- Vocês terão que aulas hoje? – perguntou Gina enquanto seguiam para o salão principal onde tomariam o café da manhã. – Hoje eu tenho um dia cheio. Transfiguração, Trato das Criaturas Mágicas, Feitiços e à tarde, Herbologia, Defesa Contra as Artes das Trevas e dois tempos de Poções.
- Teremos Herbologia, dois tempos de Poções e à tarde, Trato das Criaturas Mágicas e dois tempos de Defesa Contra as Artes das Trevas – respondeu Rony.
- Só? Eu pensei que fossem quatro tempos à tarde... – disse Gina.
- É que o sexto ano só faz agora as matérias importantes para exercer a sua profissão, então nós temos os horários divididos. Recebemos um pergaminho onde temos os horários de todas as matérias e só fazemos as que escolhemos. Todos acrescentamos Trato das Criaturas Mágicas. Eu e Harry acrescentamos também Aritmancia e eu vou continuar o curso de Runas Antigas. – Hermione explicou.
- Nós também não teremos Poções hoje – falou Harry baixando a voz. – Snape está fazendo um trabalho para a Ordem e só volta ao trabalho amanhã.
- Harry, depois eu quero que você me conte o que aconteceu ontem à noite! Você prometeu que contaria...
- Hermione! Harry! – uma voz esganiçada os chamava.
Hermione se virou e deu de cara com Colin Creevey, que vinha na direção do grupo abanando um envelope nas mãos.
- Oi, Colin! – disse Hermione naturalmente. – Trouxe as fotos?
- Claro, Mione! Só que eu procurei vocês ontem e não os encontrei em lugar nenhum. Bem, de qualquer forma... Aqui estão! As cópias para aquelas garotas também estão aí. – Ele apontou o envelope que já estava na mão de Hermione, sorrindo.
- Obrigada, Colin – disse Hermione retribuindo o sorriso para ele.
- Não foi nada. Quando quiser, é só falar... Acho melhor me adiantar. Tenho que voltar ao dormitório antes das aulas. Até mais! – o loiro se despediu e saiu.
- Fotos? – perguntaram Rony e Gina em uníssono.
- Quando chegamos ao Beco, encontramos o Colin e ele pediu para tirar umas fotos – Hermione guardou o envelope na mochila.
- Vamos logo! Tenho que fazer algo antes das aulas – fez Rony rindo, provavelmente tentando esconder a curiosidade em ver as fotos.
- Hum... Será que eu sei o que é? – disse Harry fazendo cara de interrogação.
- Será? – fez Hermione rindo.
- Eu acho que sabemos, sim... – disse Gina entrando na brincadeira.
- Rony! – chamou Luna se reunindo ao grupo. Deu um beijo no namorado, o que deixou os outros encabulados com a situação.
- Er... Melhor irmos andando... – disse Hermione.
Os outros concordaram e entraram no Salão, deixando o casal sozinho no saguão.
Sentaram-se à mesa da Grifinória, onde quase todos os sextanistas falavam sobre o Torneio. Falavam como se fossem todos do mesmo grupo e até trocavam ideias de como poderiam realizar as provas e como iriam estudar. Hermione apenas escutava as conversas e olhava indignada para os outros. Como poderiam desrespeitar as regras do Torneio? Ela sabia perfeitamente que todos tinham conhecimento das regras e que, por isso, não deveriam estar fazendo o indevido.
- Eu acho que vocês deveriam era se preocupar em obedecer às regras do Torneio, ter esses tipos de conversas quando estiverem em grupo, não falando para todos como irão realizar as provas... – disse Hermione em voz alta, com superioridade.
Todos de calaram e encararam a garota, cujas feições espelhavam sua completa desaprovação. A reação seguinte que ela teve, foi a que os amigos já esperavam: Hermione deu os ombros e ignorando os rostos perplexos que a encaravam, começou a tomar seu café.
Ela estava sentada em meio a Harry e Gina, que conversavam distraidamente segundos antes e agora riam da situação que a amiga tinha colocado os outros sextanistas.
