— O que está fazendo? — Perguntou Gina a Harry quando ele se sentou a seu lado depois de ter ligado a vídeo gravadora. — Espero que não pretenda que vejamos um filme pornô ou uma cena de sexo de algum de seus filmes.
Ele a rodeou com seus braços.
— É um vídeo que hoje vi várias vezes — explicou em voz baixa —, que o FBI confiscou no Méx...
Gina sacudiu a cabeça como enlouquecida, enquanto tentava se apoderar do controle remoto.
— Não quero ver isso! Nem esta noite nem nunca! — Exclamou tremendo, quando no quarto começou a ressonar a gritaria do aeroporto. — Não posso suportar!
— Olhe essa tela — disse ele, implacável. — Estivemos ali juntos, mas até hoje, nunca soube o que fazia você enquanto me prendiam, e tenho a impressão de que você tampouco tem uma lembrança muito clara do que fez.
— É obvio que sim! Lembro com exatidão o que estavam fazendo com você! Lembro que foi tudo por minha culpa!
Harry a obrigou a virar-se e a olhar a tela.
— Quero que olhe para você mesma. Olhe e verá o que eu vi: uma mulher que sofria mais do que eu estava sofrendo. — A contra gosto, Gina decidiu olhar a tela, onde aparecia a imagem do que ela queria esquecer. Viu-se gritando para todos que não o machucassem, que Dino a obrigava a retroceder dizendo aos gritos que "já tudo tinha terminado", viu que Riddle se aproximava com um sorriso malvado e que deixava cair em sua mão o anel. Que ela agarrava o anel e o levava ao peito, chorando. — Gina — sussurrou Harry com enorme ternura — olhe para você, querida, para que veja o que vejo eu. Não era mais do que um anel, uma parte de metal com pedras. Mas olhe o que significava para você.
— Era o anel de casamento que tinha escolhido para mim! — Exclamou ela com ferocidade. — Por isso chorava!
— Sério? — Brincou Harry. — Eu pensei que chorava porque os diamantes era muito pequenos.
Ela abriu a boca e deixou escapar uma risada histérica, ao mesmo tempo que piscava para conter as lágrimas que enchiam seus olhos maravilhosos.
— E olhe o que vem agora — pediu Harry, abraçando-a com mais força. — Esta é minha parte favorita. Não olhe para o que estão fazendo comigo — adicionou em seguida, ao notar que Gina se sobressaltava e cravava a vista nos cacetetes dos Federais. — Observe o que está fazendo Riddle à direita da tela. Isso demonstra — adicionou com admiração —, que tem um maravilhoso gancho de direita, moça.
Gina se obrigou a olhar e se surpreendeu e se alegrou ao ver que atacava esse maldito.
— Na verdade, não lembro muito disso — reconheceu em um sussurro.
— Não, mas aposto que Riddle nunca esquecerá o que vem agora. Quando Thomas a arrastou para trás e já não pôde alcançar Riddle com as unhas nem as mãos...
— Dei um chute! — Disse Gina, observando a cena com surpresa.
— Justo no meio das pernas! — Disse Harry com orgulho. Lançou uma gargalhada ao ver que Riddle se dobrava em dois levando as mãos ao meio das pernas. — Tem ideia da quantidade de homens deste mundo que morreriam de vontade de fazer isso?
Gina balançou a cabeça em silêncio, enquanto observava a última parte do vídeo onde um médico lhe dava uma injeção no braço e Dino a sustentava. Harry deixou que o vídeo seguisse correndo e a olhou com expressão séria.
— Estou decidido a fazer pedaços de Riddle ante um tribunal. Dentro de duas semanas tenho uma audiência com a Junta de Justiça Criminal do Texas. Quando tiver terminado com Riddle, esse cara estará ocupando uma de suas próprias celas.
— É um maldito!
