- Então...
- Então...
Silêncio.
- Não vai começar contando por que fez isso?
- Eu não fiz nada.
- Sei, sei. Várias pessoas o viram com ela, eu disse.
- Sei que me viram, mas não fiz nada.
- Seria melhor se confessasse logo, sabe. Pouparia trabalho, senhor Malfoy.
- Já disse que não machuquei Hermione Granger.
Draco Malfoy olhou firmemente para o auror parado à sua frente, que continuou:
- Então como explica haver esperma seu na senhora Weasley?
- Fizemos sexo – ele respondeu, de maneira simples.
- Ah, sim. E devo presumir que o senhor não a estuprou?
- Deve sim, senhor.
- Se é assim que prefere, senhor Malfoy, vamos fazer da forma difícil. Vou estender tanto esse interrogatório que o senhor vai desejar ir para Azkaban.
- Duvido muito – respondeu Draco, frio.
- Pois bem, veremos. Desde quando o senhor e a senhora Weasley tem um caso? Isto é, já que afirma que o sexo foi consentido.
O loiro suspirou pesadamente, se ajeitando na cadeira dura da sala de interrogatório.
- Há cerca de seis meses.
- E como começou?
- Bem, no dia primeiro de setembro, fui levar meu filho, Escórpio, na estação 9 e meia para ele embarcar para Hogwarts. Está no quinto ano, um aluno muito bom. Lá eu encontrei Hermione Granger. Hermione Weasley. Por alguma razão, o marido dela não pôde ir, e ela estava com os dois filhos. Já havíamos nos encontrado antes, mas aquela vez foi diferente, conversamos muito. Potter também estava lá, junto com Gina, mas eu só tinha olhos para Hermione. Reparei nela pela primeira vez desde que estávamos na escola. Tinha ficado muito mais bonita do que poderia imaginar, assim, depois dos trinta, quase nos quarenta. Uma mulher e tanto... já era bonita quando nova, mas conseguiu se superar.
Ele parou para se recompor. Sua vista estava marejada.
- Continue.
- Acho que o senhor sabe que eu e ela tivemos... desentendimentos durante a escola, e deve ser por isso que não acredita em mim. Mas isso ficou no passado.
- Continue.
- Pois bem, então, já que é o que quer. Conversamos por um tempo até o trem partir, então os Potter foram embora, ficamos eu e Hermione na estação. Ela parecia triste. Sugeri almoçarmos em um restaurante que gosto muito, e pode perguntar para todos os garçons sobre isso. Estivemos mesmo lá e tudo aconteceu como eu vou dizer. Como faltava um tempo para a hora do almoço, passamos mais ou menos uma hora num parque ali perto. O senhor já deve visto, tem um lago com carpas. Ela ficou apoiada na grade de segurança, olhando os peixes. Por Merlim, eu quase a esbofeteei! Estava ficando agoniado de ver alguém assim. Perguntei se estava tudo bem e ela não respondeu, perguntou de Escórpio e disse que sua filha falava muito nele. Dei risada. Ele também falava nela.
Draco deu um sorriso débil, os olhos perdidos, mas logo continuou seu relato, enquanto era ouvido pelo auror carrancudo:
- Falamos de nossos filhos, falamos muito deles. Desde que me tornei pai percebi que havia mudado, Escórpio é muito para mim. Assim estava Hermione. Percebi que ela havia sacrificado muito por Hugo e Rosa, que se sentia afastada dos sonhos. Quase não tinha vida mais. Mas os filhos cresciam, ficavam independentes e ela se sentia infeliz... bem, depois dessa conversa de pais, fomos ao tal restaurante. Comemos bem, mas ela continuava triste. Quando eu perguntei do Ronald, ela encarou o chão e disse que estava bem, trabalhando muito. Não sou bobo, era óbvio que tinham um problema no casamento. Perguntei se era isso mesmo. Ela hesitou e eu expliquei que não era mais o garoto arrogante de Hogwarts, havia amadurecido na marra. Então ela contou.
- Contou o quê? - perguntou o auror, com um ar de incredulidade na voz.
- Que seu casamento estava em colapso, que estava desesperada e não sabia mais o que fazer.
- E porque ela lhe contaria isso?
- Ora, eu acabei de dizer: estava desesperada. Sua melhor amiga é a irmã de seu marido! Ela me disse simplesmente porque precisava desabafar e eu estava solícito.
- E o que mais ela te disse, senhor Solidariedade?