Não muito tempo depois, Harry e Hermione começaram a conversar sobre o Torneio.
- Nós não estamos desrespeitando as regras, afinal, somos do mesmo grupo. Podemos falar tudo aqui que sairemos limpos dessa história. Eu juro que se eu pegar mais alguém falando do Torneio com pessoas de outros grupos, irei falar diretamente com a McGonagall – disse Hermione.
- Mione, como você pode ter tanta certeza de que ali ninguém é do mesmo grupo? – fez Gina.
- Oras, Gina! Eu sei quais são os grupos! Tenho todos aqui comigo – disse ela.
- Onde? – perguntou Gina.
- Aqui! – disse Hermione apontando com a varinha para a cabeça.
Gina entendeu.
- Como você conseguiu?
- Alguns feitiços e a cabeça – respondeu ela, depois sussurrando no ouvido da amiga. – Já sei até como trocar os corpos.
Gina ia soltar uma exclamação naquela hora, mas Hermione a olhou perigosamente e esta se calou, ainda espantada com a revelação. Ficou calada e olhou para a mesa que ficava no outro extremo do salão, onde fixou seus olhos num garoto loiro de olhos cinzentos que a fitava. Ela riu e desviou o olhar. Baixou a cabeça e continuou a rir silenciosamente.
- Rindo de quê, Gina? Ao que sei o torneio não é algo engraçado – fez Hermione para a ruiva.
- Imagina, Mione! Não é disso que estou rindo.
- Então está rindo de quê? – perguntou Harry.
Gina não respondeu de imediato. Foram alguns segundos em silêncio, tempo suficiente para se inventar uma boa desculpa. E por que não uma desculpa óbvia? Por que não dizer o que pensava naquele momento?
- Oras! Eu sempre dei risadas durante suas conversas. São tão bonitinhos... Acho vocês tão fofos quando estão juntos! – disse, por fim. Em parte tudo o que dissera era verdade.
- Corta essa, Gina! – fez Hermione, rindo.
- Gina... Nós somos amigos há seis anos, como você queria que não fôssemos como irmãos? – disse Harry desconversou.
Gina encolheu os ombros e os dois se encararam. Ainda achavam que Gina tinha aquela antiga paixão por Harry. Não sabiam como estavam enganados...
- Acho melhor irmos andando. O Rony não vai aparecer mais... E já estamos atrasados, Harry – disse Hermione se levantando e colocando a mochila nos ombros.
- Vamos – Harry e Gina se levantaram e os três saíram do aposento.
Gina se separou deles ali mesmo. Eles iriam para as estufas e ela para a sala de Transfiguração.
Como Hermione havia dito, Rony realmente só aparecera quando a profª. Sprout estava começando a explicar o assunto do dia. Estava sorridente, mas de aparência preocupada. Pegou as luvas e se juntou aos amigos.
- Você está ficando maluco, Rony? Sorte sua a Sprout ter te deixado entrar... – sussurrou Hermione pelo canto da boca.
- Muito bem! Acho que todos já estão aqui e podemos começar, não? – disse Sprout e todos os alunos confirmaram com a cabeça. – Ótimo! Hoje nós vamos estudar as plantas de tentáculos venenosos e que podem ser usadas no preparo de poções. Vocês deverão se equipar com aventais de couro e luvas.
Os alunos se dispersaram para pegar os materiais que a professora havia pedido. Aos poucos estavam todos à mesa novamente, mas desta vez equipados para uma aula segura.
- Bem, temos aqui uma planta para cada três pessoas. Formem trios e um de vocês vem aqui e pega um vaso, ok?
