Capitulo dezesseis
A gente retoma a partir daí. Isso pode significar...
Ou pode significar...
Ah meu Deus. Toda vez que eu penso nisso meu estômago borbulha empolgado. Não consigo me concentrar no trabalho. Não consigo pensar em mais nada.
O Dia da Família na Empresa é um evento corporativo, fico lembrando a mim mesma. Não um encontro a dois. Vai ser estritamente uma ocasião profissional, e provavelmente não haverá nenhuma oportunidade para Draco e eu fazermos mais do que dizer olá de um modo formal, tipo patrão-empregada. Possivelmente apertar as mãos. Nada mais.
Mas... nunca se sabe o que pode acontecer depois.
A gente retoma a partir daí.
Ah meu Deus. Ah meu Deus.
Na manhã de sábado acordo extracedo, faço esfoliação no corpo inteiro, raspo as axilas, passo o creme para o corpo mais caro que tenho e pinto as unhas dos pés.
Só porque é uma coisa boa estar sempre bem arrumada. Sem outro motivo.
Escolho o sutiã de renda Gossard e a calcinha combinando, e meu vestido de verão mais lisonjeiro, de corte enviesado.
Então, ruborizando ligeiramente, ponho umas camisinhas na bolsa. Simplesmente porque é sempre bom estar preparada. É uma lição que aprendi quando tinha onze anos no Brownies, e ela sempre ficou comigo. Certo, talvez a Coruja Marrom estivesse falando de lenços extras e kits de costura, e não de camisinhas, mas o princípio é o mesmo, não é?
Olho o espelho, ponho uma camada final de brilho nos lábios e borrifo Allure em tudo que é canto. Certo. Pronta para o sexo.
Quero dizer, para o Draco.
Quero dizer... Ah meu Deus. Tanto faz.
O Dia da Família acontece na Panther House, que é a casa de campo da Corporação Panther em Hertfordshire. Eles a usam para treinamento, conferências e dias de brainstorming criativo, a nenhum dos quais eu já fui convidada. De modo que nunca estive aqui antes, e quando saio do táxi tenho de admitir que estou bem impressionada. É uma mansão realmente legal, grande e antiga, com um monte de janelas e colunas na frente. Provavelmente datando do período... antigo.
- Fabulosa arquitetura georgiana. – Comenta alguém passando pelo caminho de cascalho.
Georgiana. É o que eu queria dizer.
Sigo os sons de música, rodeio a casa e encontro o evento em força total no vasto gramado. Guirlandas coloridas enfeitam a parte de trás da casa, tendas pontilham o gramado, uma banda toca num pequeno tablado e crianças gritam num castelo pula-pula.
- Hermione! – Ergo os olhos e vejo Sirius avançando para mim, vestido de curinga, com um chapéu pontudo amarelo e vermelho. – Onde está sua fantasia?
- Fantasia? – Tento parecer surpresa. – Caramba! Ahn... eu não sabia que precisava.
Isso não é totalmente verdade. Ontem à tarde, mais ou menos às 5 horas, Sirius mandou um e-mail urgente para todo mundo na empresa, dizendo: LEMBRETE: NO DFE, É OBRIGATÓRIO O USO DE FANTASIAS PARA TODOS OS EMPREGADOS DA PANTHER.
Mas, sinceramente. Como você pode produzir uma fantasia com cinco minutos de aviso? E de jeito nenhum eu viria para cá hoje usando uma medonha roupa de náilon de uma loja de festas.
Além disso, vamos encarar, o que eles podem fazer agora?
- Desculpe. – Digo vagamente, procurando Draco em volta. – Mesmo assim, não faz mal...
- Vocês! Estava no memorando, estava no boletim... – Ele segura meu ombro enquanto eu tento me afastar. – Bem, você vai ter de usar uma das de reserva.
- O quê? – Encaro-o com o rosto vazio. – Quais de reserva?
- Eu tive a sensação de que isso iria acontecer. – Diz Sirius com uma ligeira nota de triunfo. – Por isso providenciei antecipadamente.
Um sentimento frio começa a se esgueirar sobre mim. Ele não pode estar dizendo...
Ele não pode mesmo estar dizendo...
- Nós temos um monte para escolher. – Está dizendo ele.
Não. De jeito nenhum. Tenho de escapar. Agora.
