- George? – indagou a ruiva, reparando no semblante do irmão em frente a alguns avisos rotineiros naquele corredor do quarto andar, seu coração bombeou mais forte.
- Ah, oi Gina – ele respondeu virando-se sorridente. A barba maior que dá última vez que a garota o vira.
Ela se aproximou de vagar, e ele continuou encarando a menina como se a coisa mais natural em um sábado de outono como aquele, fosse ele estar ali, em Hogwarts.
- George – soletrou com um pouco de retardo -, desculpe, mas, o que você está fazendo aqui?
- Hum... Gina – começou George – foi bom inclusive topar com você, eu precisava conversar.
- Como assim topar comigo, eu estudo aqui – alegou sorrindo. – Você é quem está no lugar errado.
- Certo maninha... – colocou a mão sobre o ombro da ruiva e a forçou caminhar ao seu lado. – Você tem razão, eu vim aqui por que precisava conversar com você.
- Mesmo? – indagou contrariada.
- Mesmo – confirmou George, sem encarar a irmã. – Podemos dar uma volta?
- Acho que já começamos a fazer isso – disse sorrindo mais. Aquilo definitivamente era estranho, mas bom. George mal saia do quarto, muito menos de casa desde o fim da guerra.
A garota não conseguia conter uma pequena felicidade brotando em seu peito.
- Eu vou voltar a tomar conta da loja e dos... dos meus negócios – informou, ainda sem encarar a menina. – O que acha disso?
- Hum... Eu acho muito bom George, muito bom mesmo – disse alterando a voz. O tom da felicidade alteando.
- Ok...
Três alunos do primeiro ano passaram por eles, correndo um atrás do outro.
- Eu acho mais que bom na verdade – ela continuou e o rapaz a encarou finalmente, parando de caminhar. – Aquela loja era seu sonho, não pode deixar que tudo morra.
Seus olhos esbanjaram tristeza.
- O sonho morreu junto com Fred – ele alegou.
O coração da garota apertou instantaneamente.
- Tenho certeza que você não veio aqui para me dizer isso – rebateu após alguns segundos. Ele desviou o olhar. – Acredito sim George, que uma parte do sonho tenha morrido junto com Fred, mas a outra parte continua viva, em você. Em nós, que guardamos Fred aqui dentro – ela colocou a mão sobre o peito.
Ele suspirou forte, abaixando um pouco a cabeça.
- De todos nós George, eu talvez tenha sido a que conheceu melhor você e ele. Eu realmente aprendi muitas coisas com vocês, e eu sei que se você tivesse ido ao invés dele, ele ficaria sim, completamente arrasado, mas nunca se entregaria dessa forma.
- Eu...
- Você ficou distante do mundo o tempo necessário, eu entendo isso, mas também entendo que você precisa continuar vivendo... Eu sinto muito a sua falta! – ela o abraçou forte, desabafando em fim, tudo o que sentira e sentia relacionado aos dois irmãos.
- Me desculpe Gina – disse baixinho, enquanto apertava mais a irmã. – Desculpe por tudo.
- Você não precisa se desculpar.
Ficaram ali no meio do corredor por algum tempo. Ouviam a movimentação de algumas pessoas passando para cima e para baixo, e ainda permaneciam ali.
Eles se afastaram um pouco, e Gina se deparou com uma figura conhecida caminhando na direção deles.
- Oi – disse Melissa. Carregava um malote de pergaminhos.
- Oi – cumprimentou Gina de volta.
Ela parou de chofre na frente dos dois.
George a encarou curioso.
- Ah... – indagou Gina, parecia um pouco confusa – ah... Professora... esse é meu irmão, George.
Ela sorriu logo para ele, o ruivo não estendeu a mão para cumprimenta-la devido ao monte de pergaminhos.
- Prazer – disse ele.
- Está visitando a escola? – perguntou Melissa, a voz curiosa.
- Sim, precisava conversar com a minha irmã – pontuou enquanto colocava uma das mãos sobre o ombro de Gina, e olhava ao redor como alguém nostálgico. – E relembrar alguns tempos talvez – terminou esbanjando um sorriso amarelo.
