Hermione decidiu ouví-lo.
- Eu não sabia como te encontrar de novo, sabe, por causa dos feitiços. Aí alguma coisa sabe, me fez ter a sensação de que devia vir até você, de que você precisava de mim.
- Ah, é? - ela perguntou, desconfiada - Posso saber o quê? E como?
- Isso.
- O seu desiluminador?
- Descobri que ele não serve só para controlar luzes. - ele disse - Eu estava na casa de Sirius e eu ouvi algumas vozes, inclusive a sua.
- E o que eu disse, exatamente?
- O meu nome. Só o meu nome. - ele disse - Como um sussurro. Aí depois ouvi meu pai... e Dumbledore!
- Impossível. Seu pai está morto.
- Eu juro! Depois saiu uma luz daqui e tocou bem aqui, no meu peito. - ele disse, apontando para o próprio peitoral.
Hermione o convidou para entrar. Estava tocando uma música lenta, bonita e realmente muito aconchegante. Dava um bom clima dentro da barraquinha. Hermione havia encontrado o rádio dentro da bolsa de contas dada por Dumbledore.
- Vamos dançar? - Draco sugeriu.
- Você está maluco? Eu não sou boa nisso!
- Me dê sua mão. - ele disse, estendendo o braço - Eu vou te ensinar a dançar.
- Isso é loucura, Draco!
- Vou te fazer girar. - ele riu - Não vou te deixar cair, sério.
Hermione deu a mão para ele e começou a se movimentar.
- Quer me deixar guiar? - ele pediu - Você pode subir no meu pé. Tente, vai ficar tudo bem.
Hermione subiu nos pés de Draco e, segurando sua mão, apoiou a cabeça nos ombros dele. Ele segurava-a pela sintura, dançava lentamente sem sair do lugar e ela acompanhava os movimentos, sendo guiada pelos pés dele.
- As pessoas dançam quando estão apaixonadas, sabia? - Draco perguntou. Hermione assentiu - Somos só nós agora.
- É uma sensação que eu nunca tive antes. - ela disse.
- De repente, eu me sinto corajoso. Não sei o que deu em mim. - ele riu e segurou Hermione pela cintura mais firmemente - Posso te segurar, pertinho de mim?
Hermione assentiu com a cabeça novamente.
- O ambiente lá fora está silencioso e agora é o nosso momento. - ele disse. Ao contrário de Hermione, era bom com as palavras - Entre no clima, sinta e fique firme. Estamos indo certo.
De repente, começou a tocar outra música lenta. Era a mesma música que havia tocado no baile do ano anterior. A música que os dois haviam dançado juntos, na frente de todo mundo...
- Está ouvindo, amor? Está tocando a nossa música. - ela disse. Draco ficou surpreso. Ela nunca o chamara de amor antes - Acha que estamos indo bem?
- Tenho certeza.
- Sabe eu não estou mais com medo. Tem um tempo já.
- Isso é bom.
Hermione riu.
- Para sempre é muito tempo, - Draco disse - mas eu não me importaria de passar ao seu lado. Ainda mais se todos os dias eu acordasse com o seu sorriso.
O coração de Hermione pulou do peito. Ela desceu dos pés dele, agarrou-lhe o pescoço e lhe deu um beijo. Ele correspondeu. Nunca haviam estado mais felizes.
*
- O que quer dizer? - Gina perguntou.
- Não imaginava que você fosse tão tolinha, Gina. - Áquila riu - O mestre está de volta.
Ao fim das palavras de Áquila, o armário sacudiu-se, atraindo a atenção de Gina. A porta abriu-se e dali saiu Lord Voldemort. E não estava sozinho. Estava acompanhado por Rabicho, Bellatrix, Yaxley e Antonio Dolohov.
- Áquila! - Gina exclamou, agarrando no pulso da menina. - Precisamos sair daqui
- DEIXE DE SER BURRA, GINA WEASLEY! - Áquila gritou, se soltando das mãos da garota - VOCÊ NÃO ENTENDEU QUE ISSO TUDO É UMA ARMADILHA? QUE VOCÊ CAIU COMO UM PATINHO?
- Você não seria capaz!
- Já sou. Você será a isca perfeita para Harry Potter. DOLOHOV, YAXLEY, PRENDAM-NA!
Os comensais obedeceram. Lord Voldemort estava ciente da astúcia da filha e apenas ficou quieto num canto, orgulhoso, deixando a garota cuidar de tudo.
Gina estava com os braços amarrados na parede através de cordas e pregos conjurados pelos comensais da morte. Passados cinco minutos, Harry, Rony e Dumbledore aparecerm.
- HARRY, NÃO! É UMA CILADA! É TUDO UM PLANO! - Gina bradou.
- Ora, cale a boca, tocha humana! - Yaxley disse, irritado, tampando a boca de Gina.
