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18. Os segredos de Draco Malfoy


Fic: Os segredos de Draco Malfoy


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  Hermione abriu a porta sorrateiramente e viu que Draco estava sentado numa cadeira, Snape estava logo à sua frente e parecia muito bravo. Ela não conseguia ver a expressão de Draco.

  - Você tem que levar isso a sério! - Snape exclamou, muito bravo.
  - E pra quê? - Draco perguntou - O Lord das Trevas desistiu de caçar o Potter e agora vai vir atrás de mim?
  - Além de Potter, você é um novo alvo para o Lord das Trevas. - Snape disse, em seu tom de voz frio e grosso de sempre.
  - Edaí? Eu não tenho uma cicatriz na testa que me deixa ligado ao Lord das Trevas. - Draco parecia não estar levando nada a sério, o que era o maior motivo de raiva para Snape. 


  - Você por acaso sabe - Snape segurou Draco pelo colarinho - que pode ser um prato cheio de informações para os comensais da morte se eles te pegarem? Você garoto, por acaso tem alguma noção disto? Seu pai morreu por não saber ouvir, quer acabar como ele?
  - N-não, professor Snape.
  - Ótimo. - Snape soltou a blusa de Draco - Trate de fazer direito.
  - Sim.
  - Legilimens! - Snape disse, com a varinha apontada para Draco. Ele resistiu ao máximo, parecia que Snape não estava conseguindo invadir sua mente - Isso, muito bom, está fazendo direito. 
  - Chega, chega! - Draco gritou e Snape parou - Por favor, chega, já fizemos isso 20 vezes.
  - Contanto que você esvazie sua mente antes de se deitar! - Snape 
  - E como é que eu vou fazer isso?
  - Menino tolo, é só colocá-los na penseira.


   Draco levou a ponta da varinha até a lateral de sua cabeça e murmurou algumas palavras. Quando retirou a varinha, havia nela pendurado um fio de luz prateada e brilhante. Draco levantou e despejou-o na penseira que estava no canto da sala.


  - Anda, vamos embora. - Snape disse, puxando Draco pelo pulso.


  Ao perceber que eles estavam se aproximando, Hermione se escondeu ao lado de uma poltrona no corredor e observou Snape e Draco subirem as escadas. Assim que teve total certeza de que eles se encontravam longe dali, entrou na salinha. Ela estava totalmente iluminada pela luz que vinha da penseira, causada pelas lembranças de Draco que estavam depositadas ali. Ela sabia que não deveria bisbilhotar, afinal, era algo íntimimo dele, mas não resistia à tentação e esse seria o único momento livre para que ela fizesse isso sem ser pega em flagrante. Apoiou as duas mãos nas laterais da penseira e mergulhou o rosto no conteúdo que fora despejado.
  A sensação de mergulhar numa penseira era exatamente como Harry havia descrito no ano passado. Você parece estar vendo tudo de uma janelinha no teto, aí você cai por ela e participa da cena. Hermione estava numa casa, uma mansão para ser precisa. Havia um garotinho de aparentemente 9 anos, com cabelos muito lisos e loiros e olhos cinzas meio azulados, que ela reconheceu ser Draco, sentado no colo do pai, Lúcio Malfoy. 

  - Papai, quando a mamãe volta de viagem? - Draco perguntou.
  - Semana que vem. - Lúcio respondeu - Temos esse tempo em que ela não está para te familiarizar com a arte das trevas.
  - Eu não gosto disso papai, isso é coisa de Você-Sabe-Quem.
  - FRANCAMENTE! - Lúcio gritou e arremessou o filho no chão, que caiu sentado - VOCÊ ESTÁ NESTA CASA HÁ 9 ANOS E AINDA NÃO SABE QUE SUA MISSÃO É VENERAR LORD VOLDEMORT? NÃO SABE QUE NOSSA FAMÍLIA PREZA A MAGIA NEGRA? 

  Os olhos de Draco estavam cheios de lágrimas.

  - VOCÊ PRECISA DE UMA BOA SURRA. - Lúcio estava fora de controle - VAI APRENDER EM BREVE QUAL É O LADO CERTO A SEGUIR.

  Os olhos de Lúcio Malfoy estavam em chamas. Hermione assistia a cena, horrorizada. Lúcio possuía uma bengala com uma cabeça de serpente no topo, toda revestida em prata. Ele chutou o rosto de Draco, que tombou para trás e agora se encontrava estendido no chão, com os olhos transbordando em lágrimas. Lúcio usou a parte de sua bengala que possuía a serpente para espancar o filho. Ele preferiu agredí-lo em partes que não fossem visíveis, por isso, começou a bater com força no peitoral do menino, que chorava e gritava.
  A cena mudou. Agora Draco estava mais velho, estava com 12 anos, em seu segundo ano de Hogwarts. Logo após seu primeiro jogo de Quadribol, que ele tinha levado a Sonserina à derrota, ele foi para a ala hospitalar pois havia se ferido, mas foi liberado no mesmo minuto. Passando pelo corredor, Lúcio, que assistira ao jogo, agarrou Draco pelo pulso e entrou junto com ele numa sala ali perto. Ele jogou o filho contra a parede.

