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10. Capítulo X (REVISADO)


Fic: Harry Potter e o destino de uma amizade


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Agora que o time estava pronto, uma preocupação a menos na cabeça de Harry. Estava feliz por ter conseguido um bom time. Sabia que tinham muitas chances de ganhar a Taça novamente este ano.

O grupo de quase trinta alunos voltava para o castelo. Rony, Simas, Dino e Gina iam à frente, conversando animadamente sobre Quadribol. No meio, os outros alunos conversavam sobre os mais variados assuntos e no final da ‘fila’, estavam Harry e Hermione. Os dois andavam em silêncio. Harry, absorto em seus pensamentos e preocupações, e Hermione o observava, como se soubesse tudo o que estava se passando na cabeça do garoto. Tinham chegado ao castelo. Todos seguiam de volta para o salão comunal, onde contariam aos outros qual seria o time deste ano. Harry, por outro lado, não continuou a andar. Sentou-se nos degraus da escada e ali ficou.

- Harry, você tem que ir. Não podemos ficar fora dos dormitórios até tarde! – disse Hermione ao vê-lo parado ali.

Ele não respondeu. Levantou-se e deu um largo sorriso. Precisava se animar a qualquer custo! Segurou a amiga pela mão e a conduziu até a cozinha. Fez cócegas na pêra e a porta do aposento se abriu, revelando dezenas de elfos. Um deles veio andando por entre os outros com um ar de felicidade em seu rosto. Era Dobby.

- Harry Potter! Srta. Granger! É um enorme prazer revê-los – disse ele fazendo uma reverência exagerada, tanto que seu nariz encostou-se ao chão gélido.

- Como vai, Dobby? – perguntou Harry.

- Vou bem, meu senhor. Espero que o senhor também. E a Srta. Granger? – fez Dobby.

- Ah! Oi, Dobby! – disse Hermione, que estava nas pontas dos pés e esticava o pescoço a procura de algo.

- Hermione, a Winky deve estar bem. Tenha calma! – disse Harry sussurrando.

- Não é a Winky, Harry! É o Monstro. Como será que ele está? – perguntou Hermione sussurrando também.

- Dobby tem novidades sobre a Winky. Dobby pode contar...

- Você tem cuidado dela direito, Dobby? – perguntou Hermione se interessando.

- Desde que a senhorita prometeu a Dobby que ia acabar com o tal F.A.L.E., Winky deixou Dobby cuidar dela. Winky está bem melhor! Largou a bebida e já trabalha sem fazer reclamações. Ela finalmente reconheceu que o seu amo agora é Dumbledore e que o Sr. Crouch não merecia o afeto de Winky– disse Dobby.

- E onde ela está? – perguntou Hermione novamente.

- Ela estava vindo com Dobby. Winky! Aparece para Hermione Granger te ver! – disse Dobby virando-se para a aglomeração de elfos.

- Winky está aqui! – disse Winky aparecendo perto de Dobby com uma enorme bandeja. – Srta. Granger! Obrigada pela ajuda que deu a Winky.

- Oh! Não foi nada, Winky! E pode me chamar por você – disse Hermione sorrindo.

- Winky fica muito grata a senho... você. – disse Winky sorrindo também.

Harry estava feliz que Hermione tivesse realmente deixado o F.A.L.E. de lado, mas concordava com a garota quando alguém recriminava os elfos.

- Winky estava preparando esta bandeja com doces para Harry Potter e Hermione Granger. Winky tinha que agradecer de alguma forma. Winky também quer agradecer a Harry Potter. Foi ele que tirou a ideia maluca da Hermione Granger – disse Winky entregando a bandeja.

- Obrigada Winky – disse Harry. – Dobby, será que você não conseguiria mais algumas bandejas dessas? É que nós acabamos de voltar da seleção para novos jogadores... Enfim, temos um time novo e estamos pensando em fazer uma comemoraçãozinha.

- Mas é claro, senhor. Prepararemos com muito prazer. Esperem só um instante! – Dobby de virou assim como todos os elfos e minutos depois voltaram com mais cinco bandejas cheias de comidas. – Está tudo aqui! Mais alguma coisa?

