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1. Capítulo I


Fic: Harry Potter e o destino de uma amizade


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Um Harry de quase 16 anos estava na casa de seus tios, no nº. 4 da Rua dos Alfeneiros, deitado em seu quarto quando escutou uma voz conhecida vindo do hall.

Levantou-se foi até a janela. Tudo parecia normal vendo dali. No entanto, outra voz pareceu surgir, mais baixa, e essas vozes lhe pareciam cada vez mais claras. Caminhou até a porta e a abriu um pouco. “Claro, reconheceria aquela voz em qualquer lugar”, pensou.

Foi então até as escadas para certificar-se de quem era e, ao olhar para a porta, viu Tonks, hoje com os cabelos compridos e brancos, e Hermione, que subiu apressada as escadas ao ver o garoto. Ao se aproximar, deu-lhe um forte abraço e depositou um beijo em seu rosto, se afastando em seguida.

Harry então pôde ver o quão bonita a amiga estava. Sentiu o estômago despencar, o que não deixou de notar – e estranhar. Aquilo só acontecera quando ele vira Cho Chang pela primeira vez. Nunca tinha se sentido assim com nenhuma outra garota, principalmente com Hermione, a única garota que teve contato durante longos seis anos.

- Beleza, Harry? – perguntou Tonks ignorando a cara dos tios de Harry que pareciam perplexos com a visita.

- Sim... Eu acho... – fez Harry, ainda confuso. – Mas... o que vocês fazem aqui?

- Acho que é meio óbvio, não? Viemos te buscar – Tonks informou como se estivesse explicando a uma criança que dois mais dois são quatro. – Dumbledore quer falar com você. Mandou levarmos você para a Ordem e está à sua espera – explicou. – Eu e Hermione vamos com você fazer as malas e te ajudar.

- Hum, eu... – ele pigarreou. – Tudo bem – limitou-se a apenas concordar.

Olhou para os tios. Estavam estáticos diante da cena. Não se importou. Caminhou novamente para o quarto enquanto Tonks subia as escadas e Hermione o acompanhava.

- Uau, que bagunça! – Hermione murmurou ao ver os livros de Harry espalhados pelo chão.

- Comparado à bagunça que está o Largo Grimmauld, isso aqui não é nada, me acredite! Aquele elfo imprestável só faz reclamar e não faz nada – disse Tonks ignorando o olhar severo que Hermione lançara a ela. – Bem, vamos arrumar logo isso. Fazer malas! – ordenou e os objetos de Harry que estavam espalhados pelo chão voaram para dentro do malão aberto do garoto. – É, acho que é só. Mione pegue a gaiola da coruja de Harry. O resto deixa aí. Os velhos têm que fazer algo de útil...

Hermione que já se abaixara para pegar as cobertas que estavam no chão se ergueu rapidamente.

- Ah, eu... Claro, tudo bem. – Assentiu. Pegou então a gaiola e seguiu os dois na descida da escada.

Quando chegaram lá embaixo, Harry reparou que os tios e o primo tinham retomado suas atividades, no entanto, pararam ao notarem o seu retorno. Petúnia estivera lavando os pratos, mas sempre olhando para o corredor ou caminhando enquanto secava a louça até o pé da escada na esperança de ouvir algo.

- Bom, o Harry voltará no próximo verão, portanto, não pensem que estão livres dele – disse Tonks ao fechar a porta da rua. – Tomem aqui – disse ela aos garotos entregando-lhes uma xícara e verificando o relógio de pulso. – É uma Chave de Portal. Quando eu contar três, vocês vão segurar nela.

- Certo! – disseram Harry e Hermione mais uma vez em uníssono.

- Um... dois... três! – Tonks contou, e como se um gancho puxasse os garotos pelo umbigo, tudo começou a rodopiar e, no instante seguinte, eles estavam no corredor do Largo Grimmauld 12, sede da Ordem da Fênix.

Realmente estava tudo muito bagunçado. Cheio de pergaminhos em todos os lugares. Harry viu Hermione olhar assombrada em volta.

- O que foi que aconteceu aqui? – perguntou a garota.

