FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

25. Capítulo 24


Fic: Tudo por Amor


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

Quando terminou de comer, Harry se jogou no sofá e cruzou as pernas, observando as chamas que dançavam na chaminé, enquanto permitia que sua refém terminasse a comida sem mais interrupções. Tratou de se concentrar na seguinte etapa de sua viagem, mas em seu atual estado de relaxamento, se sentia mais inclinado a pensar na surpreendente — e perversa — mutreta do destino que fez Gina Weasley estar ali, sentada frente a ele.


Durante as largas semanas que dedicou a planejar cada detalhe de sua fuga... Durante as noites intermináveis em que permaneceu acordado em sua cela pensando na primeira noite que passaria nessa casa, nunca supôs que não estaria só. Por mil motivos, teria sido melhor que estivesse, mas agora que ela se encontrava ali, não podia trancá-la sob sete chaves em seu quarto, apenas proporcionar comida e simular que não existia. Entretanto, depois da última hora passada em sua companhia, sentia-se tentado a fazer exatamente isso, porque ela o estava obrigando a reconhecer todas as coisas que tinha perdido em sua vida, e a refletir sobre elas... Essas coisas que lhe seguiriam faltando durante o resto de sua existência.


No término de uma semana, voltaria a estar fugindo, e no lugar aonde se dirigia não haveria luxuosas casas de montanha com fogos acolhedores, não existiriam conversas sobre crianças com problemas físicos, nem decorosas professoras da terceira série com olhos parecidos com os de um anjo e um sorriso capaz de derreter as pedras. Não recordava ter visto jamais uma mulher cujo rosto se iluminasse como se iluminou o de Gina quando falou desses meninos. Conhecia mulheres ambiciosas cujo rosto se iluminava ante a possibilidade de obter um papel em um filme ou de que lhes dessem de presente uma jóia; tinha visto as melhores atrizes do mundo — no cenário e fora dele, na cama e fora dela — em interpretações convincentes de apaixonada ternura e de amor, mas até essa noite, nunca, mas nunca, tinha sido testemunha desses sentimentos convertidos em realidade.


Quando tinha dezoito anos, sentado na cabine de um caminhão, rumo Los Angeles, e quase afogado pelas lágrimas que se negava a derramar, jurou-se que jamais, jamais olharia para trás, que nunca se perguntaria o que podia ter sido sua vida "se as coisas tivessem sido distintas". E entretanto nesse momento, aos trinta e cinco anos, quando estava endurecido por tudo o que tinha visto e feito, ao olhar a Gina Weasley sucumbia à tentação da dúvida. Enquanto levava a taça de conhaque aos lábios e observava a chuva de faíscas que se desprendiam da lenha, perguntou-se o que teria acontecido se tivesse conhecido a alguém como ela quando era jovem. Teria sido ela capaz de salvá-lo de si mesmo, de ensiná-lo a perdoar, de suavizar seu coração, de encher os espaços vazios de sua vida? Teria sido capaz de lhe proporcionar metas mais importantes e construtivas que a aquisição de riquezas, poder e reconhecimento que tinham dado forma a sua vida? Com alguém como Gina em sua cama, teria experimentado algo melhor, mais profundo, mais duradouro que o efêmero prazer de um orgasmo?


Tardiamente o atingiu compreender o quanto eram improváveis seus pensamentos, e se maravilhou ante sua própria tolice. Onde diabos teria podido conhecer alguém parecida com Gina Weasley? Até os dezoito anos viveu sempre rodeado de serventes e familiares, cuja presença somente era um permanente aviso de sua superioridade social. Nesse tempo, a filha de um ministro do povoado, como Gina Weasley, jamais teria entrado em sua esfera social.


Não, não a teria conhecido nessa época, e nem em Hollywood teria podido conhecer alguém como ela. Mas se por alguma mutreta do destino tivesse conhecido ali a Gina?, perguntou-se Harry, com o sobrecenho franzido de concentração.


Se de algum jeito ela tivesse sobrevivido intacta nesse mar de depravações sociais, de auto indulgência sem limites e da urgente ambição que era Hollywood, ele teria notado realmente sua presença, ou ela teria sido completamente eclipsada a seus olhos por mulheres mais mundanas e fascinantes? Se Gina se apresentasse em seu escritório em Beverly Drive e lhe pedisse para fazer uma prova cinematográfica, teria notado ele essa formosa face de ossos excelentes, esses olhos incríveis, essa figura perfeita? Ou teria passado tudo despercebido porque não era espetacularmente formosa? E se ela tivesse passado uma hora em seu escritório, conversando com ele como fez essa noite, teria apreciado sua esperteza, sua inteligência, sua não simulada candura? Ou teria tratado de livrar-se dela porque não falava sobre "o negócio" nem dava nenhuma indicação de querer deitar-se com ele, que teriam sido seus dois interesses principais?


