Oi, oi povo!!! Hermione consegue dar um passo importante em seu casamento, será isso o começa da felicidade??
Atenção, esse capítulo contem NC, quem não gosta não leia.
Elane Black: Seja bem vinda! ^^
Espero que esse capítulo a deixe animada!
Taina: Quero ver sua reação com esse capítulo...rsrs
Carla Cascão: Rsrsrs, sim, quando queremos algo, não tem homem que resista...
Quem sabe agora ele toma jeito?
Aqui voltou a fazer calor... Está muito quente... T_T
Bjs e boa leitura!
*****
Persegue-me pelas noites. Tenta-me durante o dia.
Severus Snape
Não falaram do que tinha acontecido essa noite no quarto dele. Tampouco havia necessidade. Ele não podia esquecer. E tinha a estranha sensação de que Hermione não queria que o fizesse!
Ou estava perdendo a cabeça, ou sua adorável mulher estava flertando com ele.
Embora isto fosse tomando forma em sua mente, não podia estar seguro. Na realidade, custava acreditar. Estava assombrado. Maravilhado. Inclusive um pouco assustado.
A jovem procurava qualquer desculpa para tocá-lo. Um roce casual de dedos enquanto enchia a sua taça de vinho. A mão no ombro quando ele a acompanhava ao seu quarto a cada noite. Um sorriso provocador e encantador quando por acaso se encontravam no vestíbulo.
Havia outras pequenas coisas que também podiam interpretar assim. Todas as noites, quando aparecia para jantar, chegava recém-banhada, penteada e perfumada, cada vestido mais bonito que o anterior, seu decote maior que o anterior. Por três noites consecutivas, seu guardanapo — acidentalmente, é óbvio — caía do colo e ia parar ao chão que havia entre eles. Como cavalheiro que era, Severus se agachava para recolhê-lo. Também, as três noites seguidas, ela se inclinava justo no momento em que ele levantava a cabeça...
Desta forma o permitia ver seus provocadores e deliciosos seios. E depois ria, fazendo que tremessem de uma maneira cativante.
A reação de Snape? Era imediata e intensa. Seu corpo gemia de fome. Um calor animal percorria suas veias, um calor que levava dias avivando-se. E assim era precisamente como ele se sentia nesse momento. Primitivo e tosco, selvagem.
E de repente recordou o que lhe havia dito a noite que chegaram a Rosewood...
“Se pudesse escolher se quero dormir nos braços de meu marido noite após noite, o consideraria um privilégio... e não uma obrigação.”
Estas palavras queimavam seu cérebro. Marcava-o. Queimava-o por dentro e por fora.
Por três noites seguidas, Severus pensou que não ia poder falar. Tinha que fazer uso de toda sua força de vontade para não jogar-se sobre ela, para não baixar as calças e deixar que o desejo se apoderasse dele.
Hermione era uma mulher cheia de vida e sensual. E ele não era de pedra.
Tentava seduzi-lo. Os sinais eram evidentes. Como ia ignorá-los? Como podia ignorá-la? E o mais importante: como ia resistir?
O dia começou do mais inocente, pensou. Ou talvez não tão inocente, dependendo do ponto de vista que se olhasse.
No café da manhã, o moreno a fez saber o que tinha pensado fazer nesse dia. Iria ao povoado para ver um garanhão que ele acreditava que podia ser um excelente exemplar para seu estábulo. Depois de um momento, deu-se conta de que era ele o único que falava.
Sua esposa se limitava a observá-lo, algo que o deixou muito nervoso. Observava-o com um olhar intenso, inclinando primeiro a cabeça a um lado e depois ao outro... não havia dúvida disso!
Subiu-lhe um estranho rubor pelo pescoço. Tomou um gole de café para esconder seu mal-estar. Demônios, ele também podia ir direto ao ponto.
Olhou-a.
—Ocorre algo, Hermione? Tenho restos de ovo no queixo? Ou sopa no cabelo?
—Não — ela respondeu sem hesitar.
—É outra coisa?
—Absolutamente.
