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7. Pedágio de Sangue


Fic: Harry Potter e o Prêmio de Riddle


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Harry acordou na manhã seguinte ouvindo vozes e quando abriu os olhos, viu que Hermione e Rony já estavam discutindo de novo.

-...Você não liga para os sentimentos dos outros. –Acusava Hermione.

- Do que você tá falando? O meu relacionamento com a Lilá é passado, eu já me desculpei com ela e isso não é da sua conta. – Defendeu-se Rony.

- Eu não... não... – Cuspiu Hermione sem conseguir encontrar palavras.

- Vejo que os dois já estão de pé cedo e com muita energia e bom humor. – Falou Harry se levantando. —Vamos tomar café então, que eu quero ir cedo na casa dos meus pais.

Harry não gostava de presenciar as brigas dos dois, ele se sentia como um intruso na vida deles quando eles discutiam assim.
Harry tinha muito medo da amizade entre seus dois melhores amigos acabar assim, de uma hora para outra, mas se eles continuassem do jeito que estavam não iria durar muito mais.

Eles desceram para tomar café, o bar da estalagem parecia ser muito movimentado pela manhã para o café. Eles custaram para arranjar uma mesa onde Rony e Hermione, essa ainda bufando, sentaram longe um do outro com Harry no meio.

Em questão de segundos, uma bela jovem, que fez Harry olhar até duas vezes para ela, veio atendê-los.

- O que desejam? – Perguntou a jovem de cabelos cheios e castanhos. Ela tinha uma certa semelhança com a Hermione, mas ela era mais velha e usava roupas que davam formas ao seu corpo.

- Panquecas e bacon. – Falou Hermione olhando zangada para a atendente.

- Eu quero o mesmo. – Falou Harry pressentindo o olhar de Hermione.

- E você ruivinho? – Perguntou a atendente com charme.

- Você pode trazer o mesmo para ele e um babador também, por favor, e seja rápida estamos com um pouco de pressa. – Falou Hermione com grosseria.

A atendente encarou Hermione por alguns segundos e depois saiu de nariz empinado.

- Por que você falou assim com ela? – Perguntou Rony de cara fechada.

- Assim como? –Hermione fingiu, muito mal, não entender.

- Você foi grosseira com ela. – Acusou Rony.

- Eu não fui grosseira, grosseria é ficar babando por uma qualquer que aparece por ai. – Alfinetou Hermione.

- Eu não estava babando eu só estava... Estava... Olhando, é, olhando, porque ela me lembra alguém. –Rony fez uma cara de quem tentava lembrar de algo.

- Quem? Por acaso a Lilá ou foi outra das suas? –Hermione parecia prestes a explodir.

- Mione – Falou Harry sem pensar.

- O quê? – Exclamaram Rony e Hermione juntos.

- Eu quis dizer que ela é muito parecida com você, só que sem toda essa roupa. – Falou Harry sem jeito.

- Não vejo semelhança alguma. – Falou Hermione corando um pouco.

- O Harry tem razão, ela se parece muito com você. Quer dizer, ela tem os cabelos castanhos e volumosos como os seus e morde o lábio inferior igual a você quando tá pensando, ela também se pareceu muito com você quando fechou a cara. – A essa altura Hermione estava muito corada. — Mas definitivamente ela usa menos roupa e tem mais cur... – Rony se calou ao ver o olhar escandalizado de Hermione.— Curvatura, é, ela parece ser meio corcunda, ela anda com as costas curvadas para frente...

- Ronald... –Hermione já ia passar um de seus sermões quando a atendente chegou com o café.

- Bem vamos comer e deixar as coisas banais de lado, temos muito a fazer hoje e não tô a fim de ficar entre as discussões de vocês. – Falou Harry pegando um prato e começando a comer.

Eles ficaram em silêncio até terminarem o café.
Depois de meia hora mais ou menos estavam, os três do lado de fora da estalagem, prontos para subir a colina.
Harry não tinha muita certeza do que encontraria lá e temia muito esse momento, mas ele sabia que
tinha que fazer isso.

Chegando ao início da trilha, que levava até a casa, Rony e Hermione já discutiam novamente. Dessa vez pelo fato de que qualquer rapaz que passava olhava Hermione como se fosse um suculento pedaço de carne.