- Certo... Bom, espero que aproveite a visita – desejou ainda sorrindo, e voltando a caminhar na direção oposta do corredor. – Preciso ir... Até mais Gina.
Eles ficaram observando ela desaparecer no fundo, através das escadas.
- Ela é professora de que? – indagou o ruivo.
- Transfiguração.
- Hum... E é uma boa substituta da Professora McGonagall?
- Ah... sim...
- É estranho imaginar a velha McGonagall Diretora.
A garota encarou o irmão.
- Imagino que sim – ela concordou.
Eles continuaram se fitando por alguns segundos.
- Quem te mandou vir aqui? – perguntou a ruiva.
O garoto fingiu uma expressão de espanto.
- Eu sei que alguém lhe pediu George – insistiu a ruiva, sem pestanejar.
Ele suspirou.
- Ah... Já faz um mês e meio que vocês voltaram às aulas e... hum... desde então Rony me escreveu três vez...
- Rony lhe escreveu três vezes?! – ela exclamou quase não lhe dando tempo de responder.
- Gina, calma...
- O que ele disse? – indagou com as bochechas vermelhas.
- Gina – pronunciou enquanto colocava as mãos sobre os ombros da irmã. – Você precisa me escutar – terminou colocando a garota sentada sobre um banco que despojava no canto da parede, sentando-se em seguida.
Ela recostou-se contrariada.
- Eu não posso permitir que seus estudos, que sua vida seja prejudicada por minha causa, por falta do meu bom senso... Todos se recuperaram um pouco... De alguma forma... Exceto eu.
- Do que você está falando George...? – indagou Gina com uma expressão pouco interessada. – Eu entendo você, mesmo.
Ele a abraçou, algo transpirava de si. Algo como um medo transparente.
- Como você disse – ele continuou-, você foi a que nos conheceu melhor, ele não estaria como eu. Ele prosseguiria Gina.
Os olhos da garota se encheram instantaneamente de lágrimas.
O abraçou novamente.
- Tudo bem se eu voltar a tomar conta da loja? – indagou ele, baixinho.
Ela balançou afirmativamente a cabeça.
- Por que você pediu ao Rony que escrevesse ao George? – perguntou pela quinta vez aquela noite à Hermione. O tom bravo já nem era tão perceptivo.
A morena, que lia um livro extremamente grosso na cama ao lado encarou finalmente a amiga.
- E por que você insiste nisso? – indagou a garota. – Eu não entendo por que eu teria algo a ver com o seu irmão vir aqui ter uma conversa com você.
- Hermione, ele não sai do quarto à quase quatro meses – alegou a ruiva revirando os olhos.
A morena sentou-se abruptamente na cama deixando o livro de lado.
- Tudo bem, eu posso ter comentado com Rony sobre o seu estado, mas não tenho culpa que ele tenha escrito ao George diversas vezes sobr...
- Sobre o meu estado? – completou Gina, também se alterando e também sentando-se na cama. – E desde quando você sabe alguma coisa sobre isso?
- Eu...
- Eu não acredito! – continuou a ruiva.
- Gina! – exclamou Hermione. – Eu só estou realmente preocupada com você, não queria te chatear...
- Eu já disse que estou bem!
- E eu não consigo mais acreditar – confessou quase sussurrando. – Eu pedi para você conversar comigo Gina...
- Exatamente – concordou a ruiva, também em tom mais baixo – e por isso mesmo você não deveria julgar que estou com algum problema Hermione, somos amigas! – terminou balançando as mãos desesperada.
A morena suspirou.
- Eu te conheço... – começou novamente Hermione.
Gina, contrariada, voltou a se deitar.
- Isso parece a droga de um circulo, quando penso que você vai parar, começa tudo de novo – disse a ruiva, insatisfeita.
- Se você conversasse comigo, ajudaria. – Hermione também deitou-se novamente. O ar preocupado.
- Eu só não entendo por que escrever à George...
- Você está reclamando? – indagou a morena. – Se Rony não tivesse escrito ele ainda estaria enfurnado naquele quarto! Pensei que você quisesse vê-lo voltar a viver.
