encara por um momento. Depois enfia a mão no cesto de piquenique e pega outro quiche Sainsbury’s, ainda na caixa.
- Pegue isso. – Propõe ela, enfiando na mão dele. – E uns tomates. Vão alimentar você.
- Ah, não. – Rebate Draco imediatamente. – Verdade, eu não poderia...
- Não aceito não como resposta. Insisto!
- Bom, é de fato uma gentileza. – Draco lhe dá um sorriso caloroso.
- Quer um conselho profissional, Draco, de graça? – Propõe Kerry, mastigando um pedaço de galinha.
Meu coração dá uma cambalhota nervosa. Por favor, por favor, não tente ensinar o passo da mulher bem-sucedida ao Draco.
- Olha, é bom você prestar atenção à Kerry. – Intervém papai com orgulho. – Ela é a nossa estrela! Ela tem sua própria empresa.
- É mesmo? – Pergunta Draco educadamente.
- Uma agência de viagens. – Revela Kerry com um sorriso complacente. – Comecei do zero. Agora temos quarenta empregados e um faturamento de mais de dois milhões. E sabe qual é meu segredo?
- Eu... Não faço idéia.
Kerry se inclina para a frente e o fixa com seus olhos azuis.
- Golfe.
- Golfe! – Ecoa Draco.
- Os negócios têm tudo a ver com a rede de relações. – Começa Kerry. – Têm tudo a ver com contatos. Estou dizendo, Draco, eu conheci a maioria dos maiores empresários do país no campo de golfe. Pegue qualquer companhia. Pegue esta companhia. – Ela abre os braços abarcando o cenário. – Eu conheço o chefão daqui. Poderia ligar para ele amanhã, se eu quisesse.
Encaro-a, imobilizada de horror.
- Verdade? – Draco parece fascinado. – É mesmo?
- Ah, sim. – Ela se inclina para a frente, de um jeito confidencial. – E estou falando do grande chefão.
- O grande chefão. – Ecoa Draco. – Estou impressionado.
- Talvez Kerry pudesse dar uma palavrinha a seu favor, Draco! – exclama mamãe numa inspiração súbita. – Você faria isso, não faria, Kerry querida?
Eu explodiria numa gargalhada histérica. Se não fosse uma coisa tão absolutamente medonha.
- Acho que terei de aprender a jogar golfe logo, logo. – Comenta Draco. – Conhecer as pessoas certas. – Ele ergue as sobrancelhas para mim. – O que acha, Hermione?
Mal posso falar. Estou além da vergonha. Quero desaparecer no tapete de piquenique e nunca mais ser vista.
- Sr. Malfoy? – Uma voz nos interrompe e eu respiro aliviada. Todos erguemos os olhos e vemos Sirius se curvando sem jeito para Draco.
- Sinto muitíssimo interromper, senhor. – Desculpa-se ele, olhando perplexo para minha família como se tentasse discernir algum motivo para Draco Malfoy estar fazendo piquenique conosco. – Mas Malcom St. John está aqui e gostaria de trocar uma palavrinha.
- Claro. – Responde Draco, e dá um sorriso educado para mamãe. – Se me derem licença um momento...
Enquanto ele equilibra cuidadosamente o copo no prato e se levanta, toda a família troca olhares confusos.
- Então vai dar uma segunda chance a ele! – Grita papai para Sirius, em tom brincalhão.
- Perdão? – Sirius franze a testa dando dois passos na nossa direção.
- Esse cara aí, o Draco. – Aponta papai para Draco, que está falando com um sujeito de blazer azul-marinho. – Vocês estão pensando em contratá-lo de novo, é?
Sirius olha rigidamente de papai para mim, e de novo para ele.
- Tudo bem, Sirius! – digo em tom despreocupado. – Papai, cala a boca, certo? – Murmuro. – Ele é o dono da companhia.
- O quê? – Todo mundo me encara.
- Ele é o dono da companhia. – Repito com o rosto quente. – Então só... Não façam piadas sobre ele.
- O sujeito de roupa de curinga é o dono da companhia? – Confunde-se mamãe, olhando surpresa para Sirius.
- Não! O Draco! Ou pelo menos de um bom pedaço dela. – Todos continuam totalmente inexpressivos. – Draco é um dos fundadores da Corporação Panther! – Sibilo frustrada. – Ele só estava tentando ser modesto.
- Está dizendo que aquele cara é Draco Malfoy? – Nev está incrédulo.
- Estou!