- Não, Dobby. Acho que vocês já ajudaram até demais – disse Hermione.

- Então, vamos? – perguntou Harry.

- Harry Potter, Dobby pode ir visitá-los sempre? – perguntou Dobby.

- Claro, Dobby! Quando quiser... E se puderem ajudar... – disse Harry.

- Antes de irmos... Dobby, como está Monstro? – perguntou Hermione.

- Monstro deve estar perto do fogão. Dobby não gosta muito dele. É um elfo mau, o Monstro – disse Dobby abaixando as orelhas, o sorriso sumindo de seu rosto.

- Mas ele tem obedecido? – perguntou Harry entrando na conversa.

- Ele faz tudo resmungando. Dobby o vê resmungando algo sobre o senhor, Harry Potter.

- Winky também não gosta dele. Não, não. Monstro feio! – disse Winky balançando a cabeça negativamente.

- Harry é o ‘amo’ do Monstro. Dumbledore pediu que Harry mandasse Monstro para trabalhar aqui – explicou Hermione. – Mas eu preciso que vocês dois cuidem dele. Ele sofre muito ainda a perda de sua família.

- Tirando o Sirius – disse Harry tristemente. – Lembre-se disso, Mione.

- Harry, por favor, não pense nisso! Você não se sente bem falando do Sirius. Tente se controlar... Você já tem muitas preocupações consigo mesmo! – disse Hermione acariciando o rosto do garoto.

- Obrigado, Hermione! Não sei o que seria de mim sem você... – ele levou sua mão até a da garota e os dois ficaram se encarando por um tempo.

Dobby, Winky e mais três elfos seguiram com eles até o salão comunal da Grifinória.

- Vocês estão esperando o quê pra comer? – perguntou Rony que acabara de chegar. – A comida que os elfos trouxeram da cozinha está simplesmente uma delícia!

- Oras, Rony! Ninguém é esfomeado que nem você! – exclamou Hermione.

- Mas não podemos deixar de concordar que está uma delícia, não é, Mione? – disse Harry piscando para ela.

- É. Rony, pode comer o quanto quiser! Eu e o Harry comemos lá na cozinha mesmo...

- Whoa! Duas bocas a menos! – disse Rony. – Sobra mais pra mim... – ele voltou para o grupo de alunos que conversavam animadamente.

Harry voltou o olhar para Hermione que olhava pela janela distraidamente.

- O que te preocupa tanto? – perguntou ele segurando as mãos da garota.

- Muitas coisas, Harry! Os estudos de animagia, o Torneio e várias outras coisas que você não entenderia – disse Hermione virando o rosto para encarar o amigo.

- Acho que você já pode considerar uma dessas preocupações a menos. Agora que o time está pronto, nós podemos continuar estudando animagia – disse Harry.

- É... Acho que sim. Só resta saber quando a Gina pode, não? Na verdade, podemos sempre que quisermos. Pelo menos com o vira tempo. Mas independente disso... – disse, pensativa, suas mãos ainda presas às de Harry. – Não podemos voltar no tempo sempre. Temos que fazer isso quando for seguro. Ainda mais com Voldemort...

- Não, Mione! Não acredito que ele possa entrar em Hogwarts – Harry interrompeu a amiga.

- É... Mas não sabemos quando você terá que enfrentar ele, não é? Eu tenho medo... – disse ela preocupada.

Hermione então deixou a sua atenção vagar para outro ponto do aposento. A pessoa a quem estava esperando finalmente apareceu.

- Gina! – chamou. – Vem aqui!

- O que você quer com a Gina? – perguntou Harry.

- Senta aí! Não vou demorar...

- O que houve, Mione? – perguntou Gina.

- Temos que falar sobre os estudos de animagia – disse Hermione calmamente. – Eu e o Harry estávamos conversando sobre isso e acabamos decidindo que já podemos retomá-los. O que não sabemos, é quando você pode...

