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32. As memórias de Severo Snape


Fic: Os segredos de Draco Malfoy


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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 Harry ouviu passos e logo após, foi empurrado e caiu no chão. Ele estava se preparando para atacar quando viu professor Snape caído no chão com uma presa de basilisco enorme fincada no braço, perto do ombro. Ele gemia. Harry viu uma figura encapuzada virando o corredor dos fundos.
   
  - Professor! - Harry correu e agaixou-se ao lado de Snape - O que houve com o senhor?
  - Fui envenenado. - ele disse com a voz fraca - Se não fosse por mim, teria sido você. Aquele era Igor Karkaroff. Você o conhece, claro. Ele retornou para Voldemort, por medo... Ele queria ser recompensando por Lord das Trevas por eliminar você. Eu não podia deixar você morrer, Potter.
  - Por que, professor?
  - É importante que você veja as lembranças que estão no frasco que Dumbledore lhe deu - Snape pediu.
  - Não há tempo para explicações, Potter. - Snape disse, bem fraco - O veneno de basilisco não demorará 5 minutos para se espalhar por todo o meu corpo, já que foi injetado na corrente sanguínea, por isso, preciso que me ouça. Tenho um pedido a lhe fazer.
  - Tudo o que precisar. - Harry foi generoso.
  - Olhe para mim. - foi o que Snape pediu.

  Harry olhou para Snape, sem entender direito.

  - Você tem... - Snape estava se esforçando para falar - ... os olhos da sua mãe. 

  Uma lágrima escorreu pelo olho de Snape. Seus olhos pareciam frios. Ele havia partido dessa vida. 

  Harry não estava com tempo para retirar Snape dali. Ele precisava ir mais rápido do que nunca para a sala de Dumbledore.

*

  Hermione e Draco foram juntos para uma direção oposta da que os adultos foram. Por sorte, encontraram com Rony e Gina lutando contra Crabbe e Goyle.

  - Crabbe, Goyle. - Draco disse, autoritário - Seus grandes imbecis! Estão perdendo tempo com gente da Grifinória? Por que não vão se preocupar com o primeiro ano? Eles são fracos.

  Malfoy não havia perdido sua autoridade sobre os grandes bobões que são Vicent Crabbe e Gregory Goyle. Os dois obedeceram e saíram de lá na maior velocidade. O corredor estava tranquilo agora.

  - Rony! Gina! - Hermione correu para abraçar os dois amigos - Vocês estão bem?
  - Estamos, graças a Merlin. - Rony disse.
  - HARRY! - Hermione lembrou-se - Onde está o Harry?
  - Acho que está na sala do Dumbledore! Pelo menos, foi isso que ele me disse.
  - Vamos atrás dele!
  - Não, Hermione! Ele disse para que nós não o seguíssemos.
  - Podíamos ir para a sala precisa, lá é um lugar seguro. - disse Draco, que até então, não havia sido notado.
  - O que ele está fazendo aqui? - Rony perguntou, ríspido.
  - Ronald Weasley, não vá provocar uma guerra dentro de outra. - Hermione disse - É uma boa ideia, Draco. O que acham?
  - Por mim, tudo ótimo. - Gina disse.
  - Por mim também. - Rony disse, cerrando os dentes.
 
  Hermione abriu sua bolsa de contas e retirou a capa da invisibilade de Harry de dentro. Ela não havia pensado que Dumbledore pudesse tê-la colocado lá dentro. Eles entraram debaixo dela e foram até a Sala Precisa.

*

  - Gota de limão? - Harry tentou a senha, mas a gárgula não se moveu - Dumbledore?

  Por sorte, Harry havia acertado. Ele mal esperou a estátua terminar de abrir o caminho e já ia se espremendo pela estreita passagem que ia se alargando aos poucos. Ele correu para a penseira, que já estava exposta, pegou o frasco e despejou o líquido prateado que lhe abrigava. 
  As memórias rodaram, branco-prateadas e estranhas, e sem hesitar, com um sentimento de imprudente abandono, como se isso diminuísse sua torturante tristeza, Harry mergulhou. Ele caiu abruptamente em um lugar ensolarado, e seus pés encontraram o  hão quente. Quando ele se endireitou, viu que estava perto de um playground deserto. Uma única e grande chaminé dominava o distante horizonte. Duas garotas balançavam-se para frente e para trás enquanto um garoto magricela escondido atrás das moitas as observava. Seus cabelos negros muito compridos estavam tão desalinhados que parecia ser de propósito, usando uma calça jeans muito curta, um casaco muito grande e esfarrapado que deveria ter pertencido a um homem adulto e uma estranha camiseta que parecia um avental. Harry aproximou-se do garoto. Snape não parecia ter mais do que nove ou dez anos, e era amarelado, pequeno, fibroso. Seu rosto fino apresentava uma cobiça indisfarçável quando ele
olhava para a mais nova das garotas, que se balançava cada vez mais alto do que sua irmã.
 
  - Não faça isso, Lílian! - gritou a mais velha das duas.
 
  Mas a garota tinha levado o balanço até a maior altura de seu arco e voou no ar, quase que literalmente, lançando-se para o céu com gritos de risadas, e ao invés de se espatifar no asfalto do playground, ela subiu como uma trapezista pelo ar, ficando no alto por muito tempo e aterrissando brilhantemente.
 
