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12. O filho imperfeito


Fic: Os segredos de Draco Malfoy


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 A noite havia chegado. Todos já haviam acabado de jantar, obivamente, eram onze da noite. Harry e Rony foram para seu quarto jogar xadrez de bruxo. Hermione acompanhou Gina para o quarto dela, as duas planejavam conversar sobre os acontecimentos recentes. Fred e Jorge foram secretamente trabalhar em seu kit mata-aula. O resto foi para seus respectivos quartos para que pudessem dormir. Apenas restava Draco na cozinha. Ele estava andando em volta da mesa e encontrou um jornal enrolado, era o Profeta Diário do dia anterior, a edição que anunciava a morte de seu pai. Ele pegou o jornal e subiu as escadas. Já não se lembrava onde era seu novo quarto, pois Sirius havia transferido ele e sua mãe para o quarto da Sra. Black. Draco subiu três andares escuros e só parou quando encontrou uma porta entreaberta no quarto andar. Ele entrou lá e acendeu a luz, deixou a porta um pouco mais aberta. Se assustou ao ver um hipogrifo dormindo ao lado de um sofá que se localizava no quarto. O garoto reconheceu ser Bicuço, o hipogrifo de Hagrid que o atacara, ele sabia que não havia sido morto, agora havia descoberto o que realmente acontecera com ele. 
  Com medo de acordar a criatura, Draco sentou-se no sofá silenciosamente, que se localizava de lado para a porta. O quarto era mobiliado com duas poltronas, uma gigante tigela repleta de guaxinins mortos, que ele concluiu pertencer à Bicuço. Ele abriu o jornal e encarou a foto bruxa de seu pai. Não se mexia muito, apenas mostrava-o estatelado no chão com os olhos abertos e cabelos esparramados pelo chão. A única coisa em movimento por ali eram as luzes de flash das câmeras que pertenciam aos repórteres. 
  Hermione saiu do quarto dizendo que iria ao banheiro, mas na verdade, queria explorar os andares de cima, já que estava sem sono e nunca tivera essa oportunidade enquanto todos se encontravam acordados. Subiu três andares e encontrou uma porta meio aberta com uma fresta de luz saindo de dentro do cômodo. Ela colocou o rosto, sem fazer barulho, curiosamente, para ver o que se passava ali. Percebeu que era o quarto de Bicuço e viu Draco sentado no sofá, olhando para um jornal. Obviamente, Hermione não sabia, mas ele estava pensando nas vontades absurdas que Lúcio tinha e que ele jamais cumpriria.

  - Ei, pai, olhe para mim. - Draco estava falando sozinho, aparentemente, com o jornal que lia - Pense de novo e converse comigo. Eu cresci de acordo com os seus planos? Você acha que eu estou perdendo tempo fazendo as coisas que quero fazer ou correndo atrás de garotas, quer dizer, uma garota, para ser preciso?

  Hermione sabia que ele estava falando de Astoria, a garota que ele desejava.

  - Sabe, doía, literalmente, quando você desaprovava tudo, ainda tenho as marcas. Eu nunca fui bom o bastante para você. - ele estava dizendo - Não posso fingir que estou bem, acontece que você nunca pôde me mudar.

  Hermione estava ouvindo tudo atentamente, espiando pela porta. Às vezes se perdia de pena no olhar triste que Draco lançava ao jornal.

  - Eu perdi tudo, eu sei que nada dura para sempre, mas me desculpe pai, eu não posso ser perfeito e também não queria ser mau, eu nunca quis seguir o lado das trevas com você, o meu coração não é mau, mesmo que eu seja um tonto desprezível. - Draco disse, enquanto algumas lágrimas escorriam de seus olhos.

  Hermione estava sentindo muita pena do garoto. Nunca havia pensado que por baixo daquela expressão fria e malvada havia um bom coração.

  - Sabe, eu tento não pensar sobre a dor que eu sinto por dentro. - ele disse, chorando e encarando o jornal - Apesar de apanhar por não seguir suas vontades, pai, sabia que você era meu herói? Todos os dias bons que você passou comigo, parecem tão distantes agora, mas acho que você nunca se importou. 

  Draco atirou o jornal longe, por pouco não acertou e acordoi Bicuço. Hermione estava saindo silenciosamente da frente da porta, quando virou-se, viu Harry e Rony encarando-a, o que lhe pregou um susto.

