- O que lhe incomoda, Milorde? - Bellatrix perguntou, girando a varinha nos dedos.
- Alguma coisa em sua filha, Bellatrix, algo com que me identifico.
- Você acha que...
- Deixe-me terminar. - ele disse - Me responda, Bellatrix, animagos conseguem entender uma espécie distinta da que se transformam?
- Pelo que eu saiba, não, milorde.
- Então só há uma explicação para o que eu quero lhe dizer.
- Diga.
- Desconfio de que sua filha seja ofidioglota, Bellatrix.
- Como?! - ela exclamou - Impossível! Ofidioglossia é hereditário! Não tenho casos de ofidioglotas na família, muito menos sangue de Salazar Slytherin correndo em minhas nobres veias!
- Bellatrix. - Voldemort olhou nos olhos de sua serva - Você é fiel ao seu marido?
Ela engoliu seco.
- Eu te fiz uma pergunta. Você é cem por cento fiel a Rodolfo?
- N-não, milorde.
- Apesar de eu já saber a resposta, queria ouví-la admitir isso. - Voldemort folgou-se na poltrona - Você está ciente de que é minha serva mais leal, fiel e também é a que mais admito, Bellatrix, pena que eu seja incapaz de conhecer o sentimento.
- Que sentimento, Milorde?
- Amor. - ele disse - Tão puro, tão bonito, porém tão estúpido. Apenas idiotas rendem-se à esse sentimento. Sinto-me tão sortudo ao saber que nunca amei na vida. Mas não é preciso amar para saber viver bem, Bellatrix. Quantos anos sua filha tem?
- 14, Milorde.
- E não foram há 14 anos que passamos o Natal juntos e sozinhos quando Rodolfo viajou para a casa da mãe? Logo após Quirrell ser destruído por Harry Potter e eu virar apenas uma aberração? Quando você foi a única que me acolheu? Tenho uma boa memória.
- Foi sim, Lord.
- E qual é a data de nascimento da garota?
- 17 de setembro, se não me engano.
- De dezembro para setembro são 9 meses.
- Não pode ser, Milorde! Só pode haver um engano!
- Lord Voldemort não se engana, Bellatrix. - ele disse, irritado.
- E o que faremos?
- Não percebe o óbvio? - ele gargalhou - Parece que tenho uma herdeira... Uma garota descendente de Salazar Slytherin, aquela que dará sucessão aos meus planos no futuro.
- E contaremos à ela?
- No tempo certo. - ele disse - Não conte a ninguém, ainda.
- Sua palavra é uma ordem, Milorde.
- Ótimo. Já pode ir, Bellatrix.
*
Draco e Hermione já estavam se beijando há mais de um minuto. Ela estava sem fôlego algum e agradeceu a Merlim quando Draco o interrompeu. Ela olhou e depaoru-se com Sirius e Narcisa os observando.
- Malfoy. - ela sussurrou - Olhe para trás.
- Mas que diabos tem atrás de... POR MIL DUENDES BARBUDOS, O QUE É ISSO?
Draco parecia estar paralisado, petrificado, em estado de choque. Encarava a mãe nos olhos. Ela sorria, ele não conseguia se mexer de vergonha.
- Meu filhotinho! - Narcisa exclamou.
- Mãe, não é uma boa hora. - Draco disse.
- Olha só, já está crescidinho! - ela exclamou. Hermione ria e Sirius também - O que acha de ter um padrasto, querido?
- Que história é essa de padrasto, mãe?
- Almofadinhas, conte a eles!
- Bem, Malfoy, eu e sua mãe, meio que estamos... juntos.
Draco novamente estava em choque, Hermione também.
- Vocês estão namorando? - Narcisa perguntou, mudando de assunto.
- Estamos. - Draco disse.
- O quê? - Hermione interrompeu - Não, mentira!
- Malfoy! - Sirius brigou.
- Tá, é mentira. - ele se rendeu.
