Epílogo:
Lupin deu um suave beijo na rosa que tinha nas mãos e olhou para o céu. Algumas aves comemoravam o verão voando alto para todos os lados. A brisa suave e reconfortante jogava seus cabelos para trás... Ela foi a única testemunha daquela solitária lágrima que caiu de seus olhos ao mirar a lápide à sua frente.
"Lany Mily"
"Não importa o que o amor nos faz sofrer
Não importa as lágrimas que ele nos faz derramar
O importante é ter conhecido você
E mais ainda é ter podido te amar."
E mais a baixo, havia um poema bastante conhecido gravado na pedra. Impossível apagar.
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
A palavra "dure" foi ainda regada mais duas novas lágrimas que caíram dos olhos castanhos do ex-professor de DCAT.
Ele se levantou do chão, ainda mirando as palavras na lápide de pedra. Lembrou, como um vídeo insistente que roda, roda e roda sem precisar de comando, o que acontecera alguns meses atrás.
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Era sempre uma delícia acordar daquela forma. Abraçadinho, inalando o perfume que tornava sempre seu amanhecer mais belo, suas transfomações menos dolorosas... Uma razão maior para viver.
Abriu os olhos e sorriu ao olhar para Lany, deitada em seus braços.
- Ei, acorda dorminhoca. Já amanheceu...
Ao ver que ela não demonstrava sinal de quem queria acordar, sacudiu-a suavemente.
- Lany, vamos. Temos uma conversa pendente.
Ainda sim, ela não se mexeu.
- Lany?
Lupin a balançou novamente, chamou, mas ela não acordava de jeito nenhum. Lembrava-se de ter se desesperado e até chegara a procurar seu pulso, que anunciava ainda ter um batimento fraco.
Será que seria aquele problema de saúde? Mas... O que fazer se ele sequer sabia qual era o problema?
Ala hospitalar!
Vestiu-se o mais depressa que conseguiu, colocou uma roupa magicamente em Lany e a pegou no colo. Foi o mais rápido possível, tentando, inultimente acordá-la durante o caminho todo.
- Ponfrey! Ponfrey!
A enfermeira estava ocupada tratando de um calouro com grandes bolhas na cara. Se assutou imensamente quando ouviu a voz de Lupin, e ainda mais quando viu a garota em seu colo, pálida.
- Meu Deus, professor, o que aconteceu?
- Eu não sei, ela simplesmente não acorda!
A enfermeira, eficiente tratou logo de medir a pulsação da jovem.
- Tem pulso, mas está fraco... Pitter! - se voltou para o garotinho que esquecera enquanto dedicava sua atenção ao dois. - Vá chamar o diretor. Acho que temos um problema, sr. Lupin.
"Um problema" não explicava nada ao lobisomem, pelo contrário.
- Que problema? Mas será que ninguém me conta o que está acontecendo nem nessas condições? - ele se exaltou. - Por Merlim, Ponfrey, Lany simplesmente não acorda e ninguém sabe me explicar o que está havendo com ela! Porque ela faz tantas visitas à enfermaria? Porque ela não acorda? Porque não me deixava... - hesitou. - O que está acontecendo? - perguntou, já mais calmo.
Madame Ponfrey estava sem dúvida alguma, surpreendida.
- O que está... o senhor ainda não sabe?
Sua perplexidade foi proibida de se tornar mais evidente graças a entrada abrupta de Dumbledore. Ao seu lado estava o calouro dos caroços na cara.
- Estava no corredor quando o sr. Pitter me encontrou. O que está acontecendo?
- Essa é a pergunta que mais me agradaria uma resposta, diretor - murmurou Lupin, alterado.
Dumbledore o encarou, também surpreso. Não era costume essa reação em Lupin. Não. Ele sempre fora mais tranquilo, sempre tivera mais cabeça para controlar uma situação quando se espera de todos os seres humanos uma crise de desespero.
Seus olhos logo caíram para a cama atrás dele, onde havia depositado a garota, e uma sombra de compreenção passou pelos seus olhos.
- Vejo então que vocês se entenderam. - Dificil discernir o tom de sua voz.
- Alvo... - começou a enfermeira antes que Lupin pudesse dizer qualquer coisa. - Alvo, ele ainda... não sabe.
Dumbledore a encarou, agora sim estava preocupado. Desviou novamente os olhos para o professor, que já estava impaciente.
- Vocês não conversaram? - perguntou, um tom de urgência em sua voz.
O outro disse que não. Nem queria saber de lição de moral naquele momento, muito menos um sermão ou alguma palavra constrangedora. Só queria saber o que estava acontecendo!
Pela segunda vez na sua vida ele assistiou a Dumbledore desmoronar em uma cadeira, aparentando muito mais idade do que estava acostumado a ver.