- É claro que eu quero Hermione! – protestou Gina, enquanto encarava a amiga. – E ao menos isso foi bom... Ele parece estar mesmo disposto a se recuperar – suspirou – finalmente, mesmo que pelos motivos errados.
- Como assim pelos motivos errados? – perguntou Hermione, também encarando a amiga.
- Oras... se eu não estou bem, assim como você diz, não é por George – alegou –, não somente.
- E pelo o que mais é?
A ruiva riu um pouco alto.
- Você acha mesmo que eu não estou bem não é Hermione?
- Tenho certeza.
Silêncio.
A morena voltara a ler o livro, e Gina começou a tentar pegar no sono. Estava difícil.
- Herms... obrigada por se preocupar... Mas não estou fazendo nada de errado... Assisto as aulas, faço meus deveres, faço minhas refeições, e até comecei a treinar Quadribol com o time da Grifinória...
- Sim, você faz tudo isso, mas você não está como antes. Está agindo com meio entusiasmo em tudo... Harry também reparou Gina, só prefere não comentar... Não se parece com a Gina que conheci!
- E você não acha normal que seja assim Hermione?
- Não! – respondeu em tom indignado à amiga, alteando a voz. – Nós vencemos essa guerra, finalmente Voldemort se foi, para sempre! Metade da escola não tinha que estar em parte, de luto ainda!
- Não tinha? – Gina também alteou a voz. – Metade da escola precisa estar de luto ainda. É assim que as coisas acontecem. Não vai ser assim para sempre, eles só precisam do seu tempo.
Hermione suspirou, agora, ela contrariada.
- Está bem Gina – concordou fechando o livro. – Vamos dormir.
- Eu entendo que você esteja brava... Nós vencemos, como disse. O que não vê, é que o nosso sentimento até hoje, tem sido de vitória sim, alívio, felicidade por quem está vivo, e por quem vai nascer em um mundo melhor... Mas é difícil botar para fora a comemoração... Uma vez que todos perdemos pessoas extremamente queridas.
- Ah... – Hermione ia começar a protestar novamente.
- Até o fim do ano, tudo vai melhorar, mais ainda... Você vai ver – alegou Gina. – Acho só que está um pouco ansiosa, pois você esteve lá fora... O combatendo de frente, não esteve trancafiada aqui dentro... sem poder fazer nada, vendo seus amigos sendo torturados... Ouvindo sobre mortes e desaparecimentos. Achando a cada notícia, que o menino que sobreviveu, nossa única esperança, estava morto – impôs com autoridade. – Como eu disse, você não percebe, mas tudo está maravilhosamente bem na medida do possível.
A morena suspirou...
- Ok, talvez você tenha razão...
A mulher permanecia sentada no amplo banco de fronte ao jardim da escola. A vista era impressionante.
Já fazia dois meses que estava lecionando em Hogwarts, mas ainda não deixava de se impressionar com a beleza daquele lugar.
Conseguia divisar a orla da Floresta Proibida, magnifica por sua áurea misteriosa, o lago, que reluzia aos raios de sol, o jardim em si, bem cuidado.
- Olá... – ela ouviu uma voz grave.
Era Harry.
- Ah... Sr Potter – disse surpresa. – Sente-se – convidou instintivamente.
O garoto sorriu, em uma reação de igual instinto sentou-se ao lado da nova professora de Transfiguração.
Ficaram em silêncio por alguns segundos.
- Está tudo bem? – perguntou Harry, parecia querer quebrar o silêncio incomodo tanto quanto Melissa.
- Sim, sim...
- Hum...
- Só estou... Admirando um pouco os terrenos da escola... – começou um pouco insegura. – Pensando talvez, no que eu poderia ter vivido caso tivesse estudado aqui...
- Certo... – indagou o moreno. – Ah... a Sra estudou em que escola?
- Beuxbatoons.
Ele pareceu surpreso.
- Impressionante... A Sra não tem nenhum sotaque.
- Eu sou Inglesa... Tive de estudar lá pois meus pais se mudaram e fui morar com meus tios...
- Ah, entendo...
- Preferi voltar, uma vez que terminei os estudos... Mas, agora que estou lecionando aqui, é impossível não imaginar como teria sido...
