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8. Capítulo VIII (REVISADO)


Fic: Harry Potter e o destino de uma amizade


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Hermione e os garotos guardaram os pergaminhos do Torneio em seus dormitórios e foram para a casa de Hagrid.

Quando chegaram lá, o gigante os recebeu alegremente. Ele estava com uma aparência saudável este ano.

- Entrem, entrem – fez ao abrir a porta, se deslocando um pouco para o lado para que os garotos pudessem entrar. – Como estão?

- Está tudo bem – Hermione sorriu.

- Vocês vão continuar comigo esse ano? – perguntou ele.

- Claro que sim, Hagrid! – exclamou Rony em resposta.

- Ótimo! – disse Hagrid feliz. – Quais os seus grupos do torneio?

- São bem misturados. Por mais estranho que pareça, nós ficamos no mesmo grupo e com o Malfoy – disse Hermione.

Para Gina e Draco, entretanto, aquilo não era estranho. Era uma peça do destino; essa seria a solução para o problema deles.

- Do Malfoy? – perguntou Hagrid incrédulo.

- Ele mesmo! – confirmou Harry. – Não sei como vou me acostumar a isso. Terei que passar os meus dez meses aqui convivendo de perto com Draco Malfoy!

- Bem, tecnicamente, de perto vocês já convivem com uma Malfoy – disse Rony.

- O quê? – fez Hagrid.

- Isabella Malfoy. Uma prima do Draco, mas ninguém que a conhece diz que ela é realmente uma Malfoy – explicou Hermione. – Ela tem o gênero e temperamento muito diferente do de Malfoy.

- Ah, claro! A Bebel... Como vocês a conheceram? Pelo que sei, ela é do sétimo ano. E da Sonserina – Hagrid comentou.

- A conhecemos pela Gina – respondeu Harry.

- Pelo que ela conta, as duas estavam na loja de animais comprando os gatinhos miniaturas e aí se conheceram – disse Hermione.

Ela tinha procurado saber de Gina como havia conhecido Isabella e como Gina não poderia contar a verdade inteira, contou uma meia verdade.

Os três ficaram o resto da manhã conversando e contando as novidades a Hagrid.

- Onde está Grope, Hagrid? – perguntou Hermione ao tomar coragem.

- Está na floresta. Ele pergunta sempre por você – disse Hagrid com simplicidade.

- Como você está cuidando dele sem se machucar? – perguntou Rony, assombrado. – Eu não o conheci, mas eu vi você todo machucado por estar cuidando dele no ano passado.

- Eu consegui fazer com que ele ficasse mais calmo e educado. Ele não arranca mais as árvores e nem bate mais em mim. Já consegui fazer alguns outros gigantes passarem para o nosso lado e...

- Não me diga que os trouxe para cá, Hagrid! – exclamou Hermione antes que ele pudesse concluir a frase.

- Não era isso que eu ia dizer. Os outros gigantes ainda vivem nas montanhas, mas a verdade é que Dumbledore soube que Grope estava aqui na floresta, então disse que era para eu recrutar mais gigantes. Não todos, mas os que eu conseguisse. Depois mandou que eu os trouxesse para umas montanhas mais para o norte aqui perto – Hagrid contou a história toda aos garotos.

- Dumbledore está ficando louco! Como ele manda o Hagrid trazer mais gigantes para cá? – fez Rony quando saíam da casa de Hagrid e voltavam para o castelo para almoçar.

- Não é bem uma loucura, Rony. Dumbledore está trazendo os gigantes para Voldemort não encontrá-los e levá-los para o lado das trevas. Oras, Rony... Deixe disso! Não há problema nenhum em falar o nome de Voldemort. – Rony soltou mais um gemido. – E eu, pessoalmente, acho que Dumbledore também quer salvar os gigantes da morte. Se eles entrarem em guerra junto com Voldemort acabarão mortos... Todos eles! – disse Hermione em tom de superioridade.

- Dá para parar de dizer o nome dele? Eu ainda prefiro Você-Sabe-Quem... – disse Rony.