— E você — disse Harry, lhe levantando o queixo — é um anjo. Tem ideia do que senti cada vez que vi esse vídeo? — Gina fez um movimento negativo com a cabeça. — Me senti amado. Incrivelmente amado, de maneira completa e incondicional. Apesar de acreditar que era um assassino, lutava e chorava por mim. — Apoiou a boca sobre a de Gina e sussurrou: — Nunca conheci uma mulher com tanta coragem como você... — Beijou-lhe os olhos e deslizou a boca por sua face até apoiá-la na canto de seus lábios. — Nem com tanto amor para dar. — Deslizou as mãos por debaixo de sua camiseta. — Dê-me isso querida — sussurrou —, me dê todo seu amor... Agora mesmo. — Abriu-lhe a boca com seus lábios, enquanto lhe acariciava com as mãos a pele nua e colocava a língua em sua boca. E quando desabotoou a camisa dela com dedos trêmulos e lhe acariciou o peito, o gemido que Harry ouviu tinha sido feito por ele. Mas o toque da campainha que ressonava em seus ouvidos era o da porta da rua, e os golpes que repicavam dentro de sua cabeça eram o som de punhos que atingiam a porta. Harry se ergueu, lançando uma maldição. Estendeu a mão para Gina com a intenção de conduzi-la ao dormitório.
— Gina! — A voz de Rony acompanhou a segunda série de golpes na porta.
— É meu irmão! — Disse Gina.
— Não pode sugerir que se vá e volte amanhã?
Gina estava para assentir quando Rony adicionou, morto de risada:
— Pelo seu próprio bem, peço que me abra. Eu sei que está aí.
Ao ouvir as palavras de seu irmão, Gina fez um movimento negativo com a cabeça, alisou-se a camiseta e ordenou um pouco o cabelo.
— Será melhor que veja o que quer — disse.
— Esperarei na cozinha — disse Harry, alisando o cabelo com as mãos.
— Mas já que está aqui, quero que se conheçam.
— Quer que o conheça neste momento? — Baixou o olhar e logo olhou para Gina, divertido. — Assim?
— Pensando bem — disse Gina, ruborizada —, será melhor que espere na cozinha.
Então se encaminhou para a porta, enquanto Harry se afastava em direção contrária. Gina abriu a porta no momento em que Rony levantava a mão para voltar a bater. Submeteu sua irmã a uma divertida observação.
— Sinto interromper. Onde está Potter?
— Na cozinha.
— Muito compreensível! — Riu Rony.
— O que quer? — Perguntou Gina, exasperada, envergonhada e feliz de uma vez, porque acabava de dar-se conta de que sem dúvida tinha sido ele quem deu sua carta a Dino.
— Será melhor que diga aos dois juntos — disse Rony, enquanto cruzava o vestíbulo e entrava no recinto, sem lugar a dúvidas, divertidíssimo.
Harry estava bebendo um copo de água junto à pia da cozinha quando ouviu a voz de Gina a suas costas.
— Harry, este é meu irmão Rony.
Sobressaltado pela silenciosa chegada de ambos, Harry se virou e se topou com outra face que lhe era familiar. Rony assentiu.
— Tem razão. Eu estava com Gina no aeroporto do México.
Recuperando-se da surpresa, Harry estendeu a mão.
— Me alegro de conhecê-lo em circunstâncias mais agradáveis.
— Mas não neste momento em particular — brincou Rony, enquanto lhe estreitava a mão. Harry experimentou uma instantânea simpatia pelo irmão de Gina. — Se eu estivesse em seu lugar — adicionou Rony, olhando sorridente para Harry —,me prepararia algo mais forte que água para beber. — E ao ver a confusão de Gina, explicou: — Papai quer vê-los em casa. Imediatamente — enfatizou em um tom cômico. Neste momento, Hermione está lá com mamãe, ajudando-a a convencer papai de que tudo será mais agradável se os esperar ali tranquilo, no lugar de vir até aqui, que era o que estava decidido a fazer ao ver que não podia comunicar-se com você por telefone.
— E por que está tão ansioso por nos ver? — Perguntou Gina.
Rony se apoiou contra a parede, colocou as mãos nos bolsos, elevou as sobrancelhas e olhou a Harry.
— Já pensou que o pai da Gina pode estar um pouco... Digamos... Decidido a falar com você em vista de sua chegada inesperada ao povoado?
Harry tragou a água que restava no copo e o voltou a encher.
— Acredito que posso imaginar.
— Gina, vá se pentear e trate de não ter um aspecto tão... Er... Deliciosamente desgrenhado. Enquanto, ligarei para papai e direi que já vamos.