- Você! - Harry disse apontando para Áquila - Você nos traiu.
Áquila bateu palmas e cordas pegaram Harry, Rony e Dumbledore, lhes prendendo ao lado de Gina. Ninguém sabia como ela havia feito isso.
- Pode deixar que eu cuido de tudo, papai. - ela disse para Voldemort.
- Papai? - Gina, Harry e Rony perguntaram em coro.
- Isso, papai! - Áquila exclamou - Minha mãe, Bellatrix, é uma pessoa imunda, ah, se é! Traiu o marido, foi para o escuro com Voldemort e deu origem a mim. Eu também sou uma pessoa imunda, como ela, como papai, só precisei de uma mãozinha para para descobrir minha imundice interior.
- Áquila, minha jovem, você não é má. - disse Dumbledore - Você é uma garota boa, de coração puro, criada por pessoas puras.
- Não me lembre daqueles traidores de sangue que me criaram! Aquela minha tia, casada com meu tio sangue-ruim. Não sei como um dia pude pensar que eram boa gente.
- Está enganada! Seu coração é bom, você é uma boa menina. - disse Dumbledore.
- Cale a boca, velho inútil! - Áquila gritou. Seu grito fino e rachado lembrou Bellatrix - Eu fui a escolhida!
- Escolhida? - Rony perguntou.
- Isso mesmo, garoto, a escolhida. - ela esticou o braço esquerdo, levantou a manga da blusa e exibiu a marca negra que ali estava estampada. Gina soltou um grito de horror - Eu devo continuar os planos traçados por meu pai. Eu, agora a mais nova Áquila Black Demort reinarei!
- Demort? - Rony caiu na gargalhada - Sério mesmo que você cortou um pedaço desse nome ridículo e colocou como sobrenome?
- Rony! - Harry sussurrou.
- Como ousa insultar tão nobres palavras? - Áquila apontou a varinha para o nariz de Rony. - Crucio!
Mas jovens bruxos de 15 anos eram incapazes de conjurar uma maldição imperdoável corretamente.
- Basta! - ela gritou.
Áquila ainda tagarelava, mas Harry não prestara atenção. Um ratinho cinzento com uma patinha de ferro caminhando até as cordas de Dumbledore lhe atraiu os olhos. O ratinho roeu as cordas que prendiam os quatro. Logo, voltou para trás de Voldemort e assumiu sua forma humana: Rabicho. Ele piscou para Harry, mas no exato momento, a sua mão de ferro parecia gozar de vida própria e começou a atacar-lhe o pescoço. Ela o enforcou. Era possível vê-lo ficar vermelho e seus olhos se esbugalharem até saltar da face. O homem gritou, atraindo a atenção de todos. Ele caiu morto.
- Traidor! - Voldemort chutou a face morta de Rabicho - Sujo, imundo, pérfido, infiel!
Algo tirou Harry dos pensamentos. Ele viu Fawkes, a fênix de Dumbledore entrar voando com o chapéu seletor, mas apenas ele vira. Ele olhou para o chapéu e abrigava a espada de Godric Gryffindor. Ele poderia usá-la para matar Voldemort no momento de fraqueza. Mas se ele não morrerra há 15 anos, porque morreria agora? Harry não entendeu porque, mas algo lhe dizia que Bellatrix devia morrer. E foi isso que ele fez.
Harry pegou a espada de Gryffindor, impregnada de veneno de Basilisco, sorrateiramente, foi para as costas de Bellatrix e cravou a espada em sua espinha. Retirou logo em seguida. Bellatrix soltou um gincho e faleceu. Caiu dura e jorrando sangue.
- NÃAAAAAAAAAAO! - Áquila correu ao encontro da mãe, gritando. Ela não chorava. Era como se toda a capacidade de amar lhe fora sugada.
Voldemort virou-se. Sentiu-se mais fraco. Como se ele quem tivesse levado uma espada nas costas.
- É o fim da linha, Lord das Trevas. - Harry disse, apontando a espada cheia de sangue para Voldemort.
- Ou o seu próprio fim. - Voldemort disse e tocou a marca negra.
Instantaneamente, todos os outros comensais da morte apareceram, sugiram do armário sumidouro. Todos os servos do Lord apontaram suas varinhas para Harry, inclusive os que já estavam ali e o próprio Voldemort.
- Abaixem as varinhas, tolos. - Voldemort disse - Eu devo ser aquele que matará Harry Potter.
Todos obedeceram. Gina abraçou Rony e começou a chorar. Áquila ainda estava deitada sobre o corpo de Bellatrix, acreditando em suas possibilidades de reviver. Harry engoliu seco. Dumbledore apenas olhava.
- Harry Potter, o menino que sobreviveu, - Voldemort disse - venha para a morte.
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Créditos às músicas 'All About Us' e 'I Wouldn't Mind' da He Is We pelo diálogo durante a dança de Draco e Hermione.