—Há algo que queira me dizer, então?
—Nada em particular.
Ela segurava o queixo com a mão, o cotovelo sobre a mesa, em uma postura relaxada.
—Hermione, está me olhando.
—Ah, me perdoe! Sério?
—Sim — disse com severidade — Está claro que tem algo na cabeça.
Enrugou a testa.
—Não é tão estranho que tenha algo na cabeça...
—Hermione!
—É mais uma pergunta, na realidade. Tenho bastante curiosidade por saber algo...
—Solta-o, Hermione! — não podia suportar mais.
Olhou-o sem estar muito segura.
—Está seguro?
—Sim! Diga o que quiser. Pergunte-me qualquer coisa! — tornando-se para trás na cadeira, segurou a xícara de café.
—Está bem... Dá prazer a si mesmo?
Snape esteve a ponto de se engasgar.
—Como disse?
Ela apertou a boca.
—Acredito que me ouviu perfeitamente.
—Porém não posso acreditar.
—Então perguntarei outra vez, senhor. Satisfaz a si mesmo?
—Não acredito que tenha direito de me fazer essa pergunta.
Ela o olhou com toda a tranquilidade do mundo.
—É uma pergunta lógica, acredito. Teve uma mulher e dois filhos. Estou segura de que esses filhos não saíram do ar. Está claro que não tinha uma relação casta com Lílian. E após, deve estar necessitado de... companhia. Necessitado de... — só então vacilou — prazer físico.
—Quer saber se estive celibatário desde que Lily morreu.
Seu tom foi surpreendentemente reto.
—Foi?
—Isso não é assunto seu — disse ele, cortante.
—Acredito que sim. — levantou um pouco o queixo — Sobretudo quando sou sua mulher. Sobretudo porque quero saber se tem uma amante.
—Não tenho nenhuma amante — disse entre dentes — Fim da conversa — pôs-se de pé.
Os olhos da castanha brilhavam.
—Bem — murmurou — disse-me que podia perguntar o que quisesse.
Esta conversa ficaria na mente dos dois. O moreno não podia acreditar que tivesse sido tão audaz com um assunto semelhante.
Estava surpreendida com o seu descaramento.
Não importava que não tivesse respondido a sua pergunta. Seu silêncio falava por si mesmo. Severus não esteve com nenhuma mulher fazia cinco anos. Tinha amado Lílian com desespero! Com desespero seguia amando-a!
E com desespero sentia falta dela.
O suspiro que deixou escapar Hermione estava carregado de um sabor agridoce e doloroso. Sentia um vazio profundo no peito. Era a culpa o que o fazia afastar-se? Ela não queria apagar o amor que ele tinha sentido pela mulher; certamente que não! Mas a aterrava pensar que seu coração se fechou para sempre. E isso não a deixava descansar. Se Lílian tinha amado Severus da forma em que ele a amava —e por algum motivo sabia que era assim — desejaria que ele chorasse pelo resto de sua vida?
Estava segura de que não. Devia se segurar nesta esperança. Não podia esquecer a forma em que o marido a tinha beijado — Hermione e não Lílian —, com fogo, com paixão e desejo. Não era imaginação dela, disso estava segura! Então, por que se afastava? Por que a afastava?
Uma dor aguda, como de uma faca, partia o seu peito. Querer que os dois compartilhassem a cama, que compartilhassem suas vidas... não podia ser errado. Queria este casamento. Queria-o. Ela tinha esperanças de saber o que tinha levado este homem para que se casassem. Sua vulnerabilidade, porque era muito vulnerável!... E sua força.
Mas era esta mesma força que estava cravada no coração e partindo-o em dois... essa tremenda força de vontade.
Precisava curar-se. Necessitava dela.
Quanto tempo poderia mantê-la afastada? Quanto tempo poderia ignorá-la? Como podia ela penetrar essa couraça de ferro que se colocou? O que necessitava para chegar a ele?
