Já eram 20h quando Harry e Hermione desceram para a reunião. Era realmente uma sorte que Rony estivesse dormindo, assim não faria muitas perguntas. Quando os garotos chegaram à cozinha, ela já estava cheia.
- Boa noite! – Dumbledore cumprimentou-os. – Podem se sentar. Estamos esperando Severo chegar.
- Não precisamos esperar muito agora. Ele acabou de chegar! – disse a Sra. Weasley sentando-se próximo dos garotos.
Finalmente Snape entrou na cozinha e se sentou perto de Dumbledore, com quem ficou conversando aos murmúrios para que somente eles pudessem ouvir. Então Dumbledore de levantou e todas as conversas se cessaram.
- Boa noite a todos. Estamos reunidos aqui mais uma vez para que as notícias sejam dadas a todos e os nossos planos possam entrar em vigor – disse ele calmamente. – A notícia não é das melhores. Pensávamos que isso ia demorar a acontecer, mas não.
Todos observavam Dumbledore com muita atenção.
- Coisas estranhas estão acontecendo e os trouxas estão notando as anormalidades. Muitas mortes inexplicáveis e sumiço de muita gente – continuou Dumbledore. – Infelizmente, tenho que informar a todos, que o mundo mágico está em guerra novamente.
Houve muitos murmúrios a volta dos garotos. Hermione levou a mão à boca.
- Temos que levar em conta, que a última guerra teve início antes de Voldemort chegar ao poder, e fim, quando Harry Potter, o derrotou certa noite. Naquela época, Voldemort tinha muito mais seguidores – disse Dumbledore e novamente, todos se calaram. – Mas ele retornou mais forte e poderoso que antes, porém com menos da metade dos seguidores que tinha antes.
A reunião durou até as 22h. Ou pelo menos foi quando os garotos foram liberados.
- Harry, eu vou ficar aqui em baixo um pouco. Tenho que organizar minhas ideias – disse Hermione.
- Eu acho que uma Penseira cairia bem para você! – disse Harry rindo.
- É, talvez – Hermione sorriu.
- Tem algum problema se eu subir? Estou precisando descansar.
- Não... Tudo bem! Pode subir. - houve um momento de silêncio. Harry já estava quase alcançando as escadas quando Hermione veio até ele.
- Boa noite! – disse Hermione dando um beijo na bochecha de Harry e se encaminhando para a sala de visitas.
Quando Harry chegou ao quarto, deitou-se na cama e começou a pensar na notícia de Dumbledore sobre a guerra. Não conseguia trabalhar tudo aquilo que estava em sua cabeça. Harry tentou esvaziar a mente, praticar Oclumência. Foi quase impossível, mas ele conseguiu. Pouco tempo depois, ele adormeceu.
Quando Hermione voltou, era quase meia noite.
Deitou-se e dormiu.
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No outro dia, Harry se levantou cedo. Assim que acordou, olhou para a outra extremidade do quarto, observando se Hermione estava acordada. A garota estava deitada de bruços, aparentemente vista de tal ângulo, ela ainda dormia. Harry desceu da cama cautelosamente e o mais silenciosamente que pôde. Ia descer. Estava faminto.
O garoto foi até o banheiro e um minuto mais tarde, ainda de roupão, se encaminhou para a porta do quarto.
- Ia descer sem me avisar? – perguntou uma voz às costas do garoto, que se virou imediatamente.
- Quer me matar de susto? – perguntou ele à Hermione.
- Clama aí. Eu fiz uma pergunta primeiro – disse Hermione rindo.
- Ia descer sem te avisar porque pensei que estava dormindo – explicou Harry.
- Eu não consegui dormir. Mas isto não vem ao caso agora... E então?! Ia descer para quê?
- Eu estava descendo para tomar café. Não como nada desde ontem no Beco Diagonal.
- Eu também. Estou morrendo de fome! – disse Hermione. – Mas eu não queria descer sozinha.
Os dois desceram as escadas ainda o mais silenciosamente possível. A casa estava silenciosa, todos deviam estar dormindo. No segundo patamar, Harry notou que a porta da sala de visitas estava aberta. Ele deu uma espiada pela fresta da porta e mostrou a Hermione que deu um sorriso maroto.
Quando os dois entraram na cozinha tiveram uma surpresa inesperada. Gina estava acordada e vinha ao encontro dos dois.
