No início da tarde, Goyle, Crouch e Lúcio estavam ansiosos esperando a chegada de Lestrange. Fazia mais de uma hora que estavam esperando na biblioteca de Lúcio e ficavam cada vez mais agitados. Lestrange atrasou-se, como de hábito.
— Onde você se meteu? — Goyle esbravejou assim que Lestrange entrou na biblioteca, com um ar cansado e desgastado como o dos outros. — Há horas que estamos esperando por você.
— Estive ralando o rabo — Lestrange respondeu com irritação. — E não estou com disposição para agüentar mal humor de ninguém, Goyle, por isso é melhor ir tirando o cavalo da chuva.
— Vamos ter de arrumar as malas e sair do país? — Crouch quis saber. — A polícia vai bater à nossa porta?
— Credo! Nem fale uma coisa dessas! — Goyle reagiu, suando frio.
— Acho que ainda não temos de fazer as malas — Lestrange respondeu.
— Conseguiu as cópias de nossos arquivos de volta? — Crouch perguntou, esperançoso.
— Não — Lestrange respondeu. — Não consegui pôr a mão nelas... ainda. Descobri que empresa de entrega expressa a firma de advogados usa e fui até lá. Por sorte, eles ainda não haviam mandado o comprovante para a firma de advogados e consegui tirar uma cópia. Liguei para Greyback imediatamente e ele foi atrás no mesmo instante. Narcisa mandou as informações para uma parente, uma tal de Dra. Ginevra Weasley, em Bowen, Louisiana.
— Não estou entendendo. Por que Narcisa esperaria até depois de morrer para mandar isso para um parente, em vez de entregar tudo para os federais quando descobriu? — Goyle indagou.
— Sei exatamente qual era a intenção dela — Lúcio respondeu. — Narcisa era radical sobre o casamento ser para sempre e não me largava. Teria usado o que descobriu para fazer com que eu me comportasse. Nos últimos dois meses, ela deve ter achado que eu estava andando na linha. Apesar de ela me dar engulhos, eu estava cheio de atenções para ela. Mas Narcisa era vingativa. Não interessa o quanto eu possa ter sido gentil com ela, decidiu mandar-me para a prisão depois que morresse. Eu só nunca poderia ter imaginado que mandaria uma cópia para os parentes que ela praticamente renegou.
— A tal médica assinou o recibo de entrega? — Crouch perguntou.
— Assinou.
— Filha da puta! Estamos fodidos!
— Parem de interromper e deixem-me terminar — Lestrange disse.
— Falei com o homem que entregou o pacote. Ele disse que primeiro foi à casa da doutora. Como ela não estava lá, ele resolveu ir até o hospital. Ele disse que ela assinou o protocolo no pronto-socorro.
— De que nos interessa onde ela assinou o protocolo? — Lúcio perguntou.
— Estou chegando lá — Lestrange respondeu. — O mensageiro lembrou que, quando estava saindo do estacionamento, quase trombou com uma ambulância que vinha chegando à toda velocidade. Vinha outra ambulância atrás da primeira. E, enquanto ele manobrava, para dar passagem às ambulâncias, viu descarregarem quatro garotos. Disse que havia muito sangue em suas roupas.
— E daí? — Crouch quis saber.
— E daí que a Dra. Weasley deve ter ficado bem ocupada ontem à noite.
— E temos de morrer de ansiedade porque você acha que a médica não teve tempo de ler os documentos e mandar tudo para a polícia? — Goyle perguntou.
— Cale a boca! — Lestrange irritou-se. — Assim que Greyback chegou a Bowen, foi até o Hospital St. Claire. Com certeza, a Dra. Weasley estava na sala de cirurgia. Greyback disse a uma das atendentes que desejava tratar de assuntos financeiros com a doutora e perguntou se podia esperar. A atendente disse que a Dra. Weasley estava escalada para duas cirurgias seguidas e não estaria livre durante algumas horas.
— E o que mais? — Lúcio perguntou, sentado atrás de sua escrivaninha, tamborilando os dedos no bloco.
Lestrange resistiu ao impulso de dar-lhe um tapa na mão.
— O protocolo mostra que ela assinou a entrega exatamente às cinco e quinze — Lestrange disse, verificando suas anotações. — Verifiquei o serviço de ambulâncias e a chegada ao hospital foi às cinco e vinte. Portanto...
— Ela não teve tempo de fazer nada com o pacote — Crouch disse.
Lestrange continuou:
— Enquanto Weasley estava na sala de cirurgia, Greyback colocou um dispositivo de escuta telefônica na linha da casa dela. Quando voltou ao hospital, já havia mudado o turno e ele aproveitou a oportunidade para infiltrar-se na sala dos médicos e examinar o armário da Dra. Weasley. Conseguiu até que a atendente ajudasse. Disse que um pacote havia sido acidentalmente entregue à pessoa errada.
— E ela acreditou?
— Greyback sabe usar de charme, quando precisa — Lestrange disse. — E era uma atendente jovem. Não.
— Talvez a Dra. Weasley tenha levado o envelope para a sala de cirurgia — Lúcio sugeriu.
— Duvido — Lestrange disse. — A atendente disse que ela subiu com um paciente.
— Então, o que Greyback fez?
— Esperou. Já era bem tarde quando a Dra. Weasley saiu do hospital e ele a seguiu. Ela parou no caminho de casa. Era uma clínica e ela estava com uns papéis na mão quando entrou. Greyback podia ter verificado o carro, mas ela deixou o motor ligado, o que indicava que não demoraria.
— Estava com os papéis quando saiu?
— Nenhum que ele conseguisse ver — Lestrange informou. — Mas levava uma mochila. De qualquer maneira, ele a seguiu até em casa, esperou que ela dormisse, depois deu um jeito de entrar e vasculhou a casa. Encontrou a mochila na lavanderia e inspecionou-a em primeiro lugar.
— E não estava lá — Lúcio sugeriu.
— Não, mesmo.
Goyle começou a andar de um lado para outro.
— Ela deve ter levado o maldito para a clínica. Talvez resolva abrir aquilo hoje.
— Greyback voltou à clínica. Também não estava lá. Ele jura que procurou por tudo. O único problema foi que ele quebrou a fechadura de um armário e resolveu bagunçar o lugar para que parecesse que moleques tivessem andado por lá.
— E onde está a merda do envelope? — Lúcio estava tão furioso que já não conseguia, nem tentava, esconder. — Não acredito que a vaca tenha enviado para a prima. Ela odiava os parentes!
— Não sei onde o envelope está — Lestrange disse. — Mas me ocorreu uma coisa.
— E o que foi? — Crouch perguntou, ansioso.
— Ela não deve fazer a mínima idéia do que tem em mãos.