- Nossas aulas acabam as 17h, não é? Então! Que tal das 17h as 19h? – sugeriu Gina.

- Ótimo! – disse Hermione abrindo um sorriso. – Nos fins de semana, eu só vou poder algumas vezes... E ainda assim, só se for para voltar no tempo. Bom, acho que é isso, não? – ela olhou o relógio de pulso. – Minha nossa! Já passaram das 22h? Com licença, eu tenho que subir... Boa noite!

Dizendo isso, Hermione saiu do aposento deixando os outros dois sem entender muita coisa. Hermione sabia que tinha conseguido fugir de mais perguntas dos amigos. O que ela estava planejando, era segredo. Bem, pelo menos até ela terminar...

- Ela decididamente está estranha! – disse Harry virando-se para Gina.

- Muito... – concordou Gina sombriamente. – Harry, por que não vem comemorar conosco?

- Sabe que é uma boa ideia? Estou precisando me animar mesmo...

- Aconteceu alguma coisa? – perguntou Gina.

- Não. São as preocupações de sempre.

- Ah, Harry! Então se anima! – disse Gina se levantando. – Vem comigo!

Gina segurou a mão de Harry e puxou ele para o canto onde estavam os outros. Naquele exato momento, a professora McGonagall adentrava no aposento passando pelo retrato da Mulher Gorda.

- Sua atenção, por favor! – pediu e todos se viraram silenciosamente para ela. – Vim aqui a pedido do diretor. O professor Dumbledore pediu para avisar aos senhores que o passeio de amanhã a Hogsmeade foi adiado para o próximo sábado, dia quinze de setembro.

Houve murmúrios de indignação por todos os cantos do Salão.

- Mas vocês não devem se preocupar. Vocês terão o passeio de vocês. Garanto que não será mais adiado – a professora acrescentou calmamente. – Era só isso. Uma boa noite a todos! – e dizendo isso, ela virou-se e saiu do aposento.

Harry ficou preocupado. Alguma coisa havia acontecido. Dumbledore não adiaria o passeio sem nenhum motivo. Resolveu ir para seu dormitório. Precisava ficar sozinho, pensar.

- Hum... Gina, eu vou subir – ele fingiu um bocejo. – Estou cansado!

- Tudo bem, Harry – disse Gina. – Boa noite, então!

Harry subiu as escadas lentamente. Estava novamente absorto em seus pensamentos. Ao chegar ao dormitório, pegou seu caderno na mochila e uma pena. Resolveu escrever uma mensagem para Hermione. Só ela seria capaz de entendê-lo naquele momento.


Mione,
Precisa saber de algo. Venha até o meu dormitório.
Harry


Harry fechou o caderno. A mensagem havia desaparecido. Ele agora sabia que mais cedo ou mais tarde teria que enfrentar Voldemort. Ele, particularmente, preferia o ‘mais tarde’.

---


Hermione já estava deitada em sua cama. Não estava conseguindo dormir. Absorta em seus pensamentos, problemas e sentimentos, só voltou a si quando viu seu caderno vibrando no sobre o criado mudo. A garota sentou-se na cama enquanto pegava o caderno. Abriu e leu a mensagem, a cada palavra ela franzia ainda mais a testa. Não entendia. Já passavam das 23h e Harry estava chamando-a para o dormitório masculino? Sabia que era apenas para conversar, mas nem queria imaginar se algum garoto subisse e visse os dois sozinhos. Iria, com toda certeza, pensar alguma besteira. Ela fechou o caderno, colocando-o de volta no local inicial, pegou seu roupão e saiu sorrateiramente do dormitório feminino. Subiu as escadas que davam para o dormitório masculino, no final da torre, o mais rápido que pôde. A julgar pela mensagem, o assunto era urgente.

Ao chegar à porta, nem bateu antes. Estava nervosa, ansiosa e com medo de ser pega ali, então entrou fechando a porta silenciosamente por trás de si. Quando Harry a viu, não disse nada, apenas correu para ela e a abraçou. Sua testa enrugou-se em sinal de clara confusão. Se antes ela não estava entendendo nada, agora então...

