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20. "Eu Te Amo"


Fic: Amor Proibido | Capítulo 26 On! 07/05


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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*SPOILERS DE HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE*

Capítulo 20 – “Eu te amo”



06 de Julho de 1996.
Era o verão mais estranho que ela já havia visto. Aquela névoa comprimindo as vidraças estava cada vez mais densa, podendo-se ver a que ponto os dementadores haviam chegado. Talvez não fosse tão estranho quanto parecesse; talvez fosse apenas o estado de espírito em que ela estava.
Ninguém estava em um estado de espírito muito bom desde que Sirius morreu, na verdade. Ela podia ver isso enquanto se achava sentada à mesa d’A Toca após o jantar. Mas se havia alguém que estava num estado de espírito péssimo era Nymphadora Tonks. Ela tentava não transparecer isso, e ela duvidava que alguém houvesse percebido. Não era a morte de Sirius que a chateava, e ela simplesmente se odiava por isso. Era pelo último conselho que ele havia lhe dado.


- Fale com ele – aconselhou Sirius – Fale sobre o que você sente. Está tão óbvio que nenhum de vocês consegue esconder mais.
- E se... E se ele não sentir o mesmo? Quero dizer, e se ele não quiser? E se não nos deixarem...? – perguntou Tonks, nervosa.
- Só se ele mentir, o que é provável – concluiu Sirius. – Remus pode achar que está fazendo mal a você, mas não se deixe cair, Tonks. Quanto ao não os deixarem, não vejo porque isso seria proibido de alguma maneira, a não ser que um de vocês não ache certo. Não desista, é só isso que falo. Um dia ele irá ceder, embora eu ache que conseguiria convencê-lo. Mas isso conversamos depois que você falar com ele, é claro.
- É, está bem – disse, sentando-se novamente.
- Tonks, poderia lhe perguntar uma coisa?
- Claro, Sirius, qualquer coisa – respondeu ela, parecendo mais aliviada agora.
- Eu já pedi à Remus, mas ele não me respondeu - comentou ele, de cara amarrada. – Posso ser o padrinho do casamento de vocês?


Ela riu quando se lembrou do pedido que o primo havia feito; e pensar que no mês passado ele ainda estava lá, para falar com ela, provocá-la, quase como um irmão. Parecia que o tempo que foi passado com Sirius já estava distante. Tudo e todos estavam mudando.
Desse modo, era impossível não ir para uma reunião da Ordem sem um receio do que será dito. De fato, a coisa mais divertida que Tonks fez naquela semana foi ir até a estação King’s Cross, para falar com os tios do Harry. Não havia sido tão bom assim; o melhor foi a ida ao Caldeirão Furado com Remus.
Ela não sabia se falava com ele; sentia que, se não falasse, se arrependeria depois. A verdade é que tudo era muito estranho. Mesmo Remus parecia distante naquele momento.
Ela arriscou um olhar a ele: sentado no lado oposto ao de Tonks, ele conversava animadamente com Bill e Arthur, sem reparar que estava sendo observado.
Ele nunca repara, pensou Tonks.
- El’ não vai olharr parra você se você não falarr com el’ – falou a jovem que estava ao lado de Tonks. Era Fleur Delacour, noiva de Bill, e era também o mais novo tormento de Molly e Ginny.
- Ah, não, eu não quero falar com ele, só estava... olhando – ela desviou o olhar de Fleur; sabia que, se continuasse, acabaria ficando vermelha. Talvez ela tenha ficado vermelha, afinal Fleur continuou a conversa.
- Sab’, quando Bill disse desse Ordem, não achei que existiss’ pessoas tam... diferrentes – comentou a moça. – Querro dizer, não é qu eu não goste, mas eu nunca havia visto uma metamorfomag’ antess – acrescentou a francesa, sorrindo. – Essas pessoa diferrentes podem serr mais legais do qu pensamos. Como aquel’ homem que você estava olhando. El’ é um lobisomem, pelo qu Bill disse. Mas é uma pessoa muito simpatique.
- É, ele é – concordou Tonks, enquanto acenava para Ginny, que estava saindo da cozinha por ordem da mãe. – Então, já começaram os planos para o casamento?
- Ah, sim – disse Fleur, trocando rapidamente um olhar com o noivo. Agora Bill, Remus e Arthur prestavam atenção na conversa das duas. – Não há muite coisa parra fazerr aqui, entam já começamos a discutirr sobrre o que queremos. Gostarria de fazerr na Frrança, mas acho que serrá aqui mesm’. Ainda terremos qu’ verr aonde passarremos nossa lua-de-mel...
- Acho que, se eu me casar, não ia querer lua-de-mel – comentou Tonks, de repente. – Pensando bem, eu nem iria querer fazer uma grande festa, ou qualquer coisa assim. Nada contra, é claro – acrescentou, embora tivesse visto que Fleur não se importava com a discordância de opiniões. –, mas seria um pouco estranho para mim. Provavelmente acabaria com metade da decoração logo no início. É, melhor uma cerimônia discreta – concluiu, pensativa.
- Estamos pensando em ir para a França – falou Bill. – O casamento será aqui, então nada mais justo do que passarmos um tempo na França.
- Terão que tomar cuidado, então – falou Remus. – Em tempos como esse, tudo tem que ser feito com cautela.

