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80. Capítulo 79


Fic: Tudo por Amor


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— É este — disse Gina, ao redor de meia hora depois, quando parou o carro em frente ao único motel de Hogsmeade. — Este é o melhor motel que há em Hogsmeade.


Rony e Hermione os tinham deixado na casa de Gina, onde recolheram a mala e as pastas de Harry.


Harry olhou com incredulidade o longo edifício desmantelado de portas negras a três metros de distância uma da outra que, de algum jeito, o fazia pensar em dentes podres, e a piscina de natação vazia que estava quase à beira da rua. Depois olhou o resplandecente pôster de néon e o leu em voz alta.


— "Motel Descanse seus Ossos" — disse com incredulidade. — Tem que haver outro motel pelos arredores!


— Quem dera houvesse! — Disse Gina sufocando uma gargalhada.


Um velho de chapéu Stetson que mascava tabaco estava sentado em uma cadeira metálica, na mesa, desfrutando da noite cálida. Harry se encaminhou para registrar-se. O homem ficou de pé assim que Harry desceu do carro.


— Olá, Gina! — Saudou o senhor, identificando-a através do para-brisa.


Harry abandonou toda esperança de encontrar um lugar agradável e anônimo para estar com Gina e entrou no escritório com o ânimo no chão.


— Se incomodaria que ficasse com isto como lembrança? — Perguntou o velho depois de que Harry assinou o livro de registros e o devolveu.


— Não.


— Harry Potter — disse com reverência o gerente do motel, estudando a assinatura. — Harry Potter aqui, agasalhado em meu motel! Quem teria dito que aconteceria isto?


— Eu não — respondeu diretamente Harry. — Suponho que não terá uma suíte?


— Temos uma câmara nupcial.


— Não me diga! — Exclamou Harry, virando-se para olhar o pouco do edifício. E então viu a Gina apoiada contra a porta do escritório, com os tornozelos cruzados e o rosto iluminado por um sorriso maroto e o ânimo de Harry levantou vôo.


— A câmara nupcial tem uma cozinha pequena — anunciou o velho.


— Que romântico! Eu pego — decidiu Harry e em seguida ouviu a mágica risada de Gina. Fez com que ele sorrisse.


— Vamos — disse escoltando-a para fora e rumo a seu quarto, enquanto o gerente os seguia sem deixar de olhá-los. — São minhas imaginações — perguntou Harry enquanto abria a porta da câmara nupcial e se fazia a um lado para que Gina o passasse —, ou esse velho está olhando para ver se você vai entrar?


— Está olhando para ver se vou entrar, se fecharemos ou não a porta, e quanto tempo ficarei. Amanhã todo o povoado conhecerá as respostas a essas três perguntas.


Harry apertou a chave de luz da parede, olhou a câmara nupcial e voltou a apagá-la com rapidez.


— Quanto tempo podemos estar em sua casa sem soltar muitos comentários?


Gina vacilou, desejando que voltasse a lhe dizer que a amava e o que pensava fazer a respeito.


— Isso depende de suas intenções.


— Tenho intenções muito honoráveis, mas terão que esperar até amanhã. Nego-me a falar disso em um quarto com uma cama em forma de coração, coberta com uma colcha de veludo vermelha e com cadeiras de tom púrpura.


O alívio de Gina surgiu em uma explosão de risada musical, e Harry a abraçou. Segurou seu rosto na escuridão, embalou-o entre suas mãos, rindo enquanto a beijava. E então a risada foi apagando e ela se abraçou a ele e lhe devolveu o beijo.


— Amo você — sussurrou Harry. — Me faz tão feliz! Fez com que fosse divertido ficar em Colorado. Fez com que esta câmara nupcial espantosa até me pareça linda. Até na cadeia, onde a odiava, sonhava com a maneira em que me arrastou até aquela casa, meio congelado, e com sua maneira de dançar comigo, e acordava te desejando.


Gina lhe passou a ponta dos dedos pelos lábios e esfregou a bochecha contra seu peito.