- O furacão Ordem. Foi isso que aconteceu aqui! – Tonks brincou. – Eu disse que estava tudo bagunçado. Pelo menos está melhor do que a casa empoeirada do verão passado, não concordam? –murmurou animadamente. – Bem, Harry, você vai dormir no mesmo quarto que Hermione. Os Weasley vão ser separados em grupos de três ou quatro.

- Por quê? – indagaram os garotos juntos.

- Porque agora os membros da Ordem irão passar as noites aqui e não iria ter lugar para todos se não dormíssemos em trios e duplas nos quartos – explicou Tonks. – Então... Alguma outra pergunta?

- Você não disse que Dumbledore estava esperando por mim? – Harry indagou de imediato.

- E estou – disse uma voz que veio da cozinha. – Por ambos. Os garotos se viraram surpresos e se viram cara a cara com Dumbledore.

- Muito bem. Tonks, suba com os malões deles – eles viram a metamorfomaga assentir e virar-se para subir as escadas. – Harry e Hermione, por favor, venham comigo – Dumbledore abriu a porta do escritório e esperou que os adolescentes adentrassem a sala para fechá-la atrás de si. – Sentem-se.

Os garotos obedeceram e esperaram. Dumbledore então caminhou até a mesa e sentou-se diante dos garotos.

- O que eu tenho a dizer é simples e rápido – disse ele erguendo os olhos para observar os rostos dos garotos. – Eu quero convidá-los, vocês dois, para participarem da Ordem da Fênix.

- Mas... – começou Harry, mas calou quando ouviu Hermione fazer “Psiu!”.

- Imagino que vocês queiram saber o porquê de serem convidados se não são maiores de idade, não? – continuou Dumbledore.

- Na verdade, sim – Hermione se pronunciou, tímida.

Harry ainda permanecia boquiaberto. Evidente que estava impressionado e até surpreso com o convite inesperado.

- Muito bem. Hermione, eu a convidei porque sei que sabe executar precisamente feitiços julgados muito acima dos N.I.E.M.’s – disse Dumbledore calmamente. – E... Harry, o convidei porque sei mais do que todos no mundo bruxo que é muito corajoso, um rapaz de fibra e, principalmente, porque é o único com o poder de enfrentar Voldemort.

Houve um momento de total silêncio. “Dumbledore está sendo modesto. Todos sabemos que ele pode enfrentar Voldemort de igual para igual”, pensou Hermione.

Então o silêncio foi quebrado pelo som da campainha.

- Tudo bem, deixa-me ver se entendi: eu e Mione... Na Ordem? – disse Harry confuso.

- Isso – fez Dumbledore simploriamente.

- Mas... Como? – perguntou Hermione.

- Eu simplesmente estou convidando-os a participar da Ordem.

- Sim... Isso nós entendemos. Mas... Por quê? – perguntou Harry.

- Porque eu acho que vocês são responsáveis o suficiente para se juntarem a nós.

- E quanto ao Rony? – interrompeu Harry.

- Rony, infelizmente, não poderá participar. Molly disse que ele não é responsável o bastante para participar desse tipo de coisa e nem entenderia o que estaremos tratando – explicou Dumbledore calmamente. – É claro que discordo totalmente da visão antiquada de Molly. Vocês três vêm provando o contrário desde os onze anos de idade – concluiu com um sorriso. – Bom, se não têm mais nenhuma dúvida... – o diretor fez enquanto colocava-se de pé.

- Espera! – disse Harry. – Se nós vamos participar da Ordem, teremos que vir às reuniões...

- Já planejei isso! Vocês serão chamados ao meu escritório sempre que houver reuniões ou algo importante para saberem. Mantê-los-ei sempre informados. E vocês não poderão contar a absolutamente ninguém que estão participando da Ordem.

- Nem ao Rony? – perguntou Hermione.

- Nem para ele – o diretor frisou. – Ele não suportaria o fato de seus melhores amigos serem membros da Ordem e ele não. Foi por isso que coloquei vocês três em quartos separados. Para que vocês, num momento qualquer, não deixassem escapar isso.