*~*

Tonks estava diferente. Quase não havia falado ao jantar, ou mesmo na reunião. Parecia distante, em outro lugar, com a cabeça longe. Aparentemente, ninguém mais havia reparado. Remus sabia que a morte de Sirius a afetou profundamente, talvez até mais do que a ele próprio; ele estava acostumado a perder pessoas a seu redor.
Mas não Tonks. Ele achou que ela tivesse superado, apesar de que não fazia muito tempo. Ela parecia ótima no dia em que foram à estação, mas hoje até mesmo seus cabelos cor-de-rosa já não pareciam ter o mesmo tom brilhante. Pareciam meio opacos.
A conversa com Fleur não durou muito tempo. Logo a francesa subiu para dormir, seguida de seu noivo.
- Onde está Molly? – perguntou Remus à Tonks, reparando que a dona da casa havia sumido de repente, os deixando apenas com Olho-Tonto e Arthur na cozinha.
- Ela subiu para ter certeza de que Fleur e Bill estão dormindo em quartos separados – respondeu a jovem, dando um breve risinho após completar a frase. – Você sabe como ela é.
- Sem contar que ela não suporta a moça – comentou ele. – É provável que ela tente fazer Bill gostar de você, agora que a situação está mais crítica.
- Não acho que ela vá tentar fazer isso – disse Tonks, séria. – De qualquer maneira, não daria certo. Por que, afinal, eu iria gostar do Bill? Ele nem é o meu tipo.
- E qual? – perguntou Remus, interessado.
- Uma boa pergunta – respondeu ela, pensativa. – Só sei que não é o Bill. O homem ideal aparecerá com o tempo. Ou talvez já tenha aparecido – ela sorriu. - E você?
- Igualmente uma boa pergunta – respondeu ele, desviando o olhar. Mentira, disse uma voz incrivelmente parecida com Sirius em sua cabeça. Você sabe muitíssimo bem que a mulher ideal está na sua frente.
- É – concordou ela, com o olhar vago. – Já está indo, Olho-Tonto?
- Já – rosnou Moody. – Não esqueça que amanhã à noite é sua vez de ficar de guarda na sede.
- Alguma vez eu esqueci? – perguntou ela, como se a resposta fosse óbvia.
- Já. A sua segunda guarda no Ministério no ano passado – lembrou Moody.
- Uma vez apenas não conta – falou Tonks, revirando os olhos.
- Se cuidem, vocês – falou Moody, simplesmente, deixando os dois sozinhos.
- Você parece diferente, Nymphadora – comentou Remus, intrigado. Ela pareceu particularmente surpresa com o comentário.
- Diferente, como? – perguntou ela, sem muita convicção, embora estivesse séria.
- Você parece... distante – respondeu ele, igualmente sério. – Aconteceu alguma coisa?
- Não, eu estou bem – respondeu a jovem, desviando o olhar. – Admito estar confusa em certas coisas, mas não é nada preocupante.
- Tem certeza? Sabe, às vezes é bom conversar – falou o lobisomem, contornando a mesa e sentando-se ao lado de Tonks.
- É, imagino que sim – considerou ela, por um instante. – Mas não é nada de extrema importância, tenho certeza de que vou continuar vivendo.
- Tem a ver com Sirius?
- Não, não tem a ver com Sirius – falou Tonks, demonstrando impaciência. – Por que todos sempre colocam a culpa no Sirius? Talvez estivesse na hora de pararmos de pensar nele! É triste dizer isso, mas ele não vai voltar. Embora todos sintam muito a falta dele, ele não vai voltar...
- Eu nunca disse que ele voltaria – disse Remus, embora soubesse que a auror estivesse certa.
- Você já sentiu que devia fazer alguma coisa por ele? Que devia fazer alguma coisa que ele gostaria que você tivesse feito? – questionou ela, calmamente, olhando diretamente nos olhos dele. Ela estava realmente diferente. O modo como fez aquelas perguntas foi diferente; desde quando Tonks faz perguntas de modo tão calmo?
- Já – respondeu, com sinceridade. – Todos os dias. Mas nós temos que pensar no que queremos fazer, não no que ele queria que fizéssemos.
- É mesmo? – perguntou Tonks, com uma risadinha sarcástica. – E se o que ele queria é o mesmo que você quer?
- Se esse fosse o caso, eu o faria – respondeu ele, simplesmente. – Por quê?
- Porque eu tenho sentido isso – respondeu.
- O que Sirius queria que você fizesse? – perguntou ele, desconfiado.
- Isso, meu caro lobinho – falou ela, sorrindo e passando os dedos pelo queixo de Remus -, é segredo.
- Segredo? – repetiu o lobisomem. – Desde quando você tinha segredos com Sirius?
- Por que o interesse? – questionou a moça, sem esperar resposta, mexendo a cadeira, que estava equilibrada em apenas dois pés. – Está com ciúmes, Remus Lupin?
- Você vai cair desse jeito – avisou. – E eu nunca disse que...
- Nem eu – falou ela, mais uma vez sem convicção, se aproximando, embora ele estivesse se distanciando. – Sabia que você faz algumas coisas que eu não gosto, às vezes?
- Tipo o quê?
Seus lábios haviam acabado de encostar os dela, quando Molly Weasley abriu a porta da cozinha rapidamente, falando alguma coisa. O susto fizera Tonks cair da cadeira, assustando Molly e Remus.
- O que vocês estavam fazendo para ela cair desse jeito? – perguntou Molly, com um olhar suspeito, a Remus, enquanto Tonks se levantava.
- Só estávamos conversando, nada de mais...
- Tipo isso, Remus! – exclamou Tonks, de repente. – Querem saber? Já está tarde, é hora de ir – ela vestiu a capa e abriu a porta. – Obrigada por tudo, Molly. Até mais.
- O que você fez para fazê-la ficar desse jeito? – perguntou Molly e, sem esperar resposta, acrescentou: – Vá até lá perguntar o que houve!