  - O que estava fazendo aqui, Mione? - Rony perguntou - Tem alguém  aí dentro?
  - Fale baixo! - ela sussurrou - É Draco que está ali.
  - Mas este não é o quarto do Bicuço? - Harry falou baixo - O que ele está fazendo aí?
  - Chorando. - ela disse - Aparentemente estava olhando o jornal com a foto do Lúcio e dizendo algumas coisas sobre não seguir os planos que o pai propôs, planos maus, sabe? Também ouvi ele mencionar que o coração dele não é mau e que jamais irá para o lado das Trevas.
  - Isso é ladainha. - disse Rony - Tenha medo, Hermione, tome cuidado com ele. Não ache que ele ficou bonzinho da noite para o dia.

  Os três voltaram para seus respectivos quartos. Draco saiu do quarto de Bicuço alguns minutos depois, levando consigo o jornal que atirara longe. Ele foi para a sala, no hall de entrada e dormiu no sofá, pois não havia conseguido encontrar o quarto onde deveria dormir com sua mãe. Além do mais, ele não queria ter que abrir todas as portas, a casa possuía uns quatro ou cinco andares, ele não sabia ao certo.   
  Hermione acendeu a varinha e pegou um pergaminho, pena e tinteiro. Estava pensando em Draco, realmente sentia falta dele, de seus beijos, do seu abraço. Mas e se Rony estivesse certo? Seria Draco realmente perigoso como fora o pai? Mas e toda aquela cena que ela havia visto no quarto de Bicuço? Não poderia ser fingimento, afinal, ele não sabia que estava sendo observado. Ela pensou no garoto, em tudo que já haviam passado juntos e nos acontecimentos recentes. Começou a escrever um poema, não aqueles poemas melosos, mas um poema misterioso. Ela dobrou o pergaminho e escondeu dentro do seu livro de poções. Estava pensando se entregaria ou não para Draco, secretamente é claro, ele não poderia saber que havia sido ela. Pensou com calma e decidiu dar o pergaminho a ele apenas em Hogwarts, pois ele estava namorando agora. Não que ele fosse romper seu relacionamento com Astoria por lá, mas as chances eram maiores. Hermione colocou o livro de poções no malão novamente, apagou sua varinha e deitou-se para dormir, pois já estava sentindo sono.

*

  - Draco não foi no quarto para dormir. - disse Narcisa, preocupada. Todos estavam à mesa, tomando café - Onde será que ele está?
  - Eu o vi dormindo no sofá do hall quando desci. - disse Hermione.
  - Ah, você acordá-lo para mim? 
  - C-claro, senhora Malfoy.
  - Me chame de Narcisa, sim?

  Hermione levantou-se da mesa. Subiu as escadas (a cozinha se localizava no andar subterrâneo da casa, um andar abaixo do hall) e virou o corredor. Lá estava Draco, dormindo, encolhido no sofá. Havia um jornal aberto no chão. Ela abaixou-se e pegou. Suas expectativas estavam certas, pois na primeira página, estava a matéria sobre o assassinato de Lúcio Malfoy. Havia manchas de lágrimas por toda a página, algumas letras estavam borradas. Hermione sentiu um aperto no coração. Colocou o jornal sobre a mesinha que ficava ao lado e foi acordar Draco.

  - Ei, Malfoy. - ela cutucou o garoto, que a olhou com os olhos semicerrados - Sua mãe mandou eu te acordar.
  - Dá um tempo, Granger. - ele virou-se para o canto do sofá e fechou os olhos.
  - Acorde logo! - ela disse impaciente.
  - Sai daqui, me deixa dormir.

  Hermione desceu as escadas enfurecida, mas disfarçou sua raiva ao chegar na cozinha.

  - Ele não quis acordar, Narcisa. - ela disse à Sra. Malfoy - Me pediu que o deixasse dormir. 
  - Obrigada, querida. - Narcisa sorriu e levantou-se para entregar uma bandeija com café da manhã para Hermione - Pode me fazer só mais um favorzinho? Mesmo que ele não queira, leve esta bandeija à ele, por favor. Faz um tempo que ele não come direito.
  - Seria um prazer.

  Ela fez o que Narcisa pediu, mas ao tentar acordar Draco, o resultado foi o mesmo.

