Andei mais um pouco pelos corredores e as pessoas ainda me olhavam de cima a baixo, me irritando profundamente.
- Granger, você pode entregar ao Potter? - disse um aluno da Corvinal do terceiro ano corando.
- Tudo bem. - eu disse sorrindo.
Resolvi voltar para o Salão Comunal e esperar por Gina e Harry lá.
- Harry! Gina! - eu gritei e fui correndo até eles. - Cheguei há umas duas horas, dei um pulinho lá embaixo para visitar Hagrid e Bicuço, quero dizer, Asafugaz. Tiveram um bom Natal?
- Tivemos - Rony respondeu me olhando de cima a baixo. - Bem movimentado, Rufo Scrimgeour...
- Tenho uma coisa para você, Harry - falei sem olhar para Rony, fingindo não tê-lo ouvido. - Ah, calma aí, a senha. Abstinência.
- Exatamente - confirmou a Mulher Gorda e girou abrindo o buraco do retrato.
- Que é que ela tem? - perguntou Harry.
- Aparentemente exagerou no Natal - disse dando de ombros e abrindo caminho para a sala comunal cheia de alunos. - Ela e a amiga Violeta acabaram com aquele vinho no quadro dos monges bêbados junto ao corredor de Feitiços. Então...
Mexi no meu bolso e lhe entrei o pergaminho de Dumbledore.
- Legal - exclamou Harry abrindo o pergaminho. - Tenho um monte de coisas para contar. Vamos sentar...
Naquele momento ouvi um guincho de "Uon-Uon!", e Lilá Brown apareceu correndo, ninguém sabe de onde, e atirou-se nos braços de Rony. Soltei uma risada tilintante e disse:
- Tem uma mesa ali adiante... Você vem, Gina?
- Não, obrigada, prometi me encontrar com o Dino - ela respondeu me lançando um olhar triste.
Harry me conduziu até uma mesa vazia.
- Então, como foi o Natal? - ele me perguntou.
- Ah, bom - hesitei um momento em contar a Harry tudo o que havia acontecido lá em casa com Ária e tudo mais, mas percebi que não seria tão divertido contar a Harry como seria para Gina. - Nada especial. E como foi na casa do Uon-Uon?
- Conto num minuto - disse Harry. - Olhe, Hermione, será que você não pode...
- Não, não posso - respondei tentando por um ponto final na conversa. - Por isso nem me peça.
- Pensei que talvez, sabe, durante as férias de Natal...
- Foi a Mulher Gorda que bebeu um barril de vinho de quinhentos anos, Harry, e não eu. - eu realmente não queria que o assunto se prolongasse então resolvi mudar de assunto. - Então, que notícias importantes eram essas que você queria me contar?
Harry me disse o que havia escutado Malfoy e Snape falarem, eu não pude deixar de me sentir estranha ao ouvir aquele nome, mas mesmo assim eu tinha que proteger o Malfoy, então fingi que não estivesse acontecendo nada e apenas me fiz de desentendida.
- Hermione, você está muito bonita. - Harry disse corando quando eu estava subindo em direção ao meu quarto.
- Obrigada Harry. - agradeci e subi para meu quarto. Na manhã seguinte vesti meu uniforme customizado por Ária [http://www.polyvore.com/hermione_granger/set?id=64196310]. Tenho que admitir que me senti desconfortável ao me olhar no espelho usando o uniforme daquele jeito.
Por fim coloquei uma maquiagem leve sempre reforçando o contorno dos olhos, assim como minha prima havia me ensinado e desci para o Salão Comunal. Mais uma vez eu vi muitas pessoas olharem em minha direção e percebi que havia um grupo de pessoas a um canto da sala. Estava anunciando que haveria novas aulas de aparatação para os alunos que iriam fazer dezessete anos até o dia 31 de agosto, com um custo de doze galeões.
Inscrevi-me para as aulas depois de Harry e Rony, bem a tempo de ver Lilá chegando para começar mais uma de suas sessões de beijo com Rony. Aquilo me irritava, eu sabia que Rony só estava com ela porque Gina havia brigado com ele dizendo que só ele não ficava com ninguém. Tentei me afastar deles discretamente, mas Harry me viu e veio atrás de mim. Percebi que Rony também vinha então fui conversar com Neville. Depois de um tempo encontrei Gina e comecei a contar a ela sobre o Natal e o Ano Novo.
