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2. Mudanças (revisado)


Fic: Príncipes do Apocalipse


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Harry estava na cozinha lavando a louça do lanche que os Dursley ainda comiam, quando Lupin chega às pressas, invadindo a cozinha sem ligar para os Dursley ou para Guida, que acabara de chegar para passar as férias com o irmão.


-Mas o que... –Valter começou a falar, mas foi ignorado por Lupin, que vai direto a Harry.


-Hermione foi atacada, os pais dela estão mortos e você precisa vir comigo. –Lupin despeja tudo de uma vez, deixando Harry atordoado com todas as informações.


-Quem foi o que? –Harry pergunta não querendo acreditar no que ouvira.


-Hermione, Harry, está na enfermaria de Hogwarts e precisa de você. –Ao responder, Lupin pega uma caneta do bolso.


Presumindo ser uma chave de portal, Harry vai com Lupin para a sala e depois a toca sem mais perguntas, precisava ver a amiga e, se ela precisa de ajuda, faria qualquer coisa para ajudá-la.


*****************************************************************


Ao chegar à enfermaria, Harry vê McGonagall, Snape, Sprout e Flitwick em volta da cama onde Hermione jazia deitada. Madame Pomfrey a examinava junto com um homem que aparentava ser medi-bruxo.


-Harry! Que bom que pôde vir rá... – McGonagall fala em tom aliviado, porém urgente, no entanto Harry a interrompe.


-O que aconteceu, o que Hermione tem? –Pergunta preocupado, indo até a cama ver a amiga, que não tinha ferimento aparente.


-Cinco comensais atacaram a casa dela, quatro foram presos e um morreu queimado. –Explica para que Harry não tenha pensamentos de vingança. -Ela veio por lareira até meu escritório e, ao examinarmos, Papoula identificou algumas costelas quebradas e o braço ferido, mas isso não é o mais importante... –McGonagall explicava, porém o homem a interrompe.


-Não está fazendo efeito, o sangue é muito forte e a poção misturada ao sangue deve ter de algum modo interferido no processo. –Diz seriamente, a expressão preocupada, deixando todos com expressões alarmadas.


-Como assim, o que isso significa? –Harry pergunta confuso.


-No caminho te explico, Potter. –Snape responde após receber um olhar significativo de McGonagall. Logo saindo carregando Harry consigo.


Snape guia Harry, rapidamente, até seu laboratório e no caminho explica que identificaram sangue de vampiro nas vestes e boca de Hermione, e que este estava misturado a uma poção desconhecida, mas que interferia no tratamento.


-E o que vamos fazer aqui? –Pergunta não entendendo o porquê de justamente ele, estar lá.


-Precisamos de alguém para “dividir” a carga com ela, alguém que tenha laços fortes. Como não há familiar bruxo na família de Hermione, tivemos que escolher um amigo, e você, além de ser o mais “poderoso”, é, acredito eu, o único que não hesitaria em dar sua vida por ela. –Snape explica rapidamente, enquanto pega uma série de ingredientes no armário.


-Então essa poção pode me matar? –Pergunta o observando, mas não parecendo se preocupar com isso.


-Não, o que pode matá-los é a mistura feita, não sabemos o que é, mas está acelerando perigosamente a transformação. Essa poção ligará os dois de modo que você possa compartilhar os efeitos da transformação. Simplificando: terá todas as alucinações, dividirá a dor, a febre, e depois, se tudo correr bem, terá uma ligação especial que fará com que sejam capazes de saber o que o outro sente, se o outro está com problemas, doente ou até mesmo longe ou perto. Contudo, não compartilharão pensamentos ou quaisquer outras coisas. –Snape explica rapidamente, pondo os ingredientes já cortados e preparados no caldeirão. –Me dê seu braço, Potter. –Harry ergue o braço direito e Snape faz um corte com sua varinha, depois o virando e deixando o sangue cair no caldeirão, antes de fechar o corte –Pode ir agora, assim que terminar, levo a poção. –Snape diz quase o expulsando, parecendo concentrado no que fazia.