- Que não amava mais Ronald.
- O que você fez? - o auror sorriu, não acreditava em uma palavra sequer.
- Eu disse que era normal um casamento entrar em crise a uma certa altura, ainda mais quando os filhos começavam a criar asas. Que eu mesmo estava passando por aquilo. Sentia que não amava mais Asteria, não importava o quanto ela fosse importante para mim. Hermione pareceu mais calma, ou pelo menos eu achei que sim naquela hora. Ela disse ter certeza absoluta de apenas uma coisa em sua vida atual: o que sentira por Rony Weasley fora paixão, a história da sua adolescência. Depois suspirou e riu. Acho que riu de desespero. Ela olhou fundo em meus olhos e disse que não devia ter falado todas essas coisas. Respondi que era besteira, ela podia contar comigo quando precisasse, e tirei uma mecha de cabelo do seu rosto. Acho que foi aí que as coisas entornaram... senti vontade de beijá-la e não consegui me parar. Ela correspondeu... me beijou por alguns segundos, depois recuou com vergonha. Disse ser um erro e quis levantar, mas eu a segurei. Perguntei por que era erro, já que não amávamos mais as pessoas com quem éramos casados. Ela sorriu... adoro o sorriso dela... e disse: “Mesmo assim, somos casados”. E eu: “Por mera formalidade, não é?”. Ela falou, meio seca: “É, mas, se eu quiser sexo, vou procurar em casa”. Eu lhe disse que era um ponto de vista interessante e perguntei se as coisas em casa estavam funcionando. Ela ficou brava, mesmo. Achei que fosse me bater, mas pareceu parar para pensar. Disse que não, mas que chegava. Pediu a conta a um garçom e dividimos.
- Senhor Malfoy, só está se comprometendo ainda mais. Confesse de uma vez.
- Quer me ouvir, homem? Eu ainda não terminei. Bem, voltando ao restaurante. Me ofereci para um almoço no dia seguinte, ou outra conversa, se ela quisesse. Eu não ia desistir tão fácil. Hermione estreitou um pouco os olhos... me lembro bem... e falou para eu não dar em cima dela. Mas acho que gostou, senão teria me dado outro tapa. Ela me bateu uma vez, no terceiro ano, não foi agradável. Foi aí que percebi: ela não estava mais na defensiva. Talvez a ideia não soasse mais tão horrível, depois do baque inicial. Nos vimos de novo dali três meses, sob a desculpa de levar para ela uma foto de Escórpio... ele e a filha dela haviam começado a namorar, e Hermione queria dar para ela, de presente de aniversário, uma caixinha de jóia com uma foto dele. Levei várias, e ficamos no parque perto da estação escolhendo a mais bonita. Era um fim de tarde de quinta-feira, e reparei que ela estava com uma blusa vermelha. Nunca tinha visto ela de vermelho antes. Estava um pouco maquiada. Linda, mais que o normal! Me segurei, não fiz nada. Não era tempo ainda. Na semana seguinte, fiz questão de passar no Ministério da Magia, no andar onde ela trabalhava. Achei ela facilmente. Era quase hora do almoço, que coincidência...
O auror deu uma risada maliciosa.
- Não perde uma oportunidade sequer.
- Eu queria aquela mulher – disse Draco, com sinceridade. - Chamei para mais um almoço, e nós fomos. Agora sim era a hora. Eu disse como estava bonita e ela pareceu radiante. Se aprumou ainda mais na cadeira e me mandou não ser galanteador. Ela manda muito, e isso me deixa louco. Eu não pude parar de dar em cima dela. Estava demais aguentar nossas mãos se encontrando para pegar o saleiro, os olhares discretos. Mas ali era exposto demais. No fim, ainda somos casados, não é? Quando saímos, eu me ofereci para ir com ela até o Ministério. Eram apenas duas quadras, mas eu tinha um plano em mente. Eu sempre tenho – ele sorriu, malicioso. - Quando viramos a esquina do restaurante, eu a prensei na parede e a beijei. Ela me empurrou de volta, perguntando se eu tinha ficado maluco. Respondi que talvez, e que talvez não fosse tão ruim. A beijei de novo por vários minutos. Ela também estava gostando daquele jogo de perigo, de se fazer de difícil para me infernizar a vida... quando nos separamos, ela desamassou a roupa e olhou preocupada pros lados. Só que eu segurei ela, falei que a queria. Ela pareceu preocupada. Ora, preocupada por que, depois do que tínhamos feito! A traição já estava feita, faltava só consumá-la. Por isso, sugeri nos vermos uma noite dessas, quando ela tivesse uma reunião.