- A mamãe mandou avisar que ela está ocupada no escritório, mas que se quiserem comer algo, tem torradas e chocolate quente – disse a garota.
- O que exatamente a Sra. Weasley está fazendo no escritório? – perguntou Hermione quando os três se acomodaram à mesa do aposento.
- Não quis me contar. Apenas disse que estava ocupada com Dumbledore, Lupin e a professora Minerva – disse Gina com simplicidade.
- De qualquer forma, isso não nos interessa – disse Hermione. – Mas... Gina, você foi à sala de estar hoje mais cedo?
- Fui sim. Hoje eu, o Rony e a Luna passamos a noite lá conversando – respondeu a Gina.
- O que explica essa sua cara pálida – disse Hermione séria.
- Mione, se a Gina está com cara de sono, você não fica muito atrás. Está com uma aparência horrível e cansada – disse Harry se metendo na conversa.
- Mas quando vocês foram para lá? Eu estive lá até tarde e não tinha ninguém acordado – disse Hermione sem dar atenção ao comentário de Harry.
- Mione, o Harry está certo. Mas... Ah! Nós fomos para a sala depois das 2h. Antes estávamos no meu quarto – respondeu Gina mais uma vez.
- Quando você desceu, o Rony e a Luna estavam acordados? – perguntou Harry à Gina.
- Estavam. Mas estavam quase dormindo... - respondeu Gina. – Mas por que tantas perguntas?
- Vem com a gente. – disse Harry puxando Gina pela mão.
Os três foram andando devagar até a sala de visitas mais uma vez. Gina espiou pela fresta da porta como haviam feito Harry e Mione e abafou o riso. Depois, os garotos voltaram para a cozinha e mais ou menos meia hora depois, a Sra. Weasley entrou no aposento parecendo bem apressada.
- Bom dia, crianças – disse ela colocando o avental e se encaminhando para o fogão. – Por que todos estão acordados a esta hora?
- Mamãe, eu já estava acordada há séculos. O Harry e a Mione desceram para tomar café pouco depois de a senhora subir.
- Ok. Dumbledore, Lupin e Minerva queriam avisar que terão que voltar para Hogwarts antes do esperado – disse a Sra. Weasley, mas ao ver a cara de intrigados dos três completou: – Muita coisa pra fazer!
- Estranho... – murmurou Hermione baixinho.
- Disseram que têm que preparar novas atividades, escolher os capitães dos times de Quadribol e monitores, enviarem as cartas... – explicou a Sra. Weasley.
- Agora está explicado! – disse Hermione num sussurro audível.
TRAC!
Fawkes havia aparecido no poleiro ao lado da porta. Trazia consigo vários envelopes que a Sra. Weasley se apressou em recolhê-los. Ouviu-se mais um estalo forte e Fawkes desapareceu.
- Harry, Hermione, Gina... – disse a Sra. Weasley entregando as cartas aos garotos.
- Harry! Acorda! – disse Hermione entregando ao garoto o seu envelope.
Harry então se lembrou. Como pôde esquecer? Esse ano as pessoas do time da Grifinória iam sair. E tinham que escolher um novo capitão. Mas logo se desanimou. Lembrou-se que tinha sido expulso do time de sua casa no ano anterior pela Umbridge.
Houve um momento de silêncio enquanto todos examinavam suas cartas, mas este foi quebrado por um gritinho agudo de Gina
- Sou monitora! Sou monitora! – gritou Gina correndo pela cozinha mostrando o distintivo com um “M” e um leão dourado à mãe.
Enquanto Gina discutia com a Sra. Weasley qual seria o seu presente, Harry voltou sua atenção para o próprio envelope, que estava muito mais volumosa que o normal.
- Abra logo, Harry! – disse Hermione que já acabara de verificar a sua carta.
- Ok – disse Harry abrindo o envelope e examinado com extrema cautela as cartas que haviam ali.
A primeira tinha todas as informações de sempre. A segunda era referente à lista de materiais. A terceira continha um distintivo e dizia assim:
Caro Sr. Potter,
Conforme o pedido do Ministério da Magia, mais dois monitores do sexto ano foram escolhidos para serem os novos monitores. É claro que ainda convocaremos mais quatro monitores do quinto ano. Serão quatro monitores de cada ano, a partir do quinto. Estamos enviando o seu distintivo em anexo.
Que tenha um ótimo regresso.