  - A mamãe disse para você não fazer isso!
 
  Petúnia parou o seu balanço, fazendo um barulho agudo e arranhado ao fincar os calcanhares das sandálias no chão, e saltou, com as mãos nos quadris.
 
  - Mamãe disse que você não tem permissão, Lílian!
  - Mas eu estou bem. - disse Lílian, rindo. – Túnia, olhe isso. Olhe o que eu posso fazer.
 
  Petúnia olhou em volta. O playground estava deserto, embora as garotas não soubessem que Snape estava ali. Lílian pegou uma flor caída da moita atrás da qual Snape espreitava. Petúnia aproximou-se, evidentemente dividida entre curiosidade e desaprovação. Lílian esperou que Petúnia se aproximasse o suficiente para ter uma boa visão, e então ela abriu a palma da sua mão. A flor, que ali estava, abria e fechava suas pétalas, como uma ostra bizarra cheia de lábios.
 
  - Pare com isso! - gritou Petúnia.
  - Não está te machucando. - disse Lílian, mas Petúnia fechou sua mão sobre a flor e a jogou no chão.
  - Não é certo, - disse Petúnia, mas seus olhos seguiram o vôo da flor ao solo e permaneceram nela. - como você faz isso? - ela acrescentou, em um tom de voz longo e claro.
  - É óbvio, não é? - Snape saiu de trás da moita, não podendo mais se conter. Petúnia gritou e correu para trás dos balanços, mas Lílian, embora claramente assustada, permaneceu onde estava. Snape pareceu se arrepender de ter aparecido. Um pequeno rubor apareceu nas suas bochechas amareladas assim que ele olhou para Lílian.
  - O que é óbvio? - perguntou Lílian.
  
  Snape tinha um ar de nervosa excitação. Com uma olhada na distante Petúnia, agora parada ao lado dos balanços, ele baixou a voz e disse:
 
  - Eu sei o que você é.
  - O que você quer dizer?
  - Você é... você é uma bruxa. - sussurrou Snape.
 
  Ela olhou ofendida.
 
  - Isso não é uma coisa muito agradável de dizer para alguém!
Ela se virou, com o nariz arrebitado, e foi em direção à irmã.
  - Não! - disse Snape. Ele estava muito vermelho agora, e Harry pensou porquê ele não tirou aquele casaco ridículo e enorme, a não ser que fosse para não revelar o avental embaixo dele. Ele adiantou-se em direção às garotas, parecendo ridiculamente um morcego, como a versão mais velha de Snape.
 
  As irmãs o avaliaram, unidas em desaprovação, ambas segurando um dos postes do balanço, como se fosse mais seguro.

  - Você é - disse Snape para Lílian. - uma bruxa. Eu estive te observando por um tempo. E não há nada errado nisso. Minha mãe é uma, e eu também sou um bruxo.

  A risada de Petúnia foi como água fria.

  - Bruxo! - ela gritou, sua coragem retornando agora que ela tinha se recobrado do choque da presença inesperada do garoto. - Eu sei quem você é. Você é o filho do Snape! Eles moram lá embaixo na Rua da Fiação, perto do rio. - ela contou a Lílian, e era evidente pelo seu tom que ela considerava o endereço de baixa recomendação. - Por que você estava espionando a gente?
  - Não estava espionando. - disse Snape, quente e desconfortável, com os cabelos sujos brilhando pela luz do sol. - Nunca espionaria você, de qualquer forma, - ele acrescentou sem se conter - você é touxa.

  Embora Petúnia evidentemente não tivesse entendido a palavra, ela não pode deixar de perceber o tom.

  - Lílian, venha, nós vamos embora! - ela disse agudamente. Lílian imediatamente obedeceu a irmã, olhando para Snape quando partia.
 
  Ele continuou parado olhando-as até que atravessassem o portão do playground, e Harry, o único que restou para observá-lo, reconheceu o desapontamento amargo de Snape, e entendeu que ele estivera planejando esse momento durante um tempo, e tudo tinha dado errado...
  Antes que Harry percebesse, a cena dissolveu-se e reformulou-se ao seu redor. Ele estava agora em uma pequena moita formada por árvores. Ele podia ver um rio brilhando ensolarado através dos troncos. As sombras lançadas pelas árvores formavam uma área de sombra verde e fria. Duas crianças estavam sentadas olhando uma para a outra, com as pernas cruzadas no chão. Snape tinha tirado o casaco agora. Seu estranho avental parecia menos esquisito com pouca luz.

  - ... e o Ministério pode punir você se você fizer mágica fora da escola, você recebe cartas.
  - Mas eu tenho feito mágicas fora da escola!
  - Está tudo certo. Nós ainda não temos varinhas. Eles deixam de te punir quando você é criança e não consegue se controlar. Mas assim que você faz onze anos - ele acrescentou com importância, - e eles começam a te treinar, então você deve tomar cuidado.