Todas estas perguntas formavam redemoinhos em sua mente e não a deixavam dormir. Levava já um momento dando voltas na cama, movendo-se inquieta. Por fim vestiu o robe. Possivelmente lhe viria bem um copo de leite quente.
A casa estava às escuras e cheia de sombras quando desceu as escadas. Deslizou sem fazer ruído, descalça, pelo corredor. Quando passava por diante do escritório de Severus, viu que uma das portas estava aberta. Cruzou o vestíbulo para ir fechá-la.
E então o viu.
Estava sentado em seu escritório, sentado na cadeira olhando à janela. Fixou-se mais atentamente nele. Havia tirado a jaqueta, mas vestia a mesma roupa do jantar. Era evidente que ainda não havia ido deitar-se. Tinha as pernas estiradas e olhava pela janela; a luz da lua desenhava seu perfil. Parecia tão cansado, tão angustiosamente sozinho, que tudo em seu interior pedia para que se aproximasse dele.
Sem estar segura, Hermione se deteve, com os dedos ainda postos no trinco da porta. Não queria vê-lo desta maneira. Não queria deixá-lo desta maneira. Tinha medo de falar, mas algo em seu interior disse que devia fazê-lo.
—Severus... — disse em voz baixa.
Ele a olhou.
A jovem era uma massa de nervos. Fazendo das tripas coração entrou no escritório. Os olhos escuros do moreno a seguiram, mas não disse nada. Nem sequer se moveu.
Vê-lo assim era um suplício.
—Está bem?
—Certamente. Estou bem. Por que não estaria?
Coçou, incômodo, a nuca.
Ela mordeu o lábio.
—Está trabalhando?
—Não.
Ela insistiu.
—Então, por que está aqui a estas horas da noite?
—Não durmo bem — se limitou a dizer.
—Por isso se deita tão tarde todas as noites?
Fez-se um profundo silêncio.
Nervosa, molhou os lábios.
—Eu o vi antes, sabe? — escapou antes que soubesse — Sentado em seu quarto. Sentado na escuridão...
Através das sombras, viu uma espécie de sorriso na boca dele.
—Está me espiando, Mione?
“Mione”. Era a primeira vez que a chamava assim. Ao ouvi-lo, sentiu uma estranha dor no peito. Como uma tola, seus olhos umedeceram. Furiosa, conteve as lágrimas.
—Bom... deixa a porta aberta.
E assim era. O sorriso de Severus se fez mais evidente. Durante muito tempo, tinha guardado o que tinha em seu interior. Era mais fácil esconder seus sentimentos em alguma parte remota de sua alma. Onde não precisasse pensar neles.
Mas Hermione o tornava impossível.
Durante cinco longos anos, a noite não só foi seu refúgio, se não também seu consolo.
Já não era mais. Não com ela ali. Não, do momento em que se conheceram, pensou ele com uma sinceridade que dava medo. Não teve paz após, nem um só minuto de paz.
E agora estava ali de novo, dividindo-o.
—Hermione — disse brandamente — Volta para a cama.
O suspiro que deixou escapar foi profundo e decidido.
—Não, se você não vier comigo.
O coração dele deu um tombo. Por Deus, estava-lhe pedindo...
—Vem comigo, Severus. Vem comigo agora.
Uma dúzia de emoções atravessou o seu peito. Que Deus o ajudasse, sentia-se preso. Perdido. Assediado pela tormenta de seu coração, uma tormenta de necessidade, desejo e temor.
Uma a uma, ela tinha derrubado as barreiras que os separavam. Ele não sabia como detê-la. Nem sequer sabia se podia fazê-lo.
Era uma loucura desejá-la. Uma loucura inclusive pensar nisso! Nunca poderia fazê-lo e deixá-la ir embora. Ele não era assim. Não podia fazer o amor sem senti, sem amá-la.
Por isso não esteve com nenhuma mulher desde a morte de Lílian.
Não, nunca poderia fazer amor com Hermione e virar as costas depois. Seus sentimentos o comprometiam muito. Não podia permitir-se tocá-la. Cuidar dela. Não podia permitir-se a si mesmo amá-la. Havia dito que seguiria o caminho mais fácil. O único caminho. Manter a distância.
