Ninguém é uma ilha, e Tom Riddle não era exceção. Era chamado de Lorde Voldermort por seus asseclas porque seus dentes caninos eram visivelmente mais compridos que os outros dentes da frente; parecia um vampiro quando sorria. Tom parecia ser capaz de sugar o sangue de suas vítimas e, se os valores de extorsão registrados em seus cadernos fossem verdadeiros, ele havia sugado bem mais do que o sangue.
Tom tinha um grande círculo de amigos, e todos odiavam Harry Potter. Sem a investigação de Harry, Tom não haveria ganhado evidência e não teria de testemunhar diante de um júri de Boston, derrubando uma das mais poderosas organizações criminosas do país.
Harry havia retornado a Boston alguns dias depois de sua cirurgia. Apesar de o caso de Tom já estar encerrado e meia dúzia de chefões do crime estarem atrás das grades, Harry ainda tinha quilômetros de relatórios a fazer e documentos a arquivar. Seus superiores no Ministério da Justiça recomendaram-lhe que se cuidasse. Harry já havia recebido ameaças de morte antes e, apesar de jamais subestimá-las, não deixava que interferissem no seu trabalho. Nas duas semanas seguintes, ele passou longas e exaustivas horas no escritório.
Por fim, quando o último papel foi arquivado e a equipe terminou os últimos relatórios, Harry fechou a porta do escritório e foi para casa. Estava exausto tanto mental quanto fisicamente. A pressão do trabalho havia sido pesada, e ele se perguntava se, depois de tudo o que havia sido dito e feito, seus esforços realmente faziam alguma diferença. Estava cansado demais para pensar no assunto. Precisava de uma boa noite de sono. Na verdade, precisava de um mês inteiro de boas noites de sono. Então, talvez começasse a ver tudo com mais clareza e decidir o que fazer dali por diante. Aceitaria o trabalho de um novo estudo sobre o crime organizado que o Ministério da Justiça havia lhe oferecido, ou voltaria à prática autônoma da advocacia, passando os dias em reuniões e negociações? De qualquer maneira, logo estaria sendo carregado por uma enxurrada de trabalho. Quem sabe a família estivesse com a razão. Estaria tentando escapar da vida ao mergulhar num trabalho sem fim?
Os superiores do ministério haviam insistido para que ele ficasse afastado por um tempo, pelo menos até que a família e o grupo de Tom se acalmassem um pouco. Ficar longe de tudo aquilo parecia uma boa idéia para Harry no momento. Visões de uma linha de pesca nas águas tranqüilas no bayou da Louisiana surgiram em sua mente. Antes de partir de Nova Orleans, havia prometido voltar para dar a palestra que havia perdido e achava que aquele seria o melhor momento. Depois da palestra, poderia ir conferir o local de pesca do qual tanto se gabara Arthur Weasley. Sim, um pouco de tempo para refrescar as idéias era só o que lhe faltava. Havia um outro motivo pelo qual estava ansioso para voltar à Louisiana, no entanto... e não tinha nada a ver com pesca.
Três semanas e meia após a cirurgia, Harry estava de volta a Nova Orleans, no pódio do salão nobre do Royal Orleans, esperando que os aplausos se encerrassem para poder iniciar a palestra adiada para os defensores da lei que, mais uma vez, tinham vindo de todo o estado para ouvir o que ele tinha a dizer. De repente, lá estava ela, dentro de sua cabeça, interferindo em seus pensamentos. Ela possuía o sorriso mais maravilhoso, como sol concentrado. Também tinha um corpo escultural, sem a menor sombra de dúvida. Lembrava-se como, deitado em sua cama de hospital, não conseguia tirar os olhos dela. Qualquer homem normal teria reagido da mesma maneira que ele. Estava doente na época, mas não inconsciente.
Tentava lembrar-se da conversa que tive com ela, quando de repente percebeu que o salão já havia silenciado. Todos olhavam ansiosos para ele, esperando que começasse e, pela primeira vez em sua vida, sentiu-se nervoso. Não conseguia se lembrar de uma palavra do discurso preparado, nem mesmo do tema. Olhou para o pódio, onde estava a programação, leu o título e a breve descrição do que deveria dizer e começou a falar. Como o discurso ficou bastante abreviado, a platéia cativa adorou. Todos trabalhavam demais, eram expostos a enorme estresse e estavam encarando aquela noite como uma oportunidade de relaxar, comer, beber e divertir-se. Quanto antes parasse de lembrá-los do peso do distintivo que carregavam e do risco ao qual expunham suas vidas todos os dias, mais contentes ficariam. Sua apresentação, programada para durar meia hora, não chegou à marca dos quinze minutos. A reação foi tão cheia de entusiasmo que ele acabou rindo. Todos o aplaudiram de pé.