- De certo uma mulher tão inteligente jamais aceitaria – ponderou o auror.
- De certo. Por isso, ela inventou um jantar de trabalho. Bem mais elegante. Nos encontramos em um hotel. Eu já havia encomendado uma bela refeição, e bem leve. Quando Hermione chegou, metida em vestes pretas e com um feitiço que a deixava loira, meu coração bateu forte. Finalmente. A refeição foi mandada para cima por mágica enquanto iniciávamos uma conversa nervosa e ela voltava o cabelo ao normal. Foi bom ver os pratos aparecerem sobre a mesa, nos poupou daquele clima tenso. Dei o melhor dos meus sorrisos e começamos a jantar. Relaxamos com a comida, mas achamos melhor não beber vinho, ou chegaríamos em casa muito moles pra quem teve um jantar de negócios. Depois da comida, veio a sobremesa. Uma única taça de chocolate cremoso. Nos divertimos pra valer com ela.
Pausa.
- Passamos a nos ver todas as semanas, fosse depois do trabalho ou na hora do almoço. Ronald nem desconfiou, mas Astoria, sim. Ficou me perguntando o que tanto eu fazia no trabalho, mas me deixou em paz quando eu levei ela numa viagem romântica de fim de semana pra dar uma volta de pégaso. Ela adora qualquer bicho que voe.
- Enquanto isso, você e a Senhora Weasley se divertiam com chocolate?
- Não, chocolate foi só aquela vez. Eu precisava mais dela a cada dia, mesmo sem chocolate. Percebi que tinha deixado de ser só sexo, se é que algum dia foi isso... eu gostava dela, eu amava. Eu ainda amo.
Ele parou, havia respondido a pergunta do auror.
- Senhor Malfoy, quero que me conte sobre hoje.
- Bem, eu e ela nos vimos como de costume, no mesmo hotel. Gostamos muito dele – Draco deu um sorriso culpado. - Fizemos sexo, o que explica o meu sêmen, como eu já disse. Falamos em largar de nossos companheiros para ficarmos juntos, que nos amávamos. Ficou acertado que largaríamos deles pra assumirmos nosso caso. Depois ela foi embora. Não sei mais de nada.
- Preciso de detalhes.
Draco piscou para o auror, espantado.
- Por quê?
- Porque sexo sempre deixa marcas. Vamos comparar as achadas no seu corpo e no dela com o seu relato. Acho bom coincidirem. E nada de dizer que foi selvagem, por isso os hematomas.
- Não sei de hematomas nenhum. Eu deixei um bom tapa na bunda dela, mas só. Não acho que puxão de cabelo deixe marcas.
- Poderíamos então ver a sua memória? Tenho certeza que veremos uma briga antes dela sair.
Malfoy ficou mais pálido que o normal, mas aceitou a proposta. O auror abriu a porta da sala onde se encontravam e pediu que alguém trouxesse uma penseira. Cinco minutos depois, ele voltava para o interior com uma bacia prateada em mãos. Levando a varinha até a têmpora de Draco, ele jogou a memória no líquido prateado. Logo as imagens se formaram.
Draco Malfoy estava se levantando da cama, inteiramente nu. Passou a mão pelo rosto e suspirou, a coisa havia sido boa. Vasculhou o chão com o olhar, em busca das cuecas. Quando as achou, colocou lentamente, depois pegou as vestes.
- Mas já querendo ir? - uma voz brincalhona soou atrás dele. Quando se virou, deu de cara com Hermione, cabelos espalhados sobre os ombros, sorriso nos lábios, rosto vermelho, deitada sobre o lençol de cetim que escondia parcialmente seu corpo.
- Eu nunca quero ir - ele a beijou lentamente, com a alma. A seguir, largou-se sobre a cama. Seu corpo era magro, com alguns pêlos loiros sobre o peito branco. As cuecas pretas o deixaram ainda mais irresistível, contratando com a pele branca. Ela deitou a cabeça sobre o ombro dele, sentindo aquele cheiro de homem. Deu um suspiro.
- Eu também não...
Foi a vez de ela beijá-lo, porém de maneira enérgica e desesperada. Deslizou a mão pelo abdômen e a eixou sumir dentro das cuecas, acariciando o pênis dele com a ponta dos dedos.