Dou um puxão desesperado, mas sua mão parece uma braçadeira no meu ombro. Ele me empurra até uma tenda, onde duas senhoras de meia-idade estão paradas diante de uma arara cheia de... ah meu Deus. As fantasias mais revoltantes e sinistras que já vi. Piores do que da loja de festas. Onde ele conseguiu isso?
- Não. – Digo em pânico. – Verdade. Eu prefiro ficar como estou.
- Todo mundo tem de usar fantasia. – Insiste Sirius com firmeza. – Estava no memorando!
- Mas... Isso aqui é uma fantasia! – Sinalizo rapidamente para o meu vestido. – Eu esqueci de dizer. É... hmm... uma fantasia vestido de verão anos 20, muito autêntica...
- Hermione, este é um dia para se divertir. – Continua Sirius rispidamente. – E parte da diversão está em ver nossos colegas empregados e familiares em roupas engraçadas. O que me lembra, onde está sua família?
- Ah. – Faço o rosto triste que vim ensaiando a semana inteira. – Eles... Eles não puderam vir.
Deve ser porque eu não convidei.
- Você contou a eles sobre a festa? – Ele me encara cheio de suspeitas. – Você mandou o panfleto?
- Mandei! – Cruzo os dedos às costas. – Claro que contei a eles. Eles adorariam estar aqui!
- Bem, você terá de confraternizar com as outras famílias e os colegas. – Ele empurra um horrendo vestido de náilon com mangas fofas na minha direção.
- Eu não quero ser Branca de Neve... – Começo, depois paro quando vejo Astoria, da contabilidade, arrasada enquanto é metida numa fantasia de gorila grande e peluda. – Certo. – Pego o vestido. – Vou ser Branca de Neve.
Quase quero chorar. Meu lindo vestido que cai tão bem está numa bolsa de aniagem, pronto para ser recuperado no fim do dia. E eu estou usando uma fantasia que me faz parecer uma pirralha de seis anos. Uma pirralha de seis anos com gosto zero e daltônica.
Quando saio desconsolada da tenda, a banda está tocando animada a música “Um-pa-pa” do musical Oliver, e alguém está fazendo um anúncio incompreensível, cheio de estalos, pelo alto-falante. Olho em volta, franzindo a vista por causa do sol, tentando deduzir quem são as pessoas por trás dos disfarces. Vejo Severo andando pela grama, vestido de pirata, com três crianças pequenas penduradas nas pernas.
- Tio Severo! Tio Severo! – Grita uma. – Faz a careta de novo!
- Eu quero um pirulito! – Grita outra. – Tio Severo, eu quero um pirulitoooo!
- Oi Severo. – Digo arrasada. – Está se divertindo?
- Quem inventou o Dia da Família deveria levar um tiro. – Indigna-se ele sem um pingo de humor. – Larga o meu pé! – Exclama ríspido para uma das crianças, e todas gritam com risos divertidos.
- Mamãe, eu não preciso gastar um tostão – Murmura Lilá enquanto passa vestida de sereia, na companhia de uma mulher autoritária com um chapéu enorme.
- Lilá, não precisa ser tão sensível! – explode a mulher.
Isso é esquisito demais. As pessoas são completamente diferentes com a família. Graças a Deus a minha não está aqui.
Imagino onde Draco estará. Talvez na casa. Talvez eu devesse...
- Hermione! – Levanto os olhos e vejo Gina vinda para mim. Está vestindo uma fantasia de cenoura, totalmente bizarra, segurando o braço de um homem idoso e grisalho. Que deve ser seu pai, imagino.
O que é meio estranho, porque pensei que ela viria com...
- Hermione, este é o Phillip! – Exclama ela toda radiante. – Phillip, esta é minha amiga Hermione. Foi ela que juntou a gente!
O... o quê?
Não. Não acredito.
Esse é o novo namorado dela? Esse é o Phillip? Mas ele deve ter pelo menos setenta anos.
Numa perplexidade total aperto a mão dele, que é seca como papel, igual à do vovô, e consigo falar algumas amenidades sobre o clima. Mas o tempo todo estou em choque absoluto.
Não me entenda mal. Não tenho preconceito contra idade. Não tenho preconceito contra nada. Acho que todas as pessoas são iguais, pretas ou brancas, homens ou mulheres, jovens ou...
Mas ele é um velho! Ele é velho!