Sem querer discutir para não atrapalhar, Harry segue para a enfermaria, queria tentar dar o máximo de apoio possível a Hermione, mesmo que estivesse inconsciente e não pudesse ouvi-lo.


*****************************************************************


Cerca de duas horas depois, Snape chega à enfermaria com a poção, ministrando-a nos dois. Quase imediatamente Harry se sente fraco, sendo posto por Lupin em uma cama posta junta a de Hermione.


Apesar da fraqueza e de ter visto tudo escurecer, como se tivesse desmaiado, ele desperta se sentindo confuso, olha em volta e vê Hermione ajoelhada e parecendo estar em choque.


-Hermione! –Exclama sorrindo, correndo até ela, que se lança em seus braços.


-Harry… eu estou com medo. O que está acontecendo?  –Fala soluçando, tentando parar de chorar, ainda tremia, mas o abraçava com toda força que possuía.


-Não se preocupe Hermione, eu vou cuidar de você, não ficará sozinha. –Harry fala em tom protetor, tentando passar-lhe segurança, fazendo-a olhar em seus olhos.


Antes que algo mais pudesse ser dito, eles se viram cercados por chamas com cerca de três metros de altura. Elas giravam como se corressem em círculos e levavam consigo milhares de imagens aterrorizantes e nojentas que mudavam em alta velocidade.


Harry ficou ajoelhado atrás de Hermione, a abraçando com força e observando assustado, cenas de batalhas sangrentas e ataques de vampiros. De repente, ambos ouviram um som agudo e agourento que parecia que estouraria seus tímpanos, e, apesar do fogo em volta, um frio sem igual se apossou deles fazendo uma onda de sensações desagradáveis os tomarem, provocando uma dor maior que a da maldição cruciatos.


*****************************************************************


Na enfermaria, todos observavam os jovens gritarem em agonia, se contorcendo e logo depois entrando em convulsão. Ao mesmo tempo objetos começaram a voar e as janelas quebravam, mantendo Lupin e os professores ocupados, tentando assegurar a integridade dos jovens e da enfermaria.


O dia se segue com reações das mais variadas e perturbadoras possíveis, com os dois tendo febre alta e delírios, além de convulsões ocasionais.


Dois dias depois, Harry vela o repouso de Hermione sentado em uma cadeira ao lado da cama, quando ela parece começar a despertar. Imediatamente ele conjura um patrono. Então ela abre os olhos, parecendo perdida.


-Harry... estou na enfermaria... tive uns pesadelos estranhos... Dumbledore! –Hermione começa a falar lentamente, observando em volta e tentando se encontrar no tempo, depois se lembrando do diretor.


-Ele está morto, você veio para cá depois do ataque em sua casa. –Harry fala sem conseguir encará-la, sentindo-se culpado.


-Então não foi um pesadelo? Meus pais estão... –Hermione começa com a voz embargada, mas ao ver a expressão dele, não termina, apenas se levanta e o abraça com urgência, começando a chorar compulsivamente.


Harry a aperta contra si, tentando passar-lhe segurança, sendo invadido pelas sensações confusas de Hermione, entendendo o que Snape queria dizer com sentir o que ela sentisse. Era quase como perder seus pais novamente, porém, muito pior já que, por mais que doesse perdê-los sem nem ao menos conhecê-los, vê-los morrer e não poder fazer nada pra impedir, tendo convivido com eles por anos, era muito diferente.


Alguns minutos depois McGonagall chega acompanhada por madame Pomfrey e o medi-bruxo. Eles aguardam um pouco, mas vendo que a situação não melhoraria, seguem até os dois.


-Desculpe interrompê-los, sei que deve estar querendo ficar um tempo sozinha Hermione, mas o medi-bruxo precisa examiná-la. –McGonagall fala em tom maternal e compreensivo, tentando conter suas lágrimas ao ver o rosto molhado de ambos.


