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1. Chegando em Bourghill


Fic: Desencontros


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Europa, 1940.

Durante a Segunda Guerra, muitas crianças londrinas em idade escolar foram morar com seus parentes no interior, com o incentivo do governo britânico, para escaparem dos terríveis ataques promovidos pelos nazistas.

James e Lílian Potter adiaram ao máximo a decisão de enviar seu único filho, Harry, para viver com seus tios em Bourghill, um pequeno vilarejo em Derbyshire ao norte da Grã Bretanha. O governo britânico começara a evacuação das crianças em meados de janeiro, mas eles continuaram juntos ainda por curtos 45 dias. Agora diante das condições preferiram se separar durante o feriado da Páscoa, dando tempo para os Dursley se prepararem.

Lílian e sua irmã Petúnia Dursley não se davam muito bem, contudo os Potter não tinham mais a quem recorrer. Com a intensificação da guerra, James que era piloto da RAF, Real Força Aérea, viria cada vez com menos freqüência para casa e Lílian havia sido chamada para trabalhar como enfermeira no hospital do Corpo Auxiliar Feminino, baseado em Londres.

- Você estará em segurança com seus tios. – Lílian falava de forma calma. Uma calma que não chegava aos olhos marejados e ao coração apertado pela separação.

- Eu preferia ficar com vocês. – O menino franzino de cabelos negros e rebeldes e olhos impressionantemente verdes falou triste.

- Não adianta Harry. Nós já conversamos sobre isso. – James falou impaciente. – Eu só consegui essa semana de folga na RAF e terei que me apresentar novamente amanhã. E sua mãe também foi convocada.

- Mas...

- Chega Harry! Estamos em guerra. – Contrariando as palavras duras que pronunciara no calor da emoção, o homem abraçou o filho. – Isso tudo também não é do nosso agrado, mas tudo o que fazemos é para que você fique seguro.

Lílian enxugou discretamente uma lágrima que escorreu por seu rosto. Abraçou novamente o filho e beijou-lhe o rosto com sofreguidão.

- Escreveremos sempre que puder, está bem?

- Ok.

A família se abraçou desolada, assim como tantas outras que naquela manhã estavam na plataforma da estação de trem de King’s Cross separando-se de seus filhos. James e Lílian não queriam ter que se separar de seu filho e muito menos o rapazinho que no alto de seus catorze anos já tinha consciência de que numa guerra tudo poderia acontecer e esta podia ser a última vez que veria seus pais.


-~-~-~-


Harry foi acordado de seu sono agitado por um solavanco do trem em que estava. Olhou para a paisagem que desfilava por seus olhos sonolentos e imaginou que depois de mais de 12 horas de viagem já deveria estar chegando.

Nunca estivera na casa de seus tios antes. Só os vira uma vez há muitos anos quando estiveram em Londres, e a recordação mais forte daquele encontro era o seu primo Dudley chutando-o por baixo da mesa. Mas tudo fora numa outra época quando ainda eram crianças. Não que já fosse adulto. Seu corpo magro e seu rosto imberbe, emoldurado pelos rebeldes cabelos negros não escondiam que ainda era muito jovem. Mas Harry se sentia cada vez menos criança. Ainda mais depois que junto com seus pais ouvira o discurso do governo britânico promovendo a evacuação das crianças que viviam em Londres e nas outras grandes cidades inglesas.

Após um longo apito o trem parou, ele apanhou a bagagem e desceu para a plataforma. A única viva alma a descer naquele lugar. Carregou as duas malas com alguma dificuldade por alguns metros e a primeira coisa que Harry percebeu quando colocou o pé fora da estação era a de que tinha ido para um lugar onde o tempo estava parado. A cidade parecia silenciosa e parada demais para um final de tarde de sexta-feira, ainda mais num país em guerra...

Procurou nos bolsos pelo papel que informava o endereço de seus parentes (e que sua mãe havia pedido que guardasse com todo cuidado). Depois de finalmente achar e desdobrar a pequena folha, concluiu que não conseguiria achar a casa sozinho e como pelo visto seus tios não tinham recebido o aviso de que ele estaria chegando naquele dia, ele estava tecnicamente perdido.

Pensou um pouco antes de voltar sobre os próprios passos e entrar novamente na estação. Com sorte o funcionário de lá saberia informá-lo e com mais sorte ainda seria perto, pois seu estômago já estava roncando de fome. Avistou um homem ruivo dentro de uma cabine e foi depressa perguntar.