- Ele não é uma graça? – diz Gina, carinhosa, enquanto Phillip vai pegar algumas bebidas. – É tão sensível! Nada o incomoda. Nunca saí com um homem como ele antes!
- Dá para acreditar. – Digo com a voz um pouco tensa. – Qual é exatamente a diferença de idade entre vocês?
- Não sei direito. – Diz Gina com surpresa. – Nunca perguntei. Por quê?
Seu rosto está brilhante, feliz e totalmente sem perceber nada. Será que ela não notou como ele é velho?
- Por nenhum motivo! – Pigarreio. – Então... é... me lembre. Onde foi, exatamente, que você conheceu o Phillip?
- Você sabe, sua boba! – Responde Gina fingindo estar brava. – Você sugeriu que eu tentasse almoçar num local diferente, lembra? Bem, eu achei um lugar bem incomum, escondido numa ruazinha. Na verdade eu o recomendo.
- É... um restaurante? Um café?
- Não exatamente. – Diz ela de modo pensativo. – Eu nunca tinha estado num lugar assim. Você entra e alguém lhe dá uma bandeja, você pega a comida e come, sentada numa das mesas grandes. E só custa duas libras! E depois eles têm diversão grátis! Algumas vezes bingo ou baralho... Algumas vezes se canta ao redor do piano. Uma vez eles fizeram um maravilhoso chá dançante! Eu fiz um monte de novos amigos.
Encaro-a durante alguns segundos silenciosos.
- Gina. – Digo finalmente. – Esse lugar. Não pode ser um... um centro de atendimento à terceira idade?
- Ah! – diz ela, pasma. – É...
- Tente pensar. Todo mundo que vai lá, está... Mais para velho?
- Puxa… – Diz ela lentamente, e franze a testa. – Agora que você falou, acho que todo mundo é meio... Maduro. Mas honestamente, Hermione, você deveria ir. – Seu rosto se ilumina. – A gente se diverte de verdade!
- Você continua indo lá? – Encaro-a.
- Vou todo dia. – Conta ela, surpresa. – Sou do comitê social.
- Olá de novo! – Diz Phillip animado, reaparecendo com três copos. Ri de orelha a orelha para Gina, e lhe dá um beijo na bochecha, e ela ri de volta. E de repente sinto o coração quente. Certo, é esquisito. Mas eles parecem formar um casal realmente feliz.
- O sujeito atrás do balcão parecia bem estressado, coitado – Comenta Phillip, enquanto tomo o primeiro gole delicioso de ponche, fechando os olhos para saborear.
Hmm. Não há absolutamente nada melhor num dia de verão do que um belo copo gelado de...
Espera um minuto. Meus olhos se abrem. Ponche.
Merda. Eu prometi ficar na barraca de ponche com Harry, não prometi? Olho o relógio e percebo que já estou dez minutos atrasada. Ah, que inferno. Não é de imaginar que ele esteja estressado.
Peço desculpas rapidamente a Phillip e Gina, depois corro o mais depressa possível até a barraca, que fica no canto do jardim. Ali encontro Harry corajosamente enfrentando sozinho a fila enorme. Está vestido de Henrique VIII, com mangas fofas e calções justos, e tem uma enorme barba ruiva grudada no rosto. Deve estar fervendo.
- Desculpe. – Murmuro, entrando ao lado dele. – Tive de vestir a fantasia. O que eu preciso fazer?
- Servir copos de ponche. – Anuncia Harry peremptoriamente. – Uma libra e cinqüenta cada. Acha que consegue?
- Sim! – Digo meio irritada. – Claro que consigo!
Nos cinco minutos seguintes estamos ocupados demais servindo ponche para falar. Depois a fila se dissolve, e somos deixados sozinhos de novo.
Harrynem está olhando para mim e está batendo os copos tão ferozmente que tenho medo de ele quebrar um. Por que está tão mal-humorado?
- Harry, olha, desculpa eu ter me atrasado.
- Tudo bem. – Diz ele, rigidamente, e começa a cortar um maço de hortelã como se quisesse matá-lo. – Então, você se divertiu naquela noite?
Então é por isso.
- Sim, me diverti, obrigada. – Digo depois de uma pausa.
- Com seu novo homem misterioso.
- É. – digo, e disfarçadamente examino o gramado cheio de gente, procurando Draco.
- É alguém do trabalho, não é? – Tenta Harry, e meu estômago dá um ligeiro mergulho.