- Tudo bem – disseram Harry e Hermione em uníssono.

- Mais uma coisa. Conforme ordem do ministro da Magia, teremos dois monitores fiscais durante esse ano em Hogwarts: um garoto e uma garota. É algo provisório e logo darei um jeito de eliminar esse cargo – ele comentou. – Harry, espero que não se importe – E Dumbledore caminhou até a porta, acompanhado dos garotos.

- Harry, você! – exclamou Hermione, abraçando-o em seguida. – Eu sabia!

- E a Srta. Patil também. Gina Weasley foi nomeada monitora este ano, claro – o diretor contou. – Muito bem, agora eu tenho que ir. Muitas coisas para resolver antes do início do ano letivo. Esperaram que Dumbledore os deixasse e então se entreolharam.

- Ah, hum... Harry... – começou Hermione. – Nós, bem... Nós vamos contar para o Rony?

- Você ouviu Dumbledore. E, sabe, ele tem certa razão. Se o Rony souber, ele vai querer saber por que nós participamos e ele não. Não vai ficar muito feliz por a Sra. Weasley não ter deixado que ele entrasse para a Ordem – respondeu Harry.

- É... Talvez não devamos – concordou Hermione. – Bem, vamos subir para ver o nosso quarto e arrumar as nossas coisas. Os dois atravessaram o hall em direção às escadas, onde encontraram os Weasley.

- Harry! Hermione! – disse Rony, que estava ainda maior e mais desengonçado do que nunca. – Não sabia que já estavam aqui. Onde vocês estavam?

- No escritório – respondeu Hermione, quase que automaticamente. Harry reparou que a garota não havia pulado no pescoço de Rony como havia feito com ele.

- Ah! Então... Já souberam da divisão dos quartos? – perguntou o garoto ruivo.

- É, cara, separaram a gente – Harry comentou, fazendo uma careta.

- Eu só não entendi por quê – o ruivo continuou. – E eles nunca misturaram garotos e garotas.

- Porque a casa vai estar cheia nos próximos dias e tivemos que dividir todos em duplas e trios nos quartos – Tonks repetiu a mesma resposta que dera a Harry e Hermione antes mesmo que Harry pudesse abrir a boca para responder ao amigo. – E a Sra. Weasley deu preferência para que ficasse com seus irmãos – concluiu. – Muito bem... Vou levá-los ao quarto deles e depois eles voltarão, aí poderão conversar, ok?

Tonks segurou Harry e Hermione pelos ombros e subiu as escadas até o terceiro patamar. O quarto que foi de Sirius agora seria o que Harry e Hermione iriam dormir.

- Harry, não sei se você sabe, mas você é o único herdeiro de Sirius. Portanto, essa casa agora é sua – disse Tonks. – Mas você só poderá vir morar aqui quando completar 17 anos.

- Essa casa? Minha? – Harry fez, assombrado.

- Isso mesmo – respondeu a moça, sorrindo levemente. – Entrem logo. Têm muita coisa para ajeitar para o próximo mês – disse Tonks empurrando os dois para dentro do quarto e fechando a porta.

Ficaram em silêncio por alguns instantes. Harry colocou o malão no chão e o abriu, tirando as roupas de dentro dele e passando-as para o guarda-roupa.

- E então, que cama vai querer? – perguntou à Hermione.

- Eu fico com a de cá – apontou a da parede. – Sabe, não gosto de dormir perto da janela.

- É... Pode ser. – ele concordou. – Mione, eu... Vou tomar banho – ele entrou no banheiro e fechou a porta. Hermione continuou arrumando as coisas dela e de Harry e passando-as para o armário.

- Harry! Você está doido? – perguntou a garota ao ver Harry sair do banheiro enrolado na toalha e tapando os olhos com as mãos.

- Bom, eu avisei que ia tomar banho. Bem... É que eu esqueci as roupas em cima da cama. – justificou o garoto.

- Tudo bem. Teremos que estabelecer algumas normas de convivência, para nosso próprio bem – ela suspirou nervosamente e deu as costas para o amigo. – Vai, pega logo e volta para o banheiro – disse Hermione.