Harry fez girar a taça entre as mãos enquanto contemplava as respostas dessas perguntas teóricas, tratando de ser honesto consigo mesmo. Depois de alguns instantes, decidiu que teria notado as feições delicadas de Gina Weasley, sua pele resplandecente, seus olhos impactantes. Depois de tudo, era um perito em beleza feminina, convencional ou não, assim não teria podido passá-la por alto. E sim, teria apreciado sua candura tão direta, e teria se emocionado ante sua compaixão e sua suavidade, ante sua doçura, assim como tinha se emocionado essa noite. Entretanto, não teria feito uma prova cinematográfica com ela.


Tampouco teria recomendado que ficasse nas mãos de um bom fotógrafo que pudesse captar essa frescura juvenil tão americana, para convertê-la em uma modelo de um milhão de dólares, apesar de que Gina tinha passado fazia tempo da idade nas quais iniciam as modelos.


No lugar disso, Harry acreditava com toda honestidade que a tiraria com rapidez de seu escritório, aconselhando que voltasse para sua casa, casasse com seu quase noivo, que tivesse filhos e uma vida com sentido. Porque até em seus momentos de maior insensibilidade, jamais iria querer que uma pessoa tão excelente e pura como Gina Weasley fosse manuseada, utilizada e corrompida por Hollywood ou por ele mesmo.


Mas se apesar de seus conselhos, Gina tivesse insistido em permanecer de todos os modos em Hollywood, teria se deitado com ela depois, se ela estivesse de acordo e quando estivesse?


Não.


Teria querido fazê-lo?


Não!


Teria querido mantê-la perto, talvez vendo-a na hora do almoço, pelas tardes ou convidando-a a festas?


Não, Por Deus!


Por que não?


Harry já sabia exatamente por que não, mas de todos os modos a olhou, para confirmar o que sentia. Gina estava sentada no sofá, a luz das chamas iluminavam seu cabelo brilhante, e ela olhava o bonito quadro que pendurava sobre a chaminé... Seu perfil era tão sereno e inocente como o de uma criança do coro durante a missa de Véspera de natal. E era por isso que não teria querido tê-la por perto antes de ir para a cadeia, e também por isso não queria tê-la perto nesse momento.


Embora cronologicamente só fosse nove anos mais velho, era séculos mais velho que Gina em experiência, e grande parte dessa experiência não era da classe que ela teria admirado nem aprovado... E isso antes de que o condenassem a cadeia. Em comparação com o juvenil idealismo de Gina, Harry se sentia terrivelmente velho e gasto.


O fato de que nesse momento a achasse atraente e desejável apesar de estar vestida nesse grosso suéter, e o fato de ter uma ereção nesse mesmo instante, fizeram-no sentir um velho sujo, desagradável e luxurioso.


Por outra parte, nessa noite, Gina também conseguiu fazê-lo rir, e isso era algo que Harry apreciava.


De repente lhe ocorreu que Gina não tinha feito uma única pergunta a respeito de sua antiga vida no mundo do cinema. Não recordava ter conhecido uma única mulher — ou para o caso um só homem — que não o tivesse proclamado seu ator de cinema favorito para acossá-lo logo com perguntas a respeito de sua vida pessoal e os outros atores a quem admirava. Até os réus mais duros e sedentos de sangue da prisão se mostraram impressionados por seu passado e ansiosos por lhe dizer quais de seus filmes tinham gostado mais. Pelo geral, essa atitude inquisitiva o desgostava e até provocava irritação. Mas nesse momento ficou chateado por que Gina Weasley agisse como se não tivesse ouvido falar dele. Talvez nesse escuro povoado onde vive nem sequer tenham um cinema, decidiu. Talvez em sua vida inteira, tão protegida, nunca tivesse visto um filme.


Talvez... Deus! Talvez... Só visse filmes aptos para menores de 15 anos! Em troca, os que ele filmava eram absolutamente reservados para pessoas maiores, de critério formado, porque seu conteúdo era profano, violento, cheio de sexo ou as três coisas juntas. Para sua irritação, de repente Harry se sentiu envergonhado disso, que era outra boa razão pela qual jamais teria eleito sair com uma mulher como Gina.


Estava tão enfrascado em seus pensamentos, que se sobressaltou quando ela falou com um sorriso vacilante.


— Não parece estar desfrutando muito da noite.


— Estava pensando na possibilidade de ver o noticiário — respondeu ele com tom vago.


Gina, que tinha tido inquieta consciência do silêncio carrancudo de Harry, aceitou com alegria a oportunidade que lhe apresentava de ocupar-se em algo que não fosse pensar se seria realmente inocente de ter cometido um assassinato... E se voltaria a beijá-la antes de que a noite chegasse a seu fim.