- Não dá, não! Voldemort. Voldemort. Voldemort...

Harry só ria. Adorava as discussões dos amigos. Eram engraçadas, mas às vezes chegavam a um ponto insuportável. Ele sabia que alguma hora Hermione ia cansar de repetir o nome de Voldemort e iria parar. Mas ao mesmo tempo sabia que ela começou a chamá-lo pelo nome que realmente tem para deixá-lo confortável, pois antes do quinto ano ela ainda o chamava de Você-Sabe-Quem.

Voltaram então ao castelo e foram para o salão principal. Luna, que estava sentada à mesa da Corvinal, acenou com a cabeça para Rony. Ele fez um gesto com a mão indicando que depois se falavam. Por sorte ninguém percebeu. Os três amigos se sentaram à mesa da Grifinória e começaram a almoçar.

- Finalmente! Estou morto de fome... – disse Rony com a boca cheia de batatas assadas.

Hermione olhava para o garoto em tom de desaprovação.

Rony viu Luna sair do salão acenando novamente para ele, que começou a comer desesperadamente. Hermione olhava com nojo para o amigo. Parecia que não comia há anos!

- Vejo vocês depois – disse o ruivo se levantando, a boca ainda cheia de comida enquanto ele limpava os cantos com um guardanapo.

- Tudo bem – disse Harry. – Mione, você não vai comer?

Hermione esperou até Rony sair do salão.

- Não iria conseguir comer com o Rony aqui. Você reparou como ele estava comendo? É nojento! – ela fez uma careta.

Harry riu e continuou a refeição. Hermione se levantou pouco tempo depois. Tinha terminado antes que ele, embora tivesse começado depois.

- Onde você vai? – perguntou Harry.

- Vou para os jardins. Se quiser alguma coisa, estarei próxima a aquela árvore que fica na beira do lago – disse ela saindo.

Hermione saiu do castelo e foi para os jardins. Estava pensando em tomar um banho no lago e esfriar um pouco a cabeça. Nos últimos dias muitas notícias que ela não esperava foram dadas. Chegando à árvore que havia dito a Harry, sentou-se à sombra encostando-se em seu tronco. Ficou sentada ali por um instante admirando a paisagem por trás da floresta. Era a única ali fora. Despiu-se ficando apenas com maiô que usava por baixo das vestes. Entrou no lago devagar. A água estava um tanto fria, mas ela não se importou. Ficou nadando submersa no lago.

Harry saiu do castelo. Esteve procurando Rony por toda a parte, mas não achou o amigo. Não queria ficar sozinho no castelo, então resolveu procurar Hermione. Foi em direção ao lago, onde encontraria a amiga junto a uma árvore, mas ela não estava lá. Ele estranhou que a garota tivesse sumido e deixado as coisas ali. Depois, ele se sentou recostando-se no tronco da árvore e observou as coisas da amiga ao seu lado. Além do livro de animagia, estavam as roupas dela dobradas. Harry imaginou que talvez estivesse com Brian, mas logo esqueceu a alternativa. Hermione saía do lago lentamente, vindo em sua direção.

- Ah! Oi, Harry! – disse ela. – Está aqui há muito tempo?

- Cheguei agora a pouco. Estranhei que você não estivesse aqui...

- Eu estava de maiô, então aproveitei para tomar um banho. Esfriar a cabeça, talvez.

- Percebe-se. E encontrou a melhor maneira, hein? – Harry riu.

- Acho que sim... – ela sorriu e sentou-se ao lado do amigo.

- Estava fria? – perguntou o garoto.

- Um pouco. Mas dá para tomar um banho tranquilo. – respondeu ela. – Eu só esqueci a toalha.

- Do jeito que você fala parece que você não sabe nenhum feitiço para conseguir uma – disse ele rindo novamente. – Accio toalha!

Uma toalha vermelha com bordados dourados veio em direção aos dois.

- Mais alguma coisa? – perguntou Harry.

Os dois riram.

- Há momentos em que eu esqueço que estou em Hogwarts. Talvez seja a convivência com trouxas...