  - Já mandei você me dar um tempo, Granger. - Draco brigou, enquanto continuava encolhido e de olhos fechados no sofá.
  - Sua mãe disse que você precisa comer, não se alimenta direito há dois dias. - ela disse, colocando a bandeija sobre a mesa ao lado do jornal.
  - Até parece que se preocupa. - ele disse em meio a um resmungo.
  - E se me preocupar?
  - Sério? - ele virou-se para ela e abriu os olhos com dificuldade.
  - Malfoy, cala a boca! - ela falou - Acha que eu estou com pena de você só por causa dos acontecimentos recentes? Pois não!
  - Granger... - ele olhou para ela, com raiva. Os olhos instantaneamente se encheram de lágrimas, que cairiam com uma piscadela - Suma daqui!
  - Malfoy, desculpa, eu não quis...
  - SUMA DA MINHA FRENTE! - ele gritou.

  Hermione levantou-se do sofá e subiu as escadas de volta à cozinha. Percebeu que havia falado demais, não pensou bem antes de escolher suas palavras, nem sequer havia se lembrado que Draco estava passando por um período difícil. 

  - Narcisa, ele disse que comeria mais tarde, está muito cansado agora. - mentiu.
  - Muito obrigada, querida. - Narcisa sorriu radiantemente para Hermione.

  Dumbledore apareceu. Pediu que a Harry que o acompanhasse até uma sala no quinto andar da casa. Harry nunca havia visto esse cômodo. Dumbledore pediu que ele se sentasse.

  - Você sabe por que eu te trouxe aqui, Harry? - Dumbledore encarou o garoto. 
  - Para falar sobre o meu sonho, suponho? - Harry arriscou.
  - Exatamente. E você sabe o que é Oclumência?
  - Como sabe que eu estava pensando nisso?
  - Não preciso perguntar para saber o que as pessoas pensam, Harry. - Dumbledore disse - E pelo que vejo, você não conhece mesmo a Oclumência.
  - Bem, eu ouvi uma voz me dizendo essa palavra no sonho. - Harry explicou - Era uma voz de garota, parecia Hermione, estava distante. Ainda quero entender como foi que eu previ a morte de Lúcio. Parecia que eu era Voldemort.
  - Eu queria estar errado, Harry, mas parece que na noite em que Voldemort lhe fez isto, - Dumbledore apontou para a cicatriz em forma de raio na testa de Harry - ele criou uma ligação entre suas mentes, mas ele não sabia sobre ela até aquela noite. Ele sentiu sua aflição no momento, assim como você sentiu a ira dele. 
  - O senhor está dizendo que Voldemort tem acesso à minha mente?
  - Infelizmente, sim, Harry. Ele é um exímio legilimente, o que contribuiu muito para que ele possa ter acesso à sua mente e seus sentimentos.
  - O que é isso, professor?
  - Ah, sim, retornando à parte que eu lhe explico o que é Oclumência.  ..
  - Tem alguma relação?
  - Ah, sim. Legilimência é o dom de ler mentes, Harry. É preciso muito estudo para portá-lo. Com a Oclumência é possível bloquear sua mente dos poderes legilimentes. Suponho que sua mente tenha escolhido a voz de Srta. Granger para lhe dizer sobre isto, pois você a vê como portadora de uma inteligência e astúcia superiores, o que são qualidades necessárias para a prática de Oclumência e Legilimência.
  - E eu vou precisar ser um oclumente?
  - Certamente que sim, Harry. - Dumbledore tossiu após falar - Mas vou logo lhe avisando que não será uma tarefa fácil. O melhor oclumente que conheço é professor Snape. Ele será seu professor durante as férias natalinas. Você precisará fechar a sua mente contra as invasões de Voldemort e a Oclumência pode fazer isso por você, independente da ligação.

  Harry engoliu seco, mas concordou.

  - Sua primeira aula será amanhã, antes de dormir. Snape virá ao pôr-do-sol.  

  Ele não tardou a contar o que Dumbledore lhe dissera à Rony e Hermione. Os dois apresentaram a mesma reação que ele: medo. De que maldade Severo Snape seria capaz ao ficar com Harry num cômodo enquanto todos se prepara para dormir? 

  - Eu sempre desconfiei de Snape. - disse Hermione - Se Dumbledore é um bom legilimente, é claro que ele pode ver o que Snape trama, porém, ele lhe contou que Snape é o melhor oclumente que ele conhece. Pode ser que ele feche a mente perversa contra as invasões
de Dumbledore.

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Créditos à musica 'Perfect' do Simple Plan. 

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