- Acho que precisamos conversar, Lupin. E rápido. - Virou-se para a enfermeira, sem dar chances para o homem lhe responder. - Estaremos na sua sala, Papoula, se não se importa. - Ela fez que não com a cabeça. - Cuide de Lany ela ainda... - olhou de relance para Lupin. - Bem, quando ela acordar nos chame sem demora.
- Tudo bem diretor. Pitter, espere em sua cama que já vou cuidar de você.
O garotinho, contrariado, foi para a outra cama. Estava claro que ele queria saber onde aquilo tudo ia dar.
Já Lupin acompanhou Dumbledore para uma salinha no fundo do aposento, fechando a porta assim que entraram.
- Bem, Remus... Está na hora de esclarecer alguns pontos que não deviam ter, desde o começo, sido deixados para trás.
- Isso seria excelente, Dumbledore - Lupin murmurou, ainda alterado. - Só que poderiam ter feito isto antes, não? Lany está deitada naquela cama da enfermaria, incosciente, e eu aqui... Conversando com o senhor quando todo o tipo de coisa pode estar acontecendo...
- Acalme-se, Remus - o diretor interrompeu, e mesmo tendo falado suavemente, Lupin se calou no mesmo instante. - O problema de Lany é maior do que você pensa, e se ela estava realmente apaixonada por você (fato pelo qual não guardo dúvidas) é completamente compreencível o porquê de não querer lhe contar, e eu espero que você entenda isso.
Ele lhe lançou um olhar por cima de seus oclinhos de meia-lua. Lupin não respondeu.
- Lany Mily, há um certo tempo, teve um namorado. Um sonserino filho de um comensal da morte. Ela o amava, ou pelo menos pensava que amava. Já ele, tinha uma obcessão muito grande por ela. Tamanha que chegava a amedrontá-la. Certo dia, Lany veio me procurar, apavorada, e me contou que Marcio Bridgey - era esse o nome dele - a estava assustando com sua obcessão e ciúmes exagerado, ela temia até mesmo que ele se atrevesse a usar algum feitiço fatal contra ela, ou contra alguém que se aproximasse dela. É claro que eu levei seu temor a sério, afinal, ela não sabia, mas eu sim, sobre a família de Bridgey e sua história com as artes das trevas. Conversei com o rapaz, pedi a ele que se afastasse, e se soubesse de algo que se atrevesse a fazer, o expulsaria e levaria o caso ao ministério.
Ele fez uma pausa.
- Funcionou. Ou pelo menos eu pensei que tivesse funcionado na época. O fato é que: Depois de algum tempo Lany começou a passar mal, muitas vezes. Se sentia infeliz e fazia muitas visitas à enfermaria. Depois de muitos exames, conseguimos encontrar uma maldição. O desgraçado a enfeitiçara realmente, com um feitiço fatal.
- E... - Lupin hesitou. - Que feitiço foi esse?
Dumbledore suspirou.
- Foi um feitiço de amor. Bridgey transformou o próprio amor de Lany contra ela. Se ele não podia amá-la, ninguém mais amaria. De acordo com os poderes do feitiço, enquanto não encontrasse seu verdadeiro amor, Lany teria essa vida. De tristezas, infelicidades, tragédias, com direito a muitas visitas à enfermaria e muitos dias de incosciência, mal estar... Quando encontrasse, porém, e se apaixonasse perdidamente, mas se o seu amor não fosse correspondido, seu amor seria como um veneno, que a alimentaria aos poucos, fazendo com que fosse definhando, morrendo. Neste caso, você conclui o que eu lhe disse ontem mesmo: Lany precisava ouvir que você a amava, pelo menos assim, ela teria a certeza de que era correspondida.
- Mas, então porque...
- O que não contávamos - continuou Dumbledore. - É que o feitiço é bem mais amplo do que pensamos. Depois que se apaixonasse, Lany não tinha outro destino. Se não fosse correspondida, morreria. Se fosse... Bem, quando aquele que ela realmente amasse confirmasse que seu amor era correspondido, se o sentimento fosse sincero e ela sentisse isso, a maldição... se concretizava.
- Quer dizer...
- Que Lany não tinha escapatória. Quando ela se apaixonasse, não havia outro caminho. Descobriu que estava apaixonada por você e por isso resolveu viver o resto da vida que ainda tinha ao seu lado. Ela escolheu morrer mais rápido, amando e sendo amada por você, do que uma vida mais longa, sem amor.
Lupin engoliu em seco. Então era... isso? Por esse motivo ele não pôde dizer que a amava? Por esse motivo ela não lhe deixava declarar o seu amor? Lany... estava morrendo?
- Quando... - Limpou a garganta, para que sua voz soasse mais compreencível. - Quanto tempo ela... ainda tem?
Dumbledore olhou no relógio.
