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22. A vergonha de Lúcio Malfoy


Fic: Os segredos de Draco Malfoy


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 Hermione acordou cedo, eram mais ou menos 7:30 da manhã. Estava disposta a ir tomar um bom café da manhã. Saiu do quarto e viu que a porta da sala de Oclumência estava entreaberta, com uma festa de luz saindo dela. Ela não venceu a curiosidade e entrou. A penseira agora estava num canto, bem no fundo da sala, mais brilhante do que nunca. A luz agora não estava mais prateada e sim avermelhada, como um lusco-fusco, pôr-do-sol. Ela aproximou-se da penseira e se apoiou nas laterais. Sem conferir se havia fechado a porta, ela mergulhou o rosto na penseira e as cenas começaram a mudar.
  Lá estava ela, assistindo a cena de Draco Malfoy, com aparentemente 6 anos de idade, e Lúcio Malfoy com a aparência muito mais jovem. Os dois estavam no que parecia um bairro trouxa.

  - Está vendo aqueles humanos ali, Draco? - Lúcio apontou para um casal aparentemente trouxa, que estava sentado numa praça.
  - Estou sim, papai. - Draco respondeu, olhando-os.
  - Esse é o tipo de gente que a nossa família despreza.
  - Por quê?
  - São trouxas, você sabe, quem não é bruxo.
  - Eu sei o que são trouxas, pai. - Draco se irritou por ser tratado como se fosse burro.
  - Dos trouxas é que saem bruxos sangues-ruins, ou na expressão formal, nascidos-trouxas. Gente indigna de praticar magia. Gente que nossa família considera suja. - Lúcio disse.
  - São fedorentos?
  - Nunca cheguei perto de um para cheirar, meu filho, mas devem ser.
  - Eca! - Draco exclamou.
  - Quando você crescer, espero que não arrume uma namorada sangue-ruim. - Lúcio disse - Na minha opinião, devíamos eliminar os trouxas, mas como você é muito novo ainda para eliminar, por que não torturar? Temos que mostrar quem manda. 
  - Como?
  - Fique aí. - Lúcio ia caminhar em direção ao casal trouxa - Olhe e aprenda.

  Lúcio ficou parado de frente para o casal que se sentava no bando, ambos lhe olhavam confusos e curiosos.

  - Qual é o problema? - perguntou o rapaz.
  - Não dirija a palavra a mim, trouxa imundo. - disse Lúcio.
  - Como é? - rapaz levantou.
  - Meu amor, não! - a moça guinchou.
  - Isso mesmo que você ouviu, trouxa. - Lúcio riu - Você não é de nada.

  O rapaz, mais corpulento e forte do que Lúcio, pregou-lhe um soco na cara, o que o fez tombar para trás. Lúcio ia reagir, mas o trouxa lhe chutou o rosto e foi embora com a moça.

  - Papai! - Draco correu em direção a Lúcio.
  - Vamos embora! - Lúcio pegou a mão de Draco e desaparatou.

  A cena mudou novamente. Agora Hermione estava na mansão dos Malfoy, pelo que parecia, havia apenas mudado para seguir Lúcio e Draco após a desaparatação.
  Lúcio permaneceu jogado no chão, chorando, enquanto Draco correu para chamar Narcisa.

  - CRUCIO! AVADA KEDAVRA! IMPERIO! SECTUMSEMPRA! - Lúcio gritava, mas sem apontar a varinha para alguém, e sim para o ar, o que fez com que apenas derrubasse alguns quadros da parede.
  - Lúcio, pare! - Narcisa bradou - O que está acontecendo?
  - MALDITOS TROUXAS! - Lúcio bradou - DEVIAM EXPLODIR TODOS!
  - Um trouxa bateu no papai. - disse Draco.
  - Por Merlim! - Narcisa exclamou - O que eu fiz para merecer isso?
  - Mamãe, acha que papai está...

  Mas Hermione não soube o que Draco falara a seguir. Alguém a pegou pelas costas da blusa e puxou-a para fora da penseira.

  - O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO, GRANGER? - Dracou bradou. Ele havia levantado da cama de novo, pois estava realmente sem sono. 
  - Ah, nada, eu só passei por aqui e... - Hermione estava sem palavras.
  - O QUE VOCÊ ACHA QUE TE DÁ O DIREITO DE BISBILHOTAR AS MINHAS LEMBRANÇAS? - Draco estava muito furioso e envergonhado. Ele segurava Hermione com força pelo braço, só faltava entortá-lo.
  - PÁRA, VOCÊ ESTÁ ME MACHUCANDO! - Hermione gritou - SUA BARATA ASQUEROSA E NOJENTA, ISSO É REPUGNANTE!
  - EU JÁ OUVI ISSO ANTES! - Draco berrrou - VOCÊ DIZ ISSO COMO SE FOSSE UMA COISA RUIM!
  - E VOCÊ ACHA QUE É BOM?

  Atraído pelos gritos, Remo Lupin entrou pela porta.

  - Ei, ei, o que está acontecendo aqui? - Remo disse, ao ver a cena de Malfoy apertando o braço de Hermione e ela com o punho da outra mão fechado, pronto para lançar um soco. Os dois paralisaram e olharam para Remo.
  - ESSA SANGUE RUIM ESTÚPIDA ESTAVA MEXENDO NAS MINHAS LEMBRANÇAS! - Draco bradou irritado.
  - Baixa a bola, Malfoy. - Remo disse.
  - VOCÊ DISSE QUE NÃO TINHA NADA CONTRA NASCIDOS TROUXAS! - Hermione protestou.
  - MUDEI DE IDEIA! - Draco gritou - SÃO TODOS IGUAIS! METIDOS, BISBILHOTEIROS! BASTA!