Hermione prendeu os cabelos em um coque na nuca e se dirigiu ao local onde os vasos estavam expostos. Voltou com o rosto vermelho, como se tivesse passado o dia inteiro embaixo do sol quente. Harry, percebendo que o vaso estava pesado e que, como a planta tinha tentáculos venenosos, Hermione se mantinha o mais afastada possível do vaso, foi ajudar a garota. Rony olhava a como se a amiga fosse a coisa mais engraçada do mundo naquele momento. Parecia se contorcer por dentro para conter o riso. Ele não se abalou quando os amigos largaram o vaso ‘gigante’ no chão enquanto respiravam rápido e ofegante.
Minutos depois, os três estavam estudando a planta mais estranha que já haviam visto. Ela era roxo berrante com as pontas dos tentáculos vermelhas, tinha aparência viscosa e flácida, apenas aparência, pois era uma planta rígida e escamosa. Era também uma planta interessante. Seu nome era buba-pufão, usada no preparo de vários tipos de poções. Aquela aula seria uma espécie de complemento para Poções, o que era bom para eles, já que essa era a maneira de chegarem à aula de Snape sabendo o que era buba-pufão.
Ao bater do sinal, Hermione simplesmente retirou a capa e as luvas que usava, soltou os cabelos, agora compridos e levemente ondulados, colocou a mochila nos ombros e saiu da estufa.
- Espero vocês do lado de fora – disse ela.
Os outros dois ficaram para colocar a planta no lugar inicial. Ao saírem, Harry passou as mãos pelos cabelos bagunçando-os ainda mais. Agora, estavam voltando para o salão comunal da Grifinória, pois teriam os horários de Poções livres. No caminho, Hermione bradava com Rony.
- Como alguém pode ser tão irresponsável? Chega atrasado à primeira aula do ano, não ajuda em praticamente nada e para melhorar, se é que essa é a palavra certa, você ainda não copia as anotações que eu e o Harry fizemos durante a aula?! – ela fez uma pausa. – Onde você está com a cabeça, Rony? Desse jeito você não vai nunca conseguir se tornar auror!
Rony ouvia tudo calado, cabisbaixo. Não ousaria encarar a amiga.
- Se quiser faça as suas anotações. Depois eu corrijo. A Sprout passou trinta e cinco centímetros de pergaminho sobre as buba-pufão para a quarta-feira e se não me engano, você nem ao menos começou, Ronald Weasley! – Hermione já estava irritada com o garoto. – Francamente!
A briga dos dois durara o caminho todo até ali, e Harry já não aguentava mais.
- Grindylow. – disse ao chegarem ao retrato da mulher gorda.
Rony se encaminhou emburrado para a mesa ao canto do aposento, que agora se enchia rapidamente, embora alguns alunos apenas deixassem suas mochilas e saíssem.
Hermione se sentou o mais longe possível do ruivo e enterrou a cara nos livros. Harry não tinha muito que fazer, então resolveu pegar as suas anotações para ajudar Rony. O mais discretamente possível, para não chamar atenção de Hermione, esticou o braço para a sua mochila.
- Nem pense em fazer isso! Se for para ajudar, que seja sem as anotações. É obrigação dele fazê-las sozinho, já que não fez durante a aula – disse Hermione sem tirar os olhos do livro de Defesa Contra as Artes das Trevas. Na verdade, o livro lhe cobria a face totalmente.
Harry e Rony se encararam. Como ela teria visto? Aquilo decididamente era muito estranho...
- Mione...?
- Eu sabia que você ia tentar ajudá-lo. Harry, como você mesmo disse a Gina hoje, somos amigos há seis anos. Era de se esperar que eu te conhecesse tão bem quanto você mesmo, não? – disse Hermione cortando o garoto, ainda sem tirar os olhos do livro. Bichento resolvera aparecer e roçando de leve na perna da dona, miou. Hermione, quase que automaticamente, desceu a sua mão esquerda e começou a acariciar atrás das orelhas do gato.
O silêncio agora era absoluto, a não ser pelo som da pena de Rony arranhando o pergaminho. Mas algo chamou atenção dos garotos. Um som fino, baixinho... Um miado de gato. Um gatinho de cor caramelo que podia caber perfeitamente na palma da mão, vinha em direção aos três.