Mas sua jovem esposa não facilitava.
Agora se aproximava dele. Rodeando a mesa de seu escritório...
Ajoelhou-se entre suas botas.
O seu coração pulsava com força. Pisava em um terreno movediço... a meio caminho entre o desejo e o desespero. Havia dito que não permitiria que se aproximasse dele. Que não a deixaria. Não podia lhe dar o que queria. O que merecia. Um homem com esperanças e desejos tão construtivos como os dela mesma.
Havia muito em jogo. Era muito arriscado.
Era tudo ou nada.
Não podia amá-la...
E certamente, não podia utilizá-la.
Mas ali estava ela... de joelhos frente a ele. E Severus queria gritar com todas suas forças. Queria gritar de raiva, e de ira. O amor e a perda tinham amargurado o seu coração. Não o negava. Não podia fazê-lo.
E aterrava-lhe pensar que não podia ter um sem o outro.
Durante muito tempo tinha conseguido viver afastado do mundo, afastado da vida. Era melhor estar sozinho que arriscar-se à devastação e à perda... Era isso egoísmo? Era errado?
Tinha passado tanto tempo... e possivelmente já era muito tarde.
Mas qualquer homem tinha um limite. Um limite do que podia suportar.
Mas se a levasse agora a sua cama, nunca o perdoaria. E tinha a horrível e inequívoca sensação de que Ela não o perdoaria tampouco.
Respirou fundo, tratando de se tranquilizar. De tranquilizar sua voz.
De tranquilizar seu coração.
—Hermione — disse, com a voz muito baixa — Convimos que isto não ocorreria.
Não, pensou a castanha. Não tinha havido nenhum acordo.
—Não o vê? Não pode ocorrer. Eu... isso mudaria tudo.
—Como? — perguntou ela com voz trêmula — Como mudaria as coisas?
O silêncio tenso e profundo que seguiu esteve a ponto de terminar com a pouca força que ainda ficava. Os delicados lábios tremiam. Colocou as pequenas mãos nas suas coxas. Com o coração em um punho, como sua voz.
—Severus... — sussurrou — por que não me deseja?
Sob seus dedos, notou que as coxas ficavam rígidas. Algo passou pelo o rosto do moreno, um olhar cheio de agonia, pensou ela, algo que o cortava por dentro e por fora. Estava tão equivocada, então? De verdade era tão cega?
Justo quando pensou que ia romper-se em duas, ouviu-lhe.
—Te desejo muito — sussurrou, um sussurro que era de uma vez débil e furioso.
Seu coração se contraiu. Esse tom de fúria a fez sentir-se débil.
—Então me demonstre isso Severus. Demonstre-me isso esta noite. Demonstre-me isso agora.
Segurou o seu rosto com as mãos.
—Hermione... — não podia fazer nada. Sentia-se impotente.
Sem separar nem por um segundo os olhos dos dele, acariciou-lhe a face...
E o beijou.
Sua dignidade o desarmou. Sua valentia o fez fraquejar.
Sua ternura o derreteu.
Com essa mesma rapidez, no que dura um batimento do coração, a barreira de seu coração caiu. A luta que vinha liderando em seu interior desapareceu.
“Hermione, Hermione — pensou fora de si — faz com que me excite. Faz com que sinta. Faz com que me esqueça.”
Antes de deixar que o coração saísse pela boca, puxou-a para cima... para cima até tê-la em seus braços.
Ela afundou o rosto nele. Era um gesto tão crédulo, que Severus se sentiu desarmado por completo.
Qualquer pensamento racional desapareceu de sua mente. Esqueceu-se do tumulto de sua alma; tudo o que podia sentir era paixão, uma paixão que bombeava o seu sangue, palpitava-lhe nas têmporas. Lílian naquele momento era apenas uma lembrança. Só um momento na vasta amplitude do tempo. Mas a mulher que tinha em seus braços era de carne e osso. E era dele.
