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10. Estranhas visões


Fic: Os segredos de Draco Malfoy


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  - Ah, mas você gosta dela, Harry. - disse Hermione.
  - Será? Acha que é possível suportar uma garota que não pode te ver com sua melhor amiga e já pensa que está sendo substituída?
  - É realmente chato, mas o que você vai fazer em relação a isso?
  - Acabar com tudo, se é que ela mesma já não acabou agora.
  - Bem, se for essa sua decisão, conheço alguém que vai te fazer muito mais feliz.
  - Quem?! - Harry perguntou, radiante.
  - Adivinha ué.
  - Dá uma dica pelo menos, Hermione!
  - Tá bom, deixa eu ver... - Hermione ficou pensativa - Ah, vamos numa fácil, ela tem cabelos ruivos. Precisa de mais alguma coisa?
  - É a Sra. Weasley? - Harry perguntou.
  - HARRY! - Hermione falou em tom de desaprovação e deu tapas no amigo.
  - Ai, ai! Eu estava brincando! - ele estava mesmo brincando - Imagino que seja a Gina?
  - É óbvio né, Harry!
  - Bem, Hermione, eu preciso de um tempo para pensar nesse caso. 
  - Eu sei. Sei perfeitamente bem como não é fácil esquecer uma pessoa com quem você passou muitas coisas. - ela disse e abaixou a cabeça.
  - Vamos parar de falar disso, sim? - Harry pediu - Que tal irmos fazer o que planejamos? Vamos logo para a biblioteca?
  - Claro. - Hermione levantou a cabeça e sorriu - Ainda está sendo difícil para mim acreditar que você e o Rony fizeram anotações para me passar.
  - Tudo pela nossa melhor amiga!

  Os dois seguiram para a biblioteca, onde Harry passou para Hermione tudo que ela havia perdido, até nos mínimos detalhes.
  Os meses seguintes se passaram muito rápido. Outubro, Novembro, Dezembro! Estava na hora de voltarem para suas casas para passar o natal e retornar logo após o ano novo e Harry, Rony, Hermione e Gina não haviam visto Áquila ainda. Gina havia começado um namoro com Miguel Corner, mas não estava indo muito bem, na verdade, estava péssimo. Draco estava recolhendo seus objetos no quarto de monitor, quando alguém bateu na porta. Ele abriu, era Hermione.

  - McGonagall pediu para você trancar o quarto após sair. - ela disse, evitando olhar para os olhos dele. 
  - Tá bom. - ele disse, se aproximando.
  - Não se atreva. - ela deu dois passos para trás e saiu correndo, quase tropeçando em seu malão, que estava carregando.

  Draco estava desmoronando. Ele não sentia por Astoria tudo que sentira por Hermione, ou tudo que ainda estava sentindo? Se ela chorara, seria por ciúme? 
  Ele fez o que Hermione pedira, trancou a porta da frente de seu dormitório. Logo após, foi para o salão principal, que já estava vazio, pois todos estavam ao lado do Expresso de Hogwarts. Draco não tardou a entrar depressa no trem para pegar uma cabine logo no começo do corredor. Ele encontrou Astoria pelo caminho e a convidou para lhe fazer companhia.

  - Vou sentir saudade, anjinho. - ela disse, já sentada com ele na cabine - Três semanas... só vou te ver novamente no dia 10 de janeiro.
  - É, também. Calma, Astoria, hoje é dia 20, não demora muito. - Draco na verdade não ia sentir muita falta de Astoria, ou ia? Apenas pelo fato de que beijá-la lhe fazia pensar em Hermione.
  - Me dá um abraço.

  Ele abraçou Astoria. Ela fechou os olhos, ele ficou encarando o vidro da cabine, por onde viu Hermione passar. Ela parou, encarou seus olhos cinzas e ele os olhos cor-de-chocolate. A expressão da garota era decepcionadamente irritada, ou irritadamente decepcionada? Ela abriu a boca para dizer algo que Draco nunca soube o que era, pois ouviu a voz de Rony pedindo que ela andasse mais rápido e foi o que ela fez. Virou a cabeça para frente novamente e saiu andando. Draco suspirou desanimado.