— Parece uma boa ideia — respondeu, ficando de pé e tomando seu prato. — Por que não se encarrega de procurar um canal onde transmitam notícias, enquanto eu lavo os pratos?


— Para que depois me acuse de não ter cumprido o nosso trato? De maneira nenhuma! Os pratos lavo eu!


Gina o olhou levantar e levar tudo à cozinha.


Durante a última hora, haviam tornado a angustiá-la todo tipo de dúvidas a respeito de sua inocência. Lembrou a maneira furiosa com que se referiu ao jurado que o condenou. Recordou o tremendo desespero que havia em sua voz quando, estando atirados na neve, suplicou que o beijasse para sossegar as suspeitas do caminhoneiro. "Por favor! Juro que não matei ninguém!"


Nesse momento, Harry semeou em sua mente uma traiçoeira semente de dúvida com respeito a sua culpabilidade; e dezessete horas depois, essa semente jogava raízes em seu interior, alimentada pelo horror que lhe produzia a possibilidade de que um inocente tivesse passado cinco largos anos na cadeia. Outros elementos que tampouco conseguia controlar se combinavam para fazê-la sentir por ele coisas como a lembrança desse beijo tão faminto, o estremecimento que o percorreu quando se deu conta de que ela tinha rendido por fim. Na realidade durante a maior parte do tempo que estiveram juntos, tratou-a com respeito, quase com cortesia.


Pela décima segunda vez na última meia hora, disse-se que um verdadeiro assassino sem dúvida não se incomodaria em beijar uma mulher com suavidade, e que tampouco a trataria com a bondade e o humor com que Harry a tratava.


Sua mente a advertia de que era uma verdadeira tolice acreditar que um jurado pudesse haver se equivocado; mas essa noite, cada vez que olhava para Harry, seu instinto dizia aos gritos que era inocente. E de ser assim, parecia intolerável pensar no que devia ter sofrido.


Harry retornou a sala, ligou a televisão e se sentou de frente para ela, estirando suas largas pernas.


— Depois das notícias, assistiremos o que você quiser — disse, com a atenção já posta na tela tamanho gigante.


— Bom — respondeu Gina, estudando-o. Havia uma força indomável cinzelada em suas feições, determinação em seu queixo, arrogância no queixo, inteligência e força em cada um de seus traços. Muito tempo antes, Gina tinha lido dúzias de artigos a respeito de Harry, artigos escritos por jornalistas do mundo do cinema e por críticos famosos. Muitas vezes tratavam de defini-lo comparando-o com outros grandes atores que o precederam. Gina recordava a um desses críticos que o converteu em um conglomerado humano ao dizer que Harry Potter possuía o magnetismo animal de um Sean Connery juvenil, o talento de um Newman, o carisma do Costner, o machismo de um jovem Eastwood, a suave sofisticação de Warren Beatty, a variabilidade de Michael Douglas e o atrativo de Harrison Ford.


E nesse momento, depois de quase dois dias de estar constantemente com ele, Gina decidiu que nenhum desses artigos o descrevia bem, e que a câmara tampouco fazia justiça, e compreendeu vagamente por que: na vida real, Harry possuía uma força interior e um carisma poderosos que não tinham nenhuma relação com sua alta estatura, nem com seus ombros largos, nem com seu famoso sorriso zombador.


Havia algo mais... A sensação que Gina tinha cada vez que o olhava, de que, além de seus anos na prisão, Harry Potter já tinha feito e visto tudo o que um homem podia ver e fazer, e que todas essas experiências estavam permanentemente encerradas depois de um muro impenetrável de amável urbanidade, de preguiçoso encanto, e de um par de penetrantes olhos verdes. Mais à frente do alcance de nenhuma mulher.


E Gina compreendeu que ali residia seu verdadeiro atrativo: no desafio que guardava. Apesar de tudo o que lhe tinha feito durante os últimos dois dias, Harry Potter fazia com que ela — e possivelmente todas as demais mulheres que o conheciam ou que o tinham visto em cinema — quisesse ultrapassar essa barreira. Para descobrir o que havia debaixo, para suavizá-lo, para encontrar ao menino que devia ter sido, para obter que o homem em quem se converteu risse a gargalhadas ou ficasse terno de puro amor.


De repente Gina se conteve e fez uma severa advertência a si mesma. Nada disso importava! A única coisa importante era saber se era culpado ou inocente do assassinato de sua mulher. Dirigiu-lhe outro olhar de soslaio e sentiu que se derretia.


Era inocente. Sabia. Sentia. E só de pensar que tanta beleza e inteligência tivessem permanecido encarceradas durante cinco longos anos, ficou com um nó na garganta. Imaginou uma cela, o ruído das portas de grades quando se fechavam, os gritos dos guardas, os homens trabalhando em lavanderias e seus recreios no pátio da prisão, privados de toda liberdade e intimidade. Privados de sua dignidade.


