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4. Capítulo IV (REVISADO)


Fic: Harry Potter e o destino de uma amizade


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Quando Harry chegou ao quarto de Bicuço, se sentou em um dos sofás acariciando o hipogrifo. Harry nunca mais tivera tempo de ficar com o animal, que aparentava estar muito solitário embora tivesse recebido muitas visitas nos últimos dias. Devia sentir falta de Sirius, assim como o garoto. Harry tinha convivido muito pouco com seus pais e seu padrinho e ainda não entendia o porquê de perder todos aqueles que eram importantes para ele. Não tinha conhecido seus pais e a pessoa que era mais que um amigo, era como um pai para o garoto, havia sido morto há dois meses atrás. Harry já tinha se acostumado com a morte de seus pais, mas a de Sirius ainda o machucava muito.

Harry nunca temeu a morte, mas depois de ouvir a profecia no ano anterior, temia que se fosse morto, nunca mais o mundo teria paz. Tinha medo que Voldemort tomasse conta de tudo e de todos, machucando e destruindo ainda mais famílias, assim como fez com a dele. Muitas coisas ruins iriam acontecer, muitas mortes e injustiças. Harry só pensava em vingar tudo. Pensava em sobreviver e acabar com Voldemort. Tinha que ser forte e lutar contra as coisas ruins que acontecessem a ele a partir de agora, proteger a todos que ele gostava e continuar vivendo como sempre: seguindo a diante, mas lembrando dos que ficam para trás.

Resolveu descer, mas não parou no caminho. Seguiu diretamente para a cozinha. Não queria conversar com ninguém, sabia que não haveria alguém que o entendesse.

- Bom dia! – disse ele ao entrar na cozinha, que ainda estava deserta, ocupada apenas por uma Deborah animada, uma Tonks sonolenta e uma Sra. Weasley bem disposta como sempre.

- Bom dia, Harry! – Deborah cumprimentou.

- Fala aí, Harry?! – fez uma Tonks desanimada.

- Bom dia, Harry, querido – disse a Sra. Weasley depositando um prato com ovos e bacon em frente ao garoto. – Vai querer tomar o quê?

- Pode ser suco de abóbora, Sra. Weasley. Não quero dar trabalho.

Harry começou a comer. Logo descobriu que Deborah era metamorfomaga, enquanto ela estava tentando animar Tonks da forma mais estranha possível: transformando-se em uma cópia dela. Não sabia como, mas o método estava funcionando. Em poucos minutos as duas estavam fazendo as imitações mais ridículas que ele já tinha visto.

- Deborah... – começou Harry.

- Não me chame de Deborah! Acho meu nome um pouco forte demais. – disse ela cortando a fala do garoto. – Me chame de Deb. – disse ela. – Mas... Você queria falar sobre meus pais?! Acho que não gostaria muito de saber...

- Como você sabia que eu queria perguntar sobre isso? – perguntou Harry surpreso.

- Bem, os metamorfomagos têm o poder de ler mentes com maior facilidade que os bruxos normais. Nós temos essa habilidade e podemos ler a mente de qualquer um sem usar nenhum feitiço – explicou Tonks.

- Está aí a sua explicação – Deborah concordou, rindo. – Bem, Harry, meus pai morreram quando eu tinha quinze anos. Não foi uma perda total. Eles nunca deram muita bola para mim – ela deu de ombros.

- Como você pode falar assim de seus pais, Deb? – perguntou a Sra. Weasley.

- Não estou falando nenhuma mentira! Eles viviam para o trabalho deles, nunca tinham tempo para mim... – Deborar se justificou.

- Pelo menos você chegou a conhecer seus pais – disse Harry amargamente.

- Você ia gostar de conhecer seus pais, Harry. Mas você já viu muito deles em pessoas que estão próximos a você – disse Deborah.

- Como assim? – perguntou ele confuso.

- Harry, a sua mãe, Lílian, era igualzinha à Hermione. Inteligente, esperta, certinha e perfeccionista. Sempre foi a primeira aluna de Hogwarts – Tonks contou.

- Exatamente! Nunca tivemos outra aluna com a inteligência da Lílian até a chegada da Srta. Granger – disse a professora McGonagall que acabara de entrar. – Se Hermione fosse filha de Lílian não seria tão parecida! – comentou enquanto sentava-se ao lado deles.