- Com licença senhor.

- Sim meu jovem. No que posso ajudá-lo?

- Eu preciso chegar à Rua Longbourn, é longe?

- Não rapaz. È a rua que beira o rio. Desculpe-me, mas você quer ir para onde?

- Para a casa dos Dursley, senhor.

-Ah, sim... Bom, quando chegar ao coreto vire para a esquerda. É a segunda casa.

- Muito obrigado, senhor...?

- Weasley. Arthur Weasley. Muito prazer...

- Harry Potter, senhor. Eu agradeço pela informação.

- Não tem de que. Precisa de ajuda com a bagagem? Meu filho Percy pode carregar para você e te mostrar direito o caminho.

- Er... Não precisa. De qualquer forma, muito obrigado.

- Você veio de Londres? – Harry assentiu com um movimento de cabeça. – Entendo... Bom, se precisar de algo ficarei feliz em ajudar.

Harry apertou a mão do homem desejando ser recebido da mesma forma pelos tios. Atravessou a ponte sobre o rio que separava a estação da cidade e em pouco tempo chegou à casa dos Dursley, exatamente do jeito que o funcionário da estação tinha explicado. Bateu à porta e esperou alguns minutos até que esta se abriu e uma senhora apareceu.

- Boa tarde, tia Petúnia?

- Harry? Esperávamos que você chegasse só na tarde de domingo...

Sem perguntar como fora de viagem, ou sobre como sua irmã estava, a mulher o conduziu por uma sala com a aparência impecável e em seguida subiu as escadas para o andar de cima. Assim que chegou ao topo uma porta se abriu e um homem corpulento perguntou enquanto saia.

- Quem era, Petúnia?

- O filho de minha irmã, Harry.

- Agora mais essa... – Vernon Dursley olhou para o rapaz e não se importando em ser amigável continuou. – Espero que saiba se comportar, garoto.

Harry se limitou a concordar com a cabeça e seguir a tia até uma porta no final do corredor onde ficava o cômodo que lhe fora destinado.

- Você ficará neste aqui. – Falou abrindo a porta e dando passagem a Harry. – Como sua estadia é temporária não tem necessidade de nada maior.

Harry olhou com atenção o quarto. Em algum momento aquele lugar devia ter servido de depósito ou algo do gênero, pois apenas a cama estreita e uma cômoda ocupavam praticamente todo espaço disponível. Mas não iria reclamar, colocou as malas que trazia sobre o móvel e escutou a tia avisar que o jantar seria servido impreterivelmente às 19:30. Aproximou-se da pequena janela que havia e observou a paisagem lá fora. Quem visse aquele céu com as cores do poente, harmonizando perfeitamente com a natureza ao redor não imaginaria que pudessem estar em guerra.

Estava cansado da viagem e se não estivesse com tanta fome, teria preferido ficar em seu quarto que descer para jantar, contudo tinha sérias suspeitas de que seus parentes não iriam gostar muito se o fizesse. Guardou suas coisas na cômoda e desceu as escadas sem saber ao certo onde estariam as outras pessoas. Os encontrou na sala, terminando de ouvir o noticiário pelo rádio. Seu tio lhe lançou um olhar que dizia claramente o quanto sua presença era insignificante enquanto sua tia limitou-se a indicar o lugar no sofá ao lado de seu primo para que se sentasse. Dudley havia mudado muito pouco nesses anos, apenas aumentara ainda mais seu tamanho.

Assim que o locutor terminou de informar as notícias, que não eram de forma alguma agradáveis devido à guerra que se instalara na Europa, o homem desligou o aparelho e apagou o cigarro que tragava com afinco, impestiando o ambiente com sua fumaça fedorenta.

Harry seguiu os demais até a sala de jantar, em silêncio, somente absorvendo as novidades ao seu redor. Comeu com avidez a comida que sua tia colocou em seu prato (menos que a metade do que havia sido destinado ao seu primo), ouvindo as reclamações que ela fazia sobre a falta que fazia uma boa cozinheira. Em seguida fez menção de recolher-se, mas foi impedido por um gesto brusco de seu tio.

- É bom você ir aprendendo garoto. Aqui nesta casa só se sai da mesa quando eu deixo.