Mais tarde, voltando ao hotel, pensou em seu comportamento fora do comum e concluiu que estava reagindo como um garoto que tinha acabado de descobrir o sexo. Parecia ter trocado de lugar com seu irmão mais novo, Colin. Na época, Colin não dizia duas frases sem falar em mulheres, tesão e sexo.
Harry não sabia o que o tinha atacado, mas concluiu que tudo se resolveria assim que fosse pescar. Adorava pescar. Quando saía com seu barco, o Edwiges, relaxava completamente. Era quase tão bom quanto sexo.
Na terça-feira, antes de partir para Bowen, Harry teve uma reunião com capitães da polícia de Nova Orleans, depois fez uma visita ao consultório do Dr. Fudge. O médico atendeu-o e aproveitou para passar-lhe um sermão por ele não ter comparecido à consulta de controle depois da cirurgia. Depois de discorrer algum tempo sobre como seu tempo era curto, verificou a incisão de Harry.
— Cicatrizou muito bem — anunciou. — Mas o senhor poderia ter se dado muito mal caso houvesse alguma complicação. O senhor não deveria ter voado de volta a Boston com tanta pressa após a cirurgia. Foi uma falta de responsabilidade.
Fudge sentou-se no banco junto à mesa de exame.
— Para falar a verdade, eu nem esperava que houvesse qualquer complicação, a menos que o senhor cometesse alguma imprudência. Gi fez um trabalho excelente, como sempre — comentou. — Ela é tão boa com um bisturi quanto eu. E isso é um alto elogio. Sim, senhor, é uma das melhores cortadoras do país. O senhor teve muita sorte por ela perceber que estava passando mal. Eu bem que lhe ofereci um lugar em minha equipe, cheguei a insinuar uma sociedade. Ela é realmente muito dotada — enfatizou. — Quando recusou, aconselhei-a a aprofundar sua especialização, mas ela não se interessou. É teimosa demais para perceber que está desperdiçando seu talento.
— Como assim? — Harry perguntou, abotoando a camisa.
— Ela poderia ganhar muito dinheiro, mas resolveu ser médica de família em um buraco — Fudge respondeu. — Gi nem vai operar, quase. É um tremendo desperdício.
— Talvez os habitantes de Bowen não tenham a mesma opinião, doutor.
— Eles bem que precisam de outro profissional, sem dúvida, mas...
— Mas o quê?
O Dr. Fudge estava brincando com a tampa do pote de algodão. De repente fechou-a a levantou-se.
— Bowen não é a cidadezinha pacata e tranqüila de que ela fala — disse. — Falei com ela esta manhã sobre uma ressecção intestinal que ela mandou para mim, e ela contou-me que a clínica havia sido invadida. Deixaram tudo de pernas para o ar.
— Quando foi isso?
— Ontem à noite. A polícia está investigando. Até agora, pelo que Gina me disse, não há pistas. Sabe o que pode ter sido?
— Não faço a mínima idéia.
— Acho que foram adolescentes em busca de drogas. Quando não encontraram o que queriam, vandalizaram o consultório.
— Pode ser — Harry comentou.
— Gi não tem drogas pesadas na clínica. Ninguém de nós tem. Pacientes que precisam desse tipo de medicamento ficam internados em hospitais. É uma barbaridade — acrescentou. — Ela trabalhou muito para deixar aquela clínica em ordem e estava tão contente e animada em voltar para sua cidade! — continuou, balançando a cabeça. — Fiquei preocupado com ela. O que quero dizer é que, se não foi vandalismo, talvez alguém não queira que ela volte a Bowen.
— Estou indo para Bowen para ir pescar com o pai dela — Harry revelou.
— Então pode me fazer um favor — ele disse. — Tenho mais uma caixa de suprimentos médicos para levar para ela, mas o senhor poderia levar para mim. E, enquanto estiver lá, poderia dar uma olhada nesse vandalismo. Talvez eu esteja exagerando, mas...
— Mas o quê?
— Ela está assustada. Não que ela tenha dito isso, mas eu percebi. Enquanto falava com ela, senti que havia algo mais e que ela não quis me contar. Gi não se assusta com facilidade, mas parecia alterada enquanto falava comigo.
Harry saiu do consultório do médico alguns minutos mais tarde, carregando uma enorme caixa de suprimentos médicos. Já havia fechado a conta no hotel e tanto a mala quanto o equipamento de pesca estavam no porta-malas do carro alugado.
O céu estava profundamente azul, havia sol e calor; um dia perfeito para um passeio ao interior.
n/a: Bem é isso, só pra que vocês saibam eu não estou com pressa de terminar a fic não, só estou querendo chegar na parte boa da história (rsrsrs),além disso temos muitos capítulos pela frente é uma história bem longa e alguns capítulos são bem curtos... Bjus e até a proxima!!