- Mione, eu preciso que você cumpra a sua promessa, não importa o que aconteça – disse Harry soltando-a.

Hermione encarou aqueles olhos verdes que a fitavam. Estava confusa.

- O quê, Harry? O que aconteceu? – perguntou ela.

- Mione, o passeio de Hogsmeade que ia ser amanhã, foi transferido para o próximo sábado. Você sabe o que isso significa, não sabe?

- Não, Harry! Não posso acreditar nisso! Simplesmente não posso... – disse Hermione se jogando na cama do garoto. – Harry, eu sempre estarei do seu lado... Não importa o que aconteça!

- Ainda não acredito que a luta entre mim e Voldemort esteja próxima, mas alguma coisa ele está tentando, Mione. Isso eu tenho certeza!

- Eu quero te pedir mais uma coisa, Harry. Você vai prometer que vai se esforçar ao máximo nas aulas do Lupin. Você precisa, Harry! Agora mais do que nunca! – disse Hermione.

- Eu sei, Mione. Todos precisam de mim e eu vou conseguir! Vou vingar a morte de todos aqueles que eu amei um dia e que ele tirou de mim... – disse Harry, uma lágrima rolando pelo seu rosto.

- Você tem que ser forte, Harry. – Hermione, ajoelhando-se no chão, limpou a lágrima fugitiva do rosto do amigo. – Você ainda tem a mim e aos seus amigos. Ele não nos tirou de você...

- Mas é com isso que me preocupo! Ele sabe que só me restaram vocês e com certeza vai tentar algo para me atingir.

- Entendo. Faça o que você puder e saiba que pode contar comigo para qualquer coisa!

- Você estava dormindo? – perguntou Harry lembrando-se do horário.

- Não se preocupe. Não tenho conseguido dormir tão facilmente... – respondeu Hermione. – Sinto falta das nossas conversas. Aquelas conversas até altas horas, quando não tínhamos sono...

Harry escutava calado. Cada palavra que a amiga dizia, lhe confortava. Ela realmente sabia lidar com ele... As únicas coisas que acalmavam Harry naquele momento, era o fato de ter Hermione ao seu lado e a conversa que teria com Dumbledore no dia seguinte.

Os dois estavam tão entretidos na conversa, que não repararam que já passava da meia noite. Ouviam passos subindo as escadas, o que significava que os alunos já estavam indo para seus dormitórios.

- Harry, você não acha que...?

- Entra aí! – disse Harry. Hermione pulou na cama do garoto, enquanto este passava o cortinado em volta da cama. – Faça silêncio. Depois que todos estiverem aqui nós saímos.

- Como? – sussurrou Hermione.

- Capa da Invisibilidade – foram essas as palavras de Harry que encerraram a conversa, pelo menos por enquanto.

A porta do dormitório se abriu três vezes, e com isto, vozes invadiram o aposento, antes silencioso. Harry e Hermione, que estavam escondidos na cama do garoto, um tanto apertados, sabiam que aquela não era a hora de sair. Estavam extremamente desconfortáveis ali. Ainda esperaram mais alguns minutos, tempo que trouxe o silêncio novamente para o dormitório, quebrado pelo ranger da porta sendo aberta. Aquele que havia chegado, com toda certeza, seria Rony. O ruivo sempre fora o último a chegar ao dormitório quando festas aconteciam. “Ele não deve ter percebido nada. Como alguém pode ser tão... Tão desligado para não notar?”, pensou Hermione.

Um barulho informou-os que Rony se acomodara em sua cama e que estava fechando as cortinas ao seu redor. Harry entreabriu as cortinas que rodeavam ele e a amiga, esticando o braço para o seu malão, de onde tirou uma capa fina como água. Jogou o manto sobre eles e os dois se levantaram. A capa cobria perfeitamente os dois. Talvez tivessem que tomar cuidado ao andar, pois seus pés poderiam aparecer, já que haviam crescido notavelmente nos últimos meses. Harry tinha crescido de forma inacreditável, pode-se dizer. A diferença de altura entre ele e Hermione, talvez fosse de vinte centímetros. Saíram silenciosamente do aposento, tomando todo o cuidado possível para não fazer barulho nenhum.