- Ai, que coisa mais fofinha! – exclamou Hermione. – Acho que está sentindo falta da Gina, não é? – ela agora tinha o gato em suas mãos.
- Eu não vejo esse gato quase nunca com a Gina – comentou Harry.
- É meio difícil notar ele quando se é uma bolinha minúscula de pêlos – disse Rony.
- Já terminou, Rony? – perguntou Hermione meramente, enquanto colocava o pequeno gatinho em seu colo.
- Hum... Acho que já! Será que você pode dar uma olhada? – fez ele para a amiga.
Hermione nem respondeu. Pegou o pergaminho da mão do amigo e começou a ler. Pegando uma pena e sua própria varinha, ela ia apagando os erros e escrevendo por cima. Usando a varinha fazia sua letra se transformar na de Rony.
- Está aqui! – devolveu o pergaminho para Rony. – Consertei algumas coisas... Acho que está bom.
- Valeu, Mione! – disse ele para a garota.
- Não foi nada – ela pegou o livro que estava lendo e, mais uma vez, cobriu seu rosto.
- Harry, você já marcou os testes para o time? – perguntou Rony.
- Ainda não. Tenho que fazer um aviso para pôr aqui no quadro ainda – respondeu Harry com simplicidade.
- Acho melhor você se adiantar, cara! Temos que formar um time para começarmos a treinar o quanto antes. O campeonato entre as casas começa daqui a dois meses – disse Rony.
- E desde quando você se preocupa com isso? – perguntou Hermione.
Rony virou-se para encará-la, mas isso era impossível. O livro que ela segurava estava lhe tapando o rosto.
- Desde que, eu preciso fazer o teste para continuar sendo o goleiro do time e preciso melhorar. Ano passado eu fui um desastre! – retrucou Rony.
- Não comecem de novo! Será que vocês dois não cansam de brigar? – perguntou Harry incrédulo. – Quando eu penso que tudo está bem novamente vocês começam tudo de novo! Sempre voltam a brigar...
Nenhum dos dois respondeu. Harry se levantou.
- Onde você vai? – perguntaram Rony e Hermione, que abaixara o livro, em uníssono.
- Vou fazer o aviso. Se quiserem me ajudar...
Hermione simplesmente pegou um pergaminho que tinha em sua mochila, colocou em cima da mesa e fez um aceno com a varinha murmurando algo. Depois ela começou a murmurar outras coisas baixinhas e muito rápidas, coisas que os outros dois não conseguiam entender.
- Pronto! – ela devolveu o pergaminho para Harry. – Sexta está bom para você?
- Brilhante! – exclamou Rony.
O pergaminho, que estava branco segundos atrás, agora estava repleto de palavras. Era um verdadeiro comunicado para as inscrições para o novo time de Quadribol.
- Mione, você é a melhor amiga do mundo! – disse ele abraçando-a.
Hermione corou levemente. Harry a soltou e foi prender o pergaminho no quadro de avisos. Mais uma vez Hermione cobriu o seu rosto com o livro.
- Rony! Vamos? – chamou Simas.
- Eu vou ali. Marquei com o Simas de fazer umas coisas. Daqui a pouco eu volto – disse Rony para os amigos, que nem ao menos se moveram nem perguntaram nada.
Rony saiu do salão comunal atrás de Simas.
Hermione abaixou o livro novamente e suspirou.
- Não aguento mais o Rony! – falou baixinho. Abriu sua mochila e retirou o envelope que Colin tinha lhe entregado mais cedo. – Harry! – chamou.
Harry virou-se para ela, que abanou o envelope.
- Ah! As fotos – ele foi até a amiga.
Ela tirou as fotos de dentro do envelope e entregou duas a Harry. Pegou dois pergaminhos e endereçou um a Tonks e o outro a Débora.
- Harry, será que eu posso usar a Edwiges? – perguntou Hermione se levantando, as cartas na mão.
- Não será preciso – naquele exato momento a coruja branca entrou pela janela aberta e pousou no ombro de Harry, passando por cima do ombro esquerdo de Hermione.