-Tudo bem, mas me sinto bem fisicamente. –Hermione fala tentando voltar ao seu tom normal de voz, enxugando as lágrimas em seu rosto.


-Me chamo David Hopkins, sou o medi-bruxo especializado que te atendeu. Creio que o Sr. Potter não tenha te contado sobre sua atual condição, então devo fazê-lo e explicar-lhe o necessário, por isso peço que ouça com atenção. –Fala formalmente, observando o gesto de consentimento dela, que é abraçada pelas costas por Harry, que segura fortemente suas mãos nas dele. –Hermione, se lembrar de ter bebido uma poção... ?


-Dolohov me forçou a beber algo, é sobre isso que vai falar? O que era aquela poção? –Hermione o interrompe, acrescentando dados que até então eram desconhecidos.


-Aquela poção não era normal, na verdade não sabemos ao certo o que era, mas nos basta saber o que faz. Normalmente para se virar um vampiro é necessário um pacto de sangue, onde o vampiro bebe cerca de metade do sangue da vítima e depois a faz beber um pouco do seu, criando assim o laço que se consolida depois da primeira vez que o novo vampiro bebe o sangue de um ser humano. No caso, essa poção fez com que somente o fato de você beber o sangue desse vampiro, fosse suficiente para que a transformação se iniciasse. –Nesse momento Hermione fica pálida, Harry a abraça com mais força e ela desiste de perguntar se realmente havia entendido, deixando Hopkins continuar.  –Com a ajuda de uma poção preparada pelo Sr. Snape e Harry, conseguimos fazer o tratamento parar a transformação e alcançar o objetivo esperado. –Diz otimista, fazendo Hermione se tranquilizar.


-Então eu não sou uma vampira e nem vou virar? –Pergunta aliviada, mas pelas expressões de Harry e McGonagall, ela vê que não havia dado tão certo assim.


-Na verdade esse tratamento não pode reverter a maldição, apenas impede que ela se complete, tornando as vítimas meio-vampiros, ou seja, você se tornou uma meia-vampira. A transformação ainda pode ser completada caso venha a beber sangue humano. –Nesse instante ele oferece um livro a Hermione. –Neste livro há um detalhamento da situação em que se encontra. E, antes que me pergunte, as diferenças são as seguintes: Você não é imortal, talvez envelheça um pouco mais devagar, mas não é garantido, depende do seu organismo e do que você absorveu; você não tem todos os poderes e habilidades que um vampiro tem, mas pode ter alguma dependendo das suas afinidades hereditárias e do poder do vampiro que te “transformou”, quanto mais perto da primeira geração mais forte e mais poder passa; a principal diferença, porém, é que você não precisa beber uma grande quantidade de sangue para sobreviver, terá que tomar apenas uma poção a base de sangue, uma vez ao dia. Entendeu? –Pergunta pacientemente, tentando explicar as condições dela.


-Sim. Onde consigo essa poção? –Hermione pergunta em tom conformado.


-Nós deixaremos tanto essa poção, quanto à do tratamento com Madame Pomfrey e você virá todo dia tomá-la e pegar os frascos do tratamento.


-Então ela poderá levar uma vida normal? –Harry pergunta ao medi-bruxo, mostrando também não entender muito da atual situação dela.


Ela, é claro, não poderá ficar em contato com sangue, isso seria perigoso. A poção apesar de ajudar a controlar a sede de sangue ou “fome”, não a inibi totalmente.


-E o senhor tem alguma recomendação a fazer? –McGonagall pergunta evitando a interrupção do assunto.


-Sim. Há algumas regrinhas básicas que você deve seguir:


“Primeira: Nunca beba sangue.


Segunda: Não deixe de tomar as poções na ordem certa, primeiro a verde, então a vermelha e por último a azul. Aconselho que as tome após as refeições e não deixe atrasar por mais que 15 minutos, por que a partir desse tempo ela enfraquece e sua sede ficará mais forte e as chances de quebrar a primeira regra aumentam muito.