Hermione saiu do canto e subiu correndo, deixando para que a nova família se resolvesse.
- Mãe, Black, desde quando vocês...?
- Tem uma semana. - Sirius disse.
- E por que não me contaram?
- Estávamos esperando o momento certo. - Narcisa disse - Tudo bem por você, anjinho?
- Bem... tá né. - ele disse.
Narcisa e Sirius abraçaram Draco e o levaram de volta para o quarto. Os dois deram um beijo e Sirius voltou para sua própria cama.
*
- GAROTA! - uma voz bradou e acordou Áquila, ela não viu quem era pois a pessoa estava no topo da escada. Não era Bellatrix, muito mnos uma mulher, parecia ser Dolohob, mas ela não dava a mínima para isso - O Lord das Trevas quer lhe ver.
Ela levantou-se e o homem desceu, era mesmo Dolohov. Ele abriu a cela e a segurou pelo braço. Eles não foram ao segundo andar, mas sim ao outro lado da mansão, também no subsolo, mas não era uma jaula, era uma porta toda de aço, assim como a parede.
- Lord das Trevas, - chamou - eu trouxe a menina.
- Está aberto. - ele respondeu.
- Entre logo, menina! - Dolohov disse, empurrando-a - Lord Voldemort lhe espera.
Ela rapidamente abriu a porta, entrou e fechou. A sala estava mal iluminada e era toda revestida por aço, assim como a porta da frente. Não haviam assentos nem nada, apenas a sala vazia, Voldemort e a mesma cobra que ela vira no dia anterior.
- Bom dia. - Bom dia? Voldemort diz bom dia?
- Bom dia, senhor. - ela respondeu. Não sabia as horas, mas devia ser manhã.
- Você sabe o motivo pelo qual pedi que lhe acordassem tão cedo e lhe trouxessem até esta sala vazia?
- Treinar magia das trevas, suponho?
- Quase isso, mas não. - ele disse - Tem algo em você que me interessa muito.
Áquila não se atreveu a perguntar o que era.
- O fato de você ter entendido o que eu e Nagini conversamos é surpreendente. - ele disse. Ficaram alguns minutinhos em silêncio - Não seja tímida, não tenha medo de falar comigo, não lhe farei mal algum.
- D-desculpe. - não havia como não tem medo - Quem é Nagini, senhor?
- Nagini é minha cobra. A que você conseguiu ouvir falando ontem.
- Mas por que é surpreendente que eu a entenda? Todo animago consegue entender os animais, não é?
- Não certamente, menina. - ele explicou - Apenas entendem os de sua espécie e não fazem isso em forma humana. Desconfio de que você tenha o nobre talento da Ofidioglossia.
- Ofidioglossia? O que é isso? Eu nunca ouvi falar.
- Ofidioglotas são pessoas capazes de falar com as cobras. Pessoas como eu, como você, - a partir daí, ele começou a falar em tom de amargura - como Harry Potter.
- Como é possível eu saber uma língua sem nunca tê-la treinado? Nem ao menos saber o que ela é?
- Ofidioglossia é um talento hereditário.
- Não sabia que mamãe falava com cobras.
- Ela não fala.
- Meu pai?
- Sim.
- Sim?
- Seu pai fala com cobras. Ele inclusive tem uma.
- Nossa! Eu nunca soube! - Áquila exclamou. Estava começando a se sentir à vontade na presença do bruxo mais perigoso de todo o mundo - Que legal!
- Apesar de a Ofidioglossia não ter um dom das trevas, - disse Voldemort - é muito útil para tal.
- Você é um Ofidioglota?
- Obviamente, ou não conseguiria conversar com Nagini.
- Seus pais eram Ofidioglotas?
- Não me lembre de meus pais! - Voldemort gritou - Ah, meu pai, aquele trouxa imundo... não pude deixar de sorrir quando o matei. - Voldemort agora sorria como se estivesse vivendo o momento novamente - Os trouxas que habitavam o bairro ainda pensavam se era possível aguém morrer gozando de tanta saúde. Nunca saberão a real causa da morte.