- ...Você fica dando bola pra qualquer um que passa, nós temos que ser discretos, não devemos ficar chamando atenção. – Berrava Rony.

- Olha quem fala, você acha que não chamou a atenção babando daquele jeito para a garçonete? –Revidou Hermione no mesmo tom. — Se você não repara em mim tem gente que repara, sabia...?

Rony e Hermione desviaram o olhar rapidamente e ambos ficaram muito vermelhos, Harry que já sabia o que estava por vir desde o baile do Torneio Tribruxo, decidiu por eles que eles tinham muito a conversar e esclarecer.

- Eu quero entrar sozinho na casa e vocês dois têm que se resolverem logo ou quem acaba ficando maluco sou eu. – Gritou Harry interrompendo o momento de constrangimento dos dois. — Se eu não voltar em meia hora chamem ajuda. Chamem a Ordem, mas enquanto isso sentem e conversem, vocês têm muito a resolver.

Harry saiu deixando para trás os dois amigos muito vermelhos. Ele começou a subir a trilha e chegou à porta da casa.
Harry levantou a mão para bater na porta, mas se lembrou de que a casa estava abandonada e que provavelmente ela pertencia a ele, já que antes era de seus pais e eles estavam mortos.

Harry empurrou a porta e entrou. A porta caiu no instante em que se abriu por completa. O chão da casa estava coberto de terra, as paredes estavam quase completamente descascadas e os móveis estavam todos virados e quebrados.
Harry se encontrava no que fora um dia a sala de estar de uma bela casa, mas agora metade dela estava destruída.

Harry sabia que o que ele queria ver era seu quarto e que ele ficava no segundo andar, então Harry se dirigiu até a escada, parou de chofre ao perceber que metade da escada estava no chão e a metade que ainda estava de pé, e poderia ruir a qualquer momento.
Harry pensou um pouco e resolveu que seria mais seguro não subir pela escada.

- Vou tentar silenciosamente. – Disse ele para se mesmo e sacudiu a varinha.

Harry esperou por alguns instantes, já estava quase desistindo quando ouviu um barulho agudo de algo muito veloz cortando o ar. A Firebolt de Harry entrou pela porta caída e parou ao lado dele.

- Tô fincando melhor nisso. – Falou Harry com um largo sorriso.

Harry subiu na vassoura e foi para o segundo andar. Lá estava praticamente tudo destruído. Ele olhou e viu um portal sem a porta, ele teve certeza de que era seu quarto, quando passou pelo portal encontrou tudo em ruínas.
Havia um berço que parecia ter sido esmagado por algo e vários escombros estavam jogados ao seu lado como se tivessem sido atirados lá à força.

Harry passou a mão pelo papel de parede rasgado e uma sensação de saudades passou por ele, mas logo em seguida ela foi substituída por uma impressão estranha de que havia algo ruim ali, ele começou a passar a mão pelas paredes do quarto enquanto sentia uma espécie de arrepio agourento, era como se ele farejasse algo.

Harry foi passando as mãos por toda a extensão da parede até tocar seu berço, ali ele teve a pior das sensações, mas isso não acabava ali.
Ele continuou seguindo o frio da sua espinha até chegar onde deveria estar a porta, e de lá foi até onde estaria o final da escada.
Harry montou na em sua vassoura e desceu novamente para a sala de estar, de lá foi seguindo seu sentido até onde ele imaginou que foi a cozinha um dia.

Ele tinha certeza, havia algo ali, ele continuou a tatear as paredes até que o rastro que ele seguia acabou.

- O que será isso? – Se perguntou.

Ele olhou para o teto e viu que ali não tinha teto, assim como boa parte do resto da cozinha, no restante também não tinha paredes. Mas estranhamente no restante do chão da cozinha haviam escombros espalhados por toda parte.

- Por que aqui está tão limpo? – Perguntou-se Harry sacando a varinha.

Ele deu alguns passos atrás e apontou a varinha para o chão onde ele pisava segundos antes, e da ponta de sua varinha uma luz roxa saiu e quando chegou de encontro ao chão explodiu e muita poeira subiu.
Harry começou a tossir e ouviu passos.