Terceira: Não sei se tem namorado, nem desejo insinuar nada, mas como obrigação devo proibir que tenha relações sexuais antes de completar um mês de tratamento. –Hermione fica extremamente vermelha e Harry olha feio o medi-bruxo, que continua. –Quando se está em meio a esta situação, as pessoas tendem a deixar os instintos as guiarem e isso significa que poderá matar seu parceiro, a estatística é de que 28% dos vampiros que sucumbiram antes do primeiro mês faltaram com este item.


Quarta: Não engravide. Houve dois casos de gravidez e em um nasceu uma espécie de demônio e no outro o bebê era normal, mas não vingou. Sinto não ter mais números ou uma estatística, mas são raros os casos em que se pode prestar socorro, a poção precisa ser administrada nas primeiras 12 horas, o que nos permitiu salvar muito poucos até hoje, você é a primeira em quase 80 anos. –Tanto Harry quanto Hermione se surpreendem com isso.


Quinta e última: Não se isole das pessoas, a solidão é responsável por 57% dos fracassos.


Sei que tudo isso é complicado, não vou mentir, até hoje só um conseguiu resistir e conviver com a maldição. Então o que posso fazer é tentar te ajudar ao máximo, inclusive entregando o diário que ele deixou antes de morrer. No momento ele está na Romênia, mas já pedi para me enviarem e assim que chegar o entregarei a você. –Fala com um sorriso que demonstrava que também gostaria muito de lê-lo.”


-Então eu sou a única meia-vampira do mundo… Quais as chances que eu tenho de superar isso e conviver com essa maldição? –Pergunta firmemente.


-Se conseguir passar do primeiro mês de tratamento, tempo necessário para o tratamento se estabilizar no seu organismo, acredito que serão de 30%. –Responde sinceramente, chocando até McGonagall.


-Dr. Hopkins, por que não me acompanha? Tenho certeza de que Papoula poderá fazer os exames e depois nos informar de algum imprevisto. Harry nos chamará caso seja necessário. –McGonagall fala cordialmente, querendo dar espaço para Hermione digerir tudo e aproveitar para fazer outras perguntas em particular.


Os dois saem da enfermaria, deixando Hermione ser examinada, enquanto Harry aguarda em sua cama, dando privacidade as duas, que fecham as cortinas em torno da cama dela.


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Nos dois dias seguintes, Hermione permanece na enfermaria, ainda se sentindo muito fraca e dividindo seu tempo entre dormir e chorar. No terceiro dia, seguindo recomendações do Dr. Hopkins, ela é transferida pra um quarto na torre da Grifinória, que seria ocupado por ela ao se tornar monitora-chefe.


O lugar era todo decorado em vários tons de azul, tendendo ao escuro, possuía uma grande cama de casal e uma de solteiro ao lado, com apenas um criado mudo as separando. Havia também um banheiro completo, um grande armário e uma janela com cortinas escuras, que evitariam uma grande entrada de sol no quarto. Como não poderia faltar, McGonagall providenciou uma estante abarrotada de livros e uma mesa com duas cadeiras para os dois.


-O que achou do seu quarto? –Harry pergunta animado, a uma Hermione que mal olhara o lugar antes de se atirar na cama.


-Você quer dizer nosso quarto, não é? –Pergunta observando a cama ao lado, ficando de costas para janela e para Harry.


-É que acharam mais seguro você não ficar sozinha. Você tem poderes ocultos e que poderiam te machucar, além disso, –Harry vai até Hermione e segura sua mão –você não vai mais tomar poções pra dormir e isso te porá em risco, por que poderá ter pesadelos ou algum tipo de contato com o vampiro que deu o sangue e isso poderá fazer você usar, inconscientemente, seus poderes. –Harry explica delicadamente, tentando não deixá-la pior do que estava.


-Acham que eu vou me matar, não é? –Diz sarcástica, se virando para encará-lo.