- Todos puderam identificar seu pai em você, Harry. Além de muito parecido com ele, você herdou o talento para atrair confusões. Era excelente em Defesa Contra as Artes das Trevas. Um ótimo aluno – Lupin, que também acabara de chegar, repetiu o que já havia dito ao garoto em seu terceiro ano. – Assim como você, seus pais eram corajosos e não temiam a morte – continuou, parecendo triste. – Você parece mais com seus pais do que imagina, Harry. Com o tempo você vai descobrir isso.

Harry escutava tudo com atenção. Nunca ouvira ninguém falar nada da sua mãe, mas mesmo os ouvindo falarem pela milésima vez as semelhanças entre ele e o pai, ele prestou atenção a tudo. Conversa não se estendeu muito, morrendo no momento em que Rony, Luna e Gina adentraram a cozinha.

Todos já tinham tomado café quando Hermione acordou. Harry e Gina estavam conversando quando ela apareceu com as mãos cheias de torradas.

- Bom dia! – ela cumprimentou, parecendo bem disposta.

- O que aconteceu? Viu um passarinho verde? – Gina brincou.

- Não. Apenas acordei com muitas ideias – Hermione respondeu.

- Que tipo de ideias? – perguntou Harry.

- Depois eu falo – ela cortou. – Gina, soube que vocês vão amanhã para o Beco Diagonal, não é? – perguntou.

- É, por quê? – Gina perguntou, curiosa.

- Olha, toma esse dinheiro e compra amanhã o seu livro de Transfiguração Avançada. Assim nós três podemos estudar sem atrapalhar o outro – disse ela entregando treze galeões a amiga.

- Mione, você está maluca? Isso é muito dinheiro! Não posso aceitar! – disse Gina.

- Gina, você é minha amiga e eu acho que você precisa de um livro novo. Não pode ser de segunda mão e sua mãe não pode nem sonhar que você vai estudar animagia.

- Ok – Gina corou.

- Quando chegarmos lá, vou comprar umas coisinhas para nós usarmos enquanto estudamos animagia. Não posso falar o que é ainda, mas sei que vão gostar – disse Hermione.

- Quando vocês vão? – perguntou Gina.

- A Sra. Weasley disse que vamos ao fim de semana com Tonks e Deborah – disse Hermione. – Eu queria ir logo. Tenho um monte de coisas para fazer e várias coisas para comprar.

- Todo mundo tem muitas coisas para comprar. – disse Harry. – Mas você em especial!

- Tudo bem. Eu acho que dois dias dá para tudo! – Hermione ponderou.

- É o que nós esperamos, para o bem da humanidade. Se não der eu nem quero estar perto. – disse Gina rindo.

- Não tem problema! Uma das coisas que eu vou comprar vai ajudar nisso – a morena replicou, enigmática.

Eles conversaram o resto da manhã.

- Vocês não acham que eles estão estranhos, não? – perguntou Rony a Luna e Neville.

- E não é normal eles ficarem aos cochichos? – perguntou Luna. – Desde ontem que estão assim.

Minutos mais tarde a Sra. Weasley anunciou que o almoço já estava pronto e todos foram para a cozinha, onde havia agora três mesas que cabiam mais ou menos dez pessoas em cada uma. Logo as mesas se preencheram.

- Ali, Tonks! Vamos sentar com os garotos – Deborah sugeriu.

Elas se aproximaram e ocuparam dois lugares que estavam vazios.

- A Ordem está lotada! Não sei se caberia mais gente aqui... – Hermione estava comentando.

- Verdade, acho que nunca esteve tão cheia! – disse Tonks assentando-se ao lado da garota.

- Nota-se – disse Rony de boca cheia.

Hermione lançou um olhar de desprezo ao amigo, mas ignorou. Gui e Carlinhos vinham em direção à mesa.

- Podemos sentar aqui? – perguntou Carlinhos.

- Claro que sim! – disse Deborah levantando e dando um beijo em Carlinhos.

- Muito bem, pessoal, temos uma nova integrante na Ordem – disse Gui.

- Quem? – perguntou Gina.

Fleur Delacour sentou-se ao lado de Gui.

- Olá! – a veela cumprimentou a todos, sorrindo.

- Fleur? – perguntou Hermione.

