12h28. Harry voltou ao salão comunal, assim como Gina e todos os alunos da Grifinória. Todos adentravam o aposento e deixavam todo o seu material e as coisas que estavam usando enquanto estudavam pela manhã, já que os assuntos das matérias esse ano não estavam tão fáceis. Os professores estavam pegando pesado, principalmente pelo motivo da guerra. Vários alunos estavam sentados esperando os outros, muitos deles marcavam encontros para não ficarem sozinhos no horário do almoço, e outros estavam apenas conversando esperando o horário. Harry veio até Hermione, abraçou-a por trás dando um beijo em seu rosto, o que fez Hermione sentir um frio na espinha e se arrepiar toda.
- Não faz isso! Quer me matar do coração? – perguntou Hermione ao garoto, que ainda a abraçava.
- Não, mas tem algum problema em te abraçar? – fez Harry.
- Claro que não, Harry. Mas também não precisa ser tão subitamente assim, senão eu caio dura! – brincou Hermione.
- Tudo bem. Mas vamos descer logo, você prometeu que ia assistir ao treino e só faltam meia hora.
- Ok. Deixa só eu guardar o meu livro – e dizendo isso a garota foi para o dormitório feminino, voltando em menos de um minuto. – Vamos?
Harry nem respondeu, apenas seguiu ao lado da amiga. Os dois foram para o salão principal para almoçar. Sentaram-se lado a lado, encheram os pratos e começaram a comer. Não muito tempo depois, Rony apareceu ao lado de Luna.
- Olá, pessoal! – disse ele alegremente sentando-se, enquanto Luna o observava apreensivamente. – Senta aqui, Luna. A não ser que você queira ficar em pé, é claro!
- Será que pode? – ela se perguntou em voz alta.
- Claro que sim, Luna! Venha almoçar conosco. Creio que não haja problema algum, já que vários alunos sentam-se junto aos outros nas mesas de outras Casas. E agora, por exemplo, o salão ainda está vazio, ninguém nem vai notar – disse Harry.
- Luna, você pode sentar-se aqui, sim – disse Hermione.
- Se a Mione disse, está dito! Provavelmente ela leu que pode em Hogwarts: uma História – disse Rony sorrindo.
Hermione o olhou perigosamente, com um olhar amargo, o que fez o sorriso desaparecer do rosto do garoto. Hermione e Rony não se falaram nos minutos que se seguiram. Hermione conversava com Harry, e Rony com Luna. Evitavam-se. A expressão de Hermione só veio a mudar quando o restante do time de Quadribol apareceu para o almoço, mais ou menos quinze minutos depois.
- Sejam breves. Vocês demoraram bastante para chegar e nós não podemos arriscar um atraso para nosso primeiro treino. Temos o campo reservado no período de apenas uma hora e meia, o que significa que será pouco – disse Harry calmamente. – Fiquei sabendo que os testes para os times das outras Casas serão hoje pela tarde. Em ordem Lufa-Lufa, Sonserina e Corvinal. Podemos ficar mais um tempo lá e conferir a qualidade dos jogadores que vamos enfrentar, assim temos como nos prevenir.
- Podemos, Mione? – provocou Rony.
Mais uma vez Hermione fechou a cara para o amigo. Mas olhou para os outros, então percebeu que aquela era uma pergunta que ela deveria responder. Não poderia arriscar de todo o time pegar uma detenção.
- Acho que vocês podem ver a seleção do time, mas devem evitar chamar atenção. Não será nada agradável se o pessoal da Sonserina vir que estamos lá. Creio que assim como os treinos podem ser vistos, a seleção não deixa de ser o mesmo, já que são como treinos usados para a formação de um novo time – Hermione esclareceu.
- Ótimo, então – exclamou Dino. – Acho que será necessário estudar os adversários.
- Dino não deixa de estar certo, mas nós temos grandes chances de ganhar a Taça. Estive procurando e soube que o primeiro jogo da temporada será o nosso contra Lufa-Lufa, daqui a exatas duas semanas. Tenho a tabela no nosso vestiário, mostro a vocês quando descermos – disse Harry.