— Algum dia, logo, me levará a América do Sul para que possamos viver em seu barco? Sonhei estar ali com você.


— Não era grande coisa como barco. Antes eu tinha um iate grande. Comprarei outro e faremos um cruzeiro.


Gina negou com a cabeça.


— Eu gostaria de estar com você na América do Sul e nesse barco, tal como planejamos, embora só seja durante uma semana.


— Faremos as duas coisas.


A contra-gosto, soltou-a e a conduziu para a porta aberta.


— Na Califórnia é duas horas mais cedo, e tenho que fazer uma série de chamadas e acertos. Quando posso voltar a vê-la?


— Amanhã?


— É óbvio! Mas a que horas?


— À hora que queira. Amanhã é festa no povoado. Há um grande desfile, uma feira, piquenique e todo o resto, para celebrar o bicentenário da fundação do povoado. Os festejos seguirão toda a semana.


— Isso soa divertido — disse Harry, e se surpreendeu ao dar-se conta de que dizia em sério. — Por que não passa pra me buscar as nove, e te convidarei para tomar o café da manhã?


— Conheço justo o lugar indicado. A melhor comida do povoado.


— Sério? Qual?


— McDonald's — brincou ela, rindo ante a expressão espantada de Harry. Depois o beijou na bochecha e se foi.


Ainda sorridente, Harry fechou a porta e ligou a luz; logo se aproximou da cama, sobre a qual apoiou sua pasta. Tirou seu telefone celular e antes de tudo ligou para os Black, que deviam estar ansiosos para saber o resultado de sua viagem. Esperou enquanto Joe O'Hara saía para procurar Sirius e Marlene, que estavam com os convidados de sua festa.


— E? — Perguntou a voz de Sirius com tom de expectativa. — Marlene também está aqui e conectei o viva voz, assim participará da conversa. Como está Gina?


— Gina é maravilhosa.


— Já se casaram?


— Não — respondeu Harry, pensando com irritação no compromisso que tinha sido obrigado a contrair com o pai de Gina —, estamos namorando.


— O que? — Balbuciou Marlene. — Quer dizer, pensamos que já estariam em Tahoe.


— Ainda estou em Hogsmeade.


— Ah!


— No Motel "Descanse seus Ossos".


Escutou a gargalhada de Marlene.


— Na câmara nupcial.


Marlene riu mais forte.


— Tem uma cozinha pequena.


Marlene uivou de risada.


— O piloto de vocês também deve estar aqui, pobre homem. Acho que vou convidá-lo para jogar um pouco de pôquer.


— Se fizer isso, se cuide — advertiu Sirius. — Levará quase todo o dinheiro que tenha com você.


— Aqui, nem sequer conseguirá ver as cartas que tem na mão. Ficará cego com a cama de veludo vermelha, em forma de coração e as cadeiras cor púrpura. Como vai a festa?


— Fiz o anúncio de que tinha tido que se afastar por assuntos urgentes. Marlene está fazendo o papel de proprietária da casa. Não há nenhum problema.


Harry vacilou, pensando no anel de compromisso que precisava e nas jóias soberbas que Bancroft e Companhia tinha fama de vender em sua joalheria.


— Marlene, posso te pedir um favor?


— O que quiser — disse ela com tranquila sinceridade.


— Preciso rapidamente de um anel de compromisso... Amanhã pela manhã, se fosse possível. Sei o que quero, mas aqui não encontrarei, e se for a Dallas me reconhecerão. Não quero que os jornalistas me sigam. Quero que caiam sobre este povoado apenas no último minuto.


Ela compreendeu no ato.


— Me explique que tipo de anel quer. Amanhã pela manhã, assim que abra nossa filial de Dallas, chamarei por telefone o diretor da Seção Joalheria para que escolha vários anéis. Steve pode passar para procurar ao redor das dez e quinze, e lhe levar.


— Você é um anjo. Olhe, o que eu gostaria é de um...

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