- Então, milorde - Áquila começou a familiarizar-se com o "apelido" - de quem você herdou este talento?
- O sangue do nobre Salazar Slytherin corre em minhas veias. O fundador da casa que pertenci, da casa a qual você pertence.
- Então quer dizer que Harry Potter é também descendente do nobre Slytherin? - Áquila perguntou, meio surpresa.
- Não! Harry Potter não tem nem uma mísera gota do sangue de Salazar! Nunca descobri de quem o garoto herdou a Ofidioglossia! Lílian e Tiago Potter não eram Ofidioglotas, muito menos parentes de tais! - Voldemort berrou e logo após ficou alguns segundos quieto - Mas, retornando ao assunto, o que acha de você e Nagini conversarem?
- Mas eu não sei como falar assim! Não sei como consegui ouví-la! Nunca havia ouvido uma cobra antes.
- Talvez porque nunca teve a oportunidade de conhecer uma. - Voldemort virou-se para Nagini. - Venha.
- Me apresente à garota. - a voz saiu da boca da cobra, que rastejava em direção à Voldemort.
- Se chama Áquila, Nagini. - Voldemort disse. Agora, olhou para Áquila - Converse com a garota.
- O-oi, Nagini. - Áquila só conhecia ao encarar a cobra nos olhos - Tudo bom?
- Sinceramente, que estúpida. - Nagini sacudiu a cabeça - Tantos assuntos mais interessantes para se perguntar.
Áquila arregalou os olhos. Desde quando cobras se preocupavam com assuntos?
- Sabe que ela será muito útil, Nagini? - Voldemort disse para Nagini, que estava enrolada em suas costas - Não seremos mais só nós dois. Ela pode conversar com você enquanto eu me ocupar, além de nos ajudar em nossos planos.
- Bellatrix está na porta. - Nagini disse, ignorando Voldemort. Como será que ela descobria que havia alguém na porta? Tudo por aquela sala fora tão cuidadosamente revestido em aço, era impossível que uma brechinha de luz passasse por lá.
Voldemort foi até a porta e murmurou algumas palavras que fizeram-na abrir, alguma língua diferente que não era a língua de cobra, caso fosse, Áquila teria entendido perfeitamente cada palavra.
- Milorde, Milorde! - Bellatrix entrou correndo, sacundindo o Profeta Diário daquela manhã - Tem algo que você precisa ver aqui! Neste jornal maldito!
*
- Mamãe! - Gina gritou enquanto entrava na cozinha correndo. Todos estavam presentes para o café - Você precisa ver o jornal! Vocês todos! Principalmente você, Tonks! É sobre Áquila!
- Hipogrifos saltitantes! - Tonks exclamou, preocupada - Ela está bem?
- Bem, não diz nada aqui, mas acho melhor você dar uma olhada. - Gina disse, entregando o jornal para Tonks.
Descoberta suposta filha de Bellatrix Lestrange
No dia anterior, na mansão da família Malfoy, que agora está sendo habitada por Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado e seus comensais da morte, foi possível saber que de todos os seus servos, a perigosa Bellatrix Lestrange é a que lhe é mais leal.
Foi possível visualizar a cena de três comensais da morte, estes identificados por Yaxley, Antonio Dolohov e Fenrir Greyback (popularmente chamado por 'Lobo' Greyback) carregando uma garota muito semelhante a Bellatrix para o interior da casa. Anônimos afirmam também ter ouvido um diálogo entre as duas e algumas informações foram descobertas.A principal informação é de que, a garota. que identificou-se (após ameaças) à Bellatrix como Áquila Lestrange, é filha da mesma. É possível notar muitas semelhanças, embora não tenham sido capturadas imagens.
Fontes afirmam que a garota tem sido mantida presa nas masmorras do castelo, mas está sendo alimentada e não há sinal de tortura, porém, ela está sendo levada diariamente ao encontro de Você-Sabe-Quem, mas não se sabe o que ocorre no interior da sala em que se encontram.