Harry não disse nada. Hermione se secou e se vestiu. Os dois voltaram para o castelo. Harry e Hermione não queriam ir para o salão comunal, afinal hoje era domingo e estavam todos passando o dia pelo castelo.

Estavam andando pelo corredor do sétimo andar, próximos a Sala Precisa enquanto conversavam. Hermione notou que a porta de carvalho que dava para a Sala Precisa estava à mostra, o que significava que estava em uso e não estava trancada.

- Quem será que está aí? – ela se perguntou em voz alta.

- Não faço a mínima ideia! – disse Harry.

- Será que...? – começou Hermione e Harry entendeu.

- Talvez a pessoa não se importe. A não ser que você tivesse pensado em alguma coisa quando passamos aqui. Ela não aparece do nada – disse Harry.

Hermione se aproximou da porta e abriu. Foi estranho, um momento inconveniente de certo modo. A Sala estava parecendo uma biblioteca. Luna estava sentada a uma mesa com um livro em sua frente, como se ela estivesse lendo há minutos atrás, e Rony do seu lado. Os dois estavam se beijando. Harry e Hermione se entreolharam e riram silenciosamente. Os dois pareceram não notar que tinham entrado no aposento.

- Hem hem – fez Hermione.

O casal se separou e ambos olharam para os recém-chegados. Rony corou violentamente até ficar da cor de um verdadeiro tomate. Luna, por outro lado, parecia não ter uma reação clara. A situação foi ficando desagradável.

- Vocês estão aqui há muito tempo? – perguntou a loira finalmente.

- Chegamos agora mesmo. Estranhamos que não tivessem notado – disse Hermione naturalmente.

- Bom, acho que agora não temos mais o que esconder, não é mesmo, Rony? – fez Luna para o ruivo.

- Hum... Acho que... Er... – disse ele ainda corando, se é que isso era possível. O garoto tinha sumido por trás da cortina de cabelos ruivos.

- Estamos juntos há algum tempo. – disse Luna.

- Sério? – fez Harry incrédulo.

- Shhh! Harry, deixa ela contar... – disse Hermione.

Luna começou a contar tudo, desde o começo.

- Oras, Rony! Somos seus amigos. Que problema teria nos contar? – Hermione estava radiante com a notícia. – Ai, Luna! Estou tão feliz por vocês... – disse ela abraçando a loira.

- Estamos... Hum... Felizes de finalmente contar pra alguém – disse Rony falando algo pela primeira vez na conversa.

- Então, parabéns aos dois! – disse Harry.

Eles ficaram sentados ali conversando. Hermione logo se levantou e começou a olhar livros. Quando saíram da Sala Precisa, já era hora do jantar. Hermione, que tinha saído com meia dúzia de livros nos braços, iria tomar o rumo para o dormitório e guardá-los.

- Harry, você vai? – perguntou ela.

- Algum problema? – fez ele em resposta.

- Não, Harry! Claro que não! – disse ela.

- Então, ótimo. Quer ajuda?

- Se você puder...

Ele tomou quatro dos seis livros que a garota levava.

- São sobre o quê? – perguntou ele.

- Várias coisas. Peguei uns dois ou três de Defesa Contra as Artes das Trevas mais avançado que o nosso, um de Aritmancia, uns dois de Transfiguração e mais um, só para ler mesmo – disse ela em resposta.

Quando chegaram ao salão comunal, Neville, que estava saindo do aposento, se esbarrou nos dois, derrubando todos os livros.

- Me desculpem! É que eu estava com pressa... Posso ajudar? – fez o garoto.

- Não, Neville. Não é necessário. Obrigada, mas se quiser pode ir – disse Hermione calmamente.

Neville saiu e Harry e Hermione ficaram sozinhos no aposento. Harry, que já tinha recolhido todos os livros, olhou para ela.

- Onde coloco?

- Deixe que eu os guarde. Só um instante – Hermione tomou todos os livros nos braços e subiu as escadas em direção ao dormitório feminino.