Atenciosamente,
Minerva McGonagall
- Sou monitor também! – disse ele tentando fazer cara de surpresa.
- Ah! Que bom Harry! – disse Hermione fazendo uma cara de surpresa que não engana ninguém. Mas para disfarçar a garota se pendurou mais uma vez no pescoço de Harry, que notou que seu envelope ainda tinha certo volume. Quando Hermione o largou, ele conferiu o envelope mais uma vez. Ainda restara uma quarta carta.
- Ei. Tem mais uma carta! – disse ele.
- Leia logo – disse Hermione.
- Em voz alta – sugeriu Gina.
Harry começou a ler em voz alta:
Caro Sr. Potter,
Sabemos que o senhor foi expulso do time de Quadribol da Grifinória no ano passado por agredir um aluno. Mas devemos levar em conta que o Sr. Malfoy também agrediu ao senhor e aos Weasley. Então, o convocamos novamente para retomar o seu posto de apanhador do time da Grifinória e para ser o capitão do mesmo.
Esperamos que esteja ciente de que estamos sem um time. Precisamos de dois novos artilheiros (a Srta. Weasley pode assumir um dos cargos de artilheiro) e os batedores.
Que tenha um ótimo regresso.
Atenciosamente,
Minerva McGonagall
- Nossa Harry! Quanta sorte! – disse Hermione agora surpresa de verdade.
- Pronto. Decidido! Mamãe, eu quero uma vassoura nova! – disse Gina.
- Tudo bem Gina. Mas eu sinto em dizer a vocês que esse ano as coisas estão muito difíceis e não vai dar para eu ir com vocês até o Beco Diagonal comprar o material – disse a Sra. Weasley que parecia escolher as palavras. – E... Bom... Você, o Rony, a Luna e o Neville, vão passar a semana na casa de Fred e Jorge. Assim vão poder comprar o material com mais calma.
- Mas e Harry e Mione? – perguntou Gina.
- Eles vão depois. Não vai dar para todo mundo – explicou a Sra. Weasley.
- Dá sim, mamãe. A casa é enorme – comentou Gina. – Não é, Mione?
A Sra. Weasley lançou um olhar à Hermione, que entendeu.
- É, sim. Mas só que têm as namoradas deles também. Não vai dar para todo mundo.
- Gina, ninguém quer sair do conforto para ir para um lugar apertado – disse a Sra. Weasley calmamente.
- Tudo bem. Mas eles vão depois, não vão?
- Calma Gina. Nós vamos sim. Não se preocupe. – disse Hermione com calma.
- Muito bem. Harry, querido, será que você poderia acordar o Rony, a Luna e o Neville e chamá-los para tomar café? – perguntou a Sra. Weasley.
- Ok – respondeu Harry se levantando e saindo do aposento.
Harry caminhou pelo corredor silenciosamente e subiu as escadas até o segundo patamar. A porta da sala de visitas ainda estava entreaberta. Harry entrou e foi em direção ao sofá onde Rony e Luna estavam dormindo.
- Rony, Luna... – chamou Harry. – Levantem.
- O quê? – perguntou Rony com uma cara de quem não dormia há dias.
- A Sra. Weasley está chamando vocês para tomarem café. Acho que ela quer falar com vocês também – explicou Harry.
- A gente dormiu aqui foi? – perguntou Luna que parecia estar confusa e não se lembrar do que aconteceu nas últimas horas.
- Foi. E os dois dormiram pouco tempo antes de eu, a Gina e a Mione descermos – disse Harry.
- Como você sabe? – perguntou Rony.
- A Gina disse que quando ela saiu daqui vocês ainda estavam acordados. Mas quando a gente passou aqui de novo, vocês estavam dormindo – Harry riu ao se lembrar da cena. – Você estava deitado no colo da Luna e ela com a mão na sua cabeça. Parecia que estava fazendo carinho... – Harry riu de novo e Rony deu uma tapa fraca nele. Os dois continuaram rindo.
Poucos minutos depois, estavam todos na cozinha.
- Do que é que vocês estão rindo? – perguntou Rony às garotas.
- Nada, Rony – disse Gina.
- É, Rony, coisas de garota. – completou Hermione.
Harry também riu.
- Bom, eu vou tomar banho – avisou Harry saindo da cozinha. Estavam todos de roupão ainda.
- Eu vou também – disse Gina.