- Acho que já podemos ‘aparecer’. – disse Hermione tirando a capa de si quando já se encontravam no salão comunal novamente.

Hermione se sentou no parapeito da janela e ficou olhando o céu. A brisa suave que vinha das extremidades da Floresta Proibida lambiam seus cabelos e um sorriso leve se desenhou em seu rosto. Harry, no entanto, estava sentado numa poltrona próxima à garota e observava as chamas da lareira que crepitavam levemente, como se esperasse que a imagem de Sirius fosse aparecer ali a qualquer minuto.

- Harry, eu já disse. Você tem mais com o que se preocupar... Principalmente agora, que você sabe que vai ter que enfrentar Voldemort mais cedo ou mais tarde! Tente não pensar nisso, tente não se culpar... – disse Hermione descendo do parapeito e indo até o amigo.

- Mas é por minha culpa que ele não está mais aqui, Mione. Tudo porque eu não pratiquei Oclumência como deveria ter feito! É tudo minha culpa! – disse Harry.

Por mais que Hermione tentasse, estava sendo difícil colocar na cabeça do amigo que ele não tinha culpa da morte de Sirius. Aquela seria uma noite que os dois certamente levariam em claro por inteiro. Hermione conseguiu acalmar o amigo, fazer ele se sentir melhor, o problema seria fazê-lo esquecer tudo que estava acontecendo, que aconteceu ou que ainda iria acontecer.

A esperança de Sirius ainda estar vivo se esvaía lentamente, embora os dois e Luna, ainda acreditassem, mesmo que fosse um tanto pouco, que ele apenas tinha atravessado o véu. Mas para onde Sirius teria ido? Esta pergunta era a que eles faziam a si sem obter nenhuma resposta.

Agora o fogo da lareira já não ardia mais, só restaram as cinzas. Provavelmente, eram quase 4h. Hermione estava deitada no sofá do salão comunal. Harry encontrava-se sentado a uma poltrona. Os dois se encaravam, considerando seriamente que o silêncio era a melhor coisa para se ter naquele momento.

Vários estalidos encheram o aposento quebrando aquele silêncio todo, momentaneamente sagrado, o que fez os dois se assustarem. Hermione sentou-se rapidamente no sofá onde estava deitada a pouco e Harry, antes largado de qualquer jeito na poltrona, endireitou-se. Procuravam saber de onde vinham os ruídos mínimos. Eram os elfos, que estavam a limpar o castelo.

- O que Harry Potter faz aqui a esta hora? Dobby nunca imaginou encontrá-lo aqui na calada da noite, quando os elfos vêm limpar – disse Dobby surpreso.

- Estávamos aqui conversando – disse Harry.

- Harry Potter, Dobby precisa arrumar o Salão da Grifinória. Depois Dobby fala com Harry Potter – o elfo se juntou aos outros e começaram a arrumar o aposento. Limparam as mesas, colocaram lenha nova na lareira, abriram as janelas, escovaram as cortinas e tapetes... Trabalhavam duro para deixar o lugar impecável. Eram rápidos nas tarefas.

Quando os elfos terminaram tudo, Dobby ainda teve alguns minutos para conversar com Harry, mas teve que ir. Mais uma vez, Hermione se deitou no sofá e Harry se largou na poltrona novamente.

- Eles realmente não têm tempo para nada – comentou Hermione.

- É... – foi a única coisa que Harry conseguiu pronunciar. Estava com a boca seca. Ficaram muito tempo sem se falar ou beber algo.

Hermione se levantou e passou a caminhar lentamente pelo salão comunal. O vento que vinha das janelas, passavam pelos seus cabelos e pelo roupão de seda levemente. A garota parecia estar leve, parecia um anjo... Se Harry parasse para pensar, diria que Hermione era um anjo, um anjo que colocaram na sua vida. Eles tinham uma ‘conexão’ forte. Não sabiam desde quando passaram a entender um a outro, não sabiam por que eram tão ligados.