Harry sentou-se a poltrona em frente a lareira e ficou olhando fixamente para as chamas. Tirou os óculos e olhou para as escadas, repondo-os novamente. A cabeça vazia de pensamentos e ao mesmo tempo formando bolos ainda maiores de confusão. Essa era uma sensação terrivelmente desagradável. Não sabia como tirar conclusões de tantas coisas, e quando achava que tinha encontrado a resposta, algo se acrescentava aquilo, mostrando que tirara conclusões precipitadas. Pensou em tudo que acontecera nas duas últimas semanas. Como havia acumulado tantas coisas em sua cabeça? Ele achava que uma Penseira seria útil naquele momento. Agora sabia como Dumbledore e Hermione se sentiam quando estavam sem respostas para os pensamentos que enchiam suas cabeças.

Hermione tinha acabado de chegar ao salão comunal novamente e Harry nem percebera.

- Aconteceu alguma coisa, Harry? – perguntou ela.

- Ah... Já voltou! – disse ele. – Não. Por quê? – perguntou ele quando viu a garota.

- Você está aí quieto, pensativo e nem me viu voltar – disse ela com naturalidade.

- Estava pensando... Seria bom se nós tivéssemos uma Penseira, não seria? Estou precisando tirar certas coisas da cabeça. Coisas que não consigo dar jeito, ou solução – disse ele.

- Seria realmente bom, mas nós não temos uma. Infelizmente – ela murmurou, com pesar. – Talvez se você voltasse no tempo por algumas horas ou conversasse com alguém sobre essas “coisas”, você ache uma resposta que está na sua frente e você não vê – disse Hermione.

- Eu acho que esses assuntos são só meus, Mione. Não quero preocupar nem magoar ninguém.

- Eu entendo perfeitamente. Isso também acontece comigo, não se preocupe! Acontece com todo mundo... Mas se você quiser conversar sobre algo que eu entenda e possa ajudar, sabe que pode contar comigo – disse ela se levantando. – Bom, acho que está na hora de irmos jantar – ela conferiu no relógio.

Os dois seguiram para o salão principal. Todos estavam chegando agora. Rony e Luna estavam próximos ao quadro de avisos com Gina. Rony lia algo em meio a um grupo de sextanistas. Então foram ver o que estava acontecendo.

- Os testes para aparatação começam esse ano. Quem estiver a dois meses de completar dezessete anos, deve se inscrever e terá aulas aos fins de semana – contou Rony. – Mas eu vou fazer durante as férias de Páscoa. Aproveitando que dia primeiro de março é meu aniversário.

- Mas e Harry, que é mais novo? – perguntou Hermione.

- Eu vou fazer durante as férias de verão – disse Harry.

- Mas eu não quero fazer sozinha! – disse Hermione.

- Você faz durante o ano letivo mesmo. Soube que haverão aulas em Hogsmeade para os que já têm ou completam dezessete anos antes do término do ano letivo. – disse Rony.

- E eu sobro? – perguntou Harry meio chateado.

- Acho que sim... Mas não se preocupe, eu nunca gostei de ser a mais velha. E acho que você, Harry, também não gosta nadinha de ser o mais novo, não?

- Oh, Mione! Não fique assim. E Harry, não deveria se importar de ser o mais novo... – disse Gina.

- É, Harry! A Gina é a mais nova de sete irmãos, tem que dividir tudo e ainda assim não se importa. – consolou Luna.

- Mas você não fica só nunca! – replicou Harry – Mione, seu aniversário já está chegando! Só faltam duas semanas e meia. E também não precisa fazer os testes sozinha, basta esperar para fazer ou comigo ou com o Rony. Eu, particularmente, acho que deveria fazer junto a mim, pois o Rony vai estar muito bem acompanhado. – comentou Harry e brincou: – Logo a nossa Mione vai estar mais velha...

Todos riram. Até mesmo Hermione.

- Verdade! Já estou ficando grandinha pra essas coisas... Faço dezoito anos daqui a algumas semanas e estou fazendo este drama todo – mais uma vez todos riram e voltaram juntos para o salão principal.

Sentaram-se a mesa da Grifinória. Muitos estranharam que Luna estivesse ali, mas não comentaram nada.