Harry assentiu com um gesto de cabeça, procurando ignorar os risinhos irônicos de Dudley. Depois do que pareceu tempo suficiente para que toda RAF fosse capaz de comer o senhor Dursley se levantou e Harry foi enfim autorizado a subir, sendo informado que o café seria servido às 8:00 pontualmente e que, assim como nas outras refeições ela não admitiria atrasos.


--~~--~~--~~


No sábado Harry decidiu que iria conhecer um pouco a cidade, mas sua tia lhe pediu (na verdade apenas o informou) que a ajudasse com as compras que faria, afirmando que assim não precisaria gastar algumas moedas com o carregador, já que aparentemente seu tio não iria poder levá-la às compras em seu Ford.

Decidido a aproveitar o dia da melhor maneira possível, ficou admirando a paisagem e as construções ao seu redor. Passaram por um coreto, onde alguns jovens conversavam e continuaram andando pelo que logo Harry percebeu ser a rua principal. Passaram pelo posto dos correios que sabia ser do seu tio, um barbeiro e uma pequena loja de presentes muito requintada antes de entrarem na mercearia onde foram logo atendidos.

- Bom dia, senhora Dursley. – Um senhor de pele morena e olhos amendoados falou polidamente ao vê-los entrar. – Sua lista, por favor.

- Aqui está senhor Patil.

- Pode ficar sossegada senhora, que já separo suas compras e mando...

- Não precisa. – Petúnia o interrompeu ríspida. – Este aqui é meu sobrinho Harry. Ele ficará esperando e levará as compras.

- Ah claro. – Completou o homem resignado.

Petúnia Dursley virou-se para Harry e continuou sua ladainha de ordens.

- Você fique aqui e espere as compras. Quando terminar me espere em frente à loja de presentes aqui ao lado.

Recebendo um olhar de apoio do homem do mercado, Harry esperou pacientemente até que este separasse todas as mercadorias que a tia pedira. Imaginando que teria que virar um polvo para ser capaz de carregar tudo aquilo, deixou seus olhos correrem para fora da janela e começou a observar o movimento. Por mais estranho que pudesse parecer, trocaria na hora aquela cidadezinha pacata pela conturbada Londres, mas ficaria ali sem reclamar para não preocupar seus pais.

Tentando equilibrar quatro sacolas em seus braços, saiu da mercearia e ficou admirando os objetos expostos na vitrine meticulosamente arrumada da loja, totalmente enfeitada com motivos de páscoa. Sentiu-se murchar um pouco ao lembrar que esse ano sua mãe não espalharia pistas pela casa para fazê-lo encontrar seus chocolates. Quase podia admitir para si mesmo que adorava essas coisas que só sua mãe fazia...

- Vamos garoto. – A voz de sua tia tirou-o de seus pensamentos jogando-o de volta à realidade. - Ou vai ficar aí parado o dia todo?

Harry lançou um último olhar para o belo ovo de chocolate embrulhado em papel dourado à mostra no meio da vitrine e seguiu sua tia tentando não deixar que os mantimentos caíssem das sacolas.


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Depois do almoço, Harry pôde enfim tentar conhecer a cidade. Andou calmamente pelas ruazinhas agradáveis da cidade, passando em frente à igreja, à escola, seguindo por várias até voltar à rua Pemberley, a rua principal. Quando estava quase em frente ao coreto não pôde deixar de notar que um garoto, provavelmente da sua idade, estava sendo importunado por outros dois que o impediam de passar com suas compras. Sem realmente pensar sobre o que estava fazendo, mas achando aquilo tudo uma grande injustiça, se aproximou rapidamente assim que o viu ser empurrado, o que fez com que parte de suas compras se espalhasse pelo chão.

- Isso é pra você aprender, Longbotton. – O garoto loiro ameaçou entre gargalhadas. – Vamos embora Blás.

- Você precisa de ajuda? – Harry perguntou enquanto pegava algumas laranjas espalhadas próximas a ele.

- Olha lá! – A voz arrastada do loiro se fez ouvir. - O Nevilinho arrumou um amiguinho.

Conseguindo ignorar as provocações, o menino de rosto redondo olhou para Harry e com as faces coradas apenas assentiu. Harry pegou o restante das laranjas, colocando-as novamente na sacola e só então estendeu a mão para o outro que estava terminando de ajeitar o restante das coisas que haviam caído dentro das sacolas.