- Gina, minha filha, faça o favor de chamar o Neville. O Harry deve ter esquecido ele – A Sra. Weasley pediu.
- Ok, mamãe – disse Gina saindo da cozinha.
Quinze minutos depois, Neville já estava na cozinha e a Sra. Weasley começou o discurso que havia feito para Harry, Gina e Hermione.
- Muito bem. Rony, Luna e Neville... Como não estavam aqui antes, eu resolvi falar logo para os outros e avisar depois a vocês. As cartas de Hogwarts chegaram e eu tenho um aviso importante para dar – disse a Sra. Weasley entregando as cartas. – Antes de abrirem, por favor, prestem atenção.
- Rony. Abre isso depois... Preste atenção ao que sua mãe vai dizer – disse Hermione quando viu Rony começar a abrir a sua carta.
Rony levantou a cabeça e olhou para a mãe.
- Bom... Esse ano eu não poderei ir com vocês até o Beco Diagonal. Estou muito ocupada com a Ordem. Ela nunca esteve tão cheia antes! Mas vocês três e a Gina, vão passar a semana na casa de Fred e Jorge no Beco Diagonal – disse a Sra. Weasley que fez uma pausa. Mas Rony não questionara como ela imaginara que faria, então prosseguiu. – Harry e Hermione não vão poder ir com vocês. Pelo que Fred me informou, a casa vai estar cheia por alguns dias e não iriam caber todos vocês lá.
- Mas quem vai comprar o material de Harry e Mione? Eu? – perguntou Rony.
- Claro que não Rony! – exclamou Hermione indignada. – Mas não se preocupe... Daremos nosso jeito!
- Tudo bem. Posso subir? – perguntou Rony.
A Sra. Weasley não respondeu. Apenas acenou com a cabeça e voltou a atenção para o fogão.
- Não se preocupe, Sra. Weasley. Eles vão saber se cuidar sozinhos – disse Hermione.
- Não é essa a minha preocupação. Estou preocupada com essa guerra toda mundo afora e todos vocês fora de casa, sem nenhum adulto responsável para cuidar de vocês – disse a Sra. Weasley.
- É... Hum... Sra. Weasley, eu vou ver se o Harry já terminou o banho.
- Tudo bem, querida. Pode ir – disse a Sra. Weasley maternalmente.
Quando Hermione chegou ao quarto, ele estava vazio. Mas era provável que todos estivessem no quarto de Bicuço, ao julgar pela barulheira no andar de cima. Hermione foi tomar banho e quando terminou resolveu pegar um livro para ler junto aos outros que estavam no quarto de Bicuço.
Quando Hermione chegou ao patamar de cima, escutou a campainha tocar e vozes tensas e nervosas cochichavam. Logo se interessou em ver quem era, mas antes resolveu chamar Harry. Ela entrou no quarto. Rony e Gina estavam jogando Xadrez de Bruxo; Luna, Neville e Harry estavam disputando uma incrível partida de Snap Splosivo.
- Hum... Harry... Será que você pode vir um instante comigo? – perguntou Hermione.
- Claro! – disse ele voltando-se para a amiga. – Neville, Luna... eu já volto.
- Ok – responderam os garotos em uníssono.
Hermione levou Harry para fora do quarto.
- Harry, alguma coisa aconteceu. Chegaram algumas pessoas aí. E pelo que eu ouvi estão nervosas – disse Hermione com a voz tremida.
- Calma – disse Harry abraçando a garota e passando a mão sobre seus cabelos. – Vamos ver se descobrimos alguma coisa. Vem comigo.
Harry segurou firme na mão da amiga e os dois desceram silenciosamente para não chamar atenção. Notaram que a porta do escritório estava fechada. Harry fez a menção de abrir a porta, mas Hermione o impediu.
- Psiu! Não! Assim eles vão saber que estamos aqui – sussurrou ela.
Hermione encostou o ouvido na porta e Harry fez o mesmo.
- ... Aqui! Foi encontrado morto quando chegava ao seu gabinete no Ministério – disse a voz de Snape.
- Alvo, quem faria uma barbaridade dessas? – perguntou a voz tensa da professora McGonagall.
- Ainda não sei Minerva. Não descobrimos muita coisa, mas pelo que sabemos ninguém mataria alguém como ele sem nenhum motivo. Achamos que tenha sido um Comensal da Morte – disse a voz calma de Dumbledore.
