Draco e Sirius conversavam no hall, logo após o almoço. Harry e Rony estavam no quarto, olhando o livro sobre os Chudley Cannons que Rony ganhara no Natal. Hermione e Gina estavam na cozinha junto com Narcisa e Molly, ajudando-as a retirar a mesa. Remo e os Tonks estavam no terceiro andar, bolando planos para resgatar a prima de Ninfadora. Fred e Jorge estavam em seu quarto, arrumando mais algumas coisas para as Gemialidades Weasley. Arthur estava no ministério e Snape viajara com Dumbledore e McGonagall para Hogwarts uma semana mais cedo do início das aulas.
- Deu para ouvir os gritos. - Sirius disse em relação à briga que Draco e Hermione tiveram na sala de Oclumência.
- Nada dá para ela o direito de meter aquele nariz comprido onde não é chamada. - Draco disse, furioso.
- Mulheres são muito complicadas, Malfoy, mas é impossível viver sem elas. - Sirius disse sinceramente.
- Essa Granger me deixa louco! - Draco exclamou - Ela parece ter um problema sério de bipolaridade.
- Amor bipolar? - Sirius perguntou.
- Exatamente. Ela quer e depois não quer, tá dentro e depois fora, - Draco foi dizendo - feliz e depois triste. Nós brigamos, ficamos de mal, logo depois nos beijamos e voltamos para a estaca zero.
- Seria mais exato dizer que você beija ela, certo? Pelo que você me contou, é mais ou menos isso.
Sirius estava se sentindo com 16 anos novamente.
- Mais ou menos assim a história.
Sirius riu.
- Sabe, Black, estou pensando em pedir transferência para Durmstrang. - ele disse. Nessa hora, Hermione, que subia a escada para o hall, parou para ouvir, escondida - Não vou aguentar mais dois anos em Hogwarts.
- Posso saber o motivo? - Sirius perguntou.
- Granger não é de ferro. Uma hora ela vai se apaixonar pelo Weasley ou por algum outro mauricinho da Grifinória, porque não é fácil ficar muito tempo sozinho. Ela vai me esquecer totalmente e eu vou ter que aturar ainda. Sabe que eu mesmo estou começando a desistir dela.
- Fugir dos problemas não é resolvê-los.
- Está certo. Mas eu ainda quero sair de lá.
- Ótimo, porque se você virasse monitor chefe, não ia aturar o Rony monitorando com você por muito tempo. - Hermione decidiu aparecer.
- O Weasley monitor chefe? - Draco soltou uma gargalhada.
- Sim, se eu for admitida, vou passar o cargo para ele.
- Por quê?
- Para ficar o mais longe possível de você.
Draco abaixou a cabeça, Hermione subiu para o quarto a fim de esperar Gina. Sirius deu leves tapinhas nas costas do garoto em forma de consolo.
Estava de madrugada, Hermione estava sem sono, decidiu descer para o hall e ficar pensando na vida. Estava tudo escuro. Ela sentou-se no sofá, porém, havia alguma coisa em cima dele, algo que falava.
- AAAAAAH! - era uma voz masculina. O dono da voz, no qual Hermione havia sentado em cima do bumbum, pois ele estava deitado de bruço, gritou.
- Desculpe, desculpe! - Hermione disse e levantou-se.
- Lumos Máxima. - disse o garoto. A luz que saiu de sua varinha iluminou todo o cômodo. Era Draco - Ah, tinha que ser você, Granger. Por mil hipogrifos saltitantes, o que é que você está fazendo aqui?
- Eu é que lhe pergunto!
- Digamos que minha mãe, ela... - Draco estava procurando uma forma de explicar, sem parecer estranho - foi para o quarto de Sirius, disse que ele precisava dela.
- Edaí?
- Daí que eu não queria ficar sozinho.
- Você estava sozinho há meio minuto.
- Aquele quarto é da Sra. Black, aquela birosca parece mal-assombrada.
- Ah, o garotinho pomposo da mamãe está com medo de um fantasminha?
- Não me provoca, Granger! - ele exclamou - E você? Por que não está dormindo?
- Estou sem sono.
Draco levantou-se, havia perdido o sono também. Olhou para Hermione e decidiu irritá-la.
- Você conhece uma coisa chamada escova de cabelo?
- É lógico.
- Então deve começar a usar. - Draco caiu na gargalhada.
- Ora, seu...
Hermione vôou no pescoço de Draco, que se desequilibrou e caiu de costas no chão com ela em cima. Os dois foram rolando e caíram escada abaixo para a cozinha, mas com as posições invertidas. Draco por cima e Hermione por baixo.
- Sai de cima de mim! - ela exclamou, socando e beliscando as costas dele, que nada sentia.
- Geralmente as meninas pedem o contrário. - ele riu.
- Você acha que todo mundo tem que ficar caidinho por você?
- Tenho certeza, inclusive você. - ele sorriu de lado, o sorriso que ele sempre fazia em momentos como aquele.
- Por Deus, Malfoy, dá um tempo!
- Com uma condição.
- Qual?
- Me beija. - ele pediu.
- Nem por mil galeões!
- Anda logo, Granger, eu sei que você quer. Caso contrário, eu posso tomar minhas medidas drásticas.
- Tipo o quê? Monstro das cócegas? Uma hora você se cansa.
- Se meus braços se cansarem, ainda tem o feitiço do riso.
- Que feitiço do riso?
- Ora, o Rictusempra. - ele disse - Me lembro de quando Potter me atacou com ele, parecia que meu estômago ia explodir de tanto rir.
- Tá bom, Malfoy, - ela falou com desgosto na voz - Eu me rendo.