Há um silêncio aparvalhado. Enquanto olho em volta, vejo que um pedaço de coxa de galinha caiu da boca de Kerry.
- Draco Malfoy, o multimilionário. – Balbucia papai, para ter certeza.
- Multimilionário? – Mamãe está totalmente confusa. – Então... Ele ainda vai querer o quiche?
- Claro que ele não quer o quiche! – Irrita-se papai. – Para que ele iria querer um quiche? Ele pode comprar um milhão de quiches, porcaria!
O olhar de mamãe começa a saltar pelo tapete de piquenique, numa ligeira agitação.
- Depressa! – Ordena ela, rapidamente. – Ponham as batatas numa tigela. Tem uma tigela no cesto...
- Elas estão bem onde estão... – começo desamparada.
- Milionários não comem batata no saco! – Sibila ela. Em seguida coloca as batatas numa tigela de plástico e rapidamente começa a ajeitar o tapete. – Brian! Tem migalhas na sua barba!
- Então, como, diabos, você conhece Draco Malfoy? – Quer saber Nev.
- Eu... Só conheço. – Fico ligeiramente vermelha. – Nós trabalhamos juntos e coisa e tal, e ele meio que virou... Meu amigo. Mas escutem, não ajam de modo diferente. – Peço depressa, enquanto Draco aperta a mão do sujeito de blazer e começa a voltar para o tapete de piquenique. – Ajam como antes...
Ah meu Deus. Por que estou ao menos me preocupando? Enquanto Draco se aproxima, toda a minha família está totalmente empertigada, olhando-o num silêncio abestalhado.
- Oi! – digo do modo mais natural possível, e rapidamente encaro-os furiosa.
- Então... Draco! – Exclama papai, sem graça. – Beba mais um pouco. Este vinho está bom para você? Porque a gente pode dar um pulinho na loja de bebidas, comprar alguma coisa de safra adequada.
- Está ótimo, obrigado. – Responde Draco, parecendo meio espantado.
- Draco, o que mais posso arranjar para você comer? – agita-se mamãe. – Tenho uns rolinhos de salmão em algum lugar. Hermione, dê o seu prato ao Draco! Ele não pode comer em prato de papel.
- Então... Draco… – Chama Nev numa voz de “meu chapa” – Que carro um cara como você dirige? Não, não diga. – Ele levanta a mão. – Um Porsche. Estou certo?
Draco me encara com uma expressão interrogativa, e eu o encaro de volta em súplica, tentando transmitir que eu não tive opção, que realmente sinto muito, que basicamente quero morrer...
- Vejo que o meu disfarce foi descoberto – Observa ele com um riso.
- Jack! – Exclama Kerry, que recuperou a compostura. Ela lhe dá um sorriso agradável e estende a mão. – É um prazer conhecê-lo pessoalmente.
- Sem dúvida! – Responde Draco. – Se bem que... Nós já não nos conhecemos há pouco?
- Como profissionais. – Corrige Kerry em voz melíflua. – De uma empresária para outro. Aqui está o meu cartão, e se algum dia precisar de ajuda com arranjos de viagem, por favor me ligue. Ou, se quiser um encontro social... Talvez nós quatro pudéssemos sair juntos uma hora dessas! Jogar uma partida? Não é, Hermione?
Encaro-a com o rosto vazio. Desde quando Kerry e eu saímos juntas?
- Hermione e eu somos praticamente irmãs, claro. – Acrescenta ela em voz doce, passando o braço em volta de mim. – Tenho certeza de que ela contou.
- Ah, ela me contou algumas coisas. – A expressão de Draco é indecifrável. Em seguida morde um pedaço de galinha assada e começa a mastigar.
- Nós crescemos juntas, compartilhávamos tudo. – Kerry me dá um aperto e eu tento sorrir, mas seu perfume está quase me sufocando.
- Isso não é uma beleza? – Exclama mamãe cheia de prazer. – Eu queria ter uma máquina fotográfica.
Draco não responde. Só está dando um olhar longo, avaliador, em Kerry.
- Nós não poderíamos ser mais íntimas! – O sorriso de Kerry fica ainda mais envolvente. Ela está me apertando com tanta força que as garras se cravam na minha carne. – Não poderíamos, não é, Herms?
- Er... Não. – respondo finalmente. – Não poderíamos.
Draco está mastigando um pedaço de galinha. Ele engole, depois levanta os olhos.