A voz do locutor a fez voltar para a realidade: "Daremos notícias estaduais e locais, assim como da tormenta de neve que se dirige para cá, depois de fazer uma conexão com a rede nacional pela que Tom Brokaw nos proporcione notícias de especial importância". Gina ficou de pé, muito nervosa para ficar sentada e sem fazer nada.


— Vou procurar um copo de água — informou, já a caminho da cozinha, mas a voz de Tom Brokaw a deteve em seco.


"Boa noite, senhoras e senhores. Harry Potter, que em uma época foi considerado um dos mais importantes atores de Hollywood e um brilhante diretor de cinema, fugiu faz dois dias da Penitenciária Estatal de Azkaban, onde cumpria uma condenação de quarenta e cinco anos de prisão pelo assassinato maquiavélico de sua esposa, a atriz Cho Chang, em 1988."


Gina se virou a tempo para ver uma fotografia de Harry vestindo o uniforme da prisão com um número que lhe cruzava o peito. Voltou a entrar na sala, como hipnotizada pelo que via, ouvia e sentia enquanto Brokaw continuava: "acredita-se que Potter viaja com esta mulher...".


Gina lançou um ofego ao ver na tela uma fotografia dela, tirada no ano anterior com seus alunos da terceira série.


"As autoridades do Texas informam que a mulher, Gina Weasley, de vinte e seis anos, foi vista pela última vez faz dois dias em Azkaban, quando um homem cuja descrição coincide com a de Potter subiu em sua companhia a um Chevrolet Blazer azul. No princípio as autoridades acreditaram que a senhorita Weasley tinha sido tomada como refém contra sua vontade..."


— No princípio? — Explodiu Gina, olhando para Harry, que ficava lentamente de pé. — O que quer dizer isso de no princípio?


A resposta foi imediata e horripilante, quando Brokaw continuou dizendo: "A teoria de que era uma refém ficou desacreditada esta tarde, quando Joe Golash, um condutor de caminhão, informou ter visto um casal que respondia às descrições de Potter e Weasley, esta manhã ao amanhecer, em um terreno de descanso para caminhões do Colorado..."


Em seguida a tela foi preenchida com o rosto alegre de Joe Golash, e o que disse fez com que Gina se sentisse doente de vergonha e fúria: "Esses dois estavam lutando com bolas de neve como se fossem um par de meninos. Estou absolutamente seguro de que a mulher era Gina Weasley! De todos os modos, ela tropeçou e caiu e Potter se atirou por cima e em seguida começaram a se fazer carinhos e a se beijar. Se ela era uma refém, asseguro que não agia como tal."


— Oh, Deus! — Exclamou Gina, envolvendo o corpo com os braços e tragando a bílis que lhe subia à garganta.


Em poucos instantes, a desagradável realidade tinha invadido a atmosfera falsamente acolhedora da casa da montanha, e ela se voltou para o homem que a tinha levado até ali, vendo-o como o que realmente era; um condenado, como o viu na tela de televisão, com uma série de números cruzando seu peito. Mas antes de que Gina conseguisse recompor-se, outra cena pior e mais angustiante apareceu na tela enquanto o locutor dizia: "Nosso enviado especial, Bill Morrow, encontra-se em Hogsmeade, Texas, onde Weasley vive e se desempenha como professora da terceira série na escola primária. Bill pôde obter uma breve entrevista com os pais da jovem, o reverendo Arthur Weasley e sua senhora...".


Gina lançou um grito de incredulidade ao ver o rosto solene e cheio de dignidade de seu pai, quem, com sua voz enfática e confiada, tratava de convencer ao mundo da inocência de sua filha. "Se Gina estiver com Potter, é contra sua vontade. Esse caminhoneiro que diz o contrário se equivoca com respeito ao que viu ou ao que acreditou que acontecia — assegurou dirigindo um severo olhar de desaprovação aos jornalistas, que começaram a lhe fazer perguntas aos gritos. — Não tenho nada mais a declarar."


Presa em ondas de vergonha, Gina separou a vista do televisor para olhar através de suas lágrimas para Harry Potter, que se aproximou apressadamente.


— Cretino! — Exclamou retrocedendo.


— Gina ! — Exclamou Harry, tomando-a pelos ombros, em um vão intento de consolá-la.


— Não me toque! — Gritou ela, tratando de separar as mãos dele, retorcendo-se para afastar-se, enquanto uma corrente de soluços escapava de sua boca. — Meu pai é um pastor! – Soluçou. — É um homem respeitado, e você converteu sua filha em uma prostituta pública! Sou professora! — Gritou, presa de um ataque de histeria. — Ensino a crianças pequenas! Acredita que me permitirão seguir ensinando, agora que sou um escândalo nacional que anda se jogando na neve com assassinos fugitivos?