- Mi, eu quero conhecer essa sua prima Ária também, se ela fizer uma transformação dessas em mim vou ficar muito feliz.
- Você não precisa disse Gi.
- Para com isso, muitas pessoas só falam de você pela escola toda, principalmente os meninos.
- Ouvi até alguns sonserinos dizerem que não se importam mais com seu sangue que se for para poder te beijar vai valer a pena. - Gina e eu começamos a rir, realmente era muito estranho o fato de ser falada desse jeito pela escola.
Apesar de tudo o dia se seguiu normalmente, tirando o fato de muitos dos meninos solteiros de Hogwarts darem em cima de mim.
No dia seguinte Harry me contou sobre o que Dumbledore havia lhe mostrado na penseira e eu decidi esquecer de vez tudo o que Malfoy havia me falado e começar a ajudar o Harry. Decidi também não deixar Harry me vencer tão fácil em poções, aquele príncipe mestiço realmente era bom, isso eu não podia negar, mas eu também sou. Então decidi mostrar que Hermione Granger ainda podia ser a melhor em poções.
Decidi me afastar de Harry e Rony na aula de poções e fiquei perto de Ernesto. Quando Slughorn me perguntou sobre a Terceira Lei de Golpalott eu respondi rapidamente antes que alguém me interrompesse.
- A-Terceira-Lei-de-Golpalott-diz-que-o-antídoto-para-uma-mistura-venenosa-será-maior-do-que-a-soma-dos-antídotos-para-cada-um-de-seus-elementos.
Sorri triunfante depois de falar explicar a Lei de Golpalott, eu sabia que na teoria eu ainda era a melhor, pois Harry só conseguia se dar bem na prática com a ajuda do livro.
Para minha maior alegria, Slughorn pediu para criarmos um antídoto para o veneno que tinha no frasco.
- É uma pena que o Príncipe não vá lhe adiantar muito, Harry - eu disse animada ao me levantar para pegar o frasco na mesa do Slughorn. - Desta vez é preciso compreender os princípios envolvidos. Não existem atalhos nem colas!
Eu comecei a trabalhar na minha poção e a cada vez sorria ainda mais, pois eu via que a poção de Harry que estava sendo copiada por Rony estava um verdadeiro fiasco, diferente da minha que já estava quase pronta, eu sabia que eles olhavam para minha poção com a intenção de copia-la então fazia feitiços não-verbais.
Slughorn avisou que só faltavam dois minutos, eu já havia separado minha poção em vários frascos e vi de relance Harry procurando alguma coisa no armário, ele com certeza estava apavorado.
Ninguém havia conseguido terminar a poção e eu ainda tentava colocar mais alguns ingredientes dentro de um frasco, mas parei de coloca-los quando ouvi a voz de Slughorn.
- E você, Harry. O que tem para me mostrar? - Slughorn perguntou a ele e Harry estendeu a mão com um... bezoar? Ao que Slughorn começou a rir. - Você é atrevido, rapaz!
O professor ergueu no ar para que a turma toda visse o bezoar e completou.
- Ah, você é como sua mãe... Bem, não posso dizer que está errado... Um bezoar certamente agiria como antídoto para todas essas poções!
Eu não podia acreditar meu antídoto ainda não estava pronto, mas eu com certeza havia tido muito mais trabalho que ele. Fiquei furiosa e perguntei a Harry entre os dentes.
- E você pensou no bezoar sozinho? Foi Harry?
- Esse é o espirito individual imprescindível a um verdadeiro preparador de poções - Slughorn disse alegre, antes que Harry pudesse responder, me deixando ainda mais brava. - Igualzinho à mãe, Lílian tinha a mesma compreensão intuitiva do preparo de poções, sem dúvida ele herdou da mãe... Certo Harry, certo. Se você tivesse um bezoar à mão, é claro que resolveria, mas como bezoares não servem para tudo e são bem raros, ainda vale a pena saber preparar antídotos...
Olhei pela sala e vi que Malfoy também estava muito bravo e havia derramado sobre si sua poção que lembrava muito vomito de gato. Voltei meus pensamentos à poção e sai da sala irritada que por sorte o sinal de termino da aula acabado de tocar.