Gina girou sobre seus calcanhares e fugiu para seu quarto, enquanto por sobre o ombro advertia a seu irmão que o telefone estava embaixo de um dos almofadões do sofá. Depois de ligar para seu pai, Rony voltou para a cozinha. Harry estava no banheiro, barbeando-se. Poucos minutos depois saiu, penteado e com uma camisa limpa e se encaminhou à cozinha. Rony estava procurando algo nos armários, e ao vê-lo, se deteve.
— Suponho que não saberá onde pode ter colocado Gina a vodka desta vez?
— Desta vez? — Perguntou Harry, tentando não pensar na iminente reunião com seu futuro sogro.
— Gina tem uma hábito muito peculiar — explicou Rony, inclinando-se para procurar debaixo da pia. — Quando está preocupada com algo, volta a arrumar todas as coisas... Diria que as coloca em ordem.
Harry sorriu com ternura ao recordar que a tinha visto fazer isso em Colorado.
— Já sei.
— Então não se surpreenderá que eu diga que desde que saiu da cadeia reordenou todos os armários e gavetas da casa, e pintou a garagem. Duas vezes. — Ante o fracasso de sua busca, Rony abriu a geladeira. — Por exemplo, olhe a geladeira — disse assinalando as prateleiras. — Notará que as garrafas e os jarros foram colocados por tamanho, em ordem decrescente, com os mais altos à esquerda. Na prateleira seguinte, por motivos artísticos, ordenou para que os mais altos estivessem à direita. Na semana passada tudo estava arrumado por cores. Valia a pena ver.
Dividido entre a graça pelo hábito de Gina e a pena que provocava pensar que ele tinha sido o causador de tanta inquietação, Harry respondeu:
— Não me cabe dúvida.
— Isso não é nada — continuou dizendo Rony. — Olhe um pouco o que é isto. — Abriu um armário e assinalou as latas e caixas que se alinhavam nas prateleiras. — Guardou suas provisões em ordem alfabética.
Harry abafou uma risada.
— O quê?
— Comprove você mesmo.
Harry espiou por sobre os ombros de Rony. As latas, garrafas e caixas estavam misturadas, mas formando precisas fileiras.
— Anis, açúcar, bacalhau... — Murmurou com divertida incredulidade —, couve-flor, farinha, ervilhas... — Olhou para Rony. — Errou com as ervilhas.
— Nem penso em ter errado! — Exclamou Gina, entrando na cozinha com ar indiferente, ao ver que Harry e Rony a olhavam divertidos. — As ervilhas estão na L.
— Na L? — Perguntou Harry, fazendo esforços enormes por não estalar em gargalhadas.
Envergonhada, Gina baixou o olhar até um invisível pontinho de pó que parecia ter se instalado em seu suéter.
— Na L... De legumes — informou. Harry abafou outra risada, a tomou em seus braços, afundou a face em seu cabelo e se entreteve na alegria que lhe proporcionava.
— Onde está a vodka? — Sussurrou-lhe ao ouvido. — Rony a está procurando.
Gina jogou para trás a cabeça e fixou nele seu olhar risonho.
— Está atrás dos legumes.
— Que demônios faz aqui? — Perguntou Rony, separando as latas de ervilhas para tirar a garrafa.
Com os ombros tremendo de risada contida, Harry conseguiu lhe dar uma explicação.
— Estão na L... De licor. É lógico.
— Naturalmente — confirmou Gina, tentada de risada.
— É uma lástima que não tenhamos tempo de beber um gole — se lamentou Rony.
— Eu não quero beber nada — disse Harry.
— Lamentará — lhe advertiu Rony. O carro patrulha de Rony o esperava na porta. Harry subiu com relutância e ficou tenso.
— O que aconteceu? — Perguntou Gina, tão pendente dele que instantaneamente percebia qualquer mudança em sua atitude ou em seu estado de ânimo.
— Este não é um dos meus meios de transporte favoritos, isso é tudo.
Harry notou que os olhos de Gina se escureciam de pena, mas imediatamente se sobrepôs e converteu o assunto em uma brincadeira para lhe levantar o ânimo.
— Rony — disse sem deixar de olhar sorridente Harry —, devia ter trazido o Blazer de Gui. Harry o considera muito mais... Atraente.
Ambos começaram a rir.
n/a: só felicidade agora... Eu estou tão feliz estou quase terminando essa fic depois de todos os problemas que tive com ela, mas é triste porque está chegando ao fim... Bjus e ate logo!!