Edwiges estendeu a pata para que o dono pudesse retirar a carta que se prendia a ela. Harry começou a ler para si, mas ao ver que a carta não era somente ao seu respeito, levantou o dedo e acenou para que Hermione viesse ler ao seu lado, ainda sem tirar os olhos do pergaminho.
A letra de Dumbledore na caneta marrom avermelhada refletia a luz do dia.
Harry e Hermione,
Estou lhes escrevendo esta carta para avisar que vocês já têm uma missão para seguir. O objetivo de vocês é o mais claro que poderia ser. No sábado à noite, vocês virão ao meu escritório para que eu possa dar mais detalhes. Temos novas notícias sobre Voldemort e eu acho que devemos mantê-los informados.
Hermione, sei que o Harry ainda não teve tempo para lhe contar tudo o que eu disse a ele, então vocês deverão ter esta conversa na Sala Precisa, que, creio eu, está vazia neste exato momento. Dirijam-se para lá. Este, com certeza, é um lugar seguro para os tipos de conversas a serem tratados.
Harry, trate de contar à Hermione tudo o que conversamos ontem a noite. Não esqueça de detalhe algum. Tudo é muito importante para os membros da Ordem.
Lembrando a vocês: ainda têm cinquenta minutos para o almoço. Acho que o tempo é suficiente...
Até breve,
Alvo Dumbledore
A carta fora um pouco vaga, mas tinha tudo o que eles precisavam saber. Hermione não fez mais perguntas. Olhou para o garoto e acenou positivamente com a cabeça.
- Espere só um minuto – disse ela pegando as cartas e entregando-as a Edwiges, que saiu imediatamente e sumiu no céu. Depois ela foi até o amigo e saiu do aposento, deixando Harry ali. Voltou quase que instantaneamente. – Podemos ir agora.
Harry meramente balançou a cabeça, acenando positivamente e os dois deixaram o salão comunal. Seguiram lentamente para a Sala Precisa. Apos passarem por ela as três vezes necessárias, a porta se abriu. O ambiente em que se encontravam agora era completamente diferente do que tinham entrado no dia anterior. Era um local muito parecido com o quarto de Bicuço no Largo Grimmauld. Sentaram-se nas poltronas. Hermione olhava ansiosa para Harry, que continuava calado.
- Bem, o assunto é preocupante – Harry começou. – Mione, o Dumbledore me chamou ontem para falar algumas coisas que me deixaram realmente preocupados.
- Você finge direitinho... – comentou a garota seriamente. – Mas o que foi que ele disse?
- Ele me contou que a Madame Bones, a tia da Susana, foi morta no sábado à tarde, quando saía do Ministério e que a Belatriz foi vista mais uma vez. Calma! Não foi no ministério... Muito pelo contrário! – disse Harry ao ver o rosto assustado da amiga. – Belatriz foi vista entrando na casa dos Malfoy e bem recebida pela Narcisa. Pelo que eu sei, até agora, as duas são irmãs, mas se odiavam. De qualquer forma, Dumbledore disse que ia investigar o caso. Mas disse que acha que depois da morte de Lucio, Narcisa sentiu que estava na hora de recorrer a alguém e os únicos parentes vivos eram Draco e Belatriz. Draco saiu de casa, isso nós sabemos, e Belatriz é a única irmã dela – ele fez uma pausa. – Depois ficamos sabendo que Rabicho desapareceu, mas Dumbledore garante que ele está vivo. Nesse caso eu não sei informar muita coisa. Dumbledore apenas deixou escapar. Ficou no ar... E quanto a Snape, estávamos certos! Ele realmente está aprontando alguma, mas para a Ordem.
- Por isso que não tem aparecido... Mas em quê que ele está trabalhando? – perguntou Hermione.