Gina, como sempre, foi a primeira a se levantar.

- Vou dar uma volta. Não tenho hora para voltar ao salão comunal – disse ela.

- Aonde você vai e com quem? – perguntou Rony.

- Já disse. Vou dar uma volta. Marquei com algumas colegas, vamos nos encontrar daqui a pouco na biblioteca – mentiu ela.

- Tudo bem – disse Rony.

- Mas não demore muito, Gina! Tem que estar de volta antes das 21h, entendeu bem? – Hermione lembrou, entrando na conversa.

- Pode deixar – e dizendo isso, Gina saiu do salão principal e tomou o rumo da Torre de Astronomia.

Subiu as escadas olhando para os lados, para ver não ninguém a estava observando. Chegando ao alto, sentou-se no chão de pedra abraçando as pernas.

- Virgínia Weasley! – fez uma voz atrás da garota, deixando-a assustada.

Ela se levantou virando-se para encarar a pessoa. Era Draco Malfoy.

- Quer me matar do coração? – perguntou enquanto abraçava o rapaz.

- Se eu te matasse, não teria você nos meus braços quando quisesse – disse ele.

- Ah! Para com isso...

Sem dizer mais nada, Draco a segurou pela cintura e a beijou. Gina não reagiu dessa vez, passou seus braços pelo pescoço do rapaz e retribuiu o ato.

Minutos depois, Gina estava novamente sentada no chão e Draco deitado em seu colo. Ela acariciava os cabelos louros do rapaz.

- Eu falei a você: alguma coisa ia aparecer para nos ajudar... – disse Gina.

- O destino fez isso porque nos quer juntos, Gina. Eu falei que um dia você ia ser minha... – Draco se levantou do colo da garota e a beijou novamente.

Os dois ficaram ali até pouco antes das 21h.

- Eu tenho que ir agora. Disse aos outros que estava me encontrando com umas amigas na biblioteca – disse Gina rindo marotamente.

- Boa! Só que essa desculpa não vai valer sempre. Pode tratar de inventar outras para o resto dos dias aqui em Hogwarts... – disse Draco rindo também.

- Não será preciso. Eu tenho um vira-tempo – comentou.

- Melhor ainda! – ele deu um beijo rápido na garota. – Nos encontramos quando?

- Aqui mesmo. Amanhã no mesmo horário? – fez ela.

- Tudo bem – ele então checou o relógio. – Olha... Faltam cinco minutos para 21h. Você tem que voltar ao seu dormitório até as 21h, não é mesmo, Weasley? – brincou Draco com tom autoritário.

- É, e eu já vou. Boa noite! – Gina deu mais um beijo rápido no rapaz e desceu as escadas.

Draco esperou alguns minutos para descer também.

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- Vejo que é pontual, não é mesmo, Gina? – fez Hermione quando ela entrou no salão comunal.

- Você disse que era para eu voltar até as 21h, não foi? Então, aqui estou eu! – disse Gina. – Mas por que esteve me esperando?

- E quem disse que estou esperando você? – perguntou Hermione em resposta.

- Só imaginei... Mas vejo que não acertei, não?

- Exatamente! Estou esperando uma mensagem... – Hermione mostrou o caderno para Gina.

- Ah! Explicado! Mas é de quem? Posso saber?

- Curiosa... Ainda não! Mas eu te falo a depender do que estiver escrito... – naquele momento o caderno de Hermione vibrou. – Chegou!

Hermione abriu o caderno e leu a mensagem.

Mione,
Acabei de sair da sala de Dumbledore. Ele me mandou passar na sala do Lupin. Disse que precisamos resolver um assunto. Parece que teremos (eu, você, o Rony, a Luna, a Gina e o Malfoy), aulas extras de Defesa Contra as Artes das Trevas. Não sei por que o Dumbledore incluiu o Malfoy na lista, mas algum motivo ele tem, só que não quis dizer. O que ele me disse foi: “Não se preocupe. Saberão em breve o que ele tem a ver com isso. Em breve terão as respostas...” Não entendi o que ele quis dizer, mas não insisti no assunto. Quando eu estiver de volta ao salão comunal te conto melhor. Estou no meio do corredor, sentado no chão! Imagina se alguém me pega aqui? Então é isso. Conto o resto depois.
Seu amigo,
Harry Potter


- E então, Mione? O que foi? – perguntou Gina.