*~*

Era exatamente aquele tipo de coisa que Tonks mais detestava. Fingir que nada era nada. E era o que Remus mais fazia, ultimamente.
- Nymphadora! – chamou ele, quando ela estava prestes a aparatar, puxando o braço dela.
- Meu nome é Tonks – corrigiu ela, de cara amarrada. – Se pudesse fazer um favor, me solte. Eu não vou fugir.
- Por que saiu daquele jeito? – perguntou ele, visivelmente chateado, largando o braço dela.
- Porque... – ela hesitou por um momento, mas respirou fundo e continuou: – Porque eu cansei, Remus. Eu cansei de fingir que somos só amigos, eu cansei de fingir que o que temos é apenas amizade, sendo que nós dois sabemos que não é apenas isso!
- Nós somos amigos, só que...
- Somos amigos? – repetiu ela, com sarcasmo. – Temos um tipo de amizade colorida, isso sim. Desde quando simples amigos ficam se beijando pelos cantos como fazemos? Tenho certeza de que, quando Sirius nos viu aquele dia, ele não achou que fôssemos apenas amigos.
- É, imagino que não – concordou ele, desviando o olhar.
- É claro que não – concluiu ela, cruzando os braços e olhando para o lado.
- Então – começou ele, ainda sem olhar para ela. –, suponho que devemos acabar com isso de uma vez.
Tonks olhou para ele, chocada com o que acabara de ouvir. Acabar com aquilo de uma vez? Era óbvio que ele não entendera o que ela quis dizer...
- C-como assim? – perguntou ela, fingindo não entender.
- Eu concordo com você – disse ele, a olhando. – Talvez tenhamos ido longe demais. Talvez devêssemos ter acabado com o que quer que tenhamos juntos há muito tempo.
- Não foi isso que eu quis dizer, Remus – falou Tonks, sem saber o que falar. Ela pensou por um momento, e ele a deixou falar. – E-eu não quero que isto acabe.
Agora foi a vez de Remus não entender o que Tonks dissera.
- Tudo o que passamos juntos... Eu não quero que acabe por aí, Remus – continuou ela, ainda escolhendo as palavras. – Você não entende? Eu já me envolvi demais, e eu não quero parar agora.
- Então você quer...
- Eu te amo, Remus.
As palavras saíram de sua boca antes que ela pudesse impedir, antes que ele pudesse falar qualquer coisa. Ela sentiu um alívio parcial por finalmente dizer aquelas palavras, depois de algum tempo sem saber o que dizer.
Apesar do alívio, Tonks nunca quisera tanto que ele falasse alguma coisa. O silêncio ali parecia mortífero. Era bom que estivesse escuro; era provável que ela nunca tivesse estado tão corada em toda a sua vida.
- Você... se sente melhor me dizendo isso? – falou Remus, finalmente.
- Sim – respondeu ela. Vendo que não estava sendo sincera, continuou: – Na verdade, não. Só um pouco.
- Eu... não esperava que você fosse dizer isso – comentou Remus, pigarreando depois. – Nymphadora, você sabe que eu não posso...
- Não pode, o quê? – perguntou ela, sem entender.
- Você sabe que não podemos, Nymphadora – continuou ele. – Qualquer um que olhe para nós dois veria que não podemos ficar juntos. Eu sou um lobisomem.