- Por que você está dizendo isso? – Pergunto como se não desse importância.
- Porque você não quer me dizer quem é.
- Não é isso! É só... Olha, Harry, você não pode respeitar minha privacidade?
- Acho que eu tenho o direito de saber por quem fui trocado. – Ele me lança um olhar reprovador.
- Não tem não! – Retruco, e percebo que parece um pouco de maldade. – Só não acho que vai ajudar muito falar nisso.
- Bem, eu descubro. – Seu queixo fica tenso. – Não vou demorar muito.
- Harry, por favor. Eu realmente não acho...
- Hermione, eu não sou idiota. – Ele me dá um olhar avaliador. – Eu conheço você muito melhor do que você pensa.
Sinto um tremor de incerteza. Talvez eu tenha subestimado Harry esse tempo todo. Talvez ele me conheça. Ah meu Deus. E onde está Draco?
- Descobri. – Exclama Harry subitamente, e eu levanto a cabeça e o vejo me encarando em triunfo. – É Severo, não é?
- O quê? – Encaro-o boquiaberta, com vontade de gargalhar. – Não, não é Severo! Por que, diabos, você achou que era o Severo?
- Você fica olhando para ele. – Harry sinaliza para onde Severo está parado, ali perto, bebendo mal-humorado uma garrafa de cerveja.
- Eu não estou olhando para ele. – Digo depressa. – Só estou olhando... Estou captando a atmosfera.
- Então por que ele fica o tempo todo aqui perto?
- Não fica! Honestamente, Harry, acredite. Eu não estou saindo com Severo.
- Você me acha idiota, não é? – Diz Harry com um clarão de raiva.
- Eu não acho você idiota! Só... Acho que isso é um exercício inútil. Você nunca vai...
- É Simas? – Seus olhos se estreitam. – Ele sempre teve uma quedinha por você.
- Não. – Respondo com impaciência. – Não é Simas.
Honestamente. Os casos clandestinos já são bem difíceis por si, sem que o ex-namorado fique pegando no pé da gente até não poder mais. Eu nunca deveria ter concordado em trabalhar nessa estúpida barraca de ponche.
- Ah meu Deus! – Murmura Harry. – Olha.
Levanto os olhos e meu estômago dá uma chacoalhada enorme. Draco está vindo pelo gramado em nossa direção, vestido de caubói, com sobrecalça de couro, camisa xadrez e um verdadeiro chapéu de caubói.
Parece tão completa e absolutamente sensual que sinto vontade de desmaiar.
- Ele está vindo para cá. – Sibila Harry. – Depressa! Arrume aquela casca de limão. Olá senhor. – Diz ele em voz alta. – Gostaria de um copo de ponche?
- Muito obrigado, Harry. – Draco dá um sorriso. Depois me olha. – Olá Hermione. Curtindo o dia?
- Olá – respondo, com a voz uns seis tons acima do normal. – É, está... Lindo! – Com as mãos trêmulas encho um copo de ponche e sirvo a ele.
- Hermione! Você esqueceu a hortelã! – Repreende Harry.
- Não faz mal. – Diz Draco, com os olhos fixos nos meus.
- Posso botar hortelã, se você quiser. – Proponho, olhando de volta.
- Está bem assim. – Seus olhos soltam um clarão minúsculo, e ele toma um gole grande de ponche.
Isso é irreal demais. Não conseguimos afastar os olhos um do outro. Sem dúvida é completamente óbvio para todo mundo, não é? Sem dúvida Harry deve estar percebendo. Rapidamente desvio o olhar e finjo me ocupar com o gelo.
- Então, Hermione… – Começa Draco casualmente. – Só vou falar um pouquinho de trabalho. Aquela digitação extra que eu pedi. Da pasta do Leopold.
- É, sim? – Digo, ruborizando e largando um cubo de gelo no balcão.
- Será que a gente poderia trocar uma palavrinha sobre isso antes de eu ir? – Seus olhos encontram os meus. – Eu tenho uma suíte na casa.
- Certo. – Concordo, o coração batendo forte. – Certo.
- Digamos... À uma hora?
- À uma hora.
Ele se afasta com seu copo de ponche, e eu fico parada olhando, largando um cubo de gelo na grama.
Uma suíte. Isso só pode significar uma coisa.
Draco e eu vamos fazer sexo.
E de repente, sem aviso, eu me sinto muito, muito nervosa.