- Não acho muito bom ficar pensando no que não viveu... – o garoto alegou levantando-se. – Eu passei muito por isso...
A mulher sorriu um pouco.
- É, acredito que não seja bom...
- Estou indo visitar um amigo querido – disse apontando para a cabana adiante. – Hagrid...
- O professor Hagrid? – ela comentou. – Ele me disse outro dia que vocês eram bem amigos.
- Sim somos... Como eu fui criado por trouxas... Não sabia de nada do mundo bruxo... Hagrid foi me auxiliar quando eu recebi a carta, criamos uma forte amizade imediatamente – concluiu sorrindo.
Melissa também sorriu.
- Ele parece uma ótima pessoa.
- Sim, ele é – disse começando a se distanciar. – Até mais Professora.
- Certo... Até mais Sr Potter.
A mulher ficou observando o garoto se afastar.
- Posso me sentar? – perguntou a menina ruiva enquanto a mulher dava um salto ligeiramente assustado do banco.
- Gina, você quer me matar do coração? – indagou enquanto encarava a menina.
A ruiva sentou-se rindo um pouco.
- Desculpe...
Também ficaram em silêncio por algum tempo.
- O que estava conversando com Harry? – Alguma coisa em seu tom incomodou Melissa.
- Ah, nada de mais... Por quê?
- Eu só fiquei curiosa.
- Estava o vigiando? – indagou em meio a um sorriso provocativo.
- Claro que não! – protestou a ruiva.
- Me vigiando? – deixou escapar.
A ruiva enrubesceu.
- Muito menos – tentou defender-se.
Silêncio.
- Então, o que faz aqui? – indagou a professora.
- Estou dando uma volta – respondeu simples.
- Hum...
Mais silêncio.
- Ah... não temos nos falado muito desde o início das aulas – começou Gina. – Eu gostaria de me certificar que está tudo bem entre a gente.
Melissa a encarou. Um pouco de surpresa emanava de seus olhos.
- Claro que está tudo bem – respondeu a professora. – Por que não estaria...?
- Hm... – Gina ponderou um pouco. – Acho que depois... ah... depois do que aconteceu... naquelas férias... Com você dando aulas aqui... ah... talvez as coisas possam ficar meio estranhas.
- O que você sugere com estranhas? – perguntou Melissa em meio a um sorriso.
- Você está achando graça disso? – indagou a ruiva, o rosto enrubescendo.
- Não exatamente – respondeu recostando-se mais no banco. – Estou achando graça das suas palavras.
- O que tem as minhas palavras? – Parecia indignada.
Melissa suspirou.
- Gina, não quero tornar isso mais difícil do que já está sendo ok?
A garota permaneceu quieta.
- Não me importo de ser sua professora, posso deixar para lá o que aconteceu entre a gente, e apenas ter a sua companhia como aluna – disse Melissa, de uma vez. – Acho que podemos fazer isso.
- Ah... ok – concordou Gina.
Permaneceram caladas, observando alguns garotos do primeiro ano correndo pela margem do lago.
- Eu gostaria de ser sua amiga – informou Gina.
Melissa a fitou, mais uma vez, surpresa.
- Você acha isso possível? – indagou a professora.
- Não sei... Hagrid é nosso amigo... ele é um professor – continuou seu raciocínio. – Se é possível com ele, talvez seja possível com você, afinal, já te conhecia, assim como já conhecia o Hagrid.
Melissa sorriu.
- Certo – concordou a mulher. – Vamos tentar então.
Gina levantou-se sorrindo também.
- Está me achando ingênua? – indagou mais uma vez a ruiva.
- Ah... não... não é isso.
- Bom, acho que é melhor não saber o que é – terminou se afastando um pouco.
Melissa fechou os olhos, sentindo a brisa morna tocar seu rosto.
- Você virá ao jogo de Quadribol essa tarde? – perguntara Gina.
Melissa abriu vagarosamente os olhos. A menina permanecia no mesmo lugar.
- É hoje?
- Sim, hoje é o primeiro sábado de novembro... – respondeu rapidamente a ruiva. – Então sim, é hoje.
- Está preparada? – indagou a professora.