- Eu sei que você é um lobisomem – interpôs a jovem, sentindo que aquela discussão não teria um final feliz. – Sei disso há muito tempo, nunca me importei e não vai ser agora que vou começar a me importar.
- Talvez você não se importe – teimou Remus –, mas eu me importo. Eu me importo com você, Nymphadora. Nada de bom vem de um lobisomem. Além disso, você é jovem e tem uma vida inteira pela frente. Merece alguém igualmente jovem.
- A idade não influencia em nada – teimou Tonks, sentindo as lágrimas chegarem aos olhos.
- Influencia, sim – disse ele. – Além do mais, eu não tenho emprego, não tenho dinheiro...
- Dinheiro não é tudo.
- Mas não vive-se sem ele, Tonks! – exclamou Remus, agitado. – Você não entende? Se ficarmos juntos, sua vida nunca mais será a mesma!
- E se eu não quiser que ela seja a mesma? – perguntou ela, ciente de que já não falavam baixo. – Você que não entende! Eu não quero alguém mais jovem, ou saudável, ou rico! – ela baixou a voz. – Me diga uma coisa, Remus: tirando todas essas desculpas idiotas que você arranjou... Você me ama?
Sem olhar nos olhos dela, ele ficou quieto por um momento. Tonks nunca o havia visto daquele jeito antes; ele parecia querer desaparecer do mundo.
- Você sabe que não posso responder isso – falou ele, por fim.
- Por mim, Remus – pediu ela, as lágrimas escorrendo pelo rosto.
- Isso não é justo – desconversou, ainda sem olhá-la. – Já me sinto culpado o bastante.
- Merlin, Remus, por quê? – perguntou ela, com raiva. – Você não entende? Eu sei o que você é, e ainda assim eu sinto o que sinto! Eu amo você, Remus, nada vai mudar isso.
- Tonks, olhe para mim – pediu ela, finalmente encontrando os olhos dela. – Eu sou um lobisomem, velho e não tenho dinheiro. O que você pode querer de mim?
- Seu coração, seu idiota! – exclamou Tonks, chegando perto dele. – Você! Todos, exceto você, vêem a pessoa maravilhosa que você é, Remus! Nada, nem dinheiro ou idade, ou... licantropia podem me fazer desistir disso! Não faz diferença para mim!
- Faz diferença para mim.
Tonks deu um passo para trás, as lágrimas ainda escorrendo.
- Então, é isso? – perguntou ela. – Você vai desistir de uma vida por causa disso?
- Se isso proteger as pessoas – respondeu o lobisomem –, sim.
Tonks sentiu frio; era como se estivesse submersa em um tanque cheio de gelo. Ela agora não chorava; soluçava.
- Tonks, eu sinto muito, mas você sabe que eu...
- Não, Remus, eu não sei – interrompeu Tonks, se controlando. – Se você ao menos escutasse... Eu realmente não consigo acreditar em você. Se você ao menos tentasse... – ela enxugou as lágrimas com as costas da mão, se preparando para ir embora.
- Nymphadora, por favor – começou ele, puxando o braço dela novamente. – Por favor, tente ver do meu ponto de vista...
- Já tentei – respondeu a auror, secamente. Ela sacudiu o braço, o fazendo deixá-la. Ela fungou um pouco, voltando a chorar. – Adeus, Remus.
Assim, ela deixou-o, suspenso nas sombras do quintal d’A Toca e de seus pensamentos.