Hermione estava impressionada com a mudança de Harry. Agora ele era muito mais responsável, tentava agir dentro dos padrões, procurava fazer o possível para ajudar a si e ao time e, acima de tudo, cumpria com todas as suas obrigações.
Ao que ela se recordava, não se sujeitava a uma discussão com ele por nada, nem mesmo para o lado dos estudos desde o fim do ano anterior, até porque o garoto estava pensando em seu futuro e estudava até cansar. Os dois agora passavam a maior parte de seu tempo livre no salão comunal ou na biblioteca estudando e pesquisando, a não ser quando Hermione saía para a ‘tarefa secreta’.
Terminado o almoço, no qual os jogadores discutiam táticas, conversavam e trocavam ideias sobre o Campeonato entre Casas este ano, eles seguiram para o campo de Quadribol. Foram para os vestiários, onde se trocaram e Harry pôde mostrar ao time todo o desenvolvimento de jogadas.
Olívio Wood, agora com seus dezenove anos, foi a Hogwarts visitar os alunos e rever sua escola, já que estava de férias. Ele ajudou Harry em alguns termos de Quadribol e afirmou que dentro de dois meses, estaria de volta a Hogwarts para ser instrutor dos times de Quadribol. Estava feliz com o novo emprego. Ele, que estava trabalhando no Ministério, agora estaria em Hogwarts novamente e poderia, quem sabe nos próximos anos, formar um time com os alunos dali. Ele sabia que muitos eram realmente capazes e ficou impressionado com o atual time da Grifinória.
- Então, Olívio, o que faz aqui? – perguntou Harry enquanto ele e os jogadores voltavam para os vestiários após o treino, os dois eram muito amigos.
- Dumbledore me convocou para saber se eu queria a vaga de instrutor então tive que comparecer aqui hoje. Vim também visitar minha namorada, não a via há meses por conta da turnê de Quadribol. – respondeu Wood sorrindo.
- Namorada? Quem? – perguntou Hermione.
- Isabella Malfoy. – Olívio respondeu.
- Bebel? – fizeram Harry, Hermione e Gina ao mesmo tempo.
- Ela mesma. Vocês a conhecem?
- Ela é nossa amiga – Gina contou.
- Coincidências acontecem – ele riu. – Estamos namorando há quase dois anos. No começo eu nem sabia que ela era uma Malfoy. Conhecemos-nos durante a Copa Mundial de Quadribol.
E assim continuaram conversando. Harry reuniu todos novamente e mostrou a tabela de jogos que havia conseguido.
- Muito bem, aqui está nossa tabela. Consegui os jogos de todas as Casas e trouxe para avaliarmos. Vejam bem:
Grifinória x Lufa-Lufa (22/09)
Corvinal x Sonserina (20/10)
Lufa-Lufa x Sonserina (17/11)
Corvinal x Grifinória (15/12)
Grifinória x Sonserina (18/01)
Corvinal x Lufa-Lufa (16/02)
? x ? (03/03)
- Bom, os jogos foram marcados para o terceiro sábado de cada mês, o que já ajuda um pouco, assim teremos tempo suficiente para estudar e até mesmo para relaxar – comentou Simas.
- É, isso realmente é bom. Mas e você, Rony? Vai estar aqui, no caso de nós irmos para a final? – fez Gina para o irmão.
- Lógico, Gina! Eu não perderia isso por nada! – o ruivo exclamou como se parecesse algo óbvio demais.
- Ótimo! Acho que realmente teremos uma chance de ir para a final – disse Harry.
- Vocês têm toda a chance de ir para a final do campeonato e eu já lhes disse isso. O time, pelo que vi hoje no treino, está em perfeita sintonia e tem ótimos jogadores. Se vocês não vencerem e ganharem a Taça este ano, eu mudo meu nome para John Wood! – disse Olívio, com tanta certeza que os presentes se tornaram mais confiantes.
- É claro – Gina riu. – Eu até perderia para ver, se seu nome não fosse Olívio John Wood.
- Bom, acho que nós devemos nos trocar de uma vez – disse Rachell, garota que pouco falava, fazendo todos se surpreenderem.