- Muito prazer, Harry Potter. – Aceitando o cumprimento o garoto respondeu.

- Neville Longbotton. Obrigado pela ajuda.

- Não tem nada. – Harry olhou para o caminho onde os outros rapazes haviam seguido e perguntou. – Quem eram aqueles?

Com um resmungo exasperado Neville falou.

- Eram Draco Malfoy e Blás Zabini. Eles e a turma que anda com eles podem fazer da sua vida um inferno...

- Talvez. – Harry pegou uma das sacolas. – Eu te ajudo a carregar se não se importar.

Neville deu de ombros e pegou a outra sacola, aproveitando para verificar se não havia deixado de pegar nenhuma das mercadorias que a avó pedira que buscasse antes de continuar o caminho de volta para sua casa, agora acompanhado de Harry.

- Você é novo na cidade? – O rapaz iniciou a conversa, já que o silêncio já estava incomodando.

- É... Cheguei ontem de Londres.

- E está morando com quem?

- Com meus tios, os Dursley.

Neville arregalou os olhos rápida e involuntariamente, fazendo com que Harry percebesse seu espanto.

- O que foi?

- Você é primo do Dudley?

- Sou, por quê? – Harry observou a face do outro começar a tingir-se de rosa enquanto este desviava o olhar para o caminho hesitante.

- Bom... Ele é da turma do Malfoy.

- Eu devia ter imaginado...

Neville parou em frente a um sobrado com paredes brancas.

– Chegamos, obrigado.

- De nada. Espero que o fato de ser primo do Dudley não atrapalhe em sermos amigos.

Neville encarou-o levemente constrangido e respondeu antes de entrar.

- Eu também espero que não.


---~~--~~-


Harry não se lembrava de ter se sentido alguma vez tão triste em sua vida quanto naquele domingo de páscoa. Não era por não ter recebido os tradicionais ovos de chocolate, que a tia fizera questão de comprar aos montes para o próprio filho e nem se dera ao trabalho de esconder que não comprara pra ele, e sim por estar sentindo falta dos pais. Nem parecia que estava longe deles há apenas dois dias.

Sorriu levemente ao se lembrar de como o pai sempre arrumava um jeito de passar o domingo com ele no parque que ficava próximo à sua casa em Londres, soltando pipas ou jogando futebol. Sua mãe levava alguns sanduíches e ficavam lá os três... Quer dizer, os quatro já que seu padrinho, Sirius Black, invariavelmente aparecia também. Mas nesse ano as coisas estavam sendo bem diferentes. Tudo por causa da guerra. Se não fosse ela ainda estaria em Londres com seus pais, seus amigos e aquela garota nova que havia se mudado pro bairro no ano anterior, Cho Chang... Mas não! Em plena tarde de domingo de páscoa ele estava ali, sentado solitário no banco que havia em frente à casa dos tios, observando o rio que seguia sem pressa seu curso.

Ao menos não tinha que ficar aturando seu primo. Ainda conseguia sentir a pressão que os dedos de Dudley fizeram em sua garganta na noite anterior. Depois que voltara de seu passeio e jantara, foi abordado pelo primo, que estivera até então na casa dos amigos e soubera que Harry havia conhecido Neville Longbotton (e aí Harry deduziu que só poderia ser a casa de um daqueles dois que atacaram o rapaz). “Não me envergonhe”, o primo dissera... Como se para isso já não bastasse ser parente dos Dursley.

Dudley havia deixado claro que ele e sua turma não queriam mais vê-lo junto de gente que vivia misturada à ralé, pois como os pais deles, e consequentemente o tio de Harry, faziam parte da elite da cidade, não deveriam andar com qualquer um como era o caso do Neville e da “Sabe-Tudo Insuportável”.

Percebera durante a missa de páscoa, naquela manhã, que os seus tios se sentaram afastados da grande maioria das pessoas que se encontravam na igreja. Enquanto o pastor, um senhor de olhar simpático por detrás de óculos de meia lua, pregava a humildade, os Dursley mantinham aquela postura superior e esnobe que Harry divisara também em outras pessoas sentadas próximo a eles. Nem ao menos conseguiu cumprimentar Neville, pois sua tia o impediu levantando-se e arrastando-o assim que pôde para cumprimentar o padre e sua esposa, que Harry logo descobriu ser também a diretora da escola onde ele estudaria de agora em diante, ficando livre de levá-lo até ela no dia seguinte.