  Fez-se um pouco de silêncio. Lílian tinha pegado um graveto e o girado no ar, e Harry sabia que ela estava imaginando faíscas saindo dele. Após, ela largou o graveto, inclinando-se para o garoto, e disse:

  - Isso é verdade, não é? Não é piada? Petúnia diz que você está mentindo para mim. Petúnia diz que não existe Hogwarts. Isso é verdade, não é?
  - É real para nós, - disse Snape. - não para ela. E nós receberemos a carta, você e eu.
  - Verdade? - sussurrou Lílian.
  - Definitivamente. - disse Snape, e mesmo com seu corte de cabelo mal-feito e suas roupas estranhas, ele parecia uma figura estranhamente impressionante na frente dela, entusiasmado com a
certeza de seu destino.
  - E a carta virá realmente por coruja? - Lílian sussurrou.
  - Normalmente, - disse Snape. - mas você é nascida-trouxa, então alguém da escola deverá vir e explicar tudo aos seus pais.
  - E não faz diferença ser nascida-trouxa?

  Snape hesitou. Seus olhos negros, ansiosos no escuro esverdeado, moveram-se pelo rosto pálido e os cabelos vermelhos escuros.

  - Não. - ele disse. - Não faz nenhuma diferença.
  - Que bom. - disse Lílian, relaxando. Estava claro que ela estivera preocupada com isso.
  - Você tem uma grande carga mágica. - disse Snape. - Eu vi isso. Todo o tempo eu fiquei te observando...

  A voz dele apagou-se, ela não estava ouvindo, e esticou-se no chão cheio de folhas olhando para o topo das árvores frondosas. Ele a observava cobiçoso da mesma forma como a observara no playground.

  - Como estão as coisas na sua casa? - Lílian perguntou. Uma pequena sombra apareceu nos olhos dele.
  - Bem, - ele disse.
  - Eles não estão discutindo mais?
  - Ah, sim, eles estão discutindo, - disse Snape. Ele pegou um monte de folhas na mão e começou amassá-las, aparentemente desatento sobre o que estava fazendo. - mas isso não vai durar muito tempo e vou embora.
  - Seu pai não gosta de mágica?
  - Ele não gosta muito de nada. - disse Snape.
  - Severo?

  Um pequeno sorriso voltou à boca de Snape quando ela disse seu nome.

  - Sim?
  - Conte-me sobre os dementadores de novo.
  - Por que você quer saber sobre eles?
  - Se eu usar mágica fora da escola...
  - Eles não te mandam para os dementadores por isso! Dementadores são para pessoas que realmente fizeram coisas más. Eles guardam a prisão dos bruxos, Azkaban. Você não vai terminar lá, você é tão...

  Ele ficou vermelho de novo e picou mais folhas. De repente um pequeno farfalhar atrás de Harry fez ele se virar: Petúnia, escondida atrás de uma arvore, perdeu seu esconderijo.

  - Túnia! - disse Lílian, surpresa e dando as boas-vindas, mas Snape levantou-se de sobressalto.
  - Quem está espionando agora? - ele gritou. - O que você quer?
Petúnia estava sem fôlego, alarmada por ter sido pega. Harry pode ver que ela estava se esforçando para dizer alguma coisa que o machucasse.
  - Então, o que é isso que você está usando? - ela disse, apontando para o peito de Snape. - A blusa de sua mãe?

  Veio um barulho. Um galho que estava acima da cabeça de Petúnia caiu. Lílian gritou. O galho atingiu Petúnia nos ombros, ela cambaleou para trás e caiu no choro.

  - Túnia!

  Mas Petúnia estava fugindo. Lílian voltou para Snape.

  - Você fez aquilo acontecer?
  - Não. - Ele parecia ao menos tempo desafiador e assustado.
  - Fez sim! - Ela estava se afastando dele. - Fez sim! Você a machucou!
  - Não, não, não fiz!

  Mas a mentira não convenceu Lílian. Depois de mais uma olhada mordaz, ela correu da pequena moita atrás de sua irmã, e Snape parecia infeliz e confuso...
  E a cena se reformulou. Harry olhou em volta. Ele estava na plataforma 9 3/4, e Snape estava parado ao seu lado, ligeiramente encurvado, próximo a uma mulher magra, de rosto amarelado e
mal-humorado, que se parecia muito com ele. Snape olhava uma família de quatro pessoas a uma pequena distância dali. As duas garotas estavam um pouco afastadas dos pais. Lílian parecia
implorar algo a irmã. Harry moveu-se para perto delas para escutar.

  - ... Me desculpe, Túnia, me desculpe! Ouça... - Ela pegou a mão da irmã e segurou forte, embora Petúnia tentasse se desvencilhar. - Talvez assim que eu estiver lá... Não, ouça, Túnia! Talvez assim que eu estiver lá, eu possa falar com o Professor Dumbledore e persuadí-lo a mudar de idéia!
  - Eu não quero ir! - disse Petúnia, e ela tentou puxar a mão das mãos da irmã. - Você acha que eu quero ir para um castelo estúpido aprender a ser uma... uma...

  Seus olhos pálidos moveram-se através da plataforma, sobre os miados dos gatos nos braços de seus donos, sobre as corujas que se agitavam e gritavam umas para as outras nas gaiolas, sobre os estudantes, alguns já vestidos com suas roupas negras, carregando as malas para o trem vermelho ou cumprimentando uns aos outros com gritos alegres depois de um verão separados.

  - Você acha que eu quero ser uma... uma aberração?

  Os olhos de Lílian se encheram de lágrimas assim que Petúnia conseguiu puxar sua mão de volta.