- Ok. Hum... Desculpa – o moreno pegou as roupas e voltou para o banheiro. Ouviu-se um estalido e Hermione soube que ele havia fechado a porta.

Hermione não estava zangada com Harry, apenas se assustou. Ficou encarando a porta do banheiro sem ver nada à sua frente. Despertou ao sentir um leve arrepio. Voltou então a arrumar as coisas no armário, apressada. Não tiraria tudo da mala, afinal, seria trabalhoso pôr tudo de volta.

- Hermione? – uma voz distante chamou, que Hermione logo reconheceu ser a de Harry.

- Ai, Harry, que susto! – disse a garota, despertando de seus devaneios.

- Você está bem? – ele indagou à amiga. Hermione reparou que ele já estava completamente vestido. Ela estava sentada na própria cama e percebeu que já terminara de arrumar as coisas. Estranho. Parecia que Harry tinha fechado a porta do banheiro no instante anterior.

- E-eu... Estou, claro! – ela respondeu. – Por quê?

Harry analisou o rosto da amiga. Ela parecia bem, só devia estar cansada.

- Nada. É que eu te chamei e você não respondeu, só isso.

- Eu só estava pensando. E estou um tanto quanto cansada! – disse Hermione se aproximando. – Eu vou tomar um banho. Pode descer. Encontro você lá embaixo – sorriu ternamente.

- Ok. Estou esperando, então.

- Tudo bem. Avise a Sra. Weasley que eu não vou demorar – Hermione recolheu a toalha e encaminhou-se para o banheiro.

Harry desceu e encontrou Rony ao pé da escada.

- Harry, mamãe mandou avisar a você e a Mione que o jantar está na mesa – disse o garoto ruivo.

- Ah, certo. Mione foi tomar banho. Disse que não demora – Harry disse.

- Hum, tudo bem, eu acho. Então... Quando foi que vocês chegaram? – perguntou Rony.

- Pouco antes de vocês. E onde estão os outros?

- Na cozinha. Papai só vai chegar depois do jantar – o ruivo contou. – Parece que a casa está lotada! – comentou Rony.

- Deu para notar – disse Harry quando se aproximaram da porta da cozinha. Quando os dois entraram, Harry foi recebido muito bem.

- Olá, Harry! Como vai? – perguntou Lupin que havia se aproximado do garoto.

- Muito bem. E o senhor? – disse Harry.

- As coisas estão caminhando, meu caro...

- Harry?! – disse Olho-Tonto se aproximando do garoto também. – Tudo bem, rapaz?

- Ah... Claro. – disse Harry dando um aperto de mão em Moody.

- Ah, Harry, querido, venha se sentar. Espera só um minutinho. Vou trazer um prato para você – a Sra. Weasley chamou.

Harry caminhou até a mesa com Rony e se sentou.

- Harry, que foi que Dumbledore queria com vocês?

- Queria avisar a mim que eu tinha me tornado monitor e Gina também. – disse Harry começando a comer. – Mas não diga nem à Gina nem a Sra. Weasley. Acho que Dumbledore quer fazer surpresa.

- Gina?! Ah, não! Mamãe vai dar à louca! – disse Rony, e os dois riram.

- Ah! Aí estão vocês – Hermione exclamou enquanto ocupava o lugar ao lado de Rony e de frente para Harry, servindo-se.

- Oi, Mione! – disse Rony.

- Olá, Rony! – disse a garota. – Estava falando com a Sra. Weasley. Acho que teremos que dormir cedo hoje. Sua mãe, Rony, fez questão de deixar claro que a faxina fica por nossa conta – riu. – Ela também disse que iria falar com você depois.

- Ah, tudo bem! – o ruivo assentiu.

Não demorou muito para Gina aparecer.

- Olá, pessoal! – a ruiva cumprimentou.

- Oi, Gina. Senta aí! – Hermione apontou o espaço ao lado de Harry. – Onde você estava?

- Dormindo. Quando eu cheguei, estava muito cansada e mamãe me mandou subir para dormir – contou Gina. – E vocês, quando chegaram?

