Hermione escutou passos apressados vindos do corredor.
- Aqui, professor, eles estão aqui! - Rony apareceu, com Dumbledore atrás, que vestia um robe verde.
- Senhor Malfoy precisa ser levado para a ala hospitalar. - Dumbledore disse, pacificamente - O senhor consegue levá-lo, senhor Weasley?
- Consigo, professor. - Rony foi em direção à Hermione - Dá a doninha aqui, Mione.
- Ele vai ficar bem, professor? - Hermione perguntou, entregando Draco ao colo de Rony.
- Oh, sim, creio que sim. Madame Pomfrey cuidará dele, com absoluta certeza. - Dumbledore sorriu - Por que não vai se trocar, senhora Granger? Está fazendo frio.
- Eu quero ficar perto dele!
- A senhorita poderá, após trocar-se.
Hermione saiu correndo para seu dormitório enquanto Rony e Ana levavam Draco semi-acordado para a ala hospitalar, juntos a Dumbledore. Ela se trocou numa velocidade incrível, queria ver Draco o mais rápido possível, abraçá-lo, ouvir a voz dele, seu coração pulsava rapidamente.
- Vamos, Mione. - disse Rony, ao cruzar com ela na porta da ala.
- Eu vou ficar aqui. - ela disse.
- Quê?
- Você ouviu bem, Rony, eu vou ficar aqui.
- Eu avisei para você ter cuidado, ele é perigoso.
- Rony, dá um tempo.
Hermione sentou-se na beirada da cama. Draco já estava totalmente seco, Dumbledore absorvera a água com a varinha. Ela observou o peitoral nu de Draco, aquele que costumava ser musculoso e definido, estava cortado, machucado, com vários roxões por todas as partes, além de que seus ossos da costela estavam visíveis. Os olhos dele estavam fechados, ela não sabia se ele dormira, desmaiara ou morrera. Ela engoliu seco ao pensar em morte, rapidamente colocou a mão sobre o peito dele e sentiu seu coração bater, suspirou aliviada.
- A Srta. Granger lhe dará assistência, Papoula. - Dumbledore estava conversando com Madame Pomfrey, os dois saíam da salinha dela.
- O que aconteceu com o garoto, Alvo?
- Ah, ele se afogou e foi pego pela lula gigante. - Dumbledore lera a mente de Hermione. - Eu vou indo, Papoula, Hermione estará disposta a cuidar dele durante a madrugada, por isso lhe darei uma folga das aulas amanhã para que passe o tempo cuidando do Sr. Malfoy, certo, Hermione?
- Sim, professor Dumbledore. - ela disse.
- Bem, eu vou indo, já está na minha hora. - dito isso, Dumbledore se retirou.
- Senhorita Granger, poderia pingar uma gota desta poção em cada ferimento? - Madame Pomfrey disse, enquanto lhe entregava um frasco com um líquido azul e um conta-gotas. - Não se preocupe, ele está dormindo, apenas.
- Claro!
Hermione pingou uma gota num corte aberto, que se fechou e sumiu no mesmo momento. Ela pingou uma gota em cada roxão, ralado, corte ou ferimento, por fim, o peito do garoto estava intacto novamente. Mas e quanto à sua magreza? Ela explicou tudo para Madame Pomfrey.
- Ele teve um distúrbio mental causado pela morte do pai, pelo que Dumbledore me contou. E outro causado por um coração partido.
- Coração partido? Mas quem partiu o coração dele? - Hermione sabia que ela mesma havia partido e se sentia culpada, mas queria saber se Dumbledore havia falado um pouco mais ou ido mais profundo em sua mente.
- Ah, Dumbledore não me disse. Disse que manteria isso confidencial.
Hermione sorriu. Ela apreciava a compreensão que Dumbledore tinha sobre as coisas. Madame Pomfrey lhe entregou outra poção e pediu que fizesse Draco ingerí-la, isso lhe fortaleceria e faria com que se recuperasse mais rápido. Ela pegou o líquido marrom com a seringa e despejou na boca de Draco, que fez uma careta enquanto dormia, mas engoliu tudo. Ela repetiu o processo até o frasco se esvaziar. Assim que terminou, percebeu que a pele de Draco ganhara brilho novamente, seus músculos voltaram ao normal e suas olheiras haviam sumido. Ela encostou-se na cabeceira da cama, segurou a mão de Draco e notou que havia algo nela. Era um pergaminho, ensopado. Hermione pegou e abriu, era o poema que ela havia lhe enviado, a tinta estava borrada, exceto na assinatura. Ela sorriu e adormeceu, com o pergaminho em seu colo.