- Então acho que deve ter sido uma decisão bem difícil quando você teve de deixar Hermione na mão. – Comenta ele em tom casual a Kerry. – Já que vocês duas são tão íntimas, e coisa e tal.
- Deixar na mão? – Kerry dá um riso tilintante. – Não sei do que você...
- Naquela vez em que ela pediu um estágio na sua empresa e você recusou. – Continua Draco, na mesma voz agradável, e morde outro pedaço de galinha.
Não consigo me mexer.
Isso era segredo. Isso deveria ser segredo.
- O quê? – Exclama papai, meio rindo. – Hermione pediu estágio a Kerry?
- Eu... não sei do que você está falando! – Kerry está meio cor-de-rosa.
- Eu acho que entendi direito. – Insiste Draco, ainda mastigando. – Ela se ofereceu para trabalhar sem ganhar dinheiro... E mesmo assim você recusou. – Ele parece perplexo um momento. – Decisão interessante.
Muito lentamente a expressão de papai e mamãe está mudando.
- Mas, claro, foi sorte nossa, aqui da Corporação Panther. – Acrescenta Draco animado. – Nós ficamos muito felizes porque Hermione não fez carreira no ramo de viagens. Por isso acho que tenho que lhe agradecer, Kerry! De empresário para empresária. – Ele sorri. – Você nos fez um grande favor.
Kerry está completamente roxa.
- Kerry, isso é verdade? – pergunta mamãe, incisiva. – Você não ajudou Hermione quando ela pediu?
- Você nunca contou isso à gente, Hermione. – Papai está completamente pasmo.
- Eu fiquei sem graça. – Tento explicar com a voz pulando um pouco.
- Foi um tanto insolente da parte de Hermione pedir. – Argumenta Nev, pegando um pedaço gigantesco de torta de carne de porco. – Usando conexões familiares. Foi o que você disse, não foi, Kerry?
- Insolente? – Ecoa mamãe incrédula. – Kerry, se você se lembra, nós emprestamos o dinheiro para você abrir a empresa. Você não teria uma empresa sem esta família.
- Não foi assim. – Defende-se Kerry, lançando um olhar irritado para Nev. – Houve... Uma linha cruzada. Uma confusão! – Ela ajeita o cabelo e me dá outro sorriso. – Claro que eu adoraria ajudar você em sua carreira, Herms. Você deveria ter dito antes! Ligue para o escritório, eu faço tudo o que puder...
Encaro-a de volta, cheia de ódio. Não acredito que ela está tentando se livrar disso. É a vaca mais falsa do mundo inteiro.
- Não houve linha cruzada, Kerry. – Rebato o mais calmamente que posso. – Nós duas sabemos exatamente o que aconteceu. Eu pedi ajuda e você não quis dar. Ótimo, a empresa é sua, foi sua decisão, e você tinha todo o direito de tomá-la. Mas não tente dizer que não aconteceu, porque aconteceu.
- Hermione! – Indigna-se Kerry, com um risinho, e tenta pegar minha mão. – Garota boba! Eu não fazia idéia! Se eu soubesse que era importante...
Se ela soubesse que era importante? Como não saberia que era importante?
Puxo a mão e encaro Kerry de volta. Posso sentir toda a dor e humilhação antigas crescendo por dentro, subindo como água quente num tubo, até que de repente a pressão é insuportável.
- Sabia sim! – Ouço-me gritando. – Você sabia exatamente o que estava fazendo! Você sabia como eu estava desesperada! Desde que chegou a esta família você tentou me esmagar. Você zomba de mim por causa da minha carreira de merda. Você fica contando vantagem. Eu passo a vida inteira me sentindo pequena e estúpida. Bem, ótimo. Você venceu, Kerry! Você é a estrela e eu não sou. Você é o sucesso e eu sou o fracasso. Mas não finja que é minha melhor amiga, certo? Porque não é e nunca vai ser!
Termino e olho em volta do tapete de piquenique para os rostos aparvalhados, respirando ofegante. Tenho a sensação horrível de que a qualquer momento vou irromper em lágrimas.
Encontro o olhar de Draco e ele me dá um minúsculo sorriso de aprovação. Então arrisco um breve olhar para mamãe e papai. Os dois estão paralisados, como se não soubessem o que fazer.
O negócio é que nossa família nunca tem explosões emocionais.
Na verdade eu também não sei direito o que fazer em seguida.
- Então, hmm... eu vou indo. – Falo, com a voz trêmula. – Venha, Draco, nós temos trabalho a fazer.