- Concordo com a Rachell. Se quisermos assistir as escolhas dos novos times, temos que adiantar. Eles devem estar por vir – disse Gina.
- Eu, hum... Nesse caso, devo esperar? – perguntou Hermione.
- Pode ficar aí, os garotos ficam em outro vestiário. E eu garanto que não seria nada agradável ficar no mesmo vestiário que eles. Parece que não são apenas quatro, e sim um batalhão! – falou Gina para a amiga.
- Uma barulheira só! Às vezes chegamos a imaginar que o vestiário poderá cair a qualquer momento – concluiu Rachell.
- Também não é assim, garotas... – começou Simas.
- Concordo com o Simas, garotas – Katie, que estava calada até o momento, se colocou. – Não é assim, é muito pior!
- Resolveu falar? Pensei que um gato tinha comido sua língua – fez Rony, divertido.
- Muito engraçado! Mas é sério, Rony. Não estou muito bem... – Katie murmurou.
- Sei como você está se sentindo, Katie – disse Hermione sentando-se ao lado da loira e as duas começaram a conversar aos cochichos. Os garotos viram algumas lágrimas escorrerem pelo rosto de Katie.
- Acho melhor deixarmos as madames sozinhas – comentou Rony, rindo-se.
- Para com isso, Rony. Não se brinca com os sentimentos! Não está na cara que a Katie está sofrendo? – fez Hermione para o amigo.
- Vamos, Rony. Não podemos perder mais tempo – Harry puxou o amigo.
E assim os garotos deixaram o aposento que dava para os vestiários, entrando na segunda porta à parede esquerda. Silêncio. Apenas se ouvia a voz de Hermione, os soluços de Katie e algumas vozes da porta onde os garotos entraram.
- Vão na frente. Eu vou conversar mais um pouco com a Katie e nós já vamos – Hermione disse a Gina e Rachell, que obedeceram de prontidão, deixando o vestiário.
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Já eram 16h quando eles voltaram ao castelo. Iriam direto para o salão comunal, pois guardariam suas coisas. Hermione se despediu de todos ainda na entrada do castelo, o que fez todos ficarem muito confusos.
- Harry! – chamou.
O garoto se virou para Rony, entregando-lhe a vassoura e o saco de vestes sujas, disse-lhe algo que Hermione não pôde ouvir e veio em sua direção.
- Preciso que você venha comigo – disse ela. – Está com sua varinha?
- Estou, por quê? – ele, definitivamente, não estava entendendo nada.
- Sem mais perguntas. Vamos – e assim, a garota saiu à frente, Harry logo atrás.
- O que, exatamente, estamos fazendo aqui? – Harry perguntou ao se ver parado diante do Salgueiro Lutador. Hermione levantou a varinha apontando-a para o Salgueiro e murmurou o feitiço congelante.
- Immobulus! – ela não respondeu à pergunta. Olhou para o garoto e sorriu de lado. Harry sentiu-se aliviado depois daquilo. Agora sabia que o que Hermione queria lhe mostrar, não era nada de perigoso, e sim, alguma coisa extremamente inesperada. Conhecia perfeitamente aquele sorriso, aquela garota e assim, chegou perto dela, segurou sua mão e os dois entraram pela passagem que dava para a Casa dos Gritos. Andaram silenciosamente, apenas trocando olhares de vez em quando.
Agora estavam em frente à porta do lugar que descobriram ser o esconderijo de Lupin, o lugar onde estiveram dois anos atrás, quando ainda pensavam que Sirius era um assassino. Hermione olhou mais uma vez nos olhos de Harry, como se pedisse permissão para algo, e com um aceno, ele concedeu. Ela soltou sua mão e com elas tapou seus olhos.
- O que...? – começou Harry.
- Shhh... Não diga nada! – sussurrou Hermione dando um leve chute na porta, para que ela se abrisse e os dois pudessem entrar.
Ela retirou as mãos dos olhos de Harry lentamente, deixando ele se visualizar o lugar. Estava completamente diferente. Tudo limpo, as paredes haviam sido consertadas, as janelas livres das tábuas que as ocupavam anteriormente e os móveis arrumados caprichosamente. A casa estava irreconhecível. Pareceu a Harry que ele nunca estivera ali realmente.