- Se Ponfrey conseguiu acordá-la, penso que não mais do que uma hora.
Ele ergueu a cabeça, decidido.
- Quero vê-la.
O fantasma de um sorriso apareceu no rosto do velho diretor.
- Eu sabia que diria isso, Remo, penso que já o conheço muito bem. Só que peço... Não a julgue por ter lhe escondido a situação, nem torne mais difícil o que já é extremamente complicado...
- Pode deixar, diretor - O licantropo murmurou. Faria de tudo para tornar os... últimos momentos de Lany inesquecíveis.
Se levantou decidido, com Dumbledore o seguindo logo após.
http://www.youtube.com/watch?v=CC_8g_QRTLY
O biombo estava fechado em volta da cama onde a deixaram e Lupin teve que esperar (impaciente) até a enfermeira sair de lá de dentro, informando que Lany estava acordada e que o chamava.
- Não consegui mais do que vinte minutos, professor. - informou com pesar.
Foi com passos pesados e inseguros que ele se dirigiu até a cama, abriu parte do obstáculo que havia em volta e direcionou seus olhos ao anjo pálido e tranquilo que esperava por ele.
- Oi - Lany lhe cumprimentou, um sorriso simples mais satisfeito brincava em seus lábios.
Remus se sentou ao seu lado. Não confiava em sua voz para conseguir dizer alguma coisa. Tentou retribuir o sorriso mas seus músculos faciais lutavam pelo contrário.
- Agora você já sabe, não é?
A voz de Lupin ainda parecia escondida em algum lugar dentro dele.
- Não me odeia... odeia?
Os olhos dele encontraram os dela. Havia tanta dor... Tanto sofrimento... Porque ele tinha que piorar as coisas para alguém que já tinha que se conformar com algo como... a morte? Em plena juventude?
Era egoísmo demais.
- Eu apenas te amo, Lany.
Pegou a mão dela e a beijou. Tinha que ser forte. Tinha que se segurar. Tinha que fazê-la feliz... Droga! Porque ele não conseguia? Porque não podia ter controle sob se próprio nessas horas? Porque deixava que aquelas lágrimas escorressem desesperadas na frente de Lany?
Mas não dava mais. Ele não conseguiu. Chorou como uma criança na frente de Lany, que acariciava seu rosto num papel de mãe. Era ela quem o estava consolando, e não o contrário como deveria ser. Era Lany quem sorria e lhe dizia palavras reconfortantes. Era ela quem estava conformada e ele, revoltado.
- Porque você, Lany? - ele soluçou. - Porque alguém tão bom quanto você? Porque tão jovem, tão merecedora de alegria? Porque não eu que já sou velho, um lobisomem insignificante? Porque, Lany?
Houve uma pausa onde Lany apenas acariciava seus cabelos e Lupin tentava se controlar.
- Eu não me sinto castigada, Remus. Me sinto privilegiada.
Ele ergueu os olhos molhados para encará-la.
- Privi.. legiada?
Lany sorriu.
- Tantas pessoas vivem oitenta, noventa, cem anos, sem descobrir um real motivo que as façam viver. Eu não. Vivi quase dezoito anos e já vivi tudo o que mais importa na vida. Já conheci você, me apaixonei... Quantas pessoas vivem uma vida inteira sem conhecer o amor, e eu, com 17, já o conheci. Já o desfrutei.
- Do que isso valeu, Lany. Olha o que o amor lhe fez...
- Sim, Remus... Olha o que o amor me fez... Eu estou aqui, numa cama de hospital, com apenas algums minutos de vida e... Estou feliz. Sei que o que eu podia fazer aqui, eu já fiz...
Uma fraqueza tomou conta do corpo de Lany e ela já não falava mais com tanta firmeza. Deitou a cabeça no travesseiro e seus olhos quase se fecharam.
- Lany... - Remus murmurou, sentando mais perto dela. - Veja... Valeu a pena se apaixonar? Valeu a pena fazer tudo o que fez?
Enquanto os olhos de Lany se fechavam mais, um pequeno e lindo sorriso brincou em seus lábios.
- Valeu. Porque eu soube que você me amava...
Mais duas lágrimas escaparam dos olhos de Lupin, e ele encostou os seus lábios no sorriso que já se apagava nos rosto de Lany.
- Eu te amo - murmurou, e teve a certeza de que ela lhe ouviu, antes de expirar.
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Lupin suspirou. Seus olhos já não tinham mais lágrimas. Um vento suave jogou seus cabelos para trás e ele soube apenas respirar fundo, sentindo o aroma de flores do campo, um perfume que o fazia lembrar do cheiro de Lany, do seu sorriso doce...
Jogou a rosa sobre o túmulo de mármore, como uma despedida, antes de finalmente dar meia volta e andar em passos lentos para algum destino... Que ele ainda não sabia qual.
"E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."
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