PS: Os autores da manchete e o local de produção do jornal não serão revelados por motivo de segurança.
*
- REPÓRTERES DESTE MALDITO PAPEL NA MINHA MANSÃO? - Voldemort gritou (a cicatriz de Harry dera uma leve doída nesse momento), jogando o exemplar do Profeta Diário no chão, após lê-lo, conforme Bellatrix havia pedido.
- COMO NÃO PODEMOS VÊ-LOS, MILORDE? - Bellatrix começou a gritar junto.
- Áquila. - Voldemort se acalmou, apenas um pouquinho - Volte para sua cela, já! Ande, Bellatrix, leve-a.
Áquila não tardou em apressar seus passos, sendo puxada por Bellatrix pelo pulso.
*
- É fácil para eles, ora. - Hermione disse, terminando de ler o Profeta Diário após Tonks - Rita Skeeter é um animago.
- Ela é? - Tonks perguntou, surpresa - Em que se transforma?
- É, eu nunca lhes contei? Fiquei sabendo disso no ano anterior, da pior forma possível. - Hermione disse - Ela se transforma em besouro.
- Que safada! - Tonks exclamou - Quem desconfiaria de um besouro? Bem, pelo menos assim ela nos mantém informados.
Tonks estava com medo de que os comensais da morte, inclusive Bellatrix, pensassem que ela fora a responsável por passar informações, aliás, todos eles eram suficientemente burros para não pensar no fato de que ela não tinha a mínima ideia do que estava acontecendo dentro daquela mansão. Agora é que não poderia mesmo sonhar em colocar os pés para fora da proteção do feitiço Fidelius.
O que acordou-a de seus pensamentos foram as 4 corujas entrando pelas janelas, carregando cartas. Rony, Harry, Draco e Hermione, cada um recebeu uma carta.
- São os resultados dos N.O.Ms! - exclamou Hermione, abrindo o envelope ansiosa.
- Grande bomba de bosta! - reclamou Rony.
As notas de Hermione encontravam-se impecáveis:
Poções - Excede Expectativas Feitiços - Ótimo
Defesa Contra as Artes das Trevas - Ótimo Astronomia - Ótimo
Herbologia - Ótimo História da Magia - Ótimo
Transfiguração - Ótimo Aritmancia - Ótimo
- Maravilha! - ela disse irônica e decepcionada - Um 'E' em poções.
- Agradeça por não ter tirado um 'P' que nem eu e Harry, além do mais, eu levei 'D' em História da Magia! - Rony reclamou.
- Eu tirei 'A' em Adivinhação. - disse Harry.
- Eu tirei 'O' em todas. - disse Malfoy, orgulhoso.
- Que bom, ninguém perguntou. - Rony debochou, Malfoy apenas ficou quieto. Estranho.
Hermione subiu para guardar seus resultados e Draco foi atrás.
- O que você quer agora, Malfoy? - Hermione perguntou, após guardar o pergaminho e virar-se para Draco de braços cruzados.
- O que há de errado? - ele perguntou.
- Depende, com o que?
- Com você! Comigo! O que foi?
- Comigo, nada, com você, várias coisas.
- Foi algo que eu disse, ou só minha personalidade? - ele perguntou, sem mover-se, sem ousar se aproximar dela.
Hermione não respondeu.
- Eu não sou perfeito, - ele disse - mas vou continuar tentando.
Dizendo isso, ele virou-se e saiu do quarto, caminhando lentamente.
- Aliás, é isso mesmo que eu venho pensando em fazer faz muito tempo. - ele disse, baixinho, para que só ele mesmo pudesse ouvir - Pena que não tenha dado certo mudar, quem sabe agora eu faço ela gostar de mim por quem eu sou?
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Créditos pelas falas finais do Draco à musica 'Perfect' da banda Hedley (recomendo que ouçam, é maravilhosa).