- Como isso foi acontecer? – desta vez Harry não reconheceu a voz.
- Lupin, recebi ainda a pouco, uma mensagem do Arthur. Ele me enviou um Profeta Diário. Tome aqui... – ouviu-se a voz de Dumbledore mais uma vez.
Houve um momento de silêncio, e um bate-bate na janela informou aos garotos que uma mensagem acabara de chegar. Hermione reconheceu ser a coruja que entregava o Profeta Diário. Ela abriu a janela cuidadosamente e soltou o jornal da perna da coruja.
- Ah, não! Estou sem dinheiro aqui... E agora? – perguntou Hermione.
- Não, Harry. Fique... – disse Hermione.
Mas Harry foi até a coruja e jogou o nuque dentro da bolsinha e a coruja se foi.
- Acho que talvez seja mais importante lermos o jornal – disse Harry. – Quem você acha que morreu?
- Harry, isto não é óbvio? – perguntou Hermione indignada, com uma expressão que misturava aflição e incredulidade. – Cornélio Fudge. Somente o ministro da Magia tem gabinete próprio no Ministério.
- Como você sabe disso? – perguntou Harry já imaginando a resposta.
- Eu li no... Ah! Deixa pra lá! Vamos ler o jornal lá na sala de visitas. Aqui não é muito seguro.
Os dois subiram para o primeiro patamar. Hermione e Harry adentraram na sala e fecharam a porta. Hermione se sentou na poltrona e colocou o livro sobre as pernas.
- Transfiguração Avançada?! Quando foi que você comprou isso? – perguntou Harry tirando a atenção do jornal.
- Comprei ontem no Beco Diagonal – respondeu Hermione.
- Para quê você quer isso, exatamente? – perguntou Harry intrigado.
- Estive pensando em estudar animagia. Mas não queria fazer isso sozinha e não achei ninguém que esteja interessado – disse Hermione com simplicidade.
- Espera aí! Você quer virar um animago e, ainda por cima, ilegal? – perguntou Harry incrédulo.
- Bem... É! – disse Hermione corando.
- Eu não acredito no que estou ouvindo – disse Harry quase rindo.
- E nem eu no que estou pensando em fazer – disse a garota e os dois riram.
Os dois finalmente voltaram a atenção para o jornal ainda dobrado em cima da mesinha.
- Leia você Mione – disse Harry.
Hermione pegou o jornal e abriu. A manchete era exatamente o que ela imaginara.
MINISTRO DA MAGIA É ASSASSINADO
Hoje pela manhã, o ministro da Magia, o Sr. Cornélio Fudge (76), foi morto quando chegava à sua sala no Ministério da Magia. Alguns funcionários do Ministério que trabalham no andar onde fica o gabinete do ministro, disseram não ter visto ou escutado som nenhum. No local não foram encontrados manchas de sangue e no corpo do Sr. Fudge, nenhum sinal de agressão.
Próximo ao Departamento de Mistérios, onde também fica a sala onde o ministro trabalhava, foi encontrado um rato de esgoto e próxima a cabine telefônica que dá acesso ao Ministério, uma mulher toda encapuzada, que alguns diziam ser a Belatriz Lestrange, foi vista pela última vez.
Estes poderiam ser indícios do crime, mas não se tem nenhum registro de um animago em forma de rato e a mulher não foi vista depois do assassinato.
Essa foi realmente uma grande perda para o mundo mágico, a morte do Sr. Fudge. Qualquer informação que possa ser útil ao Ministério e ajude a desvendar quem foi o autor desse homicídio, favor entrar em contato com o Departamento de Aurores do Ministério.
- Não falei? – disse Hermione.
- Pedro Pettigrew estava lá! – disse Harry. – Foi ele quem matou Fudge.
- É. Eu sei disso, mas será que a tal mulher é a Belatriz mesmo?
- Alguém deve ter deixado o Rabicho lá. Ele tinha que entrar em forma de rato e não poderia digitar a senha para entrar no Ministério – disse Harry, como se aquilo fosse a coisa mais óbvia na face da Terra.
- Hum... Levando em conta isso, até que é uma forma de explicar o porquê de a Belatriz ter ido até lá – disse Hermione pensativa.
- Mione, eu vou descer, ok? Ficar com o pessoal, antes que eles comecem a desconfiar. Qualquer coisa me chama, ok? – disse Harry.
