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8. Corredor das Chamas


Fic: Harry Potter e o Prêmio de Riddle


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Quando a porta de ferro abriu totalmente, Harry pôde ver uma pequena passagem para o nada. Estava tão escuro dentro da passagem, que nada se podia ver.
Harry ascendeu a ponta de sua varinha e chegou mais próxima a entrada, mas não pôde ver nenhuma escada nas laterais da passagem. Hermione decidiu lançar um feitiço incêndio para ver onde era o fundo e se era seguro.

- Não parece ser fundo, mas é melhor a gente descer com cuidado. — Falou Hermione vendo o feitiço bater em algo sólido não muito abaixo deles e depois sumir.

- Não tem escada, como nós vamos descer? —Perguntou Rony olhando lá para baixo como se pudesse ver algo.

- Eu vou e vocês ficam aqui, só temos uma vassoura e não quero arriscar pular daqui. Eu vou descer e vocês me esperam aqui. — Falou Harry já montando na vassoura.

- Podemos fazer o seguinte, você desce e depois a gente convoca a sua vassoura e desce um por um. —Sugeriu Rony.

- Eu não acho que vá da certo. — Falou Hermione pensativa.

- Por quê? — Perguntou Rony.

- Você prestou atenção na história do Harry sobre o dia que ele e Dumbledore foram até a caverna onde encontraram o falso medalhão? — Perguntou Hermione ainda sem desgrudar os olhos da porta.

- Sim, quer dizer, mais ou menos, tenho certeza que você irá nos contar alguma coisa que nem o Harry deve ter reparado. — Falou Rony passando a mão na nunca.

- Ele falou que, quando ele e Dumbledore foram sair da caverna, a porta estava fechada de novo e Harry teve que passar o próprio sangue para sair, então eu acho que depois que um de nós entrar, ela irá se fechar. — Falou Hermione mordendo o lábio inferior.

- Mais um motivo para eu ir sozinho e vocês não se arriscarem a ficarem presos lá dentro pra sempre. —Harry já ia dar o impulso quando, Hermione colocou uma mão em seu braço para impedi-lo e disse olhado no fundo dos seus olhos.

- Você não pode ir sem a gente, você vai precisar de mim para abrir a porta na volta e com certeza você irá precisar do Rony para alguma coisa, você sempre precisa de nós. — Rony olhou estranho ao comentário da amiga, mas não falou nada.

Harry olhou de um para o outro e se odiou internamente, mas decidiu que realmente precisava, não só de um, mas dos dois amigos por perto, pois tinha certeza que sozinho nada conseguiria.

- Vamos então, eu só espero que a Firebolt agüente, vocês comeram muito hoje de manhã... —Brincou Harry fazendo Hermione corar e bufar enquanto Rony ria.

Os três subiram na vassoura de Harry e desceram pelo alçapão da cozinha. Harry temia que a vassoura não agüentasse o peso dos três na volta, e assim como Hermione havia previsto, logo que eles três passaram pelo alçapão a porta de metal se fechou deixando eles no completo escuro.

-Aaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiii! — Harry e Rony ouviram Hermione gritar, mas antes que pudessem fazer alguma coisa eles sentiram grossas cordas os prenderem, enrolando em seus tornozelos e envolta de seu corpo. — É visgo do diabo, mas eu nunca vi um tão grande assim antes, não sei se um simples incêndio vai hunhum...

- Hermione! — Gritou Rony à esquerda de Harry.

Harry não se lembrava muito bem que feitiço Dumbledore usara nos Inferis na caverna do medalhão. Ele se lembrara de Dumbledore falando que eles teriam que invocar as chamas para poderem espantar o frio e as trevas. Invocar as chamas, Hermione lhe mostrara um feitiço parecido, mas qual era?

- Incendiari. — Brandiu Harry rezando para que fosse esse o feitiço certo.

Nesse instante uma língua em chamas saiu da ponta da varinha de Harry iluminando toda as trevas que estava no local. Em baixo deles, tinham grossos cipós se contorcendo como cobras. Ao seu lado Rony fez o mesmo, e como se a língua de fogo fosse um chicote, ele estalou o ar na direção dos cipós que prendiam Mione da cabeça aos pés. Essa caiu inconsciente no chão quando todo o visgo a soltou fugindo das chamas.

Harry guiou suas chamas para que soltassem Rony, e esse correu até Hermione, e depois Harry soltou a si mesmo. Por fim Harry começou a atacar todo o Visgo-do-Diabo, Rony voltou a convocar o chicote de fogo e fez o mesmo.
Em instantes toda a planta estava rompendo em chamas.

