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21. Desistência


Fic: Os segredos de Draco Malfoy


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  Lobo Greyback, Antonio Dolohov e Yaxley aparataram dentro da mansão Malfoy. Não haviam nem perdido tempo colocando fetiços anti-aparatação, pois sabiam que só um louco tentaria entrar ali. 

  - Madame Lestrange? - Yaxley chamou.
  - Vocês já voltaram, vermes? - uma voz aguda e maléfica perguntou.
  - Sim. Trouxemos a menina.
  - Maravilha, Yaxley, até mereciam uma recompensa! - a dona da voz apareceu, era Bellatrix Lestrange. Ela se aproximou de Yaxley e analisou a menina, que ainda estava estuporada.
  - O que vão fazer com ela, madame? - perguntou Greyback - Se forem matar, eu posso...
  - Que bonitinha, tão jovem, tão bastardinha, agora vai conhecer a mamãe! - Bellatrix sussurrava, em ignorância à Greyback - Vai deixar de ser uma bastarda, vai conhecer o sangue puro que corre em suas veias. Eu devia tê-la mantido, queridinha, foram 14 anos em que eu poderia estar treinando você para seguir o lado do seu Lorde, mas onde eu estava com a cabeça quando te mandei para viver com a minha irmã, aquela traidora de sangue que se casou com um sangue-ruim? 

  Áquila nada fez, afinal, estava estuporada. Bellatrix achava que ela estava só dormindo.

  - Mas agora, as coisas vão mudar, - Bellatrix continuou - ah, se vão! Você vai aprender a desprezar aqueles sangues-ruins que te criaram, você vai ser a mais nova serva de Milorde.

  Áquila continuou imóvel.

  - Por que ela não acorda? - Bellatrix ginchou irritada - O que fizeram com ela, seus vermes?
  - Está estuporada, madame. - Yaxley respondeu.
  - Por que? - Bellatrix estava prestes a voar no pescoço de Yaxley.
  - Ela é uma animaga. - respondeu - Foi para que ela não se transformasse em gato de novo.
  - Animaga é? Gatinho? - Bellatrix continuou falando com filha estuporada, sem perceber que estava parecendo idiota e que Dolohov estava rindo baixinho no canto de sua estupidez - Que bom! Vamos ter alguém desfarçado para cumprir as vontades do Lord das Trevas.
  - Madame, você quer que eu acorde-a? - Yaxley perguntou, tentando esconder suas expressões faciais risonhas, havia percebido que Dolohov ria e sentiu vontade de gargalhar. O único sério era Greyback, que estava indignado por não ter carne fresca de criança.
  - Pois faça isso! - Bellatrix gritou e abriu os braços de Yaxley, fazendo Áquila cair no chão.
  - Ennervate! - Yaxley exclamou, mirando a varinha em Áquila.

  A menina foi abrindo os olhos aos poucos. Ela sentou-se no chão. Sua visão foi ficando desembaçada, até que notou que estava numa mansão gigantesca. Mirou os três comensais, havia os reconhecido por terem invadido sua casa. Sem pestanejar, sacou a prórpia varinha, que eles haviam esquecido de roubar, e pulou no pescoço de Yaxley.

  - SEU IMUNDO! - gritou.
  - Ora, ora, ora, parece que já está pegando o jeito! - Bellatrix gargalhou, em tom vitorioso.

  Áquila olhou para traz e mirou Bellatrix. Antonio Dolohov rapidamente correu e arrancou a varinha dela, que estava colada na cabeça de Yaxley. Ela soltou-se do pescoço do comensal após perceber que estava indefesa. Reconheceu o rosto da própria mãe, tudo que queria fazer era esganá-la bem ali.

  - Você! - ela disse para Bellatrix, com os olhos semicerrados de raiva - O que você quer comigo.
  - Parece que nos encontramos de novo! - Bellatrix gargalhou - Como é o seu nome, ex-bastardinha?
  - Não é da sua conta! - Áquila gritou. Ela era tão atrevida quanto a mãe.