  - Eu não sou um aberração. - disse Lílian. - Isso é uma coisa horrível para se dizer.
  - É esse o lugar para onde você está indo, - disse Petúnia com satisfação. - uma escola especial para aberrações. Você e o garoto Snape... esquisitos, é o que vocês dois são. É bom que você seja separada de pessoas normais. É para nossa segurança.

  Lílian olhou na direção dos pais, que olhavam em volta da plataforma com um ar de sincero divertimento, apreciando a cena. Então ela olhou de volta para a irmã, e sua voz era baixa e firme.

  - Você não achava que era uma escola para aberrações quando escreveu para o diretor e implorou que ele te aceitasse.

  Petúnia ficou escarlate.

  - Implorar? Eu não implorei!
  - Eu vi a resposta dele. Foi muito bondosa.
  - Você não deveria ter lido... - sussurrou Petúnia - Era particular! Como você pôde?

  Lílian desviou o olhar meio que olhando para a direção de Snape ali perto. Petúnia ofegou.

  - Aquele garoto encontrou a carta! Você e ele estiveram xeretando no meu quarto!
  - Não, não xeretando. - Agora Lílian estava na defensiva. - Severo viu o envelope e não acreditava que um trouxa pudesse contatar Hogwarts, isso é tudo! Ele disse que devem existir bruxos trabalhando secretamente nos correios que cuidam da...
  - Aparentemente bruxos metem o nariz em todos os lugares! - disse Petúnia, agora tão pálida como tinha ficado ruborizada. - Aberração! - ela xingou sua irmã, e saiu para onde estavam seus pais...

  A cena se dissolveu novamente. Snape se apressava pelo corredor do Expresso de Hogwarts enquanto o trem se aproximava do campo. Ele já vestia as vestes da escola, provavelmente trocadas na primeira oportunidade que encontrou para tirar suas desagradáveis roupas de trouxa. Finalmente ele parou, fora de um compartimento no qual um grupo de garotos barulhentos conversava. Encurvada em um canto ao lado da janela estava Lílian, sua cabeça encostada no vidro. Snape abriu a porta do compartimento e sentou-se no assento oposto ao dela. Ela olhou para ele e voltou a olhar para a janela. Ela estivera chorando.

  - Eu não quero falar com você. - ela disse numa voz contida.
  - Por que não?
  - Túnia me o-odeia. Porque a gente viu a carta de Dumbledore.
  - E daí?

  Ela deu-lhe uma olha de profundo desgosto.

  - Daí que ela é minha irmã!
  - Ela é apenas uma... - Ele segurou-se depressa. Lílian, muito ocupada tentando enxugar os olhos sem que ninguém percebesse, não o ouviu.
  - Mas nós estamos indo! - ele disse, incapaz de suprimir a excitação em sua voz. - É isso! Nós estamos indo para Hogwarts!

  Ela assentiu, esfregando os olhos, mas não pode se conter e quase sorriu.

  - É melhor você ficar na Sonserina, - disse Snape, encorajado já que ela estava um pouco mais alegre.
  - Sonserina?

  Um dos garotos que dividiam o compartimento e que não tinha demonstrado qualquer interesse em Lílian e Snape até então, olhou para o lado ao ouvir a palavra, e Harry, cuja atenção estava focada inteiramente para os dois ao lado da janela, viu seu pai: magro, cabelos negros como Snape, mas com aquele ar indefinível e despreocupado, até adorável, que Snape notadamente não tinha.

  - Quem quer ficar na Sonserina? Eu acho que eu iria embora se isso acontecesse, você também? - Tiago perguntou acenando para o garoto na sua frente, e com choque, Harry percebeu que era Sirius. Sirius não sorriu.

  - Minha família inteira esteve na Sonserina. - ele disse.
  - Nossa! - disse Tiago - E eu achei que você parecia normal!

  Sirius sorriu.

  - Talvez eu quebre a tradição. Onde você quer ficar, caso possa escolher?

  Tiago brandiu uma espada invisível.

  - “Grifinória, onde estão os bravos de coração!” Como o meu pai.

  Snape fez um pequeno barulho depreciativo. Tiago voltou a olhá-lo.

  - Algum problema com isso?
  - Não, - disse Snape, embora seu leve sorriso dissesse o contrário. - Se você prefere ser musculoso ao invés de inteligente...
  - E para onde você espera ir, uma vez que você não parece ser nenhum dos dois? - interpelou Sirius.

  Tiago caiu na risada. Lílian endireitou-se, bastante vermelha, e olhou de Tiago para Sirius com desgosto.

  - Vamos, Severo, vamos procurar um outro compartimento.
  - Oooooo...

  Tiago e Sirius imitaram sua voz arrogante. Tiago tentou passar uma rasteira em Snape quando este passou.

  - Vejo você por aí, Ranhoso! - uma voz chamou, assim que a porta do compartimento bateu.

  E a cena se dissolveu novamente. Harry estava parado bem atrás de Snape e os dois olhavam as mesas das casas iluminadas pela luz de velas, alinhadas com rostos absortos. E então a Professora McGonagall disse:
 
  - Evans, Lílian!