Hermione sentara na janela novamente. Fechou os olhos e assim ficou por alguns minutos. Harry contemplava a garota. Seus cabelos e o roupão esvoaçando com o vento a deixavam ainda mais bonita.

O horizonte estava claro, o sol estava nascendo. Hermione abriu os olhos, olhou para ele e novamente para fora da janela. Harry se levantou e foi até ela. O céu azul marinho estava se dissolvendo e transformando-se em uma tonalidade avermelhada. Uma bola gigante alaranjada se erguia lentamente, o céu clareando com o fenômeno. Aquele era, sem dúvida, um momento mágico.

Não era todo dia que alguém conseguia ver o sol nascer no meio da escuridão noturna. Como que por instinto, Hermione encostou sua cabeça no ombro do rapaz e ele a abraçou. Não tinham consciência do que estavam fazendo. Estavam meio que em transe. Os olhos fixos no horizonte acima das copas da Floresta Proibida.

Agora o céu completamente claro, terminava de dissolver o espaço ainda escuro.

- Acho melhor irmos para os nossos dormitórios, assim ninguém percebe que passamos a noite fora – disse ele.

- Quando começam as aulas com Lupin? – perguntou Hermione.

- Só em outubro. Ainda temos três fins de semana livres.

- Você acha que podemos começar a estudar animagia hoje?

- Tudo bem. Mas não quero voltar no tempo ainda – disse Harry sem rodeios.

- Ok.

Hermione então voltaria no tempo para dar continuidade ao seu plano. Tinha que terminar antes do Natal. Tinha quase certeza de que seria uma surpresa para todos, uma surpresa que eles iriam gostar.

---


Mais ou menos às 8h, Gina descia as escadas quase correndo. O salão comunal ainda estava vazio, o que seria bastante útil, pois assim ninguém faria perguntas inconvenientes. Ela saiu pelo retrato da mulher gorda e correu o mais rápido que pôde, quase derrubando quem passava por ela. Os corredores, cheios por ser manhã de sábado, pareciam ainda mais cheios quando se estava com pressa. Tinha que ter extrema cautela para não se esbarrar em ninguém e, principalmente, não ser pega correndo por Filch ou Madame Nor-r-ra, fiel mensageira de seu dono.

E assim, seguia para o local onde marcara um encontro com Draco e Isabella. Ela estranhou que o grupo do torneio ainda não tivesse marcado nada. Sabia que no começo, os seus amigos hesitariam em contar com a ajuda de Draco para alguma coisa. Pelo menos, eles já eram amigos de Isabella, o que facilitaria um pouco.

- Bebel! Aqui! – chamou Gina, já no corredor do sétimo andar.

- Gina! Por que tanta urgência? – perguntou Isabella.

- Bebel, algo não está certo! Temos que convencer o Draco a procurar o Harry e os outros. Se eles não conseguirem se entender...

- Calma! O Draco disse que já estava vindo. Pediu para eu avisar que ele estava ocupado – disse Bebel. – E não vejo motivos para você estar assim! Eles vão ter que passar a se encontrar mais cedo ou mais tarde... o torneio precisa de grupos onde as pessoas estejam se entendendo bem, senão nada dá certo! Alguma hora a Mione vai perceber isso. Ela é esperta suficiente!

- Espero que você esteja certa – disse Gina se acalmando. – Mas me conte, o que aconteceu para você sumir dessa maneira? Faz uma semana que não a vejo!

- Ah, Gina, estou tão ocupada! São muitos afazeres... Mas nada que não possamos superar. Acho que é só no começo, ou pelo menos, espero.

- Eu não sei se eu aguentaria, não mesmo... – disse Gina.

Um garoto loiro vinha andando silenciosamente por trás da ruiva de cabelos longos, quase na cintura. Ele jogou seus cabelos para o lado e a beijou no pescoço, o que a fez dar um sorriso maroto e sentir um arrepio gostoso. Ela se virou para encará-lo, e ele, num gesto simples, a beijou.