- Hoje. Um pouco antes que você! – Hermione repetiu o que Harry dissera a Rony.

- Bom, pessoal, eu vou subir. Estou morrendo de sono, nem me concentrar na comida estou conseguindo, então... Boa noite! – fez o moreno enquanto se levantava Hermione esperou até que o moreno sumisse pela porta afora.

- Então, amanhã é o aniversário do Harry. Eu estava pensando em fazer uma festa surpresa para ele ou algo do gênero. Vou falar com a Sra. Weasley e ver se ela pode fazer uma torta de abóbora. Ia ser legal. Pelo menos ele não ia se lembrar de Sirius – disse.

- É... Até que é uma boa ideia. Eu acho que ele vai gostar... Espera um minutinho, vou falar com a mamãe – Gina correu então para falar com a mãe.

- Rony... Amanhã, você vai fingir que esqueceu que é aniversário do Harry. E vai falar isso para todo mundo, ok? – disse Hermione ao amigo.

- Tudo bem.

- Pronto! Mamãe adorou a ideia! Disse que vai nos ajudar. Mas Harry não pode saber que a gente vai fazer isso, então... Como?

- Foi por isso que eu disse que ele vai ter que ajudar a arrumar a casa, entendeu? – respondeu Hermione. – Rony, explique a Gina o que ela vai ter que fazer... Eu vou dormir. Passei a tarde toda arrumando o quarto e já passam das dez, também. E eu estou exausta, então... Até amanhã!

- ‘Noite, Mione – Rony disse e observou a morena se afastar.

- Ela está um bocado bonita, não é? – Gina observou. Rony encarou a irmã, as sobrancelhas arqueadas.

- Ué, você não acha? – a ruiva se fez de desentendida.

- Gina, corta essa! – ele revirou os olhos. – Eu vou falar com o pessoal sobre a festa do Harry. Decerto é melhor do que ficar aqui ouvindo suas asneiras – Rony se levantou e sumiu de vista. Gina apenas riu e seguiu o irmão.


---


Harry levantou cedo, conforme Hermione pedira. Trocou de roupa silenciosamente e foi até a cama onde a amiga ainda dormia.

- Hermione... Acorda! Já são 8h. – sussurrou o garoto.

- Hã? Já? – disse a garota se levantando e procurando o seu relógio. – Ah, não! Perdemos a hora...

- Hora de quê? – perguntou Harry intrigado.

- Nada. É que a Sra. Weasley pediu para descermos às 7h30.

Hermione se levantou de um salto, entrou no banheiro e se trocou o mais rápido que pôde. Poucos minutos depois os dois já estavam na cozinha tomando o café da manhã. Gina lhes fazia companhia enquanto a Sra. Weasley ajeitava as coisas no aposento.

- Harry, quando terminar, pode ir para a sala de estar e começar. Não precisa esperar por nós, certo? – Hermione disse ao amigo.

- Ah, tudo bem – concordou Harry. Continuaram conversando calmamente enquanto comiam. Harry terminou antes de Hermione e Gina.

- Muito bem. Harry, você pode ir para sala de estar. Daqui a pouco as meninas vão também. Elas vão me ajudar com o material. Enquanto isso recolha os pergaminhos e guarde-os no armário do corredor – disse a Sra. Weasley.

- Tudo bem. – Harry assentiu e caminhou em direção à porta.

- Sra. Weasley... Como nós vamos chamar todos os amigos de Harry? Acho que só vai dar para chamar o Neville e a Luna. Eles são os únicos que sabem da Ordem... – Hermione começou quando Harry saiu.

- Bem, não posso mandar nenhuma coruja para eles, mas posso mandar Olho-Tonto pegá-los – disse a Sra. Weasley. – É... Acho que eles dois poderão passar o resto das férias conosco. Ainda temos um quarto livre.

- Mamãe, a Luna pode dormir no mesmo quarto que eu e o Neville no quarto de Rony.

- Como quiser, Gina – a Sra. Weasley suspirou sem dar muita atenção ao que a caçula Weasley dizia. – Assim ainda teremos um quarto para quando Fred e Jorge resolverem aparecer.