*
Draco abriu os olhos. Estava na ala hospitalar. A última coisa de que se lembrava era de ser trazido por Dumbledore e de sentir um gosto amargo e estranho na boca. Ele se sentia melhor, mais forte e mais disposto. Ele olhou para cima e viu o rosto de Hermione, ela dormia e segurava sua mão. Também notou que havia um pergaminho no colo dela, ele olhou e era o poema da Enoimreh Regnarg. Ele analisou, leu e releu o nome e finalmente se tocou. "Como nunca percebi que significa Hermione Granger ao contrário?", pensou. Ele amassou o bilhete e colou no criado mudo. Draco deitou sua cabeça nas pernas de Hermione e olhou para seu próprio peitoral. Notou que todos os seus machucados haviam sumido, sua pele retomara o brilho e seus músculos estavam de volta, não era mais possível ver seus ossos marcando a pele. Ele ouviu vozes e então, fingiu dormir.
- A Hermione é uma traidora! - era Rony, ele dizia isso após ver a cena da amiga de mãos dadas com Draco, enquanto ele dormia em seu colo e ela dormia sentada.
- Pelo amor de Deus, o que ela tem na cabeça? Namorar o Malfoy? - era Harry.
- Eu não ficaria tão infeliz se fosse você, cicatriz. - Draco parou de fingir dormir e se levantou da cama, lá se sabe como.
- Olha, vejo que o senhor Malfoy está curado. - disse Rony - Quem cuidou de você, foi a mamãe?
- Foi a sua amiga que você chama de traidora! - Draco riu
Hermione acordou com o bate boca. Se deu conta de que os três estavam lançando feitiços. Ela foi se levantar, mas um jorro de luz ricocheteou bem no seu nariz e a atirou com força contra a parede. Ela foi estuporada.
- Tá vendo o que você fez, Potter? - Draco ia correr em direção à Hermione, mas Rony o segurou.
- Não toque nela. - Rony apertou o braço do garoto com força, que caiu no chão, pois não estava 100% recuperado.
- Ennervate. - Harry disse, com a varinha na direção de Hermione, que abriu os olhos imediatamente.
- Vocês perderam a noção? - ela saiu dali irritada e batendo os pés.
- Ei, isso aqui virou feira de trouxas? - Madame Pomfrey saiu de sua sala ouvindo a confusão - Potter e Weasley, saiam imediatamente! Malfoy, volte para sua cama, você será liberado mais tarde.
O três obedeceram sem pestanejar.
*
Estava na hora do almoço. Era Hermione quem estava abalada. Por que Harry e Rony sempre estragavam tudo? E Draco contribuia para isso? Ela almoçou sem trocar uma palavrinha sequer com seus amigos. Percebeu que Draco fora liberado bem cedo, pois estava sentado na mesa da Sonserina. Ele aparentava estar bem melhor sem Hermione, bem melhor do que antes, parecia ter percebido que foi um idiota em tentar se matar por causa dela. Todos olharam surpresos quando ele atravessou o salão com aquela aparência magnífica e saudável. O único estranho é que ele não estava cercado por Crabbe, Goyle ou Pansy Parkinson desta vez, estava com alguns meninos quartanistas. Parecia que seus amigos antigos procuravam manter distância dele, mas por quê?
Hermione decidiu ignorar sua folga cedida por Dumbledore e frequentou à aula de Trato das Criaturas Mágicas de Hagrid, que seria em dupla com a Sonserina. Era na orla da Floresta Negra e haviam vários hipogrifos. Um negro, um marrom e outro meio avermelhado. Ela achava muita burrice da parte de Hagrid trabalhar com eles novamente, uma vez que Bicuço causara problemas.
- Quem quer começar? - Hagrid perguntou - Todos sabem o que devem fazer, certo?
- Eu vou, Hagrid. - Hermione deu um passo a frente, um coro de risinhos veio do bolinho da Sonserina. Ela jurou ter ouvido a voz de Draco.
- Venha, venha. - Hagrid a chamou - Sabe o que deve fazer?
- Sim, Hagrid.
Hermione se aproximou do hipogrifo laranja.
- Esta é Hadar. - Hagrid disse - Seja cuidadosa, Hermione, as fêmeas de hipogrifos, assim como as de dragões, são muito mais agressivas.
- Tudo bem, Hagrid. Acho que não será uma tarefa difícil.
Hermione fez a devida reverência ao hipogrifo. Hadar fez um movimento estranho, que ela entendeu por um sinal de que podia se aproximar e estendeu a mão para acariciar o cocuruto da "hipogrifa", mas nada saiu como o esperado. Hadar avançou para cima de Hermione e lhe deu uma patada no estômago, causou um corte muito feio e profundo que começou a sangrar sem parar. Ela parecia não estar satisfeita e, enquanto Hermione gritava e Hagrid tentava afastá-la da aluna, ela deu outra patada no braço que a menina usava para tentar estocar o sangue do ferimento, o que fraturou um osso. Hermione deu um urro de dor. Hagrid tentava acalmar Hadar, lhe dando guaxinins mortos, enquanto todos os alunos à volta observavam, surpresos e silenciosos.