Hermione concordou com a cabeça e voltou a atenção para o jornal.
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- Hum... Luna, será que você poderia vir comigo para eu falar com você? – perguntou Rony.
- Ah! Claro. O que foi? – disse Luna levantando.
- Luna, eu... Eu precisava contar uma coisa para alguém e acho que você é a única pessoa que pode me dar respostas – disse Rony.
- Eu? – perguntou a garota sem entender.
- É, você! – exclamou Rony. – É... bem... É que eu acho que estou gostando de... de uma garota.
- Ah! É isso que você queria me dizer? Então aqui tem sua resposta: isso não é novidade para ninguém! Todo mundo sabe que você gosta da...
- Não é da Mione que eu estou falando! – exclamou Rony, interrompendo-a.
Luna observou o garoto com certa curiosidade. Os dois estavam cada vez mais próximos... Dava para sentir a respiração do outro, o batimento acelerado do coração... Todos os pensamentos se esvaíram lentamente da cabeça dos dois... As pontas do nariz estavam quase se encostando e...
- É de você que eu estou falando – disse Rony acariciando o rosto da garota. – Nunca pensei que diria isso, mas eu não sei...
- Rony, não sei se posso... – começou Luna.
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Na hora do almoço, todos estavam presentes, menos Harry, Rony e Luna.
- Alguém sabe desses três? – perguntou a Sra. Weasley colocando a mesa.
- Sra., Weasley, eu não sei onde o Harry está, mas imagino... – disse Hermione.
- Então vá logo chamá-lo! Ele tem que vir comer! – disse a Sra. Weasley.
- Mamãe, o Rony e a Luna estavam jogando xadrez lá no quarto do Bicuço quando nós descemos. – informou Gina.
- Ótimo! Gina, vá chamar eles também.
Hermione e Gina saíram da cozinha e subiram as escadas. Hermione ficou no terceiro patamar enquanto Gina continuou a subir.
- Nos encontramos lá em baixo – disse Hermione entrando no quarto.
- Ok – respondeu Gina.
Hermione fechou a porta. E virou-se para ver se Harry estaria ali e viu o garoto deitado na cama. Estava dormindo. Hermione se ajoelhou ao lado da cama. Acariciou o rosto do garoto. Era tão lindo dormindo... Mas então se lembrou para quê estava ali.
- Harry, a Sra. Weasley está te chamando para almoçar. – disse Hermione quando conseguiu acordá-lo.
Ele se levantou e os dois desceram. Quando chegaram à cozinha todos já estavam sentados esperando a comida.
- Sente aqui, Harry, querido – disse a Sra. Weasley mostrando o lugar vazio.
- Ok – Harry se sentou entre Luna e Hermione.
A Sra. Weasley colocou o almoço na mesa e todos começaram a comer. A Ordem estava vazia. Pelo que a Sra. Weasley informara, todos haviam saído cedo para trabalhar, mas que voltariam em menos de uma hora para almoçarem. Os garotos não puderam deixar de notar que ela estava mais animada do que pela manhã.
- Mamãe, o que deu na senhora? – perguntou Gina.
- Em mim?! Ora, Gina. Nada! – respondeu a Sra. Weasley calmamente.
- Não mamãe. É verdade! A senhora está estranha, mais animada. O que aconteceu? – perguntou Rony.
- Ah! É que o Gui e o Carlinhos virão passar uns tempos aqui na Ordem conosco. – explicou.
- Que bom! – disse Gina animando-se também. – Quando eles chegam? – perguntou Gina à mãe.
- Hoje à tarde – respondeu.
- Sra. Weasley, quando é que nós vamos para o Beco Diagonal? – perguntou Luna.
- Oh, querida, Fred e Jorge vêm pegar vocês depois de amanhã – respondeu a Sra. Weasley. – Muito bem. Garotos, eu vou arrumar o quarto para quando Gui e Carlinhos chegarem.
- Mamãe, não precisa. Eu e o Neville já arrumamos o quarto – disse Rony.
- Mas eles precisam de uma roupa de cama nova. Aquela está lá há dias! – disse a Sra. Weasley saindo da cozinha.
- Onde é que eles vão dormir no seu quarto? – perguntou Harry.
- Tem dois beliches lá. Eu e o Neville vamos dormir em um e eles no outro – explicou Rony.