- Eu fui tão estúpido! – Exclama Harry, pousando abruptamente a faca. – Fui tão cego. – Ele se vira para me encarar, os olhos queimando auis. – Hermione, eu sei quem é seu novo homem.
Sinto um gigantesco espasmo de medo.
- Não sabe não. – Digo rapidamente. – Harry, você não sabe quem é. Na verdade não é ninguém do trabalho. Eu só inventei isso. É um cara que mora na zona oeste de Londres, você nunca o viu, o nome dele é... hmm... Gary, e ele é carteiro.
- Não minta para mim! Eu sei exatamente quem é. – Harry cruza os braços e me dá um olhar longo e penetrante – É o Tristan, do design, não é?
Assim que termina nosso plantão na barraca, eu escapo de Harry e vou me sentar debaixo de uma árvore com um copo de ponche, olhando o relógio a cada dois minutos. Não acredito em como estou nervosa. Talvez Draco conheça um monte de truques. Talvez ele espere que eu seja realmente sofisticada. Talvez espere todo tipo de manobras incríveis de que eu nem ouvi falar.
Quer dizer... Eu não me acho ruim de cama.
Você sabe. Em termos gerais. Pensando bem.
Mas de que tipo de padrão estamos falando aqui? Parece que estive competindo em pequenos eventos locais e de repente vou para as Olimpíadas. Draco Malfoy é um multimilionário internacional. Deve ter namorado modelos e... Ginastas... Mulheres com enormes peitos petulantes... Taras envolvendo músculos que eu nem acho que possuo.
Como vou estar à altura? Como? Estou começando a sentir enjôo. Foi uma idéia ruim, muito ruim. Nunca vou ser tão boa quanto a presidente da Origin Software, vou? Só posso imaginá-la, com suas pernas compridas, calcinhas de quatrocentos dólares e corpo malhado, bronzeado... Talvez um chicote na mão, e... Talvez sua amiga modelo bissexual a postos para apimentar as coisas.
Certo. Pára com isso. Está ficando ridículo. Eu vou me sair bem. Tenho certeza de que vou me sair bem. Vai ser como uma prova de balé: assim que você começa, esquece de ficar nervosa. Minha antiga professora de balé sempre dizia à gente: “Desde que vocês mantenham as pernas muito bem viradas para fora e um sorriso no rosto, vão se sair esplendidamente.”
O que eu acho que meio se aplica aqui também.
Olho o relógio e sinto um novo espasmo de pânico. É uma hora. Em ponto.
Hora de ir fazer sexo. Levanto e faço disfarçadamente alguns exercícios de aquecimento, só para garantir. Depois respiro fundo e, com o coração martelando, começo a ir para a casa. Acabei de chegar à beira do gramado quando uma voz aguda me acerta os ouvidos.
- Ali está ela! Hermioneeee! Uuuhuu!
A voz pareceu a da minha mãe. Estranho. Paro brevemente e giro, mas não vejo ninguém. Deve ser alucinação. Deve ser a culpa subconsciente tentando me atrapalhar, ou algo do tipo.
- Hermione, vire-se! Aqui!
Espere aí. Isso pareceu a Kerry.
Espio pasma para a multidão, com os olhos se franzindo ao sol. Não vejo nada. Estou olhando para todo lado, mas não vejo...
E de repente, como num Olho Mágico, eles aparecem. Kerry, Nev, mamãe e papai. Vindo para mim. Todos fantasiados. Mamãe está usando um quimono japonês e segurando uma cesta de piquenique. Papai está vestido de Robin Hood e segurando duas cadeiras dobradas. Nev está com roupa de Super-homem e segurando uma garrafa de vinho. E Kerry está usando uma fantasia de Marilyn Monroe, inclusive com peruca platinada e sapatos altos, e se encharcando complacentemente com os olhares.
O que está acontecendo?
O que eles estão fazendo aqui?
Eu não contei a eles sobre o Dia da Família na Empresa. Sei que não contei. Tenho certeza de que não contei.
- Oi, Hermione! – Exclama Kerry ao chegar perto. – Gostou da roupa? – Ela dá uma ligeira rebolada e um tapinha na peruca loura.
- Você está vestida de quê, querida? – Diz mamãe, olhando perplexa para meu vestido de náilon. – Heidi?
- Eu... – Coço o rosto. – Mamãe... O que vocês estão fazendo aqui? Eu não... Quero dizer, eu esqueci de contar a vocês.