Sem uma palavra, levou-a escada acima até seu quarto. Uma vez ali, a colocou no chão. Mas não queria deixá-la ir. Não ainda. Ela possuía um encanto que nenhum homem em seu são julgamento podia ignorar, um encanto que ele não podia ignorar!
Não por mais tempo. Não agora que tinha provado sua paixão desenfreada, seu corpo rendido contra o dele. Estava amadurecida para a colheita, amadurecida para ele. Saber que o desejava com tanto desespero como ele a ela era embriagador e doce... e conduzia a um estado de excitação insuportável.
As janelas tinham as cortinas abertas. Os raios prateados da lua tomavam conta do quarto... e o desejo tomava conta dele. Tinha-o hipnotizado. Detento de um encantamento. Sob a seda fina de sua camisola, seus seios se sobressaíam erguidos, tentadores e plenos. Podia ver perfeitamente seus mamilos, a cor castanha de suas auréolas empurrando contra o tecido... era uma visão que desejava, incrivelmente erótica. Tinha a boca seca. Estava seguro de que seriam da mesma cor rosa que seus lábios.
Sua proximidade... seu aroma... o enlouqueciam. Era como se o desejo fosse partir o seu peito. Uma parte dele queria esmagá-la contra ele. Queria cobri-la por completo, fazê-la rodear a cintura com suas pernas e penetrá-la até o infinito. Com dureza, com fúria, com rapidez.
Entretanto, outra parte dele, a mais racional, queria saborear cada momento, gravar cada carícia doce e embriagadora em sua mente e fazer que durasse toda a noite.
Mas ela tinha os olhos cravados nele, olhos tão claros, puros e dourados, que tiravam o seu fôlego e roubavam o seu coração. Enfiando uma mão sob o arbusto sedoso de seu cabelo, acariciou-lhe a nuca. Capturou seus olhos, medindo-os, como se assim pudesse desenterrar todas as emoções que escondia sua alma.
Ela se aproximou, e ficou diretamente entre seus pés.
—Severus — disse brandamente — Beije-me. Toque-me. Ama-me.
Sorriu de uma maneira tão delicada e insegura que ele pensou que ia desmaiar. Seus olhos se obscureceram. Arrebatado de desejo, capturou o cinto de sua camisola com os dedos.
Puxou lentamente para abri-la, e depois a tirou pelos ombros e deixou cair o tecido no chão. Em um estalo de dedos, teve-a nua frente a ele.
E esse sorriso delicado e inseguro não desapareceu.
Baixou o olhar contemplando-a.
Hermione, pelo contrário, elevou.
O moreno percorreu com os olhos seus seios erguidos e ela fez o mesmo com sua boca.
Levantou as delicadas mãos e tocou os seus ombros com os dedos.
—Severus... — disse em um sussurro — Severus, por favor...
Uma vez mais se sentiu perdido.
Rodeou-a com os braços. Em um momento a pôs sobre a colcha. As botas golpearam o chão. Tirou a camisa de uma vez, desabotoou os botões da calça. Com impaciência, puxou a roupa que sobrava de um lado.
A castanha se apoiava sobre um cotovelo. Ele viu a maneira em que se aventurava a olhar as suas partes baixas... Não teve mais remédio que gemer ao ver o assombro inocente de seu rosto, a redondeza de seus olhos.
Abriu a boca.
—Ah, querido — disse como em um desmaio.
Ele não podia ocultar seu desejo. Não podia esconder a excitação que lhe produzia, não agora. Tampouco queria fazê-lo. Tombando-a de barriga para cima, conteve o som na garganta e conteve o dela com sua boca.
Não pôde evitar recordar a noite anterior, em seu quarto. Tinha jurado que só seria um beijo. Uma carícia...
Esteve a ponto de espremê-la contra si. Ela se aferrava a ele com os braços, com a boca, de uma forma que o fazia perder a razão. Ardia-lhe todo o corpo. O sangue. Queria fazê-lo lentamente, com cuidado, de uma forma singela. Rezou para que assim fosse!
