(Hogwarts, algum momento do tempo dos marotos)
Narcisa Black entrou correndo no dormitório da Sonserina e se atirou na cama. Afundou o rosto no travesseiro branco e tentou abafar os soluços. O que acabara de ouvir?
Fungou alto. Sentou-se e passou as costas das mãos no rosto. Respirou fundo. Fundo. Bem fundo. Isso. Estava se sentindo melhor.
Mas então olhou para a cama ao lado da sua e seus olhos queimaram novamente. Pôs-se a chorar e a soluçar mais alto que antes.
- Ciça, o que aconteceu? - a voz preocupada a pegou desprevenida.
Olhou para a moça que acabara de entrar e gemeu. Não conseguia articular as palavras. Se pudesse, lhe diria tudo.
- Ciça, por Merlin, fala comigo! - a voz da moça tinha um toque de desespero. - Se acalma, por favor... conversa comigo...
Narcisa tentou se controlar. Novamente respirou fundo, as lágrimas escorrendo pelas faces.
- O Lúcio, Amanda. Ele me pediu em casamento!
- O Malfoy? - Amanda Lewis gelou. - Mas... mas você não pode fazer isso! É muito nova, e...
Ela não teve coragem de terminar a frase. Narcisa a olhou com seus olhos azuis molhados.
- Eu não posso falar para ele que não aceito...
Amanda pôs-se a limpar as maçãs brancas do rosto da outra com as mãos cuidadosas. Não disse nada, nem conseguiria. Sua garganta queimava, queria gritar.
- Mandy – murmurou Narcisa -, é só de você que eu gosto, de mais ninguém. Só que não posso falar isso para os meus pais! Eles nos matariam se descobrissem...
- Não acho certo. Ninguém tem que mandar no seu coração, só você.
Elas se encararam. Narcisa chorava menos, a voz de Amanda a deixava calma.
- Não posso contra eles...
- Narcisa Black, pare imediatamente de ser covarde! Você pode! Mês que vem você já é maior de idade, então eles não podem te deter! Ciça, eu vou com você. Vamos enfrentá-los! Vamos dizer que queremos ficar juntas, que você não vai casar com ninguém. Eles não podem te obrigar, está me ouvindo? Não podem! Não podem...
Ela ficou quieta. Não queria que Narcisa sofresse, mas as coisas há muito haviam passado dos limites. Aonde iriam suas vidas?
Vendo Narcisa chorar, não se conteve. Abraçou-a forte e assim permaneceram por longos minutos.
- Não se preocupe – Amanda afagou os cabelos loiríssimos da outra. - Você vai ver, vai ficar tudo certo.
Era verdade?
- Vem, deita, vou fazer uma massagem nas suas costas. Assim você relaxa.
- Tudo bem... no fim você está certa – Narcisa enxugou os olhos, depois sorriu docemente. - Eu sabia o que estava fazendo quando quis ficar com você, eles não vão nos separar.
- Era isso que eu queria ouvir– sorriu de volta Amanda.
Narcisa a olhou bem, pela primeira vez em meses. Entendia porque havia se apaixonado por ela. Amanda Lewis era, acima de tudo, sua amiga e companheira para todas as horas. Era atenciosa, cuidava dela, mesmo que para isso tivesse que passar carraspanas. Tinha olhos e cabelos muito pretos, a contrastar com os lânguidos cabelos e olhos claros da Black.
Esticou os longos dedos ao rosto da amada e lhe deu um pequeno beijo.
- Prefere que eu tire as vestes para a massagem?
- Prefiro, assim uso o creme de hortelã – respondeu Amanda, o coração mais calmo.
Narcisa ficou somente de calcinhas e deitou de bruços enquanto a outra pegava em seu malão, colocado logo abaixo da cama ao lado, um pote branco. Sentou-se sobre as nádegas da loira e fechou as cortinas em volta da cama. Abriu o pote e espalhou um pouco do seu conteúdo nas mãos, esfregando bem para esquentar. Um frescorzinho bom atingiu suas narinas.
Espalhou bem o creme entre as espáduas de sua amada, com movimentos suaves e circulares. Em seguida, apertou os ombros e o pescoço com extrema delicadeza.
- Você está toda dura, Ciça, tenta relaxar. Está muito tensa, se acalma.
- É difícil – ela respondeu, de olhos fechados.
- Eu sei, mas tenta. Esquece tudo por enquanto.