- Eu sei disso. – Responde Kerry. – Mas sua amiga Lilá me contou no outro dia, quando eu telefonei.
Encaro-a incapaz de falar.
Vou matar Lilá. Vou assassiná-la.
- Então, a que horas é o concurso de fantasias? – Pergunta Kerry, piscando para dois adolescentes que estão olhando-a boquiabertos. – Nós não perdemos, perdemos?
- Não... Não tem concurso. – Digo, encontrando a voz.
- Verdade? – Kerry parece chateada.
Não acredito. É por isso que ela veio, não é? Para ganhar um concurso estúpido. Não resisto e pergunto:
- Você veio até aqui só para um concurso de fantasias?
- Claro que não! – Kerry recupera rapidamente sua expressão de desprezo de sempre. – Nev e eu vamos levar seus pais a Hanwood Manor. É perto daqui. Por isso pensamos em dar uma passadinha.
Sinto uma pontada de alívio. Graças a Deus. Vamos bater um papinho e depois eles podem ir embora.
- Nós trouxemos uma cesta de piquenique. – Conta mamãe. – Agora vamos achar um bom lugar.
- Vocês acham que têm tempo para um piquenique? – Digo, tentando parecer natural. – Vocês podem ficar presos no trânsito. Na verdade talvez devessem ir agora, só por segurança.
- A mesa só está reservada para as sete horas! – Diz Kerry, dando-me um olhar estranho. – Que tal debaixo daquela árvore?
Olho idiotamente enquanto mamãe abre um tapete xadrez, de piquenique, e papai monta as duas cadeiras. Não posso me sentar e ter um piquenique de família enquanto Draco está esperando para fazer sexo comigo. Tenho de fazer alguma coisa, depressa. Pense.
- Hmm, o negócio… – Começo, numa inspiração súbita. – É que eu não posso ficar. Todos nós temos trabalho a fazer.
- Não diga que eles não lhe dão nem meia hora de folga. – Zanga-se papai.
- Hermione é o ponto central de toda a organização! – Zomba Kerry com um risinho sarcástico. – Não estão vendo?
- Hermione! – Sirius está se aproximando do tapete de piquenique. – Sua família veio, afinal! E fantasiada. Que bom! – Ele sorri para todos, com o chapéu de curinga tilintando à brisa. – Não deixem de comprar todos um bilhete da rifa.
- Ah, vamos comprar. – Anima-se mamãe. – E estávamos imaginando... – Ela sorri para ele. – Será que Hermione poderia ter um tempinho de folga para um piquenique com a gente?
- Sem dúvida! – Responde Sirius. – Você já fez sua parte na barraca de ponche, não foi, Hermione? Agora pode relaxar.
- Que bom! – Exclama mamãe. – Não é uma boa notícia, Hermione?
- Fantástico! – Consigo dizer finalmente, com um sorriso fixo.
Não tenho opção. Não tenho como sair dessa. Com os joelhos rígidos afundo no tapete e aceito um copo de vinho.
- Então, Harry está aqui? – Pergunta mamãe, jogando cochas de galinha num prato.
- Ssh! Não mencione o Harry! – Entoa papai com sua voz de Basil Fawlty.
- Eu achei que você ia morar com ele. – Observa Kerry, tomando um gole de champanha. – O que aconteceu?
- Ela fez o café da manhã para ele. – Zomba Nev, e Kerry dá um risinho.
Tento sorrir, mas meu rosto não obedece. É uma e dez. Draco deve estar esperando. O que posso fazer?
Quando papai me entrega um prato, vejo Theodore passando.
- Theodore… – Chamo rapidamente. – Hmm, o Sr. Malfoy teve a gentileza de perguntar antes pela minha família, se eles estavam aqui ou não. Poderia dizer que eles... Eles apareceram inesperadamente? – Olho para ele em desespero e seu rosto sinaliza compreensão.
- Darei o recado – assente ele.
E é o fim.
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Gente (quem ainda não desistiu), como eu demorei demais pra postar o último capitulo e a pedido da Lilian P. postei mais esse e espero que comentem. Mas então, eu postei uma nova fic dramione, escrita por mim. Quem se interessar, é uma songfic baseada na música Obsessed - Miley Cyrus. Aqui vai o link: http://fanfic.potterish.com/menufic.php?id=44635