Nunca havia sentido uma paixão tão deliciosa, tão intensa como esta que roubava o seu sentido agora. Pulsava-lhe o pulso.
Abriu a boca e a apertou contra a dela. Uns braços nus e esbeltos se fechavam ao redor de seu pescoço. Ela se agarrava a ele cegamente. Cegamente, dava-se a ele, dava-lhe seus lábios sem hesitar. Severus introduziu sua língua por uma fila de dentes cremosos, saboreando-os. Seu beijo era quente e febril, desenfreado. Notou uma perna nua o rodeando, e celebrou que a forma de seu corpo fosse dar diretamente contra seu sexo. Passava vários dias já em estado perpétuo de excitação. Só uma grande força de vontade fez que não desse rédea solta a sua ereção nesses momentos.
Ela era tão segura. Tão cálida. Tão entregue. A maneira em que se entregava atingia-o diretamente no coração. O desejo passou por ele como uma rajada de ar. Tocou-a com a mão. Viu-a com os olhos. Explorou-a com a boca.
Seu beijo era brusco e desesperado. Possivelmente inclusive egoísta, porque quando a beijou, o mundo desapareceu, como a areia entre seus dedos.
Ela era cálida. Cheia de vida. E ele percorreu com sua boca quente, quase agônica, o comprimento de seu pescoço. Com total deliberação, colocou a boca na base de sua garganta, para sentir o batimento do coração, de seu sangue sob a língua, seu coração acelerado. E com cada pulsada se excitava um pouco mais. Um pouco mais. Tanto como não esteve em sua vida.
Então levantou a cabeça e dedicou um momento a saborear a esbelteza de seu corpo. Para Hermione, este olhar a devorou e a fez tremer da cabeça aos pés.
Tinha o peito cheio. Seu olhar era tão intenso que foi como se a estivesse tocando. Suas faces se ruborizaram, mas não se importou. Desejava que ele a quisesse. Necessitava que a quisesse. Precisava vê-lo. Senti-lo. Ouvi-lo.
E por Deus bendito que assim foi. Teve sua recompensa ao ver o brilho quente de seus olhos, um olhar que a fez tremer por dentro e acelerou o seu pulso.
Era como se tivesse esperado séculos que esta noite acontecesse. Como se tivesse esperado por ele. Sentia-se tão bem! Agora sabia mais que nunca. Isto era o que necessitava. O que ele necessitava.
—É tão bonita como recordava. Tão maravilhosa, Hermione... Tão insuportavelmente incrível.
Disse-o em um sussurro baixo e brusco. Um sussurro que parou o seu coração e a arrepiou. Chegou até a sua medula. Sentiu-o com cada fibra de seu ser.
Incapaz de afastar os olhos dele, viu como uma mão forte se apossava de um de seus seios. Admirou a cor perolada de sua própria carne, pálida e fascinante. Os mamilos se pronunciaram altos e erguidos, preparados para inchar-se e retorcer-se. Ele começou a rodeá-los com a ponta de seus dedos, atormentando-os, uma e outra vez até que enlouqueceu de desejo. Seu corpo se arqueou contra o dele, suplicando sem palavras.
Esteve a ponto de gritar quando por fim ele segurou um dos mamilos com a boca e começou a brincar com ele utilizando a língua, da mesma maneira irresistível como o fez antes com os dedos. Foi como se lhe cravassem centenas de pequenas agulhas no centro dos seios. Começou a sentir um calor profundo entre suas coxas. Aturdida, só podia olhar à língua que rodeava seus mamilos, que os lavava com a umidade de sua saliva, inundando-os no interior da boca e chupando forte. Faltava-lhe o ar. Por um instante, foi incapaz de respirar. Era a primeira vez que sentia algo tão dolorosamente intenso.
Ao ouvi-la, Snape levantou a cabeça. O que viu fez que o seu corpo tremesse.
Atravessou-a com o olhar. A mandíbula tensa.
— Você me faz arder.
Disse com a boca apertada, com um tom cheio de ferocidade. Havia um que de rudeza em sua voz. Entretanto, tremeu da cabeça aos pés ao ouvi-lo.