Com as pernas bambas giro nos calcanhares e me afasto, cambaleando um pouco na grama. A adrenalina está bombeando no meu corpo. Estou tão abalada que nem sei o que faço.
- Foi sensacional, Hermione. – Diz a voz de Draco no meu ouvido. – Você foi ótima! Uma avaliação absolutamente... Logística. – Acrescenta mais alto enquanto passamos por Sirius.
- Eu nunca falei assim na vida. – Comento. – Nunca... Administração operacional – acrescento depressa enquanto passamos por um pessoal da contabilidade.
- Foi o que eu imaginei. – Confirma ele, balançando a cabeça. – Meu Deus, aquela sua prima... Apreciação válida do mercado.
- Ela é uma completa... Planilha. – Digo rapidamente quando passamos por harry. – Então... Vou digitar aquilo para o senhor, Sr. Malfoy.
De algum modo chegamos à casa e subimos a escada. Draco me guia por um corredor, pega uma chave e abre uma porta. E estamos num quarto. Um quarto grande, luminoso, creme. Com cama de casal. A porta se fecha, e de repente todo o meu nervosismo retorna num jato. É isso. Finalmente é isso. Draco e eu. Sozinhos num quarto. Com uma cama.
Então me vejo no espelho dourado e ofego perplexa. Tinha esquecido que estava com a estúpida fantasia de Branca de Neve. Meu rosto está vermelho e manchado, os olhos inchados, o cabelo indo para tudo que é canto, e a alça do sutiã aparecendo.
- Não era nem um pouco assim que eu queria estar.
- Hermione, desculpe realmente eu ter me metido lá. – Draco está me olhando tristonho. – Eu saí dos trilhos. Não tinha o direito de me intrometer daquele jeito. Foi só que... aquela sua prima me deixou irritado.
- Não! – interrompo, virando-me para encará-lo. – Foi bom! Eu nunca disse a Kerry o que achava dela. Nunca! Foi... Foi... – Paro, respirando ofegante.
Por um momento há silêncio. Draco está olhando meu rosto vermelho. Estou olhando de volta, com as costelas subindo e descendo, o sangue batendo nos ouvidos. E de repente ele se curva e me beija.
Sua boca está abrindo a minha, e ele já está puxando as mangas com elástico da minha fantasia de Branca de Neve para baixo dos ombros, soltando o gancho do meu sutiã. Eu estou abrindo os botões de sua camisa. Sua boca alcança o meu mamilo, e começo a ofegar de excitação quando ele me joga no tapete aquecido pelo sol.
Ah meu Deus, isso está indo depressa. Ele está arrancando minha calcinha. Suas mãos estão... Seus dedos estão... Estou ofegando desamparada. Estamos indo tão rápido que nem registro o que acontece. Isso não se parece nem um pouco com Harry. Nem com nada que eu nunca... Há um minuto eu estava parada junto à porta, totalmente vestida, e agora já estou... Ele já está...
- Espera – consigo dizer. – Espera, Draco. Eu preciso dizer uma coisa.
- O quê? – Draco me olha com olhos ansiosos, excitados. – O que é?
- Eu não sei nenhum truque. – Sussurro meio rouca.
- Não sabe o quê? – Ele se afasta ligeiramente e me encara.
- Truques! Eu não sei nenhum truque. – digo na defensiva. – Você sabe, provavelmente você já fez sexo com zilhões de supermodelos e ginastas, e elas sabem todo tipo de coisas incríveis... – Paro ao ver sua expressão. – Não faz mal. – Digo rapidamente. – Não faz mal. Esquece.
- Estou intrigado. Que truques em particular você tinha em mente?
Por que eu abri minha boca estúpida? Por quê?
- Não tinha! – Exclamo ficando acalorada. – Esse é o fato. Eu não sei nenhum truque.
- Nem eu. – Responde Draco, na mais absoluta cara-de-pau. – Não sei nenhum truque.
Sinto um risinho súbito crescendo por dentro.
- É, certo.
- Verdade. Nenhum. – Ele pára pensativo, passando um dedo pelo meu ombro. – Ah, certo. Talvez um.
- O quê? – Digo imediatamente.
- Bem... – Ele me olha por um longo momento, depois balança a cabeça. – Não.
- Conta! – E agora não consigo evitar um riso alto.
- Conto, não. Mostro. – Murmura ele no meu ouvido, e me puxa. – Ninguém lhe ensinou isso?