Compreender que era possível que Gina tivesse razão foi uma bofetada para Harry, que agarrou os braços dela com mais força.


— Gina...


— Dediquei os últimos quinze anos de minha vida tentando ser perfeita — soluçou ela, lutando para liberar-se dele. — Me tornei professora para que pudessem estar orgulhosos de mim. Vou... Vou à igreja e ensino na escola dominical. Depois disto não me deixarão voltar a ensinar em nenhuma parte...


De repente Harry não pôde seguir suportando o peso da dor de Gina , nem a consciência de sua própria culpabilidade.


— Não chore mais, por favor! — Sussurrou, tomando-a em seus braços. Pegou a cabeça dela entre suas mãos e a apertou contra seu peito. — Eu entendo, e lamento. Quando tudo isto terminar, obrigarei-os a ver a verdade.


— Diz que entende? — Repetiu ela com amargo desprezo, olhando-o com o rosto acusador empapado de lágrimas. — Como alguém como você vai entender o que eu sinto?


Alguém como ele. Um monstro como ele.


— Ah, se eu entendo! — Ladrou ele, afastando-a de si e sacudindo-a até que a obrigou a olhá-lo. — Compreendo exatamente o que se sente quando alguém é desprezado por algo que não fez!


Gina conteve seus protestos pela rudeza com que ele a tratava, ao registrar a fúria de seu rosto e a dor que havia em seus olhos. Harry cravava os dedos nos seus braços e sua voz vibrava de emoção.


— Eu não matei a ninguém! Ouviu? Minta e diga que acredita! Só te peço que diga isso! Quero ouvir alguém dizendo!


Depois de experimentar em pequena medida o que ele devia sentir se fosse realmente inocente, Gina se encolheu interiormente ao pensar no que esse homem podia estar sentindo. Se era inocente... Tragou com força e estudou com os olhos empapados o rosto de Harry. Então expressou em voz alta seus pensamentos.


— Acredito! — Sussurrou enquanto novas lágrimas começavam a correr por suas bochechas. — Juro que acredito!


Harry percebeu a sinceridade em sua voz chorosa; viu nascer uma verdadeira compaixão em seus olhos azuis e, no profundo de seu ser, começou a se rachar e derreter o muro de gelo com que tinha rodeado seu coração durante anos. Elevou uma mão, apoiou-a contra a bochecha suave de Gina e tentou enxugar com o polegar suas lágrimas quentes.


— Não chore por mim! — Murmurou com voz rouca.


— Acredito em você! — Repetiu Gina, e a terna ferocidade de sua voz demoliu o que restava da reserva de Harry. Em sua garganta se formou um nó de emoção muito pouco familiar, e durante um instante permaneceu ali, imobilizado pelo que via, ouvia e sentia. As lágrimas corriam livremente pelas bochechas de Gina, empapando a mão dele; seus olhos o olhavam como flores azuis, e ela mordia o lábio inferior, tratando de impedir que tremesse.


— Não chore, por favor! — Sussurrou Harry, enquanto baixava sua boca até a dela, para impedir que tremessem os lábios. — Por favor, por favor, não...! — Ao primeiro contato de seus lábios com os dele, Gina ficou rígida, contendo o fôlego. Harry ignorava se o que a paralisava era o temor ou a surpresa. Não sabia e nesse momento também não o importava. Seu único desejo era abraçá-la, saborear os sentimentos doces que cresciam em seu interior — a primeira doçura que experimentava em anos — e compartilhar tudo com ela.


Dizendo-se que não devia se apressar, que era necessário que se contentasse com o que ela estivesse disposta a permitir, deslizou os lábios ao redor do contorno dos dela, saboreando o gosto salgado de suas lágrimas. Disse-se que não devia apressá-la, que não devia forçá-la, mas enquanto se advertia, começou a fazer ambas as coisas.


— Me beije! — Pediu, e a ternura indefesa que percebeu em sua própria voz pareceu tão estranha como os outros sentimentos que o percorriam. — Me Beije! — Repetiu, passando a ponta da língua por seus lábios. — Abra a boca! — E quando ela obedeceu e se apoiou contra ele, apertando seus lábios entreabertos contra os seus, Harry quase lançou um gemido de prazer. O desejo, primitivo e potente, percorreu-lhe as veias, e de repente começou a agir por puro instinto. Apertou-a com mais força, apoiou os quadris contra os dela, enquanto com os lábios a obrigava a abrir mais os seus e introduzia a língua na boca de Gina. Fez com que ela retrocedesse até que ficou de costas contra a parede e a beijou com toda a força persuasiva de que dispunha. Cobriu a boca dela com a sua, provocou-a com a língua, colocou as mãos sob o suéter e percorreu com elas a coluna vertebral. A pele nua e suave de Gina era como cetim líquido sob suas mãos, enquanto acariciava a estreita cintura e as costas. Até que por fim se permitiu procurar seus seios. Quando os tocou, ela se apertou contra ele e lançou um gemido, e esse som doce quase fez com que Harry se perdesse; todo o seu corpo começou a palpitar enquanto com os dedos explorava cada centímetro de seios e mamilos, os lábios presos aos dela, a língua explorando, faminta.