- Espero que eles possam vir logo. Isso aqui fica um tédio sem eles – Gina murmurou, desgostosa.

- Como assim, sem eles? – Hermione fez, sem entender.

- O Rony não te contou? – fez Gina. – Fred e Jorge construíram uma casa em cima da loja deles no Beco Diagonal. Dizem que é uma medida de segurança. Desde então, eles só passam alguns dias durante a semana com a gente. Mas depois que as férias começaram e o movimento no Beco aumentou consideravelmente, nem isso eles vêm passar conosco.

- Esses dois são doidos mesmo... – murmurou Hermione baixinho. – Bem... Eles vão vir para a festa, não vão?

- Vou ver isso agora mesmo – disse a Sra. Weasley saindo da cozinha.

- Gina, acho melhor pegarmos logo o material e irmos para a sala de estar, antes que o Harry desconfie... – disse Hermione.

- É, Vamos... – Gina concordou e foi até a dispensa e trazendo consigo dois baldes cheios de material de limpeza. As duas foram para a sala de estar e a encontraram quase limpa. Harry estava limpando com um pano molhado a estante e já havia guardado todos os pergaminhos.

- Ah, Harry... Você limpou tudo sozinho? – disse Hermione com a voz fraca. – Eu disse que estávamos vindo...

- Não limpei nem metade da casa... – disse o garoto. – Já limpei a sala de visitas. Essa sim estava bagunçada... Só vim para essa agora...

- Ah, Harry, desculpa... Nós demoramos, não foi? Estávamos conversando com a Sra. Weasley e... – Hermione começou, sem jeito.

- Harry, você não se chateou conosco, certo? – fez Gina num sussurro audível.

- Eu não estou chateado com ninguém... Eu estou acostumado com esse tipo de serviço. Vocês sabem, os Dursley... – ele fez uma careta.

Já passava das 13h quando eles terminaram de limpar a casa. Todos já tinham se levantado e estavam ajudando na limpeza. Quando a Sra. Weasley os chamou para almoçar, todos estavam mais que famintos. Foram todos juntos para a cozinha e dividiram-se entre as duas compridas mesas que se estendiam no aposento.

Harry não desconfiara de nada, muito menos se importara com o fato de que ninguém desejara um feliz aniversário a ele; estava acostumado a isso também, afinal.

Depois do almoço, a Sra. Weasley mandou todos subirem para descansar, e a ordem foi obedecida sem reclamações. Rony e Gina foram seguiram para seus respectivos quartos no primeiro andar e Harry e Hermione foram para o quarto deles que ficava no terceiro patamar e quando chegaram lá, apenas deitaram e dormiram.

Mais ou menos às 16h, Hermione se levantou sem fazer barulho e foi tomar banho. Colocou o seu vestido mais bonito, prendeu os cabelos em um penteado simples e gracioso e desceu. Quando chegou lá embaixo, encontrou quase todos os convidados lá na sala de estar muito bem arrumados. Gui, que tinha acabado de chegar, foi trocar de roupa e depois foi acordar Harry.

- Harry, cara, acorda! Vai tomar banho para o jantar... – disse quando entrou no quarto.

- Hã?! Ah, claro! Só um minuto... – disse Harry pegando sua jeans, uma camisa de manga comprida, a toalha e entrou no banheiro.

Saiu dez minutos depois. Gui ainda estava esperando por ele enquanto lia a última edição de O Pasquim, que trazia uma matéria exclusiva sobre dragões e outros seres mágicos perigosos. Os dois desceram as escadas até chegarem ao andar que ficava a sala de estar.

- Por que vamos jantar aqui, e não na cozinha? – perguntou Harry.

- Porque nós somos mais vinte e na cozinha não iria caber todo mundo... – respondeu Gui abrindo a porta da sala de estar.

Quando Harry entrou na sala, percebeu que estava tudo escuro e que não tinha ninguém. Mas de repente, um vulto veio ao seu encontro e o abraçou tão forte que ele só pôde pensar que era uma pessoa: Hermione. Mas ele não entendia o porquê daquilo tudo.

- Harry... Tenho uma surpresa para você!

