— É este — disse Gina, ao redor de meia hora depois, quando parou o carro em frente ao único motel de Hogsmeade. — Este é o melhor motel que há em Hogsmeade.
Rony e Hermione os tinham deixado na casa de Gina, onde recolheram a mala e as pastas de Harry.
Harry olhou com incredulidade o longo edifício desmantelado de portas negras a três metros de distância uma da outra que, de algum jeito, o fazia pensar em dentes podres, e a piscina de natação vazia que estava quase à beira da rua. Depois olhou o resplandecente pôster de néon e o leu em voz alta.
— "Motel Descanse seus Ossos" — disse com incredulidade. — Tem que haver outro motel pelos arredores!
— Quem dera houvesse! — Disse Gina sufocando uma gargalhada.
Um velho de chapéu Stetson que mascava tabaco estava sentado em uma cadeira metálica, na mesa, desfrutando da noite cálida. Harry se encaminhou para registrar-se. O homem ficou de pé assim que Harry desceu do carro.
— Olá, Gina! — Saudou o senhor, identificando-a através do para-brisa.
Harry abandonou toda esperança de encontrar um lugar agradável e anônimo para estar com Gina e entrou no escritório com o ânimo no chão.
— Se incomodaria que ficasse com isto como lembrança? — Perguntou o velho depois de que Harry assinou o livro de registros e o devolveu.
— Não.
— Harry Potter — disse com reverência o gerente do motel, estudando a assinatura. — Harry Potter aqui, agasalhado em meu motel! Quem teria dito que aconteceria isto?
— Eu não — respondeu diretamente Harry. — Suponho que não terá uma suíte?
— Temos uma câmara nupcial.
— Não me diga! — Exclamou Harry, virando-se para olhar o pouco do edifício. E então viu a Gina apoiada contra a porta do escritório, com os tornozelos cruzados e o rosto iluminado por um sorriso maroto e o ânimo de Harry levantou vôo.
— A câmara nupcial tem uma cozinha pequena — anunciou o velho.
— Que romântico! Eu pego — decidiu Harry e em seguida ouviu a mágica risada de Gina. Fez com que ele sorrisse.
— Vamos — disse escoltando-a para fora e rumo a seu quarto, enquanto o gerente os seguia sem deixar de olhá-los. — São minhas imaginações — perguntou Harry enquanto abria a porta da câmara nupcial e se fazia a um lado para que Gina o passasse —, ou esse velho está olhando para ver se você vai entrar?
— Está olhando para ver se vou entrar, se fecharemos ou não a porta, e quanto tempo ficarei. Amanhã todo o povoado conhecerá as respostas a essas três perguntas.
Harry apertou a chave de luz da parede, olhou a câmara nupcial e voltou a apagá-la com rapidez.
— Quanto tempo podemos estar em sua casa sem soltar muitos comentários?
Gina vacilou, desejando que voltasse a lhe dizer que a amava e o que pensava fazer a respeito.
— Isso depende de suas intenções.
— Tenho intenções muito honoráveis, mas terão que esperar até amanhã. Nego-me a falar disso em um quarto com uma cama em forma de coração, coberta com uma colcha de veludo vermelha e com cadeiras de tom púrpura.
O alívio de Gina surgiu em uma explosão de risada musical, e Harry a abraçou. Segurou seu rosto na escuridão, embalou-o entre suas mãos, rindo enquanto a beijava. E então a risada foi apagando e ela se abraçou a ele e lhe devolveu o beijo.
— Amo você — sussurrou Harry. — Me faz tão feliz! Fez com que fosse divertido ficar em Colorado. Fez com que esta câmara nupcial espantosa até me pareça linda. Até na cadeia, onde a odiava, sonhava com a maneira em que me arrastou até aquela casa, meio congelado, e com sua maneira de dançar comigo, e acordava te desejando.
Gina lhe passou a ponta dos dedos pelos lábios e esfregou a bochecha contra seu peito.