- Como vai, Hermione? – perguntou Fleur.

- Bem, eu acho – respondeu Hermione surpresa.

- A Fleur está trabalhando no Gringotes. Nós estamos fazendo os planos para o casamento. – Gui contou, enquanto trocava um olhar terno com a noiva.

Foram interrompidos pela Sra. Weasley, que se aproximou.

- Gina, Rony, Luna e Neville, subam para arrumar suas malas assim que terminarem de almoçar.

Gina e Luna se levantaram imediatamente e subiram; as duas já tinham terminado de almoçar. Dez minutos depois foi a vez de Neville se retirar. Rony foi o último a levantar da mesa. Comia como um porco.

- Rony, chega de comer! Assim vai explodir! – disse a Sra. Weasley.

Rony olhou feio para a mãe e subiu, sendo seguido de perto por ela.

- Já terminaram? – perguntou a Sra. Weasley a Gina e Luna ao vê-las saindo do quarto.

- A Tonks veio nos ajudar. Ela arrumou tudo em menos de dez minutos. Já está tudo pronto, mamãe – disse Gina.

- Ótimo!

- Sra. Weasley, Dumbledore está chamando. – disse Deborah ao pé da escada.

- Estou indo. Gina, Luna... Vão para o quarto de Bicuço e chamem os outros. Eu vou limpar a casa e não quero ninguém aqui em baixo.

- Ok. – disse Gina e as duas subiram.

Passaram em todos os quartos chamando o resto dos garotos para subir. Ficaram lá o resto da tarde. Harry deu uma escapada e conseguiu pegar lanche na cozinha para eles.

A noite caiu e todos foram para os seus respectivos quartos. Estavam todos cansados, menos Hermione. Ela parecia ser movida à bateria. Estava enérgica e não parava de falar um segundo sequer. Não queria voltar para o quarto, mas resolveu acompanhar Harry quando viu que não adiantava nada insistir.

- Estou com sede – ela disse. – E com fome – acrescentou. – Vou descer e pegar algo para mim. Vai querer alguma coisa? – Perguntou ao amigo.

- Tanto faz – Harry deu de ombros e jogou-se na cama, arrancando os sapatos dos pés.

Ela riu e saiu fechando a porta do quarto. Voltou dez minutos mais tarde trazendo uma bandeja cheia de torta e uma xícara com chocolate quente para o amigo, que estava deitado lendo um livro que Hermione deixara na mesa de cabeceira.

- Se interessando por Aritmancia? – perguntou ela rindo.

- Isso é de Aritmancia? – ele fez, apontando para o livro.

- É, e vejo que alguém além de mim gostou.

- É interessante, mas eu pensei que fosse uma coisa mais difícil – disse ele com simplicidade se levantando para pegar o copo de chocolate quente que a garota trouxera.

- Você acha que eu gostaria de algo ruim? – perguntou ela rindo.

- Não sei – Harry respondeu entre um gole e outro. – Você tem o dom de me surpreender – ele depositou a xícara vazia na mesinha de cabeceira.

- Eu?

- É. Pelo menos desde o dia que eu te conheço.

- Com que tipos de coisas eu te surpreendi? – perguntou Hermione curiosa.

- Por onde eu começo... – disse Harry pensativo. – Primeiramente foi com a sua inteligência, mas eu achava você metida por causa disso.

- É, eu me preparei bastante antes de entrar para Hogwarts. Tinha medo que não fosse tão boa quanto os puro-sangue.

- Depois foi por você ter mentido para salvar a nossa pele, a minha e do Rony com o caso do trasgo.

- Eu achava que seria justo. Vocês me salvaram do trasgo. Se vocês não tivessem chegado eu teria morrido.

- E eu não teria te conhecido direito e descoberto a pessoa que você realmente é.

- É. Acho que depois vocês não me acharam mais uma garota metida. Acharam? – perguntou ela, rindo.

- Não. Eu descobri em você uma pessoa totalmente diferente do que poderia imaginar.

Houve uma pausa.

- Me surpreendi também quando você descobriu sobre o basilisco e sobre a condição de lobisomem do professor Lupin, quando abandonou a aula da Trelawney, quando você foi com o Krum para o Baile de Inverno no quarto ano, quando você resolveu levar a Umbridge para a Floresta Proibida para que os centauros a atacassem... E, este verão, quando você fez um aniversário surpresa para mim, quando você resolveu estudar animagia ilegalmente... – ele enumerou.

