Kimberly caminhava sozinha a noite pelo imenso jardim coberto de neve da mansão dos Potter.
“ Merlim por que ele?” se perguntava ela em pensamento enquanto chutava um montinho de neve. “ De todos os homens do mundo, por que tinha que ser logo ele?”
“ Porque ele é o cara mais maravilhoso do universo e te faz esquecer de Deus e o mundo toda vez que te beija, é lindo, divertido, inteligente... perfeito!” respondia uma vozinha abobalhada dentro de sua consciência. “ Menos, bem menos” pensou sacudindo a cabeça. “Isso já está passando dos limites, até parece que tem um Sirius Black se exibindo dentro da minha consciência!” “ Ele não é perfeito!” retrucou ela em pensamento. “ É muito galinha, impulsivo, ás vezes parece que tem seis anos de idade...” “Mas se não fosse tudo isso ele não teria a menor graça e você não estaria apaixonada por ele!” disse a vozinha dentro da sua consciência. “Ninguém merece! Minha própria consciência contra mim!” suspirou ela e se encostou em uma arvore e deslizou até o chão se sentando em uma pedra.
“ Eu pensei que nunca mais fosse conseguir gostar de ninguém, não desse jeito.” Pensou Kimberly. “ Pra falar a verdade, eu nem sei se eu gosto dele mesmo, o que eu sinto por ele é tão diferente do que eu sentia pelo Remo, ... ah eu devo é ser louca mesmo!” suspirou cansada.
Derrepente Kimberly avistou o seu tormento na forma animaga vindo na sua direção. O enorme cão negro chegou bem perto dela, deu um latido e depois subiu no colo dela e lhe deu uma lambida no rosto.
- Para... – disse ela rindo e afagando o pelo macio dele e depois se levantando. – Você é um cachorro muito grande para pegar no colo.
O cachorro saiu correndo e sumiu no meio das arvores, ela continuou no mesmo lugar com um sorriso bobo no rosto, alguns minutos depois o cachorro voltou trazendo uma caixinha branca na boca, Kimberly pegou a caixinha que estava enfeitada com um laço vermelho todo babado.
- Arg! - disse ela. – Pra mim?
Como resposta recebeu uma lambida na bochecha.
Kim abriu a caixinha e dentro havia uma delicada pulseira prateada com um pingente de lua enfeitado com cristais.
- Que linda! – disse ela acariciando o cachorro. - Eu adorei! –o cachorro deu mais uma lambida no rosto dela e depois saiu correndo novamente, sumindo no meio das arvores.
Kimberly saiu correndo atrás dele. “ Onde será que ele se meteu?”
Derrepente alguém chega por trás e lhe tapa os olhos com as mãos, e ela conhecia muito bem aquelas mãos.
- Remo meu amor, é você?- perguntou ela com um sorriso maldoso no canto dos lábios no que ele imediatamente a soltou.
- Um dia você ainda acaba estuporada por causa dessas brincadeiras. – disse Sirius virando de costas para ela.
- Mas quem disse que eu estava brincando? – perguntou Kimberly com um sorriso maroto, como se o desafiasse.
- Ah não estava? – perguntou ele se virando para encará-la se fingindo de sério. – Ótimo! – e saiu apressado em direção a casa com Kimberly em seu encalço.
- Sirius espera! – disse ela. – Eu estava brincando.
- Você perde o seu cachorrinho, mas não perde a piada. – disse Sirius se virando para ela com cara de cachorro sem dono.
Ela o abraçou. Sirius correspondeu ao abraço sentindo um frio na barriga e o coração batendo descompassado no peito. Kimberly encostou a cabeça no ombro do maroto e ele sorriu entorpecido pelo perfume do cabelo dela.
- Eu adorei a pulseira, obrigada. – disse Kim.
- E o que eu ganho em troca pelo presente da natal adiantado? – perguntou ele com um sorriso maroto.
- Você vai ter coragem de pedir algo em troca? – perguntou ela sorrindo.
- È meu direito! – respondeu ele.
- Cachorro! – disse Kim e lhe deu um selinho.
“ Eu me sinto tão bobo perto dela” pensou Sirius. “ Essa garota tem o poder de me deixar completamente louco, ela é tão diferente das outras, ela é... especial” ele a abraçou mais apertado.
- Sirius o que você tem? – perguntou Kimberly o encarando intrigada. – Está tão calado...
- Não é nada. – respondeu ele olhando para aqueles olhos castanhos brilhantes. “Será que eu te amo?” pensou ele como se os olhos dela fossem lhe responder a pergunta, os dois estavam tão próximos.
- Cachorro... – disse ela quase num sussurro e roçou suavemente seus lábios aos dele.
- Kim, eu... – começou Sirius.
- Shiiiiiii. – disse Kimberly o interrompendo e colocando a mão nos lábios do maroto. – Não fala. – disse lhe acariciando o rosto e unindo seus lábios aos dele.
<hr>
- Tsk tsk tsk, mas que vergonha Srta. Evans! – disse uma voz bem próximo ao ouvido da ruiva.
