Antes de que as portas do ginásio se fechassem atrás dele, Harry conseguiu ver Gina no meio da multidão. Estava no cenário, dirigindo um coro de crianças, alguns deles em cadeiras de rodas, que luziam distintos disfarces, enquanto uma pianista os acompanhava.
Permaneceu imóvel, como hipnotizado, escutando o doce som de sua voz, observando seu sorriso incrível, e era tanta a ternura que sentia o peito doer. Vestida com jeans e uma camiseta com o cabelo atado em rabo-de-cavalo, Gina estava adorável... E fina. Suas maçãs do rosto e seus olhos se destacavam mais que antes, e a sensação de culpa lhe formou um nó na garganta, quando se deu conta da quantidade de quilos que devia ter perdido. Por causa dele. O taxista disse que a tinha envergonhado diante de todo o povoado; isso era algo que trataria de reparar. Ignorou os olhares de surpresa e os sussurros que começavam a circular pelo salão à medida que as pessoas o viam e o reconheciam, e se encaminhou para o cenário.
— Bom, meninos, o que acontece? — Perguntou Gina quando alguns dos meninos maiores deixaram de cantar e começaram a falar em sussurros e a apontar. Teve consciência de que a suas costas se fazia um profundo silêncio e ouviu o eco de uns passos de homem sobre o piso de madeira, mas o que a preocupava era que se fazia tarde e seus alunos estavam distraídos. — Willie, se seriamente quer cantar, tem que prestar atenção — advertiu, mas Willie apontava para algo entre o público e sussurrava furiosamente para dois companheiros. — Senhorita Timmons! — Disse Gina, olhando a pianista, que também ficou olhando com a boca aberta algo as costas de Gina. — Por favor, senhorita Timmons, volte a tocar. — Mas ante a surpresa de Gina, uma parte das crianças do coro se adiantava formando um pequeno grupo. — Aonde acreditam que vão? — Perguntou Gina, a ponto de perder a paciência. Girou sobre seus calcanhares. E ficou petrificada.
Harry estava parado a quatro metros de distância, com as mãos nos lados. Por fim deve ter lido minha última carta, pensou, e veio buscar seu carro. Permaneceu onde estava, com medo de falar, com medo de se mover, olhando fixo esse rosto sério e bonito que a acossava em sonhos e atormentava seus dias.
Um dos alunos prediletos de Gina, Willie Jenkins, adiantou-se e falou com tom sério.
— Você é Harry Potter? — Perguntou.
Harry assentiu em silêncio e vários outros meninos se adiantaram, três deles em cadeiras de rodas, para formar uma espécie de cerco ao redor de Gina. Harry se deu conta de que se preparavam para defendê-la do monstro que acabava de aparecer.
— Então será melhor que dê meia volta e saia daqui — advertiu outro dos meninos, levantando o queixo. — Você fez a senhorita Weasley chorar.
O olhar de Harry não saiu do rosto pálido de Gina.
— Ela também me fez chorar.
— Os homens não choram! — Exclamou um dos pequenos.
— Às vezes choram... Se alguém muito querido os fere.
Willie levantou a vista para olhar a sua querida professora e viu que tinha as bochechas banhadas em lágrimas.
— Olhe! A está fazendo chorar de novo! — Advertiu com um olhar furioso. — Para isso veio?
— Não, vim porque não posso viver sem ela — respondeu Harry.
Todos os presentes ficaram estupefatos ao ver o famoso, ator rude do cinema, que se humilhava e admitia isso diante eles, mas Gina nem sequer notou os olhares dos outros. Adiantou-se apressada, primeiro caminhando, depois correndo... Correndo para jogar-se nos braços que se abriam para recebê-la.
Harry a abraçou com força inusitada, embalou com as mãos seu rosto choroso contra o peito, protegeu-a da vista do público, inclinou a cabeça e sussurrou com voz rouca:
— Amo você.
Com o corpo estremecido pelos soluços, Gina lhe rodeou o pescoço com as mãos, enterrou a face contra seu peito e se pendurou nele. Na parte traseira do auditório, Rony rodeou com um braço os ombros de Hermione e a aproximou de si.
— Como adivinhou o que aconteceria? — Perguntou.
Lalau, o taxista, tinha uma mente mais prática, embora igualmente romântica.
— O ensaio terminou! — Gritou enquanto apagava as chaves de luz, inundando o auditório em uma total escuridão. Em seguida saiu trotando em direção a seu táxi.
Quando por fim alguém encontrou as chaves de luz, Harry e Gina já tinham ido.
— Entrem — convidou Lalau com um floreio de seu chapéu quando os viu sair correndo da escola, um segurando a mão do outro. — Sempre quis dirigir o carro de um casal em fuga — adicionou enquanto apertava fundo o acelerador e o carro saltava para frente, afastando-se do edifício. — Aonde vamos?
Nesse momento para Gina era impossível pensar.
— Para sua casa? — Perguntou Harry.
— Não, se quiserem estar tranquilos — opinou Lalau. — Todo o povoado ligará e passará lá a saudá-los.
— Onde fica o hotel ou motel mais próximo?
Gina o olhou inquieta, mas Lalau foi mais direto.
— O que está tentando fazer? Arruinar por completo a reputação da Gina, ou restaurá-la?
Harry olhou Gina e se sentiu incapaz de falar, indefeso e desesperado por estar a sós com ela. Os olhos de Gina lhe diziam que ela sentia o mesmo.
— A minha casa — decidiu ela. — Se for necessário desligamos o telefone e desconectamos a campainha.
Instantes depois, Lalau parou o carro em frente à casa de Gina, e Harry colocou a mão no bolso em busca de mais dinheiro.
— Quanto lhe devo esta vez? — Perguntou com secura.
O homem se virou com ar de dignidade ofendida e devolveu a nota de cem dólares.
— Cinco dólares pela viagem completa, incluindo a ida ao aeroporto para procurar seu piloto. Essa é uma tarifa especial para o homem que não tem medo de confessar diante de todo o povoado que está apaixonado pela Gina — adicionou com um sorriso juvenil.
Estranhamente emocionado, Harry lhe entregou o bilhete de cem dólares.
— No avião deixei uma mala e outra pasta. Incomodaria se eu pedisse para me trazê-las até aqui depois de ter deixado o piloto no motel?
— Como iria me incomodar? Vou deixá-los na porta traseira da casa da Gina, para que não tenham necessidade de atender a campainha.
n/a: ooooooooh, eles finalmente estão juntos, mas ainda tem muita coisa pra acontecer, pq acho que estou ouvindo a marcha nupcial será?? Bjus e até logo...