- Hermione... - ele gemeu – eu quero ficar com você... pra sempre... sempre...
Apalpou com desejo o seio dela, apertando o bico.
- Eu também, Draco... vamos ficar juntos, vamos esquecer aqueles dois...
- Isso, vamos... eu compro uma casa e nos mudamos mês que vem...
- Podemos esperar um pouquinho – ela parou as carícias, segurou firmemente o membro dele e começou a masturbá-lo. Para cima... para baixo...
- Mas não muito, né? - ele inclinou a sugar o seio que antes apertava. - Eu sinto tanto desejo quando estou com você... não tem fim...
- Eu também, meu amor, você me faz sentir viva. Eu te amo.
- Também te amo, Hermione...
Ela aumentou levemente a freqüência dos movimentos. Para cima. Para baixo.
Draco mordiscou levemente o peito da morena. Estava louco para possuí-la de novo. Ela tirou-lhe as cuecas, percebendo que haveria um segundo turno, e ele a penetrou com vontade.
Cima, baixo, cima, baixo...
Ele não demorou a sentir o gozo perto. Seu prazer foi ainda maior quando Hermione lhe deu uma leve mordida perto do pescoço e lhe apertou as nádegas. Gozaram juntos.
Ele caiu para o lado, exausto. Depois de alguns segundos, foi a vez da mulher se levantar e começar a se vestir.
- Agora é você quem quer ir? - ele brincou.
- Preciso. Rony deve estar louco com o atraso, assim eu aproveito e converso com ele. Quer dizer, se você quiser mesmo se separar da Asteria e ficar comigo – envergonhada com as próprias palavras...
- Claro que quero, linda – ele se levantou e a beijou.
Enquanto Hermione ajeitava as vestes, ele procurou a varinha e conjurou uma rosa vermelha. A mulher sorriu encabulada e tinha os olhos felizes ao ir embora.
Draco se vestiu preguiçosamente e deixou alguns galeões sobre a mesa de cabeceira. Aparatou para a sala de sua casa. Depois de jantar com a esposa, pôs-se a ler um pouco do jornal que recebera pela manhã, pensando sobre como diria a Asteria. Então seu elfo-doméstico, timidamente, veio chamá-lo:
- Há aurores querendo lhe ver, meu senhor.
Malfoy enrugou a testa, o que poderia ser? Indo até a porta, deu de cara com três grandes aurores:
- Senhor Malfoy, está preso pela tentativa de assassinato de Hermione Weasley.
O auror carrancudo abanou a cabeça, desconsolado. Nesse momento, batidas na porta.
- Pegamos ele! - disse um jovem de cabelos castanhos. - O verdadeiro culpado.
Draco suspirou aliviado, sentiu uma descarga de adrenalina percorrer seu corpo. Finalmente sabiam que não era ele, que não havia mentido ou alterado as memórias. O auror que o interrogara o liberou, de má-vontade. Quando o loiro saiu de suas vistas, virou-se para o garoto de cabelos castanhos:
- Quem foi então?
- Filho de comensais mortos, achava que a Weasley tinha culpa pela morte de seus pais.
Draco Malfoy ainda passou no St. Mungus antes de ir para casa. Hermione estava bem, mas dormindo. Não sofrera ferimentos graves, a não ser um braço quebrado. Aguentou uma Crucio, mas revidou e lutou contra o atacante.
Após se certificar do estado dela, se apressou para casa. Tinha um casamento a desmanchar.
***
NAs
Primeiro, respondendo aos comentários:
Harry Dumbledore: Obrigada! Eu realmente demorei mais que o previsto para postar, não organizei direito o meu tempo porque esqueci que tinha um congresso de uma semana... tentando melhorar agora :)
nataaalia: pronto, um Dramione! O próximo será um shipper inusitado... só digo que envolve a Gina.
Jhenny Lass: muito obrigada. Eu também senti pena da Narcisa quando pensei na história, viu. Quanto ao primeiro conto, eu gosto muito (lê-se: muito) do Sírius e achei que ele merecia uma história quente xD
Samantha_Manzke: bom sair da rotina, né? Muito obrigada pelos elogios.
Um beijão especial aos lindos que comentaram! Me deixaram muito feliz :)
E também a você que leu e não comentou, obrigada por prestigiar a fic (mas que tal me deixar mais feliz ainda e comentar/votar?). Também aceito sugestões de shippers!
Espero vê-los em breve. L.W.