  - O que houve, anjo?
  - Nada, Astoria. Só está abafado aqui.
  - Abafado? Mas amanhã começa o inverno, como pode estar abafado? Você está me escondendo alguma coisa, Draco? - Astoria "desabraçou" o garoto e lhe olhou com raiva - É essa Hermione Granger, não é? 
  - Astoria, não precisa ser tão ciumenta. - ele olhou para ela, também irritado.
  - Não precisa? Que show foi aquele que ela deu com você no corredor há um tempo?
  - Francamente! Você ainda está pensando nisso? Fazem dois meses!
  - Mas aconteceu, não aconteceu? Ou eu estava delirando?
  - Aconteceu. - Draco se deu por derrotado - Vamos parar de falar e pensar nisso, tudo bem? Pare de se preocupar a toa.

  Astoria demorou, mas concordou com o namorado de que deveria se acalmar. Draco deitou no colo dela e dormiu durante a viagem, sem se incomodar com Crabbe, Goyle, Pansy Parkinson e Blásio Zabini conversando junto com Astoria na cabine. Todos já estavam com roupas de trouxa pois haviam as vestido ainda na escola de Hogwarts. 
  O trem parou e Astoria acordou Draco. Todos saíram e foram encontrar seus pais na plataforma 9 3/4.

  - Draco! - Narcisa abriu os braços e recebeu o filho num abraço apertado e amoroso - Sentimos sua falta!
  - Também senti, mamãe! - ele disse, abraçando a mãe e o pai ao mesmo tempo.
  - Você está pálido! Tem se alimentado direito? - disse Narcisa, agora olhando para Draco e colocando as mãos em seu pescoço e testa para checar se ele estava com febre.
  - Eu sempre fui pálido, mãe. - ele estava certo - A senhora se preocupa a toa.

  Lúcio Malfoy concordou com o filho. Olhou ao redor e viu Hermione Granger abraçano seus pais.

  - Sangues-ruins e seus pais trouxas. - disse Lúcio - Sempre infestando a plataforma.
  - Dê um tempo a eles, pai. - Draco pediu, gerando espanto ao pai, que nada disse.

  Draco, Lúcio e Narcisa Malfoy atravessaram a barreira que divida o mundo trouxa da Plataforma 9 3/4 e voltaram para a mansão de sua família utilizando vassouras Nimbus 2001.
  Harry deu um longo abraço em Sra. Weasley.

  - Harry, querido! Como está?
  - Muito bem, senhora! - ele se soltou do longo abraço.
  - Mamãe, o Harry pode ir para A Toca com a gente? - Gina perguntou.
  - Ora, mas que pergunta! - disse Sra. Weasley - Mas é lógico! Harry seria uma ótima companhia para o Natal.

  Harry enviou uma carta para seus tios avisando-lhes que não iria para o Natal, mas achava que eles iam ficar felizes por isso. Foram para A Toca no Nôitibus Andante. Assim que chegaram, Rony correu para vomitar pois a rapidez do ônibus lhe deixou enjoado, os gêmeos se trancaram em seu quarto, provavelmente para trabalhar em mais coisas das Gemialidades Weasley. Já Sr e Sra Weasley foram para a cozinha. Percy, Carlinhos e Gui não estavam em casa. Só sobraram Harry e Gina na sala, sentados juntos no sofá.

  - Então, Harry, você está indo bem com a Cho? - Gina perguntou, enquanto bebia um suco de abóbora.
  - Terminamos. - ele disse.
  - QUÊ? - ela cuspiu o gole que havia colocado na boca.
  - É, faz dois meses, você não sabia?
  - Desconfiava, é... vocês... digo, - Gina estava um pouco enrolada, a informação fora um choque de alegria - eu não te via muito com ela há um tempo.
  - Eu soube que você e Miguel Corner estão namorando. - disse Harry - Ou terminaram também?
  - Acertou. - ela disse - Sabe, ele não é quem eu amo de verdade...
  - Ah, e quem é?
  - Quer tentar a sorte?
  - Acho que posso desconfiar. - Harry colocou a franja de Gina para trás da orelha e encarou os olhos dela. Ele foi se aproximando de seus lábios, mas ela recuou.
  - Aqui não, Harry. - ela disse - Alguém pode nos ver. Eu gosto de você, mas não acho que seja muito normal você decidir gostar de mim assim, do nada...
  - Eu comecei a pensar no caso desde que Hermione me contou que você gosta de mim. - ele disse - Isso foi no dia em que eu e Cho terminamos.
  - Nesse caso, - Gina se levantou do sofá - Se você quer, vem pegar.

  Ela lançou em Harry um olhar desafiador e saiu correndo não muito rápido em direção ao segundo andar. Ele permaneceu sentado por uns 10 segundos e foi atrás dela, que o esperava no topo da escada. Ele subiu e ela tentou fugir, rindo, mas ele segurou seus dois braços e a imobilizou.