- Bom, eu vou subir. Tenho que terminar de ler o livro que eu comprei ontem – disse Hermione que já tinha terminado de comer. – Gina, Harry... Quero falar com vocês depois. Encontrem-me lá no quarto.
- Ok! – disseram os dois, depois que a garota saiu se entreolhando.
- O que será que ela quer com vocês dois? – perguntou Rony confuso.
- Não faço a mínima ideia... – disse Gina se levantando. – Mas vou ver o que é! – e dizendo isso Gina saiu da cozinha.
- Eu também. Depois a gente se fala – disse Harry acompanhando Gina.
- Bem estranho... – murmurou Rony.
Harry e Gina subiram para o quarto onde Mione havia marcado.
- Então, Mione... O que houve?
- Muito bem, antes de qualquer coisa, quero deixar claro que vocês aceitando ou não, não vão comentar isso com ninguém! Entenderam bem? – disse Hermione.
- Ok. Mas o que você quer tanto falar? – perguntou Harry já impaciente.
- Muito bem. Eu já falei com o Harry sobre isso hoje mais cedo, lembra, Harry? – perguntou Hermione.
- Você me falou tantas coisas, que eu acho que vai ser difícil lembrar. Mas se você falar de novo, eu acho que lembro – disse Harry rindo.
- Bom, eu estive pensando em estudar animagia e queria chamar alguém para fazer isso comigo. Tipo os marotos e resolvi chamar vocês dois. O que acham? – esclareceu Hermione.
- Mione, você tem certeza? – perguntou Gina preocupada com a amiga. – Você nunca foi de fazer nada ilegalmente...
- Fiz sim! Muitas coisas que não queria fazer, mas fiz – disse Hermione rindo e lançando um olhar significativo à Harry, que entendeu. – Essa só vai ser mais uma. E ninguém, além de nós, precisa saber.
- Eu estou nessa! – disse Harry. – Mas não vamos correr nenhum risco?
- Não. Eu já li muita coisa sobre isso... – e Hermione começou a explicar tudo.
- Tudo bem – disse Gina. – Também estou nessa!
- Boa Gina! – disse Hermione anotando todos os animais. – Ok! Agora a gente vai seguir todas as instruções. Pelo que eu li, em até oito meses poderemos já poderemos escutar animais. É como o Harry disse, vai ser fácil porque na escola temos vários animais para testar.
Os três continuaram decidindo tudo até a noite cair.
- Vamos descer para jantar. Já conversamos bastante hoje – disse Gina.
- É. Os outros devem estar curiosos para sabe o que a gente tanto conversa! – disse Harry.
- Mas lembrem-se: Nada de contar! Inventem qualquer coisa... Digam que a gente estava fazendo umas anotações e estudando. Pronto! É isso! – disse Hermione.
Os três desceram. Realmente a casa estava lotada!
- Gui! Carlinhos! – gritou Gina correndo para abraçar os irmãos.
- Gina! Que saudades! – disse Carlinhos. – Nove meses longe hein?!
- Que bom que você voltou! – disse Gina.
- Tudo bem, Harry? Hermione? – perguntou Gui apertando a mão dos garotos.
- Harry, o que vocês fizeram a tarde toda? – perguntou Rony.
- Hum... – começou Harry.
- Estávamos fazendo umas anotações para dar à Gina para os N.O.M.’s – interferiu Hermione.
- Hum... A tarde toda?! – fez Rony. – Foram muitas hein?!
- Foram – disse Gina fazendo cara de quem estava cansada. – Mas foi interessante e divertido! – disse ela olhando para Harry e Hermione. Os três riram.
- Não entendi nada... – disse Rony estranhando.
- Hum... Estou morrendo de fome! Vamos comer? – perguntou Gina.
- Vamos. Vamos, Harry? Rony? – perguntou Hermione.
- Ah! – disse Harry. Mas Hermione deu um pisão no seu pé. – Ai! É, vamos! – disse ele olhando feio para amiga. – Doeu – sussurrou ele no ouvido dela.
- Desculpa! – disse Hermione baixinho, olhando pelo canto do olho para o garoto.
E seguiram para a cozinha. Uma das mesas do aposento estava cheia, a outra estava vazia, ocupada apenas por Neville, Luna, Tonks e uma garota que os garotos não conheciam. Ela era alta, tinha os cabelos castanhos e olhos azuis.
- Podemos sentar aqui? – perguntou Hermione.
