- Eu temo tanto quanto você, Hermione, - Harry disse - mas se essa é a vontade de Dumbledore, eu não vou subestimar.
- Harry pode ter razão, Hermione. - Rony disse - Dumbledore é muito sábio. Nunca vi aquele homem errando nenhum de seus pensamentos.
- É, vocês dois estão certos. - disse Hermione - Dumbledore é um bruxo muito inteligente e se ele confia em Snape, nós também devemos confiar.
- As aulas começam de noite. - disse Harry - Dumbledore disse que devo esvaziar meus pensamentos antes de dormir. Como é que eu vou fazer isso?
- Tente pensar em nada! - sugeriu Hermione.
- Mas nada é alguma coisa! - Rony disse.
- Ah, eu não sei, vocês estão me deixando caduca.
*
Três semanas se passaram e o dia de voltar para Hogwarts chegou, finalmente. Harry treinava Oclumência com Snape todas as noites e até agora estava se saindo tudo muito bem. Antes de usar a legilimência contra Harry (algo em que o professor também era muito bom), Snape retirava algumas de suas próprias lembranças e depositava numa penseira que ficava no armário de uma sala no primeiro andar. Dumbledore decidira que não seria bom estudarem num andar tão alto, demorava muito para subir, o que lhe fez decidir que ficariam com o primeiro andar mesm. Algumas coisas haviam mudado durante esse período. Ao contrário de Narcisa, que estava superando muito bem a morte de Lúcio, Draco não comia, não dormia direito e mal saía do quarto. Apenas saiu pois não tinha outra opção, a mãe o obrigou a voltar para a escola.
- Você não vai ficar aqui. - Narcisa disse, severamente - A vida continua, meu filho.
Draco estava irreconhecível. Suas pálpebras inferiores estavam ocupadas por roxas olheiras, ele estava muito mais pálido do que o normal e também havia emagrecido. Estava tão magro que os ossos de sua costela marcavam a pele. Mal possuía disposição, chegou a desmaiar enquanto tomava banho, teria morrido afogado na banheira se sua mãe não tivesse dado por sua falta e ido perguntar se estava tudo bem.
Sr. Weasley estava esperando os garotos com um carro do ministério que fora expandido por dentro, podia abrigar mais de 10 pessoas. Fred, Jorge, Gina, Harry, Hermione, Rony e Draco estavam acompanhados apenas pelo motorista do ministério, que, obviamente, estava dirigindo o carro. Draco, que estava sentado entre Hermione e Gina, acabou adormecendo com a cabeça no ombro de Hermione durante a viagem, o que fez Gina dar um risinho e Rony sussurrar para que Hermione tomasse cuidado.
- Malfoy, já chegamos. - disse Hermione, friamente, ainda estava de mal com ele, depois desse tempo todo.
Ela não esperou ele despertar e saiu do carro. Ele logo após saiu. Assim que atravessou a barreira e entrou na platafroma 9 3/4, todos os olhares se voltaram para ele. Todos cochichavam e comentavam sobre Lúcio ou sobre como Draco estava magro, pálido e com uma aparência horrível. O que acontecera com aquele garoto do sorriso de lado, dos olhos radiantes, do corpo perfeito? Ele se fora junto com o pai?
- Draquinho, o que ouve com você? - era Pansy, que apareceu de mãos dadas com Goyle - Está horrível.
- Dá um tempo, Parkinson. - ele virou-se e deu de cara com Astoria.
- Anjinho! Que saudade eu... AAAAAAAAAH!
- O que foi agora, Astoria? - ele perguntou, com a voz rouca - Está sonhando com trasgos?
- Que diabos fizeram com você? - ela abraçou o namorado - Está pálido, fraco... horrível - ela diminuiu a voz ao dizer "horrível".
- Caso não esteja ciente, o meu pai foi assassinado. - ele disse, irritado - Não estou com tempo para suas opiniões de beleza, Astoria.
- Ah, anjinho, desculpa. - ela deu um beijo nele, não gostou muito, os lábios de Draco estavam ressecados e quebradiços.
Ele se soltou da namorada e entrou no trem. Entrou numa cabine qualquer, sozinho, colocou as roupas de Hogwarts já cedo e dormiu deitado no banco, até a hora de chegar na escola.
- Ei! - alguém bateu no vidro - Menino Malfoy! Só sobrou você no trem, é hora de descer.
- Hein? - ele abriu os olhos rapidamente, num susto, viu ser professora McGonagall - Ah, tá.
Draco saiu do trem e foi para o salão principal. O único lugar vago era ao lado de Astoria, que ficou tagarelando em sua cabeça.