- Por aqui. — Gritou Harry para Rony indicando uma passagem na parede logo atrás dele. — Corre se não vamos morrer queimados.

Rony, carregando Hermione, passou correndo por Harry que ainda mantinha as chamas acesas para terminar de destruir todo o visgo.

- Como a Mione está? — Perguntou Harry ao ver a amiga desacordada.

- Não sei, não está respirando... — Falou Rony chegando o ouvido perto do nariz da garota. — Mas ainda tem pulso. — Completou tomando o pulso dela.

- Ela ficou muito tempo sem respirar, você conhece algum feitiço para isso? — Perguntou Harry aflito.

-Não, ela sempre socorre a gente, eu não conheço nada, como eu sou burro, devia ler mais que nem ela... — Choraminga Rony com Hermione nos braços.

- Enevarte. — Gritou Harry. — Não adianta... e vai adiantar muito menos você ficar se lamentando, vamos de métodos trouxa mesmo.

Rony levantou a cabeça sem entender nada.

- Respiração boca-a-boca. — Falou Harry como se para Rony isso fosse a coisa mais óbvia. — A gente vai ter que passar o ar pra ela pela boca Rony, eu nunca fiz isso, eu acho que é assim...

- Eu faço. — Adiantou-se Rony e deitando a amiga no chão de pedra fria, respirou fundo e foi em direção a boca dela para tentar passar o ar que estava em seu pulmão.

Quando Rony estava chegando perto, Harry viu que ele fechou os olhos e nesse instante Hermione abriu os dela respirando fundo e desesperadamente até que notou que Rony se aproximava e prendeu a respiração.

- Rony! — Exclamou a garota muito vermelha.

Rony abriu os olhos e se levantou de um pulo, ficou muito vermelho e Harry achou melhor apagar as chamas para que os amigos o notassem ali e para que nenhum dos três ficasse muito constrangido.

- Lumus. — Murmuraram os três.

- Nós não sabíamos o que fazer, você não respirava, então eu dei a idéia de fazer respiração boca-a-boca. — Falou Harry levantando a varinha como se procurasse algo por ali.

- Tudo bem, era só vocês tentarem o Enevarte algumas vezes que minha respiração voltava. — Falou Hermione se levantando aos poucos.

- O Harry tentou uma vez, mas como não deu certo e a gente não sabia mais nada... — Comentou Rony, como que para se justificar.

- Agora vocês já sabem e assim que sairmos daqui, vamos pegar alguns livros de primeiros socorros, nós temos nos concentrado demais em batalhas e temos nos esquecido do que vem depois delas. — Falou Hermione também erguendo a varinha para procurar alguma coisa sob o fino feche de luz.

- Vamos por aqui. — Disse Harry.

- Como você sabe que é por aí? Tem outra passagem aqui. — Falou Hermione apontando em ma direção.

- E outra aqui. — Falou Rony apontando outra.

- Rony essa é a saída, e Mione eu não sei como dizer, mas eu sinto que é por aqui. — Acrescentou Harry olhando para a amiga antes de seguir o caminho por ele indicado.

- Há quanto tempo aquele Visgo-do-Diabo deve estar aqui? — Perguntou Hermione seguindo logo atrás de Harry.

- A uns dois anos e meio mais ou menos. — Falou Harry.

- Como você sabe? — Perguntou Rony.

- Se estivermos certos do que tem aqui dentro, Tom só pode ter colocado aqui depois de ressurgir, já que o dia que ele encontrou essa casa dos meus pais ele desapareceu, não dava para ele ter colocado antes. Então, posso afirmar que ele voltou aqui depois que ressurgiu. — Concluiu Harry ainda andando sem nem se guiar muito pela luz da varinha e sim pelo estranho sentimento que tomava conta dele.

- O que você está sentindo Harry? — Perguntou Hermione com a voz muito preocupada.

- Não sei explicar, começou lá no meu quarto, ou melhor, quando eu olhei para a casa. É como se eu pudesse ver o que se passou aqui, mas não com os olhos, — Nem mesmo Harry entendia o que dizia.— é como se eu pudesse captar os sentimentos mais marcantes e mais poderosos que já passaram por essa casa.

- Eu também me senti meio estranho quando vi essa casa, um mau pressentimento. — Falou Rony. — Quase como isso que você descreveu Harry.

- Será que nós já estamos captando o uso de magia das trevas? — Perguntou Hermione. — Eu também não estou me sentindo muito bem aqui, sinto toda hora um frio na espinha.