  Ele observou sua mãe, com as pernas tremendo, caminhando e sentando-se no banquinho instável. A Professora McGonagall colocou o Chapéu Seletor em sua cabeça, e ele mal tocou seus cabelos acaju, quando gritou: “Grifinória!”
  Harry escutou Snape dar um pequeno gemido. Lílian tirou o chapéu, devolveu-o a Professora McGonagall, e se dirigiu a mesa alegre da Grifinória, mas assim que chegou, olhou para Snape, e havia um pequeno e triste sorriso no rosto dela. Harry viu Sirius levantar-se do banco para dar lugar a Lílian. Ela o olhou, e pareceu reconhecê-lo do trem, cruzou os braços firmemente, dando as costas para ele. A chamada continuou. Harry assistiu Lupin, Pettigrew, e seu pai se juntar a Lilian e Sirius na mesa da Grifinória. Finalmente, quando apenas uma dúzia de estudantes esperava para ser sorteada, a Professora McGonagall chamou Snape. Harry caminhou com ele até o banquinho, observando-o colocar o chapéu na cabeça.
 
  - Sonserina! - gritou o Chapéu Seletor.

  E Severo Snape seguiu para o outro lado do Salão, longe de Lílian, onde os estudantes da Sonserina o recebiam felizes, onde Lúcio Malfoy, com um distintivo de monitor brilhando em seu peito, deu palmadinhas nas costas de Snape quando este se sentou ao seu lado...

  E a cena mudou...
  Lílian e Snape estavam andando pelo pátio da escola, evidentemente discutindo. Harry se apressou para alcançá-los e ouvi-los. Quando chegou perto, ele percebeu o quão maior eles estavam. Poucos anos pareciam ter se passado desde a Seleção.

  - ... pensei que fôssemos amigos? - Snape dizia - Melhores amigos?
  - Nós somos, Sev, mas não gosto de algumas pessoas com quem você anda saindo! Desculpe-me, mas eu detesto Avery e Mulciber! O Mulciber então! O que você vê neles, Sev, ele é asqueroso! Você sabe o que ele tentou fazer com Mary Macdonald outro dia?

  Lílian chegou a um pilar e encostou-se nele, olhando para o rosto magro e amarelado.

  - Não foi nada demais. - disse Snape. - Foi uma brincadeira, só isso...
  - Foi Magia Negra, e se você acha isso engraçado...
  - E as coisas que o Potter e seus amigos fazem? - interpelou Snape. Sua cor novamente voltou quando ele disso isso, parecendo incapaz de segurar seu ressentimento.
  - O que o Potter tem a ver com isso? - disse Lílian.
  - Eles xeretam durante a noite. Tem alguma coisa estranha com aquele Lupin. Aonde ele sempre vai?
  - Ele está doente. - disse Lílian. - Eles dizem que ele está doente...
  - Todo mês na lua cheia? - disse Snape.
  - Eu sei sua teoria. - disse Lílian, e soou fria. - Por que você está tão obcecado com isso? Por que se preocupa com o que eles fazem durante a noite?
  - Só estou tentando te mostrar que eles não são tão maravilhosos como todos pensam que são.

  A intensidade de seu olhar fez Lílian corar.

  - Pelo menos eles não usam Magia Negra. - Ela baixou a voz. - E você está sendo mal agradecido. Eu ouvi o que aconteceu na outra noite. Você foi xeretar aquele túnel sob o Salgueiro Lutador, e Tiago Potter salvou você do que tinha lá embaixo...

  O rosto inteiro de Snape se contorceu e ele explodiu:

  - Salvou? Salvou?! Você acha que ele estava bancando o herói? Ele estava salvando o próprio pescoço e de seus amigos também! Você não vai... Eu não vou permitir que você...
  - Me permitir?!

  Os olhos brilhantes e verdes de Lílian pareciam fendas. Snape recuou imediatamente.

  - Eu não quis dizer isso. Só não quero ver você fazer papel de boba. Ele gosta de você, Tiago Potter gosta de você! - As palavras pareciam escapar contra a sua vontade. - E ele não é... todo mundo acha... grande herói do Quadribol...

  A amargura e o desgosto de Snape despedaçavam-no incoerentemente, e as sobrancelhas de Lilian estavam cada vez mais levantadas em sua testa.

  - Eu sei que Tiago Potter é um idiota arrogante. - ela disse, cortando Snape. - Eu não preciso que você me diga isso. Mas a idéia de humor de Mulciber e Avery é completamente má. Má, Sev. Eu não entendo como você pode ser amigo deles.

  Harry duvidava que Snape tivesse escutado as restrições dela à Mulciber e Avery. No momento em que ela insultou Tiago Potter, todo o corpo dele relaxou, e quando eles voltaram a caminhar, havia uma nova primavera nos passos de Snape...
  E a cena se dissolveu...
  Harry viu novamente Snape saindo do Salão Principal após seu N.O.M. de Defesa Contra as Artes das Trevas, para fora do castelo e parando, perdido em pensamentos, próximo da árvore onde Tiago, Sirius, Lupin e Pettigrew estavam sentados. Mas Harry manteve distância dessa vez, porque ele sabia o que aconteceria após Tiago lançar Severo no ar e insultá-lo. Ele sabia o que tinha acontecido e o que tinha sido dito, e ouvir isso novamente não lhe daria nenhum prazer... Ele observou Lílian se aproximar do grupo para defender Snape. Distante, ele ouviu Snape, em sua humilhação e fúria, gritar para ela a palavra imperdoável: “Sangue-ruim.”

  A cena mudou...

  - Desculpe-me.
  - Eu não quero saber.
  - Desculpe-me!
  - Poupe seu fôlego.