  - Como você pode perder para o Potter? - Lúcio bradou - Quer envergonhar nossa família? Quer fazer Sonserina perder a copa das casas novamente? Como pode ser tão estúpido?
  - Pai, eu não sirvo para ser apanhador! - Draco gritou com o pai 
  - Me respeite, eu sou seu pai! - Lúcio deu um tapa na cara do garoto - Merece ser torturado com magia! Mas vou ser bonzinho com você, Draco, vou apenas lhe agredir fisicamente como castigo. Mais um dedinho fora da linha e você vai sentir uma dor que lhe fará arrepender-se da vida.

  Lúcio segurou Draco pelo colarinho e lhe jogou no chão. O garoto tremia e chorava, enquanto o pai lhe espancava o peito com a mesma bengala. Ainda não satisfeito, Lúcio pegou um frasco de vidro e jogou em cima de Draco. Antes de sair da sala, chutou o rosto que estava coberto de lágrimas. A blusa de quadribol do garoto estava ensanguentada, ele chorava em meio à soluços.
  A cena novamente havia mudado. Draco agora estava crescido, com 13 anos. Ele estava numa sala de Hogwarts com o pai.

  - Você só serve para envergonhar nosso sobrenome, desonrar nossa família, Draco. - Lúcio disse, irritado - Levou um soco de uma sangue-ruim imunda, de uma trouxa suja. Eu lhe avisei que se saísse mais um pouco da linha, você se arrependeria.
  - Pai, ela é uma garota, eu não posso...
  - Não quero saber! Você foi avisado! - Lúcio apontou a varinha para Draco - Crucio!

  Draco caiu no chão e começou a se contorcer enquanto recebia o jorro de uma das três maldições imperdoáveis: a maldição Cruciatus, em outras palavras, A Maldição da Tortura. Harry já experimentara dessa sensação e havia descrito-a como se todos os seus ossos estivessem pegando fogo. Draco gritava e também chorava, estava vermelho. Hermione estava sentindo pena e começou a chorar junto, estava desesperada por não fazer nada. Lúcio parou de executar o feitiço.

  - Daqui a pouco se torna um desses sangues ruins. - disse, chutando Draco, que estava tremendo no chão - Vai fazer o que agora, se casar com trouxas?

  Agora se encontravam na sala da mansão Malfoy, desta vez, Narcisa estava presente.

  - Você vai começar a treinar magia negra, Draco. - disse Lúcio para o filho - O Lord das Trevas está me insistindo para que comece a treinar, quer lhe convocar o mais cedo possível, mas ainda acho que você seja muito jovem e estúpido, tento convencê-lo a esperar que complete 17 anos.
  - EU NÃO VOU SER UM DESSES COMENSAIS IDIOTAS! - Draco gritou.
  - COMO É? - Lúcio se esbravejou, Narcisa soltou um gritinho, mas sabia que se interferisse, poderia ser morta e se sobrasse só Lúcio para vigiar Draco, o futuro de seu filho estaria perdido.
  - FOI ISSO MESMO QUE VOCÊ OUVIU!
  - CALE-SE! - Lúcio socou o rosto de Draco.

  Ele lançou a maldição Cruciatus no filho, que vôou e se chocou contra a parede, se contorcento e gemendo de dor. Narcisa apenas observava a cena da porta, chorando baixinho, não podia fazer nada para salvar o filho. Lúcio interrompeu o feitiço e começou a arremessar objetos de vidro no peitoral do garoto, que estava sem camisa. Ele ficou coberto de cacos, cortes e sangue, encolhido no canto da sala.
  A cena começou a ficar destorcida e Hermione se viu novamente na sala de Oclumência do primeiro andar da casa de Sirius. Ela estava chorando, estava com pena de Draco, um remorso invadiu-lhe por apenas piorar os maus tratos que ele recebia em casa do pai. Era tudo tão horrível, ela mal conseguia se controlar. 
  Saiu correndo dali e foi para seu quarto. Gina lhe esperava acordada.

  - Aonde você estava? - Gina perguntou - Faz meia hora que estou te esperando. Você está chorando?
  - Você não vai acreditar - Hermione disse - no que eu acabei de descobrir.
  - O que? - Gina parecia curiosa e muito animada ao mesmo tempo - Conta! É sobre quem?
  - Malfoy era torturado desde criança por Lúcio. 
  - O que? Como descobriu?
  - Bem, tudo começou quando...

  Hermione contou para Gina o que vira e ouvira, desde a conversa de professor Snape com Draco, além da parte em que ela mergulhou na penseira, até quando viu todas as lembranças do garoto.

   


 


 

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