-Eu disse que você poderia usá-los de forma inconsciente, mas se não quiser que eu fique, vou embora, posso ir para o dormitório... –Começa a se afastar, mas é seguro por Hermione, que o puxa pela mão e o abraça.


-Fica, por favor, me desculpe... eu não sei porque ajo assim, quer dizer... –fala com a voz embargada, o apertando contra si.


-O Dr. Hopkins disse que seria normal você ter alterações bruscas de humor, não se preocupe. –Fala a deitando na cama e se deitando junto, abraçando-a por trás, segurando suas mãos. –Não vou te deixar, afinal eu merecia o troco por nosso quinto ano, lembra? –Pergunta bem humorado a fazendo sorrir levemente.


-Obrigada Harry, você tem sido maravilhoso. –Diz docemente, se aconchegando nos braços dele.


-Não tem o que agradecer, estou só fazendo o que você faria por mim. –Sussurra deixando o silêncio tomar o quarto e fazê-la adormecer.


Alguns minutos depois Hermione começa a se agitar na cama, fazendo Harry, que lia na sua cama, se voltar para ela, assustando-se ao ver os objetos leves começarem a flutuar. Rapidamente começa a pegar tudo e por no armário, para evitar acidentes, mas algum tempo depois os objetos mais pesados também começam a se mexer e uma pequena chama se acende nas cortinas e camas.


Os gritos de Hermione ficam mais fortes, ele é invadido pelas emoções dela e percebe que o pesadelo a está pondo em algum tipo de situação de horror e medo. Assim abraça-a fortemente, tentando fazê-la se acalmar, não ligando para o fogo ou objetos, apesar de estar com a varinha em mão.


Ele se concentra para bloquear aquela sensação horrível que sentia e começa a chamá-la, dizendo que estava ali e iria protegê-la. Alguns minutos depois e Hermione parece se acalmar, então Harry rapidamente começa a apagar o fogo que já se espalhara por todo o quarto e começava a deixar o ar quase irrespirável. Após apagar o incêndio, começa a por os baús e outros objetos no lugar, usando o reparo para tentar por o quarto em ordem novamente.


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Nos três dias seguintes, Hermione continuava sem ânimo, com alterações bruscas de humor e sofrendo algumas crises ocasionais quando o vampiro parecia entrar em sua mente, provocando-lhe dor de cabeça e alucinações após ficar inconsciente. Contudo, o que mais impressionava Harry, eram as lágrimas de sangue que apareciam quando Hermione se lembrava de seus pais ou sonhava com o ocorrido, ou então a mudança nos olhos e as presas que apareciam quando ela acordava ou tentava mordê-lo.


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O dia estava nublado, parecia que ia chover, e Hermione observava o céu e as formas das nuvens, cinza como seu estado de espírito.


-Pensando em que? –Harry, que saíra do banheiro, pergunta encostando-se a janela, de frente para ela, que continuava olhando para o horizonte.


-Em para onde ir. –Responde ainda distante.


-Como assim? Quer ir embora? –Pergunta surpreso e sem gostar da ideia.


-Vou atrás de Voldemort, não importa se vou conseguir pegá-lo ou não, mas vou fazê-lo pagar por tudo. –Diz se virando para ele, mostrando determinação e ódio nos olhos e no tom contido.


-Eu te entendo, mas não pode fazer isso agora, não sem antes estar forte o suficiente pra se controlar e... –Tenta argumentar, mas é interrompido por Hermione.


-Eu vou me transformar em vampira. Assim poderei ficar mais forte pra vencê-lo... –Fala com ódio, voltando a olhar as nuvens escuras, antes de ser segura pelos braços por Harry.


-É isso que ele quer! Não pode se render e fazer a vontade dele. Tem que lutar Hermione, e juro, que depois que estivermos prontos, iremos fazê-lo pagar por tudo que fez a nós e a outras pessoas inocentes. Mas agora tente pensar em você, no seu futuro! –Tentando chamá-la a razão, apesar de Hermione sustentar uma expressão indiferente.


