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Era um belo dia e Hermione o pode constatar ao abrir os olhos aos poucos. Alguns raios de sol invadiam seu quarto no alojamento dos monitores e a pouca luz que invadia as janelas só enfatizava o tom avermelhado que o cômodo possuía já naturalmente. Assim, a morena levantara devagar, estendendo cada fibra do seu corpo para libertar-se do sono que lhe invadia.
Era o dia marcado para a visita à Hogsmeade, lembrara, tratando de preparar-se para as longas horas que viriam. Estava adiantada, sabia disso, mas se não o estivesse com certeza não se trataria de Hermione Granger. Afinal, eficiência e disciplina faziam parte de si como nenhuma outra característica era capaz de impregnar-se em um ser humano.
Ao deixar o cômodo, já totalmente pronta com seus trajes hogwartianos, rumara para o vasto banheiro que havia no alojamento e se recolhera ao espaço que lhe era destinado. Teria lavado o rosto com rapidez e retornado ao quarto para organizar os últimos detalhes do dia se o fato de Malfoy estar sentado no sofá da sala comunal não lhe tivesse atraído tanto. O garoto estava, senão, com uma expressão conturbada, mas ela sabia que qualquer tentativa de aproximação de sua parte só causaria a ira dele. Então concluíra seus planejamentos com certa preocupação em si. Por que estava se preocupando com Malfoy, afinal?
Passara por ele sem sequer permitir-se uma breve olhada em sua direção e atravessara diversos corredores desde a torre dos monitores até o Salão Principal. Por mais estranho que pudesse parecer, se sentara sozinha à mesa da Grifinória, mesmo sabendo onde estavam os amigos. Na verdade, já não estavam tão próximos assim graças às inúmeras tarefas que a grifana vinha tendo sob seus ombros.
Algumas horas depois, enquanto seguia para Hogsmeade com suas tarefas de monitora em primeiro plano, já não lhe restava nenhum pensamento a respeito do loiro sonserino que vira tão perturbado no alojamento. Hermione, a propósito, estava cursando mais matérias do que era possível para um aluno normal e isso era apenas o que povoava sua mente na maior parte do tempo. Além do mais, para a bonificação dos planos de Voldemort, suas excessivas tarefas escolares e os deveres como monitora-chefe já faziam com que a amizade entre os grifinórios fosse abalada pela distância que se impusera entre eles. Era pouco, perto do real objetivo, mas já era algo.
Mas não era apenas isso que havia mudado naquele tempo que se passara. O sétimo ano estava trazendo grandes mudanças à vida daqueles jovens. Os sonserinos, que antes tratavam Hermione com ignorância e desprezo excessivo, agora simplesmente ignoravam sua presença no ambiente quando ela se fazia real e seus insultos – como os inúmeros “sangue ruim” proferidos em alto e bom tom – já não eram mais ouvidos em momento algum. Isso, certamente, fazia a garota crer que a sonserina em peso possuía ligação nas atividades de Voldemort, por mais que apenas alguns devessem ser comensais de fato.
Desde que tivera uma conversa enigmática com Voldemort no último encontro de ambos e passara a viver próxima a Malfoy, a garota se tornara muito mais observadora nesses aspectos. Não tinha tendências a se deslocar para apoiá-los em momento algum, mas talvez tal feito lhe servisse para auxiliar o amigo Harry. Por algum motivo que nem ela mesma compreendia, não havia dito nem mesmo para ele – seu melhor amigo – sobre as considerações que vinha fazendo sobre tudo aquilo. Na verdade, não havia nem mesmo contado o que ocorrera desde então.
Enquanto andava pelas ruas de Hogsmeade, observando as vitrines, ela estava pensando inconscientemente no seu plano. Ela realmente estava pensando num modo de tornar-se uma comensal e auxiliar Harry, mesmo que aquilo lhe levasse à morte. É claro que Voldemort – um bruxo meticulosamente sagaz – possuía noção de que, no início, o desejo da garota seria aquele. E tal suposição estava se revelando certeira, mesmo que ele não soubesse, já que ela guardava aquilo apenas para si.
Era ali que surgia o plano e seu valor. Hermione estar disposta a tornar-se uma comensal, independente do que a motivasse a fazê-lo, era o primeiro passo. O segundo seria reverter seus ideais: de militante do ‘lado bom’ da guerra, tornar-se-ia fiel a Voldemort.
Diante disso, Draco a observava cada dia mais. Seu estudo sobre a garota ia desde o comportamento da mesma, nas mais variadas situações, até o que a grifinória pensava de cada assunto singular possível. O que começara como uma missão de sondá-la sobre Potter e os ideais do grupo diante da guerra que se aproximava cada vez mais, tornara-se algo amplo, de modo que o sonserino já conhecia até mesmo as pequenas manias da garota.
De repente, ela já não parecia a mesma pessoa de antes, mas sim uma nova Hermione Granger. Ao mesmo tempo, ela estava dedicando-se a analisar Draco melhor, do mesmo modo que ele fazia consigo. Nenhum dos dois sabia das intenções do outro e isso os colocava em um jogo perigoso onde não havia limites.
Eram dias de luta. Quando seriam os dias de glória?
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