Lord Voldemort não havia chamado Áquila para encontrá-la em sua sala desde que recebera o jornal com a tal manchete sobre ela ser filha de Bellatrix, há uma semana. Ela não estava se preocupando muito, afinal, a preocupação com ela vinda do Lord após descobrir que ela possuía o dom da Ofidioglossia, tão admirado por ele, havia dobrado. Já se preocupava bastante quando ele havia sido informado que Bellatrix trouxera sua "filha perdida" e que poderiam convencê-la a servir o mal, mas agora, estava tudo absurdo. A comida que ela recebia geralmente era bife com batatas fritas, carne assada ou até um enorme frango assado, isso quando ela podia escolher o que quisesse, independente do que fosse. Só bebia suco de abóboras natural e das melhores abóboras. Lord Voldemort tinha ótimos planos para uma adolescente Ofidioglota, planos que ninguém mais possuía conhecimento sobre, só ele, apenas Lord Voldemort.
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Hermione ficou pensando nas coisas em que Draco havia dito. Ele realmente estava certo, o que estava acontecendo de errado com ele - ou com ela mesma - ultimamente? Hermione não possuía a mínima ideia. Algo que ele, Draco, havia feito ou fruto da própria personalidade? Ela geralmente pensava no fato de isso tudo ser culpa do jeito de ser dele, culpa da personalidade nata, afinal, fora criado com arrogância, mas também poderia haver um motivo específico para ele continuar a perturbá-la, quem sabe fosse tudo apenas por ele desejar tanto desfrutar de sua atenção? Só ele prórpio poderia saber a resposta.
Uma semana havia se passado. Nenhuma notícia sobre Áquila, Lord Voldemort, comensais da morte, mansão dos Malfoy, mortes ou qualquer outra coisa maligna, como por exemplo, dementadores descontrolados por cidades e bairros trouxas, fora colocada no Profeta Diário ou no Profeta Vespertino. As coisas pareciam estar um pouco tranquilas pelo lado de fora, pois nenhum caso de morte havia sido explanado ou comentado dentro ou fora do Ministério da Magia. Tonks às vezes se sentia preocupada com a falta de noticias sobre sua querida priminha, pensava no fato de que poderiam estar torturando-a, ensinando-lhe feitiços maus ou até mesmo lhe obrigando a matar pessoas. Ninfadora Tonks mal sabia, aliás, jamais lhe passaria pela cabeça que Áquila estava sendo tratada da melhor forma possível por Lord Voldemort e seus comensais da morte. Tudo isso começara quando ele havia descoberto que Áquila possuía um dom que ele tanto admirava, venerava, adorava. Ele seria capaz de recrutar e dar mordomias para todos aqueles que portassem essa habilidade, afinal, a única família com reconhecimento disso era a de Salazar Slytherin, a família dele mesmo, a família a qual Áquila pertencia sem saber disso. Mas e Harry Potter? Este era um tal exemplo de Ofidioglota que Voldemort seria capaz de esfarelar utilizando as próprias mãos. Sabia muito bem que Harry não possuía laços familiares, mesmo distantes, com Salazar Slytherin. Então como ele havia conseguido conquistar a Ofidioglossia? Digo, não se pode aprendê-la, é um talento nato.
Conforme aquela semana se passava, Draco foi ficando cada vez mais quieto, fechado abatido, tudo isso desde que havia tido aquela ligeira conversa com Hermione, querendo saber qual seria seu problema ou o problema dela própria, talvez, quem sabe, um problema próprio dos dois juntos?
Era domingo e Draco estava pálido, além de seus olhos estarem muito vermelhos e inchados. Acontece que, apenas seu rosto estava passando por essas coisas, pois ele não se encontrava fora de forma, seus músculos definidos estavam totalmente preservados e intactos. O que teria acontecido?
No dia seguinte, Hermione chegou na cozinha para o almoço, onde todos estavam na mesa esperando a refeição, com exceção de Draco, e fazia frio mais frio ainda naquela tarde de segunda-feira do que no domingo inteiro, dia anterior. Hermione estava com dois casacos, uma calça jeans e tênis, mesmo dentro de casa, eram os que mais lhe esquentavam.
Draco não havia aparecido para o café da manhã, nem almoço daquele dia, como fora citado anteriormente. Hermione ficou preocupada e decidiu procurá-lo. Ela saiu sorrateiramente da cozinha, olhou no sofá do hall, imaginando que ele pudesse estar deitado ali e ela apenas não tivesse reparado dele, mas não estava. Decidiu ir verificar no primeiro andar, no segundo, terceiro, até o quarto, mas absolutamente nada de encontrá-lo. Nunca havia olhado o quinto. Será que ele estaria lá? Subiu mais um vão de escadas e ouviu soluços chorosos vindos de uma porta meio aberta. Ela deu dois passos e conseguiu ver Draco de costas, com os cotovelos apoiados na pia e a cabeça sobre as mãos. Ele usava apenas uma camiseta de mangas curtas, havia um casaco jogado no chão do banheiro, que se estava ensopado devido à torneira da pia, que estava aberta e vazava água pelas bordas do mármore. As calças de Draco estavam cobertas por respingos no final das pernas, que surgiram enquanto a água, que caía com pressão, atingia o chão e levantava alguns pequenos jorros para cima. Os tênis dele estavam totalmente ensopados também, obviamente. Ele levantou a cabeça e encarou seu próprio reflexo no espelho.