- Talvez seja porquê aqui tem mais magia das trevas concentrada do que a gente já presenciou em qualquer outro lugar. — Falou Harry caminhando.

Depois de caminharem por um longo tempo, Harry parou bruscamente e Hermione trombou nele e Rony, por sua vez, nela.

- Por que você parou? — Perguntou Hermione ao que Harry apontou com a varinha a parede e Hermione um archote apagado.

- Tem mais um logo à frente e eu suponho que devem ter mais ao decorrer dessa parede. — Falou Harry.

- Devemos acender? — Perguntou Hermione com temor na voz.

- Não sei, seria fácil demais, Dumbledore me falou que Tom gostava de amedrontar as pessoas, as trevas amedronta muita gente e seria fácil demais com archote por todos os lados. — Falou Harry tentando imaginar o que Dumbledore faria se estivesse ali.

- Eu acho que deveríamos tentar acender, alguns pelo menos. — Falou Rony.

- Não sei se seria seguro. — Hermione tinha muito receio na voz.

-Eu concordo com os dois. — Falou Harry sério. — Dumbledore com certeza me mandaria acender, às vezes Tom gosta tanto de mostrar o que sabe que se esquece das coisas simples. Incendiari. — Harry começou a acender todos os archotes, até que chegou ao último da parede à direita e pode ver o largo corredor.

Na parede da esquerda também tinha archotes colocados na mesma posição da parede oposta e no final do corredor Harry pôde ver dois objetos: um parecia ser uma taça comum, mas o outro tinha um formato de um cálice com duas asinhas finas nas laterais.
Era a taça de Helga Hufflepuff.

- Devemos acender os outros? — Perguntou Hermione.

- Já é o bastante. — Falou Harry pensando no que aconteceria.

- Acho que alguém discorda. — Gritou Rony apontando com a mão trêmula.

Harry e Hermione se viraram para ver, os archotes que Harry havia acendido agora projetavam para a parede oposta, fortíssimas rajadas de fogo para os archotes correspondentes do outro lado.
Hermione em desespero, correu os olhos para as costas deles e Harry seguindo a amiga, viu que atrás deles também haviam archotes acesos agora, e estes estavam também soltando labaredas.

- O que vamos fazer agora? — Perguntou Hermione com a mão na boca olhando de um lado para o outro, eles estavam bem entre duas labaredas.

- Primeiro: Nox. Agora não temos mais que nos preocupar com a escuridão, e segundo vamos tentar descobrir um jeito de passar pelas chamas para ir até o final do corredor e voltar. — Disse Harry se sentando com as pernas cruzadas no chão.

- Por que a gente tem que ir até o final do corredor? Por que a gente não pode simplesmente voltar? — Perguntou Hermione.

- Porque no final do corredor temos uma Horcrux. — Falou Harry e Hermione limitou-se a fazer uma cara de compreensão.

- Como você acha que a gente vai passar pelo fogo? — Perguntou Hermione se sentando ao lado do amigo.

- Aguamenti. — Falou Rony projetando da sua varinha um fraco jato d’água.

- Boa Rony! Pena não ter dado certo. —Acrescentou Harry ao ver que a chama continuava forte, apesar de Rony continuar a mandar água nela.

- Isso aqui tá muito parecido com os desafios da pedra filosofal, só faltou o xadrez pra ficar mais emocionante. — Comentou Rony.

- É isso Rony, você é um gênio. — Falou Hermione ficando de pé.

- O gênio aqui é você Mione, eu só tô aqui pra fazer o resto, à parte de pensar fica todinha pra você. — Falou Rony se escorando na parede com os braços cruzados encarando a amiga.

- O último desafio da pedra filosofal era o de poções, o Enigma das Poções, — Começou Hermione. — Você se lembra que a gente tinha que tomar uma poção para poder atravessar o fogo Harry?

- Sim, não me diga que você sabe fazer aquela poção? — Perguntou Harry com o queixo caído.

- Depois daquele dia, eu peguei um livro de poções e procurei por ela só por curiosidade. — Falou Hermione sorrindo.

- Você pode fazê-la? — Perguntou Harry.

- Claro. — Falou Hermione prontamente conjurando um kit de poções e misturando alguns ingredientes. — Isso vai levar uma meia hora mais ou menos.

- Não se preocupe, a gente fica aqui te fazendo companhia. — Brincou Rony.

- A gente promete que não vai a lugar nenhum enquanto você não terminar. — Completou Harry.

Hermione limitou-se a sorrir para os garotos e se concentrou na poção que preparava.
Harry ficou imaginando que até ali estava fácil demais, o que mais esperava por eles?

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