*~*

- Desculpem o atraso – pediu Tonks, quando acabara de chegar n’A Toca para uma reunião. O atraso fora proposital; ela achava que não conseguiria falar com Remus logo pela manhã, antes de uma reunião. Certamente só pioraria as coisas.
Não haviam muitas pessoas naquela reunião; era quase uma reunião particular entre alguns membros. Ali estavam apenas Remus, Snape, McGonagall, Dumbledore e Kingsley.
Pelo visto, Tonks chegara quase no fim da reunião.
- Problema algum, Nymphadora – falou Dumbledore, com os olhos brilhando. Era a primeira vez que a viam naquele estado.
Ela não conseguia mais se metamorfosear. Tentara tudo, na manhã seguinte à discussão com Remus. Acordara em sua aparência normal, com os olhos negros cintilantes, os cabelos castanhos sem-graça que ela tanto detestava. Os olhos estavam inchados e vermelhos (fruto da discussão, é claro). Apesar de que já se passara mais de uma semana, os olhos teimavam em continuar assim.
Ela sentou-se ao lado de Remus, como sempre, e, pela primeira vez, contra a sua vontade. Não trocara um olhar com ele, embora vira, quando abrira a porta, quão surpreso ele ficara em vê-la daquele jeito. Ela também vira o sorriso presunçoso quase imperceptível de Snape.
- Ser secretário do Ministro trouxa, Dumbledore? – perguntou Kingsley, continuando a reunião. Tonks sentira-se grata por isso.
- Do Primeiro-Ministro trouxa, sim – respondeu o diretor. – Com Fudge deposto, tenho quase certeza que Scrimgeour deva assumir o cargo, e certamente tem isso em mente. Eu mesmo comentei com ele sobre ter alguém no Parlamento trouxa na semana passada. Ele irá querer algum auror no serviço, e você é perfeito para isso. Tenho certeza de que ele irá chamá-lo. Algum problema para você?
- Não, senhor.
- Agora, Remus – falou Dumbledore, dirigindo-se a ao lobisomem – Você sempre foi útil à Ordem, há muito tempo. Tenho uma missão especial para você. Se quiser, é claro.
- E o que seria essa missão, senhor? – perguntou Remus, sem demonstrar preocupação.
- Não é novidade para ninguém aqui que os lobisomens estão ao lado de Voldemort – começou ele, sério. Pelo visto aquela missão não seria simples. – E também não é novidade para ninguém que Voldemort não está mais na clandestinidade. Logo teremos uma nova fuga de Azkaban, não tenham dúvidas. E receio dizer que, quanto mais espiões temos, mais fortes ficaremos. Precisamos de informações. Não apenas sobre os Comensais da Morte ou o Ministério – ele lançou um olhar para Snape, e outro para Tonks. – Precisamos de alguém entre os lobisomens.
- Entendo – falou Remus, obviamente surpreso com o que Dumbledore lhe falara.
- Receio dizer que você é perfeito para o trabalho, Remus – disse o diretor. – O que acha?
- O quê?