- Acho que devo te contar. Seu nome está incluído mesmo... – fez Hermione fechando o caderno e abrindo novamente. A mensagem havia desaparecido.

- Como foi que a mensagem desapareceu? – perguntou Gina.

- Elas desaparecem depois que você fecha o caderno. Assim ninguém pode vê-las depois. O caderno fica limpo novamente, como se nunca tivesse sido tocado. – explicou Hermione calmamente.

- Você pensa em tudo mesmo, Mione! Mas esquece isso... Me conta!

- Bom, hoje, pouco depois que você saiu do salão principal, Dumbledore chamou o Harry e pediu para que ele fosse no seu escritório. Disse que precisava falar uma coisa importante. Harry terminou de jantar e fez o que Dumbledore pediu. Eu disse que quando ele estivesse saindo, me mandasse notícias, então ele levou o caderno e me respondeu agora. Acabou de sair do escritório de Dumbledore. – disse Hermione.

- Mas o que dizia a carta, exatamente?

Hermione contou tudo o que tinha escrito na carta à Gina.

- Engraçado...

- Também não entendi o porquê de Dumbledore ter chamado o Malfoy. Você leu o que ele disse? Não dá para entender... Isso é muito estranho! – disse Hermione.

Gina não ia falar disso. Ia comentar a parte que Harry disse que estava sentado no chão do corredor. Mas na sua cabeça, passou um pensamento duvidoso. “Será que ele sabe que nós estamos namorando?”, pensou.

- Ele deve ter os motivos dele – disse Gina se levantando. – Mione, eu vou dormir. Boa noite!

- Boa noite, Gina! – disse Hermione em resposta enquanto voltava sua atenção para o caderno.

Gina subiu as escadas silenciosamente e entrou no dormitório das garotas quintanistas. Hermione ainda ficou mais ou menos dez minutos sentada sozinha, embora todos os alunos da Grifinória estivessem no salão comunal.

- E aí, Mione? O Harry ainda não voltou? – perguntou Rony, que acabara de se sentar na poltrona ao lado da amiga.

- Não. Mas ele me mandou uma mensagem quando saiu do escritório de Dumbledore. Ele disse que estava indo para a sala de Lupin – respondeu Hermione.

- Como foi que ele mandou uma mensagem? – perguntou Rony sem entender.

- Esquece! – disse Hermione se levantando. – Quando ele chegar, você me chama que eu desço. Ele disse que conta tudo para nós depois.

Hermione subiu veloz as escadas para o dormitório feminino. Não queria que Rony atormentasse seus pensamentos. Estava preocupada com Harry. Tinha mais de duas horas que ele havia saído sem retornar. Apenas uma mensagem... Hermione não sabia o que imaginar. Tudo bem que ele estaria com pessoas de confiança, mas a conversa não poderia ser tão longa desse jeito. Dumbledore e Lupin deveriam estar falando coisas importantes, talvez coisas da Ordem e ela achava que deveria saber.

Acabou adormecendo.

Rony a chamou durante vários minutos e como não teve resposta, acabou desistindo.

- Ela deve estar dormindo – disse a Harry.

- Rony, eu já volto. Vou guardar uma coisa no dormitório – Harry deixou um Rony curioso para trás e saiu, subindo as escadas rapidamente.

Entrou no dormitório e foi até o seu malão. Guardou a mochila que levara consigo e desceu de volta ao salão comunal.

- Tudo bem com você? – fez Rony para ele.

- O quê?

- Por que você se sentou e não falou nada? Ficou olhando fixamente para... A Parvati, Harry? Pensei que tinha um gosto melhor...

- O que tem a Parvati, Rony? – perguntou Harry, entendendo em seguida. – Você acha mesmo? Nunca!

- Ah! Por um instante cheguei a pensar...