  Bellatrix imaginava que seria venerada pela filha, pensava que ela nasceria com a mesma mente odiosa que possuía, mas estava errada. Sentiu-se ofendida por uma garota de 14 anos, sendo sua própria filha, tê-la enfrentado. Rapidamente, pegou a menina pelo colarinho e levou a varinha até sua cabeça.

  - Como é o seu nome? - Bellatrix gritou, com sua voz desafinada - DIGA SEU NOME!
  - Áquila. - ela rendeu-se.
  - Ah, Áquila, é? - Bellatrix gargalhou - Tão estúpido quando minha irmã Andrômeda! 
  - Não insulte a minha tia! - Áquila ginchou - Ela é melhor do que você!
  - CALE-SE, PIRRALHA! - Bellatrix gritou, erguendo Áquila mais alto pelo colarinho da blusa - Eu te trouxe aqui para te dar uma vida digna! A vida digna da família a qual você pertence!
  - Eu pertenço à família Tonks, mesmo tendo esse sobrenome sujo! - Áquila insistiu.
  - Não diga besteiras, pequena ingênua! - Bellatrix sussurrou, como sempre faz quando está afim de tirar a moral de alguém - Você é uma Lestrange agora, é, você é. A família Lestrange é uma família de nobres bruxos, é a ela que você pertence. Você vai aprender a valorizar o sangue puro que corre em suas veias.
  - EU NÃO VOU SERVIR AO QUE VOCÊS CHAMAM DE SOBRENOME NOBRE! - Áquila gritou.
  - BASTA! - Bellatrix também gritou - LEVEM-NA PARA A MASMORRA! ANDEM! O QUE ESTÃO ESPERANDO?

  Bellatrix jogou Áquila no chão. Yaxley e Dolohov se apressaram em pegar a menina, que não protestou, e levarem para a prisão do castelo.

  -  O dia em que ela será inteligente está para chegar. - Bellatrix disse, vitoriosa - Enquanto esse dia não chega, ela vai precisar de muito aprendizado.

  Yaxley e Dolohov trancaram Áquila na masmorra da mansão dos Malfoy e levaram sua varinha para Bellatrix, que guardou-a no bolso das vestes e gargalhou em tom de vitória.

*

  Logo no dia seguinte, Draco estava na cozinha, perto das 6h da manhã, sozinho, tomando café. Havia perdido o sono e enquanto descia as escadas, havia pisado em sua própria calça de pijamas, que era comprida, e rolado escada abaixo, o que terminara de lhe acordar. Ele estava todo dolorido. 

   - Quem está aí? DIGA! - Sirius apareceu na escada com a varinha em punho - Ah, é você, Malfoy. O que faz aqui tão cedo?
  - Perdi o sono. - ele disse, bebericando seu café com leite.
  - Eu ouvi um barulho alto nas escadas de alguma coisa desabando, pensei que Fred e Jorge poderiam estar aprontando alguma coisa, você sabe o que foi, ou pelo menos viu?
  - Fui eu. - Draco disse - Caí da escada.

  Sirius não conteve as risadas, imaginando a cena de Draco desabando pelos degraus.

  - Não é engraçado.
  - Me desculpe. - Sirius disse, secando as lágrimas que escorreram por ele rir demais e indo sentar-se ao lado de Draco - Você está bem?
  - E por que você se importa, Black? - Draco perguntou, irritado devido ao deboche de Sirius.
  - Bem, por mais que seja difícil de eu me acostumar, somos uma família agora. - Siriu apoiou os cotovelos na mesa - Pelo que sei, Harry já está acostumado, nada melhor do que me acostumar com você também.

  Draco bebeu mais um gole de seu café com leite.

  - Eu sei que é muito difícil perder um pai, Malfoy. - Sirius disse, olhando para frente - Não me lembro do meu pois fugi de casa aos 16 anos, mas eu convivo com Harry e por ele sei que não é nada bom.