Eles ficaram calados por um tempo.

- Mione, eu hoje estava na cozinha conversando com alguns membros da Ordem, eles me contaram um pouco da minha mãe – disse ele se levantando.

- E o que eles disseram?

- A professora McGonagall disse que depois que ela saiu de Hogwarts, nunca mais tiveram outra aluna com a mesma inteligência dela. Não até você entrar em Hogwarts – disse ele esperando ouvir algo da amiga, que ficou calada.

Hermione sorriu de lado, ficando séria em seguida.

- Harry, eu tenho que te contar umas coisas – Hermione começou, mudando de assunto.

- Que tipo de coisas? – perguntou ele.

- Na verdade são coisas que eu ouvi hoje quando estava lá embaixo – disse ela.

- Como assim? – perguntou Harry de novo.

- Eu estava passando pelo escritório. A porta estava entreaberta e eu escutei uma conversa que interessará aos estudantes de Hogwarts. – Ela fez uma pausa. – Escutei a McGonagall e o Lupin falando sobre o retorno dele à Hogwarts como professor de Defesa Contra as Artes das Trevas e sobre as visitas à Hogsmeade.

- O que tem as visitas à Hogsmeade? – perguntou Harry se interessando pelo assunto.

- As visitas de Hogsmeade serão proibidas este ano. Por causa da guerra e de Voldemort.

- Não podem fazer isso! – Harry se levantou, sentando-se, exasperado.

- Calma Harry! Deixe-me contar o resto – pediu Hermione.

- Mione, veja se eu não estou certo...

- Harry, eu sei que você está certo, mas Dumbledore acha seguro que você fique no castelo. É perigoso deixar todos os estudantes sozinhos em Hogsmeade com Voldemort solto por aí – ela argumentou.

- Tudo bem! Foi só isso? – perguntou Harry.

- Bem, tem uma notícia boa – a morena sorriu.

- Qual? – Harry não parecia tão interessado.

- Esse ano teremos um Baile de Inverno – Hermione contou.

- Interessante – Harry deu de ombros e lembrou-se do Baile de Inverno que tiveram em seu quarto ano.

- Por que está tão desanimado? – perguntou Hermione.

- Hermione, não sei se está lembrada, mas o último baile aconteceu por conta do Torneio Tribruxo e, além disso, eu fui um dos últimos garotos a arrumar um par. Foi terrível! Eu e o Rony não queríamos ir com as Patil, mas...

- Mas foram as únicas que sobraram. – completou Hermione. – Bem, você terá bastante tempo para arrumar um par desta vez.

- É, talvez – ele murmurou. – Você acompanharia um amigo desesperado?

Hermione riu.

- Claro, Harry – assentiu. – Mas... Se você fosse menos tímido, teria conseguido ir com a Cho naquele ano – ela ponderou. – Talvez esse ano você consiga convidá-la.

- Mas eu já vou com você, certo?

Hermione sorriu mais uma vez, sem jeito.

- Certo – ela se levantou da cama do amigo e pegou um livro que estava na gaveta do criado mudo, sentando-se em sua própria cama e começando a ler.

- Que livro é esse? – perguntou Harry.

- Transfiguração Avançada. Já comecei a estudar animagia. Quando formos ao Beco Diagonal, poderá comprar o seu e começar também.

- Eu acho que esse ano teremos que comprar os presentes do Natal logo – disse Harry lembrando-se que as visitas a Hogsmeade seriam proibidas.

- Verdade – Hermione suspirou e observou o garoto, pensativa. – Harry, esse pode não ser o momento certo... Mas o que eu tenho que conversar com você é importante e precisa ser agora – disse, séria.

- Então fala, oras – disse ele sentindo que a conversa seria mesmo séria.

- Não sei nem por onde começar... – disse Hermione hesitante. Parecia escolher bem as palavras. – Bem, eu sei que você perdeu todos os seus parentes e tudo mais, mas eu quero te pedir uma coisa – agora a garota estava com uma expressão que misturava seriedade e aflição.

- Depende – disse Harry. Ele levantou e foi até a cama da amiga, sentando-se ao lado dela, fitando seus olhos profundos cor de mel.