— Algum dia, logo, me levará a América do Sul para que possamos viver em seu barco? Sonhei estar ali com você.
— Não era grande coisa como barco. Antes eu tinha um iate grande. Comprarei outro e faremos um cruzeiro.
Gina negou com a cabeça.
— Eu gostaria de estar com você na América do Sul e nesse barco, tal como planejamos, embora só seja durante uma semana.
— Faremos as duas coisas.
A contra-gosto, soltou-a e a conduziu para a porta aberta.
— Na Califórnia é duas horas mais cedo, e tenho que fazer uma série de chamadas e acertos. Quando posso voltar a vê-la?
— Amanhã?
— É óbvio! Mas a que horas?
— À hora que queira. Amanhã é festa no povoado. Há um grande desfile, uma feira, piquenique e todo o resto, para celebrar o bicentenário da fundação do povoado. Os festejos seguirão toda a semana.
— Isso soa divertido — disse Harry, e se surpreendeu ao dar-se conta de que dizia em sério. — Por que não passa pra me buscar as nove, e te convidarei para tomar o café da manhã?
— Conheço justo o lugar indicado. A melhor comida do povoado.
— Sério? Qual?
— McDonald's — brincou ela, rindo ante a expressão espantada de Harry. Depois o beijou na bochecha e se foi.
Ainda sorridente, Harry fechou a porta e ligou a luz; logo se aproximou da cama, sobre a qual apoiou sua pasta. Tirou seu telefone celular e antes de tudo ligou para os Black, que deviam estar ansiosos para saber o resultado de sua viagem. Esperou enquanto Joe O'Hara saía para procurar Sirius e Marlene, que estavam com os convidados de sua festa.
— E? — Perguntou a voz de Sirius com tom de expectativa. — Marlene também está aqui e conectei o viva voz, assim participará da conversa. Como está Gina?
— Gina é maravilhosa.
— Já se casaram?
— Não — respondeu Harry, pensando com irritação no compromisso que tinha sido obrigado a contrair com o pai de Gina —, estamos namorando.
— O que? — Balbuciou Marlene. — Quer dizer, pensamos que já estariam em Tahoe.
— Ainda estou em Hogsmeade.
— Ah!
— No Motel "Descanse seus Ossos".
Escutou a gargalhada de Marlene.
— Na câmara nupcial.
Marlene riu mais forte.
— Tem uma cozinha pequena.
Marlene uivou de risada.
— O piloto de vocês também deve estar aqui, pobre homem. Acho que vou convidá-lo para jogar um pouco de pôquer.
— Se fizer isso, se cuide — advertiu Sirius. — Levará quase todo o dinheiro que tenha com você.
— Aqui, nem sequer conseguirá ver as cartas que tem na mão. Ficará cego com a cama de veludo vermelha, em forma de coração e as cadeiras cor púrpura. Como vai a festa?
— Fiz o anúncio de que tinha tido que se afastar por assuntos urgentes. Marlene está fazendo o papel de proprietária da casa. Não há nenhum problema.
Harry vacilou, pensando no anel de compromisso que precisava e nas jóias soberbas que Bancroft e Companhia tinha fama de vender em sua joalheria.
— Marlene, posso te pedir um favor?
— O que quiser — disse ela com tranquila sinceridade.
— Preciso rapidamente de um anel de compromisso... Amanhã pela manhã, se fosse possível. Sei o que quero, mas aqui não encontrarei, e se for a Dallas me reconhecerão. Não quero que os jornalistas me sigam. Quero que caiam sobre este povoado apenas no último minuto.
Ela compreendeu no ato.
— Me explique que tipo de anel quer. Amanhã pela manhã, assim que abra nossa filial de Dallas, chamarei por telefone o diretor da Seção Joalheria para que escolha vários anéis. Steve pode passar para procurar ao redor das dez e quinze, e lhe levar.
— Você é um anjo. Olhe, o que eu gostaria é de um...