Sirius e Marlene trocaram sorrisos de profundo prazer quando Harry chegou na sala com uma mala. Sirius se recostou contra a poltrona, estirou as pernas e estudou com o olhar o traje azul que Harry usava.
— Na Califórnia ninguém usa uma roupa para ir a uma festa, Harry. É algo que não se faz.
— Esqueci dessa maldita festa! — Exclamou ele, olhando para seus convidados pela janela. — Por favor, peço que os atendam em meu nome... Farão isso? Expliquem que se apresentou algo urgente. Posso usar seu piloto? — Adicionou, depositando distraído a mala no piso enquanto se atava a gravata.
— Só o piloto? — Perguntou Sirius, olhando para Marlene que se sentou no braço do sofá, com uma mão sobre o ombro de seu marido.
Harry se virou quando entrou apressada sua governanta para lhe entregar duas pastas que ele tinha pedido que preparasse.
— Seu avião e seu piloto — esclareceu Harry com impaciência.
— Depende de aonde quer ir.
Seguro de que tinha tudo o que necessitaria durante os dias seguintes, Harry por fim prestou atenção em seu amigo.
— Aonde demônios acham que vou?
— Como quer que saiba? Se for a Hogsmeade, Texas, não acredita que antes deveria ligar para Gina?
— Não, porque não sei como reagirá. Não quero que vá a alguma parte para não ter que se encontrar comigo. E se tomo um voo comercial, demorarei horas para chegar.
— E que pressa tem? Já a deixou seis semanas esperando, enquanto Thomas a tinha na mão, sem dúvida, e lhe oferecia seus largos ombros para que chorasse sobre eles. Além disso, os aviões privados são brinquedos muito caros...
— Não tenho tempo para estas mer... — Harry conteve a má palavra por Marlene, adiantou-se para despedir-se dela com um beijo e parou quando na porta apareceu Joe O'Hara.
— Tenho o carro na porta, Sirius. E falei com Steve por telefone. Diz que o avião está cheio de combustível e pronto para decolar. Quando quer partir, Harry?
— Acredito que agora mesmo — brincou Sirius com secura.
Depois de dirigir um olhar de desgosto a seu amigo, Harry abraçou Marlene.
— Obrigado — disse em voz baixa e com tom de enorme sinceridade.
— De nada — respondeu ela, muito sorridente. — Dê lembranças a Gina.
— E lhe transmita minhas sinceras desculpas — adicionou Sirius, ficando de pé com ar sério, enquanto estreitava a mão de Harry. — Boa sorte.
Olharam-no dirigir-se à porta. Então Marlene olhou seu marido e seu sorriso se fez mais amplo.
— Esse homem a ama tanto que não se importa que muita gente pense que é um imbecil por procurá-la depois do que ela fez na cidade do México. O único que o importa é que ela também o ame.
— Já sei — respondeu Sirius, olhando os olhos empanados de lágrimas de sua mulher. — É um sentimento que conheço bem.