  Era noite. Lílian, que vestia um roupão, estava parada com os braços cruzados na frente do retrato da Mulher Gorda, na entrada da Torre da Grifinória.

  - Eu só vim porque Mary me disse que você estava ameaçando dormir aqui.
  - Eu disse. Eu teria dormido. Eu nunca quis te chamar de sangue-ruim, foi só que...
  - Escapou? - Não havia piedade na voz dela. - Tarde demais. Eu escuto desculpas suas por anos. Nenhum de meus amigos entende porque eu ainda converso com você. Você e seus preciosos amiguinhos Comensais da Morte – veja bem, e você nem se importa em negar! Você nem se importa com o que vocês estão se tornando! Você mal pode esperar para se juntar a Você-Sabe-Quem, não é?

  Ele abriu a boca, mas fechou sem falar nada.

  - Não posso fingir mais. Você escolheu seu lado, e eu escolhi o meu.
  - Não! Ouça, eu não tive a intenção...
  - De me chamar de sangue-ruim? Mas você chama todos com o mesmo nascimento que o meu de sangue-ruim, Severo. Por que seria diferente comigo?

  Ele esforçou-se para voltar a discursar, mas com um olhar desdenhoso ela virou-se e entrou pelo buraco do retrato...
  O corredor se dissolveu, e a cena demorou um pouco a tomar forma: Harry parecia voar através de formas e cores que mudavam, até que o lugar se solidificou mais uma vez e ele estava parado no topo de uma colina, deserta e fria na escuridão, o vento assoviando através dos galhos das poucas árvores sem folhas. O Snape adulto ofegava, avançando pelo local, com sua varinha firmemente segura em sua mão, esperando por alguma coisa ou alguém... Seu medo também
infestou Harry, apesar deste saber que não poderia ser machucado, e olhando sobre os ombros, imaginava o que Snape estaria esperando...
Então um brilhante e afiado raio de luz branco voou pelo ar. Harry pensou que fosse um raio, mas Snape caiu de joelhos e sua varinha voou de sua mão.

  - Não me mate!
  - Essa não era a minha intenção.

  Qualquer som da aparatação de Dumbledore foi abafado pelo som do vento nos galhos. Ele parou perante Snape com suas vestes chicoteando ao redor, e seu rosto foi iluminado pela luz lançada pela sua varinha.

  - Severo? Que mensagem Lord Voldemort tem para mim?
  - Não tem nenhuma mensagem. - ele disse - Eu estou aqui por minha conta!

  Snape esfregava as mãos. Ele parecia meio louco, com seus cabelos negros espalhados voando ao seu redor.

  - Eu eu vim com um aviso... Não, um pedido! Por favor...

  Dumbledore abaixou a varinha. Apesar das folhas e troncos ainda voarem através do ar da noite ao redor deles, um silêncio caiu no lugar onde ele e Snape se encaravam.

  - Que pedido um Comensal da Morte poderia fazer a mim?
  - A profecia de Trelawney... a que diz... que o garoto matará Voldemort...
  - Ah, sim. - disse Dumbledore. - Quanto dela você reportou a Lord Voldemort?
  - Tudo, tudo que eu ouvi! - disse Snape. - É por isso, essa é a razão, ele acha que significa Lílian Evans!
  - A profecia não se refere a uma mulher, você sabe. - disse Dumbledore. - Fala de um garoto nascido no final de Julho.
  - Você sabe o que eu quero dizer! Ele acha que se trata do filho dela, ele vai caçá-la e matar todos eles... Ele não pensou em Longbottom!
  - Se ela significa tanto para você, - disse Dumbledore - certamente Lorde Voldemort a poupará? Você não poderia pedir misericórdia pela vida da mãe, em troca da do filho?
  - Eu pedi – eu pedi a ele...
  - Você me dá nojo. - disse Dumbledore, e Harry nunca tinha ouvido tanto desdém em sua voz. Snape parecia se encolher um pouco. -  Você não se importa, então, com as mortes do marido e do filho dela? Eles podem morrer, desde que você tenha o que quer? Se ele decidisse que a profecia se referia à Neville Longbottom, isso não teria a mínima importância para você também?

  Snape não disse nada, apenas olhou para Dumbledore.

  - Esconda todos, então. - ele disse rouco. - Mantenha ela... eles salvos. Por favor.
  - E o que você me dará em troca, Severo?
  - Em... em troca? - Snape encarou Dumbledore por um tempo, e Harry esperava que ele protestasse, mas após um longo momento ele desembuchou - Qualquer coisa.

  O topo da colina se desfez e Harry estava agora na sala de Dumbledore, e alguma coisa fazia um som terrível, como um animal ferido. Snape se afundava na cadeira e Dumbledore estava parado
bem atrás dele observando-o severamente. Após um momento, Snape levantou seu rosto e tinha a aparência de um homem que tinha vivido cem anos de miséria desde que partiu do topo da colina.

  - Eu pensei... que você fosse... mantê-la... a salvo...
  - Ela e Tiago confiaram na pessoa errada. - disse Dumbledore. - Como você, Severo. Você não esperava que ele a poupasse?

  A respiração de Snape era superficial.

  - O filho dela sobreviveu. - disse Dumbledore.

  Com um pequeno aceno de cabeça, Snape parecia espantar uma mosca nojenta.