- É bem simples, mas precisa prometer...

- Fale primeiro, depois eu penso no seu caso.

- Preciso que prometa primeiro, antes de qualquer coisa – fez, cada vez mais aflita. Estava agora segurando bem firme as mãos de Harry, que sentia tremer. – Você promete? – perguntou Hermione apertando ainda mais as mãos do garoto.

- Ok. Você venceu! – disse Harry notando que a amiga continuava tensa e ainda não soltara suas mãos.

- Harry, eu sei que você não é mais nenhuma criança, muito pelo contrário... Entende perfeitamente o que está acontecendo pelo mundo afora e quem corre perigo, em especial, é você! – disse Hermione lentamente. – Sei que você me entende, assim como eu te entendo... Harry, você não deve procurar o perigo que te aguarda antes que ele venha até você na hora certa. Tenho certeza de que vai saber enfrentá-lo, assim como Dumbledore – finalmente ela deu uma pausa, respirou fundo e continuou. – Se Dumbledore não permitiu que fôssemos para o Beco Diagonal para passar uma semana e apenas dois dias, é porque ele pensa como eu. E... Eu sei que você sabe como é temer a perda de alguém... – disse Hermione.

- Mione...

- Harry, entenda! Eu não quero perder o meu melhor amigo! – disse Hermione, ela o abraçou. – Por favor, Harry! Faça isso... por mim...

- Eu prometo, Mione. Se você prometer que não vai ficar chorando pelos cantos por isso, por minha causa – disse Harry, enquanto afagava os cabelos da amiga.

Ao ouvir isso, Hermione se afastou dele para encará-lo, olhando-o nos olhos.

- Eu prometo, desde que você se cuide e não vá sair por aí procurando problemas.

- Tudo bem – ele assentiu.

- Bem, acho melhor dormirmos. Já está ficando tarde, não é? Vamos, Sr. Potter... levantando! – Hermione brincou, enquanto batia no colchão. Harry levantou e se encaminhou para a sua própria cama. – Boa noite, Harry! – disse.

- Boa noite! – Harry desligou o abajur e Hermione adormeceu quase instantaneamente.

Harry ainda ficou acordado. Não sabia se conseguiria dormir facilmente depois da conversa que teve com Hermione. Ele estava pensando em tudo que a amiga havia lhe dito. Realmente sentira muito medo de perder Sirius duas vezes e até medo de perdê-la há pouco mais de dois meses, enquanto estavam no Departamento de Mistérios. A lembrança de uma Hermione caída no chão, atingida por uma cruz flamejante no peito, ainda despertava em Harry uma sensação estranha. Fora naquela hora que ele percebeu o quanto a garota era importante para ele. Ele tinha certeza de que seria muito doloroso perder mais alguém de tão grande importância para ele. Lembrando que ele já pusera muitas pessoas em risco de morte, decidiu seguir o conselho de Hermione.

Com o pensamento mais leve, Harry resolveu dormir. Queria acordar cedo para se despedir de seus amigos. Enfiou-se sob as cobertas e esperou que o sono chegasse.

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No outro dia os dois se levantaram às 8h. Hermione desceu para o quarto de Gina para se despedir das garotas.

Meia hora depois estavam todos reunidos na cozinha juntamente com Deborah e a Sra. Weasley. Esperavam a chegada dos gêmeos Weasley enquanto tomavam café. E às 9h horas, Fred e Jorge chegaram, mas não se demoraram. Harry e Hermione, que iam ficar na Ordem, se despediram dos quatro amigos. Gina foi a última a se despedir dos dois. Quando ela entrou na lareira para seguir para a casa dos gêmeos, piscou para os dois que ficavam e sumiu por entre as chamas.

- Então, até mais! – disseram Fred e Jorge dando um abraço na mãe e desaparatando.

- Muito bem. Vocês dois podem subir se quiserem – disse a Sra. Weasley com ar preocupado.

- Eu vou com eles. – disse Deborah de encaminhando para os dois e os três saíram do aposento.

Harry e Hermione sabiam que a semana não ia ser a mesma sem os outros, mas tinham certeza de que eles saberiam aproveitá-la. Tonks e Deborah estavam mais animadas que o normal. As duas não trabalhariam essa semana inteira, por isso ficariam na Ordem com os dois garotos e poderiam se distrair.