- Você que fez isso? – ele perguntou pausadamente.
Hermione acenou positivamente.
- Bem, eu achei que seria um lugar... Achei que seria bom se arrumássemos ele. Aqui seria um lugar secreto, onde poderíamos nos encontrar com os amigos, conversar sem aquelas pessoas inconvenientes... Ah, sei lá! Achei que você ia gostar – disse Hermione, pela primeira vez incapaz de explicar algo, de saber uma resposta.
Harry sorriu, o que deixou a garota menos nervosa.
- E então? – ela perguntou.
- Não precisa nem perguntar! É maravilhoso, Mione! – ele a abraçou. – Como você conseguiu fazer tudo isso sem que percebêssemos?
- Eu voltava no tempo às vezes e sempre que podia, eu vinha aqui, arrumava um pouco e voltava depois – então ela contou como conseguira arrumar aquilo tudo em uma semana.
Mostrou o resto da casa. Os armários, agora, cheios de roupas de cama, toalhas e algumas mudas de roupa, que ela explicou que seriam para o caso de alguém se sujar ou precisar se tocar. Também disse que quando fossem voltar no tempo para estudar animagia, aquele lugar seria o essencial para isso.
Harry achou que o lugar estava realmente aconchegante, Hermione tinha um bom gosto para as coisas, o que chamou sua atenção.
Não ficaram por muito tempo. Mais ou menos uma hora depois, eles já estavam de volta ao castelo.
- Hum... Harry, seria muito se eu pedisse para você não contar nada a ninguém? Hum... Pelo menos por enquanto... – ela fez ainda a caminho do castelo.
- Você quem manda!
Satisfeita com a resposta, Hermione alcançou o braço do amigo e se agarrou a ele, afinal já estava escurecendo e só sentia-se completamente segura quando estava perto dele. Harry riu-se da atitude da amiga, mas não disse nada, apenas deixou-se guiar em direção ao castelo.
- Onde vocês estavam? – perguntou Rony, quando os dois entraram no salão comunal, não muito cheio.
- Estávamos conversando com o Hagrid – respondeu Harry apressadamente. Hermione sentiu o peso que tomou seu peito naquele instante se esvair-se. – É que ele pediu para a Mione ajudá-lo a se livrar de dois bichos-papões que estavam na cabana dele, então ela achou melhor me chamar para ajudar também, já que sou bom nisso.
Hermione sabia que às vezes fracassava quando se via frente a frente com um bicho-papão, pois via coisas realmente assustadoras. Sentiu-se grata pelo amigo ter inventado qualquer desculpa – principalmente por ser uma que fosse relevante.
Os três ficaram ali conversando e logo depois desceram para o jantar.
- Harry! – chamou a voz esganiçada de Colin.
- Oi, Colin! – cumprimentou Harry.
- Harry, o professor Dumbledore mandou entregar isto aqui para você – o garoto entregou-lhe um pergaminho lacrado.
- Obrigado, Colin – disse Harry observando o pergaminho apreensivamente.
- Não foi nada... – o loiro sorriu e se afastou.
Harry ainda olhava para o pergaminho, tinha uma enorme vontade de abri-lo, mas Rony estava ali e ele sabia que o nome de Hermione estaria na carta. Sentaram-se à mesa, Harry olhando para a mesa dos professores, assim como Hermione, e seus olhares se encontraram com o de Dumbledore. Ele apenas fez um gesto de cumprimento e voltou sua atenção para o jantar que havia sido servido.
Harry e Hermione se entreolharam rapidamente e voltaram sua atenção para os pratos. Jantaram silenciosamente, como de costume, pois Hermione não conversava justamente para não se sujeitar a ver Rony falando de boca cheia.
- Eu já vou. – Harry anunciou. – Algum de vocês me acompanha?
- Eu vou ficar com a Luna – disse Rony.
- Já devíamos imaginar, não? – fez Hermione. – Ok, Harry. Eu vou com você.
- Nos vemos mais tarde! – disse Rony e os garotos saíram.