  Draco soltou o braço de Hermione e saiu andando, além de dar um esbarrão proposital em Remo ao sair pela porta.

  - Ah, deixa ele comigo! - Hermione sacou a varinha e começou a ir atrás de Malfoy - Eu vou...
  - Você não fazer nada, Hermione. - Remo bloqueou a passagem dela - Os dois estão errados.

  Hermione acalmou-e e voltou para o quarto. Decidiu ler um pouco, quem sabe assim ela poderia se distrair?

*

  Draco passou todo o dia anterior irritado, a ponto de explodir, ainda levou uma bronca de Narcisa quando referiu-se a Hermione como "sangue-ruim asquerosa, nojenta e imunda" e disse que ela deveria ir embora. Ele agora estava sendo quem ele realmente era, o garoto malvado, aquele Draco que não liga para nada, o que tem coração de pedra e não dá a mínima para o que os outros sentem ou pensam sobre ele ou qualquer coisa. Ele agora não estava mais falando com Harry, apenas trocava ideias com Sirius, que em sua opinião, era alguém muito bacana e que ele devia ter notado isso antes. 
  Hermione estava tão irritada que parou de se importar com o que iam pensar. Contou para Harry, Rony e Gina tudo o que havia visto na  penseira das duas vezes.

  - Eu sabia que ele havia sido agredido. - disse Harry - Ele me contou, mas eu nunca soube que Lúcio foi jogado no chão por um trouxa.
  -  Draco Malfoy, a fantástica doninha quicante e arrebentada. - Rony riu.
  - Rony, você gosta de ser monitor? - Hermione perguntou.
  - Gosto.
  - Ótimo, porque se me derem o cargo de monitora chefe eu vou repassar para você, não quero mais dividir o quarto com Malfoy, não sei como eu estou aguentando dividir a casa, para mim chega!
  - Você vai desistir de ser monitora chefe só por causa do Malfoy? - Gina disse - Está sendo idiota.
  - Vou. - Hermione afirmou.
  - Ótimo, sobra mais pra mim! - disse Rony, em relação ao cargo.
  - Mais Malfoy? - Gina perguntou, rindo, Harry e Hermione riram também.
  - NÃO! - Rony exclamou - Estou falando do cargo, seus idiotas.
  - Parece que você está apaixonado, Rony! - Gina insistiu na piada. 
  - Malfoy, eu te amooooo! - Fred apareceu na porta cantarolando
  - Malfoy, eu aceitoooooo! - Jorge completou a canção, aparecendo logo ao lado de Fred.
  - Quando estamos longe, meu coração bate só por você! - os dois gêmeos cantaram em coro, arrancando risadas de Hermione, Gina e Harry. Rony ficara com as orelhas vermelhas.
  - Ora, calem a boca! - Rony disse, irritado, enquanto os amigos ainda riam.  

*

  Bem longe do Largo Grimmauld, Áquila Lestrange estava sentada no canto de sua cela, que se localizava no subsolo da ex mansão da família Malfoy.

  - Almoço. - disse a voz de Yaxley, mas Áquila não se moveu. - ALMOÇO!

  Ela se levantou e pegou o prato, que continha macarrão com queijo e o copo que continha água.

  - Coma. - ele disse - Madame Lestrange irá vê-la mais tarde.

  A vontade que ela tinha era de arremessar o prato na cara de Yaxley, fazer ele, Dolohov e Greyback pagarem pelo que haviam feito à ela e aos seus tios Andrômeda e Ted, que mais considerava seus pais. Ela pegou um pedaço de espelho que havia no chão e olhou seu rosto. Ela notou como os seus olhos eram maléficos. O formato deles era arredondado, meio ofídico. Já suas pupilas possuiam uma cor marrom bem deprimente e vazia, idênticas às de Bellatrix. 
  Rapidamente, teve uma ideia. Assumiu a forma animaga e correu para as grades. Ela tentou ultrapassá-las, mas levou um choque que lhe fez voltar à forma humana.

  - Não seja estúpida, pirralha. - disse Bellatrix, que observava a cena do topo da escada - Isso é fechado com magia.

  Áquila apenas a olhou com desprezo.

  - Mais tarde você vai sair daí para encontrar com o Lord das Trevas. - disse Bellatrix - No seu lugar, eu me comportaria muito bem para lhe deixar satisfeito, ou ele pode querer colocar alguns explosivins na sua jaula. 

  Áquila ainda estava sentada no chão, encarando a mãe.

  - Ele vai te ensinar algumas magias negras. - Bellatrix - E como você é atrevidinha, vou logo lhe avisando, sua varinha será devolvida apenas durante os treinamentos e se tentar alguma gracinha, será torturada. Até mais tarde, ex bastardinha.

  Bellatrix saiu dali saltitando e cantarolando. Áquila estava com vontade de arremessar seu prato na parede, mas como seu estômago estava prestes a colar nas costas de tanta fome, ela comeu. Ela não tinha medo nenhum de comer aquilo, pois sabia usar a cabeça para perceber que jamais a envenenariam se o que queriam com ela era transformá-la numa comensal da morte, uma escrava de Voldemort, assim como sua estúpida mãe era. Áquila sempre pensava que Bellatrix era casada com Voldemort, mas aí se lembrava de seu pai, Rodolfo Lestrange, aquele que lhe fez ter um sobrenome que considerava tão sujo, tão imundo, que lhe fazia sentir vergonha de ser quem era. Às vezes, ela tinha vontade de socar o próprio rosto por ser tão parecida com Bellatrix Lestrange.

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