-Que futuro? Não poderei ser medi-bruxa ou auror que foi o que sempre quis, aliás, ninguém no mundo bruxo daria emprego a uma meia-vampira. Também não gostaria de me esconder em meio aos trouxas… –Harry faz menção de responder, mas Hermione continua, não o deixando falar. –Nem ao menos uma dona de casa preocupada com os filhos ou o marido poderia ser, nunca vou poder ter filhos e mesmo que pudesse, duvido que fosse achar alguém que me aceitasse! A minha vida acabou em todos os aspectos. Todos! Não há lugar pra mim no mundo. –Hermione fala sobriamente, mas se deixando emocionar no final ao falar que nunca poderia ser mãe.


-Isso não é verdade Mione. Você sempre, terá lugar ao meu lado! Eu andei pensando muito e talvez poderíamos, com minha influencia e seu esforço, fazer o curso de aurores e depois de formados moraríamos juntos na sede ou outro lugar. E com a herança que seus pais deixaram, talvez você pudesse se manter bem só de rendimentos, além de ter dinheiro para juntos abrirmos um escritório que investigasse casos ignorados pelo ministério, poderíamos chegar sozinhos a Voldemort e os seus colaboradores. –Harry sugere empolgado, mostrando a Hermione que não pretendia deixá-la sozinha em qualquer época.


-Você é o melhor amigo que eu poderia ter e agradeço muito por tudo que tem feito, mas encare a realidade Harry, eu não posso ver sangue, nunca seria aceita no CTA, NUNCA. Isso também me impediria de entrar em qualquer batalha. –Fala de modo realista, sem conseguir encará-lo.


-Com suas notas incríveis, com minha influência, e se você treinar muito, tenho certeza que poderia não só ser aceita no CTA, como também lutar quantas batalhas fossem necessárias. Acredite em você, seja a Hermione forte e confiante que sempre foi, saia daqui e comece os treinos! Tenho certeza que os professores ficarão muito felizes com isso, eles estão te esperando. –Tenta animá-la, o olhar confiante.


-Eu vou pensar Harry, mas... –Antes que Hermione pudesse continuar, uma dor forte e aguda surge no centro de sua cabeça, fazendo-a, logo depois, cair inconsciente nos braços de Harry, que a leva para a cama.


Hermione se vê em uma campina, a direita havia um castelo medieval e no horizonte apenas o sol poente. Estranhou a solidão, principalmente ao ouvir uma voz nítida ao seu lado.


-Bem vinda, filha. –Hermione olha novamente para a direita e o vê. Era homem esguio, de porte elegante, vestido com um alinhado terno negro, a camisa de seda jazia reta sob o terno, uma gravada negra, ligeiramente brilhante estava segura e perfeitamente colocada, o cabelo ligeiramente cumprido estava penteado para trás, deixando o sedutor rosto a mostra, os olhos brilhavam ao admira-la.


-Você é o vampiro que me transformou? –Pergunta o olhando duramente, mas mantendo seu tom normal de voz.


-Vlad Dracul, mas conhecido como Conde Drácula, mas hoje apenas Lord Dracul. Você, é claro, pode me chamar de papai. –Responde sorridente, se mostrando feliz por conhecê-la.


-Hermione Jane Granger, muito prazer em finalmente conhecê-lo. –Diz de modo cortês, apesar de não o olhar amistosamente.


-Bom ver que mesmo não gostando de mim sabe ser educada! Detesto falta de cortesia. –Comenta satisfeito, depois pegando a mão dela e beijando.


-Eu também detesto gente mal educada, que entra na mente dos outros sem permissão. –Retruca, porém seu tom sendo quase agradável.


-Eu te entendo, mas precisava te mostrar quem era e te apresentar a sua família. Agora, olhe para o portão. –Pede apontando o portão à esquerda, por onde alguns cavaleiros entravam.


Um dos cavaleiros entrou no castelo, logo depois o lugar mudou e Hermione se viu em um luxuoso quarto, onde o cavaleiro, já sem o elmo, andava de um lado para o outro com uma carta em mãos.