Amanda começou a massagear a coluna, subiu desde a base com movimentos fortes feitos com os polegares dos dois lados das vértebras, até a nuca. Ateve-se por tempo mais nela, simplesmente porque Narcisa adorava. Puxou um pouquinho os cabelos, “para ativar a circulação”, sempre dizia.
Apertou-lhe as costelas uma a uma, suavemente. Deu pequenos beliscões pelas costas estreitas. Quando terminou a nova sessão de movimentos circulares, deitou-se sobre Narcisa e beijou seu pescoço, acariciando seus cabelos.
Ciça murmurou, feliz, palavras ininteligíveis de amor eterno. Amanda não prestou atenção, deslizou-lhe a mão pelo lado do corpo e esfregou o rosto nos cabelos loiros e macios. Tinham cheiro de xampu de camomila.
Deitou-se ao seu lado, sorrindo-lhe, enquanto brincava distraidamente com um mamilo.
- Mandy – falou-lhe Narcisa séria -, eu estou só de calcinhas e você está completamente vestida. Não é justo.
Amanda girou os olhos, fingindo desentendimento, até que Narcisa começou a tirar suas vestes com extrema agilidade. Logo ficaram em pé de igualdade.
Os beijos foram muitos e as carícias também. Já não havia brincadeiras, os dedos eram ágeis pelas pernas, nádegas e seios. A morena deitou a namorada de costas e beijou-lhe a boca, descendo com os lábios pelo seu corpo. Passou a ponta da língua de leve pele pescoço alvo e deteu-se por mais tempo nos peitos. Mordiscou o direito, segurando o bico de leve entre os dentes enquanto o massageava com a língua.
Sentiu um arrepio delicioso quando Ciça soltou baixinho um gemido longo e sincero. Mandy, com a mão esquerda ocupada em acariciar o outro seio da moça, desceu a direita pelo seu próprio corpo. Tocou sua vulva molhada e começou a se masturbar com empolgação. Imediatamente, uma onda de prazer começou a se espalhar pelo seu corpo de maneira lenta, percorrendo-a a partir do ventre.
Deu uma risadinha enquanto descia ainda mais a boca. Deslizou as calcinhas cor-de-rosa pelas pernas longas, brancas, de Narcisa e as arremessou para um canto da cama.
Beijou o interior das coxas, deu uma mordida suave na virilha. A loira se contorceu de prazer quando a morena passou a língua pelo seu clitóris. Amanda fez sua boca trabalhar, alternava entre rápido e lento, movimentos circulares e retos...
Com o indicador, muito suavemente, penetrou a vagina molhada. E foi enquanto estava nesse trabalho duplo, sentindo a satisfação corroer seus ossos, que Narcisa gemeu mais alto.
O que ela sentiu foi um impulso incontrolável que fez suas pernas tremerem, suas costas se arcarem. Era um prazer repentino e intenso que atingiu seu corp, espalhando-se até os dedos dos pés. Ela tentou se agarrar a essa sensação, concentrou-se nela naqueles poucos segundos. Porém, como uma ondulação num lago calmo, ela se dissipou, deixando apenas uma garota arfando estirada em sua cama.
Sorriu.
Lúcio jamais seria capaz de lhe proporcionar algo assim. Ele jamais saberia onde tocar, como fazer. Jamais. Jamais. Jamais, ela repetiu em sua mente.
Mas a visão de uma Amanda maliciosa entre suas pernas afastou esse pensamento. Hora de inverter os papéis.
Depois de três meses, quando chegaram as férias, juntas foram à casa dos Black. De mãos dadas, disseram a todos o quanto se amavam, e que nada as separaria.
Narcisa gritou desesperada por entre os braços de Andrômeda enquanto sua mãe perdia o controle e azarava Amanda Lewis. Berrou mais alto quando os outros membros da família estuporaram a velha. E gritando foi arrastada para o seu quarto.
Chorou o resto da noite e da semana trancada em seus aposentos. Nunca mais viu Amanda.
Casou dois meses depois, e somente porque lembra-se muito bem das palavras de seu pai:
- Se não fizer, ela morre.
Tudo por seu amor...
***
Olá! Um slashzinho básico hoje, para melhorar o fim de semana! O próximo conto vai ser mais... atual.
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Jhenny Lass, muito obrigada! Fico feliz que tenha gostado, ainda tem alguns contos antes da long. Beijão!
Bjos a todos, L.W.