Pondo um dedo no seu lábio inferior, desfrutou desse sentimento, hipnotizada pela expressão ardente de seu rosto. Não se importou de mostrar com o olhar o que dizia seu coração.
—Você também me faz arder — a confissão saiu de sua boca com total espontaneidade.
Seus olhos se acenderam como a luz das velas.
—De verdade?
Com a garganta contraída, somente pôde mover a cabeça em sinal de assentimento. Que Deus a ajudasse, porque era certo. Ele a beijou outra vez, um beijo abrasador e sufocante que fez que se derretesse profundamente... e que se desse conta da forma em que sua mão morena descia além de seu estômago.
Sua respiração era um furioso ofego. Não importava onde tocasse, seu corpo ardia ao contato com seus dedos. Seus dedos se enredaram entre suas coxas, terminando em uma busca que rasgava a sua alma... ou talvez fosse só o começo. Com um dedo solitário, entrou nos pelos suaves e úmidos da sua carne, provando-a, acariciando-a, abrindo caminho entre as dobras exteriores e entrando depois nas dobras mais profundas, suaves e rosadas. E desta vez encontrou o centro de seu desejo em um pequeno refúgio de carne escondida entre as pernas.
Foi uma carícia tão íntima... Surpreendentemente atrevida, surpreendentemente audaz. A jovem sentiu como se queimassem por dentro; não, mas bem como se derretesse ali onde seus dedos desenhavam círculos infinitos. Sentia-se escorregadia e molhada, e notou como empapava seus dedos com um calor líquido. Devia envergonhar-se? Porque não estava. Não podia estar. Não com Severus.
—Quero te dar prazer, Hermione — seu olhar era abrasador, sua carícia devastadora. Movia-se com imprudente precisão — Quero te dar prazer.
Ela ficou com um nó na garganta. Quase não podia articular uma palavra.
—Fará — disse balbuciando — já o faz.
Mas o certo é que não sabia muito bem a que se referia, até que... de repente, sentiu-se agonizar, retorcer-se de prazer entre seus dedos. Era como se todo seu corpo se visse invadido por milhares de sensações.
Segurou-se a ele, gemendo, gritando seu nome. Ele afogou o som de seu orgasmo com sua boca. Os olhos dele ardiam como duas brasas, e se prendiam nos olhos dela.
O moreno se afastou um pouco para vê-la. Ela percorreu com as mãos o contorno apertado de seus braços. Tinha a pele escorregadia e lisa. Durante dias se perguntou como seria estar nos braços de seu marido. Deitar-se nua junto a ele, sem barreiras que os separassem, sem nada exceto o desejo.
Sobre ela, seus ombros se perfilaram à luz da lua. Ele era extremamente atraente, pensou atemorizada. Hipnotizada, soube que essa imagem ficaria gravada para sempre na lembrança.
O seu coração pulsava com tanta força que lhe doía.
—Severus... — seu nome foi um som débil e afogado. Um som de necessidade, uma pergunta sem formular que ele afogou entre seus lábios.
—Hermione — disse — Mione.
Ao ver sua expressão acreditou que ia chorar. Podia sentir sua ferocidade, via-a crescer e percorrer seu rosto. Mas não a assustava. Não tinha medo. Ele parecia... faminto. Não havia outra forma de dizer.
E esse olhar a mudou para sempre.
Seus olhos se encontraram. Os dele eram duas chamas ardentes. Duas chamas que se faziam maiores cada vez que ela respirava. Hermione podia sentir a tensão nele, a maneira em que se continha, a agonia que se desenhava em seu rosto. Sobre ela, contra ela, parecia que ia sair queimando. Não podia deixar de olhar para ele, ali, elevando-se sobre ela. Sentia seu desejo, sentia-o duro e inchado na parte baixa de seu ventre. Teve um calafrio.
Ela estava fascinada. Ele, fora de si.
—Abre as pernas.
Foi um sussurro abrasador que exigia uma resposta.