Tonks não pudera se controlar. Colocar alguém entre lobisomens era quase a mesma coisa que escrever o atestado de óbito de uma pessoa.
- Vai colocar Remus entre os lobisomens? – repetiu a auror, ciente de que todos a observavam. – Diretor, eu sinto muito em dizer isso, mas eu discordo.
- E por que a discordância, Nymphadora? – perguntou o diretor, a fitando por detrás dos óculos meia-lua.
- É arriscado demais! – continuou ela, sem se importar com o olhar reprovador que Remus lhe lançava. – Professor, todos sabemos que os lobisomens ao lado de Voldemort são vorazes! E com Greyback no comando, tudo só piora!
- E o que sugere fazermos? – questionou Snape, à frente de Tonks. – Não é uma questão de vida de apenas uma pessoa, Nymphadora. É a vida de milhares, não apenas a de Lupin, que está em jogo. Você, mais do que ninguém, devia saber disso. Mas, pelo visto, a vida como auror não lhe ensinou grande coisa...
- Ensinou, Snape, mas nós vemos a vida de cada um como uma preciosidade, não apenas a vida das pessoas em geral – interrompeu-o Tonks. Nunca sentira tanto ódio por Snape quanto naquele momento. – Afinal, por que Remus? O fato de que ele já é um deles não quer dizer que não corra riscos como qualquer um de nós corre. Por que não eu?
- Não vejo problema algum em ser espião nesse caso, senhor – falou Remus, antes que Dumbledore pudesse abrir a boca. – Eu já estou pronto. Não há ninguém melhor do que eu para fazer o trabalho.
Tonks se encostou à cadeira, visivelmente contrariada, bufando.
- Ótimo, Remus – falou Dumbledore. Era estranho o modo como ele queria que Remus fizesse o trabalho. – Algum problema com isso, Nymphadora?
- Se Lupin acha prudente fazer isso – respondeu, emburrada –, não será eu quem irá impedir. Ele já se mostrou bem teimoso em outras ocasiões.
- Estamos resolvidos, então – falou Dumbledore, satisfeito. – E agora falemos de você, Nymphadora. Você foi uma grande aquisição da Ordem, devo dizer. E tenho uma missão para você, também. O Ministério pretende arranjar uma guarda de aurores para Hogwarts, já deve ter ouvido falar disso.
- Já, sim, senhor.
- Pois bem – prosseguiu o diretor. – Preciso de alguém confiável dentro da guarda. Quero que seja voluntária a ser transferida para Hogsmeade.
- Hogsmeade? – repetiu ela. Aquela reunião não estava acontecendo...
- Sim, para guardar Hogwarts – repetiu o diretor. – Precisamos de alguém confiável entre os aurores, e arrisco dizer que você é a única confiável. Os outros são volúveis demais quanto ao Ministério, e você se mostrou habilidosa nos últimos tempos.
- Eu... É claro, professor – falou Tonks, embora não estivesse fazendo o que gostaria de fazer. Ela tinha que ser útil para a Ordem, e eles já tinham espiões dentro do Ministério. Era um dever que ela prometeu cumprir quando se juntou à Ordem.