- Maravilha.
Ele se levantou e estendeu a mão para ajudar Hermione, mas ela ignorou-o.
- Tem que ser um beijo de verdade e durar no mínimo 30 segundos. - ele disse - Não interrompa antes de mim, eu sei quando vai estar suficiente. Ah! E tem que ser com vontade.
Hermione bufou.
- Agora fica ali na parede, anda!
Hermione caminhou para o canto e ficou de costas para a parede. Draco se aproximou sorrindo. Ele tentava chegar aos lábios dela, mas ela desviava sorrateiramente.
- Ah, vai bancar a difícil, Granger? - ele perguntou - Vamos dificultar também, pro seu lado.
Ele, ligeiramente, agarrou Hermione pela nuca e puxou o rosto dela para si. Devorou os lábios dela com aquele tipo de beijo em que ele é experiente. Ela já estava acostumada e teve que fazer o combinado, beijá-lo de verdade e com vontade. Ela abraçava a cintura dela, enquanto ele ainda a prendia pela nuca.
Sirius descia com Narcisa para a cozinha.
- Mas o que é, Sirius?
- Algo que quero lhe mostrar.
Sirius puxou-a para a cozinha, silenciosamente, e apontou para Draco e Hermione aos beijos no canto do cômodo. Narcisa boquiabriu-se e sorriu orgulhasamente para a atitude do filho. Logo após, abraçou Sirius, que lhe deu um selinho. Hermione e Draco não havia notado a presença dos dois. Como Sirius sabia que eles estariam ali, não havia pensamento que levasse a descobrir.
*
- Pirralha! - Bellatrix bradou do alto da escada - Acorde!
Eram 17h e Áquila havia cochilado após o almoço.
- O Lord das Trevas lhe espera. - disse, abrindo a cela - E sem tentar gracinhas, este castelo está cercado de comensais da morte, acho que uma pirralhinha como você não vai querer enfrentá-los.
Áquila permaneceu calada, Bellatrix tinha razão, ela não queria enfrentá-los.
A mãe levou a filha para o segundo andar, no final do corredor, onde havia uma porta entreaberta.
- Milorde? - Bellatrix chamou - Eu trouxe minha filha.
- Mande-a entrar. - respondeu uma voz ofídica, fria, sanguinária e medonha. Ouvir aquela voz causou calafrios em Áquila.
Áquila, muito medonha, entrou na sala. A porta fechou sozinha. Lá estava ele, em pessoa, um homem albino, careca, com olhos muito redondos e ofídicos, como os seus próprios, a única diferença era que os olhos de Lord Voldemort eram vermelhos e frios e os dela castanhos sem vida. Ele também não possuía nariz, o local era ocupado por duas fendas, como as de uma cobra que estava enrolada no tapete, no canto da sala.
- Sente-se. - disse Lord Voldemort. Havia um sofá de frente para a poltrona na qual ele se sentava - Não seja tímida, pequena Bellatrix.
- Áquila. - corrigiu.
- A semelhança que tem com sua mãe é extraordinária. - Voldemort disse, analisando a menina, que tremia de pavor - Espero que seja tão leal a mim quanto ela.
Áquila jamais mencionaria naquela casa que era muito leal a Harry Potter.
- Pegue sua varinha. - Voldemort apontou para a varinha de Áquila, que estava em cima de uma mesinha, ao lado do sofá. Ela pegou. - Você sabe do que ela é feita?
- N-não, senhor. - ela decidiu ser educada, quem sabe assim, acabasse mais rápido?
- Me entregue. - ele estendeu a mão, a menina entregou no mesmo segundo.
Voldemort estava analisando a varinha.
- Fibra de coração de dragão... - ele disse, girando-a nas mãos - 25 centímetros, razoavelmente flexível, feita de carvalho... excelente para encantamentos. Deve ser tão boa para magia negra, assim como é para a boa magia.
- Não tenho muita experiência, senhor. - ela disse.
- Há alguém na porta. - Áquila escutou uma voz medonha, parecia vir da cobra.
- Abra, Nagini. - Voldemort respondeu a cobra, com o tom de voz mais ofídico do que era naturalmente. Ela foi rastejanto muito lentamente em direção à maçaneta.
- O senhor quer que eu abra? - Áquila perguntou, tentando parecer educada.
- Como é? - Ele perguntou, estupefato.
- M-me desculpe senhor.
- Abrir o quê?
- A porta, obviamente. Sua cobra, eu acho que foi ela, avisou que há alguém na porta.
- Você ouviu o que minha cobra disse? Você consegue entender Nagini?
- Consigo. - Áquila disse, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo - Deve ser porque eu sou animaga.
- Você se transforma em cobra?
- Não, gato.
Lord Voldemort ficou pensativo. Levantou-se e abriu a porta antes de Nagini, que parecia estar com preguiça e não havia chegado perto da maçaneta ainda, lá estava exatamente quem ele queria ver: Bellatrix Lestrange.
- Bellatrix. - ele disse - Leve a menina de volta para a masmorra e depois volte aqui.
- Claro, milorde. - ela disse - Vamos, pirralha!
Bellatrix entrou na sala e puxou Áquila pelo braço, a levou indelicadamente de volta para sua cela, no subsolo e trancou. Logo após, retornou ao segundo andar, na sala de Lord Voldemort, como o mesmo havia pedido. O dito cujo lhe esperava na porta. Ela entrou, sentou-se no sofá, ele fechou a porta e sentou-se na mesma poltrona, de frente para ela.
- Estou desconfiado de uma coisa. - ele disse, seriamente.