Hermione não estava muito a fim de estudar, então ensinou a Tonks e a Deborah alguns jogos e brincadeiras trouxas e eles se divertiram bastante.

Enquanto isso, no Beco Diagonal, todos já se divertiam. Gina foi comprar seus livros, sozinha, pois Luna e Rony insistiram que queriam ficar e jogar Xadrez de Bruxo – o que faziam muito ultimamente – e Neville foi encontrar sua avó, pois compraria seus materiais e voltaria para casa.

Gina entrou na Floreios & Borrões e como normal, comprou todos os livros que seriam usados no quinto ano e depois subiu para comprar o livro que Hermione dissera que seria necessário para estudarem animagia. Minutos depois, Malfoy entrou na loja de livros. Gina pegou o livro e desceu correndo. Queria sair dali o mais rápido possível.

Pagou o livro e saiu da loja, indo diretamente à loja da Madame Malkin, onde compraria suas vestes novas, já que agora era monitora e as suas vestes antigas estavam curtas. Escolheu as vestes e foi experimentar. Passou pelas três primeiras cabines de provação. Estavam ocupadas. Quando passou pela quarta – tinha notado que a quinta estava desocupada –, foi puxada para dentro.

Não sabia quem teria feito aquilo, mas com certeza coisa boa não era. Quando ela se virou para encarar a pessoa, mas quase soltou um grito. Draco Malfoy imediatamente tapou a boca da garota.

- O que você quer, Malfoy? – disse Gina após dar uma bela duma mordida na mão do garoto.

- Sabia que isso doeu, Weasley? – ele fez, massageando a palma da mão enquanto se afastava dela.

Sua voz não era a mesma de antes. Não era fria e indiferente, assim como sua aparência. Estava com um olhar penetrante, mais vivo. Talvez fosse porque seu pai e os Comensais que foram pegos antes do ano letivo terminar tivessem perdido suas almas num doloroso Beijo do Dementador, o que era considerado pior do que a morte para uma pessoa.

- Sabia que normalmente a intenção ao morder uma pessoa é justamente a de causar dor? Bem, nesse caso era causar dor e afastar você de mim – ela disse, fazendo uma careta. – Argh, agora tenho que lavar a minha boca com desinfetante! E tudo por culpa sua, serpente albina maldita! – fez, enojada. –O que faz aqui, Malfoy? O que você quer? – perguntou, já irritada.

- Estou hospedado do Caldeirão Furado e queria conversar com alguém. E, se não me engano, você foi a primeira pessoa conhecida que vejo aqui há dias – disse Draco. – E, principalmente, a pessoa com quem mais queria falar.

Os dois se encararam. Gina notou que o garoto deixara os maus modos de antes. Estava completamente diferente.

- Pois então, diga logo. Estou com pressa. – Ela disse, seu tom de voz cortante.

- Pressa para quê? Sei perfeitamente que seus irmãos moram aqui. Você deve estar passando uma temporada aqui. Vi-te há uns dois ou três dias numa loja de animais – disse Draco.

- Tudo bem. Estou passando a semana aqui, mas só cheguei hoje. E há dois dias, eu vim passear com meus amigos. Vi você também. – Ela comentou. – Estava com a Pansy Parkinson, não? – Continuou, tentando manter o tom cortês que ele tinha para com ela, visando evitar desentendimentos. No mínimo chamaria atenção caso eles resolvessem se digladiar dentro de um provador.

- Não vejo a Parkinson desde junho. Estou aqui com a minha prima, Isabella Malfoy. – O loiro explicou, sentindo que a garota estava quase cedendo. – Eu só queria falar com você, pedir desculpas, você sabe... Por todos esses anos, por mim e por toda a minha família.

Gina estava encarando-o, embasbacada. Não sabia o que dizer, apenas sentia o riso sufocar em sua garganta.

- Ora, diga alguma coisa!

- Estou bege! – ela murmurou.

- Nota-se – Draco comentou.

- Não, é sério! Eu estou pasma... Malfoy...

- Me chame de Draco – ele pediu, desgostoso ao ouvir seu sobrenome.

- Eu... Não entendo...

Mas antes que pudesse continuar, alguém o chamou e ele, alarmado, saiu do provador apressado.

- Então, tchau, não é? – Gina falou consigo mesma.

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