Voldemort riu quando Harry apareceu. Ele não pôde deixare de notar que Hagrid estava ali, sendo mantido refém.
- Harry Potter, o garoto corajoso! - debochou.
- Harry? Não! Volte! - Hagrid gritou. Os comensais que o seguravam o puxaram para que calasse a boca.
- Acabe com isso logo, Voldemort! Anda, me mate!
- Não vai nem lutar? - perguntou, ainda rindo - Olha só, o corajoso Harry Potter está se rendendo!
Todos os comensais riram, com exceção de Áquila. Harry engoliu seco ao notar a presença dela ali. Como a matariam?
- Vamos facilitar logo isso. - Voldemort apontou a varinha para Harry - Harry Potter, o menino que sobreviveu... Venha para a morte.
Harry fechou os olhos.
- AVADA KEDAVRA!
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Harry abriu os olhos. Não estava mais na floresta proibida. Estava num lugar familiar, limpo, que por sinal, estava coberto por uma névoa clara. Ele estava completamente nu.
Então um barulho chegou até ele através do nada que o cercava: batidas pequenas, macias, que abanavam, giravam e se debatiam. Era um som penoso, e ainda assim ligeiramente indecente. Ele tinha a sensação desconfortável de estar bisbilhotando algo furtivo, vergonhoso.
Pela primeira vez, desejou estar vestido. Este desejo mal se formara em sua cabeça quando vestes apareceram numa curta distância. Ele as pegou e vestiu: elas eram macias, limpas e quentes. Foi extraordinário como elas apareceram, simples assim, no momento em que ele as quis...
Ele então, se levantou. Ainda não sabia onde estava. Tudo estava silencioso e parado, exceto por aquela batida esquisita e os barulhos chorosos vindo de algum lugar na névoa que formava o local...
Harry se virou devagar onde estava, e os arredores pareceram se criar diante de seus olhos. Um espaço aberto e amplo, brilhante e limpo, com teto de vidro abobadado; um salão muito maior que o Salão Principal. Estava vazio. Ele era a única pessoa ali, exceto por...
Ele se voltou, tinha visto a coisa que estava fazendo os barulhos. Ela tinha a forma de uma criança nua, pequena, enrolada no chão, sua pele crua e dura, como se a estivesse trocando, tremendo, deitada debaixo de um banco, desnecessária, escondida fora de vista, se esforçando para respirar.
Ele estava com medo dela. Embora fosse pequena, frágil e parecia machucada, ele não queria se aproximar. Contudo ele foi chegando mais perto, vagarosamente, pronto para recuar a qualquer momento. Logo ele estava perto o bastante para tocá-la, embora não conseguisse fazê-lo. Sentiu-se um covarde. Ele devia confortá-la, mas ela o enojava.
- Você não pode ajudar.
Ele se virou. Alvo Dumbledore caminhava em sua direção, enérgica e firmemente, usando longas vestes azul meia-noite.
- Harry. - Ele abriu bem os braços, e suas mão estavam ambas inteiras, brancas e ilesas. - Garoto maravilhoso. Corajoso, homem corajoso. Vamos dar uma volta.
Atônito, Harry o seguiu enquanto Dumbledore se afastava do local onde a criança estava, choramingando, o levando até duas cadeiras, que Harry até o momento não tinha notado, um pouco distante daquele teto alto e brilhante. Dumbledore se sentou em uma delas, e Harry se jogou na outra, encarando o seu antigo diretor. A barba e os cabelos longos e prateados, os olhos azuis penetrantes por traz de óculos de meia lua, o nariz torto: tudo estava como se lembrava.
- Mas você está morto - disse Harry.
- Ah sim - disse Dumbledore casualmente.
- Então... Eu morri também?
- Ah, - disse Dumbledore, sorrindo ainda mais abertamente. - esta é a questão, não é mesmo? Contudo, meu garoto, eu acho que não.
Eles se entreolharam, o velho ainda sorrindo radiante.
- Não? - repetiu Harry
- Não. - disse Dumbledore.
- Mas... - Harry levou sua mão instintivamente em direção à cicatriz em forma de raio. Ela não parecia estar lá. - Mas eu devo ter morrido, eu não me defendi! Eu quis que ele me matasse!
- E isso... - disse Dumbledore - irá, eu creio, ter feito toda a diferença.
Felicidade parecia irradiar de Dumbledore como luz, como fogo: Harry nunca tinha visto um homem tão completamente, tão palpavelmente contente.
- Explique. - disse Harry
- Mas você já sabe. - disse Dumbledore, girando os polegares.
- Eu deixei ele me matar. - disse Harry - Não deixei?
- Deixou. - disse Dumbledore, concordando com a cabeça. - Continue!
- Então a parte da alma dele que estava em mim...
Dumbledore balançou a cabeça ainda mais entusiasticamente, encorajando Harry a continuar, com um sorriso largo em seu rosto.
- ...se foi?
- Ah, sim! - Disse Dumbledore. - Sim, ele a destruiu. Sua alma agora está inteira e é completamente sua, Harry.
- Mas então...