-Eu havia acabado de chegar do campo de batalha, onde defendi meu reino, e encontrei traição! –Dracul diz rancoroso, demonstrando não ter perdoado o ocorrido. –Por aquela carta, fui informado que minha esposa se atirara de uma das torres do meu castelo depois de receber aquela outra carta. –Dracul apontava para o envelope que o cavaleiro pegou depois, aos prantos. –Estava informando que eu havia morrido em batalha, uma mentira que a levou a morte, a mentira que matou Vlad Dracul e fez nascer Lord Dracul! –Narra no momento em que o cavaleiro revoltado quebrava tudo e depois blasfemava diante de um altar, comum nos castelos da época.


-Realmente tocante. –Hermione comenta tentando se manter indiferente, mas ficando em dúvida entre sentir pena ou achar que ele mereceu.


-Eu perdi meu coração naquele dia, me dedicando a descobrir meus poderes e habilidades nos seguintes. –Ao falar isso uma sucessão de imagens dele descobrindo poderes e habilidades aparecem bem rapidamente em volta dos dois. –Depois comecei a criar um exercito de semelhantes, mas, é claro, descobri que num mundo cheio de bruxos e seres mitológicos, isso não era grande coisa. Na verdade eu percebi que havia coisas mais interessantes a fazer e decidi criar uma família, dali por diante teria cinco filhos e cada um teria seu clã, mas imprevistos aconteceram. Sempre que fiquei com cinco, um dos outros quatro ou próprio quinto morria… até havia me conformado com quatro, quando Van Helsing aprisionou a mim e meus filhos em baixo do túmulo de São Pedro, que idiota. –Dracul conta ficando irritado no fim.


Contendo-se por um instante, muda o ambiente para uma sala confortável, onde aponta uma poltrona para Hermione, que se sentou e depois é servida de limonada. Não estava interessada em aceitar, mas sabia que todo cuidado era pouco.


-Muito refrescante, mas mudando de assunto, onde exatamente eu entro na sua vida? –Pergunta querendo saber do por que ela estar ali.


-Voldemort nos libertou e, como pagamento pela divida de honra, me pediu para receber um dos amigos do seu inimigo como filho. Escolhemos você e ele se encarregou de tudo, o incompetente te deixou fugir e você conseguiu receber o tratamento, mas tudo bem, tenho certeza que isso será contornado... –Vendo a expressão nada amistosa de Hermione, ele se manifesta antes que ela falasse algo. –Lembrando que não tive nada haver com a morte de seus pais biológicos, sinto muito pelo modo como ocorreu e me ofereceria para vingar-lhe, mas soube que você incendiou o verme. –Fala com certo orgulho no final, deixando Hermione confusa.


Nesse momento um pequeno clarão surge e quatro figuras surgem.


-Finalmente podemos nos conhecer! Estava tão ansiosa! Meu nome é Catherine, mas, por favor, me chame de Cat. –Fala empolgada e abraçando Hermione carinhosamente. Cat usava roupas absolutamente justas, uma saia de tecido negro brilhante que descia colada até pouco antes dos joelhos, o salto fino marcava as belas pernas da mulher de aparência exótica; vestia um tomara que caia negro que revelava uma parte de sua barriga plana, os seios fartos por pouco não saltavam ao serem infligidos aos gestos grandes e extravagantes, os cabelos negros caiam suavemente por suas costas e seus olhos brilhavam animados.


-Ok, Cat. Vocês podem me chamar de Hermione. –Fala tentando assumir o ar cortês e formal de antes, apesar do desconforto causado pela expansividade da vampira.