Vira de relance, ao saírem da igreja, o funcionário da estação rodeado de várias pessoas com os mesmos cabelos vermelhos que ele, mas não conseguiu cumprimentá-lo tampouco.

Harry não conseguia entender como as pessoas conseguiam se achar melhores umas que as outras. Seus pais tinham algumas posses e não agiam daquela forma. Um dos melhores amigos deles vinha de uma família pobre e nem por isso era menos considerado. Tio Lupin, ou apenas Lupin como gostava de ser chamado agora que Harry crescera, era amigo de seu pai e seu padrinho desde os tempos de escola e seus pais foram padrinhos dele quando se casou com Marlene McKinnon, uma enfermeira que trabalha com sua mãe, há dois anos.

Gostaria de um dia ter amigos tão bons quanto os de seus pais, pessoas alegres, leais, confiáveis e prestativas. Um grande sorriso surgiu em seu rosto quando lembrou de Lupin ensinando-o um truque para que não tivesse mais medo do “bicho-papão”. Lupin olhara de forma séria, ao contrário de seu pai e Sirius que nem disfarçavam as gargalhadas, para um assustado Harry (crianças de cinco anos podem ser bastante criativas) e pediu para que sempre que começasse a ficar com medo, imaginasse o monstro vestido de bailarina, dizendo que assim o monstro ficaria tão envergonhado que sumiria rapidamente.


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Rumou apressado atrás de Dudley, que aparentemente fazia de tudo para não ser visto ao lado dele. Depois de atravessarem boa parte da cidade, chegaram à escola onde já havia um grande número de crianças esperando o início das aulas. Num piscar de olhos, Harry se viu sozinho na multidão. Dudley havia desaparecido de suas vistas e nem ao menos lhe dera a chance de perguntar onde deveria encontrar a diretora.

Engolindo uma imprecação, caminhou devagar para dentro do prédio principal, esperando avistar alguma placa que indicasse o caminho. Estava tão absorto em seu intento que acabou esbarrando em uma pessoa, derrubando os livros que esta carregava.

- Desculpe. – Se abaixou e pegou os volumes caídos, entregando-os à dona, uma garota com a expressão séria e cabelos cheios presos com uma fita.

- Tudo bem. – Ela pegou os livros enquanto encarava-o com o cenho franzido. – Você está procurando alguém?

- Er... estou. Eu sou novo aqui. – Estendeu a mão, sem saber ao certo o que fazer. – Harry Potter.

- Prazer, Hermione Granger. – Ela emitiu um leve sorriso antes de voltar a falar. – Venha eu te levo até lá.

- Obrigado.

- Você é de Londres?

- Sou.

- Você vai ficar muito tempo?

- Não sei ao certo. – Harry começou a achar que talvez não tivesse sido tão boa idéia aceitar a ajuda da garota, mas preferiu continuar seguindo-a.

- Você vai gostar daqui. O clima é agradável e as pessoas são cordiais, menos a turma do Malfoy, é claro. A minha mãe é a professora de Língua Inglesa e o meu pai é o médico da cidade. Se você achar que precisa de ajuda com as matérias não se acanhe de me falar, eu terei o maior prazer em ajudar... – Ela parou o discurso ao perceber as sobrancelhas levantadas de Harry. – Oh, desculpe, estou tagarelando, não é?

- Um pouco. – Harry respondeu com um leve sorriso.

- Bem, chegamos. É nessa sala. Qualquer coisa pode me procurar.

- Obrigado.

Harry bateu à porta da sala da diretora ainda achando que apesar de tudo a garota parecia legal.

- Pode entrar.

Harry atendeu a ordem, entrando em seguida.

- Bom dia, diretora McGonagall.

- Entre senhor Potter, sente-se. O senhor trouxe os documentos que pedi à sua tia?

- Sim senhora. A minha mãe já havia deixado tudo separado. – Falou o rapaz ao sentar-se diante da mesa da diretora.

- Deixe-me ver. – A senhora olhou atentamente os vários papéis que Harry entregara, sem deixar transparecer se o que via era do seu agrado ou não. – Bom, pelo que estou vendo acredito que o senhor não terá muitos problemas com as matérias já dadas até aqui. O senhor já pode ir, pois as aulas já estão para começar. A sua sala é a terceira à direita do prédio ao lado.

- Então... Obrigado. – Respondeu Harry levantando-se.