- Chega mais, Mione! – disse Tonks animadamente. – E aí? Beleza, gente?
Todos confirmaram com a cabeça e se sentaram à mesa.
- Me deixa apresentar a vocês minha prima, Deborah Black – disse Tonks. – Deborah, esses são Harry, Hermione, Gina e Rony.
- Olá! – disse Deborah timidamente. – Tonks, esse aí que é o meu primo?
- É sim. Harry Potter.
- Minha... Minha prima? – perguntou Harry confuso.
- Você não sabia que seu pai e Sirius eram primos? – perguntou Tonks.
- Não! – respondeu Harry.
- Já vi que não era para ter contado – disse Tonks. – Harry, não comenta nada com Dumbledore, não.
- Ok. Mas como ela pode ser minha prima? – perguntou Harry.
- A mãe de seu pai e o pai do Sirius eram primos. Potter é o sobrenome do seu avô paterno. Deborah é filha da irmã do pai do Sirius. Então, Deborah é uma prima distante sua. Sirius também era um primo distante seu – explicou Tonks.
- Então você é minha prima também? – perguntou Harry.
- Isso. Assim como os Weasley e os Malfoy. Mas são todos seus primos distantes – disse Tonks.
- Os Malfoy? Isso está mesmo certo? – perguntou Harry com desgosto.
Eles continuaram conversando. Deborah era uma pessoa bem legal e logo foi se soltando. Ela aparentava ter menos de vinte anos. Mas logo os garotos viram que se enganaram.
- Tenho viste e três. Vocês acharam mesmo que eu tinha menos? – perguntou ela corando.
- Bom, é o que parece. – disse Hermione.
Já passavam das dez quando todos resolveram dormir.
- Boa noite! – disse Deborah quando os garotos anunciaram que iam subir.
---
No outro dia, porém, Hermione levantou cedo na esperança de ter novas notícias sobre a morte de Cornélio Fudge. A coruja do Profeta Diário chegara mais cedo dessa vez. Ela depositou um nuque na bolsinha que a coruja das torres carregava e ela partiu.
Logo na manchete, a foto de um homem alto, negro e careca. Hermione reconheceu ser Quim, um membro da Ordem. Leu a notícia:
NOVO MINISTRO DA MAGIA
Após a morte do ex-ministro, o falecido Sr. Cornélio Fudge, os membros de maior importância no Ministério da Magia, resolveram que não poderiam continuar sem um ministro, mesmo que o autor da morte do Sr. Fudge ainda não tivesse sido encontrado. Os candidatos principais que foram escolhidos para concorrer ao cargo pelas autoridades mágicas foram o Sr. Percival Weasley, antigo assistente Junior do ministro, e o Sr. Quim Shacklebolt, famoso auror do Ministério Britânico.
Foram ao total três audições para decidir qual deles tinha maior chance de governar o mundo mágico nas atuais circunstâncias, em plena Guerra. Os ministros da Bulgária e Irlanda compareceram à assembleia também.
O resultado agradou à maioria da população. Muitos bruxos e bruxas que eram contra Cornélio Fudge, estavam torcendo para que o Sr. Shacklebolt fosse o novo ministro e de fato este ganhou a eleição. Esperamos agora que o nosso novo governo seja mais justo e não esconda a verdade do povo.
Desejamos uma boa sorte ao nosso novo ministro!
Quando Hermione terminou de ler, não acreditou. Releu o jornal várias vezes até ficar tudo registrado. Ela estava surpresa com a notícia. Foi correndo até o quarto.
- Harry! Acorda! – chamou.
- O que foi? – perguntou ele.
- O Profeta Diário chegou! O novo ministro já foi escolhido.
Harry pegou os óculos na mesinha de cabeceira, tomou o jornal na mão da amiga e começou a ler o jornal.
- Não sei por que ele não contou isso para a gente – disse Hermione.
- Quem sabe o resultado foi dado hoje pela manhã e ele ainda não sabe?! – sugeriu Harry.
- É. Você falou uma coisa que eu até pensei, mas será que ele sabia que estava concorrendo? – perguntou Hermione pensativa.
- Isso eu não posso responder... – disse Harry.
- Harry, eu vou deitar para descansar um pouco. Ontem eu não dormi e hoje acordei muito cedo – disse Hermione tirando o roupão e deitando na cama.
Harry depositou o jornal na mesinha de cabeceira e foi para o quarto de Bicuço. |