Hermione segurou o garoto pela mão e acendeu a luz.

Harry nunca tomou um susto tão grande na sua vida. A sala estava cheia de amigos dele e pessoas conhecidas. Então todos gritaram ‘surpresa’ e começaram a cantar parabéns.

A reação de Harry não foi imediata. Ele ficou alguns segundos olhando aquela gente toda e então deu um abraço em Hermione e murmurou algo como ‘Obrigado’ para a amiga. Ele não sabia bem o que fazer. Nunca tinha comemorado um aniversário seu. Então, ele foi cumprimentar os convidados e amigos. Todos desejavam a Harry um ‘feliz aniversário’ e lhe entregavam presentes. Fred e Jorge lhe deram um Kit Mata-Aula.

- Esse é especial para o nosso patrocinador! – brincaram.

Harry então lembrou que para que sua felicidade estivesse completa, três pessoas que não poderiam estar ali, precisavam estar presentes: seus pais e Sirius. Mas Harry não queria lembrar disso, queria festejar esse dia tão feliz para sua vida. Harry prometeu a si mesmo que iria fazer algo em troca do que Hermione havia feito por ele.

A festa durou até a madrugada, e quando Harry foi dormir, já eram três horas da manhã. Ele e Hermione desejaram boa noite àqueles que restaram e subiram as escadas para o terceiro patamar. Foi aí que ele pôde reparar como a garota estava bonita.

Sorriu para ela e os dois caminharam em silêncio até o quarto. Prepararam-se para dormir e quando se deram conta, estavam sentados um de frente para o outro em suas respectivas camas.

- Mione, eu sei que nós somos muito amigos e tudo mais, mas está na hora de eu te contar uma coisa que deveria ter contado a você logo que voltei da sala de Dumbledore no ano passado.

- O quê? Do que você está falando?

- Da profecia quebrada. Lembra? Bom, Dumbledore tem uma Penseira, um lugar onde deposita todos os seus pensamentos, e quando ele depositou lembranças antigas nela, apareceu a imagem da Trelawney. Ela estava estranha, com aquela voz estranha que eu te falei no terceiro ano. Ela disse coisas estranhas... Não me lembro muito bem. Disse que um menino nascido ao final do sétimo mês, cujos pais já haviam enfrentado o Lord das Trevas três vezes, seria o único bruxo que teria poder igual ao do Lord das Trevas e que este iria marcá-lo como igual, e que poderia vencê-lo. E que enquanto um sobrevivesse o outro não poderia viver bem e que um de nós, teria que... Que matar o outro – terminou Harry.

- Mas como ele sabia que o garoto de quem a profecia falava era você?

- É isso que eu não entendo! O Neville também nasceu no final de julho, um dia antes de mim, e os pais dele também enfrentaram Voldemort três vezes. Essas características se encaixavam em nós dois... Mas...

- Ele escolheu você! – completou Hermione.

- Bem, é... – finalizou Harry. – Olha, eu vou dormir.

- Tudo bem, é melhor irmos dormir mesmo – Hermione se levantou e foi até a cama que o amigo já desforrava para dormir. – Harry, só quero que saiba que pode contar comigo sempre que precisar, ok? E sei que você talvez tenha ido ao seu limite me contando isso, e que talvez não queira falar nada além disso, mas se eu puder ajudar, por favor, deixe-me que eu saiba.

- Depois nós conversamos, ok? Boa noite, Mione – Harry se deitou e deu um meio sorriso para a amiga, que levantou e voltou para o seu lado do quarto.

- Boa noite, Harry – ela suspirou e apagou o abajur, deixando a escuridão engolir a ambos.


---


- Harry? Hermione? Queridos, acordem! – disse a Sra. Weasley.

- Aconteceu alguma coisa, Sra. Weasley? – perguntou Hermione.

- Dumbledore já chegou e pediu para todos os membros da Ordem descerem para a cozinha – disse a Sra. Weasley.

- Nós já descemos, Sra. Weasley. Vamos só nos trocar, tudo bem?

- Certo, querido – a Sra. Weasley assentiu e se retirou.