- Aqui não! Lembre-se da última vez... Quase fomos pegos! – disse Gina, o que fez todos rirem da lembrança.

- Acho que já estamos todos aqui! – fez Isabella, tentando mudar de assunto.

- É. Vamos à Sala Precisa. Acho que é o melhor lugar para resolvermos tudo! – disse Gina contando as portas.

Os três passaram por sete portas e parando em frente a um espaço vazio, suficiente para se ter mais uma porta. Gina andou de um lado para o outro, três vezes exatas, pensando em um local aconchegante, como o salão comunal. Instantaneamente, uma porta de carvalho, simples apareceu, ocupando o espaço antes vazio.

- Venham! – disse Gina abrindo a porta.

- Que lugar, exatamente é esse? – perguntou Bebel.

- A Sala Precisa. Era aqui que aconteciam as reuniões da tal Armada de Dumbledore, não? – perguntou Draco.

- Sim – concordou Gina naturalmente, enquanto adentravam a sala.

- Mas estava diferente de quando vim aqui procurá-los com a Umbridge. – notou o loiro.

- Justamente por isso que seu nome é Sala Precisa... Porque sempre que passamos por ela, três vezes exatas pensando em um lugar que realmente queremos ir, ela se transforma nesse lugar. – explicou Gina.

- Lugar interessante. Nunca soube da existência dessa tal sala... – comentou Bebel, analisando cada ponto do lugar.

- Ninguém sabia. Quem nos trouxe aqui foi o Harry. Mas... Vamos falar disso depois. Temos assuntos a tratar. – disse Gina.

Bebel e Gina se acomodaram nas poltronas próximas à lareira. Draco continuou em pé, no entanto.

- Draco, eu estive pensando um pouco sobre o torneio, e acho que você deveria procurar o Harry e os outros. Talvez eles nem se lembrem disto, mas pelo menos alguém, neste caso você, tem que tomar a iniciativa. O baile das Bruxas já está aí e nós não podemos fazer nada! – disse Gina.

- O que quer dizer que eu vou ter que falar com eles?! – concluiu Draco. – Mas o que eu falo?

- Você tem que falar, preferencialmente, com a Mione e o Harry. O Rony ainda não conseguiu engolir a história de eu ser amiga deles dois – disse Bebel.

- E...?

- Você vai tentar se aproximar. Primeiramente, terá que pedir desculpas, dizer que se arrepende de ter zombado e caçoado deles durante esses últimos cinco anos e tal. Depois você entra no assunto ‘TORNEIO’. – comentou Gina.

- Tudo bem – concordou Draco.

- Tente ser passivo e paciente. Nada que eles disserem pode mudar o seu comportamento. – aconselhou-o Gina.

- Que o Potter é estourado, isso eu sei... Mas na biblioteca, ao lado da Granger, ele vai ser um anjinho. – disse Draco rindo.

- Na biblioteca! Ótima ideia Draco! Assim eles vão ter que agir calmamente, já que Madame Pince mata quem estiver gritando ou falando alto... – comentou Bebel.

- Bebel, você é um caso a parte, minha prima querida! Você é viciada em livros, então não conta... Você simplesmente adora a Madame Pince! – disse Draco.

- Muito engraçadinho você, sabia? – disse ela apertando as bochechas do primo. Ela sabia que ele detestava isso.

---


Hermione, já acordada há algumas horas, estava no dormitório feminino, agora vazio. Já havia tomado seu banho e se trocado, agora estava sentada a sua cama, lendo um livro como normalmente. Naquele dia, ela, Harry e Rony tinham saído cedo para tomar café, pois os garotos teriam treino de Quadribol. Harry estava preparando as táticas que o time usaria no Campeonato entre Casas este ano; Rony, como de costume, desaparecera antes que pudessem notar e Hermione, não estava com muita disposição para ficar sem fazer nada. Na realidade, Hermione nunca era vista sem fazer nada e sempre com um livro bem grosso, velho e empoeirado sobre o colo.