- Provavelmente é o que vamos saber hoje, não é? – fez Harry. – Mas como eu estava dizendo, o Snape está meio que preparando uma missão para nós. Pelo que ouvi Dumbledore comentando com a McGonagall, era isso. Depois ele me mandou ir até a sala do Lupin, foi aí que te mandei a mensagem – mais uma pausa. Hermione escutava com toda a atenção para não perder nenhum detalhe. – O Lupin marcou as nossas aulas para os sábados pela manhã, exceto em ocasiões especiais.
O sinal tocou. Estavam ali há cinquenta minutos? Harry olhou para a porta e desta, para Hermione novamente.
- Tudo bem. Você tem até hoje de noite para me contar o resto, ok? – fez ela se levantando.
Ele simplesmente acenou com a cabeça e os dois saíram da Sala Precisa, dirigindo-se ao salão principal para o almoço.
- Mione! Eu preciso de sua ajuda, amiga. Tenho que aprender a transfigurar um besouro em um botão... URGENTE! – disse Gina quase gritando quando se encontraram no corredor.
- Calma, Gina! Eu disse que te ajudaria nos estudos para os N.O.M.’s, não disse? – disse Hermione tentando acalmar a garota.
- Tudo bem. Eu me controlo...
- Gina, onde você tinha enfiado o seu gatinho? Como é mesmo o nome dele? – perguntou Hermione.
- Eu vou indo – disse Harry. – Depois a gente continua, Mione.
- Tudo bem, Harry. – disse Hermione acenando com a mão para ele.
- Continua o quê? Que história é essa, Mione? Ta rolando alguma coisa, é? E você nem pra me contar?! Amiga da onça! – Gina saiu despejando as perguntas em cima de Hermione.
- Não é nada disso, Gina! Claro que não! Já disse: somos...
- Apenas bons amigos! Sei, sei... Entendi! – completou Gina.
- Responda as minhas perguntas agora. O que você fez com aquela fofura? – repetiu Hermione.
- Você está bem, Mione? Justamente você que nota tudo?! Não acredito que estou ouvindo isso de você! Oras, Mione! Para todo canto que eu ia, levava o Bubbles no bolso...
- Sério? – fez Hermione. – Eu nunca notei! Acho que é pelo tamanho dele... Tão fofo, não é?
- O da Luna é lindo também. Ela ainda é pior que eu! Carrega o dela dentro do bolso interno das vestes.
- Só a Luna mesmo... E qual o nome do dela?
- Ruggy. É meio estranho...
- Gostei desse nome! Para um gatinho é lindo... – as duas agora entravam no salão principal.
Rindo silenciosamente, sentaram à mesa da Grifinória, próximos a Harry e Rony. Não conversaram muito. Apenas começaram a comer. Dessa vez, todos comeram calmamente, o que fez Hermione suspirar aliviada. A cena de Rony no dia anterior ainda estava bem nítida em sua cabeça. Foi uma situação extremamente nojenta! Talvez fosse porque ainda tivessem duas horas para a próxima aula ou porque ele não queria brigar mais com Hermione. Tinham brigado o suficiente para três dias. Gina comia enquanto olhava para Hermione. Não sabia como iria falar com a garota.
- Mione, será que dava para me ensinar aquilo agora? – perguntou Gina hesitante, pois Hermione ainda comia. – É que eu vou estar ocupada hoje à noite. Vou fazer umas coisas com a Rachell.
- Que Rachell? A Smith? – perguntou Hermione. Gina concordou com a cabeça. – Eu gosto dela. Sim, Gina! Pegue logo a sua varinha. Estou com fome!
Gina pegou a sua varinha e executou o feitiço para Hermione ver.
- Gina, pra quê melhor? Você está simplesmente ótima! Só tem que mexer direito com a varinha, senão nunca que vai sair certo, não é?
Gina tentou novamente. Desta vez executara o feitiço perfeitamente.
- Pronto! – disse Hermione. – Assim está perfeito!
Elas voltaram a comer.
Hoje foi a vez de Hermione terminar primeiro.
- Até mais tarde! – disse ela e sem dar mais satisfações, saiu do aposento. Ela iria fazer uma coisa que estava planejando há muito tempo...