Hermione continuou deitada sem dar uma palavra.

- Que foi? – perguntou Harry antes de entrar no banheiro.

- Nada... Só estava pensando... Será que o que estamos fazendo com o Rony está certo? Afinal, ele tem seus defeitos, mas é nosso amigo!

- Quando Dumbledore pediu para você e ele não contarem a mim o que estava acontecendo aqui vocês não contaram... Lembra? No ano passado... Eu não vou contar se Dumbledore pediu para eu não o fazer. E eu já aguentei mais de seis meses sem contar alguma coisa a vocês... Como o caso dos pais de Neville... – retrucou Harry.

- Mas ele nos fez jurar que não contaríamos...

- E foi o que ele fez agora. – disse Harry simplesmente.

- Harry, eu realmente queria contar, mas não pude. Eu só acho que o Rony, bem... eu só acho que ele, por ser nosso amigo, deveria saber. Seria o mais justo com ele, é só isso! – Hermione explicou-se. – O que você acha que Dumbledore quer com a gente? – ela indagou, mudando de assunto.

- Não faço ideia. Deve ser só uma reunião da Ordem – Harry opinou e deu de ombros.

Eles se aprontaram e desceram. Parados à porta, entreolharam-se.

- É melhor entrarmos, não é?

- Vamos logo – disse Harry decidido e abriu a porta.

Não havia muitos membros da Ordem ali, então os garotos perceberam que a maioria ainda não chegara.

- Onde estão os outros? – perguntou Harry.

- Ainda não chegaram, mas estão a caminho – disse Dumbledore do outro lado do aposento.

A campainha soou por trás da porta informando que alguém chegara. Naquele mesmo instante, a porta da cozinha se abriu e entraram Mudungus, Moody, Quim, Carlinhos e o Sr. Weasley.

- Falta mais alguém? – perguntou Lupin.

- Sim, Remo. Receio que só poderemos começar quando todos estiverem aqui – respondeu Dumbledore.

- Dumbledore, trouxe torradas para todos. Creio que todos queiram tomar café, não? – disse a Sra. Weasley colocando uma bandeja em cima da mesa.

- Sim, Molly. Obrigado – Dumbledore agradeceu.

Todos começaram a comer. Minutos depois, o resto da Ordem chegou e eles começaram a reunião.

- Creio que todos estejam presentes aqui, não? – disse Dumbledore enquanto todos concordavam com a cabeça. – Então podemos começar. Muito bem... Alguns de vocês devem saber que temos dois novos membros. – Apontou Harry e Hermione.

A reunião correu muito bem. Uma hora depois Harry e Hermione foram dispensados.

- Onde vocês estavam? – perguntou uma voz. Os garotos se viraram e deram de cara com Rony.

- Estávamos tomando café. Você acordou há muito tempo? – respondeu Hermione.

- Não. Acordei há um minuto.

- Bom, a Sra. Weasley disse que era para você esperar um pouquinho. Trouxemos as torradas que ela mandou para você – disse Hermione. – Onde está o Neville?

- Dormindo – disse Rony olhando desconfiado para Hermione.

- Bem, eu vou subir – disse Harry. – Acordei muito cedo. Vou descansar.

- Eu vou também. Rony, mais tarde nos falamos. Tchau – falou Hermione.

- Tudo bem.

Os garotos subiram as escadas e foram direto para o quarto. Harry se jogou na cama sem nem trocar de roupa. Hermione também não trocou de roupa. Deitou-se. Segundos depois, apoiou a cabeça sobre a mão e virou-se para encarar o amigo que estava do lado oposto do quarto.

- Harry, estava pensando... Que tal irmos amanhã conhecer a loja de Fred e Jorge? – sugeriu.

- Boa ideia. Levamos o Rony e a Gina conosco. Eles iriam gostar, afinal não conhecemos a loja deles.

- É, pode ser – a morena concordou. – Ah, vai ser ótimo! – Hermione sorriu e deu as costas ao amigo, abraçada a um travesseiro. – Até mais tarde, Harry.

- Até, Mione – o moreno suspirou e fechou os olhos.

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