  - Vai tentar fugir? - ele lhe lançou um sorriso de canto.
  - Não mesmo. - ela riu - Mas acho bom que nenhum dos meus irmãos fique sabendo.

  Harry soltou os braços de Gina e segurou o rosto da menina. Ele olhou para os olhos verdes e radiantes dela, enquanto ela fazia o mesmo com ele, que possuía os olhos da mesma cor. Harry encurralou Gina na parede e selou seus lábios com um beijo cheio de vontade. Ele passou a segurá-la pelo queixo e ela abraçou a cintura dele. O beijo era caloroso e cheio de paixão, não havia um pingo de malícia por ali, porém, era de tirar o fôlego. Durou muito tempo, até que interromperam-no vagarosamente e se olharam nos olhos. Gina sorriu e Harry fez o mesmo, ficaram se olhando até acordarem do transe e perceberem que algum dos irmãos de Gina poderiam aparecer. A menina saiu dos braços de Harry e desceu as escadas correndo em direção à cozinha.
  Era véspera de Natal. Todos estavam à mesa, Sra Weasley havia preparado um delicioso frango assado com batatas à doré. Gina e Harry estavam em lados opostos da mesa e lançavam olhares um ao outro constantemente. Desde aquela noite, os dois sempre costumavam sair dos quartos após todos estarem dormindo para que pudessem se beijar sem ser vistos. Harry era quem devia ser o mais cauteloso possível, pois dividia o quarto com Rony. Ele acordara duas noites em que Harry saíra e nas duas lhe perguntara aonde estava indo.

  - Vou ao banheiro. - Harry dizia - Comi muitos doces ontem.

  Já estava perto de dar meia noite, quando várias corujas entraram pela janela. Hermes, com um cartão de felicitações enviados por Percy, que fez Sra Weasley desabar no choro, uma coruja com quatro presentes para os sobrinhos de tia Muriel, outra trazia presentes de Sirius e também haviam outras que haviam trago presentes enviados por Remo e Tonks, além de cartões de Carlinhos e Gui. Um pouco depois, Edwiges entrou, carregando com dificuldade, 5 embrulhos, para Harry, Rony, Gina, Fred e Jorge, todos enviados por Hermione. Harry havia ganhado um kit de três livros sobre quadribol e alguns sapos de chocolate, Rony recebera uma caixa de feijõezinhos de todos os sabores e um livro sobre os Chudley Cannons, que eram seu time de quadribol preferido. Fred e Jorge receberam, cada um, uma maleta com vários compartimentos, que veio com um cartão escrito "Para suas invenções". Por último, Gina foi presenteada com um livro chamado Animagos e Metamorfomagos, que veio com um cartãozinho pregado que dizia "Use-o bem e não deixe que ninguém o veja". Provavelmente Hermione queria que Gina procurasse pelo nome de Áquila ali ou alguma informação que poderia levá-los a ter certeza que a menina era mesmo uma águia. Era meio impossível que não vissem o livro, mas Gina teve sorte, pois ninguém havia perguntado o que ela recebera. As corujas foram embora, menos Edwiges, que foi para a mesa bicar algumas batatas, pois fizera uma dura viagem. 
  Rony roncava. Harry saiu do quarto sorrateiramente. Gina já o esperava no corredor. 

  - Que tal fazermos algo diferente hoje? - ela sorriu - Vem comigo.
  - Para onde está me levando? - Harry disse, enquanto Gina o levava para a porta da frente.
  - O que acha de ficarmos no jardim hoje? - Gina parou à porte - Bem, só se você quiser.
  - Gina, acho melhor não sairmos, podem nos ver.
  - Você tem razão. Quer ficar aqui na sala? Podemos assistir alguma coissa nesse aparelho trouxa que papai comprou. Você sabe como isso funciona?
  - Isso se chama televisão, tem vários na casa dos meus tios. - Harry disse, apertando o botão para ligar. Estava passando um filme de romance no canal em que se localizava. - É bem divertido.
  - É tão bonito.

  Harry deitou de barriga para cima no sofá e Gina se aninhou em seu peito. Ela dormiu rapidamente, em rápidos cinco minutos e ele foi pegando no sono conforme os minutos longos se passavam.
  Quando deu por si, Harry não estava mais no sofá, muito menos na casa da família Weasley. Era madrugada de natal ainda e ele estava andando por uma rua deserta, até que entrou no quintal de uma casa, uma mansão gigantesca, para ser preciso. Ele atravessou o espaço até chegar no portão. Não foi preciso dizer nada, o dono da casa havia notado sua presença e aberto a porta. O que faria? Algo lhe dizia que devia entrar e foi isso que fez. O homem que abrira a porta estava agora dando voltas pela sala. Harry não conseguia identificar quem era, o rosto da figura e o todo o local estavam embaçados, talvez ele estivesse sem seus óculos.