  - O filho dela sobreviveu.  - Dumbledore continuou - Ele tem os olhos dela, precisamente os olhos dela. Você se lembra da forma e cor dos olhos de Lílian Evans, eu tenho certeza?
  - NÃO! - gritou Snape. - Se foi... morta...
  - Isso é remorso, Severo?
  - Eu queria... eu queria que eu estivesse morto...
  - E que utilidade isso teria para alguém? - disse Dumbledore friamente. - Se você amava Lílian Evans, se você realmente a amava, então seu caminho de agora em diante está limpo.

  Snape parecia observar através de uma neblina de dor, e as palavras de Dumbledore pareciam levar um tempo para atingi-lo.

  - O que você quer dizer?
  - Você sabe como e porquê ela morreu. Faça com que isso não tenha sido em vão. Ajude-me a proteger o filho de Lílian.
  - Ele não precisa de proteção. O Lord das Trevas se foi...
  - O Lord das Trevas retornará e Harry Potter estará em perigo mortal quando ele ressurgir.

  Houve uma grande pausa, e devagar Snape recobrou seu auto controle e sua própria respiração. Finalmente ele disse:

  - Muito bem. Muito bem. Mas nunca conte a ele, Dumbledore! Isso deve ficar entre nós! Jure! Eu não posso tolerar... Especialmente o filho do Potter... Eu quero a sua palavra!
  - Minha palavra, Severo, que eu nunca revele o melhor de você? - Dumbledore suspirou, olhando para o rosto feroz e angustiado de Snape. - Se você insiste...

  A sala dissolveu-se e reformulou-se instantaneamente. Snape andava para lá e para cá em frente a Dumbledore.

  - ...medíocre, arrogante como o pai, determinado a violar as regras, encantado por descobrir ser famoso, sempre buscando atenção e impertinente...
  - Você vê o que espera ver, Severo. - disse Dumbledore, sem tirar os olhos da cópia de Transfiguração hoje. - Outros professores disseram que o garoto é modesto, agradável, e razoavelmente talentoso. Particularmente, eu o achei uma criança encantadora. - Dumbledore mudou de página, e continuou, sem levantar os olhos- Fique de olho em Quirrell, ok?

  Um redemoinho de cores, e agora tudo estava escuro, Snape e Dumbledore estavam parados um pouco afastados do hall de entrada, enquanto os últimos retardatários do Baile de Inverno do Torneio Tribruxo passavam para irem dormir.

  - Bem? - murmurou Dumbledore.
  - A Marca de Karkaroff também está ficando mais escura. Ele está em pânico, ele teme represália! Você sabe o quanto de informações ele passou ao Ministério após a queda do Lord das Trevas. - Snape olhou de lado para o perfil do nariz quebrado de Dumbledore. - Karkaroff pretende fugir se a Marca queimar.
  - Pretende? - disse Dumbledore calmamente, ao mesmo tempo em que Fleur Delacour e Roger Davies vinham sorrindo pelo terreno em frente. - E você tentará se juntar a ele?
  - Não. - disse Snape, seus olhos negros pousando-se nas figuras de Fleur e Roger. - Eu não sou um covarde.
  - Não, - concordou Dumbledore. - você é um homem muito mais corajoso do que Igor Karkaroff. Você sabe, às vezes eu acho que nós selecionamos cedo demais...

  Ele partiu, deixando Snape, aparentemente abalado.. 
  Eles estavam de volta à sala de Dumbledore, as janelas escuras, e Fawkes quieta, assim que Snape sentou-se em silêncio, enquanto Dumbledore andava em volta dele, falando.

  - Harry não deve saber, não até o último momento, não até que seja necessário, de outra forma, como ele terá a força necessária para fazer o que deve ser feito?
  - Mas o que ele deve fazer?
  - É a explicação, caro professor. O motivo pelo qual Voldemort retornou, mesmo após ser atingido por sua própria maldição. Agora, ouça bem, Severo. Virá um tempo em que Voldemort me matará. Ele imagina que sem mim, Harry não é uma ameaça. Antes de tudo isso,   Lorde Voldemort descobrirá o paradeiro de tudo, saberá que tem uma filha e parecerá não temer pela vida da jovem. Ele não sabe o que o ela guarda .
- Áquila? - Snape olhou surpreso.
- Precisamente. Poucos sabem que Voldemort é pai. Tenho certeza que nem ele sabe e muito menos a mãe tem conhecimento disso. Vai haver um momento, após sua descoberta, em que ele acreditará que a mente da jovem Áquila é capaz de interpretar a de Harry, já que possuem idades tão próximas. Quando esse momento chegar, acho que será a hora certa de contar à Harry.
  - Contar o que a ele?
  Dumbledore respirou fundo e fechou os olhos.