Cansada de ficar sozinha ali, ela se levantou, pegou o livro que estava lendo e desceu as escadas que davam para o salão comunal da Grifinória, onde logo avistou Harry e sentou-se ao seu lado.

- Oi! – disse Hermione enquanto abria seu livro.

- Oi... – respondeu Harry brevemente, pois estava concentrado em suas anotações.

- Nossa! O que está acontecendo com vocês? Estão tão estranhos...

- Não é nada disso! É que eu preciso fazer estas anotações antes do almoço.

- Tem uma maneira mais prática! Se você quiser...

- Claro! Como eu num pensei que te chamar antes? Eu sou um idiota mesmo!

- Oh! Não diga isso. Você sabe perfeitamente que não é um idiota, apenas esqueceu de um pequeno detalhe. – comentou Hermione. – Você fez algum rascunho?

- Se isso responde à sua pergunta... – disse Harry indicando com o dedo uma pilha de papel amassado.

- Bem... – Hermione riu. – Acho que isso serve!

Ela pegou todos os papéis e foi abrindo-os e lendo-os, enquanto mentalizava cada detalhe das anotações. Pegou um pedaço de pergaminho e pôs sua varinha sobre ele.

Murmurou algo e tudo o que Harry havia anotado nos papéis sobre a mesa, apareceu no pergaminho.

- Mione, eu não sei se eu já te disse, mas eu te amo! – disse Harry abraçando a garota e beijando seu rosto no mínimo três vezes em cada bochecha, o que fez Hermione corar violentamente.

- Ora, Harry! Não foi nada...

- Foi sim. Você me salvou! Eu acho que eu morreria aqui tentando terminar isso.

- Lá vem você com essas suas bajulações... – fez Hermione.

Harry, que abriu a boca para dizer mais alguma coisa, fechou-a instantaneamente. Mas acabou voltando a falar.

- Vou guardar isso lá em cima e já volto – dizendo isso, Harry saiu do aposento deixando uma Hermione pensativa.

Hermione já não conseguia ler seu livro. Estava fitando-o, mas nada era processado em sua mente.

- Mione! – exclamou Gina ao entrar no salão comunal, tirando Hermione de seus pensamentos.

- Resolveu aparecer, ruivinha? – perguntou Hermione irônica.

- Eu... Eu?! – Gina se fez de desentendida. Tinha que disfarçar, pelo menos até descobrir se Hermione descobrira algo.

- É. Você mesma! Desapareceu desde cedo e não apareceu para tomar café, cheguei a pensar que você não iria dar as caras hoje. Onde você estava? – perguntou Hermione.

- Eu estava na... – começou Gina.

- Na biblioteca você não estava! Eu estive lá mais cedo hoje – disse Hermione.

Gina gelou. Como Hermione imaginara que ela diria que estava na biblioteca?

- E q-quem f-foi que disse que eu estava na biblioteca? – fez Gina gaguejando.

- Hum... – Hermione já voltara a ler seu livro.

- Eu estava com a Rachell Smith. Ela me acordou hoje cedo para conversarmos. – aquilo que Gina contara, realmente acontecera. O que ela esquecera de dizer, é que isso fora no dia anterior. – Adivinha de quem ela está gostando? – Hermione deu os ombros.

- Do Colin? – disse Hermione sem tirar os olhos do livro.

- Mione, você tem certeza de que isso que está lendo é livro teórico?

- Tenho, Gina! Absoluta.

- Deixa-me ver uma coisinha... – Gina olhou por cima dos ombros da amiga. Era, o livro realmente era teórico: As mil e uma noites de um lobisomem.

- Gina! – fez Hermione em tom de desaprovação.

Gina olhou para Hermione com a cara mais inocente do mundo, deu os ombros e saiu do aposento, deixando Hermione sozinha novamente, que observou os pés da garota sumirem por trás dos degraus que davam para o dormitório feminino.

- Gina, você é maluca! – murmurou Hermione balançando a cabeça negativamente.

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