- Draco... - Hermione chamou, calmamente, entrando no banheiro. Ele viu o reflexo dela chegando pelo espelho e virou-se. Ela conseguiu ver seus olhos inchados e vermelhos, causados pelo fato de ele estar chorando. Seus lábios também estavam um pouquinho inchados e avermelhados no contorno.
Hermione caminhou em direção ao garoto, que permaneceu imóvel olhando para ela, ainda decidindo se continuaria chorando - obviamente que chorava por ela - ou se sorriria, por ela estar ali, tão perto dele, por ter ido procurá-lo novamente quanto ele se encontrava sumido. Ela finalmente parou, na frente dele, bem perto dele e encarou seus olhos. Nenhum dos dois disse nada. Ela envolveu os braços na nuca ele e descançou a cabeça em seu ombro. Lembrou-se e fez um pequeno esforço para alcançar o registro da torneira e fechá-la, para que a água parasse de sair e transbordar a pia, mas logo após o feito, colocou o braço novamente na nuca do garoto. Ele abraçou a cintura dela e puxou-a para perto. Os dois ficaram juntos, naquele abraço, apenas curtindo o silêncio e a calmaria daquele cômodo isolado da casa, onde ninguém poderia lhes perturbar. Não havia Rony irritado, Narcisa orgulhosa e nem outros parentes que poderiam ficar surpresos com o que seria uma novidade para eles. Apesar da aguaceira que revestia o chão, o clima estava gostoso e friozinho, mesmo ali dentro.
- No dia em que eu te conheci bem, - Draco disse, baixinho, a boca dele estava próxima do ouvido dela - eu percebi que você não se apaixonava, mas aí eu descobri que tudo era apenas medo...
Hermione, ouvindo isso, se aninhou melhor nos braços dele.
- Agora que estamos aqui, sabe, só você e eu, tão perto, mesmo que tão longe ao mesmo tempo... me diz, por acaso eu fui aprovado no seu teste? - ele perguntou, mas não houve resposta - Quando você vai perceber que eu não sou como o resto, Hermione?
- Eu já havia percebido há bastante tempo. - ela respondeu, no mesmo tom baixo e calmo em que ele falava - Não quero partir seu coração, só quero dar um tempo para ele. Muita coisa aconteceu, Draco, seu pai, e todas essas coisas, esses acontecimentos, foi tudo tão rápido... Eu não queria ser mais um motivo para seus sentimentos serem machucado.
- Eu sei que você está assustada, que parece errado, ainda para o Weasley, que é seu amigo e não aprova nada disso, ele age como se você estivesse cometendo um erro. - Draco disse - Entenda que só temos uma vida para viver e nenhum tempo para desperdiçar.
Hermione sorriu, mas Draco não viu, não era possível que visse, afinal, ela ainda estava com a cabeça deitada sobre o ombro dele
- O mundo pode ser nosso, se quisermos. - ele disse, mas claro, que não era para ser levado ao pé da letra. Ele estava querendo se referir ao sentimento mútuo dos dois que estava aflorando naquele momento. O amor. - Podemos tomá-lo se você segurar minha mão.
Hermione tirou seu braço direito da nuca de Draco, abaixou-o e com ele, pegou a mão do garoto.
- Eu sei que já te machuquei antes. - ele disse, mantendo o tom calmo - Posso ver nos seus olhos que ainda sente isso e que fica tentando afugentar tudo com um sorriso, mas certas coisas não se disfarçam. Acho que eu mesmo posso aliviar a dor que causei em você.
Hermione levantou a cabeça que se encontrava no ombro direito de Draco e olhou nos olhos dele, sorrindo. Ele retribuiu o sorriso e soltou sua mão da de Hermione, levando-a para a nuca dela e puxando o rosto dela para perto, até que suas testas ficaram coladas. Ele sorriu e aproximou seus lábios dos dela lentamente. Hermione acompanhou seu ritmo. Draco finalmente encostou seus lábios nos dela e lhe deu um beijo apaixonante. Os ambos corações batiam aceleradamente e os dois estavam aproveitando o melhor beijo que já haviam dado. Era puro, verdadeiro e ninguém estava sendo forçado a nada. Era um beijo de verdade.
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Créditos à música 'Give Your Heart A Break' da Demi Lovato, que foi de onde eu tirei ideias para a conversa entre Draco e Hermione.