Para Gina, o que ele estava fazendo era como estar aprisionada dentro de um casulo de uma sensualidade perigosa e apavorante, onde ela não tinha nenhuma possibilidade de controle sobre nada. Nem sobre si mesma. Sob a exploração dos dedos largos de Harry seu seios começavam a arder; contra sua vontade, seu corpo inflamado se amoldava aos endurecidos contornos do dele; e seus lábios entreabertos davam as boas-vindas a constante invasão de sua língua.


Harry sentiu quando ela enterrou os dedos no cabelo suave de sua nuca.


— Deus, como é doce! — Sussurrou enquanto pegava os mamilos entre seus dedos, para obrigá-los a endurecer e a dar prazer. — Pequena — murmurou com voz rouca —, é tão endiabradamente bonita...!


Talvez fosse o termo carinhoso que utilizou — um que estava segura de haver ouvido ele usar em um filme — ou possivelmente foi seu uso ridículo da palavra bonita o que quebrou o feitiço sensual que a tinha prendido, mas Gina tomou consciência de que o tinha visto interpretar essa mesma cena dúzias de vezes, com dúzias de atrizes verdadeiramente bonitas. Só que nesse momento, era sua pele a que explorava com tanta prática e segurança.


— Basta! — Advertiu com tom agudo. Liberou-se dos braços de Harry, afastou-o de um empurrão e baixou o suéter. Durante um instante, ele permaneceu imóvel, respirando fundo, com os braços caídos nos lados, completamente desorientado. Gina estava ruborizada pelo desejo, um desejo que ainda resplandecia em seus olhos gloriosos, mas dava a sensação de que queria correr para a porta.


Com suavidade, como se se dirigisse a um potro espantado, Harry perguntou:


— O que acontece, pequena...?


— Não siga com isso! — Explodiu ela. — Eu não sou sua "pequena"; essa foi outra mulher que interpretava com você outra cena parecida com esta. Não quero ouvir você me chamar assim. Tampouco quero que me diga que sou bonita.


Harry sacudiu a cabeça. Embora tarde, deu-se conta de que Gina respirava entrecortadamente e o observava como se esperasse que saltasse em cima dela, arrancasse suas roupa e a violasse. Então falou com muito cuidado e em voz muito baixa.


— Tem medo de mim, Gina?


— É obvio que não! — Respondeu ela com tom cortante, mas assim que disse soube que era mentira.


Quando o beijo começou, advertiu instintivamente que, de algum jeito, para Harry, beijá-la representava uma forma de limpar-se, e quis brindar-lhe. Mas agora que seu coração se agarrava a esse beijo e exigia que desse mais, muito mais, estava aterrorizada. Porque isso era o que ela queria fazer. Queria sentir as mãos de Harry sobre sua pele nua, e seu corpo introduzindo-se no dela. Durante os instantes em que permaneceu em silêncio, ele sem dúvida tinha substituído a paixão pela irritação, porque quando falou, sua voz já não era suave nem bondosa, a não ser fria, cortante e dura.


— Se não tiver medo de mim, o que a está incomodando? Ou será que pode dar um pouco de compreensão a um condenado, mas não quer tê-lo muito perto? É isso?


Gina teve vontades de bater no piso com o pé ante a falta de lógica de Harry e sua própria estupidez ao ter permitido que as coisas chegassem tão longe.


— Não se trata de que tenha nojo de você, se a isso refere.


Ele adotou uma atitude de aborrecimento.


— E então o que é, se posso perguntar?


— Não deveria precisar perguntar! — Respondeu ela, tirando o cabelo da frente dos olhos enquanto olhava desesperada ao seu redor, procurando algo que fazer, uma maneira de restaurar a ordem em um mundo que, de repente, encontrava-se alarmantemente fora de seu controle. — Não sou um animal — começou a dizer. De repente seu olhar se pousou em um quadro que estava torto, e se apressou a endireitá-lo.


— E acha que eu sou? Um animal? É isso?


Presa por suas perguntas e suas proximidade, Gina olhou por sobre o ombro e viu um almofadão no piso.


— Acho — disse enquanto se encaminhava para o almofadão —, que é um homem que durante cinco anos esteve trancado e longe das mulheres.


— Isso é verdade. Sou. E daí?


Gina colocou o almofadão em ângulo reto contra o sofá e começou a se sentir mais controlada, agora que havia posto certa distância entre ambos.