- Você precisa comer! - disse ela, enfiando coxas de frango na boca do garoto, que comeu sem reclamar - Tem que ficar forte!
Todos já haviam acabado de jantar. Hermione estava indo para seu dormitório, quando notou que Draco caminhava com dificuldade logo atrás dela. Ela não teve como não sentir pena. Parou, recuou e decidiu ajudar.
- Vem comigo, eu te ajudo. - ela colocou o braço de Draco em volta de seu pescoço e foi caminhando junto com ele até o dormitório. - Isso, vamos.
Ele não reclamou, apenas se esforçou para sorrir. Hermione o colocou em cima de sua própria cama, que estava forrada num edredom da Grifinória.
- Acho melhor você ficar aqui esta noite. - ela disse.
- Eu estou bem. - ele insistiu - Eu tenho que monitorar.
- Tem certeza que está em condições para isso?
- Por que lhe importa, Granger? - ele perguntou - Por que está me ajudando?
- Porque eu sou uma pessoa decente. - ela disse, arrebitando o nariz - Agora fique aí e descanse, deixa que eu cuido do corredor sozinha. E não esqueça que eu ainda estou brava com você, então não dirija a palavra a mim.
Sem ficar para ouvir os argumentos de Draco, Hermione saiu. Ele não demorou para pegar no sono, ali mesmo no quarto da menina.
Assim que Hermione chegou no corredor das masmorras, encontrou um grupo de garotas quartanistas da Sonserina. Uma delas, de longos cabelos castanhos e pele clara, deu um passo a frente e falou:
- Posso saber por que diabos você está dando em cima do meu namorado? - perguntou a menina.
- Seu namorado? - Hermione perguntou, desconfiada - Eu nem sei quem é seu namorado, muito menos quem é você.
- Astoria Greengrass, - a menina estendeu a mão para um cumprimento - namorada de Draco Malfoy.
- Eu afim do Malfoy? Conta outra! - Hermione gargalhou alto - Agora, todas vocês, de volta para seus dormitórios ou serei obrigada a descontar 15 pontos da Sonserina por cabeça pois já passou da hora de alunos ficarem nos corredores. Anda, anda, circulando.
Todas obedeceram, resmungando. Enquanto elas entravam, Bichento saiu de dentro da torre de Sonserina.
- Bichento! - Hermione exclamou - O que você estava fazendo na torre da Sonserina?
Bichento miou e se esfregou nas pernas de Hermione.
- Vá para meu quarto, fique com Draco. - Hermione mandou e ele obedeceu, pelo menos parecia, pois seguiu na direção dos quartos.
A hora da monitoria havia acabado. Hermione voltou ao seu quarto e Draco dormia sozinho, Bichento talvez não tivesse a obedecido mesmo. Ela decidiu que iria aproveitar essa oportunidade para deixar seu poema em meio às coisas de Draco. Ela abriu seu malão calma e silenciosamente e pegou o pergaminho dobrado em seu livro de poções. Passou pelo banheiro e chegou ao quarto do garoto. Cuidadosamente, colocou o pergaminho sobre o criado-mudo e voltou. O barulho da porta se fechando acordou-o.
- Que horas são? - ele perguntou, se espreguiçando.
- Acho que são meia noite. - ela respondeu.
- Eu vou voltar para o meu quarto. - ele levantou-se e atravessou a porta cambaleando.
Hermione colocou suas roupas de dormir e deitou-se. Pegou no sono instantaneamente.
*
Já era de manhã. Draco acordou, estava se sentindo bem, não dormia tanto há muito tempo e também não sentia fome como estava sentindo agora. Ele se trocou, pois dormira com uniforme e estes agora estavam amassados, e foi para o salão principal tomar café.
- Anjinho! - Astoria apareceu com um potinho, Draco suspirou desanimado - Trouxe uns bolinhos para você ficar fortinho.
- Astoria, dá um tempo! - ele pediu.
- Como é?
- Eu estou cansado! Cansado de você! Desgruda de mim tá?
- Você está terminando comigo? - ela estava indignada.
- Estou. - ele disse, já andando para longe dela - E vê se me esquece.
- Eu não preciso de você mesmo! Todos sabem que o Crabbe é muito mais bonito que você! - ela estava mentindo, era uma mentira das bem cabeludas, mas Draco nem esquentou a cabeça.
Ele sentou longe de Pansy, Crabbe, Goyle, Astoria, Blásio ou qualquer um que pudesse apagar sua auto-estima, que estava brilhante naquele dia. Ele estava devorando algumas rosquinhas quando olhou Hermione entrando no salão. Ela estava montada nas costas de Harry, Rony vinha logo ao lado rindo e segurando sua mão. Eles estavam correndo. Draco sentiu seu coração pegar fogo. Seriam ciúmes?