  - Conte a ele que na noite em que Lorde Voldemort tentou matá-lo, quando Lílian colocou a própria vida entre eles como um escudo, o Feitiço da Morte retornou a Lorde Voldemort e um fragmento de sua alma se separou desta, e lançou-se na única alma viva na casa destruída. Parte de Lorde Voldemort vive dentro de Harry, e é isso que dá a ele o poder de falar com cobras, e a conexão com a mente de Lorde Voldemort que ele nunca entendeu. E, enquanto esse fragmento de alma, desconhecido por Voldemort, permanecer preso e protegido por Harry, Lorde Voldemort não poderá morrer. Horcruxes, Severo, feitas com seres humanos. Não intencionalmente, a maldição da morte fez algo que Voldemort desconhecia que fosse possível. Isso só acontece em mentes preenchidas por ódio. Harry Potter foi a primeira Horcrux de Voldemort. O mesmo aconteceu com a querida Bellatrix, que gosta de brincar com a comida antes de comê-la. Quando Lord Voldemort passou uma noite com Bellatrix, sua alma se fragmentou novamente. Houve magia acidentalmente envolvida naquele ato. Ela conseguiu seduzir o corpo destruído de Voldemort, transformando-se em Horcrux sem essa consciência, gerando Áquila também. A gravidez fez com que a alma de Voldemort que habitava Bellatrix fosse partida ao meio e entrasse em Áquila.

  Harry parecia observar os dois homens do fundo de um longo túnel, eles estavam tão longe dele, suas vozes ecoando estranhamente em seus ouvidos.

  - Então o garoto... o garoto deve morrer? - perguntou Snape bastante calmo.
  - E o próprio Voldemort deve fazer isso, Severo. Isso é essencial. 

  Outro silêncio longo. Então Snape disse:

  - Eu pensei... todos esses anos... que nós estávamos protegendo ele por ela. Por Lílian.
  - Nós o protegemos porque é essencial ensiná-lo, fazê-lo crescer, deixá-lo testar suas forças. - disse Dumbledore, seus olhos ainda muito fechados. - Enquanto isso, a conexão entre eles está cada vez mais forte, um crescimento parasita. Às vezes eu acho que ele próprio suspeita disso. Se eu conheço Harry, ele terá se preparado e quando ele puser-se a caminho de sua morte, isso realmente significará o fim de Voldemort.
  - E como apenas Harry consegue falar com cobras? Por que Bellatrix não conseguiu?
  - Voldemort não tentou matar Bellatrix. 80% da alma do Lord das Trevas está localizada no jovem Harry. 10% em Bellatrix e o restante foi transferido na gravidez para Áquila. A jovem também consegue, eu sinto. Foi herdado. 

  Dumbledore abriu os olhos. Snape parecia horrorizado.

  - Você o manteve vivo para que ele pudesse morrer no momento certo?
  - Não fique chocado, Severo. Quantos homens e mulheres você assistiu morrer?
  - Ultimamente, somente aqueles os quais eu não pude salvar, - disse Snape.

  Ele se levantou.
 
  - Você me usou, Dumbledore.
  - Isso significa?
  - Eu tenho espionado para você e mentido por você, me colocado em perigo mortal por você. Tudo supostamente para manter o filho de Lílian Potter a salvo. Agora você me diz que esteve fazendo o garoto crescer como um porco para o abate...
  - Isso é tocante, Severo. - disse Dumbledore sério. - Você passou a se importar com o garoto, finalmente?
  - Por ele? - gritou Snape. - Expecto Patronum!

  Da ponta de sua varinha emergiu uma corça prateada. Era o mesmo patrono de Lílian. A corça aterrissou no chão da sala, caminhou por esta e se desmanchou. Dumbledore a assistiu se desentegrar, e quando seu brilho prateado desapareceu, ele se virou para Snape, e seus olhos estavam cheios de lágrimas.

  - Lílian! Depois de todo esse tempo?
  - Sempre. - disse Snape. 

  Tudo novamente ficou embaçado. Estavam ainda no escritório de Dumbledore, mas em um dia diferente.

  - E o que o garoto deve fazer? - Snape perguntou.
  - Destruir o que mantém Voldemort vivo, certamente. - Dumbledore respondeu.
  - Bellatrix deve morrer? A garota Riddle deve morrer?
  - Áquila... sim, deve morrer. As duas devem. Mas não seremos nós aqueles que contaremos a Harry.
  - E quem o fará se nós não fizermos?
  - O próprio Voldemort deixará escapar essa preciosa informação para Harry. Através de sua mente, no momento mais oportuno.
  - Então, para que Lord Voldemort seja finalmente morto... - Snape hesitou, mas continuou - ... os três seres humanos que carregam fragmentos de sua alma devem morrer?
  - Sim, sim, eles devem morrer. - Dumbledore disse - O próprio Harry será aquele quem destruirá Bellatrix. Ele descobrirá sobre Áquila brevemente, eu sei disso. Será precisa uma coragem extra para matá-la. Não alguém da Grifinória. Será um sacrifício matá-la, pois quem o fará será aquele que mais zelou pela proteção da menina. E quanto a Harry, o próprio Voldemort fará o serviço.
  - E quem matará Voldemort?
  - Não existe fragmentos de sua alma no próprio corpo. Estão divididos entre Bellatrix, Harry e a jovem Áquila. Após Harry, não restará parte viva de Voldemort.

  As lembranças haviam acabado. Harry retirou o rosto da penseira, ofegante.

  - Eu devo morrer. - disse para si mesmo.

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Capítulo bem grande, não?
Bem, eu peguei várias partes da memória do próprio livro Harry Potter e as Relíquias da Morte.
Está cheio de erros de português pois eu copiei de um site pois eu não tenho o livro (li emprestado)  e ao arrumar algumas coisas notei que havia muita pontuação errada e palavras também.
Espero que tenham gostado!
PS: Desculpe à leitora que me pediu para não matar o Snape... mas foi essenssial! 

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