-Nossa como você é formal! Relaxa, querida! Esses são Marcus, –um homem de feições duras a encarou, vestia calças jeans de um azul tão absolutamente fechado que lembrava a negritude esclarecida de uma noite de lua crescente, a blusa larga de manga comprida estava displicentemente colocada, a gola canoa deixava a mostra uma pequena parte dos ombros fortes, seus cabelos eram bem curtos. Ele a cumprimenta com um aceno, após olhá-la de cima a baixo. –Mikhael, –outro homem de porte apurado e expressão fria a olhou, vestia calças sociais negras e uma blusa social de tecido leve da mesma cor, os dois primeiros botões jaziam abertos, seus cabelos negros estavam presos em um rabo de cavalo baixo. Ele sorriu de modo misterioso, olhando fixamente em seus olhos. –e o ex-caçula Gabriel. –Este estava com uma blusa de seda branca azulada, usava um blazer negro sobre ela e calças Jeans ligeiramente e propositalmente desbotadas, seus cabelos loiros estavam em um corte médio, o que fazia com que mechas persistentes caíssem sensualmente sobre seus olhos azuis ultramar. Ele sorri, se aproxima rapidamente e a cumprimenta beijando-lhe a mão.


-Muito prazer Hermione, estava ansioso para conhecê-la. Soube que assim como eu, aprecia o saber. Tenho uma enorme e belíssima biblioteca ao seu dispor e adoraria discutir sobre as novidades dessa época tão fascinante. –Diz de modo formal, a olhando como se estivesse encantado.


-Menos Gabriel, ela mal acabou de chegar. –Mikhael fala afastando o irmão.


-Isso mesmo, aliás, ela não é só sua para querer enfiá-la naquela prisão com cheiro de mofo e cheia de traças! –Marcus ironiza menosprezando a biblioteca do irmão.


-Bárbaro! –O xinga transtornado com a ofensa. -Como ousa falar assim do meu santuário do saber? –Gabriel tinha o semblante duro, porém parecia bem menos ameaçador que Marcus.


-Será que dá pra vocês pararem? O que ela pensará de nós? E antes que digam algo, a primeira coisa que fará, será ir ao shopping comigo. Querida, você precisa de um banho de loja! –Cat fala reprovadora ao analisar atentamente as roupas de Hermione.


-Desculpe, mas no momento eu só quero paz. –Diz ignorando toda aquela loucura. -Se for possível, eu adoraria que se mantivessem longe de minha mente, para como você, descobrir minhas novas habilidades e poder me acostumar com minha nova vida. Seria possível? –Pergunta olhando diretamente para Dracul, que assistia a tudo de sua poltrona.


-Claro, se precisa de um tempo, nós saberemos respeitar. –Dracul fala se levantando e indo até ela, pondo a mão em seu ombro de modo paternal.


-Mas não se esqueça de que se precisar estaremos aqui, é só se concentrar em com quem de nós cinco quer falar. –Cat fala de modo atencioso.


-Pode contar comigo para tudo! –Gabriel se oferece rapidamente.


-Ela é nossa irmã, pode contar com todos nós. –Mikhael fala enfatizando bem o “nossa”.


-Obrigada rapazes, Cat, mas eu ficarei bem sozinha. Obrigada pelo tempo que me deu, da próxima vez, prometo ser mais cortês. –Fala a última frase a Dracul, que se despede assim como os demais, para logo depois sumirem em outro flash.


Hermione acorda se sentindo cansada. Olha em volta e vê que caía um temporal nos terrenos de Hogwarts, o que parecia não incomodar Harry, que dormia, desconfortavelmente, numa cadeira ao lado de sua cama. Sorrindo, ela o pega nos braços, colocando-o gentilmente na cama dele.


-Você tem razão, não sou nenhuma donzela de livro infantil para ficar chorando e me lamentando sem agir para mudar as coisas. –Sussurra acariciando-lhe o rosto e depois dando um terno beijo em sua face, antes de seguir para o banheiro.


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N/A: Aí está o segundo cap, quero ver comentários pra saber o que estão achando! Além disso, quanto mais comentários, mais rápido saem os posts.


N/A²: Como disse anteriormente, esse deve ser o último capítulo de lamentações, a partir do próximo mais ação e a face vampira de Hermione.

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