— De maneira que — explicou, e até conseguiu lhe dirigir uma risadinha por cima do sofá — entendo que para você qualquer mulher deve ser... — Harry franziu a sobrancelha e ela começou a endireitar apressadamente o resto dos almofadões, mas perseverou em suas explicações. — Para você, depois de estar tanto tempo na cadeia, qualquer mulher deve ser como um... Um banquete para um homem esfomeado. Qualquer mulher — enfatizou. — Quer dizer, não me importou deixar que me beijasse se isso lhe fazia sentir, bom... Melhor.


Harry se sentia humilhado e o enfurecia descobrir que Gina o considerava um animal a quem atirava migalhas de sentimentos humanos, um mendigo faminto de sexo a quem, a contra gosto, estava disposta a conceder um beijo.


— Quanta nobreza, senhorita Weasley! — Zombou-se, ignorando a palidez de Gina quando seguiu dizendo com deliberada crueldade: — Sacrificou duas vezes sua preciosa pessoa por mim. Mas, contrariamente ao que pensa, até um animal como eu é capaz de conter-se e de discriminar. Em síntese, Gina, talvez considere que é um "banquete", mas para este homem, por esfomeado de sexo que esteja, é completamente resistível.


Em seu atual estado de agitação, para Gina essa fúria volátil, mas tangível, era apavorante e incompreensível.


Retrocedeu, envolvendo o corpo com os braços, para tratar de defender-se de quantas feridas Harry infligia em suas emoções em carne viva.


Harry leu cada uma de suas reações nesses olhos expressivos, e satisfeito de haver feito o maior mal possível, girou sobre seus calcanhares e se encaminhou ao gabinete que havia junto a televisão, onde começou a revisar os nomes dos filmes gravados que continha.


Gina soube que acabava de ser descartada como um lenço de papel usado e sumariamente despedida, mas seu orgulho se rebelou ante a possibilidade de arrastar-se a seu quarto como um coelho ferido. Recusava-se a derramar uma única lágrima e a demonstrar emoção. Encaminhou-se até a mesa e começou a endireitar as revistas que a cobriam. A gélida ordem de Harry a obrigou a erguer-se, assombrada.


— Vá para a cama! E de todos os modos, o que é? Uma espécie de dona-de-casa compulsiva?


As revistas caíram ao piso e o olhou jogando faíscas pelos olhos, mas obedeceu.


Pela extremidade do olho, Harry a observou retirar-se, notando o queixo orgulhosamente elevado e a graça de seu passo. Mas, com a habilidade que tinha aperfeiçoado dos dezoito anos, voltou-se e descartou por completo Gina Weasley de seus pensamentos. Em troca se concentrou no relatório jornalístico de Tom Brokaw que Gina tinha interrompido com sua explosão de irritação. Harry teria jurado que enquanto tratava de consolá-la, Brokaw havia dito algo sobre Neville Longbotton. Instalou-se no sofá e franziu a sobrancelha. Seria bom se tivesse podido ouvir exatamente o que era! Mas duas horas depois haveria outro noticiário, ou pelo menos a recapitulação das notícias do dia. Harry apoiou os pés sobre a mesa, recostou as costas contra o encosto do sofá e decidiu esperar. Lembrou do rosto de Longbotton com seu sorriso travesso e sorriu.


Em todos esses anos, havia só dois homens a quem tinha chegado a considerar verdadeiros amigos. Sirius Black, e o outro, Neville Longbotton. O sorriso de Harry cresceu ao considerar o quanto eram diferentes. Sirius Black era um magnata de fama mundial; a amizade entre ele e Harry se apoiava em interesses comuns e em um profundo respeito mútuo.


Neville Longbotton era uma trombadinha que não tinha nada em comum com Harry, e Harry não tinha feito nada para ganhar seu respeito e sua lealdade. E entretanto, Longbotton as brindou, livremente e sem reservas. Quebrou o muro do isolamento de Harry com brincadeiras tolas e com contos graciosos sobre sua família numerosa e pouco convencional. Depois, e sem que Harry se desse conta, com toda intenção Longbotton o incluiu em sua família.


Tal como esperava, justo antes de meia-noite, voltaram a passar a reportagem de Brokaw, junto com um breve vídeo que Harry tinha visto mais cedo. O vídeo mostrava a Nev, com as mãos detrás da cabeça, algemado, no momento em que o colocavam aos empurrões no assento traseiro de um carro patrulheiro de Azkaban, uma hora depois da fuga do Harry. Mas o que o fez franzir o cenho foram as palavras do jornalista. "Neville Longbotton, de trinta anos, o segundo sentenciado que tentou fugir, foi recapturado depois de uma breve topada com a polícia. Foi transferido à Penitenciária Estatal de Azkaban, para ser interrogado. Ali compartilhou uma cela com Potter, que segue sendo um fugitivo. O diretor da Penitenciária, Tom Riddle, descreveu Longbotton como um homem extremamente perigoso." Harry se inclinou para olhar com atenção a tela do televisor. Sentiu um alívio ao comprovar que Nev não parecia ter sido maltratado pela polícia de Azkaban. E entretanto, o que se dizia a respeito dele não tinha sentido.