Harry olhou por sobre seus ombros, para onde a pequena, desfigurada criatura tremia debaixo da cadeira.
- O quê é aquilo, professor?
- Algo que está além de nossa ajuda. - disse Dumbledore.
- Mas se Voldemort usou a Maldição da Morte, - Harry recomeçou. - e ninguém morreu por mim dessa vez, como posso estar vivo? Bellatrix morreu quando lhe cravei a espada!
- Eu acho que você sabe. - disse Dumbledore. - Tente se lembrar. Lembre-se do que ele fez, em sua ignorância, sua ganância e crueldade. O caso de Bellatrix não seria igual ao seu se tivesse usado uma Maldição da Morte, Harry. Você é um garoto bom e, ao contrário de você, ela tentaria lhe atingir. Uma espada atravessando o corpo é morte na certa, seja você uma Horcrux ou não.
Harry pensou. Deixou sua vista vagar pelo local. Se era, de fato, um palácio onde eles estavam, era um tanto esquisito, com cadeiras arrumadas em fileiras pequenas e pedaços de balaustradas aqui e ali, e ainda assim, ele e Dumbledore e a criatura sob o banco eram os únicos seres ali. Então a resposta veio em seus lábios facilmente, sem esforço.
- Ele usou meu sangue. - disse Harry
- Precisamente! - Disse Dumbledore. - Ele usou seu sangue para reconstruiu o corpo em que ele vive! Seu sangue está nas veias dele, Harry, a proteção de Lílian está dentro de vocês dois! Sua vida está amarrada à dele!
- Eu vivo... enquanto ele viver! Mas eu pensei... eu pensei que era ao contrário! Eu pensei que ambos devíamos morrer? Ou é a mesma coisa?
As batidas e o choro da criatura agonizante atrás deles o distraia, seus olhos se voltaram para ela mais uma vez.
- Tem certeza de que não podemos fazer nada?
- Não existe ajuda possível.
- Então explique... mais. - disse Harry, e Dumbledore sorriu.
- Você era a terceira Horcrux, Harry, a Horcrux que ele nunca teve intenção de criar, assim como as outras. Ele tinha tornado sua alma tão instável, que ela se quebrou quando cometeu aqueles atos de um mal inominável, o assassinato de seus pais e a tentativa de matar uma criança. Uma instabilidade causada pelo nível de ódio que habita seu corpo, um nível muito grande para um corpo só. Mas o que fugiu daquela sala era ainda menos do que ele sabia. Ele deixou mais do que seu corpo para trás. Ele deixou parte de sua própria alma atada a você. A possível vítima que sobreviveu. E seu conhecimento continuou lamentavelmente incompleto, Harry! Aquilo que Voldemort não dá valor, ele não se dá ao trabalho de compreender. Sobre elfos-domésticos e contos infantis, sobre amor, lealdade e inocência, Voldemort não conhece e não entende nada. Nada. Eles têm um poder além do seu, um poder além de qualquer magia, é uma verdade da qual ele nunca soube. Ele usou seu sangue acreditando que isso o deixaria mais forte. Ele tem em seu corpo uma pequena parte do encantamento que sua mãe deixou em você quando morreu por você. Seu corpo mantém vivo o sacrifício dela, e enquanto este encantamento existir, será a única esperança para você e para Voldemort.
- Mas professor, como ele fragmentou sua alma em Bellatrix através daquilo? - Harry perguntou - E de que forma foi possível que a própria se repassasse para a filha que ela esperava?
- Como eu lhe disse, alma dele estava instável. - explicou - Qualquer descuido para que se fragmentasse. Nada mais natural que permanecesse instável ao habitar Bellatrix, outro ser humano repleto por ódio e amargura.
- Áquila era do bem!
- Ela sempre foi um espelho da mãe. Só precisou de uma ajudinha para descobrir a treva interior. Porém, uma hora, ela descobrirá o bom coração que realmente tem, mas será tarde demais.
Harry ficou pensativo por uns instantes.
- E você sabia disso? Você sabia... o tempo todo?
- Eu adivinhei. Mas minhas adivinhações são, geralmente, boas. - disse Dumbledore alegremente, e eles ficaram em silêncio pelo que pareceu um bom tempo, enquanto a criatura atrás deles continuava a chorar e tremer.
- E sobre a ligação, os núcleos gêmeos...
- Eu acredito que sua varinha absorveu um pouco do poder e qualidades da varinha de Voldemort naquela noite, o que quer dizer que ela continha um pouco do próprio Voldemort. Então sua varinha o reconheceu quando ele o perseguiu, reconheceu um homem que era seu parente e inimigo mortal, e ela regurgitou algumas de sua própria magia contra ele, magia muito mais poderosa que qualquer coisa que qualquer varinha comum já tivesse produzido. Sua varinha continha o poder de sua enorme coragem e habilidade mortal do próprio Voldemort.
- Quer dizer que minha varinha, mesmo com o mesmo núcleo, é mais poderosa que a dele?
- Quanto a isso, não posso ter certeza.
- Adivinhe, então. - disse Harry, e Dumbledore riu.