- Harry o que ouve? Você está bem? – Perguntava Hermione que chegou ofegante e assustada.

- Estou, só tive vontade de explodir umas coisas. –Respondeu o garoto anda ofegante pela tosse.

- Então tome mais cuidado, esse é um povoado trouxa e eles não estão acostumados com vassouras voando por aí e nem explosões misteriosas. – Falou Hermione que olhava pro local que ainda tinha muita poeira alta.

- Alguém viu a minha vassoura? – Harry levantou a cabeça para ver o semblante dos amigos.

- Creio eu que não, não tinha ninguém na rua na hora. O que tem ali? – Perguntou Hermione apontando o local onde Harry tentou explodir.

- É o que eu tô tentando descobrir. – Respondeu o garoto voltando a baixar a cabeça e tossir.

- Está trancado? Você já tentou o Alorromorra? –Perguntou Hermione apontando com indicador.

- Trancado? Alorromorra? – Perguntou Harry sem entender e acompanhando o dedo de Hermione compreendeu. — Isso não estava aí antes deu usar o Bombarda, quer dizer, tinha o chão ali como em toda a cozinha.

Harry se aproximou para ver melhor uma porta de metal que deveria dar para o porão. A porta não tinha tranca ou fechadura, mas quando Harry tentou abri-la não conseguiu. Hermione tentou o alorromorra, mas também não deu certo. Rony, que na opinião de Hermione foi ignorante e na opinião de Harry foi brilhante tentou o Reducto e antes que Hermione terminasse de criticar, um pequeno buraco se formava na porta de metal, mas logo se fechou.

- O que será que tem aí? – Perguntou Rony ignorando a cara amarrada de Hermione.

- Não sei, só sei que é algo que alguém queria guardar muito bem. – Respondeu Harry. — E tenho quase certeza que não pertence aos meus pais.

- A quem então? – Hermione analisava as possibilidades.

- Vou tentar uma coisa que talvez de certo. Tenho minhas suspeitas. – Disse Harry e apontando a varinha para o próprio braço fez um corte.

Hermione soltou um gritinho e Rony se espantou com a atitude do amigo, Harry deixou o sangue escorrer e pingar na porta de metal. Cada gota que pingou pareceu ser absorvida pela porta, mas nada aconteceu, Harry fechou o corte com a varinha e voltou a pensar.

- O que você está fazendo? – Perguntou Rony.

- Eu acho que sei o que tem lá embaixo. Vocês se lembram de como eu contei que Dumbledore e eu entramos na caverna? – Os dois balançaram a cabeça afirmando. — Se eu estiver certo, teremos que pagar um preço para passar.

- A vida talvez? – Arriscou Rony.

- Tom não colocaria um preço que ele não estaria disposto a pagar caso ele precise procurar as suas próprias Horcruxes. – Falou Harry pensativo.

- Você disse que Dumbledore se cortou e deu o sangue para vocês dois entrarem, talvez o sangue tenha que ser puro. – Disse Rony e antes que Harry pudesse contra dizer ele foi cortando o próprio braço e deixando gotas de seu sangue cair na porta de metal.

Como o de Harry, o sangue de Rony foi absorvido em segundos, Rony fechou o corte, ao que Harry falou:

- Eu não tenho certeza que Dumbledore é sangue puro e não acho que Tom vá sacrificar um sangue puro para isso, do jeito que ele é, eu acho que seria mais provável...

- Um Sangue-Ruim. – Falou Hermione com a cabeça baixa e com a varinha apontada para o próprio braço. — Não custa nada tentar, já foi um sangue puro, um mestiço agora só falta o ruim. – Falou com tristeza.

- Não fale assim Mione, você está acima de qualquer preconceito tolo ou linhagem. – Falou Rony dando um sorriso a amiga que retribuiu feliz.

Hermione logo cortou o braço e deixou seu sangue pingar, da mesma forma que o de Harry e Rony a porta absorveu o sangue da garota. Hermione fechou o corte, decepcionada por não terem conseguido, mas quando viu Harry e Rony abrindo largos sorrisos voltou a encarar a porta que arrastada e lentamente se abria.

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