- Onde está Gina? - Hermione perguntou à Rony.
- Ela vem vindo ali. - Rony apontou para a irmã, que surgiu na porta do salão.
Gina se aproximou de Harry e sussurrou algo em seu ouvido. Ele apenas assentiu com a cabeça. Ela segurou o rosto de Harry e selou os lábios dele com um beijo sufocante, que arrancou vários gritos de surpresas da mesa da Grifinória. As orelhas de Rony estavam vermelhas, não sabia se era de raiva ou constrangimento.
- Vamos parar com a safadeza em pleno café da manhã! - ele puxou Gina pelos cabelos.
- Ai, Rony! Você está me machucando. - Gina reclamou.
- Desculpe. - ele disse - Vou demorar a me acostumar com essa ideia da minha irmã namorando meu melhor amigo.
As aulas haviam acabado, estava na hora de monitorar os corredores. Hermione fora na frente. Draco estava terminando de arrumar sua cama, quando notou um pedaço de pergaminho dobrado em seu criado mudo. Ele abriu e começou a lê-lo.
Você é tão hipnotizante,
poderia ser o diabo, poderia ser um anjo.
Seu toque é magnetizante,
é como se eu estivesse flutuando, deixe meu corpo irradiar.
Eles dizem para eu ter medo,
mas você não é como os outros, é um amante futurista,
DNA diferente, eles não te entendem.
Você é de outro mundo,
uma outra dimensão...
Me beije,
Me infecte com seu amor, me preencha com seu veneno.
Me leve,
Quero ser sua vítima, pronta para abdução.
Garoto, você é sobrenatural, seu toque é de outro mundo.
Você é minha estrela da sorte.
Enoimreh Regnarg
Draco leu e re-leu o bilhete várias vezes. Quem seria a misteriosa garota? Ele não conhecia ninguém chamada Enoimreh Regnarg, nem nunca ouvira falar. Abriu a gaveta do criado-mudo e guardou o pergaminho ao lado do potinho onde se localizavam as sementes da maçã que dividira com Hermione. Ah, Hermione... Como sentia falta de falar com ela. Ele correu para as masmorras, estava 15 minutos atrasados e Hermione ia ralhar com ele, porém, quando chegou, ela nem sequer trocou um olhar.
- Frio hoje, não? - ele decidiu quebrar os 20 minutos que estavam em silêncio.
- Não dirija a palavra a mim. - ela disse, seca.
- Ui, se não é a Granger esquentadinha. - ele decidiu provocá-la. Aproximou-se dela e encurralou-a na parede. - Eu posso apagar esse fogo num instante.
- Eu-mandei-você-não-dirigir-a-palavra-a-mim. - ela tentou sair, mas ele a encurralou novamente - SAI!
- Só se você me der um beijo.
- Tenho coisa melhor para te dar. - ao fim de suas palavras, Hermione deu um soco no rosto de Draco, que o fez cair no chão. Ela saiu correndo e chorando.
- Você vai me pagar por isso, Granger! - ele gritou.
Draco mesmo não se entendia. Amava Hermione, mas sentia um ódio imenso por ela ao mesmo tempo. Mal sabia ele que ela se sentia quase da mesma forma, só faltavam mais uns 60% de amor por ali. "Essa menina me deixa louco!", ele pensou, esfregando a própria bochecha no local onde o punho de Hermione acertara em cheio. Ele acabou por monitorar sozinho.
Hermione parara de chorar assim que entrou no quarto. Aquelas lágrimas foram momentâneas, apenas de raiva. Estava se perguntando se ele havia visto o bilhete dela. Ela estava sentindo um ódio profundo por ele, capaz de atiçar mil hipogrifos contra ele.
Ela estava se preparando para deitar, quando ouvir alguém bater à porta, a do banheiro. Ela abriu, era Draco.
- Sai daqui.
- Granger, deixa eu...
- NÃO, SAI! - ela gritou - EU ODEIO VOCÊ, EU NUNCA MAIS QUERO TE VER, IDIOTA!
- ME DEIXA FALAR! - ele gritou, tentando entrar, mas ela não permitiu.
- NÃO! AGORA SOME DA MINHA VIDA! JÁ DISSE PARA VOCÊ SEGUIR EM FRENTE, VOCÊ É MUITO MELHOR SEM MIM! - ela bateu a porta na cara dele e trancou com um feitiço.
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Créditos à música 'E.T (Futurisc Lover)' da Katy Perry.