O jornalismo e Riddle deveriam estar tratando a Nev como um herói, um condenado reformado que deu o alarme ante a fuga de um companheiro. No dia anterior, quando os noticiários se referiam a Nev como "o segundo preso que tentou fugir", Harry supôs que se tratava de um engano, que ainda não tinham tido a oportunidade de entrevistar Riddle para uma ideia exata dos fatos. Mas já tinham esperado tempo mais que suficiente e sem dúvida entrevistaram o diretor da cadeia. Entretanto, Riddle descrevia Longbotton como perigoso. Por que diabos faria isso, perguntou-se Harry, se deveria estar recebendo os elogios da sociedade ante a comprovação de que um dos presos em quem depositou sua confiança demonstrou ser digno dela?


A resposta era impensável, inacreditável: Riddle não acreditou na história de Neville. Não, isso era impossível, pensou Harry, porque ele se assegurou de que o álibi de Nev fosse seguro.


O que só deixava outra possibilidade: que Riddle tivesse acreditado na história de Nev, mas estivesse muito enfurecido pela fuga de Harry para deixar que Longbotton ficasse sem castigo. Harry não tinha contado com isso; supôs que o ego gigantesco de Riddle o levaria a elogiar Nev, sobre tudo considerando a atenção que o caso tinha despertado na imprensa. Nunca imaginou que a maldade de Riddle poderia mais que seu ego ou seu sentido comum, mas se assim era, os métodos que Riddle chegasse a colocar em prática para vingar-se em Nev seriam apavorantes e brutais. Na prisão corriam as histórias mais espantosas de castigos físicos, alguns deles fatais, que tinham tido lugar na infame sala de conferências de Riddle, com a ajuda de vários de seus guardas preferidos. A desculpa pelos corpos feridos e cheios de machucados que depois chegavam à enfermaria ou ao necrotério da cadeia, era sempre "danos sofridos pelo prisioneiro durante uma tentativa de fuga".


O alarme de Harry se converteu em pânico quando antes de terminar o noticiário, o locutor informou: "Temos uma notícia de último momento, referente à fuga de Potter-Longbotton da cadeia estadual. Segundo a declaração dada a publicidade faz uma hora pelo diretor do presídio de Azkaban, Neville Longbotton fez uma segunda tentativa de fuga enquanto era interrogado a respeito de sua responsabilidade na fuga de Potter. Três guardas sofreram lesões antes de que Longbotton pudesse ser recapturado e submetido. O prisioneiro foi conduzido à enfermaria da cadeia, onde se informa que seu estado é crítico. Ainda não pudemos obter detalhes a respeito da natureza e gravidade de suas lesões."


Harry ficou petrificado de espanto e fúria, seu estômago se embrulhou e jogou a cabeça para trás para não vomitar. Ficou com o olhar cravado no teto, tragando convulsivamente, enquanto recordava a face sorridente e as brincadeiras tolas de Neville.


O locutor continuou falando, mas ele nem o escutou. "Confirmaram-se rumores de um levantamento dos detentos da Penitenciária Estatal de Azkaban, e se informa que Ann Richards, governadora do Texas, está considerando a possibilidade de que, se necessário, intervenha a Guarda Nacional. Pelo visto, aproveitando a atenção que os meios colocaram na fuga de Potter-Longbotton, os prisioneiros da cadeia de Azkaban protestam pelo que denominam desnecessária crueldade por parte de certos funcionários e empregados, pelas más condições de vida e a péssima comida da prisão."


Muito depois de que a estação de televisão deixou de transmitir, Harry permanecia onde estava, tão atormentado e desesperado que não conseguia reunir as forças necessárias para se levantar do sofá. A decisão de escapar e sobreviver que o manteve lúcido durante os últimos cinco anos pouco a pouco ia se esfumando. Tinha a sensação de que a morte sempre tinha estado a seu lado ou acossando-o por atrás, e de repente se sentiu cansado de fugir dela. Primeiro morreram seus pais, depois seu irmão, logo seu avô e por último sua mulher. Se Longbotton chegava a morrer, o único culpado seria ele. Harry teve a sensação de que sobre ele pesava uma espécie de maldição macabra que condenava a todos seus seres queridos a uma morte prematura. Mas apesar de seu desespero, deu-se conta de que esses pensamentos eram perigosos, desequilibrados e insanos. Sentiu que os laços que o atavam à sensatez estavam se convertendo em algo muito, muito frágil.

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 17) - Copyright 2002-2023
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.