Lílian rapidamente se virou assustada, ela estava escondida atrás de uma arvore espiando Sirius e Kim.
- Potter! – disse ela quase gritando quando se virou e deu de cara com o maroto.
- Fala baixo. – disse Thiago se escondendo atrás da arvore também ao ver Sirius e Kim se afastarem abraçados.
- Você quase me matou de susto! – disse Lílian.
- Quem diria que Lílian Evans “A certinha” fica espiando as pessoas atrás das arvores, tsk tsk tsk... – disse Thiago com um sorriso maroto no que a ruiva corou furiosamente.
- Potter cala a boca! Se contar isso para alguém eu juro que eu te mato! – disse ela e depois vendo Sirius e Kim voltando tornou a se esconder atrás da arvore.
- Que vergonha! – disse Thiago.
- Ah eu também sou de carne e osso! – disse Lílian rindo envergonhada.
- Temos uma revelação aqui! – disse Thiago com um sorriso maroto. – Lílian Evans, monitora da Grifinória, uma das melhores alunas do ano, só perde para mim, claro. – disse ele passando a mão pelos cabelos. – Que já devorou quase todos os livros da biblioteca... é feita de carne e osso!
- Não exagera. – disse Lílian saindo de trás da arvore e se afastando de Thiago que continuou espiando o casalzinho.
- Não estou exagerando Lily. – disse Thiago de costas para ela. – Você estuda 25 horas por dia, nunca se diverte, só pensa nas aulas... Por que você não relaxa um pouco? Um dia você acab...
Do nada Thiago é atingido na cabeça por uma enorme bola de neve, o maroto se virou para trás para encontrar Lílian rindo se acabar.
- Você acaba de declarar uma guerra Srta. Evans! – disse ele fazendo uma bola de neve e jogando nela, mas Lily desviou e saiu correndo.
A ruiva fez outra bola de neve e jogou em Thiago, dessa vez o acertando no ombro e depois saiu correndo pelo jardim.
Os dois estavam parecendo duas crianças correndo despreocupadas, por um momento Lílian tinha esquecido todos os problemas que tinha com o maroto, que o odiava, aliás não tinha mais tanta certeza de que o odiava tanto assim.
Foi quando Lily avistou uma enorme arvore com uma casinha de madeira em cima, muito parecida com as que as crianças trouxas faziam para brincar, havia uma escada de corda pendurada e ela resolveu subir para se esconder de Thiago.
Ao chegar ao topo e entrar na casinha ela ficou boquiaberta, estava em uma sala maior do que a da sua casa e muito confortável apesar de coberta de poeira, viu que a casa também tinha outros cômodos como uma cozinha e um banheiro, ela foi andando por cada canto da casa até entrar em um quarto todo pintado de azul que pela bagunça deveria ser de Thiago, havia vários livros e brinquedos espalhados pelo chão.
Lílian se sentou na cama que também estava bastante bagunçada com os lençóis tortos e um caderno e varias fotos de um garotinho magricela de óculos e cabelos arrepiados espalhadas, Thiago quando era criança, ele já era muito bonito.
Ela juntou as fotos e as colocou encima da mesinha de cabeceira ao lado da cama, então a ruiva voltou a sua atenção para o caderno e o abriu, só havia uma única folha escrita, ela ia fechar o caderno e o deixar no lugar onde estava mas a curiosidade foi maior. “ Ninguém precisa saber que eu li” pensou e abriu o caderno novamente.
21 de julho de 1975
Férias de verão
Tédio total
Eu primeiro lugar e que fique bem claro: ESTE CADERNO NÃO É, NUNCA FOI E NUNCA ( NUNCA, ENTENDEU?) SERÁ UM DIÁRIO!
Em segundo: eu só estou escrevendo isso porque não tenho nada para fazer e nem ninguém para conversar.
Eu Thiago Potter estou morrendo de tédio aqui em casa, não tem absolutamente nada para fazer. Os meus pais não param em casa por causa do trabalho no ministério e eu não tenho ninguém com quem conversar, só os elfos domésticos e os quadros antigos dos meus avôs, bisavôs, tataravôs... e se é que me entende não dá para conversar com eles, os elfos domésticos concordam com tudo o que eu falo, não tem a menor graça e quanto aos quadros, qualquer coisa de que eu fale eles vão dizer que no tempo deles não era assim e bláblá e bláblá...
Talvez o meu problema fosse facilmente resolvido se eu escrevesse para os marotos ou os convidasse para passar as férias aqui.
Mas não, eles estão insuportáveis. O Sirius agora deu para me atormentar me dizendo que eu gosto da Evans! Só porque eu insisto em convidá-la para sair.
Ela é realmente muito bonita, aquelas olhos verdes e aquele corpo escultural são capazes de enlouquecer qualquer um, mas ela não passa de um desafio para mim, é uma questão de honra, eu conquisto essa garota ou não me chamo Thiago Potter! Ela é...
Lílian estava totalmente distraída lendo o caderno quando derrepente alguém o arranca da sua mão.
- A curiosidade matou o gato Lily!