Hermione sabia que Harry voltaria para o salão comunal, então resolveu que era hora de agir. Puxou ele pelo braço e começou a subir as escadarias opostas às que ele iria seguir. Os dois foram para o corredor do sétimo andar e Hermione passou as três vezes precisas em frente à parede vazia e adentrou a Sala Precisa.
- Não achou realmente que eu iria deixar que você fosse para o salão comunal, achou? Você tem que ler esta carta sem que ninguém nos veja, Harry! Não vou perguntar, até porque normal ninguém é, senão diria que você está ficando maluco – disse Hermione. Os dois sequer notaram onde haviam ido parar.
Harry não pôde deixar de rir da fala de Hermione e de sua expressão, que misturava nervosismo e ansiedade.
- Vai ler ou vai ficar rindo da minha cara como se eu fosse uma palhaça? – fez Hermione colocando as mãos na cintura, o que a fez parecer muito com a Sra. Weasley.
Harry e Hermione,
Estou enviando esta carta para lembrar a vocês: 20h. Em meu escritório.
Estarei aguardando a chegada de vocês, temos assuntos realmente importantes a tratar.
Conto com a sua pontualidade.
Até mais ver,
Alvo Dumbledore
P.S.: Chá de mel
- Nada demais, nada de menos. Apenas algumas informações básicas. Não acredito que ele fosse entrar em detalhes, nem mesmo que fossem mínimos... – disse Harry.
- Tudo bem. Isto não é hora para teorias e falação – disse Hermione impaciente.
- Olha quem fala?! – fez Harry para a garota.
- Não é isso! Já viu a hora? Faltam dez minutos para as 20h, Harry – disse ela em um tom leve, porém ainda impaciente.
- É, é melhor irmos andando... – e assim os dois deixaram a sala.
Andaram silenciosamente pelos corredores, evitando serem vistos. Andavam devagar e cautelosos, pois além de terem que tomar cuidado para não arrumarem uma situação realmente embaraçosa, tinham que chegar as 20h em ponto no escritório de Dumbledore.
E assim conseguiram. Faltavam apenas dois minutos para o relógio apitar 20h quando os dois chegaram à gárgula.
- Um minuto! – disse Hermione olhando o relógio.
- Chá de Mel – disse Harry e a gárgula se movimentou para o lado, deixando um espaço vazio, de onde a escada em espiral começou a se elevar. – Vamos!
Colocaram os pés no primeiro degrau da escada. Hermione parecia encantada com aquilo. Nunca tinha visitado o escritório de Dumbledore, mas Harry já lhe contara tudo e todos os detalhes de suas visitas. Ao chegarem próximos a porta de carvalho, o relógio soou o horário determinado pelo diretor, que nem ao menos esperou as batidas, abriu a porta, deixando os garotos surpresos.
- Vejo que são pontuais aos seus compromissos – disse ele cumprimentando os garotos e abrindo espaço para que ambos pudessem entrar.
Dumbledore tomou seu lugar na sua mesa e fez sinal para que os garotos se sentassem, assim, um silêncio tomou conta do aposento. E o diretor foi quem o quebrou:
- Pois bem! Agora que vocês estão aqui e já foram dados os cumprimentos que toda boa educação pede, está na hora de nós conversarmos. Hermione, Harry lhe contou sobre nossa última conversa? – perguntou dirigindo-se a garota.
- Contou, sim – ela assentiu.
- Ótimo! Agora podemos dar o próximo passo. Muito bem, tivemos notificações do paradeiro de Voldemort nos últimos dias. Se bem me lembro, Lupin me procurou e disse que estavam, Voldemort, Rabicho e Belatriz, instalados novamente na mansão dos Riddle, o que vem a nos dizer algo, não é mesmo, Harry?
- Ao que sei, eles sempre vão para a mansão dos Riddle quando uma missão dá-se por acabada. Parece-me que esta pode vir a ser a sede dos Comensais da Morte – disse Harry.
- Exatamente como imaginamos, Harry. Snape também julgou que aquela casa fosse a tal sede de Voldemort e seus Comensais, no entanto, algo não está muito claro.