Saiu apressado pelos corredores, tomando o cuidado de não esbarrar em mais ninguém. Entrou no prédio que a diretora havia indicado e tão logo entrou na sala de aula percebeu que suas suspeitas tinham sido confirmadas. Sentado numa carteira ao fundo, perto da janela, estavam Dudley e seus amigos.

O primo riu abertamente, provavelmente do fato de tê-lo deixado para trás, mas Harry ignorou, apenas passou os olhos pela sala à procura de um lugar para se sentar. Descobriu com certo alívio que um dos únicos lugares vagos era justamente ao lado da menina que lhe ajudara e que estava sentada logo à frente. Lançou-lhe um sorriso amarelo que foi retribuído e ele logo se prontificou a traduzir como sendo uma autorização para sentar-se. Assim que terminou de se acomodar ela falou baixo.

- Imaginei mesmo que você deveria vir para essa turma. Você quer a...

Mas a frase da garota foi interrompida quando ela percebeu a entrada de um garoto alto e ruivo que olhava aturdido para o local onde Harry sentara e depois, com as orelhas bastante vermelhas, foi sentar-se ao lado de Neville, que só agora Harry percebera que também estava naquela classe.

- Esse era o lugar dele? – Sussurrou para Hermione. – Eu posso trocar...

- Não precisa. – Interrompeu a garota. – Você não tem culpa dele ser um idiota.

- Ele é da turma do Malfoy?

- Não, ele é legal... – Harry percebeu que a garota corara e se apressara a completar. – Nós somos amigos, somente discutimos outro dia e bem... ainda não nos entendemos.

- Entendo. – Respondeu confuso.

- Tudo bem, a gente vive discutindo mesmo...

Harry sorriu levemente ao notar a expressão engraçada que a garota fazia, mas nem teve tempo de falar nada já que em seguida uma professora baixa e gorducha entrou na sala dando início à série de aulas do dia.

Quando a hora do intervalo para o almoço chegou, Harry já estava impressionado com Hermione. A garota era tão inteligente que chegava algumas vezes a ser irritante, e ele tinha grandes suspeitas de que era dela que o primo se referira ao mencionar a “Sabe-Tudo Insuportável”.

Pegou as moedas que reservara para o lanche, do dinheiro que seus pais lhe deram para seus gastos pessoais, e depois que comprou o lanche, encaminhou-se para a ponta da grande mesa que havia no refeitório, contudo antes que se sentasse sozinho viu Neville o chamando para fazer-lhe companhia.

- Olá! – Neville cumprimentou-o assim que sentou. – O que está achando?

- Legal... Por enquanto. – Harry respondeu antes de morder um pedaço de seu sanduíche.

- Ah, francamente, Ronald! – Um garoto negro se aproximou da mesa imitando uma voz feminina para implicar com o ruivo que seguia ao seu lado.

- Cala a boca, Dean.

O ruivo se sentou de frente para Neville visivelmente irritado. O garoto que falara em falsete sentou-se ao seu lado e virando-se pra Harry cumprimentou-o.

- Olá, sou Dean Thomas, esse aqui é Seamus Finningam. – Falou apontando para outro rapaz que acabara de sentar junto a eles. – E este é Ronald Weasley.

- Olá. – Harry cumprimentou a todos com um aperto de mão, mas Ronald olhou-o com uma expressão feroz e ignorou completamente o gesto.

- Não dê importância, ele está chateado porque bri...

- Cala a boca, Dean! – Resmungou o ruivo interrompendo a explicação do amigo.

- Sem problemas. - Harry respondeu. Até que as pessoas, no geral, estavam sendo bastante simpáticas. Virou-se para o ruivo e completou após reconhecer o sobrenome. – Conheci seu pai.

- E daí? – Respondeu Ronald de forma grosseira.

- Er... nada.

Harry desistiu de estabelecer uma conversa com o outro rapaz e terminou de comer seu lanche, enquanto Neville, Dean e Seamus entreolharam-se exasperados. Depois de um silêncio incômodo que perdurou alguns minutos, Rony enfim virou-se para Harry e com os olhos semi cerrados perguntou.

- Por que você não se sentou com a turma do Malfoy?

- E por que eu deveria?

- Você não é primo do Dudley? – Harry percebeu que Neville ficara ligeiramente corado e concluiu que haviam falado sobre ele.