- Alguém leve-a para a ala hospitalar! - Hagrid bradou - Hadar está muito perturbada, não posso deixá-los sozinhos com ela!
- Eu levo, Hagrid. - disse Harry, Draco demonstrou-se irritado com um olhar.
- Essas galinhas idiotas vão matar todos nós. - Draco resmungou.
Harry pegou Hermione no colo, que urrava de dor. As vestes dela estavam empapuçadas de sangue, logo as de Harry também ficaram. Ele apertou o passo e rapidamente já estava na ala hospitalar. Madame Pomfrey cuidava de Neville, que havia afundado num degrau da escada e quebrado o tornozelo, quando se surpreendeu ao ver o estado de Hermione.
- Pelos calções de Merlin! - ela disse, horrorizada - O que fizeram com esta menina?
- Ataque de hipogrifo. - Harry disse, depositando Hermione ensanguentada em cima da cama.
- Ah, esses malditos hipogrifos. - Madame Pomfrey entrou apressada na salinha e voltou com um frasco que continha um líquido azul, o mesmo que usara nos ferimentos de Draco - Tome, Potter, despeje todo este conteúdo nesse rombo que o hipogrifo fez na barriga dela.
Harry virou todo o frasco e o corte/rombo sumiu num piscar de olhos. Hermione chorava de dor, seu braço ainda estava fraturado.
- Branquium Remendo. - Madame Pomfrey remendou o braço de Hermione e colocou uma tipóia de pano para servir de apoio - Use esta tipóia por alguns dias, senhorita. Já pode voltar para a aula.
Harry carregou Hermione de volta, pois, apesar de ter o corte curado, ainda estava dolorido. Explicou para Hagrid que Madame Pomfrey já havia liberado a amiga. Hermione passou o resto da aula sentada sob uma árvore, olhando Malfoy se assanhando em Emília Bulstrode. Uma ira subiu até o limite de sua cabeça, uma vontade de atiçar um hipogrifo pior do que Hadar contra os dois.
*
Estava na hora do jantar. Hermione, Harry, Rony e Gina iriam ao corujal para despachar uma carta à Sra. Weasley dizendo que estava tudo bem (ela cobrava isso). Ao chegarem lá, encontraram ninguém mais ninguém menos do que Áquila.
- Sabemos qual animago é você. - disse Rony - Somos mais espertos do que você pensa.
- Verdade? - ela não parecia nada preocupada. - Como descobriram?
- Pesquisas. - disse Gina - Sabemos que seu nome significa "Águia". Todos sabem que o bicho em que um animago se transforma diz muito sobre a pessoa, sabemos que você é uma águia.
- Vocês confundiram isso com o patrono. - Áquila disse, risonha - O patrono é que diz muito sobre a personalidade de algúem, porém raciocinaram de forma correta. Confirmo-lhes que meu patrono assume a forma de uma águia, mas o animal que me transformo não tem nenhuma relação com águia.
- Mas e sua coruja, Pandion? - Hermione perguntou, desafiadamente.
- Ah, também descobriram que o nome tem origem de águia-pesqueira? - Áquila riu - Ela pertence à Ninfadora, que foi quem colocou o nome, mas a considero minha, pois passa maior parte do tempo comigo. Mas não desistam de tentar, quem sabem um dia vocês descobrem que animal eu sou?
- Não quer dar nem uma dica? - Rony perguntou.
- O máximo que posso lhes dizer é que sempre estou ao lado de um de vocês e estou mais perto dos quatro do que imaginam. E Hermione, não fique triste por causa dele, sinto que ele lhe fará feliz brevemente, foi o que ouvi.
Áquila sorriu e saiu do corujal. O que ela quis dizer quando avisou que estava sempre perto deles? Seria possível que ela se transformasse em um inseto, assim como Rita Skeeter? Os quatro ficaram horrorizados, Áquila era muito mais esperta do que imaginavam, com certeza era um dom que herdara de Bellatrix. Ela sabia muito sobre o que eles pensavam, mesmo que fosse um pensamento que deixaram escapar enquanto estavam sozinhos, principalmente os de Hermione. Começaram a subir teorias de que ela seria um inseto ou um animal muito pequeno e pediram que Hermione revirasse seu dormitório em busca de besouros, baratas, mosquitos e ratos, enquanto fariam o mesmo no salão e nos dormitórios da Grifinória.