  - Eu suplico, milorde... - disse o homem.
  - Você teve seu tempo. - Harry disse. Sua voz saiu fria e aparentemente ofídica. - Eu lhe avisei, ordenei que o convocasse, mas você falhou.
  - Me dê só mais alguns dias, por favor. - o homem agora estava parado e encarava Harry, mas mesmo assim ainda não conseguia ver sua face nítidamente. - Uma segunda chance.
  - Eu não dou segundas chances. Faz muito tempo que venho lhe pedindo isso, mas tudo que tem me dito são desculpas esfarrapadas.
  - Milorde, ele é muito jovem!
  - NINGUÉM, - Harry gritou, ainda com sua voz fria e maléfica - ninguém é jovem demais para decidir que lado quer seguir.
  - Milorde, por favor, ele...
  - Silêncio!
  - Mas Milorde...
  - Eu mandei você calar a boca! - Harry apontou a varinha para o rosto do homem. Sua mão estava branca, aliás, tudo que via era um borrão branco, que ele mesmo concluiu ser sua mão.
  - Só quero dizer uma coisa, Milorde!
  - Você falhou, me enrolou, você não é mais útil para mim. Posso ser bonzinho com você e te dar um tempo para escrever sua carta de despedidas para sua mulher e seu filho.
  - Milorde, por favor...
  - Avada Kedavra! - Harry disse. O homem caiu no chão, com seus cabelos e loiros esvoaçando durante a queda.

  Harry saiu da casa. A marca negra estava no céu, sobre o loca. Sem explicações, ele ouviu uma mulher gritar de terror, era a voz de uma mulher adulta, que estava acompanhada por um garoto, que gritava "Não, não!". A voz do garoto lhe era familiar. Logo após, ouviu outra voz, uma garota, tinha certeza que era Hermione, mas a voz não estava alta, estava em sua mente, só ele podia ouvir. "Oclumência, Harry", foi o que a Hermione disse.

*

  - Harry! - uma voz conhecida falou, a pessoa sacudia Harry. - Acorda, Harry! Por favor!
  - Não! Eu não saí daqui! Eu não fiz nada! - Harry se sacudiu nos braços da pessoa, ainda de olhos fechados.
  - Harry, por favor, você está bem? - ele reconheceu ser Gina e abriu os olhos. - Quer que eu chame o papai? 
  - Não, eu estou bem. - disse, sentando-se no sofá. Sua cicatriz estava queimando tanto que o cegava de dor. 
  - Tem certeza? - ela perguntou - Você está suando muito e também estava falando umas coisas estranhas.
  - Há quanto tempo? O que eu estava dizendo? - ele esfregou a cicatriz.
  - Primeiro você deu um grito, não muito alto, o que me acordou, logo após, você disse alguma coisa sobre não dar segundas chances, - Gina disse - aí eu tentei te acordar, mas você me mandou calar a boca, só que eu não desisti. E antes de você dizer que não tinha feito nada, você mencionou uma tal de Oclumência. Posso saber quem é essa? É uma garota? Ela é bonita?
  - Eu não sei o que é Oclumência, Gina. - Harry estava falando a verdade - Eu ouvi uma voz me dizendo isso, parecia a Hermione. 
  - Harry, acho melhor voltarmos para o quarto, seus gritos podem ter acordado alguém. 

  Harry levou Gina até o quarto dela e lhe deu um longo beijo como forma de despedida. Ele entrou no quarto e Rony falava enquanto dormia.

  - Aranhas! - ele falou - Eu estou dominando as aranhas!

  Harry deu uma risada baixa e deitou-se em sua cama. A dor intensa na cicatriz havia cessado. Ele nunca havia se sentido dessa forma antes. Por qual motivo ele estava daquela forma no sonho? Ele sabia que nenhum ser humano inventava coisas no sonho, tudo que aparecia enquanto sonhava eram rostos e vozes conhecidos, ele sabia, mas não tinha noção a quem pertenciam. Ele iria escrever uma carta para Sirius no dia seguinte, explicando o que ocorrera, quem sabe ele possuía uma resposta? Ou talvez pedisse ajuda para Dumbledore?

   

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