- O sumiço de Rabicho. Acredito que ele esteja arrumando mais vítimas para Voldemort. Eu escutei-os conversando algo assim. Contou que na forma de rato é mais fácil chamar atenção das pessoas e levá-las ao... ‘milorde’. – disse Harry, enquanto Dumbledore confirmava os fatos com a cabeça. – Sei também que essas tais pessoas, são aquelas que podem conceder informações importantes, as quais Voldemort sente necessidade de conseguir para concretizar seus planos e depois ele os mata! Diz que pode ser perigoso deixá-los vivos, pois podem contar algo. E, professor, se me permite dizer, acho que ele não precisaria tirar a vida de pessoas inocentes, antes tivesse apagado as memórias.
Dumbledore deu um riso de lado, mas não se deixou levar. Harry sempre fora muito sensato. Tinham muito que conversar ainda. Hermione apenas prestava atenção, mentalizando cada um dos fatos; sempre gostara de estar bem informada.
- Eu concordo com esta afirmação, Harry. Creio que haja uma forma de apagar apenas as memórias recentes, tendo eu mesmo feito isso inúmeras vezes. Mas o caso, Harry, é que Voldemort tem prazer em matar essas pessoas, ele acha que vai se tornando mais poderoso. Tom sempre foi ambicioso, principalmente neste sentido, o poder – disse Dumbledore seriamente. – Ele usa e descarta, mesmo que não seja ele quem faz o serviço propriamente dito – o diretor continuou. – Descarta... Talvez a palavra seja um tanto forte, mas ainda assim podemos considerar isso, pois não é mentira alguma.
- Professor, por que, exatamente, a ida a Hogsmeade foi cancelada? – perguntou Harry já esperando a resposta. Sabia perfeitamente qual seria.
- Acho que você sabe, Harry. Mais uma vez Voldemort interfere em nossos planos! Não acho que talvez fosse possível a ida de vocês ao povoado com tudo o que vem acontecendo e sem ter certeza de que Voldemort não vá vir para as redondezas. Ele tem tirado a vida de muitas pessoas, e vocês sabem perfeitamente disso. Lalau, por exemplo, do Nôitibus Andante, foi uma de suas vítimas mais recentes. Achei que o motivo seria óbvio para vocês, por isso não toquei no assunto.
- De fato eu imaginava que este fosse o motivo, senhor – disse Harry. – A guerra não está sendo fácil ainda no começo, embora ele ainda esteja agindo por trás das sombras, imagino que o final seja insuportável para todos. Muitas famílias serão destruídas durante a guerra. Voldemort não vai deixar barato!
- Exatamente, Harry – concordou Dumbledore.
- Mas, professor, pode ser que a qualquer dia o Harry tenha que enfrentar Voldemort. Ele precisa de mais preparo, precisa saber mais feitiços que se julguem úteis...
- Hermione, eu sabia que você iria comentar isso. Mas Harry, cedo ou tarde teria que enfrentar Voldemort. Esses preparos dos quais você fala, ele terá, obviamente, assim como você. Acredito que vocês têm capacidade suficiente para aprender o que eu tenho a ensinar, sendo que Harry terá mais treinamento que você, Hermione. Ele aprenderá feitiços cada vez mais difíceis, que julgo necessários quando se vai enfrentar Voldemort. Feitiços que você irá aprender ao longo de sua vida, e que Harry, infelizmente aprenderá ainda novo – Dumbledore respondeu a garota calmamente.
- Mas quanto à profecia, professor? Será que não tem como Hermione escutar? – perguntou Harry.
- Oh! Sim, sim. Esperem um instante... – Dumbledore levantou-se, pegou a Penseira e voltou a sentar-se.
Tirando as lembranças e colocando-as todas na pequena bacia de pedra, Dumbledore fez com que o líquido prateado começasse a rodar e os garotos puderam visualizar as imagens da Trelawney enquanto falava em meio a um transe conhecido apenas por Harry.
O conteúdo parou de rodar e a imagem da professora de Adivinhação surgiu. Dita toda a profecia, ela desapareceu e o silêncio reinou mais uma vez.
- O que exatamente a profecia quer dizer com ‘um poder que o Lorde desconhece’? – perguntou Hermione.