Os outros ficaram ali por um tempo. Harry e Rony conversando e Gina estudando. Depois, eles voltaram ao salão comunal para pegar o material da tarde e seguiram para suas respectivas aulas. À noite, jantavam e voltavam para o salão comunal, exceto Gina, que ia se encontrar com Malfoy na torre de Astrologia; e Rony, que ia namorar com Luna pelo colégio. Os outros dois, passavam a noite fazendo anotações e deveres.
O resto da semana passou desse jeito. A rotina não mudava nunca!
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A sexta-feira chegou, assim como os testes para o novo time de Quadribol. Harry, Rony, Gina e Hermione, saíram do castelo as 19h e foram para o campo. Harry com uma prancheta e os outros esperando para realizarem os testes.
Hermione era a única que ia sem interesses maiores. Ela sempre dizia não entender nada de Quadribol, não saber jogar e não ter tempo para treinos, mas apesar de tudo, sabia perfeitamente quando alguém era realmente bom. Ela detestava admitir, mas o fato de estar pendurada a uma vassoura a metros e metros de altura, sem estabilidade ou segurança, a aterrorizava; ela simplesmente tinha pânico de altura.
Ela iria ajudar Harry nas escolhas. Vários alunos da Grifinória haviam aparecido. Dentre eles, os irmãos Creevey, Simas, Dino, Neville, Katie e Rachell, fora os muitos outros que Harry nem conhecia direito.
- Muito bem. Todos estão presentes? – perguntou ele.
Hermione cochichou baixinho em seu ouvido, algo que ninguém pôde ouvir.
- Ótimo! Primeiramente, quero deixar claro que não vou colocar ninguém no time porque é meu amigo e sim pela sua capacidade, seu esforço – disse Harry andando por entre os grifinórios ali presentes. – Vamos começar pelo teste para goleiro. Quem se candidata?
Três garotos, inclusive Rony, ergueram as mãos.
- Seus nomes?!
- Ralf Lotherman.
- George Kilmany.
- Precisa mesmo dizer? – fez Rony.
Todos riram.
- Ronald Weasley – fez Hermione anotando no pergaminho os nomes.
- Podem dirigir-se às balizas – disse Harry. – Vou chamar duas artilheiras para jogar a goles na direção das balizas para marcar o gol e vocês terão que agarrar. Caso não o façam, perderão pontos de dez tentativas, ok? Katie! Gina! Por favor...
- Não precisa pedir duas vezes, capitão! – disse Katie se levantando com Gina.
Rony foi o primeiro. Agarrou oito das bolas jogadas em ataque.
Depois foi Ralf. Ele também foi muito bem. Agarrou oito das bolas em ataque, só que ao agarrar uma, colidiu com o chão. O que fez ele perder um ponto.
George agarrou apenas cinco bolas. Não era dos melhores...
- Sentem-se novamente nas arquibancadas. Artilheiros! Apresentem-se – ordenou Harry.
Um número simplesmente enorme se apresentou. Harry decidiu fazer os treinamentos em trios. O melhor ficaria no final.
Depois de quase uma hora fazendo rotações de trios, o melhor foi escolhido. Harry e Hermione não diziam nada. Diziam que tinha acabado e pronto! O resultado... Só no final!
Aí vieram os testes para batedores. Este seria o último teste. Foi demorado, mas chegaram a uma conclusão.
- Bom, primeiramente, quero avisar que todos foram muito bem! Se eu não tivesse que escolher apenas seis de vocês, com certeza todos estariam no time. Mas infelizmente, isso não poderá acontecer. Mione vai dizer para vocês o novo time – disse Harry quando todos estavam sentados novamente nas arquibancadas.
- Nosso time ficou assim – ela remexeu os papéis sobre a prancheta. – Artilheiros, ou melhor, artilheiras: Gina, Katie e Rachell Smith; goleiro: Rony; e os batedores: Dino e Simas. |