—Mais... mais.
Ficou escarranchado sobre ela.
Tinha o rosto contraído. Inclinou a cabeça. Sua testa tocou a dela. Seu fôlego quente roçou a sua face.
Seus dedos se entrelaçaram. Tocaram-se um a um. Confundiram-se... perderam-se em suas mãos... e depois os dedos dele acariciaram a sua cabeça.
— Eu não vou te machucar — disse entre dentes — Você vai ver.
Respirava com força. Com brutalidade.
A jovem tinha deixado de ouvir os batimentos do seu coração.
— Eu sei — gemeu — Eu sei...
A ternura que viu em seus olhos a fez se decidir.
Era tal e como tinha imaginado. Acendia-o. Abrasava-o. Desarmava-o. E Severus não tinha forma de evitá-lo. Não podia lutar contra isso.
Seus corpos se uniram. A ponta redonda e inchada de seu pênis tratou de abrir caminho pela densidade de seu pelo encaracolado. A sua testa suava. A necessidade de empurrar forte, de penetrá-la até dentro era quase insuportável. Imensa. Foi então quando encontrou com a frágil membrana de sua virgindade.
Estaria sendo muito brusco? Teria que tê-la preparado mais. Teria que tê-la preparado para ele. Tratou de serenar-se, de controlar seu desejo, recordando-se que era sua primeira vez.
Um som surdo encheu o ar, metade frustração, metade renúncia.
Ouviu uma voz afogada contra seu pescoço.
—Não se detenha — suplicou — Não se detenha agora.
Deus bendito, não seria ele quem faria.
E com um gemido de derrota, com um tremor de seus quadris, a fez dele.
Nunca imaginou que uma derrota pudesse ser tão maravilhosa.
Lentamente, levantou a cabeça. Olhou para baixo, ali onde acabavam de unir-se. Ali onde o pelo escuro e grosseiro dele se unia com os cachos castanhos e suaves dela. A carne quente e sedosa dela rodeava com força seu pênis. Era como se o tragasse. O tinha tragado de tal forma que já não sabia onde terminava seu corpo e onde começava o dela.
Ela sorriu, com um tremor no lábio.
—Sabia que seria assim. Sabia...
Mas Severus não sabia. Ou possivelmente não tinha querido admitir.
Fechou os olhos e deixou que o prazer o invadisse. Era ardor o que o atravessava. Um rio de sangue fervendo. O ar tornou-se sufocante de repente... também ele. Não podia deixá-la. Não podia parar. Não podia voltar atrás. Não podia ir mais devagar. Agora não. Não com ela retorcendo-se debaixo dele. Tinha durado muito.
Desejava-a muito.
E ela era muito, muito maravilhosa... Entrelaçou suas mãos com as dela. Beijou-lhe o nariz, os olhos, os lábios. Transbordante de um prazer sombrio e doce, penetrou-a ainda mais, possuiu-a até que os dois se viram sacudidos pela tormenta.
A sua mente nublou. Era seu corpo quem mandava. Tudo o que podia fazer era sentir... e tudo o que podia sentir era ela. Uma e outra vez, em um êxtase irracional, em um frenesi inesgotável. Senti-la unida ao seu corpo, ao seu membro, era insuportavelmente erótico. Com o coração em uma pura chama, procurou sua boca. Ela a ofereceu sem respirar, com um gemido surdo.
Um calafrio percorreu as suas costas. Um tremor que o dividiu. O calor queimava o seu sangue e o precipitava para o orgasmo. Apertou os dentes, mas foi incapaz de deter-se. Não podia contê-lo por mais tempo. Não podia. Rugia dentro dele, bramava por sair, por alagá-la, por afogá-la com o calor espesso de seu sêmen.
Foi o orgasmo mais potente e intenso de sua vida.
Pouco a pouco, a força foi abandonando. Incapaz de respirar, ficou de lado e a rodeou para que se unisse a ele. Um único pensamento ressoava em sua mente.
Era como voltar para casa depois de uma longa e difícil viagem.