- Estou – respondeu segura. – Derrotar a Lufa-lufa vai ser moleza – terminou sorrindo.
- Estarei lá para ver a sua grande vitória então... – afirmou. – Ainda está como artilheira, não é?
- Sim – disse olhando à sua volta. – Harry ainda é o capitão do time, e um ótimo apanhador.
- Eu vi um treino de vocês – confessou Melissa.
- Eu sei que viu – informou Gina.
Agora Melissa enrubescera.
- Se vencermos haverá uma comemoração na torre... Você quer vir?
- Ah... – Melissa mais uma vez surpreendera-se, agora com o pedido. – Não sei se é apropriado... você sabe, professores participarem de comemorações de alunos...
- Não tem nada de mais – disse logo Gina. - Pare de ser careta, você não era assim – terminou sorrindo.
- É um pouco diferente agora...
- Não me decepciona – decretou Gina, enquanto se retirava.
O jogo fora simplesmente espetacular.
Uma das artilheiras da Grifinória precisara ser retirada de campo com poucos minutos de partida e isso beneficiara muito os Lufanos.
A Grifinória estava perdendo por uma diferença de noventa pontos após quase três horas de jogo, quando Harry pegara o pomo de ouro.
- Você conseguiu pegar a capa com o Harry? – indagou a ruiva para a melhor amiga quando a mesma a chamara para o dormitório feminino do sétimo ano.
- Sim – respondera já entregando-lhe o tecido. – Não vai mesmo me falar para que é? – insistiu Hermione enquanto a garota colocava a capa dentro do bolso das vestes.
- É só uma precaução – respondeu.
- Precaução de que? – perguntou mais uma vez. – Não devia ter feito isso, ah, não devia t...
- Cala a boca Hermione – a cortou Gina enquanto encarava a porta entre aberta do dormitório. – Eu juro que não é nada demais.
- Você vai me contar depois?
- Hm... – gemeu baixinho.
- Você me prometeu que ia contar, foi o acordo – lembrou Hermione. – Eu nunca mais vou confiar em você Gina.
- Tudo bem, eu vou contar! – prometeu a garota, mais uma vez, enquanto se dirigia à porta.
- Você não vai trocar de roupa?
- Não tenho tempo, todos já estão lá embaixo comemorando – informou olhando pela fresta da porta. – Vamos!
Já se passava das duas da manhã, e a maioria dos alunos já tinham ido se deitar.
Alguns poucos boêmios continuavam tomando cerveja amanteigada e whisky de fogo em meio a calorosas conversas próximos a lareira.
- Acho melhor ir – avisou Melissa. – Eu provavelmente não deveria estar aqui... Imagina as três da manhã...
Rony a encarou sorridente.
- Puxa professora, até a Hermione já se esquecera da hora... – disse encarando a namorada que tomava alegremente sua cerveja amanteigada.
Todos a encararam.
- O que? – Hermione fitara Rony. – Obrigada por me lembrar Ronald, é melhor irmos nos deitar mesmo, não acha Gina?- disse pegando a amiga pelo braço.
- Ah...
- É mesmo, está tarde – completou Harry. – Mas acho que a Sra não terá problemas com isso – informou o garoto à Melissa.
- Espero que não... – disse a professora.
- Você pode ir à minha frente Hermione? – pediu Gina.
- Ah... tudo bem – concordou já se retirando. A expressão contrariada.
- Vamos? – indagou Harry à Rony.
- Ah, é uma pena, foi ótimo conversar com você professora, até mais – despediu-se Rony.
Junto com eles mais alguns garotos subiram.
Apenas Serafim e Jake, dois garotos do sexto ano permaneceram na sala comunal. Ambos absortos em conversas sobre Quadribol e garotas.
Gina sentou-se em uma pequena mesinha próxima à lareira. Bebera um gole de seu whisky e permanecera encarando Melissa, que estava recostada no sofá.
- O que foi? – indagou a mulher.
- Sente-se aqui – pediu a ruiva.
- Eu preciso realmente ir – lembrou à menina enquanto se sentava, também bebericou seu whisky.
- Sabe, as festas eram um pouco mais animadas antigamente – comentou Gina quando observou os dois rapazes restantes se retirarem.