- Pra mim já é suficiente estar morando na mesma casa que ele. – Notou que o ruivo ainda o olhava com raiva e seu cérebro acabou por perceber, ou pelo menos achou que percebera, a razão daquela discussão. Lançou um sorriso enviesado para o outro e completou. - É por isso?

- Por isso o que?

- Você está agindo como um idiota porque eu sentei no seu lugar?

- Co-como? – Rony questionou se levantando de forma ameaçadora, logo imitada por Harry.

- Sabe eu estava disposto a trocar de lugar com você assim que percebi, mas a Hermione disse que não precisava. Porém agora é que eu não saio mesmo.

- Seu filho da...

- Ei, o que está acontecendo? – Hermione se aproximou junto com mais duas garotas e percebeu que eles pareciam prestes a se engalfinharem. – O que você fez agora, Ron?

O ruivo olhou na direção da garota tão rapidamente que era incrível não terem ouvido seu pescoço estalar. Seus olhos azuis faiscaram ainda mais e ele dirigiu-se a ela exasperado.

- Isso! Joga a culpa em mim. Não é isso que você sempre faz? – E livrando-se das mãos de Seamus, que o segurava para impedir uma possível briga, saiu rapidamente de perto do grupo.

- O que aconteceu afinal? – perguntou uma menina loira que se encontrava ao lado de Hermione.

Os garotos se olharam e num acordo mútuo e silencioso, resolveram que não tinham que dar nenhuma satisfação para elas. Mas como pelo olhar delas, principalmente de Hermione, não seriam deixados em paz, Seamus respondeu.

- Nada que seja do interesse de vocês.

As meninas iam retrucar, contudo o sinal anunciando o reinicio das aulas tocou estridente, fazendo com que retornassem apressados para a sala.

Assim que se acomodaram, Hermione tratou logo de tentar saber o que exatamente havia acontecido entre Harry e Ron (que no momento parecia prestes a estrangular o primeiro desavisado que lhe dirigisse a palavra). Esperou o moreno se acomodar ao seu lado e com o olhar perscrutador perguntou.

- Então, por que você e Ron estavam discutindo?

- Nada demais. Ele é que é um idiota. – Murmurou Harry em resposta.

Mas ao contrário do que ele pudesse imaginar, Hermione não concordou com ele. Ao contrário, as faces da garotas foram se tornando cada vez mais rubras de evidente raiva, e ela acabou explodindo num grunhido indignado.

- Ron não é um idiota!

Enquanto tentava entender o motivo da súbita mudança de opinião de Hermione quanto a Ron, já que ela mesma havia chamado o ruivo de idiota mais cedo, e do ar ofendido que ela lhe lançava, não percebeu a entrada do professor na sala, só se dando conta do fato quando o mesmo começou a falar sobre os meandros da História da Inglaterra.

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N/B: Gente que delicia, mais uma fic da Pri!!!! Vcs já não estavam com saudades?? rsrs To mto feliz, fic nova, eu betando...tudo o q eu gosto! rs Bom, essa fic é bem diferente das que ela já escreveu, é uma UA e olha, pelos planos da mulher vai ser demais! Acho que já deu para perceber né? O pobrezinho do Harry teve que ir para longe dos pais, já chegou abalando na nova cidade, fazendo alguns desafetos! Mas o que ele faz de melhor, que é amigos, ele tb fez...e tudo indica que logo, logo ele irá iniciar uma grande amizade...vcs não acham? Um certo trio vai dar o q falar naquela cidade ainda! Ta até parecendo as 3 P’s! haha Amiga, mto sucesso com sua nova fic, talento p isso é o q não falta! Beijos!! Amo-te.


N/A: Oi amores!!!! Ficaram com saudades???? Bom o que dizer na primeira Nota... *Priscila pensando* Primeiro que decidi usar os nomes todos no inglês, então nada de Jorge, Duda, ou Gina (blergh). Segundo é uma UA (Universo Alternativo), portanto nada de bruxaria. Terceiro, um enorme beijo pras minhas betas (viu que chique! Tenho duas betas, hihihi) que me ajudam e me aturam no msn. Amo vocês! E também para os meus consultores históricos Sally e Bernardo. Eu não sei o que seria dessa minha idéia maluca sem vocês. E... Bom acho que por enquanto é só. Leiam, e não esqueçam de comentar, nem que seja pra criticar.

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