- Você só pode estar maluco!

- Tudo bem, já entendi o recado – disse Rony. – Mas conta aí. O que o Dumbledore queria?

- Ele quer que eu, você, a Mione, a Gina, a Luna e o Malfoy...

- O Malfoy? Que é que ele tem com isso? – fez Rony com cara de quem comeu e não gostou.

- Se você não me interrompesse eu poderia contar – disse Harry. – Bom, ele quer que nós façamos umas aulas extras de Defesa Contra as Artes das Trevas para o caso ter termos que enfrentar Voldemort novamente – Harry parou por ali. Não tinha contado a Rony sobre a profecia.

- Mas o que o Malfoy tem com isso? – repetiu Rony.

- Eu também não sei! Dumbledore só disse “Não se preocupe. Saberão em breve o que ele tem a ver com isso. Em breve terão as respostas...”. Não entendi também o que ele quis dizer com “Em breve terão as respostas...”, então só resta esperar esse breve chegar – disse Harry.

- E quando serão essas tais aulas?

- Aos sábados pela manhã – respondeu Harry.

- Nos sábados? Oh, não!

- Por que não?

- Harry! O sábado é um dos únicos dias que teríamos livre e agora está ocupado...

- Somente em parte! E você tem os outros dias para ficar com a Luna, Rony. – disse Harry.

- Falando assim você até parece a Mione. Tem alguma coisa errada! Vocês estão pegando a doença da Mione...

- Que doença, Rony? Para de besteira! – disse Harry com tom de superioridade.

- Que bonitinho! Agora vai dar para ficar defendendo a outra, é? – disse Rony sarcasticamente.

- Já disse Rony... Para de falar besteira! – Harry pôs um ponto final na questão.

- Já que não temos o que fazer, melhor irmos dormir. – disse Rony se levantando.

Harry o puxou para que se sentasse novamente.

- Não! – exclamou em seguida.

- O que houve, cara?

- Não vamos subir agora! – disse Harry olhando fixamente para o rosto do amigo.

- Tudo bem, então.

- Vou pegar uma coisa – disse Harry subindo as escadas.

- Essa gente está ficando paranóica! – exclamou Rony quando os calcanhares de Harry sumiram nos degraus.

Harry chegou ao dormitório e entrou sem fazer barulho. Foi até o malão, pegou o Mapa do Maroto, guardando-o em seu bolso.

- O que você foi pegar? – perguntou Rony curioso.

- Mapa do Maroto.

- Pra quê você quer isso uma hora dessas?

- Tenho que vê uma coisa. – ele abriu o pergaminho e murmurou “Juro solenemente que não farei nada de bom” enquanto o pergaminho se enchia de corredores e pontinhos pretos que se movimentavam. – Snape... Aqui! Quando ele chegou? – ele se perguntou.

- Você, querendo saber que horas Snape chegou? Incrível! – fez Rony rindo da situação.

- Não, Rony. Se você não reparou, Snape não estava no salão principal nem ontem quando chegamos e nem hoje pela manhã – comentou Harry.

- E o que eu iria querer olhando onde Snape está? Por mim ele estava bem longe daqui!

- Tudo bem. Mas ele deveria estar em algum lugar, não é mesmo? E eu estava observando o Mapa ontem à noite. O pontinho dele estava na sala dele. Pelo que eu sei, todos os professores deveriam estar no salão principal.

- Talvez ele esteja doente – disse Rony esperançoso.

- Eu e a Mione achamos que ele foi dispensado dos trabalhos da escola e Dumbledore hoje deixou escapar que nós não teríamos aula de Poções amanhã porque Snape está trabalhando fora para a Ordem, o que confirma nossa teoria. Só que precisamos saber o que ele está fazendo para a Ordem – e parou. Lembrou-se que não devia contar a Rony que ele e Hermione estavam na Ordem.

- Cara, isso vocês não vão descobrir nunca! Mamãe vive dizendo que o que a Ordem faz não é da nossa conta – disse Rony.

- Que seja. Mas nós vamos arrumar um jeito...

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