- O que você deve entender, Harry, é que você e Lord Voldemort rumaram juntos por áreas da magia até agora desconhecidas e não testadas, e nenhum fabricante de varinhas poderia, creio eu, alguma vez ter previsto ou explicado isso a Voldemort. - Dumbledore disse - Sem mencionar que, como você agora sabe, Lorde Voldemort duplicou o laço entre vocês quando retomou a forma humana. Uma parte de sua alma ainda estava atrelada a sua, e, pensando estar se fortalecendo, ele tomou uma parte do sacrifício de sua mãe. Se ele, ao menos, pudesse entender o poder exato e terrível desse sacrifício, ele não teria, talvez, ousado tocar seu sangue... mas então, se ele tivesse sido capaz de entender, ele não seria Lorde Voldemort, e poderia nunca ter matado.
Harry pensou por um longo tempo, ou talvez segundos, era muito difícil ter certezas de coisa como o tempo, aqui.
- Ele me matou com sua própria varinha.
- Ele falhou em matar você com própria varinha. - Dumbledore corrigiu Harry. - Eu acho que podemos concordar que você não está morto, embora, é claro, - ele adicionou, como se temesse ter sido descortês, - eu não subestime seu sofrimento, dos quais, tenho certeza, foram severos.
- Me sinto ótimo neste momento, de qualquer forma... - disse Harry, olhando para baixo em direção a suas mãos limpas, sem manchas. - Onde estamos, exatamente?
- Bem, eu ia te perguntar isso. - disse Dumbledore, olhando ao redor. - Onde você diria que estamos?
Até Dumbledore perguntar, Harry não sabia. Agora, no entanto, ele achou que tinha uma resposta para dar.
- Parece, - ele disse devagar - com a Estação King’s Cross. Só que parece mais limpa e vazia, e não há trens pelo menos até onde consigo ver.
- Estação de King’s Cross! - Dumbledore estava rindo sem moderação. - Minha nossa, sério?
- Bem, onde você acha que estamos? - perguntou Harry, na defensiva.
- Meu caro garoto, eu não faço idéia. Esta é, como eles dizem, sua festa.
A criatura atrás deles esperneou e reclamou; Harry e Dumbledore ficaram sem falar durante um período grande. A compreensão do que ele, Harry, teria que fazer em seguida descia gradativamente sobre ele últimos longos minutos, como neve caindo.
- Eu tenho que voltar, não tenho?
- Essa é sua decisão.
- Eu tenho uma escolha?
- Ah, sim. - Dumbledore sorriu para ele. - Nós estamos em King’s Cross, você disse? Eu acho que se você decidir não voltar, você estaria... vamos dizer... apto a pegar um trem.
- E onde ele me levaria?
- Para frente. - disse Dumbledore, simplesmente.
Silêncio mais uma vez.
- Mas você quer que eu volte?
- Eu acho, - disse Dumbledore. - que se você escolher retornar, existe uma chance que ele possa ser liquidado mesmo. Não posso prometer. Mas eu sei, Harry, que você tem menos medo de retornar para cá do que ele tem.
Harry olhou mais uma vez para a criatura de aparência crua que tremia e sufocava na sombra entre a cadeira distante.
- Não tenha pena dos mortos, Harry. Tenha pena dos vivos, e, acima de tudo, aqueles que vivem sem amor. Retornando, você pode assegurar que menos almas sejam divididas, menos famílias sejam separadas. Se isso parece a você um objetivo que vale a pena, então diga adeus para o presente.
Harry concordou e suspirou. Deixar este lugar não seria nem um pouco mais difícil do que seu caminhar para a Floresta, mas era quente e luminoso e pacífico aqui, e ele sabia que ele estava voltando para a dor e o medo de mais perdas. Ele se levantou, e Dumbledore fez o mesmo, e eles se olharam nos rostos por um longo momento.
- Me diga uma última coisa. - disse Harry. - Isso é real? Ou está tudo acontecendo na minha cabeça?
Dumbledore sorriu para ele, e sua voz soou alta e forte nos ouvidos de Harry mesmo com a névoa clara descendo de novo, obscurecendo sua imagem.
- É claro que isso está acontecendo dentro de sua cabeça, Harry, mas por que isso deve significar que não seja real?
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Harry fechou os olhos e os abriu novamente, mas semicerrados. Conseguiu ver, através das frestas de suas pálpebras, um pedaço da Floresta Proibida. Ele havia voltado.
- Está morto? - Voldemort disse. Harry não ousou se mexer.
Áquila saiu do lugar e foi em direção à Harry. Ela agaixou-se e viu que ele respirava.
- Onde está Ninfadora? Ela está no castelo? Está bem? - ela perguntou, num sussurro, que só Harry ouviu.
Ele balançou a cabeça devagar e positivamente.
- Está morto. - Áquila disse, se levantando e retornando ao bolo de comensais da morte, que agora soltavam Hagrid.
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Sim, eu peguei várias partes do livro u.u
Espero que tenham gostado! E por favor, comentem! Deu trabalho pra adaptar x-x
Beijos!