- Bom jogo Gina! – Jake se despediu já subindo os degraus.
A garota sorrira.
- Foi bom mesmo – lembrou a professora.
Silêncio.
- Obrigada por vir – agradeceu Gina.
- Eu não tive coragem de perguntar a McGonagall se era permitido...
- Não esquenta com isso – pediu mais uma vez. – Se não for permitido, ela não vai saber.
- E se aquele zelador e sua gata me virem saindo daqui...? – perguntou. – Você não tem como afirmar que ela não vai saber... Algum aluno pode comentar...
- Onde está o seu espírito aventureiro? – indagou a ruiva, divertida. – Não se preocupe... Ninguém vai comentar, e quanto a te verem... – Gina retirara do bolso a capa.
- O qu...?
- É uma capa de invisibilidade – informou entregando para a professora.
- Nossa, ela é tão... diferen...
Gina a cortou colocando um de seus dedos em sua boca, em um sinal de silêncio.
- Eu senti sua falta – desabafou.
A professora suspirou forte enquanto retirava a mão de Gina de perto de seus lábios.
Mais silêncio. Permaneceram se encarando.
- Eu também senti a sua falta – admitiu em seguida.
- Me desculpe por estar tão distante, eu só... não sei como reagir a isso – informou a ruiva. – Inclusive hoje! Tinha prometido a mim mesma que não ficaria distante de você nessa festa...
- Eu entendo... – disse sincera.
- Com tudo o que aconteceu... rever você foi realmente bom, mas... eu não sei... Eu realmente quero ser sua amiga... mas...
- Você não teve um caso com o Hagrid por exemplo – terminou sorrindo Melissa.
- É... – concordou rindo baixinho. – A nossa situação é totalmente diferente – continuou Gina aproximando-se mais. – Aquilo que tivemos... você foi a primeira pessoa que eu realmente quis e que me correspondeu. Me marcou demais.
- Eu sei...
- Eu quero te beijar...
- Ah...
- E eu sei que se eu fizer isso... vou querer te beijar sempre que te olhar... E isso é meio...
- É meio impossível – completou Melissa.
Mais silêncio.
- Eu fiquei na dúvida sobre esse emprego – admitiu Melissa. – Justamente por que sabia que precisaria te ver sempre, e na situação em que estaríamos, não sabia como seria...
- Você precisava desse emprego.
- Eu sabia que você estava com o Harry, e isso me deixou um pouco menos desconfortável para aceitar... mas hoje... é o que me deixa mais desconfortável com relação ao que sinto...
- Não fale nele – pediu Gina.
- Certo .
Gina levantou-se. Melissa também.
- Eu vou indo – avisou se afastando.
Gina a acompanhou até o buraco do retrato.
Antes de abri-lo Melissa colocara a capa.
Quando dera um passo a frente Gina segurou seu braço.
- Espera... – pediu entrando embaixo da capa também.
Ali era quente. As duas respiravam rápido.
- Eu preciso sentir mais uma vez... a orquídea... – disse a ruiva aproximando-se do pescoço da outra e respirando forte seu perfume. – Ainda está aqui, intacto... – murmurou em seu ouvido.
Melissa apenas a abraçou, sentindo os cabelos sedosos da menina.
- Preciso sentir a menta... – murmurou mais, correndo seus lábios até os de Melissa. Selando um beijo calmo e torturante.
Em seguida saiu de baixo da capa.
Melissa permanecera ali por alguns segundos.
Fora o tempo de Gina caminhar até as escadas, ainda olhando em direção à saída.
Quando a menina desaparecera pelos degraus, Melissa girou o retrato e se encaminhara a seus aposentos.
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N/A: Bom, eu sei que demorei séculos, e não tenho nenhuma moral... Só o que eu tenho a dizer é desculpem!
Andei meio sem ânimo para escrever além de não ter tempo por causa do trabalho e curso. De qualquer maneira agora eu vou tentar ter mais empenho.
Mas, tá aí o quarto capítulo, espero que gostem, se alguém ler né rsrs, depois de todo esse tempo sei que tem pessoas que realmente já desistiram.