- Quer dizer o que ninguém ainda pode responder, Mione – disse Harry. – Ainda não sabemos que poder é este, não exatamente.
- Harry, ainda temos outros assuntos a tratar. Devo dizer que são rápidos, porém complicados e por este motivo terei que esclarecer algumas coisas, antes que apresentem qualquer dúvida. Vocês poderão ficar assustados com tudo que irei dizer, mas não acredito que deva esconder mais nada – disse Dumbledore calmamente. – Vocês irão ter aulas extras de Defesa Contra as Artes das Trevas com o professor Lupin, não?
- Teremos, sim. Hum... Professor, por que o Malfoy participará conosco? – perguntou Hermione.
- Em breve vocês saberão. Algo me diz que ele vai estar presente em alguns momentos e vai querer ajudar – limitou-se Dumbledore a dizer. – Como eu ia dizendo, vocês teriam aulas com o professor Lupin aos sábados pela manhã, mas tenho que informar que estas serão às sextas-feiras. Aos sábados, vocês serão informados quando, os dois – disse ele apontando para os garotos. – virão pela manhã ao meu escritório, pois iremos treinar alguns feitiços que os membros da Ordem devem saber, já que os perigos que corremos são inevitáveis. Teremos aproximadamente três horas de aula. Depois deste período, Harry irá voltar no tempo juntamente a mim e nós iremos ter algumas aulas do tal preparo que você, Hermione, vem me cobrando – Dumbledore deu um meio sorriso e Hermione corou. – Eu avisei que ele os teria, não avisei?
Hermione ficou ainda mais vermelha, sem contar que estava cada vez mais sem graça. Dumbledore continuou.
- Muito bem. Vocês agora vão ter que me ajudar a descobrir onde podemos encontrar os horcruxes de Voldemort. – Dumbledore não poderia mais adiar nada.
- Os o quê? – perguntaram os garotos em uníssono.
- Horcruxes. Isso mesmo que vocês escutaram. Sei que nem imaginam o que possa vir a ser um horcrux, mas é melhor contar logo tudo de uma só vez! – disse o diretor calmamente. – O horcrux é um pedaço da alma de alguém. É por este motivo que Voldemort é quase imortal. Ele tem sete horcruxes, ou seja, sua alma foi rachada em sete pedaços: um deles é seu corpo, os outros seis podem ser qualquer coisa.. Os horcruxes podem estar em qualquer lugar, em qualquer objeto. Para conseguirmos destruir Voldemort, precisamos destruir horcrux por horcrux e depois destruir os seis horcruxes, ele estará mais fraco e consequentemente, mortal, assim como todos nós – explicou Dumbledore. – Dois dos seis horcruxes já foram destruídos. Um, foi você, Harry, quem destruiu. O outro fui eu.
- Eu destruí? – perguntou o garoto sem entender.
- Exatamente, Harry. Você, ao destruir o diário de Tom Riddle, destruiu um dos horcruxes. Eu consegui destruir um anel da família dele, levando mais um horcrux a ser extinto. Ainda restam quatro – alertou Dumbledore. – É importante que vocês saibam que vocês serão enviados à casa dos Potter – e fez uma pausa. – Acho que vai ser bom conhecer a casa que você morou, Harry. Devo dizer que está completamente restaurada e está da mesma forma que estava antes de ser atacada por Voldemort.
- Como? – perguntaram Harry e Hermione ao mesmo tempo.
- Conseguimos restaurá-la com um feitiço, mas isso não vem ao caso no momento. Creio que isso deva acontecer antes do Natal ainda – disse Dumbledore. – Acho que já está na hora de vocês irem. Já passam das 21h e não será nada agradável se forem vistos fora da cama. E caso isto aconteça, espero que saibam o que dizer – deu um meio sorriso e olhou para Harry por cima dos oclinhos de meia-lua.
Hermione olhou de um para o outro e puxou Harry pelo braço.
- Vamos. Boa noite, professor – disse ela.
- Boa noite! – Dumbledore sorriu amavelmente. – Amanhã no mesmo horário. Hipogrifo – disse ele virando-se de costas para os garotos.
Harry e Hermione se entreolharam e saíram. |