  Draco não disse nada, novamente.

  - Eu já um rapaz como você, obviamente, ficar sem mãe e pai não era a única coisa que me irritava, na verdade, era o de menos, pois passei a morar com Tiago e os velhos Potter me acolheram como um filho. - Sirius disse, ainda olhando para frente, como se houvesse alguma coisa realmente interessante ali - Eu também ficava para baixo por causa das garotas. 

  Nesse momento, Draco olhou para Sirius, que continuava olhando para frente, sem perceber que o garoto agora estava realmente interessado pelo que ele falava.

  - Eu gostava muito de uma garota na minha época de Hogwarts. - ele disse - Ela era da Sonserina, claro, eu era da Grifinória. Ela era muito bonita e inteligente, porém, ela não sabia que eu existia.
  - E o que você fez? - Draco perguntou.
  - Ah, eu tentei falar com ela, chegou a me dar bola por um tempo, mas depois seus pais se mudaram para a França e ela foi junto, nunca mais a vi. - Sirius disse - Mas posso imaginar que seu único problema não é a saudade do pai, não é mesmo, Malfoy?
  - Ah, digamos que... um pouco. Como sabe?
  - Eu ouvi você e Harry conversando, confesso que fiquei muito surpreso, porque nunca em toda a minha vida imaginaria você e ele tendo uma conversa civilizada. - Sirius riu - Então, quem é a garota? Não consegui ouvir direito quando você disse o nome dela.
  - Tem certeza que quer saber, Black? 
  - Tenho.
  - Granger.
  - Quem? - Sirius não estava acreditando. Será que ouvira direito?
  - Foi isso que você ouviu. A Granger.
  - Merlim! - Sirius exclamou - Ela sabe?
  - Sabe.
  - Você contou? - Sirius perguntou - Uma coisa que eu sempre digo à Harry é para nunca contar para as moças que você está afim delas, só te faz parecer idiota. 
  - O Potter me disse isso. Eu já tive a oportunidade de roubar alguns, hã, beijos dela...
  - Uau, você é bom, garoto! Hermione não é nada fácil de lidar, pela forma com que ela briga com Harry e Rony quando saem um dedo da linha
  - Sei bem como ela é. - Draco disse- Ela já socou a minha cara, já me xingou. Mas tem uma coisa que eu não consigo mais...
  - O que?
  - Fingir ser quem eu não sou. - ele disse - Ela só não fez coisa pior porque acha que agora eu sou legal, sensível e tenho coração de manteiga. Não, eu não tenho! 
  - Você já tentou ser quem você é?
  - Ela me mataria. Ela diz que eu ajo como se não me importasse. Nada que não seja mentira. Não vou negar que eu sou egocêntrico, mas também não é mentira que eu sou o garoto mais delicioso de Sonserina.
  - Você parou de fingir ser coração mole agora, né? - Sirius debochou.
  - Eu não aguento mais, Black! - Draco levantou-se - Eu não consigo fingir ser um Weasley de coração mole, muito menos um Potter sentimental. Se ela quer que eu seja uma mistura de Weasley e de Potter, que é o que ela tá acostumada a ver, que ela corte a cabeça dos dois e pendure em sua parede! Não, melhor, ela devia amarrar os dois e fazer uma cerimônia de casamento triplo!
  - Malfoy, você quer um chá de camomila? - Sirius perguntou.
  - Basta, Black! Eu vou voltar a dormir. - Draco subiu as escadas correndo e voltou para seu quarto, tentando retornar ao sono.

  Sirius não pôde deixar de rir do pequeno ataque que Draco tivera. Ele levantou-se e jogou a xícara em que Draco bebia café dentro da pia. Havia tido uma boa conversa com ele, nunca imaginara que algum dia Harry ou ele conversariam civilizadamente com algum Malfoy que não fosse Narcisa. Sirius voltou para seu quarto e também tentou dormir novamente.

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