*~*

Molly Weasley vira como Tonks estava na última semana. Ela não pôde deixar de reparar que a moça havia mudado desde que saiu daquele jeito da cozinha na outra noite. Pelo visto ela e Remus discutiram alguma coisa que não fez bem a ela.
Muitos pensam que tudo aquilo é resultado da morte de Sirius, mas não Molly. Ela sabia que Tonks estava bem depois da morte do primo. Fora algo que acontecera depois disso, e ela não estava tão interessada no porquê; ela apenas queria vê-los como antes, pois ambos estavam diferentes. Talvez fosse por causa das circunstâncias da discussão da auror e de Lupin; eles não pareciam estar apenas conversando quando Molly entrou na cozinha aquela noite, e não parecia ser uma simples discussão entre dois amigos logo após a interrupção da dona da casa.
- Fique para o almoço, querida – insistiu ela, embora soubesse que a jovem não estava muito disposta a isso.
Ela, por fim, após muita insistência, cedeu. Talvez não tenha sido uma boa idéia, afinal; Ginny achara muito estranho o comportamento de Tonks, e Hermione, que chegara naquela manhã, concordara com a amiga. Elas tentaram arranjar um jeito de falar com Tonks, perguntar o que houve, mas não chegaram em lugar algum.
Mais estranho talvez fosse o fato de que Remus e Tonks não se falaram durante toda a refeição. Era um costume dos dois ficar conversando, um sentado ao lado do outro, como faziam no Largo Grimmauld. Mas eles evitaram olhares, conversas e até mesmo sentaram-se em lugares diferentes. Ninguém mais parecia ter notado isso; a verdade é que Molly prestava atenção naqueles dois há algum tempo.
- Tonks está um pouco diferente, não acha, Remus? – perguntou Molly, fazendo com que apenas o lobisomem tivesse ouvido.
- D-diferente? – repetiu ele, surpreso com o comentário. – É, um pouco. Suponho que a maior diferença faça na aparência dela. Até faz a gente desejar um pouco de rosa no ambiente.
- Faz – concordou, rapidamente. – Então, muitas missões importantes? – perguntou, desta vez mais alto, olhando para Remus e para Tonks, que estava sentada à dois lugares de distância.
- Não muito – respondeu Tonks, quase com indiferença. – Ele me quer em Hogsmeade para o início do ano letivo. Será estranho voltar para lá como auror. Só posso esperar que o Ministro já tenha um time pronto – falou a moça, séria. – Mas não é ruim – apressou-se em responder. – Tive sorte, se comparada à missão de outras pessoas.
- Por quê? – quis saber Molly, olhando para Remus, apesar de que Tonks pareceu achar que aquela era a hora de beber um pouco de cerveja amanteigada, sem olhar para ninguém.
- Dumbledore me quer sendo espião dos lobisomens – respondeu ele, quase amargamente.
- E você deixou? – perguntou Molly, preocupada. – É uma tarefa muito arriscada, mas suponho que...
- Tentei falar com Dumbledore quanto a isso – interrompeu Tonks –, mas Lupin pareceu achar a tarefa gratificante.
Ela parou de falar porque Hermione estava, aparentemente, tentando puxar assunto, já que a auror não estava falando muito ultimamente.
- O que quer que houve entre vocês – falou Molly, para Remus –, eu não sei, mas já está indo longe demais. Tente falar com ela sobre isso.
- Obrigado pelo conselho, Molly – disse Remus, desviando o olhar –, mas da última vez que me disse isso o resultado não foi muito bom.
- E será que pode ficar pior do que esse? – interpôs ela, olhando para a nova Tonks que havia se formado. – Tente falar com ela agora.
- Está bem, está bem – falou ele, impaciente. Molly nunca o havia visto daquele jeito. Se Tonks não parecia a mesma, ele também não parecia. Ele se levantou, e caminhou até a jovem. – Tonks, podemos conversar?
Ela pareceu confusa por um momento; Ginny e Hermione trocaram olhares curiosos por um momento, como que pedindo para irem junto.
- Claro – disse Tonks, por fim.
Eles foram até a sala ao lado da cozinha, deixando não apenas Ginny e Hermione curiosas, mas Molly também.

*~*~*~*

N/A: Pessoalmente, achei o capítulo meio tristinho. Acho que essa é a pior fase da Tonks, e eu acho o Remus um idiota nessa fase.
De qualquer maneira, comentem, que isso anima a autora a escrever logo o próximo capítulo. (:
Beijos,
Ju Tonks


Obs: Andrômeda ainda não sabe que Remus é lobisomem, respondendo à dúvida quanto ao capítulo 19 ;D

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